História UNSWERVING III - Capítulo 84


Escrita por: ~

Postado
Categorias Justin Bieber, Kendall Jenner
Personagens Alfredo Flores, Jaxon Bieber, Jazmyn Bieber, Justin Bieber, Kendall Jenner
Visualizações 111
Palavras 5.281
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Famí­lia, Festa, Hentai, Luta, Policial, Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 84 - THE END (PART II)


Fanfic / Fanfiction UNSWERVING III - Capítulo 84 - THE END (PART II)

KENDALL POV

- Kendall, você está pronta? – Minha mãe entrou no quarto.

- Eu não vou. – Eu digo deitada na cama passando os canais da televisão.

- Como assim, filha? Você é a esposa dele! 

- Era. – Rebato. – Ele morreu, eu não tenho mais marido.

- Kendall... – Ela suspira se sentando na cama. – Se você não quer fazer isso nem por si, nem por ele, faça por seus filhos. Eles merecem isso. Merecem estar presentes nesse momento.

- Eles são bebês, nem vão lembrar disso, mãe. – Digo amarga.

- Kendall, todos estão segurando a maior barra, você não é a única que está sofrendo! – Ela perdeu a pouca paciência que tinha. – A irmã dele, que o conhece desde que se entende por gente, também o perdeu e você não deu a mínima para ela. Você sai falando pra todos que está cansada de consolar todo mundo, mas até agora eu não te vi fazer nada a não ser reclamar da sua vida, dos outros que estão sofrendo pelo seu marido ou das pessoas que tentam te ajudar. – Se levanta da cama irritada. – Eu sinto muito que você tenha perdido o amor da sua vida, eu também perdi um filho, mas você tem quase 23 anos, dois filhos pra criar e uma carreira. Então pare de esperar que a solução caia do céu e se mexa pra que tudo isso passe e melhore! Você não precisa superá-lo, você precisa seguir em frente!

- Terminou? – Foi o que eu respondi, com lágrimas nos olhos e um amargor nos lábios.

- Não. Como sua mãe eu estou mandando: vá se vestir para o enterro do seu marido! – Ela disse e saiu do quarto, batendo a porta. 

Conferi as crianças que dormiam e fui pro chuveiro. Tomar banho era meu refúgio nesses últimos dias; eu podia chorar o mais alto que eu quisesse e ninguém poderia me ouvir ou me impedir. Afinal, era só um banho. Eu lavei meus cabelos pensando no enterro. Não havia sobrado nada dele, então por que um enterro? Minha mãe inventou essa história e todos apoiaram, agora eu sou obrigada a ir nesse evento. O pior de tudo eram os olhares que eu recebia. Aqueles olhares vazios para a pobre coitada viúva. Era óbvio que eu me sentia mal, mas eu não precisava de ninguém me lembrando disso a todo segundo. Ninguém me dava tempo pra respirar. E minha mãe acha que morando na minha casa, enchendo meu saco 24h por dia, está me ajudando a consolar. Eu não preciso que ninguém fale comigo sobre isso. Eu preciso que eles me ajudem a esquecer, não a lembrar. Quando saí do meu transe, eu já enxaguava meu corpo depois de tê-lo ensaboado. Lavei meu rosto e sai do banho, caminhando pro closet. Vesti roupa íntima, um vestido longo com mangas longas preto e calcei saltos, não tão altos, pretos. Sequei meu cabelo e passei um pouco de maquiagem pra disfarçar minha cara de derrotada. Dei banho em meus dois bebês e os vesti de preto, pondo acessórios azuis em Andrew e acessórios rosas em Candace. Coloquei-os no carrinho e sorri de leve reparando em como eles eram lindos. Saí do quarto e desci de elevador até a sala, saindo com as crianças para a cozinha.

- Boa tarde. – Sussurrei assim que passei pela porta.

- Olha se não é o bebê da madrinha! – Jazzy forçou um sorriso para Andrew.

- E a gata da titia. – Gigi tentou se animar, mas pareceu ser falsa com a criança.

Todos estavam segurando a barra. Respire fundo.

- Como você está? – Jazzy perguntou quando me sentei ao seu lado na mesa pra almoçar.

- Bem, eu acho. – Respiro fundo para responder a pergunta. – E você?

- Dentro do possível. – Disse suspirando.

- Estamos na merda. – Admito e a ouço rir de leve.

- E que merda. – Dá ênfase.

Uma hora depois eu estava descendo no cemitério, tirando Candace e Andrew da cadeirinha e colocando-os no carrinho. Pus meus óculos escuros e segui minha mãe que conversava com o coveiro. A família toda estava ali, inclusive Jaxon, que fez questão de ficar comigo e com seus sobrinhos a todo momento. Aquilo não se estendeu por muito tempo, já que aquilo tudo não passava de uma mentira. Não havia corpo, não havia enterro. O padre fez uma breve oração e em seguida o caixão preto e branco foi baixando pra dentro da cova. Cada um dos meninos teve direito de jogar um pouco de terra sobre o caixão, assim como eu e Jazzy. Depois, o coveiro terminou o serviço. Os gritos de Jazmyn me dilaceravam enquanto eu estava agachada no gramado em prantos. O corte que eu tentava cicatrizar nesses poucos dias havia estourado todos os pontos e jorrado sangue novamente. Era exatamente isso que eu temia. Eu estava afundando e não sabia como me reerguer. Antes que aquilo acabasse, dei a mão a Jaxon e empurrei o carrinho dos gêmeos para o jardim afastado dali. Eu coloquei o carrinho perto de um banco e deixei Jax brincando com os bebês. Eu me sentei na raiz da árvore atrás do banco e chorei tudo o que precisava chorar naquele momento.

- Dia difícil? – A voz falha de Ryan se aproximou e ele se sentou ao meu lado.

- Você nem imagina. – Ri sem humor algum e olhei para o carrinho dos gêmeos atrás de mim, conferindo-os. – Você parece mais novo de óculos escuros.

- E agora? – Ele tirou os óculos e estava com uma aparência péssima. 

- Coloque de novo, Butler. – Ri levemente e funguei logo em seguida, limpando meu rosto.

- Onde estão seus óculos escuros, garota? – Perguntou e eu arqueei uma sobrancelha, passando a mão em meus cabelos. – Quero dizer, você está tirando o maior sarro da minha cara, mas você parece minha avó com essas olheiras de panda!

- Ryan, seu filho da puta! – Gargalhei e ele me abraçou de lado.

- Ele faz falta, não é? 

- Muita. – Fungo novamente e tiro os óculos escuros de dentro da minha bolsa. – E aqui está a droga do óculos.

- Eu não acredito que você trouxe os óculos preferidos do Drew pro enterro do Drew! – Riu e eu revirei os olhos, segurando o sorriso. – Ele iria te zoar pra sempre.

- E eu iria pedir o divórcio. – Eu disse e ele gargalhou.

- Você é impossível. – Disse deixando um beijo no meu cabelo.

- E era por isso que ele era apaixonado. – Sussurro.

- Pode crer, Nicole. Você sempre será a "garota do Drew" ou a "primeira dama de Atlanta". Você é a gata foda que o domou, tenha certeza que onde quer que ele esteja, continua de quatro por você. – Diz me fazendo rir e chorar ao mesmo tempo.

- Eu amo você, Ry. – Digo puxando Jaxon para sentar entre nós e Ryan pôs meus filhos sentados em nossos colos.

Eu podia ter certeza que, se eu não conseguisse me erguer, eu teria as melhores pessoas pra fazerem isso por mim.

[...]

Três meses depois...

Eu estava indo embora. Deixando aquele lugar que me trazia tantas lembranças maravilhosas de um pedaço de mim que se foi. Eu me dei conta de que não conseguiria visar o futuro com o passado me atormentando. Então eu iria para o lugar que me trouxesse mais memórias com meus filhos, no lugar que eu mais amava estar. Na praia. Eu estava indo pra mansão de praia dos pais de Justin, onde nós nos reconciliamos quando descobrimos que eu estava grávida. E além disso, faltava apenas uma semana para o aniversário de um ano dos gêmeos. E por conta deles, não foi fácil convencer minha família a nos deixar ir.

 

Flashback on

- Jazmyn, eu não me sinto mais à vontade morando aqui. – Digo preenchendo o silêncio da mesa de jantar.

- Eu também não. Mas vou fazer o que? Me mudar? – Foi irônica.

- Eu vou. – Digo e os meninos soltam os talheres no prato, enquanto as garotas me olhavam boquiabertas.

- E vai pra onde? – Kylie perguntou assustada.

- Eu vou morar na mansão de praia. – Digo decidida.

- E você tomou essa decisão sem me consultar? – Jazzy perguntou confusa.

- E por que eu teria de consultar você? 

- Porque eles são meus sobrinhos, porque eu sou a única família próxima do pai deles que eles têm, porque Andrew é meu afilhado e porque você é minha melhor amiga! – Rebateu batendo na mesa.

- Jaz, não torne isso mais difícil do que já é. – Peço bebericando o suco.

- Kendall, Kylie e Gigi vão se casar em quatro meses! Achamos que você estaria aqui pra nos ajudar com isso. – Kourtney disse decepcionada. – E além do mais, Gigi pode dar à luz a qualquer momento. E Benjamin?

- Eu só vou me mudar, não vou embora da vida de vocês, parem de dramatizar. – Reclamei revirando os olhos. – Eu vou vir passar a tarde com o meu afilhado sempre que eu puder e eu não vou privar vocês de verem Candy e Drew. Eu ainda vou ajudar na organização do casamento e ainda vou estar aqui quando sua filha for nascer, Gigi. – Disse respirando fundo. – Eu só preciso de um tempo pra mim. Eu não estou indo embora. E vocês vão sempre poder me ver, não é nem duas horas daqui.

- Eu não acredito nisso! – Jazzy disse irritada e levantou da mesa, me deixando desconfortável naquela situação.

Flashback off

 

- Você tem mesmo que ir, Bels? – Kylie perguntou chacoalhando Candace em seu colo.

- Ela acabou de mamar, se você não parar de chacoalhá-la desse jeito, seu lindo cabelo lavado vai feder a gorfo pro resto do mês. – Aviso e ela faz uma cara de nojo, me fazendo rir. – E pela vigésima vez: sim, eu realmente tenho que ir.

- Você sabe que pode voltar a qualquer segundo, huh? Essa casa sempre vai estar de portas abertas pra vocês e a minha antiga casa também. – Disse beijando as bochechas de sua afilhada e eu assenti. – Vai ser muito difícil ficar longe dessa gostosura de criança!

- E você sabe que a casa da praia vai sempre estar de portas abertas pra receber vocês. – Digo sorrindo e pegando Candace no colo. – É bom você me ligar e ir me visitar, senão eu não te ajudo em porra de casamento nenhum!

- Você é ridícula! – Me abraça forte rindo. – Eu te amo, sis, saiba que essa fase ruim vai passar.

- Tudo passa, querida. – Digo me afastando dela quando todos da casa saem pro jardim para se despedir.

Em seguida eu abracei Kourtney, que me fez jurar ir vê-la sempre e passar um tempo com Benjamin, que não quis sair do meu colo. Me despedi de Alfredo e ele me apoiou, dizendo que eu sabia o que estava fazendo. Chaz me abraçou e me disse muitas palavras de apoio, que fizeram meus olhos encheram de lágrimas, mas Ryan foi responsável por fazê-las escorrer por minha bochechas com apenas um sorriso e um abraço. Chris foi quem secou minhas lágrimas e me fez rir antes que eu gargalhasse com a Gigi emotiva, mau humorada e enorme de grávida, reclamando comigo por eu estar indo embora. Como já tinha me despedido de Kim, Kanye, Saint, North, da minha mãe e de Corey, e de Khloé. Só restou Jazmyn. A garota não parava de chorar em nenhum momento e parecia o fim do mundo quando me abraçou forte.

- Lembra do juramento que nós fizemos antes de você namorar o Drew? – Ela perguntou.

- Que não importava o que acontecesse entre mim e ele, nós duas sempre seríamos irmãs. – Digo com a voz falha.

- Isso ainda vale, Kenny. Ele se foi, mas nós ficamos. Nós ainda somos irmãs. Você vai ser pra sempre a minha melhor amiga, morando na Rússia ou aqui na minha casa, ou na casa de praia ou em Los Angeles. – Disse se afastando de mim para que pudéssemos enxugar as lágrimas uma do rosto da outra. – Por favor, não me deixe lidar com isso sozinha. Seja presente.

- Eu estarei, Jaz. Eu te amo. – Sussurro beijando sua mão e ela beija minha testa.

- Se cuida, Nicole. – Disse depois de se despedir dos sobrinhos.

Eu sorri e arrumei as crianças nas cadeirinhas, no banco traseiro. Quando elas estavam bem presas, bati as portas e entrei no carro, sentando no banco do motorista. As malas já estavam no porta-malas e a música num volume baixo já estava no rádio quando eu acelerei acenando para a família que me manteve sob sua asa; era hora de me desvincular. E quando o vento fresco fez com que meus cabelos voassem pra trás ao som de 93 Million Miles – Jason Mraz, eu soube que o caminho era certo.

 

93 Million miles from the sun

People get ready, get ready

‘Cause here it comes, it's a light

A beautiful light, over the horizon

Into our eyes

Oh, my, my how beautiful

Oh, my beautiful mother

She told me: Son, in life you're gonna go far

93 milhões de milhas do sol

As pessoas preparam-se, preparam-se

Porque lá vem, é uma luz

Uma linda luz, além do horizonte

Dentro dos nossos olhos

Caramba, como é linda

Oh, minha bela mãe

Ela me disse: Filho, você irá longe na vida

 

If you do it right, you'll love where you are

Just know, wherever you go

You can always come home

Se fizer isso certo, amarás o lugar onde está

Apenas saiba, onde quer que vá

Você pode sempre voltar para casa

 

240 Thousand miles from the moon

We've come a long way to belong here

To share this view of the night

A glorious night

Over the horizon is another bright sky

Oh, my, my how beautiful

Oh, my irrefutable father

He told me, son, sometimes it may seem dark

But the absence of the light is a necessary part

Just know, you're never alone

You can always come back home

240 mil milhas da lua

Percorremos um longo caminho para pertencer a esse lugar

Para partilhar essa vista da noite

Uma noite gloriosa

Além do horizonte há outro céu brilhante

Caramba, como é lindo

Ó, meu pai irrefutável

Ele me disse, filho, às vezes, pode parecer escuro

Mas a ausência da luz é uma parte necessária

Apenas saiba, que você nunca está sozinho

Você sempre pode voltar para casa

 

You can always come back

Você pode sempre voltar

 

Every road is a slippery slope

There is always a hand that you can hold on to

Looking deeper through the telescope

You can see that your home's inside of you

Toda a estrada é uma ladeira escorregadia

Há sempre uma mão que você pode segurar

Olhando bem fundo pelo telescópio

Você pode ver que o seu lar está dentro de você

 

Just know, that wherever you go

No, you're never alone

You will always get back home

Apenas saiba, onde quer que vá

Não, você nunca está sozinho

Você sempre voltará pra casa

 

93 Million miles from the sun

People get ready, get ready

‘Cause here it comes, it's a light

A beautiful light, over the horizon

Into our eyes

93 milhões de milhas do sol

As pessoas preparam-se, preparam-se

Porque lá vem, é uma luz

Uma linda luz, além do horizonte

Dentro dos nossos olhos

 

Quase duas horas mais tarde eu cumprimentava os empregados da mansão de praia, lembrando da última vez que estive ali, há mais de um ano. Eu subi as crianças para o quarto que Justin havia montado, mas nunca chegamos a usar, e as pus para dormir nos berços. Estava anoitecendo e eu queria curtir morar na nova casa, com novos ares. Eu deixei a babá eletrônica ligada, troquei meu vestido tubinho e meu salto agulha por um short jeans, uma bata e uma rasteirinha, e saí pelos fundos da casa, me deparando com a majestosa e calma praia que estava acompanhada pelo pôr do sol. Eu caminhei pela areia canalizando toda a energia positiva que aquele lugar me fornecia e guardando todas as memórias de um tempo feliz no meu coração. E eu sorri verdadeiramente. Depois de quatro meses, a saudade não me dilacerava mais quanto antes. A vida estava se reconciliando comigo. Ela estava me confortando, me mostrando os caminhos certos e me pondo na direção do sucesso. Eu havia desistido de combater contra o destino e aceitei sua decisão. Eu parei de ir contra a maré e comecei a nadar a favor, já que eu não tinha nada a perder. Eu estava ganhando a paz que havia sido tirada, cruelmente, de mim.

- Você não faz a mínima ideia da falta que faz. – Começo a dizer, sentada de frente pro mar. – Eu provavelmente devo parecer uma louca falando com o nada, mas eu gostaria de poder conversar isso com você. Eu senti raiva por muito tempo, Justin. Raiva por você ter me posto antes de si mesmo, raiva por ter me deixado e raiva por ter se deixado ir. Eu quero dizer, você é Justin Bieber! E você sempre dá um jeito em tudo. Mas dessa vez você simplesmente... foi. E eu não consegui aceitar essa falha. Agora eu estou agradecida pelo que você fez. Você deu prioridade à mãe de seus filhos, os quais você havia ido resgatar com toda garra, aquele dia. E eu não poderia ter tomado essa decisão, mas você tomou. Agora eu te agradeço por ter poupado a minha vida e ter me mostrado uma perspectiva diferente de realidade. Ainda estou brava com o universo por ter feito com que você tivesse que escolher entre salvar a si e me salvar, mas ele não poderia ter posto uma pessoa melhor na minha vida pra construir tudo o que construímos juntos. Não tinha ninguém melhor do que você pra cuidar do meu coração, da minha vida, dividir nossas preocupações e compartilhar um amor imensurável. – Eu pausei tentando conter o soluço, já que estava em prantos. – Não tinha ninguém melhor do que você pra ser meu marido e pai dos meus filhos. Então obrigada por ter me dado uma vida e obrigada por renová-la. Você tem inúmeros defeitos, mas você é incrível. Eu realmente não faço a mínima ideia de como seguir em frente por nós dois, mas eu estou me esforçando e acho que você estaria orgulhoso de mim, se estivesse aqui. Isso é tão difícil, sabe? Eu tento me manter forte por mim e por todos, mas chega uma hora que eu simplesmente canso disso tudo e quero só sentar aqui na areia e falar tudo isso pra você, quando eu nem sei se você realmente ouve o que eu digo ou onde você está. Nós te amamos muito, Drew. E eu sinto sua falta mais do que qualquer coisa nesse mundo.

E foi com o rosto encharcado de lágrimas e o corpo cheio de areia que eu entrei em casa novamente. Eu entrei no banheiro e tomei um banho longo e demorado, cuidando de mim o máximo que podia, agora que tinha tempo. Duas horas mais tarde eu me sentia melhor, com a pele esfolada e hidratada, com os cabelos hidratados, limpos e secos, e as unhas feitas. Fiz um coque frouxo no cabelo e fui checar as crianças. Eram nove da noite, quando dei banho em Candace e Andrew, os vestindo com bodies simples, trocando suas fraldas e os amamentando. Eu desci com eles e ficamos na sala de estar, na companhia da caseira, Vivian, depois do jantar. Eram quase onze horas quando as crianças começaram a resmungar de sono. Vivian me ajudou a subí-los e a niná-los. Eu escovei meus dentes e me aconcheguei na cama, dormindo serenamente.

[...]

Uma panela caiu. Tão rápido quanto eu cai no sono, eu acordei. Ser mãe me dava essa habilidade de escutar qualquer coisa e ficar alerta. Olhei no relógio e eram 3:48 da manhã. Conferi a babá eletrônica e estava silenciosa. Me levantei, calcei meus chinelos e fui para o quarto das crianças, observando-as dormir serenamente. Dei um meio sorriso e desci as escadas, indo pra cozinha descobrir que barulho era aquele. Quando pus o pé no chão, eu senti um frio na espinha, me arrepiando por inteira. A cozinha estava intacta, nada no chão. Tudo continuava em seu devido lugar e as luzes apagadas dramatizavam a luz da lua que refletia em alguns pontos da casa. Acendi a luz e tomei um copo d'Água, lavando o copo e apagando a luz antes de sair do cômodo. Quando seguia pra escada, vi alguém encostado na janela da sala, de costas; a figura era alta e parecia relaxada ali. Não pude evitar me assustar com o vulto no escuro.

- Vivian? O que faz acordada a essa hora? – Perguntei encarando a imagem imóvel. 

Silêncio e nenhum movimento. Então eu arrisquei me aproximar alguns passos.

- Vivian? – Perguntei entrando na sala.

Era um homem e ele estava com um casaco com touca. Minha respiração se tornou acelerada e descompassada quando o homem se virou pra mim, mas eu ainda não conseguia ver seu rosto.

- Saia da minha casa. – Eu disse lentamente com a voz trêmula.

Ele ergueu as mãos até o capuz e o abaixou, dando um passo pra trás e entrando sob a luz. Minha boca se abriu em choque. Os cabelos bagunçados, o rosto marcado, o nariz arrebitado. Os olhos claros e a boca desenhada. Parecia tão real.

- Você não é real! – Eu sussurrei dando alguns passos pra trás e me encostando na parede. – Eu estou louca.

- Quem você vê, Kendall? – A voz grave e aveludada fez meus olhos marejarem no mesmo instante.

- Você morreu. Você explodiu! 

- Diga meu nome e respire fundo. – Ele pediu caminhando até mim e agachando a minha altura.

- Justin. – Eu murmurei respirando fundo. – Justin Bieber.

- Isso. Agora me toque. – Pediu.

Eu puxei sua mão pra mim e ela estava quente. Aquilo não podia ser real. Em alguns segundos eu estava o abraçando com toda força que tinha.

- Você não está louca, eu sou real, eu estou vivo. – Ele sussurrou em meu ouvido e beijou minha bochecha.

- Eu vi a casa explodindo, eu vi tudo acontecendo. – Murmurei perturbada e ele segurou meu rosto, fixando seus olhos nos meus.

- Eu estou aqui. – Ele disse e eu assenti freneticamente segurando o choro. 

Justin ficou de pé e me deu a mão, entrelaçando nossos dedos e subindo as escadas comigo. Eu torcia pra que aquilo tudo não fosse um sonho e que eu morresse de chorar logo que acordasse. Ele entrou no escritório e me deu passagem, fechando a porta atrás de si.

- Comece, você tem muito a explicar. – Exigi perturbada.

- Quando você pulou, eu vi Harry tentando escapar e eu não podia deixar isso acontecer. Então eu o segurei dentro da casa o quanto podia e pulei no último segundo. Eu me machuquei por inteiro, mas sobrevivi. Eu pensei em me manter escondido por apenas uma semana, até que a poeira baixasse, mas quando voltei pra casa vocês estavam fazendo meu enterro. Eu não sabia que merda fazer! – Disse bagunçando o cabelo, coisa que fazia quando estava nervoso. – Então eu carreguei a mentira, pensando em como mostrar pra você que eu estou aqui, que eu não fui embora, que eu não estou morto. Eu carreguei essa mentira por pouco tempo até notar que tinha capanga rondando a mansão. Eu fui atrás disso e descobri que tem uns filhos da puta da Europa, que eram parceiros de Harry, que estão na nossa cola agora. Eles não tentaram fazer nada ainda, mas isso me preocupa.

- E por que você não me deixou nenhum sinal de que estava vivo, Justin? – Eu perguntei enxugando as lágrimas que desciam sem parar e ele fechou os olhos.

- Eu deixei vários, Kendall. – Ele disse e eu franzi a testa. – As crianças rindo de madrugada, as janelas abertas do nada, a cama bagunçada dos dois lados, a porta do banheiro aberta enquanto você tomava banho. Eu estava lá a todo momento e deixei todas as pistas que pude pra te mostrar que eu estou aqui.

Eu estava em choque. Tudo o que eu achava que era loucura minha por estar sentindo sua falta, era apenas ele nos vigiando.

- E você me viu chorar todo santo dia durante quatro meses e não fez nada? Você me viu ficar doente e não fez nada?

- Eu não podia pôr vocês em risco. – Ele respondeu baixando a guarda e eu respirei fundo. – Eu estive aqui durante todo esse tempo. Eu queria ir na mansão no dia do aniversário dos gêmeos, mas você veio pra cá antes. Eu não sei porque, mas você me encontrou, não o contrário.

A única reação que eu tive foi me levantar do sofá e acertar um tapa no rosto dele.

- Esse é por ter me deixado sofrer todo esse tempo. – Digo quando ele me olha assustado. – E esse é porque eu senti sua falta, seu filho da puta.

Eu puxei seu rosto pra mim e o beijei com toda a saudade que senti. Em poucos segundos eu estava no colo dele e Justin estava sem a jaqueta. Não é novidade que fomos parar na cama já que me entreguei novamente como se fosse a primeira vez, com medo de que fosse a última. Foi uma das sensações mais maravilhosas da minha vida dormir abraçada com ele novamente, sabendo que ele estava ali conosco e não iria a lugar algum. No dia seguinte, eu acordei com risadas. Abri os olhos aos poucos e vi a grande sacada do quarto aberta, as cortinas voavam, o sol entrava a todo no quarto e o som do mar tornava tudo mais perfeito. Justin estava sentado na cama da sacada brincando com os gêmeos que não paravam de rir. Eu me levantei, fiz minhas higienes matinais e calcei meus chinelos, indo pra sacada. E não tinha nada mais lindo do que ver o amor da minha vida rindo com os nossos filhos. Ele sorriu mais ainda quando me viu, pegou as crianças no colo e veio em minha direção, me dando um selinho e passando Andrew pro meu colo. Justin passou o braço sobre meu ombro e eu sorri de volta, enquanto observávamos o horizonte. Juntos.

Com o tempo a gente aprende que estar feliz não é o mesmo que ser feliz e que atração é diferente de amar. Aprende que assim como palavras, os sorrisos também podem enganar. Aprende que o importante não é o destino, mas sim a jornada. Que assim como o tempo, os bons momentos também passam. Aprende que o importante não é ter tudo, mas sim o suficiente para ser feliz. Que a mesma pessoa que te faz querer viver um dia pode te fazer querer morrer. Aprende também que palavras não são eternas e promessas o vento leva, que o “muito” pode durar pouco e o “pouco” pode durar muito. Aprende que o nada pode ser tudo e o tudo pode não ser nada, que palavras iludem e que atitudes provam. Aprende que se pudéssemos voltar no passado nunca seguiríamos em frente e que quando seguimos em frente, queremos voltar no passado. Aprende também que ser forte é sorrir quando se quer chorar e que ser fraco não é desistir, é não tentar. Aprende que o limite entre a razão e o coração está no desejo das pessoas e que os desejos podem mudar histórias. Aprende também que amamos quem não nos ama e não amamos quem nos ama, que o proibido é bom e o certo é patético, que o bom não é ganhar, é aprender com a derrota e que é preciso amor para existir felicidade, mas não é preciso felicidade para existir amor. Aprende que alguns momentos podem mudar sua visão da vida e que sua visão da vida pode mudar alguns momentos. Aprende também que amores vêm e vão e que amigos vão e ficam. O tempo passa, as coisas mudam e as pessoas também, mas cabe à cada um decidir se vai mudar para melhor ou para pior. A mudança move pessoas, permita-se.

Você não deixa de acreditar no sol quando o dia está nublado, nem mesmo quando ele se põe e dá lugar a lua. Então acredite da mesma forma no amor, porque não importa o tempo, o espaço ou como for a sua história, o amor continua aí. Crie laços com as pessoas que lhe fazem bem, que lhe parecem verdadeiras. Desfaça os nós que lhe prendem no passado, se desvincule do ruim e agarre o que te traz esperança. Esperança pra superar as coisas ruins que aparecem na vida como obstáculos e lições. Quando o universo te ferir, não pense que é o fim do mundo. O que conta é quantas vezes você levanta e não quantas você cai. Depois de um tempo, você ainda vai lembrar dessa ferida que rasgou fundo o teu peito. Mas vai saber também, que foi apenas uma página do capítulo passado. E que o capítulo que você está agora… ah, esse sim é o mais interessante! E eu estou vivendo o melhor capítulo da minha vida, superando todos os outros que me derrubaram em algum momento. E se virar a página não for suficiente, arranque-a e queime-a junto a tudo de ruim. 

Faça as coisas simples. Pule, corra, cante alto a sua música favorita. Ria, ria sempre. Tropeços sempre haverão. Aguente a dor, levante a cabeça e siga em frente. As coisas boas da vida só você pode fazer por você mesmo. Esteja vivo, viva, reviva e aproveite o máximo enquanto pode. Diga com sinceridade o quanto você ama, quem você realmente ama, quantas vezes for necessário. O tempo não é longo e tem tanta coisa pra fazer! Se tem um conselho que eu tenho prazer em dar é: não deite com mágoas no coração, não durma sem ao menos fazer uma pessoa feliz. E um adendo: comece consigo mesmo! 

E sobre Justin? Eu quero deitar com ele e ficar olhando cada detalhe seu. Quero mexer no seu cabelo, até que ele pegue no sono. Quero olhar nos seus olhos e dizer o quanto eu o amo e esperei por esse momento novamente. Quero sentí-lo bem pertinho de mim, sentir o calor do seu abraço e sentir o perfume que ele sempre deixa em mim. Quero acordar em cada amanhecer, olhar pro lado e ver que ele ainda está lá. Quero que cada momento nosso seja perfeito. Não existe ninguém como ele, tão cheio de defeitos e perfeito. Felicidade é ter uma pessoa do seu lado, em qualquer momento, nos tristes e principalmente nos felizes. Felicidade é ter um alguém que te cuide e te proteja de todas as maldades do mundo. É ter um alguém que te abrace e não deixa nenhum mal te acontecer. É ter alguém pra compartilhar. E ele é a pessoa com quem eu quero compartilhar todo o meu amor e a minha vida. Pensar que eu havia o perdido foi uma das piores coisas que já senti, mas tê-lo de volta foi uma das melhores. Eu não o troco por nada nesse mundo, e ele pode ter certeza de que eu mataria e morreria por ele, assim como ele se arriscou por mim por tantas vezes. Ele é a pessoa por quem eu mais sinto gratidão, porque além de ter me dado dois filhos maravilhosos, ele me ensinou a como recomeçar independente de quão ruim for a situação. Então, Justin Bieber, aqui fica minha declaração pra você: não importa onde esteja, o que está fazendo ou com quem esteja. Eu sempre, honestamente, verdadeiramente, completamente vou amar você. 


Notas Finais


1. E como no capítulo anterior alcançou 15 comentários, eu já vim postar o tão espero último capítulo de Unswerving.

2. E NÃO, JUSTIN BIEBER NÃO ESTÁ MORTO!!!!! Me perdoem por matar vocês do coração, mas tem que ter o "tchan", né?

3. E acabou, meus amores, Unswerving terminou depois de dois anos!

4. Espero que gostem, e não esqueçam de comentar o que acharam, ok? Depois eu volto com os agradecimentos e converso com vocês sobre planos futuros. Obrigada, eu amo vocês!


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