História Us - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Drama, Gay, Lgbt, Romance, Sunork
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Educando cinco alunos utilizando PowerPoint


Fanfic / Fanfiction Us - Capítulo 2 - Educando cinco alunos utilizando PowerPoint

Uma semana tinha se passado desde o incidente. Era assim que a escola estava chamando o caso na frente da imprensa, de incidente, embora Iago e outros alunos categoricamente afirmaram ter sido um caso de homofobia. Por um lado, Iago entendia o posicionamento da escola, eles tinham acabado de sair das manchetes dos jornais por causa de um jovem que havia cometido suicídio, entretanto, mascarar o que acontecia dentro de suas paredes não resolvia o assunto.

Primeiro a transfobia, quando um dos professores se recusou em chamar uma aluna pelo seu nome social, levando a uma pequena mobilização entre alguns alunos. Depois o bullying que levou a um suicídio, o que desencadeou até numa reportagem especial em um jornal de domingo de uma emissora aberta. E agora homofobia. Iago não sabia como a diretora havia conseguido deixar a mídia longe do caso, mas desconfiava que tinha algo a ver com os grandes sobrenomes envolvidos na situação.

O colégio Rosa-María era um prédio novo e longo, que tomava uma considerável extensão de uma grande avenida do bairro São Cristóvão, no Rio de Janeiro. As cores azul escuro e branco acompanhavam toda a instalação, desde os muros externos, os uniformes dos alunos e funcionários, até as capas das apostilas didáticas.

Os portões de ferro, pintados de azul, estavam escancarados quando Iago chegou. Dessa vez ele não se despediu do pai, e saiu correndo, sumindo entre os outros diversos alunos que ficavam no portão esperando o sinal tocar, não, dessa vez seu pai estacionou e desceu com o menino.

Iago observou o seu pai sair do carro, não era o tipo de homem que colocava medo. Muito pelo contrário, George Martins era baixo e tinha os mesmos olhos castanhos e bondosos que o filho. O cabelo de George, que um dia já foi castanho, estava ficando branco e as entradas eram aparente. Calvície, coisa que Iago teria que se preocupar mais tarde em sua vida, por enquanto o seu cabelo ondulado era cheio até demais. Essa característica ele tinha herdado da mãe, como também o formato dos lábios, a mandíbula que formava um V e o nariz arrebitado.

Iago e George formavam uma dupla dinâmica quase perfeita. Foram anos de aperfeiçoamento, desde muito cedo tiveram que se virar sozinhos. George se considerava o homem mais sortudo do mundo, logo após que terminou a faculdade, foi trabalhar como advogado em uma multinacional com sede no Rio de Janeiro. Entre as diversas viagens internacionais que fazia, conheceu Ângela, a comissária de bordo com o sorriso mais lindo que ele já tinha visto. Ela falava cinco línguas, conhecia muitas culturas ao redor do mundo e havia conquistado o coração de George no primeiro voo que fizeram juntos. No entanto, no saguão es espera do aeroporto de Berlim que George tomou a coragem de a convidar para sair.

Mesmo depois que Iago nasceu, Ângela quis manter o emprego. Claro que George apoiou, e desde então o vínculo entre os dois só havia crescido, pois passavam semanas sozinhos, enquanto ela fazia viagens internacionais. Iago aprendeu a não sentir tanta falta dela, e George a aproveitar cada segundo quando ela estava em casa. Cada vez mais as suas escalas estavam ficando flexíveis, por causa da idade. Mas Ângela era referência de bom atendimento na empresa de voo aéreo, portanto cada vez mais era chamada para oferecer cursos, dar aula ou palestras. Que era exatamente o que ela estava fazendo durante essa semana.

— Se sua mãe estivesse aqui tudo seria mais fácil. — Falou George, apressando o passo pois já estavam atrasados.

— No máximo a diretora vai dar algumas suspensões, talvez querer se intrometer na forma como você me educa e só. — Disse Iago, sorrindo. — Não vai acontecer nada demais.

— Muito fácil você falar isso, não vai ser seu chefe sentado do seu lado.

O olhar de George pareceu severo por alguns segundos, mas ele não conseguiu segurar o sorriso e piscou para o filho.

 

O clima dentro do pequeno escritório da diretora Miranda Montenegro estava pesado e quente. O ar condicionado não tinha vazão para refrigerar a sala com quatorze pessoas. Ele, Thales, Gabriel, Jean e Pierre estavam sentados, assim como os pais de Thales e a mãe de Jean. O seu pai, os pais de Gabriel e os pais de Pierre estavam em pé, amontoados na sala que tinha sido dimensionada para receber, talvez, quatro pessoas ao mesmo tempo.

Era a primeira vez que Iago estava vendo Thales depois da briga. Seu cabelo estava intacto, mas não tão penteado como antes, desconfiava que eram os pontos que o colega havia recebido. A expressão no rosto dele era mais séria que o de costume. Não foi difícil encontrar os pais de Thales no meio do mar de pessoas branca que era aquele encontro. Os dois não deveriam ser muito mais velhos do que qualquer um daqueles pais presentes, mas seus semblantes eram de longe os mais castigados. Talvez pelo sol, pela vida ou pelo lugar onde moravam, ficava claro que eles dois já tiveram grandes batalhas pela vida, e cada ruga, cada marca de idade e cada cabelo branco era testemunha disso.

— Bom dia. — Disse a diretora, logo que todos se acomodaram. — Eu imagino que todos vocês saibam por que estão aqui.

— Sim, e imagino que essa será uma reunião breve.

Iago virou seu rosto, para poder olhar o pai de Pierre, que falava. Ele o conhecia muito bem. Atlético, o rosto quadrado, traços fortes, a barba bem-feita e os olhos azuis penetrantes, se as pessoas fossem pokémons ele seria a evolução de Pierre. Os cabelos loiros caíam até as orelhas, separados no meio. Iago sempre pensou nele como um príncipe encantado, mas em vez de um castelo, Jonathan Knapp era o responsável de gerenciar todas as filiais brasileiras da multinacional onde seu pai trabalhava.

— O mais breve possível. — Respondeu Miranda, secamente.

Ela passou os olhos pequenos pela pequena plateia que a observava, limpou a garganta e continuou. Uma luz débil entrava pela janela atrás dela, denunciando que havia um céu nublado lá fora, prestes a desabar.

— Eu vou ser direta, pois não vejo outra forma de fazer isso. Pierre e Jean, de acordo com vários depoimentos dos alunos que estavam presentes, atacaram gratuitamente Iago e Thales com ofensas homofóbicas.

De repente, a sala inteira foi preenchida por protestos e reclamações. Não dava para entender uma sentença completa, então a diretora teve que interceder, pedindo para cada um falar na sua vez, e passou a voz para Pierre, que havia se levantado.

— Não foi gratuitamente, Iago me acusou de ter matado aquele garoto doido. O que se matou. — Bravejou Pierre, olhando mais para o pai durante a fala do que para a diretora.

— Não foi gratuitamente? — Interrompeu Iago. — Então você está confessando que nos atacou, mas não gratuitamente?

— Iago, acho que já passamos desse estágio de tentar descobrir se houve ou não agressão. — Informou Miranda, olhando os dois garotos por cima dos óculos. — E sim, eu já estou sabendo que o Sr. Martins tem opiniões fortes sobre o caso de Pedro Fernandes.

— Opiniões fortes? O nome disso é calúnia e você sabe muito bem das implicações legais que isso pode ter. — Adicionou Jonathan.

— Sr. Knapp, eu quero deixar bem claro que eu não apoio o que Iago Martins disse, mas você deveria repensar até onde vai sua proteção paternal, pois seu filho fez sim parte do grupo que perseguia o pobre Pedro.

Miranda parou por alguns segundos, esperando alguma réplica, mas ninguém se pronunciou.

— No entanto, o assunto que estamos discutindo é outro. Eu tenho, dentro da minha escola, um aluno que está com 6 pontos na cabeça, outro com o polegar quebrado e um boletim de ocorrência por agressão física.

— Quem quebrou o polegar? — Perguntou Thales.

Iago levantou a mão, mostrando o seu imobilizador. Thales franziu as sobrancelhas e seus lábios se moveram para o lado, em um misto de pena e sorriso. Ele moveu os lábios sem fazer barulho e Iago conseguiu ler os lábios do colega, que pedia desculpa. “Tudo bem” ele respondeu, também sem fazer nenhum barulho.

— Além disso... — Continuou a diretora, ignorando a indagação de Thales. — Eu não posso fechar os olhos para o caráter homofóbico da agressão. Ninguém pode se achar no direito de atacar outra pessoa só pelo fato dela ser gay.

— Meu filho não é viado.

Todos se viraram para o pai de Thales. Iago desconfiava que fosse mais ignorância que preconceito. Talvez o homem não tinha ideia de como aquele termo era ofensivo, e acabou usando.

— Sr. Silva, não usaremos esse termo aqui.

— Só que é verdade, o Thales não é gay. — Concordou Pierre.

— E? — Questionou Gabriel.

Iago sabia muito bem onde Pierre queria chegar com aquela afirmação. A punição seria bem mais leve se não fosse comprovada a homofobia. E como Thales era hétero, o caso seria somente uma briga de escola.

— E que não é homofobia se ele não é gay. — Respondeu Jean, como se fosse a coisa mais simples do mundo.

— Não é assim que homofobia funciona.

— O que você sabe sobre homofobia, Gabriel? — Perguntou a sua mãe.

— Não é por eu não ser gay que não devo lutar contra o preconceito.

Iago percebeu que Thales estava com a sobrancelha arqueada, mas decidiu que ia explicar para seu mais novo amigo o armário com portas de vidros do Gabriel outra hora.

— Pierre me atacou e atacou Thales e ainda disse que ele era gay só por que ele estava conversando comigo. — Interviu Iago, tirando a atenção da conversa de Gabriel.

— Filho, todo mundo aqui sabe qual foi o problema. — Os olhos de George viajaram rapidamente entre o filho e Jonathan, seu chefe. — Vamos nos ater ao objetivo dessa reunião? Que eu assumo que seja para discutir a punição para os alunos envolvidos.

— Exatamente, se me permitem...

Miranda Montenegro não era uma mulher que emanava autoridade. Tinha o corpo redondo e baixo, seus pés pareciam fazer um esforço enorme em se equilibrar no pequeno salto branco que usava e ainda assim carregar seu peso. Os cabelos castanhos estavam com a tinta vencida, o que denunciava seus cabelos brancos. Os óculos eram pequenos e a armação dourada, fazendo a diretora parecer uma secretária de um filme dos anos oitenta. Porém, ninguém poderia falar que ela não era qualificada. Graduada em administração, com um MBA e um mestrado em educação, seu currículo era impecável e desde a inauguração do colégio, como parte de um projeto de desenvolvimento do governo federal, ela fazia parte da administração do Rosa-María.

Depois de fechar a janela atrás de si, ela atravessou a sala com muito esforço e desligou a luz. Ao voltar a sua mesa, ligou um projetor, voltado para a parede ao lado da sua mesa. Parte da imagem estava projetada no braço e ombro de Jonathan Knapp, mas Miranda desconfiou que a apresentação teria que ser feita assim, pois estavam sem muito espaço.

— Gabriel Lessa, Pierre Knapp e Jean Bernardini deverão ser punidos. — Ela continuou, agora sentada em sua mesa. — Nós não podemos deixar esse evento passar sem nenhuma consequência para aqueles que usaram de força física. Mas também não podemos deixar que os alunos se provoquem, certo Iago?

Ótimo, pensou. Uma suspensão é tudo que eu quero mesmo.

— Quantos dias? — Perguntou George.

Iago sabia que seu pai iria querer negociar a punição, afinal, era aquilo que ele fazia todos os dias no trabalho.

— Quantos dia de suspensão? Sabe, eu nunca fui muito fã de suspensões. — Miranda mudou de slide, a apresentação agora mostrava um gráfico. — Não temos nenhum dado comprovando que suspender alunos façam com que eles não repitam o comportamento que levou a suspensão em primeiro lugar.

Iago revirou os olhos e suspirou. Ele estava começando a se sentir sufocado. As portas e janelas fechadas, todas aquelas pessoas ali naquela sala pequena respirando o mesmo ar.

— Eu acho que esse caso pede mais que uma suspensão qualquer. Desde o ano passado, quando essa turma entrou no primeiro ano, nós temos problemas de bullying. — O slide seguinte continha as conhecidas matérias feitas a partir dos problemas internos com os alunos do colégio. — Agressão, preconceito, intolerância religiosa, esses são só alguns exemplos das situações que eu tenho que punir e controlar.

— E, de repente, nós ficamos responsáveis por tudo isso? — Perguntou Jean.

Iago sorriu, surpreso por ter vivido para escutar Jean falando algo que tivesse sentido.

— Não responsáveis, mas parte do problema. — O slide agora mostrava os elogios da imprensa ao modelo de ensino da escola, a excelência no ensino médio, o horário integral, o apoio ao esporte e mais algumas observações sobre o colégio. — O Rosa-María não tem a intenção de perder a soberania sobre o ensino no Rio de Janeiro, portanto, a partir de hoje vamos implantar uma política de longo prazo para o combate ao bullying dentro do nosso colégio.

Novamente, a apresentação agora exibia outras imagens. Dessa vez era sobre estratégias de escolas na Europa e Estados Unidos para diminuir os índices de bullying, formação de organizações entre alunos e comunidade, resoluções de conflito, enfoque em mudança de comportamento através do controle de contingências e até legislações federais. Iago certamente não gostava do rumo que aquela reunião estava tomando.

— Resumindo o que eu estou dizendo, a administração da escola, incluindo grêmio estudantil e professores, concordam que as ações isoladas antibullying não estão surtindo efeito. Portanto, vocês não irão receber suspensão. O que acontece depois de ficar três dias, uma semana longe do colégio? Privar vocês das aulas, semanas antes das provas, seria mais prejudicial do que corretivo. Não. A estratégia que queremos é outra.

Miranda desligou o projetor e abriu as janelas, para alegria de Iago. Lá fora chovia, o cheiro de terra molhada invadiu a sala e ele nem percebeu, mas havia colocado as mãos dentro dos bolsos da calça. A sala estava gelada, e nenhum dos presentes pareciam amistosos pela ideia que iria ser apresentada pela diretora.

— Nós queremos que os cinco. Iago, Gabriel, Pierre, Jean e Thales, formem um comitê para determinar ações, estratégias e políticas internas para o combate ao bullying, conscientização sobre problemas como racismo, homofobia, intolerância religiosa e outros. Nós achamos que assim, nós vamos agir em duas frentes. Na causa e na consequência.

A sala irrompeu em protestos.

Iago parou para pensar no que a diretora estava pedindo a eles. Não somente teriam que lidar com o ensino médio, que não era fácil por definição, mas ainda teriam que tentar fazer a escola não ser mais palco de nenhum tipo de preconceito e bullying, escola essa que possuía pouco mais de 1800 alunos nos dois turnos. O que ela estava pedindo para eles era impossível.

— Você não acha que isso é um pouco demais? — Disse Pierre, quando o barulho cessou.

— Eu tenho que concordar com ele. — Iago deu de ombros, dessa vez os dois estavam do mesmo lado.

— Vocês terão apoio do corpo docente da escola, assim como da parte administrativa e terão liberdade de ações.

— Então estamos falando aqui de responsabilidade e não de punição. — Apontou Jonathan.

— Sim, punir os alunos com uma expulsão ou suspensão? No que isso iria ajudar na formação de um cidadão? E já que o caso foi homofobia, espero que pensem sobre o assunto com carinho, quando arquitetarem as estratégias.

— Meu filho não vai fazer parte disso. — Disse a mãe de Gabriel, uma mulher ruiva, de cabelos longo e presos. — Nós respeitamos os gays, mas não apoiamos essa prática.

— Nem meu filho. — Disse o pai de Thales. — Ele vem para escola para estudar, nada além disso. Não quero que ninguém amoleça desse garoto.

— Eu espero que vocês mudem de opinião. — Continuou Miranda. — O papel da escola é formar cidadãos. Além de seres pensantes, críticos, a escola tem o dever de formar os alunos para a sociedade. E como vocês devem saber, por experiência, o mundo é cheio de pessoas diferentes. Eu não tenho a pretensão de fazer a gestão de uma escola de onde estejam saindo alunos que não respeitam as diferenças dos outros. No mais é tudo o que eu queria falar, se eu tiver o apoio de todos os pais, os cinco rapazes começam as atividades próxima semana.

 

O tempo mudava rapidamente no Rio de Janeiro, havia parado de chover e as nuvens se espalhavam no céu, fazendo pequenas manchas azuis aparecerem e o dia ficar mais claro. Iago se surpreendeu com a rapidez que Miranda Montenegro havia conseguido mudar a ideia de alguns pais naquela reunião. Mas a barganha era simples, uma ou duas horas dos meninos, que contariam como créditos extracurriculares, em troca não haveria punição ou expulsão. No final das contas, tudo tinha dado certo.

Na troca de turnos, os alunos tinham uma hora e meia para almoço, o que Iago achava desproporcional, já que eles gastavam no máximo cerca de vinte minutos no refeitório. Logo, já fazia parte da rotina dos alunos tirarem essa hora disponível para conversar, namorar e checar as redes sociais. Era nesse espaço que os alunos podiam demonstrar sua personalidade, o grupo de alunos que se relacionavam dizia muito sobre si. Iago tinha Gabriel e era basicamente isso. Por mais que fosse amigo de todos, Gabriel era especial. Os dois haviam estudado na mesma escola no ensino fundamental, ou seja, eram amigos desde sempre. Amigos que mudam de colégio juntos, o vínculo passa a ser maior, era essa a teoria de George. E se você parasse bem para pensar, era verdade. Ter um rosto conhecido no primeiro dia de aula, em uma escola nova, inconscientemente você vai querer conversar com a pessoa, sentar perto, não se sentir tão sozinha. Amizade por indução.

Gabriel não tinha mudado nada desde o antigo colégio. Talvez só o começo de barba que ele fazia questão de tirar, mas os olhos verdes, os cabelos ruivos que se rebelavam em cachos, o rosto redondo e cheio eram os mesmos. Gabriel não usava perfume, por causa de uma alergia que ele tinha, então o seu cheiro era do amaciante de roupas que usava no uniforme. Era o mesmo amaciante desde que se conheceram, então para Iago, Gabriel tinha cheiro de casa e de segurança.

— Dá para acreditar no que acabou de acontecer?

Os dois meninos estavam sentados em um dos bancos na entrada do colégio. O jardim era grande o suficiente para abrigar um estacionamento, mas algum tempo atrás o colégio decidiu quebrar o concreto e plantar grama e arvores. Agora o espaço era usado pelos alunos para sentar na grama e jogar conversa fora.

— Não mesmo. — Iago ofereceu um biscoito recheado para Gabriel. — Por um momento eu achei que Thales ia te tirar do armário.

Gabriel gargalhou.

— Eu não acredito que Pierre falou que, só por que Thales é hétero, que não tinha sido homofobia.

— Eu não entendo, sabe? Como uma pessoa pode ser tão preconceituosa e mesmo assim não entender como o preconceito funciona. — Suspirou. — Gabriel, isso não vai dar certo.

— O que?

— Essa estratégia da escola. Ninguém quer admitir que está errado, ninguém vai querer participar disso e nós vamos perder tempo.

— Mas você não acha que essa seja uma boa oportunidade? Digo, nós poderemos fazer a diferença, se pelo menos uma pessoa sair mudada dessas coisas que vamos fazer, quaisquer que sejam, não vai ter valido a pena?

— Talvez. Mas até lá...

— Até lá a gente continua fazendo o que sempre fizemos.

— Fugir das aulas de reforço e esporte para ficar olhando perfis de meninos bonitos nas redes sociais?

Gabriel sorriu. A relação dos dois tinha como base os melhores aspectos da relação de irmãos e melhores amigos, confiavam extremamente um no outro, nunca se sentiam julgados, seus gostos eram parecidos, o senso de humor dos dois se completavam. Iago se perguntava as vezes, se os dois não tivessem estudados juntos e criado essa relação há muito tempo atrás, eles teriam tido algo além de amizade?

— Exatamente. — Respondeu Iago, sorrindo.

Ele tirou parte da franja que caía em seus olhos, os cabelos ondulados estavam frisados por causa da umidade daquele dia nublado, fazendo Iago parecer um pouco mais despojado.

— Sabe? Depois de hoje eu fiquei pensando em uma coisa... — Gabriel se interrompeu e fitou os pés.

Instantaneamente Iago percebeu que algo estava errado. Gabriel podia ser um pouco melancólico, mas não com ele. Ele se orgulhava de ser uma das únicas pessoas a conhecer o Gabriel alegre e sorridente.

— O que? — Perguntou, sem saber se queria ouvir a resposta de Gabriel.

— Eu não aguento mais, eu vou falar hoje para os meus pais que sou gay.

Os dois garotos ficaram em silêncio por alguns minutos, pois sabiam da guerra que estava prestes a ser travada. 


Notas Finais


Oin! Desculpa pela demora (?) mas eu realmente fico muito ocupado durante a semana por causa das coisas da faculdade. Sétimo período de engenharia aqui gente o/ Enfim, como sempre: se tiver algum erro que eu deixei passar, me falem pfvr.
Espero que vocês se divirtam lendo como eu me diverti escrevendo. POV do Gabriel no próximo capítulo??????


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