História Use your brain - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Assassinato, Colegial, Mistério
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Palavras 4.475
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Festa, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olá leitores, estou aqui com um capítulo novo :3 Estarei atualizando toda quinta, então fiquem atentos ^^

Boa leitura ;*

Capítulo 2 - Supresa.


Fanfic / Fanfiction Use your brain - Capítulo 2 - Supresa.

Apertei a mão contra a pia do banheiro, eu encarava a figura do outro lado, era como se travássemos uma batalha sem fim só com nossa troca de olhares, o que era bem assustador.  

Cuspi a pasta de dentes dentro da pia, sem deixar de mirar meus olhos no espelho.  
 

— Droga — Falei — Olha esse roxo enorme — Levei a mão até o olho e passei devagar, ainda doía muito, bufei, abrindo o armário e pegando a base, iria cobrir aquela mancha horrível.  
 

No período da noite, eu teria meu turno na cafeteria do Tio Jhonnas — Ele não é meu tio, por mais engraçado que seja, esse é o nome da cafeteria — o salário não é dos melhores, porém não tenho o que reclamar. Os funcionários são gente boa, o único problema é a clientela.  
Fechei o armarinho e terminei de me maquiar. Sai do banheiro com a toalha envolvida em meu corpo.  

Dezessete anos, quem diria senhorita Lisbeth. As palavras de Alice vinham a minha mente me fazendo sorrir. Meu aniversário se aproximava, seria no próximo sábado. Alice me mandou uma mensagem sugerindo uma pequena festa na mansão dos pais dela, se eu aceitasse Robert arrancaria minha cabeça, disso eu tinha certeza.  

Sentei-me na cadeira em frente à penteadeira, deveria terminar de me arrumar o mais rápido possível. Meus cabelos por serem curtos, nem havia necessidade de mexer neles, já meu corpo, bem, eu teria de escolher bem o vestuário.  

Um, dois, três, quatro toques, meu celular só faltava voar em minha direção. Levantei a mão e o peguei, mirei meus olhos no visor e dessa vez era Giovannah. 
 

— Diga — Pedi colocando o celular na orelha. 

Você não faz ideia de quem se transferiu para nossa escola... — As palavras dela soaram em um tom meio eufórico, o que me fez rir em seguida. 

— Não mesmo, eu estou suspensa — Ainda com o aparelho na minha orelha, comecei a caminhar em direção ao meu guarda-roupas, precisava decidir logo o que usaria naquela noite ou chegaria imensamente atrasada. 

Na verdade, foram dois, um deles é Fernando, o outro é uma pessoa qualquer — Deu a entender que o assunto seria sobre o tal Fernado. Continuei minha busca pela calça jeans perfeita, enquanto tentava dar atenção devida ao assunto de Giovannah. 

— Certo, agora vamos ao que você quer tanto que eu pergunte "Quem é Fernando?" — Eu estava em pé em frente ao guarda-roupas, agora estava em dúvida entre a calça preta rasgada no joelho e a lisa.  

Sua dupla no trabalho de química — Respondeu finalmente.  

— Ah...  

O professor Juvenil não quis deixar você e Alice juntas, então, decidiu dar a Fernando a grande honra de "pegar" a aluna prodígio dele — Brincou, como se eu realmente fosse um gênio. 

— Isso porque a minha matéria favorita é história — Bufei, enquanto vestia a calça jeans rasgada — Mas, sobre o que será nosso trabalho?  

Depois falamos do trabalho, vamos falar do Fernando — Novamente o assunto chegava aquele nome masculino que no momento, pouco me importava. 

— MEU DEUS GIOVANNAH! — Gritei, enquanto fechava o zíper da calça — A vida é mais que um par de músculos — nesse momento, eu estava pegando minha camiseta branca com listras vermelhas e o colete preto do "Tio Jhonnas". 

ELE É IDÊNTICO AO DENER! — Travei, enquanto segurava meu colete nas mãos — Sério, parece uma cópia escarrada e cuspida.

— E daí? — Fingi não ter interesse. 

E daí... que eu perguntei a ele se ele conhecia o Dener Brokis e adivinha? — Eu não sabia se brigava com Giovannah por estar me atrasando ou se ria com aquelas informações desnecessárias que ela queria me passar. 

— O que? — Eu já estava vestida, somente precisava colocar os sapatos. 

Eles são primos — Novamente senti meu corpo travar, isso seria brincadeira do destino? Me dar mais um Dener? — Oi? Ainda viva? 

— Nossa, que interessante — Fingi desinteresse total, mas estava nervosa por dentro — Agora vou desligar estou atrasa... — Nem consegui terminar minha frase, Giovannah me interrompeu. 

Santo cristo! O que houve contigo? Não se importa mais com os amigos, vive para cima e para baixo com a Alice, ela me xinga e você nem liga, ela te soca e você continua do mesmo jeito... QUEM É VOCÊ? — Senti meu sangue ferver. Fechei os olhos e deixei que as palavras saíssem para fora, sem me policiar quanto a maneira que as elas saíram. 

— CHEGA! SÉRIO, EU ESTOU DE SACO CHEIO DE TODOS VOCÊS! — Desliguei o telefone e o joguei em cima da cama. Sentei-me no chão e procurei um par de meias na gaveta.  
 

Estou enlouquecendo... nunca falaria assim com Giovannah, droga! Bati com força na porta do guarda-roupas, eu realmente estava mudada.  

Mas diferente do que os outros pensavam, eu estava gostando de mudar.  
 

❈ 
  

— Café expresso — Pediu, enquanto me encarava com aquele sorriso malandro com o canto dos lábios. 

— Sem açúcar — Complementei, o vendo deixar o sorriso ainda mais largo — Ok... — Anotei seu pedido em meu bloquinho — E você? — Me dirigi a acompanhando do meu "amigo cretino". 

 

Eu sabia os gostos do Dener decorados e salteados, então, tinha ciência que ele não iria querer açúcar no café, assim como odiava leite e tinha alergia a framboesas. 

 

— Vou querer um cappuccino — A garota que acompanhava Dener usava uma micro-saia, um top super justo nos seios e uma bota preta de salto agulha, como ela não sentia frio? 
 

Tenho certeza que agora ele vai sorrir e piscar, depois cochichar algo e ela vai rir, enquanto me encaram com aquela feição de "oh, nós vamos transar depois daqui".   

Meus pensamentos sobre o senhor "cretino" não poderiam estar mais certos, ele fez e ela reproduziu exatamente o que eu pensei. Dei as costas, enquanto revirava meus olhos e caminhava em direção ao balcão. Eu disse, a clientela era desagradável. 
 

— Expresso sem açúcar e Cappuccino escarrado com o catarro mais verde que você tiver, por favor — Jhulliam sorriu, ele se divertia com o jeito que eu tratava as acompanhantes de Dener.  

— Porque não fala logo que gosta dele? — Me perguntou o rapaz de madeixas compridas e negras, enquanto preparava os pedidos que eu havia solicitado. 
 

Encostei meu cotovelo sobre o balcão e minha mão no meu queixo, enquanto observava o café que estava soltando fumaça de tão quente, abri meus lábios e respondi à pergunta dele que no momento, estava a me encarar curioso. 
 

— Não gosto — Deixei meus olhos se erguerem para Jhulliam — Eu já gostei, não minto e também já me declarei e não obtive resposta até o presente momento, então, achei melhor desistir — Sorri — Acredito que foi até melhor, olha pra ele, toda noite uma garota diferente... não entendo o Dener, sério.  

— Certo — Ele sorriu — Infelizmente, não poderei fazer o Cappuccino completo como pediu, sinto muito — Fingiu tristeza. Enquanto acariciava meus cabelos curtos. 

— Ah... entendo — Sorri. Tirando a mão de Jhulliam da minha cabeça. 
 

O sino da porta soou, meus olhos correram até a mesma e então, eu realmente acreditei na descrição da Giovannah, se aquele era o Fernando, realmente, era uma cópia do Dener... mas ao contrário do que ela falou, ele era uma cópia malfeita.  

Ele aparentava ser bem mais velho que Alice — Que repetiu o segundo ano duas vezes — seus olhos lembravam os de Dener, mas não totalmente. Seus cabelos negros e pele bronzeada, bem menos musculoso. Ele me lembra Dener, mas não chegava a ser uma cópia perfeita.  

Sentou-se ao lado do primo e da acompanhante. Jhulliam me entregou os pedidos da mesa e eu fui dá-los aos clientes e conhecer a nova figura da área.  
 

— Expresso sem açúcar — Dener sorriu, enquanto eu tirava seu café da bandeja e entregava a ele. 

— Cappuccino es... — Mordi a minha própria língua. Onde eu estou com a cabeça?  
 

Senti meu rosto corar, eu iria dizer escarrado mesmo? Denner sorriu e a garota pareceu surpresa, já a figura nova estava me encarando com uma expressão que eu não consegui definir. 
 

— Es? Como sabe meu apelido? — Ela sorriu. Nunca mais na minha vida isso acontece, que sorte.  

— Eu devo ter ouvido Dener a chamar assim — Sorri — E você, rapaz? O que deseja? — Coloquei o Cappuccino da Es sobre a mesa e voltei meu olhar para a cópia malfeita. 

— Conhecer a Lisbeth — Foi direto. Arqueei a sobrancelha e Dener também pareceu curioso quanto ao primo. 

— Ora — Dener arqueou a sobrancelha e soltou um sorriso — Porque quer conhecê-la?  

— Curiosidade...  — Respondeu por fim — Me disseram que ela trabalha aqui, vim conferir.

— Hum — Ah não, ele não poderia ser um Dener também, já me bastava o original — Quer pedir algo enquanto espera? — Tentei ser educada, mas minha vontade era sai dali e deixar os três sozinhos.

— Chá gelado.  

— Açúcar?  — Dener parecia se divertir com a situação. Não, eu não diria que sou a Lisbeth, não agora.

— Sim. 

— Volto logo — Me retirei.

 

Como eu disse, cópia imperfeita.  
  

❈ 
 

Já caminhava para casa, as estrelas estavam brilhando de maneira tão forte. Sorri. Gostava de observá-las. 
 

— Senhorita do Cappuccino escarrado, espere — A voz de Dener adentrou meus ouvidos, só podia estar de brincadeira, ele ouviu?  
Estranhei vê-lo ali, provavelmente havia deixado a garota em casa e depois voltado ao Tio Jhonnas. Sorri, enquanto encarava sua face risonha.

— Sério? Falei tão alto?   

— Sim — Piscou — E que cena estranha foi aquela do Fernando? 

— Descobri pela Giovannah mais cedo que seu primo estuda na mesma sala que eu e que faremos um trabalho de química juntos, creio que a curiosidade dele tenha surgido desse ponto. 

— Entendo — Ele sorriu — Porque não disse que era você?  

— Ele é sem educação — Respondi no ato — Pelo jeito, vou gostar bem menos dele...  

— Quer carona?  — A boca dele desenhou um sorriso perfeito, alinhando aqueles dentes brancos.

 

Parei para pensar durante um instante, por fim, acabei não me rendendo a tentação. Se eu queria de vez seguir em frente, era melhor não me encher de expectativas não válidas.

 

— Não, valeu — Dei de ombros, iria caminhando até em casa. 
 
 

❈ 
 

— Agora que a suspensão passou, que tal passar na minha casa sábado à noite? — Alice roubava com o garfo os tomates do meu prato. 

— EI! — Sorri. Pegando os tomates de volta — Eu não sei... acredito que estarei de castigo na noite do meu aniversário — Bufei. 

— Coloque sua melhor roupa, eu passo te buscar... sério, você vai gostar. 

— Acho melhor ficar no quarto vendo filmes — Passei a mão por meus cabelos, eu havia adquirido essa mania irritante.  

— Anda vamos... — Insistiu fazendo carinha de dó, o que me fez sorrir.

— Com licença — Aquela voz interrompia meu raciocínio.  
 

Levantei meus olhos e Alice os dela, sim, era o aluno novo, que para a minha "sorte" já havia conhecido ontem à noite. 
 

— Olá — Sorri. 

— Então, Lisbeth — Ele cruzou os braços em frente ao corpo — Por que não me contou que era você? 

— Ora, ora, ora... — Brincou Alice, se levantando — Bem, vou dar uma volta, por favor não se matem — Alice piscou para mim e saiu, me deixando sozinha com Fernando. 

— Sente-se — Apontei a cadeira, a qual, logo foi ocupada por ele. 

— E então? 

— Arrogante, estupido... você me lembra o Dener, mas como eu disse a Giovannah, uma cópia imperfeita — Soltei, vendo o olhar de confusão se formar em seu rosto.  

— Que? 

— Eu já vou logo avisando, Fernando. Se você for igual seu primo por gentileza, desapareça — A cara do Fernando de confusão se transformou em algo engraçado, ele começou a rir com meu comentário — Já me basta um Dener na minha vida, dois seriam demais. 

— Então, conhece o Brokis mais velho? — Suspirou — Eu não sou igual ao Dener, somos pessoas completamente diferentes e eu só queria saber quem é o prodígio da aula do professor de química, já que fui encarregado de fazer dupla com o pupilo dele — Minha gargalhada saiu sem que eu percebesse, talvez, Fernando não fosse tão ruim assim.

— Não sei, nem mesmo eu conheço esse pupilo — Gargalhei, vendo Fernando ficar com o riso preso na garganta — Desculpe... Lisbeth Tompson — Estendi a mão — Espero não ter que te odiar tanto quanto ao Dener. 

— Fernando Brokis, farei o possível para que não me odeie tanto — Aperto de mão dado, voltamos a conversar.  
 

Falamos sobre nosso trabalho de química e pelo visto o senhor Fernando era inteligente, ele também queria acabar logo com o dever. Então, convidei o mesmo a vir a minha casa após a aula. Como o trabalho não era nenhum bicho de sete cabeças, logo terminaríamos e estaríamos livres o restante da tarde. 

 

 — Não imaginei que gostasse tanto de química — Fernando estava sentado a minha frente, enquanto eu terminava as questões do trabalho.

— Eu prefiro história — Sorri, entregando o caderno ao Fernando, que conferia os resultados — Diz ai, que te trouxe até nossa humilde cidadela? 

— Digamos que meus pais se separaram, não aguento minha mãe e meu pai está vivendo com outra mulher, então, decidi viver com Dener. 

— Ah! — Levantei-me — Com coisa que o Dener é muito responsável — Sorrimos e então eu ouvi a campainha tocar — Volto em um minuto.

— Ok — Caminhei em passos largos até a porta, ainda estava com o sorriso estampado no rosto.  
 

Abri a porta e me deparei com o rosto de Alice. Ela estava rindo infinitamente de alguma coisa, olhei para os lados e ela estava sozinha. Dei espaço e ela entrou. 
 

— Eu preciso falar com você — Alice parecia bêbada. Muito bêbada. 

— Claro... vamos para a cozinha? — Caminhamos juntas. Alice tropeçava nos próprios pés.  
 

Fernando ao ver como Alice estava se propôs a coloca-la deitada na minha cama, ela parecia que iria desmaiar a qualquer momento. Quando ele tentou a pegar no colo ela deu um murro em seu braço, dando um show em seguida: 
 

— NÃO! — Gritou ela — Preciso falar com você — Agarrou meu pescoço e se jogou em cima de mim. 

— Alice, você precisa dormir... sabe dirigir, Fernando? — Perguntei pegando as chaves do bolso de minha amiga.

— Sim. 

— Vamos leva-la em casa, acho melhor —  Claro, pois se Robert chegar e ver Alice nesse estado não vai acreditar em mim quando eu disser que ela é uma boa pessoa — Alice, pare de se jogar — Pedi, tentando a tirar de cima de mim. 

— Calma — Alice ficou em pé e em um movimento rápido (até para uma bêbada), ela agarrou meu rosto e me beijou. 
 

Arregalei os olhos e a empurrei. Alice começou a rir e depois ao perceber o que havia feito ficou espantada, colocou ambas as mãos na cabeça, vi seus olhos encherem de lágrimas e por fim, ela correu até a porta, mas não foi muito longe, como eu imaginei ela acabou desmaiando.

Com ajuda de Fernando, carregamos Alice até meu quarto, enquanto eu ligava para a mãe dela, que não demorou muito para aparecer e a levar da minha casa. Deixando Fernando e eu sozinhos novamente.

 

— Você está bem? — Fernando parecia preocupado. 

— Sim estou, ela só estava bêbada... é a Alice, ela é imprevisível. — Sorri — Bem, trabalho terminado, quer ficar para o jantar? — Olhei o relógio e já eram mais de seis horas — Meu irmão chega em breve. 

— Não está preocupada com Alice? — Parecia perturbado.

— Ela vive vindo aqui desse jeito, tem vários problemas com os pais... não faz por mal, ela vai ficar bem — Sorri. 
Sentei-me no sofá, no fundo eu estava preocupada, ligaria para a mãe de Alice assim que Fernando saísse.  

❈ 
 

Deitei a cabeça na cama, não iria conseguir dormir tranquilamente, não depois do que aconteceu. Fiquei imaginando várias e várias coisas.

Alice é minha melhor amiga, ela não estaria andando comigo só porque se sente atraída por mim, não é? Bufei e soquei o travesseiro. Eu havia ligado para a mãe de Alice, ela chegou bem, me disse que estava chorando e que queria ficar sozinha. 

Eu tentei ligar no celular dela, mas não me atendeu, pedi que a mãe desse o recado para que ela me ligasse mas, não aconteceu. 
 

— Lisbeth? — Robert bateu a porta. Sentei-me a cama e pedi que entrasse. 

— Aconteceu algo? — Perguntei ao vê-lo entrar sorridente. 

— Adivinhe quem pediu a namorada em casamento?  

— POXA! — Em um salto, eu sai da cama e corri em direção a Robert, abracei meu irmão com força. 

 

Por mais que eu não fosse a melhor irmã do mundo, eu me preocupava com ele. Robert estava muito sozinho nos últimos anos, até que conheceu Alessandra. Ela é a melhor pessoa no mundo para o meu irmão. 
 

— Amanhã ela vai te buscar no colégio — Quinta era dia de cursinho na escola, então eu teria aula das quatro até as seis da tarde, além do horário da manhã — Então, finja que não sabe sobre isso que te contei, certo? Eu vou comprar um anel paraa ela e mesmo que eu já tenha pedido e tudo mais, ela pediu que contássemos a você juntos, mas, eu não consigo fingir não estar feliz — O sorriso dele era imensamente largo, o que me deixava muito feliz. 

— Já entendi, não estragar a surpresa. Pode deixar — Robert beijou minha testa e saiu, deixando-me novamente sozinha com os pensamentos sobre a Alice. 

 

Deitei na cama e ouvi meu celular vibrar, o peguei e para minha surpresa era uma mensagem do Fernando. 
 

"Está tudo tranquilo por aí?" 

Fernando – 22h10min

 

Sorri, já estávamos trocando mensagens? Que maravilha. 

 

"Sim, Alice chegou bem em casa." 

Lisbeth – 22h10min

 

Enviei a mensagem de texto e observei o teto. Parecia que as coisas começavam a desandar. Não demorou muito para outra mensagem do Brokis mais novo chegar e me tirar dos meus pensamentos mais uma vez. 


 

"E você? Está bem?" 

Fernando – 22h11min 
 

Respirei fundo, Fernando poderia vir a ser um bom amigo, mordi meu lábio e respondi sua mensagem. 
 

"Estou. Porém, um pouco espantada pelo que aconteceu, de resto, está tudo bem, não se preocupe. Bem, vou dormir, boa noite." 

Lisbeth – 22h11min 
 

Coloquei o celular sobre a cômoda e me deitei. Observei o teto que naquele momento me era chamativo. Tantas coisas rolando em uma única semana... a semana do meu aniversário. 
 

❈ 
 

A manhã na escola passou voando. Eu havia ficado com Fernando na parte da maior parte do tempo para terminar alguns detalhes do trabalho, pelo que entendi, Fernando gostava das coisas resolvidas na hora e não ficar empurrando até a última hora. 
Comecei a me simpatizar com ele. Giovannah e eu fizemos as pazes. Eu não deveria ter sido tão dura. Stavo começou a encarar Fernando de maneira estranha, porém, depois de um tempo conversando eles se entenderam. 

 

— Ficaram sabendo? — Stavo se encostou no meu armário, enquanto Giovannah guardava os livros no seu.

— Sobre? — Perguntei o empurrando e abrindo meu armário. Fernando estava colado em nós.

— Teste das líderes de torcida abriram hoje — Sussurrou Giovannah — Vou tentar — Um sorriso largo nos lábios da morena de olhos verdes se ajeitou. 

— E não é só isso, para o teste da equipe de corrida também — Os dois me olharam e eu fiquei sem reação. 
Deveria voltar a correr? Mordi meus lábios, desde o acidente dos meus pais eu não havia mais pisado em uma pista de corrida. Aquilo me trazia lembranças dolorosas.

— Você corre? Que interessante — Fernando sorriu — Estou pensando em entrar no clube de fotografia — Comentou ele.

— Eu faço parte também — Stavo comentou — E sim, Lisbeth era a melhor, deveria voltar a correr.

— Vou pensar — Fechei o armário com os livros nas mãos — Agora vamos.

 

Puxei Giovannah e caminhamos em direção a aula seguinte, eu não queria continuar falando sobre aquele assunto.

 

A tarde correu bem, vi Alice algumas vezes, mas, ela acabou fugindo de mim todas as vezes que tentei falar com ela. No fundo eu me sentia culpada, será que eu havia lhe dado falsas esperanças?

 

— Parece pensativa — Comentou Fernando, se sentando ao meu lado na calçada. Eu estava esperando por Alessandra.

— É a Alice, ela nem falou comigo hoje... 

— Deve estar com vergonha — Falou baixinho — Não a culpe, logo estarão falando e se abraçando de novo.

— Nos viu juntas um dia só e já sabe como somos? — Arqueei a sobrancelha o vendo rir — Bem observado — Brinquei, Fernando se levantou e soltou um sorriso enorme.

— Vou indo, qualquer coisa me liga — Bateu continência e saiu, com o skate dele debaixo do braço.

 

Suspirei, Alessandra estava atrasada, ela não era de se atrasar. Já estava prestes a começar a minha caminhada sozinha quando ouvi algo me chamar.

 

— LIS! — Virei-me e me deparei com Alice correndo atrás de mim.  

— Alice...  

— Olha, me desculpe ok? Eu agi de maneira espontânea e... — Parecia sem fôlego e sem graça pelo acontecimento anterior, a interrompi começando a me desculpar também.

— Eu que peço desculpas, você não tem culpa, eu devo ter dado esperanças a você de alguma maneira então, me perdoe, ok?  

— NÃO! Você não deu — Ela me segurou pelos braços — Pelo contrário, me perdoe, eu estava bêbada.  

— Sem recebimentos? — Perguntei com um largo sorriso.

— Sem ressentimentos! — Sorriu lindamente, como sempre faz após pedir desculpas. 

— Ótimo — Abracei minha amiga e ficamos assim por algum tempo.  

— Então, a festa ainda tá de pé? — Alice estava louca para me dar uma festa de aniversário, não sei porque ela está tão animada assim. Me soltou do abraço e encarou meus olhos.

— Ah... Não sei Alice... 

— POR FAVOR! É minha maneira de me desculpar com você!  — Pediu segurando minhas mãos com força enquanto deixava aquela cara de cachorro pidão entrar em ação.

— Tá bom, faça — Me rendi, vendo um enorme sorriso se desenhar novamente em seus lábios.  

— OBA! — Me abraçou apertado quase esmagando meus ossos. — As oito da noite, tá? — Ouvi a buzina do carro da Alessandra e me virei, acenei e me voltei a Alice novamente.  

— Vou indo — Sorri —  Vê se controla seu corpo, não estou afim de ser beijada novamente. 

— Pode deixar, capitão — Alice me abraçou novamente e depois correu na direção contraria, certamente estava indo se encontrar com o namorado.  

 

Me senti aliviada, afinal, ela era minha melhor amiga. Assim que vi ela sumir me coloquei a caminhar até o carro da minha cunhada. 
 

 ❈ 
 

— Você sabe porque eu vim te buscar? — Estava feliz, parecia radiante, eu diria. 

— Jantar de família —  Sorri — Como se sente sabendo que irá se casar logo com Robert e moraremos todos na mesma casa?  

— Feliz — Sorriu. Ela tomou um caminho diferente, estranhei. 

— Que caminho é esse? — Perguntei mudando minha feição.

— Lisbeth, preciso lhe contar algo — O rosto de Alessandra mudou também, senti a preocupação começar a me tomar. 

— O que? — Ela não respondeu.  
 

O carro parou em uma pracinha, que estava aparentemente deserta. Vi ela se abaixar e então ela tirou a arma debaixo do banco do carro, me fazendo entrar em pânico.  
 

— O QUE... — Meus olhos se arregalaram e eu não tive forças para continuar a gritar, ela estava com a arma mirada em minha direção.

— Fique quieta, certo? Preciso desabafar — O rosto dela tinha uma expressão confusa.

 

Meu coração queria sair pela boca, engoli em seco ao ver seus braços tremendo. Alessandra nunca havia se comportado assim, era a primeira vez que eu a via daquela forma. Tentei contornar a situação.
 

— Não precisa me ameaçar para te ouvir, você sabe disso, né? — Ela sorriu e depois mudou a expressão, mas agora, ela era de tristeza.

— Eu... traí o Robert — Olhou a rua a nossa frente, parecia desesperada e eu certamente quase tendo um infarto. 

— Traiu em que sentido? — Manter a calma, é o que eu deveria fazer. Não adiantaria nada gritar, ainda mais que ela tinha uma arma nas mãos.

— Eu... eu... sai com o Thadeo e nós... — Chorar descontroladamente, foi isso que ela começou a fazer. Eu estava começando a ficar branca de medo — Precisava contar pra alguém antes de tomar as providências necessárias — A voz dela saiu num fio só, quase não consegui a ouvir. 

— Providências? — Perguntei, a vendo continuar a chorar.  
 

Meu medo era ela escorregar o dedo no gatilho da arma que estava apontada em minha direção e acabar me acertando. Eu só via o cano da arma dela na minha cara, se ela apertasse o gatilho ia fazer um enorme estrago na minha cara.  

Provavelmente ela não estava em seu melhor estado, parecia até mesmo drogada, nem o uniforme ela havia tirado. Seu distintivo brilhava com o sol do fim da tarde. Olhei para o lado com a esperança de ver alguém conhecido para me tirar daquela situação e então, como mágica, a cópia imperfeita do Dener apareceu. 

Suspirei aliviada, ela não iria fazer nada se tivesse alguém vendo. 
 

— Lis? — Ouvi a voz de Fernando me chamar. Começando a se aproximar do carro.
De forma rápida ela escondeu a arma, o que me deixou aliviada, sem aquele cano mirando em mim seria mais fácil fingir.  Desci o vidro do meu lado e sorri.

— Amor! — Ele estranhou e então eu continuei— Ah... — Virei-me para ela e continuei — Alessandra, esse é Fernando, meu namorado.  

— Oh, muito prazer querido — Alessandra estava fingindo tão bem, era como se nada tivesse acontecido até então, decidi continuar e pedi que Fernando sacasse logo que eu estava em apuros.  

— Amor, quer ir jantar lá em casa? Aproveito e te apresento o Robert — Eu olhei para Fernando com um olhar de súplica, ele tinha que aceitar.

— Claro — Sorri e falei um "obrigada" com os lábios para que Alessandra não suspeitasse da minha mentira.  
 

Fernando sentou-se no banco de trás e então o trajeto todo fomos conversando sobre a escola, Alessandra nos disse que estava em um caso muito importante envolvendo tráfico de drogas nas escolas próximas, ela parecia mais calma. 

Pediu que eu e Fernando tomássemos cuidado, aparentemente o mandante do tráfico estava fornecendo uma carga enorme para alunos da nossa escola, mas pediu que não falássemos nada a ninguém.  

E todo o caminho, eu só pensava na arma da Alessandra que estava no chão. Ela seria mesmo capaz de me matar? Eu estava com medo. Peguei meu celular e mandei mensagem a Robert, pedindo que nos encontrasse no portão de casa. Eu iria falar com ele sobre Alessandra pessoalmente.  

Chegando a minha casa, descemos do carro sem cerimônia e Alessandra correu até Robert o abraçando e beijando em seguida, enquanto Fernando e eu continuávamos próximos ao carro, andando o mais devagar possível. 
 

— Certo, o que foi isso? — Perguntou ele preocupado.

— Desculpe pela mentira, ela estava querendo me matar — Respondi tentando não elevar meu tom de voz. 

— O que? — Ele parou de caminhar e segurou meu braço — Como? 

— Já explico, preciso avisar meu irmão — Soltei-me de Fernando e fui até Robert, que estava estranhando a presença de Fernando ali.  

 Infelizmente, Alessandra tomou uma atitude que eu não esperava. 
 

— Droga! Esqueci o bolo no carro, já volto — Ela correu em direção ao carro, aproveitei para contar a Robert. 

— Robert... ela deve estar drogada, ela estava tentando me matar — Os olhos do meu irmão se arregalaram. 

— Como? — Robert segurou meu ombro e eu pude ouvir a voz de Alessandra me chamar em seguida. 

— LISBETH! VOCÊ CONTOU A ELE? EU PEDI PARA NÃO CONTAR! — Virei-me e vi os olhos dela cheios de lágrimas. 

— NÃO! —  Gritei em resposta, já entrando em pânico ao me lembrar da arma — EU SÓ ESTAVA PEDINDO PA... 

— CHEGA — Em um movimento rápido ela colocou a arma na boca e apertou o gatilho. 


Notas Finais


Os vejo Quinta que vem, até breve \o


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