História Upheaval - Capítulo 7


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adolescentes, Amigos, Amizade, Amor, Celebridades, Colegial, Daniel Sharman, Drama, Família, Gay, Homossexualidade, Jordan Fisher, Kristen Stewart, Lesbicas, Lily Collins, Originais, Romance
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Palavras 1.251
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, FemmeSlash, Festa, Romance e Novela, Slash
Avisos: Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Transsexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Boa leitura.

Capítulo 7 - Sete


POV Gregory

- Gregory Ledger, a representante te aguarda na sala trinta e dois. - A voz na caixa de som em cima de mim soou e todos ali estremeceram, mas logo desviaram os olhares para o chão pálido e brilhante ao perceberem que não era seu nome o chamado. Era o meu. Ansiedade é pouco para o que senti naquela hora.

Durante meses fiz inscrições para mais e mais processos seletivos para Universidades dos Estados Unidos. Não tinha contado pra ninguém ainda, nem Wendy e Ben, mas minha distância desde o ano passado tinha como principal fator os estudos para os Exames necessários. Terminaram fazia poucos dias e nesse específico era a parte mais importante: as entrevistas. Essa foi a primeira de muitas que sucederam e o mesmo nervosismo permaneceu. É realmente algo difícil conseguir entrar em algo tão grande assim, principalmente por ser no exterior.

Vinha me preparando o Ensino Médio todo, é verdade. Mas parece que quando chega a hora você fica tomado pela tensão e quatro anos, de repente, parecem insuficientes.

Finalmente levantei do meu assento e percebi que minhas mãos estavam gélidas até demais, e não era por causa do ar condicionado. Era ali ou em lugar nenhum.

"Você consegue, Gregory. Você se preparou. Use todo seu inglês americano e cause uma boa impressão, isso é tudo", pensei.

Duas batidas na porta de madeira nova e negra, com o brasão da sede.

- Entre, Ledger.

Girei a maçaneta. Ela focou em mim e sua testa franziu levemente, eu não entendi de primeira, mas as coisas começaram a desandar logo, logo.

- Gregory Ledger? É isso mesmo? - A mulher loira me analisava de cima a baixo com seus olhos azuis claros, com uma sobrancelha fina erguida. - Acho que houve um engano.

- Não aconteceu engano nenhum, senhorita. Sou Gregory e vim para a minha entrevista de ingresso à Universidade de Lox e você é a representante indicada para tal acontecimento. - Tentei manter a postura mesmo depois de perceber o que ocorria, mas foi quase impossível. Trinquei a mandíbula e segurei a pasta vermelha de documentos com força.

- Acho que nossa entrevista vai ser uma perda de tempo para ambos, Gregory.

- Desculpe?

- Bom.. na nossa Universidade prezamos uma política muito antiga e tradicional, e você não tem bem esse perfil fisicamente. Suas notas são impecáveis, aliás. Meus parabéns por isso, mas aqui não é seu lugar. Desculpe, espero que tenha um bom dia. - Dito isso, a moça voltou a passar os longos e pálidos dedos por folhas e mais folhas de candidatos, ignorando minha presença totalmente ali.

- Isso é sério? A Universidade de Lox não aceita alunos negros.. que piada, cara. - Dei um riso sem graça e comecei a sentir um incômodo imenso no corpo. - "Tradicionais", né? Que foi, isso é uma palavra nova pra racistas? - Ela me olhava incrédula e com o cenho franzido, sem reação.

- Menino, você não tem a autoridade de falar assim com..

- Menino é o caralho! E quem é que tem autoridade aqui, os brancos? Você?

- Vou ter que ser obrigada a chamar os seguranças do prédio. - Incrivelmente a mulher não perdia a postura, mas quando avancei em sua direção com passos largos e lentos ela só me olhava prendendo a respiração.

- Não vai ser necessário, moça. Sua decisão de chamar seguranças negros pra esse quarto é tão idiota quanto essa instituição. O que acha que eles vão fazer? Segurar sua própria raça pelos braços e abaixar a cabeça pra branquela racista do cacete? Meus parabéns, acabou de provar o ponto da sua Universidade. É uma pena que vocês não vão receber um aluno de nota máxima desde que se entende por gente só porque ele é negro. - Parei de me aproximar e nesse ponto já suava frio. - Sua universidade tá fodida comigo, junto com a tua reputação. - Me tornei em direção à porta e fechei os olhos por alguns segundos, tentando não perder a sanidade ali. Levantei a cabeça com pesar e saí do estabelecimento.

***

POV Benjamin

O dia estava sendo puro tédio. Acordei tarde demais pra ir pra aula e cedo demais pra fazer algo produtivo, é isso significa que passei o resto da manhã no loft assistindo alguma série policial e comendo besteiras.

Quando quase cochilava no grande e escuro sofá, meu celular apitou com uma mensagem de Greg. Achei estranho porque ele era a última pessoa a usar eletrônicos no colégio, e logo deslizei meu dedo rapidamente sob a tela pensando ser uma emergência.

" Tô na estação de trem do centro de Londres. Deixei meu carro na garagem, usa ele e vem me buscar. Por favor. Até logo. "

Um arrepio subiu por toda a extensão do meu corpo e levantei mais rápido que devia, sentindo uma vertigem leve. Comecei a pensar em tudo que poderia ter acontecido com ele e o sentimento era horrível. Coloquei o primeiro casaco e tênis que vi pela frente com rapidez e saí porta afora, chegando na garagem e tentando aprender a ligar o carro antigo em segundos.

Juro que mal consegui contar quantos carros ultrapassei. Meus olhos estavam fixos no horizonte e eu acho que nunca fiquei tão tenso quanto naquele momento. "Ok, sem pânico. Ele tá bem, conseguiu me mandar mensagem. Sinal vermelho. Mas por quê não tá no colégio? Porra, para de pensar, Ben. Sinal verde." Meus pensamentos estavam mais acelerados que o normal, mas logo avistei a placa de estação de metrô.

Depois de estacionar da pior forma possível, desci as longas escadas correndo e ao chegar e ver a multidão de pessoas em seus dias tediosos meu coração palpitava cada vez mais rápido. Avistei Greg ao longe sentado em um banco cinza com uma mochila do seu lado e vestes formais até demais e fui em sua direção.

- Greg? Sou eu. - Me aproximei lentamente dele, que tinha suas mãos cobrindo o rosto inteiro. A pele dele era muito fria e seu peito subia e descia rapidamente.

Quando escutou minha voz tirou as mãos do rosto e pude ver seus olhos inchados. Reparei nos documentos da mochila aberta e consegui ler "Universidade de Lox, USA" e tudo fez sentido, de repente. Era onde ele sempre falava em entrar quando se formasse, mas não entendi a situação totalmente.

Greg me olhava como quem pede socorro e tentou dizer algo, mas nenhum som saiu da sua garganta. Claramente era uma crise de pânico e eu sabia o que fazer nessas horas.

Peguei uma de suas mãos com leveza e comecei a acariciar a costa delas. Com o outro braço envolvi seu corpo e fiz com que ele deitasse no meu peito, passando meus dedos pelos seus cachos. Lentamente ele cessou a hiperventilação e ficamos assim por alguns longos minutos.

Naquela hora pude sentir algo estranho e refleti sobre os últimos momentos. Eu nunca havia ficado tão desesperado sobre o bem estar de alguém, dirigi como um louco. Ao chegar lá meus olhos só queriam encontrar os dele no meio da gente toda. E naquele momento, numa estação de metrô vazia, com as poucas presentes nos olhando confusas e com o meu melhor amigo nos meus braços eu percebi algo que mudou tudo dali pra frente. Eu me importava mais com o bem estar de outra pessoa do que do meu próprio. Eu zelava para que ele ficasse bem e me senti no topo do mundo com Greg tão indefeso segurando minha camiseta com força. E esse sentimento de plenitude em relação a alguém especial tem nome.


Notas Finais


espero que tenha curtido


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