História Untrue Butterfly - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias The GazettE
Personagens Aoi, Kai, Personagens Originais, Reita, Ruki, Uruha
Tags Akira, Aoi, Aoiha, Borboleta, Bts, Bullying, Butterfly, Drama, Efeito, Fanfic, Gazette, Kai, Matsumoto, Reita, Reituki, Romance, Ruki, Shiroyama, Suzuki, Takanori, Takashima Kouyou, Tragedia, Uke, Uruha, Yutaka, Yuu
Visualizações 28
Palavras 3.584
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Lemon, Lírica, Mistério, Musical (Songfic), Poesias, Romance e Novela, Shonen-Ai, Sobrenatural, Super Power, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Visual Novel, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Minhas aulas da faculdade regressaram, então já sabem: os capítulos podem demorar para sair. Ainda assim, trago mais um e espero que gostem. Atenção ao detalhes.

Boa Leitura!
Desculpem os erros'

Capítulo 4 - Do We Know Each Other?


Fanfic / Fanfiction Untrue Butterfly - Capítulo 4 - Do We Know Each Other?

Amada borboleta de asas esvaecidas...

Tu estás iludida ou dúbia?

*

Durante o trajeto à sala de música, apanhei-me refletindo nas músicas que ouvia e gostava atualmente: seriam as mesmas de antes, quando eu ainda continha memórias? Os mesmos gêneros e as mesmas bandas? Baixei meus olhos, novamente sendo contraído pelos adágios sem encaixes. Púberes devem instituir uma identidade, contudo, sequer sabia se um dia contive uma e qual era – se era a mesma de agora ou totalmente oposta.

Detesto arrazoar sobre algo que não recordo-me.

Akira deteve os caminhares subitamente frente a uma porta e, absorto, colidi-me nele. Logicamente, seu olhar dúbio, por cima dos ombros, pairou sobre mim e não vali-me em fitá-lo de volta. Ele girou a maçaneta, ainda encarando meu olhar embananado que eu não ousava restituir, abrindo a porta para manifestar-me o estúdio: acanhado, empoeirado, transtornado, mas com um clima afável e risadas baixas de dois garotos. A poeira ao ar era sutilmente cintilada pelos escassos raios solares lívidos que adentravam pela vidraça.

O clique do espectro musical: era um belo retrato, de fato.

- Chegaram! – gritou Yuu jovial, enquanto Akira meneava e puxava-me para dentro. O moreno jazia sentado ao lado de Kouyou e ambos debelavam suntuosas guitarras nos colos. Provavelmente, estavam praticando. – Estancou o sangue?

- Sim. – Akira sentou-se no chão, adquirindo seu baixo. – Taka podia ter doado o que perdeu, pois salvaria a vida de uma galera aí.

- Engraçadinho... – redargui em cicio, enquanto eles escarneciam. Meus olhos foram em adereço ao garoto de cabelos de cobre, Kouyou, que não sorria e encarava-me como se tentasse localizar o rebate de uma questão solta no ar. – Agora que conheci, melhor regressar para não atrapalhá-los.

- Que nada! Sente aí e ouça-nos tocar! – apesar dos vocábulos amigáveis de Yuu, ainda não sentia-me bem-vindo pelo modo como Kouyou reparava-me. – Na verdade, só passar o tempo mesmo...

- Sem cantor ou baterista, é só o que resta-nos. – era um lamento de Akira, entretanto, sua voz parecia conformada e até mesmo hílare com o fato. – Permaneça conosco, Taka.

- Certo... – não estava nada “certo”: ansiava ir antes que Kouyou fendesse-me com seus olhos densos e deprimidos.

Ele execrava-me, decerto.

Sequer sabia o ensejo, mas era isso.

Hesitante, sentei-me no chão um pouco longínquo deles e, durante um tempo, dediquei-me a admirar o local e evadir do olhar fuzilante de Kouyou. Era acanhado, com vários amplificadores soltos pelas arestas, um piano vizinho à janela e pó ao vento. Havia a silhueta de uma bateria também, atrás de Yuu, contudo, estava coberta por um lençol encardido e semelhava muito solitária – uma vez que o amo dele, Yutaka, se não engano-me, esvaecera sem deixar rastros.

Ainda assim, vê-los tocar e gracejar num ambiente simples como aquele fez-me desejar que fotografias manifestassem sons. Não gostaria de olvidar-me daquelas notas belas que consolidavam nas cordas dos instrumentos musicais, todavia, o máximo que perpetrei foi extrair o retrato daqueles músicos inominados, embora repletos de talento.

O sorriso que delineou-se em meus lábios fora irrefletido.

- Cara, só eu estou com sede? – indagou Yuu, cessando de tocar abruptamente.

- Também estou. – enfim ouvi a voz de Kouyou sem ser cochichada. Era bela.

- Vamos pegar algo. – dispôs-se Akira espontaneamente, abandonando o baixo e erguendo-se do chão contíguo a Yuu. – Taka, deseja algo?

- Não, estou bem, obrigado... – estava sim com sede, entretanto, não tinha coragem de confessar, já que sequer éramos próximos.

- Beleza, então será vodca para todos. – riu Yuu e Kouyou golpeou-o veladamente na perna, reprochando-o e arrebatando risadas. – Refrigerante! Refrigerante!

- Estamos indo! – foi naquele momento que minha ficha e a de Kouyou ruíram: permaneceríamos a sós, enquanto Akira e Yuu esquadrinhariam bebes que não requeremos. Era proposital. – Retornamos logo.

E, assim, o silêncio incômodo entre Kouyou e eu perdurou por minutos.

Semelhara séculos e já não sabia mais o que contemplar nas fotografias que extraí mais cedo, porquanto fora o excepcional método que localizei para evitar contato. Kouyou improvisara o mesmo por alguns instantes, afinando a guitarra para evitar trocar vocábulos comigo. Jazíamos terrificados por sermos estranhos e estarmos completamente sozinhos naquela sala empoeirada e silente.

- Ei... – caramba, ele puxou assunto! Icei meus olhos dos retratos para fitá-lo e, assim como eu, Kouyou evadia com o olhar quando encarávamo-nos por mais de dois segundos. – Cursa Fotografia, não é? Aki não te traria aqui se também fosse do curso de Música...

- Ah, sim... Curso Fotografia no edifício de Artes... – ele semicerrou o olhar e tombou a cabeça para o lado. Deus, aqueles olhos densos e deprimidos carcomiam minha alma. – Desculpe-me, estou atrapalhando vocês...

- Não! Não! – de repente, pareceu que compreendera que perpetrava algo errado comigo, como comprimir-me sigilosamente. – Perdoe-me, é que, embora não conheçamo-nos, creio que já vi-te em algum lugar e não foi pelos arredores da universidade.

- Talvez esteja enganado ou já tenhamos passado um pelo outro...

- Pode ser... Onde estudava? – tartamudeei versos com aquela inquirição: não recordava-me de nada antes do acidente. Baixei a cabeça, volvendo a encarar minhas fotografias.

- Não sei... – segredei. – Não recordo-me de nada. Não tenho memórias...

- Ah...! – Kouyou desamparou a guitarra celeremente e beirou-se de mim, espantando-me naquele ato súbito. – Você é o calouro imêmore?

- É... Creio que sim. – pisquei, arredando-me infimamente. – Engraçado... – volvi a baixar a cabeça quando ele encarou-me sem repelir os olhos. – Todos conhecem-me, menos eu.

- Não conheço-te, tão-só ouvi sobre ti. – fitei-o de esguelha, ainda de cabeça baixa, e percebi-o baixar a dele e a expressão tornar-se remota. – Creio que ouviu sobre mim igualmente... – sorriu deprimido. – Talvez tenha visto o vídeo...

- Não vi, mas soube do ocorrido... – os olhos dele marejaram e, imediatamente, espaçou-se de mim em dois palmos. – Olhe, não sou bom com palavras, porém, a culpa não foi sua se eles drogaram-te e incidiu aquilo...

- Talvez sim, talvez não... O fato é que nada modificará enquanto o vídeo ou eu existir. – encostou os olhos e não sei quanto tempo incidimos em sigilo. – Aki é legal, viu? Todavia, não acho bom que ande conosco... Sua conjuntura de bullying agravará.

- Ah, então sabe como sofro... – suspirei, elegendo os melhores versos para não deteriorar tudo. – Não sou de ter amigos e estou sempre sozinho, mas... Não é pelos ultrajes que me espaçarão de vocês. Sei lidar com isso, então não se preocupe. Jamais te julgarei e, se precisar, talvez eu possa auxiliar em algo, sei lá... – os olhos dele, antes sem qualquer brilhantismo, cintilaram pelas lamúrias presas. Acho que proferi a coisa certa. – Não sou bom com conselhos e mal sei resolver-me, porém, posso ouvir-te quando precisar desabafar...

- Sério...? – confidenciou e, enfim, consegui fitá-lo sem esquivar o olhar, assentindo e extraindo o primeiro sorriso dele: esfalfado, entretanto, mitigado. – Obrigado... Posso apelidar-te de “Taka” também?

- Pode... – ansiava negar, mas não tinha como fazer quando Akira apelidara-me do mesmo modo.

- Avoque-me de Kou, se desejar. – refleti se a intimidade era algo fácil de impetrar ou se aquilo incidia tão-somente entre pessoas caridosas e sofridas. – Desculpe-me tê-lo encarado no princípio. Atinei que fosse análogo aos outros... Estava ludibriado, sobretudo agora que sei quem é. – sorri acanhado e ele volveu a beirar-se de mim. – Então... Por que Fotografia?

- Ouvi uma vez que as imagens perpetuam uma existência e aprisionam a essência de coisas e pessoas. – mostrei o retrato que extraíra deles momentos antes e Kouyou admirou-o silenciosamente. – Ajuizei que, se extraísse a essência das coisas, poderia recordar-me de quem fui ou qual fora meu passado. Se não, pelo menos prevenirei de olvidar-me novamente, pois coleciono estações em imagens. – refleti em meu projeto perdido noite antecedente e suspirei. – Por que Música?

- Para afastar a dor. – sucintamente, tal réplica contraiu-me desprevenido, bem como o sorriso estafado e os meninos que regressaram com os refrigerantes em mãos, aliciando a atenção de Kouyou. – Ah, voltaram...

- Só tinha de limão, credo... – rezingou Yuu, estendendo uma latinha a Kouyou, enquanto bebia a sua e sentava-se ao lado. Akira estendeu uma a mim, bebendo a dele. Para não fazer desfeita, aceitei. – Almejava de cola.

- Faz mal. – objetou Kouyou e Akira gracejou, permanecendo de pé.

Quando reparei a vidraça, intuí que o sol jazia em posição para serenar e recordei-me de que precisava localizar o docente para quem não adjudiquei meu trabalho perdido. Alcei-me bruscamente do chão, adquirindo minha bolsa e aliciando olhares ambíguos – o que era normal.

- Taka...! – Akira brandiu meu braço. – Tudo bem?

- Tudo... – suspirei, afinal, era melhor elucidar a atuar feito um demente. – Olvidei-me de que carecia articular com meu catedrático sobre o projeto que deixei de adjudicar, então tenho de ir para encontrá-lo ainda hoje, já que amanhã é domingo e ele não estará aqui.

- Ah, claro... – soltou-me e sorriu. – Sabe o caminho de volta? – assenti. – Beleza, a gente se vê.

Com um meneio, despedi-me e saí com a latinha congelando meus dedos e a bolsa pesada em meu dorso ainda umedecido. Na verdade, não sabia volver, entretanto, continha certa ideia, visto que os edifícios eram idênticos um ao outro. A passos vastos, marchei pelos corredores vazios, repletos de cartazes atassalhados no chão. Desacelerei meus caminhares para tentar remontar as partes dispersas nas quais pisava e, deste modo, sustei frente à porta fechada de saída.

Desaparecido: Uke Yutaka.

O baterista que Akira mencionara. Continha olhos de avelã e cabelos de mesma nuança, que findava na altura dos ombros e com as pontas tingidas de louro. No retrato, ele sorria e exibia os furinhos de suas bochechas, quiçá sua essência. Fotografias produziam-me sensações de aconchego e bem-estar, todavia, fitando aquele cartaz – o excepcional ainda inteiro – senti um nó na garganta e um vácuo no estômago. Fora a mesma emoção que apresentei quando folheei os álbuns com os retratos de meus progenitores, logo que saí do hospital, inteiramente sem recordações.

- Faz falta, não? – uma voz feminal abrolhou ao meu lado e, portanto, virei-me para fitá-la: uma garota pequena, cabelos rosados e curtos, trajando vestes alvas e contendo um maço de cartazes nos braços. Ela que afixava-os...? – Era uma ótima pessoa.

- Ah, não conheci-o... – os olhos de safira estavam dúbios. – Foi curiosidade...

- Pena. Yutaka era um garoto aclarado e um excelente baterista. – baixou os olhos e suspirou, abrindo um sorriso fúnebre. – Não creio no que a polícia expõe, porque não foi assassinado... Não pode ter sido... Ele só saiu provisoriamente, pois as pessoas daqui são atrozes umas com as outras. – os olhos dela, bem como os meus, cravaram a trilha de estilhas dos avisos retalhados pelo corredor. – Não desistirei, mesmo que aniquilem todos os cartazes...

- Você que cola-os? – ela assentiu.

- Se não eu, Aki cola-os. – estalou os dedos, como se estivesse irrequieta ao pronunciar a alcunha de Akira. Afinal, quem era? – Ah, perdão! Sou Katherine!

- Takanori... – apertamos as mãos e tentei encobrir o fato de surpreender-me por ela “decifrar” minha mente. – Então... Conhece os integrantes da banda?

- Um pouco. Era amiga de Akira, porém, depois da festa... – negou com a cabeça, rindo incomodada. – Sabe como são as desilusões: sempre vêm nos piores momentos e por aqueles que você menos espera. – suspirou. – Ainda assim, mesmo culpando-me, persisto a fixá-los e a auxiliar nos inquéritos.

- Você estava na festa? – muito bem, não sou de discorrer, mas sou curioso.

- Você não estava? – neguei, sem expor que era o “novato imêmore”. – É o primeiro que sei que não jazia lá! – surpreendeu-se, amoldando os cartazes no colo. – É que... – enrolou-se, corando um pouco. – Tinha uma queda pelo Yutaka, entende? Akira e eu tornamo-nos amigos e ele prometeu-me que me apresentaria ao Yuta e apresentou, porém, no dia da festa, traiu-me. – baixou os olhos, macambúzia. – Yuu e Kou dançaram quase toda a noite, enquanto Aki e Yuta dialogavam no canto da sala... Só fui à festa para tentar uma chance. Sabe como são os festivais: é fácil beirar-se daquele que interessa-te.

- Verdade... – agora estava mesmo curioso para saber o que incidia nas “festas”, porém, algo expunha-me que eu não perdia nada ao permanecer em casa.

- Fiquei aguardando Aki arredar-se, mas não ocorreu. – ela puxou um cartaz novo e ateve-o na porta. – Foram à piscina, onde havia poucas pessoas já caídas, alcoolizadas, e persistiram a dialogar. Ponderei em aproximar-me e solicitar um minuto com o Yuta, porém, eles ficaram... – vergou os lábios, entretanto, eu sabia que Akira estava ébrio naquele momento. – E eu vi. Fiquei com sanha do Aki e desejei que ferrassem-se como vingança quando ausentei-me da festa, contudo, não atinei mesmo que as coisas ficariam tão ruins, então... Sei que a culpa não é minha, precisamente, mas sinto como se fosse. – suspirou novamente. – Desculpe-me contar-te isso, sendo que não conhecemo-nos.

- Tudo bem... – adequei minha bolsa. Creio que Katherine desabafara comigo exatamente por não conhecermo-nos e, portanto, sabia que eu não a julgaria. – Aki e você...?

- O quê? Se ainda somos amigos? – assenti. – Não do modo como já fomos, mas sim. Perdoei-o e anseio, tanto quanto ele, localizar Yuta vivo, portanto, não desistirei. – sorriu mais animada. – Bom, findarei meu afazer. Até mais, Takanori.

Observei as costas dela arredarem-se de mim, enquanto novos cartazes eram afixados na parede. Volvi meu olhar para encarar a fotografia: era estranho demais. Aquele sorriso de bochechas furadas... Parece que já vira em algum recinto, porém, onde? Em quem? Seria o mesmo garoto? E Kouyou, mais cedo, pronunciara crer conhecer-me... Será que conhecemo-nos antes de meu acidente? Ou tudo era mero acaso?

Detenha, Takanori, detenha...

Suas lembranças não regressarão, mesmo que coaja-se a recordar.

Pessoas peculiares avocam atenção e pessoas similares enleiam-se, portanto, não havia nada estranho naquela conjuntura. Abri a porta e saí, rumando a passos largos a meu edifício, afinal, tinha de elucidar-me ao meu tutor sobre minha desventura com o projeto perdido e com minha inevitável ausência de nota. Talvez oferecesse-me uma segunda oportunidade – possivelmente, eu já estava de exame, então não deveria esperançar-me.

Quando localizei-o na sala de aula, senti-me mal e empalideci. Pretexto? Seria conveniente se eu compreendesse: talvez apreensivo, quiçá fadiga ou, quem sabe, fosse porque eu empregara, mais cedo, meu dom indesejado para salvar, novamente, a vida de uma Borboleta intitulada Suzuki Akira – o baixista de uma banda qualquer do curso de Música que beijara o baterista esvaecido da universidade.

Creio que meu mal-estar impediu-me de abranger o sermão que levei de meu catedrático quando lhe descrevi a veracidade. O tique-taque do relógio retumbava em minha cabeça enfastiada, então curvei-me quando ouvi-o proferir:

- Estou decepcionado contigo, Matsumoto.

E quem não estava? Até eu decepcionara-me comigo. Deprequei perdão novamente e auferi a confirmação da data de meu exame: se fosse aprovado, ótimo. Senão...

Dependência.

Sinônimo de “desesperação” aos universitários.

Retirei-me quando a infindável conversa findou, retornando ao meu dormitório para banhar-me e serenar – quem sabe eu não conseguisse adormecer naquela noite? Óbvio que não. Insônia é minha singular companhia naquelas vastas e sombrias madrugadas, as quais eu passava admirando meus próprios retratos corriqueiros na parede de meu aposento, ao lado de minha cama desarrumada. Havia uma, em particular, que não conseguia repelir minha atenção e, consequentemente, não afixei-a na parede: os meninos tocando.

Não sabia com quem envolvia-me, tampouco conhecia-os propriamente, contudo, por que será que, concomitantemente, sentia que já ouvira tais narrativas? Como se já tivesse-os visto em qualquer ambiente, que não fosse no campus? Afinal, quem eu era...?

- Droga... – encostei minhas pálpebras, tentando reaver a melodia que tocaram mais cedo. – Não desejo olvidar-me... Não novamente...

Reabri-as e cravei a fotografia. Akira: o baixista que infiltrara-se em minha vida a partir do momento que salvei a dele – mesmo acidentalmente. Kouyou: o garoto belo e deprimido que conhecia-me de algum lugar. Yuu: um viciado que chacinara o melhor amigo num dia e buscara refrigerante com este suposto “amigo morto” no outro. Yutaka: aquele que eu jamais ouvira a voz, entretanto, conhecia o sorriso.

- Pare, Takanori, pare... – aloquei minhas mãos na cabeça, bufando. – Maldita enxaqueca...

Icei-me do leito e deixei a fotografia em cima da escrivaninha, bem ao lado de meu notebook pérfido. Almejava um medicamento, contudo, olvidei-me de comprar na drogaria: muito bom. Execro tal sequela do acidente. Tão-somente meu lucivelo alumiava a alcova e eu já estava pronto para apagá-lo e tentar, embalde, adormecer mais uma vez – só que ideias abrolham quando minha cabeça dói.

Não deveria, embora fosse estonteante.

Adquiri uma esferográfica e recuei dois passos para trás, permanecendo no cerne do aposento. Estiquei meu braço para suspendê-la em dois dedos, soltando-a e observando-a ruir e rolar no chão. Encostei minhas pálpebras e abri minha mão, como se arriscasse apanhar algo que jazesse fora de alcance. Respirei e expirei fundo, abrochando meu cenho e coagindo-me a efetivar a volta no tempo. Era como tentar o impossível, crendo ser possível, quando senti duas gotas de suor fluir de minha testa. Quando advieram por minhas bochechas e estavam para despenhar de minha face, meu coração bombeou em minha cabeça e os segundos atenuaram a frequência.

Regressei doze segundos.

~*~

E lá estava a caneta em minha mão novamente. O que desabava agora era eu de joelhos e o sangue a dimanar, novamente, de meu nariz. Mais importante: consegui... Consegui! Fora pouco, entretanto, controlei e compeli-me a retrogradar no tempo! Só tentei, propositalmente, duas vezes antes de desistir de brincar com isso por causa da Teoria do Caos, todavia, aí estava... Eu podia dominar! Eu podia...

Entretanto, quem me conteria se eu perdesse o domínio?

A sensatez volveu a mim ao ponto que minha consciência repudiava-me: brinquei com o que não devia duas vezes e meu corpo redarguia negativamente ao poder, bem como o mundo localizava formas de rescindir minha cincada ao trucidar, pela segunda vez, Suzuki Akira. É, Takanori... Resigne o donativo e deite-se no chão frígido para repousar e cuidar de sua saúde fragilizada. Detenha de arrazoar no que um dia fora e pondere no que será daqui para frente.

Até parece que consigo.

*

Se há algo que gosto é dia nublado para fotografar, todavia, naquela manhã de domingo, cujo campus encontrava-se abandonado porque a pluralidade dos universitários volvia para casa no fenecimento do sábado para visitar familiares, meu corpo inteiro doía. Sequer o esquilo que localizei suavizou minha dor nas costas por eu ter passado, quase a noite toda, estirado no chão de meu aposento e sangrando pelo nariz. Escovei meus dentes e vesti uma calça jeans rasgada, correntes pendidas nela, meus acessórios de dedos e punhos, além de uma camiseta branca e outra xadrez, rubra e extensa, por cima. Minhas botas eram beges e minha mochila jazia no dorso e a câmera nas mãos.

Que dor do inferno...!

Viandando isoladamente pelo campus, gostava de sentir o favônio fresco tocar minha face para promulgar uma crível precipitação de arremate de tarde, enquanto extraía retratos daquilo que atinava digno de armazenar. Aliás, domingo era um dia bem deprimido, solitário e vazio, contudo, gostava meramente por não precisar ouvir brincadeiras estúpidas dos outros educandos. Destarte, sempre despertava cedo – se bem que, naquele dia em especial, fora minhas costas que despertaram-me aos alaridos.

- Não faça-me rir... – a voz espaçada gracejava e reconheci concernir a Kouyou. Ele jazia sentado debaixo de uma árvore e Yuu, agachado, improvisava gracinhas para vê-lo sorrir. – Não seja tolo, Yuu!

Era bonito vê-los...

Conquanto mal conhecesse-os e ainda receasse aquele garoto de cabelos negros, eu verdadeiramente gostava da relação deles – tanto que, ao longe, ajoelhei-me e ampliei minha lente para registrar os sorrisos que proporcionavam um ao outro. Invejava-os, porquanto jamais soube se um dia apresentei um amigo ou amor que fizesse-me rir daquela maneira. Suspirei e icei-me do chão quando, abruptamente, uma borboleta bela de asas azuis cingiu-me.

“Siga-me”, você profere...?

Revolvi em minha própria órbita quando ela rodeou-me novamente e revelou-me um caminho díspar, pelo qual eu jamais passara. Concreto das paredes de um lado e árvores de outro num corredor estreito, encaminhando-me pelo canteiro de rosas azuis como as asas dela. Ansiava que sustasse para que eu fotografasse-a e, semelhando compreender-me, a pequena borboleta pousou no dedo de um garoto que contemplava as rosas do vergel. Ele era um pouco mais alto, louro e continha uma... Faixinha... No nariz...

Só pode ser mentira...

- Akira...? – minha voz despontou num cicio, entretanto, fora o bastante para que ele virasse-se para mim e abrisse um sorriso introvertido.

- Taka... – volveu seu olhar à borboleta azul em seu dedo indicador. – Formosa, não? Fez um ótimo trabalho, pequenina.

- “Ótimo trabalho”? – iterei, totalmente dúbio, observando-o dispensá-la e a acanhada borboleta voejar para longe. – Não diga-me que adestra insetos...

- Claro que não, mas seria interessante se conseguisse. – riu, alocando as mãos, repletas de braceletes e anéis, nos bolsos. – Não diga-me que está seguindo-me.

- Claro que não, mas seria interessante se eu compreendesse os ensejos de agora toparmo-nos em todo canto. – redargui e Akira riu novamente, beirando-se de mim concomitantemente em que eu retrocedia alguns passos, até sustarmos quando embati minhas costas em uma das árvores. – Que foi...?

- Está fazendo algo importante agora? – pisquei três vezes, negando com a cabeça. – Deseja ir à cidade comigo?

Era curioso como as coisas sucediam de modos importunos e, simultaneamente, tão misteriosamente. Akira era um enigma completo, minha perene Borboleta de asas diáfanas, cujo voo silente à minha volta eu não abrangia. Por que ligamo-nos daquela maneira? Baixei minha câmera e assenti com a cabeça, após relutar mentalmente. O sorriso dele estava tão longínquo, contudo, por que sentia-me tão conexo de seu imo?

Akira, se suas asas persistissem a bater daquele modo...

Então meu coração poderia tornar-se um tufão, de tão intenso que colidia.


Notas Finais


Não farei com que o Takanori utilize o poder em todos os capítulos: é que, por enquanto, é essencial que percebam o sentimento dele com relação a isso e o que incide ao redor cada vez que ele utiliza o poder. É importante.

O que acharam do cap? Comentem! o/ Espero não demorar muito com o próximo e que estejam gostando.

Kissus! *3*


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