História Untrue Butterfly - Capítulo 12


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Categorias The GazettE
Personagens Aoi, Kai, Personagens Originais, Reita, Ruki, Uruha
Tags Akira, Ansiedade, Aoi, Aoiha, Borboleta, Bts, Bullying, Butterfly, Depressão, Drama, Efeito, Fanfic, Gazette, Kai, Matsumoto, Mistério, Reita, Reituki, Romance, Ruki, Shiroyama, Shounen Ai, Sobrenatural, Suícidio, Suspense, Suzuki, Takanori, Takashima Kouyou, Tempo, Tragedia, Uke, Uruha, Visual Novel, Yaoi, Yutaka, Yuu
Visualizações 25
Palavras 3.629
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Lemon, Lírica, Magia, Mistério, Musical (Songfic), Poesias, Romance e Novela, Shonen-Ai, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Visual Novel, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Sobre a ideia absurda que vocês queriam saber.

Boa Leitura!
Desculpem os erros'

Capítulo 12 - What Is He To Me?


Fanfic / Fanfiction Untrue Butterfly - Capítulo 12 - What Is He To Me?

Pulcra borboleta de asas desamparadas...

Tu debelas um epíteto por quê?

*

Akira engatilhava a ominosa arma quando retornei dez minutos depois, computando oito garrafas. Dispomo-las lado a lado em desníveis: uma em cima do carro, outras em cima do pneu de trator e daí por diante. Ainda não tinha a menor ideia do que Akira desejava com aquilo, portanto, sustei ao lado, vendo-o apontar o revólver às garrafas, sem puxar o gatilho. Minha ansiedade oferecia-me sinais de que jazia presente.

Apazigue-se, coração...

- Então...? – encetei incerto, quando virou-se para fitar-me. – Como será?

- Principiaremos no básico: você tentará regressar alguns segundos propositalmente. – pisquei.

- Perfeito. – assenti e neguei com a cabeça em seguida. – Não entendi.

- Simples: atirarei nas garrafas e, decerto, errarei, já que não sei atirar. Aí você regressará no tempo e me instruirá.

- Também não sei atirar... – ele riu e isso irritou-me. – Explique-me direito!

- Basicamente me proferirá o que fazer para acertar: se devo abaixar mais a arma, erguê-la, movê-la, enfim... – fazia sentido, muito embora execrasse a ideia. – Fácil, não? A bala leva milésimos de segundos para rumar, então será simples regressar poucos segundos para fazer-me acertar os alvos.

- A proposta é boa, entretanto, por que com um revólver? Não dá para ser com uma bolinha de borracha ou algo do tipo? – ponderei alguns segundos. – Não pensa em—

- Ah, não! Não! Isso já saiu de minha cabeça desde aquele dia em que fomos à delegacia. – mexeu nos cabelos, rindo. – Yuu e eu concluímos que realmente não adiantaria ameaçarmos os outros com uma arma, porque só nos ferraria mais, especialmente após sermos enquadrados acidentalmente. Também não almejamos que Kou e você fiquem bravos conosco.

- Ótimo... – aquilo abrandava-me, porém... – Então por que a arma?

- Mais adrenalina e um jeito melhor de empenhar-se bastante em treinar seu dom. Uma bolinha de borracha ou qualquer outro artifício extrairia nosso ânimo, além de que seria mais fácil perdê-los. – suspirei, assentindo por fim. – Eleja a primeira vítima!

- Certo... – beirei-me dois passos de Akira e, hesitante, apontei. – Terceira.

- “Terceira” de cá ou de lá? – brincou.

- Da esquerda para a direita. A que jaz no pneu. – ri e ele assentiu.

Foram escassos segundos de pleno silêncio e tensão: Akira posicionou-se e engatilhou a arma, mirando cautelosamente na garrafa que eu optara. Quando puxou o gatilho, arrazoei que fosse meu coração estourando o peito devido à ansiedade, todavia, creio que meu tímpano fora o que chegou mais próximo de explodir com o barulho – afinal, sequer a garrafa de vidro danificara-se. Quando olhei minha Borboleta, vi-a agachada no chão, rindo e tapando os ouvidos.

- Que horror! – gracejava quando ergueu-se. – Não sei o que foi pior: o barulho ou meu erro grotesco!

- Seu erro, provavelmente. – brinquei e ele observou-me torto, rindo com meu comentário.

- Legal, engraçadinho. – desdenhou-me. – Tente regressar agora.

A graça perdeu-se e fiquei sério. Agora dependia de mim: tinha de conseguir. A pressão que aloquei em meus ombros fora responsável por nada incidir, mesmo quando estendi minha mão e coagi o regresso, como já improvisei outrora.

Bufei arreliado: não conseguiria, óbvio!

- Acalme-se e respire, bem como fiz antes de atirar. – Akira tocou meu ombro, seduzindo meus olhos quando sorriu. – Pode não conseguir de primeira, mas se estiver plácido, conseguirá, diferente se exigir demais de si.

Tinha razão...

Assenti e tentei serenar meu coração e meu monstrinho titulado “ansiedade”. Encostei minhas pálpebras e refleti nas piores coisas que incidiram comigo desde que recordo-me: da saída do hospital, minha reflexão induziu-me à cena de Akira sendo assassinado por Yuu – história que demudei. Isso acarretou-me uma descarga de adrenalina e um colapso de ansiedade, que fez-me reabrir os olhos e notar o tempo desandar...

Regressei três minutos.

~*~

- “Terceira” de cá ou de lá? – brincou quando pisquei duro e cambaleei, sendo empunhado por Akira instantaneamente. Minha cabeça pesava. – Deu certo? Conseguiu?

- É... – meu nariz não sangrava, contudo, a vertigem jazia intensa, tanto que só não ia ao chão porque Akira brandia-me. – Você errou miseravelmente...

- Sério? – ainda segurando-me, alternou seu olhar de mim às garrafas de vidro. – Agora deprimi-me...

- Imaginei... – ri, colocando-me de pé com subsídio e respirando fundo, enquanto ele abanava-me. – Deu certo e regressei uns três minutos...

- “Três”? – sorriu. – Ótimo! Pensei que só conseguiríamos regressar alguns segundos na primeira tentativa! – piscou, cruzando os braços e ficando sério. – Espere... Delonguei tanto assim para atirar?

- Ah, não... É que não consegui regressar na primeira tentativa: a demora foi minha. – respirei fundo uma derradeira vez, antes de ele indagar-me se estava bem. Apontei. – Precisa baixar mais a arma e movê-la um pouco à direita... Seu disparo não deve ter acertado nada.

- Entendi... – fitou as garrafas e posicionou-se novamente. Tapei celeremente meus ouvidos e isso atraiu o olhar de soslaio dele. – Que foi?

- O barulho... – comentei. – É bem mais alto que nos filmes, então não sofrerei novamente.

- Maravilha... – ironizou. – Ferrarei meus ouvidos pela segunda vez.

Akira fez o que sugeri e puxou o gatilho, acertando a garrafa.

Garrafa errada, mas acertou.

- Erro meu, erro meu... – injuriou o som baixinho, virando-se para mim. – Foi melhor que o primeiro disparo?

- Foi, entretanto, errou a garrafa. Era a terceira, não a segunda. – ri. – E agora? Regresso?

- Não. – sorriu, posicionando-se. – Tentarei acertar a terceira, aí, se errar novamente, você retorna.

Tapei meus ouvidos e aguardei pelo disparo, que não delongou a incidir – errado. Akira ergueu as mãos em incredulidade e virou-se para mim, que não refreei o riso daquela atitude. Semicerrou os olhos quando curvei-me para frente, gracejando até minha barriga doer.

Hilário!

- Ri mesmo! À vontade! – incentivou-me, contudo, eu não continha fôlego para retrucá-lo. – Não sabe como isso é complicado!

- Pensei que seria mais complexo eu regressar no tempo, não você aprender a atirar na garrafa certa! – escarneci quando Akira arremessou o revólver no chão e veio a mim, tentando perpetrar cócegas com as mãos que apartava de meu corpo. – Pare! É brincadeira!

- Risinho frouxo! Não caçoe os veteranos, Taka! – afastamo-nos para que eu retomasse o fôlego e fitasse-o rir.

- Regresso...? – abanei-me quando ele negou com a cabeça. – Tentará novamente?

- Questão de honra! – posicionou-se para disparar e arrazoei que feneceria de rir caso ele errasse novamente, todavia...

Quem quase perecera fora ele quando o projétil ricocheteou no veículo e acertou-o no estômago.

Abruptamente, meu mundo descoloriu: unicamente o rubro do sangue de Akira jorrara das costas dele, já que o tiro atravessara-o. Meus lábios arredaram-se num grito, enquanto meus olhos quase saltaram das órbitas para correr dali contíguo ao meu coração. Minha cabeça pesou e a pressão em meus ombros fez-me desmoronar de joelhos, assim como Akira. Cerrei minhas pálpebras e estendi minha mão quando as lágrimas brotaram no canto de meus olhos. Era cogente retornar!

Não podia deixá-lo fenecer! Não após tudo o que incidira! Gritei sozinho, com os olhos fechados, e minha mente induziu-me a uma efígie minha: moletom e cabelos negros, com a guitarra sépia em mãos, no canto do dormitório, isolado, aguardando alguém. Seria Ruki...? Por que via-me...? O quê—

Regressei dois minutos.

~*~

- Questão de honra! – posicionou-se. Gritei ao regressar em cima da hora.

- Não! Não atire! – exigi, ruindo de joelhos ao chão. Algo vermelho dimanava de meu nariz e minha visão turvava pela vertigem. – Não... Atire...

- Taka? – abandonou a arma e correu a mim, jogando-se de joelhos para brandir-me. Não via sua expressão. – Ei, conseguiu novamente, não foi? O que houve?

- Nada... Só abusei do tempo que retornei... – menti. Não podia expor que vira-o falecer novamente, até porque ele não sabia que já fenecera outras vezes. Não desejava assustá-lo. Fazia tanto tempo que “o universo” não livrava-se dele, que olvidei-me da sensação de vê-lo perecer. – Acho que desmaiarei...

- Acalme-se. Trouxe umas barrinhas de cereal e água, portanto, chega. Vamos descansar. – melhor ideia. Ergui-me com auxílio e sentamo-nos no capô de um dos automóveis abandonados para que eu deitasse-me na vidraça dianteira. – Passe água na nuca para refrescar.

- Tá... – passei e tomei um pouco do líquido, arfando e encostando minhas pálpebras. Subitamente, a visão que tive de mim veio à minha reflexão. – Ruki...

- Hã? – reabri meus olhos para fitá-lo.

- Nesse derradeiro regresso... Vi Ruki... – Akira encrespou o cenho. – Estava isolado, vestido de preto, abraçado àquela guitarra estilhaçada que encontramos em meu aposento e aguardava por alguém... – induzi uma mão à cabeça dolente. – Meus cabelos eram negros...

- Além de treinarmos seu dom, conseguimos uma pista de quem fora antes do acidente: uma imagem que não expõe muita coisa, entretanto, exibe outra diferença. – fitei-o novamente. – Takanori é louro e Ruki era moreno. Certeza que a visão era sua?

- Foi como um lampejo de memória, mas sim... De alguma forma, sei que era...

A ansiedade e angústia de Ruki era a mesma minha.

- Por hoje, chega de treinar seu dom. – encetou, alocando a mão no queixo. – Intrigou-me essa cena: a guitarra e Ruki abraçado com ela. Decerto tocava-a—

- Ou pertencia a outro que tocava-a, afinal, Ruki aguardava angustiado por alguém que não retornara... – sentei-me no capô, regulando meu sopro. – Ansiedade, angústia, consternação, abandono: tudo isso... – pus a mão em meu peito, sentindo-me vazio. – Ainda jaz em mim, bem como os estigmas em meus braços e pernas. Assusta-me ponderar que “Takanori” seja efêmero e que “Ruki” assumirá, contíguo às lembranças e à depressão... – cerrei minhas pálpebras. – Desejo recordar, mas não volver ao que fui.

- Não permitirei que isso suceda, confie. – assegurou-me seriamente, seduzindo meus olhos. – Mesmo que “Ruki” desperte, “Takanori” ainda existirá e é mais forte. Cuidarei de ambos, se for preciso, então não tema. – suspirou, pousando uma mão sobre a minha: quente, sinal que jazia vivo. Aquilo era bom. – O que deseja fazer?

- Não sei... – encostei minha cabeça no peito dele, fechando meus olhos. Precisava de atenção, disso era certeza. – Talvez retornar a minha casa no fim de semana para revirá-la novamente... Duvido que localize algo, mas tentarei... – apertei a blusa de Akira até as pontas de meus dedos esbranquiçarem. – Por ora, permita-me ficar assim, por favor...

- Claro... – mesmo hesitante, os braços de Akira acolheram-me e resguardaram-me de meus medos.

Havia dezenas de peças fora do lugar e talvez a culpa fosse minha se tudo jazia uma amálgama, contudo, Akira era a peça que adequava-se perfeitamente em qualquer confusão e supria minhas dores, abrandava minha ansiedade, mesmo com escassos gestos. Temia “Ruki”, meu passado, todavia, aninhado no corpo de Akira, trocando calor, era como se ninguém pudesse debulhar-me, tampouco Ruki. Quiçá fosse egoísmo, temor de permanecer sozinho novamente, entretanto, não podia deixá-lo fenecer.

Era, literalmente, eu contra a lógica natural do mundo.

Venceria, decerto.

*

Que semana horrível.

Abjeta.

Cretina.

Só porque deliberei que visitaria minha antiga habitação no fim de semana os dias e minutos passaram vagarosamente, dando mais tempo às pessoas da universidade caçoarem-me por nada. Certo: são todos uns belos filhos da—

Tenho que parar de andar com Yuu.

Estou pegando o vocabulário chulo dele.

Bufei arreliado, fuzilando com os olhos a parede safira de meu remoto lar, enquanto minhas mãos jaziam nas algibeiras de minha calça negra. Usava uma blusa jeans azul e óculo escuro, além de meus anéis, braceletes e colar, acessórios que quase faziam parte de meu corpo. Akira fora junto e alternava seu olhar comigo e com o domicílio à frente. Vestia-se com uma calça preta e rasgada, igualmente repleto de pulseiras, anéis e um crucifixo no pescoço: a diferença era que adornava um colete branco sem mangas, combinando com a faixa que cobria o nariz.

Semana funesta findava num ambiente imêmore.

- Taka... – avocou-me, porém, não virei-me para fitá-lo. – Sério, se persistir encarando sua casa desse jeito, temo que ela desmorone com seu ódio. – suspirei, evitando rir, afinal, estava irritado e ninguém devia fazer-me rir naquele instante. – O que procurará, exatamente?

- Qualquer coisa que não vimos na derradeira ocasião, afinal, tivemos aquele problema com a gaveta de lâminas que você jogou fora. – recordei-me de que evitei a morte de Kouyou naquele dia. Será que ele estava regressando? – Qualquer coisa que elucide minha visão.

- Beleza. – sorriu e caminhamos à porta de entrada, a qual abri com a chave que andava pendurada em meu chaveiro.

Por algum ensejo, execrava aquele ambiente vazio e suavemente empoeirado. Não sabia se continha algo nos cômodos, porém, era quase certeza de que desvendaria alguma coisa em meu anoso dormitório – porquanto fora lá que vi Ruki sozinho, abraçado à guitarra em tom de sépia. Cautelosamente, subi a escada e Akira veio atrás, escoltando-me para não permitir-me ruir em desesperação. Ter apoio dele era ótimo, porque meu receio de ser abordado agressivamente por Ruki acrescia a cada passo.

Lógico que minha ansiedade adolescia tanto quanto.

- Taka? – a voz de Akira soara abafada, entretanto, creio que só em minha cabeça, que ouvia gritos mudos. Minha mão não conseguia brandir a maçaneta para abrir caminho. – Faço isso, se desejar...

- Não... – engoli em seco, encostando minhas pálpebras e, trêmulo, apanhei a maçaneta, abrindo-a. – Preciso coagir-me para meu próprio bem.

Preciso salvar Ruki.

Salvar-me.

Novamente aquele recinto sufocante: paredes intensamente azuis, lençóis negros, coisas reviradas, pôsteres e um clima de consternação aguda, solidão, angústia, retraimento... Depressão. Reparei de um lado ao outro, olvidando-me de como respirar, enquanto Akira chutava quaisquer cobertas para o lado e mexia em meus antigos pertences. Estranho como não conseguia mover-me, somente contemplar o local e rever a mesma cena: Ruki, de cabelos e blusa negra, abraçado à guitarra detonada em tom de sépia – que agora Akira brandia.

- Está desgastada, não maltratada. – analisou-a minuciosamente. – Conheço esse tipo de dano. Se era Ruki ou outro alguém que tocava-a, fazia quase sempre.

- Sério? – o que seria de meu voo se não fosse aquela Borboleta a mostrar-me o caminho a seguir?

- Sério. – encarou-me ajoelhado. – Certeza que não deseja que eu revire esse recinto? – assenti. – Viu, Taka... Foi a primeira vez que teve uma visão de seu passado, certo? Alguma suposição do por que disso?

- Nenhuma e sequer sei se é real, contudo, creio que é... Algo profere-me que é. – apoiei-me na cômoda, enquanto ele erguia-se. – Não gostará de meu pedido, mas pode deixar-me sozinho? – Akira franziu o cenho. Talvez eu estivesse lívido e claramente abatido. – É o lugar que mais angustia-me e desejo olhá-lo sozinho... Por um momento, apenas...

- Dez minutos. – decretou, retirando-se. – Não mais que isso.

- Atrevido... – segredei e sorri.

Akira estava preocupado comigo.

Suspirei e rescindi meu sorriso, volvendo a fitar meu aposento: tantos pôsteres de bandas, contudo, nenhuma eu, presentemente, apreciava. Eram bandas de músicas depressivas, como se estimulassem-te a enfiar-se num abismo profundo para não ausentar-se jamais. Profiro isso porque quando regressei do hospital e permaneci escasso período aqui, pesquisei-as para tentar recordar-me de algo, todavia, não consegui.

Ao invés disso, desgostei completamente daquele gênero do rock.

Foi aí que veio-me algo: quando despertei no hospital, sabia de meu nome, idade e mais nada. Os excepcionais pertences encontrados comigo foram as roupagens do dia do acidente, logicamente, e um pequeno e surrado broche da banda Queen. Como alguém depressivo como Ruki continha apenas um singular objeto de banda “valioso” consigo no corpo, sendo a única que não havia qualquer referência no dormitório? Queen fora a banda que ouvi após pesquisar outras e a primeira que amei.

Seria um gosto em comum entre Ruki e eu?

Se sim, havia algo camuflado na amálgama de meu aposento?

Nas paredes não havia pôsteres do Freddie Mercury e na prateleira de CDs não havia qualquer álbum. Virei-me à minha escrivaninha que debelava um notebook encanecido e inoperável: será que ali havia alguma música baixada? Ou imagem, sei lá? Era uma questão aparentemente tola, entretanto, essencial: pelo visto, Ruki era muito detalhista e, portanto, não cometia ínfimo sentido deixar um ponto solto no ar.

Ele almejava resguardar-me e adormeceu erguendo uma muralha entre nós para evitar meu contato com as memórias depressivas, todavia, qual o sentido daquele broche solitário que fora encontrado comigo? Por que não havia referência àquela banda? Ruki: o que encobria de todos, além de suas consternações? Na minha visão, não era a música do Queen que você cochichava, mas a melodia da ária que compôs: Goddess.

Enlouqueci.

Num ímpeto, arremessei-me no chão e revirei as cobertas: lhufas. Ergui-me e abri todas as gavetas, puxando as coisas para fora e não localizando nada para a revelação daquele ponto: cadê a Rainha, Ruki? Por que eu continha algo da “realeza”, sendo que você era simpatizante do “divinal” e aludia-se sempre à sua Deusa?

Goddess save the Queen?

Nada! Nada! Nada!

Abocanhei minha mão e detestei-me por isso: execrava a dor, então como incisava-me tanto? Droga, Ruki! Dê-me qualquer sinal para que eu possa socorrê-lo! Clarifique-me sobre a banda que não combinava contigo, muito embora eu goste! Por que era seu aquele broche? Por que jazia consigo, se sequer seu celular estava junto? Isso se você apresentava um... Por que, Ruki, por quê?

Por—

O que é isso...?

Embaixo da cama, no cantinho mais escuro, havia um saquinho lacrado. Ingressei e distendi-me para apanhá-lo, batendo minha cabeça na saída. Praguejei, todavia, desvendei novamente algo que não vi em nenhuma das vezes que procurei. Massageando o local da colisão com uma mão, tentava descobrir o que havia dentro do saquinho com a outra e, aparentemente, eram dois artefatos finos e alongados. Puxei o laço e abri, revelando duas baquetas em tons de sépia – as quais não eram do Queen. A coloração era idêntica à minha guitarra estilhaçada, porém, duas coisas incomodaram-me:

Se Ruki tocava guitarra, demasiadamente para deixá-la naquele estado quase deplorável, onde jaziam as palhetas? Bom, para esta questão, uma réplica simples: há guitarristas que não utilizam palhetas. Até aí, sem mistério.

Baquetas convêm para baterias e isso soa óbvio, entretanto, não no meu caso – ou no caso de Ruki. Desde quando tocava bateria? Sequer continha uma na habitação e, se estudava tal instrumento, deveria ter para treinar. Mesmo se ponderássemos que ele era calouro na aprendizagem de bateria, na visão que tive, e que trouxe-me aqui, Ruki não continha o perfil de um baterista: estava mais para compositor, guitarrista... Cantor?

Não sei se sou afinado, mas Ruki, mesmo com a voz trêmula em minha visão, sabia como manter um afinamento belo.

Quando ponderei que as dúvidas esgotaram-se, eis que surge outra: ao virar as baquetas, uma alcunha gravada: “Kai”. Já ouvi em algum lugar... Onde? Pense, Takanori, pense! Certeza que ouvi, entretanto, onde? De quem? A guitarra talvez pertencesse a Ruki, contudo, aquelas baquetas não pareciam dele: era como se ele guardasse para alguém.

Talvez estivesse arquivando para aquele que aguardou e não regressou, por isso, em minha visão, Ruki jazia sentado no chão, abraçado à guitarra, sussurrando uma música e de olhos baixos, fitando debaixo do leito...

Onde arremessou as baquetas, quiçá preciosas a ele ou a alguém.

Fora um surto de ira, tristeza e abandono...?

Quem era Kai agora? Apertei as baquetas em minha mão e desisti de tentar escavacar a cabeça sozinho: Akira estava lá embaixo e talvez soubesse algo ou auxiliasse-me a recordar onde ouvira aquela alcunha. Desci a escadaria e, passando pela sala, encontrei-o na cozinha bebendo água. Seus olhos tombaram em mim, que ofegava e encobria as baquetas nas costas.

- Gosta de Queen, certo? – ele assentiu, não compreendendo-me. – Acha que uma pessoa depressiva pode gostar também?

- Minha mãe era depressiva e Queen era a banda preferida dela, pois recordava-a dos bons momentos. – ah, claro, dei um fora. Olvidei-me daquela informação e amaldiçoei-me por isso. Sorriu. – É minha banda favorita também, porque sempre recordo-me dela cantando quando estava feliz. Quase nunca ouvia quando estava deprimida, porém, sempre que estava animada, era Queen que cantava. Por quê?

- Trajes e um broche do Queen: foi só isso que localizaram comigo quando socorreram-me no acidente de carro e só o que levei embora do hospital quando saí. Todavia, Ruki gostava de bandas sombrias e continha um monte de pôsteres delas nas paredes e vários CDs. – Akira piscava ambíguo. – Procurei e não há nada do Queen no dormitório, então não sei se ele gostava da banda ou não. Não sei qual a acepção do broche, se é que há uma.

- Taka, não estou entendendo... – cruzou os braços. – Encontrou algo?

- Na verdade, sim. – revelei as baquetas e ele contemplou-as torto. – E trouxe-me mais perguntas do que revides. Ruki não parecia um baterista e não há uma bateria aqui. Elas jaziam arrojadas debaixo de minha cama, arquivadas por um saquinho, porém, talvez possa auxiliar-me a recordar algo. – beirei-me dele e mostrei o título grafado nelas. – Onde já ouvimos o nome “Kai” antes?

- “Kai”? – iterou-me, encrespando o cenho e fitando-me sobressaltado. – De acordo com Yuu, era o pseudônimo do Yutaka, nosso baterista que esvaneceu.

Ah...

O baterista esvaecido, Uke Yutaka, é Kai...?

- Aki... – apelidei por estar perplexo e confuso. – Certeza...?

- Sim, mas por que haveria algo dele aqui? O que vocês eram um do—

Akira descontinuou por quaisquer segundos, sentando-se no chão por fraqueza nas pernas. Pelo visto, não era o singular perplexo e sem nada compreender. Melhor: talvez eu não compreendesse, entretanto, Akira criara uma hipótese e provavelmente por isso sentara-se. Tartamudeou quaisquer versos, até, enfim, encarar-me incrédulo.

- No dia daquela festa, ele estava longínquo, ébrio e, pela primeira vez, desesperado e confuso, discorreu sobre o cara que amava... Que sofria e que ele temia perder... O garoto tinha problemas psicológicos e Yuta temia não conseguir ajudá-lo, mesmo que amasse-o demasiadamente... – arregalei meus olhos e ruí de joelhos, ficando frente a Akira e deixando as baquetas caírem e rolarem. Minha ansiedade trucidava-me ao fazer-me arfar. – O perfil que ele descreveu sucintamente... Bate com o pouco que sabemos do perfil de Ruki...

- Então... – impossível... – Nós...?

- Vocês eram namorados, Taka...?


Notas Finais


Fazia tempo que o Akira não morria e olha que legal: aparentemente "Kai" namorava "Ruki" -- Yutaka e Takanori eram namorados. Será?

O que acharam? Comentem!

Kissus! *3*


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