História Veja os ursos na janela - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Visualizações 4
Palavras 1.429
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Policial, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Introdução


As vezes penso em escrever. Sento em frente ao computador e tento deixar que as teclas digitem por si só, que as palavras que escrevo soem como eu penso, mesmo sabendo que isso é apenas um talento de quem lê.  Hoje levantei da minha cama com pouca vontade de continuar.  Andei até o banheiro e vi minhas enormes olheiras que estavam ali a tanto tempo já. Elas não me surpreendiam e já faziam parte daquele conjunto esquisito que sempre tento evitar desde que o caso Havanna se iniciou a alguns meses. Minha produtividade com escrita tinha se reduzido a zero, agora passava a maior parte do meu tempo dedicada a investigar o assassino a qual fui encaminhada. Há algo de cativante (mesmo que macabro) em poder trabalhar nisso. Talvez agora seja o momento de admitir que estou obcecada nisso.

Fui trazida de meus pensamentos com o barulho do celular vibrando sobre a pia. Sunan.

-Não sei o que anda fazendo, mas recomendo que venha até o departamento. Parece que encontramos um rastro do seu assassino e precisamos arrumar algumas coisas.

Em frente ao espelho consigo ver minhas pupilas se contraindo rapidamente.

-Ok. 

Vesti a primeira roupa que encontrei  e passei um pouco de maquiagem para esconder os indícios de quem havia passado a noite em claro, peguei meu café e segui andando o mais depressa possível até o Departamento Investigativo da Tailândia. O ambiente era o mesmo, mas tinha a sensação de que algo importante estava acontecendo ali, de que eu estava deixando algo passar despercebido pelos meus olhos. 

Eu havia sido transferida para ali a alguns meses e Sunan se tornou uma das poucas pessoas do departamento com quem eu conseguia me comunicar abertamente. Ela tinha 22 anos e parecia ser um pouco ingênua demais para trabalhar em um local de investigações, tirei essas conclusões logo quando me mudei ao pegar seu computador para passar alguns arquivos e por alguns cliques curiosos conseguir acessar basicamente toda a sua vida. Não que ela soubesse que isso aconteceu, mas a sensação de saber mais sobre ela do que ela gostaria me da sempre a sensação de poder e assim confiar nela, era apenas uma jovem solitária que passava suas horas vagas em sites de relacionamento na esperança de ter algum conforto. E não a julgo por isso. Os dias aqui são sempre longos e vazios o suficiente para enlouquecer alguma pessoa.

Ela se aproxima do meu cubículo enquanto organizo a montanha de papéis e pastas que apareceram em minha mesa de um dia para o outro. Consigo ver os sinais do seu nervosismo. Testa suando, mãos sem jeito e um olhar meio atordoado.

-Hoje, um pouco antes de te ligar encontraram outro caso do Havanna perto da praia. Os moradores alegaram ouvir alguns passos e logo depois gritos. Ninguém tentou ir ver porque ficaram com medo, quando a policia chegou lá havia apenas sangue no chão em um bilhete. 

Aquilo realmente era uma grande novidade, desde que fui transferida para a Tailândia para ajudar nas investigações as únicas coisas que conseguíamos chegar perto era da identidade da vítima pois tudo que restava no local era o sangue dela. Sangue o suficiente para se concluir que uma morte.

 A expressão de Sunan era um pouco intrigante, uma mistura de tristeza com receio.

- E o que tinha nesse bilhete? -pergunto já um pouco sem paciência pela ansiedade de poder chegar mais perto daquela pessoa que tento decifrar a meses enquanto ele sempre parece estar alguns bons passos a nossa frente.

-Olha, isso é muito bizarro, mas o que tinha lá era seu endereço antigo, Vespyr. O endereço de quando você morava em Sidney. -Susan estende a tela do seu celular em frente ao meu rosto. Era verdade, bem diante dos meus olhos estava meu antigo endereço escrito em letras itálicas e borradas  (talvez pela brisa do mar ter umedecido o papel), seguido por "doce Vespyr". Minha sensação era de êxtase.  Ao mesmo tempo que sentia um medo tomar conta de mim, parecia tão empolgante estar ali. Ele sabia quem eu era, e agora ele esta mais no controle do que eu. Uma sensação conflitante, mas muito instigante pois é a primeira vez que isso acontece, tanto eu não estar como a pessoa dona dos fatos como a primeira comunicação que temos com o assassino.  Tomo um longo gole do meu café e tento raciocinar o mais rápido que posso, organizar tudo que seria feito dali em diante.

Mas Sunan não parecia tão contente. Ao perceber que quase como sempre eu não daria um resposta. Ela inspira profundamente. Passa as duas mãos na cabeça sob seu rabo de cavalo castanho em busca de arrumar algo ali. 

-Eu não sei como dizer isso. Meu Deus, eu sinto muito Vespyr, mas Mali quer você fora...

Congelo e sinto meu sangue ferver por dentro.

- O que? Mali não poder fazer isso, ele sabe que eu sou a melhor pra fazer isso. Todo mundo aqui sabe!

Ela olha para os lados procurando alguém para tira-la daquela situação, mas todos parecem ignorar a situação. Todos pareciam ja saber que aquilo iria acontecer e talvez estivessem feliz por isso, nunca consegui ser a pessoa mais amistosa ali.

-Esses papéis são seus documentos. Já deixei algumas caixas separadas pra você tirar suas coisas. Achamos que você esta envolvida demais com isso, olhe para você Vespyr, claramente não esta bem e queremos o seu melhor. Considere como férias adiantadas. - Ela solta um sorriso amarelo esperando alguma resposta enquanto tento me tranquilizar com tantas informações rodando na minha cabeça.  

-Ok. 

Seu sorriso some rapidamente ao se incomodar com minha resposta e para meu espanto algumas lagrimas parecem subir ao seu rosto mesmo ela tentando controla-las.

- É sempre ok? Eu não tenho culpa disso estar acontecendo e não tenho culpa de você parecer uma pessoa que se droga todas as noites para ficar acordada por uma obsessão doentia.- Sua voz estava alterada e tremula, mas eu não queria ser afetada por aquela situação. Mesmo que aquelas palavras tenham sido doloridas eu sabia que eram verdades. Apenas me levantei, retirei as caixas que haviam em baixo da mesa e comecei a embalar todas as minhas coisas que haviam ali. Sunan vira as costas e anda com seus passos curtos e rápidos até o lugar mais distante possível.

Era o melhor a ser feito naquele momento.

 Aos poucos arrasto desastrosamente as duas caixas até a frente do elevador do departamento. Não me despedi de ninguém e nem havia mais um porque disso, apenas recebi olhares de pena pelas pessoas que transitavam pelo corredor enquanto eu esperava o elevador para me tirar dali. Cada segundo parecia uma grande e eterna tormenta.

As portas se abriram e havia um pequeno grupo de pessoas ali, nada com espaço suficiente para que eu e minhas caixas pudêssemos nos encaixar. As portas do elevador ao lado se abriram, estava vazio então aproveitei e empurrei-as para dentro e pressionei o botão do primeiro andar.

Quando o elevador estava se fechando escuto uma voz sinalizando para mim segurar as portas abertas. O fiz, e um jovem rapaz bem vestido entra ali. Nunca tinha o visto antes no departamento e aquela área era apenas para funcionários investigativos. 

 Primeiro andar ultrapassado.

-Você trabalha aqui? - ele pergunta analisando minhas caixas e passa a mão sob ela tirando alguns flocos de poeira. Com certeza eu parecia naquele momento mais uma pedinte australiana do que uma investigadora. 

-Não mais, a mais ou menos alguns minutos. 

Seus olhos expressam uma leve surpresa.

Segundo andar ultrapassado.

-Provavelmente sou eu que vou te substituir então.

Dou um sorriso amarelo. Não acredito que preciso ouvir isso. 

As portas se abrem e faço o meu melhor para sair daquele lugar o mais rápido possível, mas todo aquele peso me impedia de ser rápida. Ao passar pela recepção sinto novamente estar deixando passar algo, não sei o que, nem como sei disso, mas algo semelhante a que algo esta saindo do controle e as pessoas não estão percebendo. 

Como se o mundo tivesse se invertido e cristãos louvassem o inferno pensando ser o céu simplesmente por apontar para norte. Nesse momento agradeço por ser ateia.

Ao chegar em casa começo a retirar as coisas da primeira caixa e organiza-las em um nível de importância e decidir o que poderia ir para o lixo. Abro a segunda caixa e vejo um pequeno papel sob minha pasta. Ele não estava ali antes, as letras escurar e tortas.

"Você parece menos uma australiana do que eu imaginava, doce Vespyr. Muito peculiar."

 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...