História Untitled - Capítulo 15


Escrita por: ~

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Categorias Rafael "CellBit" Lange
Personagens Personagens Originais, Rafael "CellBit" Lange
Tags Drama, Mistério, Romance
Exibições 52
Palavras 1.997
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Linguagem Imprópria, Suicídio
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


PARABÉNS PARA MIM, NESSA DATA HORRÍVEL, MUITA INFELICIDADE, POUCOS ANOS DE VIDA.

Depressiva hoje, amanhã e sempre.

Enfim, EU NÃO FUREI. Apareci no dia combinado.

Eu ia postar esse capítulo meia noite, mas meu celular tava com 1% e desligou quando eu ia clicar para postar. Ou seja, minha vida é uma merda.

Que seja.

Boa leitura!!

Capítulo 15 - Não vai ser dessa vez.


| Maria Julia |

05 de Abril, 2016 | 13:16 | São Paulo, SP, Brasil.

Em um dia seria meu aniversário. Em um dia eu completaria vinte anos. Era uma pena que aquilo não me alegrava nem um pouco.

Levei meu prato até a pia e o lavei. Voltei para a sala e peguei meu celular. Eu não tinha muito o que fazer sozinha em um apartamento consideravelmente pequeno, então o celular era minha escapatória.

Depois de anunciar que me aposentaria das redes sociais, recebi respostas pedindo para eu não fazer aquilo. No final das contas, ainda tinham as pessoas que gostavam de mim e não me xingavam, e elas não mereciam aquilo.

Voltei a mexer em tudo normalmente hoje de manhã e apaguei os tweets que diziam que ia me aposentar. Expliquei a situação em outros tweets e algumas pessoas vibraram.

Acabei entrando no perfil do Rafael algumas vezes. Não tinha jeito, eu ainda me sentia presa naqueles tweets engraçados que ele fazia. Ainda me sentia presa àquele garoto, sentia sua falta e não podia negar.

"@cellbit: para com isso, por favor"

Esse era o único tweet que aparentemente era dedicado à mim.

"@sheisacrybaby: Deus, me leva"

Guardei o celular no bolso do meu moletom e me levantei do sofá. Eu tinha que sair de casa alguma hora. Já eram cinco dias dentro de casa, aquilo não era muito saudável.

Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo e calcei meu tênis. Desci de elevador e abri o Snapchat enquanto andava pela rua.

Tirei uma foto minha com a mão em frente ao rosto e escrevi: "me sinto uma vampira".

— É sério, faz muito tempo que eu não saio de casa. Felizmente, eu sei onde ir. — mandei o vídeo.

Segui o caminho que me lembrava e percebi que teria sido mais rápido pegar um ônibus.

— Para quem tá perguntando, sim, amanhã é meu aniversário. — mandei mais esse vídeo e comecei outro — Não é lá uma grande data a se comemorar. Aliás, eu não vou comemorar. — mandei.

Entrei no Twitter porque era definitivamente mais legal ficar por lá. Precisava de uma distração durante o percurso.

Desisti de caminhar e sentei no primeiro ponto de ônibus que encontrei.

"@sheisacrybaby: tô esperando o ônibus há um minuto e já acho que tá demorando"

"@sheisacrybaby: eu não faço sentido"

"@sheisacrybaby: eu devia ter pego um táxi, um uber, um foda-se..."

"@sheisacrybaby: ônibus deveria ser minha última opção mas eu não penso"

Decidi responder algumas pessoas para me distrair, afinal eu não era uma enciclopédia de tweets e não fazia mais ideia do que tweetar.

"Que tipo de pessoa não comemora o aniversário @sheisacrybaby?"

"@sheisacrybaby: eu mesma
euzinha
eu aqui
a diferentona
a lady gaga de são paulo
a musa do twitter"

Recebi algumas risadas como resposta e até cheguei a rir um pouco. Era incrível como aquelas pessoas me faziam bem. As pessoas que não me xingavam, me respondiam e até me elogiavam, eram muito legais e eu gostava delas, era por elas que eu continuava nas redes sociais. Talvez eu fosse uma distração para elas como elas eram para mim.

"@sheisacrybaby: eu só não tô nos meus melhores dias para comemorar nada, entendis?"

"@sheisacrybaby: eu tô presa no meu casulinho da bad"

"@sheisacrybaby: eu saí da bed mas a bad não saiu de mim"

Procurei mais tweets para responder. Me senti tentada a responder um que dizia:

"E o @cellbit? Não vai te obrigar a comemorar? @sheisacrybaby"

"@sheisacrybaby: 1- eu não sou obrigada a nada
2- ..."

"O que ... significa @sheisacrybaby?"

"@sheisacrybaby: são chamadas reticências, querem dizer que tem mais, mas não está sendo citado."

"@sheisacrybaby: aulas de pontuação com a titia majuzinha"

"@sheisacrybaby: ou titia cry baby, sei lá o que vocês preferem."

"@sheisacrybaby: cadê o ônibus mano do céu?"

"Grava snap, faz favor @sheisacrybaby"

"@sheisacrybaby: tá bom né"

Fechei o Twitter e migrei para o Snapchat. Eu estava dando o meu máximo para não parecer mal. Eu não queria transparecer que estava passando por um momento difícil e que queria deitar e chorar. Eu queria ocultar tudo, porque eu sou assim.

[...]

— Eu desisti do ônibus, chamei um Uber. — falei entrando no veículo.

Confirmei o destino para o motorista e voltei a gravar mais snaps aleatórios. Gravei vídeos com efeito, falei sobre a demora de ônibus em São Paulo e tirei algumas fotos.

— Cheguei! — disse para o celular depois de descer do carro. — Vou indo agora, depois eu volto. — acenei para a câmera do celular e mandei o vídeo.

Caminhei pelo lugar vazio e me sentei no mesmo lugar da outra vez.

— Oi Mari. — sussurrei — Eu preciso muito conversar e eu sei que você é a única pessoa que sempre vai me escutar. Talvez seja chato alguém te incomodar depois de, bem, morta, mas como a situação só está acontecendo por sua causa, acho válido te encher um pouquinho. — ri fraco — As fãs do Rafael são impossíveis. Eu não sei lidar com elas. Elas começaram a pegar muito pesado e eu não consigo mais dizer que tudo bem, que eu não me incomodo. Porque agora eu me incomodo. Eu tô me sentindo muito mal, sabe? Eu só... Só não sei lidar com tanta ofensa. Elas nem me conhecem, elas não sabem de nada. Eu achava que precisava que alguém me dissesse que é mentira, mas eu não preciso que alguém diga, eu preciso que você fale. Mas você não está aqui. O Rafael até falou, a Gabs e a Mae também, mas não adianta. Eles não sabem de quase nada sobre mim, eles não me conhecem, eles... Eles não são você. — sequei uma lágrima que rolou pela minha bochecha — Eu preciso de ajuda, Mariana. Eu só não sei mais onde encontrar essa ajuda. Você sempre foi meu maior apoio, mas eu não tenho mais você. A ficha tá caindo muito devagar. Eu preciso de alguém que me ajude, mas eu não sei quem e não sei onde encontrar. Eu só tinha você. E agora Mari? Agora tudo acabou.

| Rafael Lange |

Bebia o café em minha xícara enquanto rolava a bolinha do mouse e os meus olhos na tela. Lia cada tweet feito pela Maria.

Por melhor que ela aparentasse estar, eu sentia que nada estava certo. Obviamente era tudo falso.

Olhei seus snaps também. Ela disfarçava bem, mas era perceptível que ela estava mal. Os olhos dela estavam inchados, como se ela tivesse chorado muito nos últimos dias. Sua voz falhava vez ou outra.

"@cellbit: é tudo falso e você sabe que todo mundo percebe"

"@cellbit: quão difícil é aceitar ajuda?"

"@cellbit: o orgulho tá acabando com as pessoas"

Eu me sentia totalmente idiota tweetando coisas para ela "indiretamente". Muita gente questionava se era para ela e fazia montagens com nossos tweets — que obviamente se encaixavam perfeitamente.

Esperei por um tweet dela. Atualizei a página milhares de vezes, mas nada acontecia. Desliguei a tela do computador e deixei a caneca em cima da mesa do computador.

Me joguei em minha cama e peguei meu celular.

"queria estar falecido"

Felposo: cara, relaxa

Felposo: vai dar tudo certo

"não vai não"

"caralho, para de falar isso"

Felposo: queria que você calasse a boca e parasse de ser negativo.

Felposo: sua negatividade joga tudo na vala

Felposo: quer ser negativo a todo momento, seja longe de mim, vai que é contagioso

"não é hora de piadas"

Felposo: não tem ninguém fazendo piada

Felposo: você é muito negativo

Felposo: o pior é que nem percebe.

Apaguei a tela e joguei o celular ao meu lado na cama.

[...]

Editava um vídeo para tentar esquecer um pouco o que estava acontecendo. Não estava servindo para nada, pois eu ainda atualizava a página atrás de um tweet dela. Até que ele realmente aconteceu.

"@sheisacrybaby: 'orgulhosa'"

"@sheisacrybaby: era o que me faltava"

"@sheisacrybaby: vamo combinar uma coisa pessoal?"

"@sheisacrybaby: ensinamentos da titia majuzinha"

"@sheisacrybaby: se você não entende, não dá palpite"

"@sheiscrybaby: se uma pessoa está passando por algo, e você não entende o porquê de ela fazer certa coisa, fica quietinho e aceita"

"@sheisacrybaby: tipo se algo ruim estiver acontecendo com ela e ela se afastar"

"@sheisacrybaby: deixa ela escolher o que quiser"

"@sheisacrybaby: a pessoa vai entender que você quer ajudar e se preocupa..."

"@sheisacrybaby: mas se você ficar muito em cima e agir de forma egoísta, ela vai ficar mais chateada ainda"

"@sheisacrybaby: sigam minhas dicas e sejam pessoas melhores"

"@sheisacrybaby: vai por mim, experiência própria."

Meu celular apitou e eu desbloquiei a tela.

Lixo: Senti essa da Maju em mim.

Lixo: Sério Cellbit, tá na famosa hora de parar.

"perdi meu relógio"

Lixo: Ahn?

"não consigo ver que horas são, amigo"

"sinto muito"

Voltei meus olhos para o computador e pensei no que digitar.

"@cellbit: acho que se colocar no lugar do coleguinha é essencial"

"@sheisacrybaby: @cellbit então começa a fazer isso ;-;"

Olhei boquiaberto para a tela do computador. Não sei o que me surpreendeu mais: a resposta dela ou o fato de ela ter respondido sendo que nem me seguia mais.

Levei meus olhos até meu celular e vi mais algumas mensagens de Alan. Um print do meu tweet e da resposta da Maju estavam entre elas.

Lixo: Ainda bem que eu adquiri meu print.

Lixo: Porque ela já apagou.

Lixo: Esse tiro foi certeiro.

Lixo: Deveria ter seguido meu conselho e parado.

Lixo: Espero que mais gente tenha tirado print.

Lixo: Porque essa resposta tem que ser vista pela humanidade.

"cala a boca, por favor"

| Maria Julia |

Depois de apagar meu último tweet, fiquei com os olhos presos na tela do notebook. Eu queria ter certeza que Rafael nunca tivesse visto aquilo, embora bem soubesse que provavelmente ele viu.

Passei a mão pelo rosto, nervosa, e afastei a cadeira da escrivaninha. Levantei-me e andei até a minha cama. Sentei na ponta da mesma e peguei meu celular que tocava.

"Gabs" brilhava na tela. Devia ser a vigésima vez que ela me ligava só hoje. Me rendi e atendi a ligação.

— Que foi? — perguntei.

Caramba, que grossa. — respondeu.

— Gabriela, fala logo vai.

Nossa. — resmungou — Eu só queria pedir uma coisa.

— O que?

Para de se isolar do mundo e me desbloqueia no Whatsapp, vai. Além disso, para de agir como se eu não existisse.

— Olha Gab, me desculpa, eu só quero espaço.

Amanhã é seu aniversário. Prometeu que me deixaria comemorar com você.

— Prometi?

Sim, prometeu. Eu ia para São Paulo só para isso, lembra?

— Sorte sua, não precisava mais sair de Americana.

Não é sorte nenhuma! — exclamou parecendo indignada — Eu e o Felps viemos hoje para cá. Ainda tem chance de mudar de ideia. Eu saí de lá por você, Maria Julia.

— Eu disse para não fazer isso, Gabriela.

Ave Maria, para com isso. Vamos comemorar, por favor. Eu e você podemos sair.

— Não Gabs.

Eu chamo a Mae também e a gente se diverte. Só nós três. Não pode passar seu aniversário trancada dentro de casa.

— Eu não quero sair.

Eu vou ter que ir aí e te arrastar?

— Gabriela...

Sério Ma, por favor. — implorou.

— Tudo bem, eu desisto.

Graças a Deus! — exclamou mais uma vez — Amanhã no shopping às duas horas. Não falte. Beijo, tchau.

Me deitei na cama me sentindo derrotada pelo poder persuasivo da Gabs.

| Rafael Lange |

— Tudo certo então? — murmurei com esperança de receber uma resposta positiva.

Sim, eu consegui. Vai dar tudo certo.

— Que assim seja. — falei.

Minutos depois de repassarmos tudo, desliguei a ligação e voltei para a cama.

Peguei meu celular e mais uma vez me vi encarando a nossa foto.

Não vai ser dessa vez. — falei sorrindo de lado e desliguei a tela.


Notas Finais


Vish, o que não vai ser dessa vez? Descubra no próximo capítulo da sua novela mexicana favorita: Sem Título.

3 coisas a declarar:

• irônica esse cap falar de aniversário e ser postado no meu (o próximo e o depois dele falam bem mais disso)

• eu achei que nunca ia conseguir postar esse cap. Tenho uma festa para ir hoje e tô atrasada.

• TÁ CHEGANDOJFOSBDUDNDJ

Enfim. Deixe seu comentário para me fazer feliz e favorite se for um novo cry baby.

Beijos e queijos.

FUI!


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