História Universal War - Capítulo 2


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Categorias Dragon Ball
Personagens Androide Nº 17, Androide Nº 18, Bulma, Chichi, Dende, Freeza, Gohan, Goku, Kuririn, Lunch, Mestre Kame, Nappa, Oolong, Piccolo, Raditz, Tenshinhan, Tights Brief, Vegeta, Yamcha
Tags Bulma, Chichi, Distopia, Dragon Ball Z, Ficção Cientifica, Goku, Guerra, Romance, Sci-fi, Vegeta
Exibições 36
Palavras 2.610
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Científica, Lemon, Mistério, Romance e Novela, Sci-Fi, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - Bulma e a andróide


Fanfic / Fanfiction Universal War - Capítulo 2 - Bulma e a andróide

A julgar pela coleta bruta de informações visuais, Lunch era vegana, míope, loira natural, praticante de atividade física regular, e havia visitado alguma praia nos últimos meses, dentre outros detalhes que Bulma podia afirmar apenas em olhá-la. Sua mente funcionava desse jeito, algo semelhante ao que Sherlock Holmes fazia com sua arte de deduzir. A memória fotográfica da cientista era tão boa que nada passava batido por seus olhos azuis atentos.

A maioria das pessoas costuma lembrar com detalhes de seus momentos mais importantes na vida, mas para Bulma, era como se cada situação fosse a mais importante de sua vida. Seu cérebro lembrava com vívidos detalhes cada momento que guardava na memória. Portanto, graças às habilidades especiais de sua genética, Bulma sabia que Lunch era sincera ao dizer que sentia muito pela morte da irmã. Era uma jornalista honesta, talvez uma das ultimas de sua espécie. Também sabia que aquela história a afetaria de uma forma permanente. Talvez fosse pesado demais usar uma pessoa que parecia ser tão legal para arquitetar seu plano, mas o mundo precisava ouvir as vozes daqueles que foram calados por tanto tempo.

A cientista tinha consciência, no entanto, que a publicação daquela biografia seria como jogar merda no ventilador. Tenshinhan seria o primeiro a protestar, com aquele jeitão antisocial dele, sem transparecer qualquer traço mais afável de sua personalidade verdadeiramente doce. Queria ver a loirinha esperta tentando lidar com o inacessível Tenshi, que vivia isolado nas montanhas. Oolong e Yamcha iam querer saber dos lucros financeiros por trás da exposição, provavelmente iriam gostar de aparecer se o livro os transformassem em celebridades. E Goku... Bem, Bulma não tinha notícias de seu melhor amigo há muito tempo, mal imaginava o que poderia pensar daquilo tudo. Nenhuma pessoa era tão incógnita para Bulma quanto Goku, o que era irônico, porque se tratava de seu irmão e era a pessoa com quem mais convivera a vida toda. Ainda assim, era a criatura mais difícil de ler de todas que já conhecera.

Ela voltou aos afazeres do laboratório assim que Lunch saiu do escritório. Precisava terminar o design estético daquela andróide antes do meio-dia. Estava sozinha diante do painel que mostrava toda a estrutura de No.18. O modelo 16 havia sido um fracasso e nem fora lançado, já o andróide 17 apresentava melhores resultados e no momento fazia companhia para Kuririn em sua nave a caminho de Saturno.

Enquanto mexia nos traços da andróide feminina, ligou o dispositivo móvel no ouvido e escutou chamar no outro lado da linha. Quando Kuririn e seu grupo de cientistas saíram para desvendar um buraco negro nos arredores dos anéis de Saturno, Bulma fez em segredo um dispositivo de comunicação para os dois se falarem durante a viagem. Era uma quebra de protocolo bem séria, já que era ela quem fazia os relatórios semanais da expedição nos registros da Corporação. Mas como era uma das idealizadoras do projeto e amiga de Kuririn desde sempre, se sentia no direito de quebrar as regras.

— Achei que você não fosse mais ligar hoje. – disse Kuririn ao atender o telefone da nave.

— Eu ainda nem almocei! Que horas você pensa que são? – riu a garota em resposta. – Além do mais, ainda to trabalhando na Número 18.

— Aqui é sempre de noite, não faz diferença saber que horas são. Ainda não terminou a andróide? No meu tempo de engenheiro da Corporação você fazia melhor que isso.

Bulma riu novamente com o comentário.

— Só falta a carcaça dela, na verdade. Não sei como eu quero que ela se pareça.

— Faz ela bem gostosa, com uns peitões e uma bunda redondinha.

— Você é um babaca mesmo! É exatamente disso que eu to falando. Não sei se faço ela como uma pessoa normal ou parecida com alguma modelo da Victoria's Secret.

Kuririn riu do outro lado da linha.

— Não quis ofender sua moral feminista, desculpa, mas já que a máquina é sua por que não fazer uma Ferrari logo de uma vez? – disse o baixinho. – Falando nisso, você tem alguma notícia daquela ruivinha da Dior?

O amigo nao pôde ver, mas Bulma revirou os olhos de tédio nesse momento. Kuririn, apesar da estatura baixa e da aparência mediana, tinha um histórico de modelos maravilhosas em sua vida amorosa. Ninguém nunca entendeu muito bem como ele sempre pegava as mulheres mais lindas, mas no fim das contas Bulma sempre tinha que ficar ouvindo sobre a ruivinha do novo perfume da Dior, a loirinha da nova campanha da Gucci, a morena da Chanel...

— Eu soube que ela tentou entrar em contato comigo pra saber notícias suas, mas ignorei, não sou obrigada a lidar com as suas enrolações amorosas. Você não tem vergonha de ficar iludindo essas mulheres? Não quero nem saber a história que você inventou pra essa aí!

— Ah, eu falo com ela quando voltar. Não tenho muito o que fazer daqui de cima mesmo. – disse Kuririn ao ignorar o sermão da amiga. – Estamos perto de passar por Júpiter e a convivência com o grupo está cada vez mais ociosa. Nenhuma novidade pra animar minha vida de astronauta?

— Aquela jornalista veio aqui hoje. Lunch alguma coisa, sabe, aquela colunista de política do West Coast. Você ia gostar dela, loira, olhos verdes, sardinhas no rosto, óculos de grau...

— Hm, parece interessante! É aquela da biografia?

— Sim. Parece ser uma pessoa legal, de verdade.

— Tem certeza que quer seguir com essa ideia, Bulma? Nunca foi dito nada sobre o que aconteceu com a gente e de repente vamos falar tudo de uma vez?

— Vai ser melhor, Kuririn, confia em mim! Até já encaminhei ela pra entrevistar os outros.

— Os outros? Nossa! Eu não quero nem ver a cara do Tenshinhan quando descobrir que você deu o endereço dele pra alguém. Ele ainda mora na puta que o pariu?

— Se você quis dizer cabana caindo os pedaços no fim do vale das montanhas, sim, ele ainda mora lá. – respondeu ela enquanto decidia a cor dos olhos de 18. – Mas eu falo com ele de vez em quando, por telefone, e parece que ele está bem. Até disse que vai vir na minha festa de aniversário.

— Essa eu quero ver! E o Goku?

Bulma ficou séria só de lembrar do irmão adotivo.

— O que tem ele?

— Você não teve mais nenhum sinal de vida dele?

Ela soltou um suspiro pesaroso sem saber o que responder.

— Aquele ali não tem jeito, Kuririn. Um belo dia ele vai aparecer morto e a gente nem vai poder saber o que aconteceu.

— Credo, Bulma! Você nunca mais ligou pra Chichi? Ela deve saber alguma coisa.

— A última vez que falei com a Chichi ela também não sabia. Não sei como aquela mulher atura tanta coisa. Aliás, questionei isso pra ela na última ligação e acabamos brigando, vê só!

— Bom, a gente sabe que ela nunca foi com a sua cara, né.

— Só porque eu sou uma mulher da ciência e ela uma legítima mulher cristã. Não é culpa minha que Deus não existe! – riu.

— Você sabe que não é por isso que ela não gosta de você.

Kuririn era uma das únicas pessoas que tinha total abertura para falar com Bulma de maneira mais íntima. A conhecia muito bem, desde que eram muito pequenos, o que impedia que a cientista escondesse qualquer coisa dele.

— É um absurdo ela ter ciúmes de mim e de Goku, Kuririn! Somos irmãos!

— Eu sei que é um absurdo, mas a Chichi é meio doida, você sabe. – concordou. – Não vejo a hora de chegar a Saturno, estudar esse maldito fenômeno e voltar logo pra casa. A galera aqui tá bem animada em explorar o buraco negro, mas eu to meio preocupado, sabe?

— Com o que? Você é um cientista, homem! Sabe que a maioria dos absurdos ditos sobre buracos negros são lendas urbanas. Liderar essa expedição vai ser ótimo pra sua carreira, imagina a festa quando você chegar na Terra! Vão colocar seu quadro no saguão da Corporação.

— Não sei, Bulma! A situação toda é bem estranha, não acha? Primeiro esse buraco negro aparece da noite pro dia, depois ele aumenta de tamanho muito rapidamente, quer dizer, crescer de um ponto minúsculo pra uma sombra quase do tamanho de Plutão em seis meses é bem rápido. E de repente ele estabiliza? Andei pensando nisso e é realmente estranho demais.

— Você andou pensando nisso porque está em confinamento no meio do sistema solar. É claro que a solidão vai fazer você pensar merda! E o buraco negro não apareceu lá da noite pro dia, a gente só nunca notou ele ali. Fora que esperamos um ano pra ter certeza que ele não aumentaria mais de tamanho.

— Você provavelmente tem razão. – suspirou. – Essa minha paranóia deve ser o isolamento falando por mim.

— Anime-se! Vocês chegam em Saturno em poucos dias, vai ser uma experiência incrível! Nenhum ser humano jamais esteve tão longe da Terra antes. Você é um pioneiro, meu caro! Todos os cientistas que eu conheço fariam de tudo pra estar no seu lugar.

Aquelas conversas sempre serviam de apoio mútuo. Kuririn estava no espaço, longe de todos que mais amava, inevitavelmente num estado muito solitário. Já Bulma, pouco tinha contato com os seus melhores amigos, além de Yamcha que era seu namorado. Se é que ainda podia chamá-lo assim. Ela mal sabia, era tanto vai-e-vem desde que começaram a ficar que já não sabia dizer a que tantas andava aquele relacionamento. Até nisso o baixinho careca parecia lhe ajudar, já que também conhecia Yam desde sempre e era tão amigo dele quanto de Bulma.

— Vocês vão acabar casando. – disse o amigo quando o assunto chegou na vida amorosa dela. – Você e Yamcha são um daqueles casais de filme que sempre tem problemas, mas acabam juntos no final.

De frente pra enorme tela de computador, Bulma optou por escolher um penteado curto para a andróide. Liso e levemente ondulado em torno do rosto. Automaticamente, ainda envolvida pela conversa com o amigo, escolheu uma roupa preta e branca com uma jaqueta jeans para a moça.

— Não sei, não! As coisas andam complicadas entre a gente. Ele é muito dissimulado, você não faz ideia! Eu odeio quando ele mente pra mim achando que me engana.

— Com a sua mente leitora de pessoas é meio patético alguém tentar mentir pra você.

— É ridículo! É como se ele não me conhecesse ou me subestimasse, sei lá! Toda vez que ele mente faz os mesmos gestos. A entonação de voz, os movimentos com as mãos, a pausa entre uma palavra e outra, o breve instante de hesitação quando pergunto alguma coisa, os nervos ao redor dos olhos que fazem a pálpebra dele mexer, a divisão da sílaba tônica quando ele tá nervoso, até isso muda! Fora a maneira como ele pisca os olhos quando tá inventando uma história. De cinco em cinco segundos ele pisca duas vezes e depois arregala os olhos.

— Às vezes você me dá medo. – disse Kuririn depois de ouvir a fala exasperante da amiga. – Você sempre sabe? Quando alguém tá mentindo?

— Eu sempre sei um monte de coisas que as pessoas não percebem. Você, por exemplo, quando mente, coça a cabeça e o braço. Não só quando tá mentindo, mas em qualquer situação que te deixa nervoso. É um cacoete bem nítido.

— Hm, quer dizer que sou previsível?

— Sim, mas no melhor dos sentidos. Quando uma pessoa tem muitas minúcias ao mentir é porque muito provavelmente ela mente há tempos e já desenvolveu vários vícios de linguagem. Você não, é um mentiroso honesto!

Bulma ficou feliz ao ouvir que tinha arrancado uma gargalhada do amigo.

— Você tem que me ensinar esses seus truques, Bul!

— Nasça de novo com um cérebro tão bom quanto o meu e quem sabe eu te ensino.

— É esquisito, parece que todo mundo passa por um raio-x sob seus olhos.

— Nem todo mundo é tão legível, na verdade.

— Eu já imagino de quem você esteja falando. – comentou Kuririn depois que se fez um silêncio breve. – Ele sempre foi diferente. E ser uma criatura estranha dentre crianças mutantes é bem bizarro.

Bulma não parava de pensar no irmão sumido. Era realmente um ser único. E isso era insuportável em muitos aspectos.

— Era muito bom quando a gente se via todos os dias, não era?

— Sim. Tivemos uma boa infância juntos.

— E olha só pra gente agora... Você nos confins do sistema solar, eu colocando um robô no forno, Tenshi cortando lenha na puta que o pariu...

— Oolong vendo revistas pornográficas no sótão da Uranai, Yamcha tentando mentir pra pessoa mais inteligente do mundo...

— E Goku sumido do mapa, como sempre. – disse Bulma depois de rir com a brincadeira. – Nunca pensei que ele fosse se tornar um legítimo homem de família, muito menos um péssimo pai!

— O Gohan ainda fala com você?

— Quase todo dia. É uma criança muito esperta, até já sabe me ligar sozinho sem a ajuda da mãe.

— Como eu sinto saudades daquele pirralho! – suspirou Kuririn. – E aí, vai terminar essa andróide hoje mesmo?

— Já acabei! Agora só esperar as supermáquinas da Corporação fazerem o resto.

— Ela ficou gostosa? Descreve ela pra mim.

— Nem vagando no espaço você sossega! Credo! – riu a garota. – Loira, branquela, olhos azuis, cabelos curtos, 1,65 de altura, 52kg...

— E que número ela calça? Porque eu tenho a impressão de que essa vai ser a minha Cinderela.

Bulma torceu o rosto numa careta ao ouvir a cantada de pedreiro do amigo, mesmo já estando acostumada a brincadeiras daquele tipo.

— Ela tem habilidades de luta, sabia? Sua Cinderela pode te dar uma surra. Não conte pra ninguém, mas pretendo ter esse protótipo comigo. Como uma espécie de segurança particular.

— Você pensa em tudo, não é mesmo?

Logo após finalizar o design da andróide 18, Bulma ouviu o celular da Corporação bipar incessantemente. Já estava perto do almoço e não imaginava que pudesse ser algo de suma importância, mas se despediu de Kuririn quando viu que o aparelho não ia parar de tocar.

— Vê se para de pensar besteiras e tenta dormir um pouco. – aconselhou a cientista. – Assim que eu tiver na Corporação amanhã de manhã já te ligo de novo.

— Vou esperar por novidades. Apesar de que não vai surgir nada de interessante que eu sei. Vocês aí da Terra não sabem viver com emoção.

Ela soltou uma risadinha antes de dizer tchau. Era verdade, nada de muito emocionante acontecia na rotina dos cientistas, aquela expedição ao buraco negro tinha sido - em anos - a coisa mais intrigante no mundo da física.

Atendeu o celular vendo que era o número de seu pai. Ficou apreensiva por algum motivo, e como se soubesse o que viria, já saiu do laboratório em direção as saídas pelos corredores. A voz do Dr.Briefs era carregada de aflição.

— Olá, querida! Você precisar largar tudo o que está fazendo agora e ir até a minha sala de reunião imediatamente.

— Pai, o que houve? O senhor tá me assustando!

— Reunião sigilosa no vigésimo quinto andar agora! Suba aqui e falaremos a respeito. – ele suspirou antes de continuar. – Não é seguro falar por aqui, mas... estávamos redondamente errados sobre o buraco negro.

Um calafrio percorreu o corpo de Bulma enquanto ela já se dirigia para os andares superiores. Havia deixado o dispositivo com o qual falara com Kuririn em seu laboratório. Era um dos únicos lugares onde conseguia sinal para falar a planetas de distância. Por um breve momento se arrependeu. Aquele baixinho era sua família. Milhares de temores passaram pela sua cabeça, dos mais plausíveis aos mais irracionais medos, mas dentro do elevador que seguia para o último andar a única coisa na qual não conseguia parar de pensar era que precisava encontrar Goku.



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