História Vejo o fim do nosso amor sem fim - Capítulo 1


Escrita por: ~ e ~deteguk

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jungkook, V
Tags Broken!taekook, Kookv, Ódio, Taeguuk, Taekook, Tkwishes, Vkook
Exibições 398
Palavras 4.000
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 1 - Onde nasce o ódio.


Sábado, 24 de dezembro 2016, 22:47:16

 

O sorriso brincava nos lábios de Kim Taehyung em uma tentativa da busca de estabilidade que fora brutalmente arrancada de seu peito, por um mero aplicativo de mensagens de texto e áudios. A tela ainda acesa, era o único foco de luz, refletindo um simples clarão no teto do quarto.

Como se seu subconsciente, os arquivos de difícil acesso em seu próprio local do conhecimento desejasse arranhar e pisotear seus sentimentos, sua mente brinca de matar seu coração. Ela engana seus olhos, reflete a imagem errada daquele que o machuca, em um projetor humano movido a cargas elétricas ligadas ao rosto de Jeon Jeongguk. O único ponto iluminado do quarto refletia a face daquele que acreditava ser o grande amor de sua vida.

Sentia-se frio.

Seu corpo deseja qualquer tipo de dor: fria, quente... deseja chorar.

As quatro paredes que o cercavam apenas o inundava com todas as lembranças dos toques, caricias, tristezas, alegrias... e os sôfregos gemidos em suas repetidas danças sexuais.

Kim Taehyung quis mandar seu subconsciente ir se foder lentamente. Mesmo sendo chulo e desrespeitoso para seu momento.

Queria entender os motivos de ainda estar pensando nele, recordando-se perfeitamente de cada detalhe de seu rosto, sua linha marcada na bochecha, uma cicatriz da infância, o delicado de seus cílios, os lábios desenhados com a exuberância celeste, a pele marcada por sua insistência em aniquilar cravos e espinhas...

Qual o motivo? Necessidade? Propósito disso? Por que amar pode deixar alguém sofrer enquanto reconhece a perfeição daquele que o machuca? Que o dilacera? Que o trata como uma garrafa atirada ao chão, sendo este o assassino observador dos cacos de vidros que se transformam em um nada? Descartável.

Para Kim Taehyung, o amor parecia apenas mais um Cavalo de Tróia, um vírus indesejável: magnífico por fora e mortífero por dentro.

De repente, as lágrimas resolveram molhar sua face.

Demoraram para chegar e o banhar de tristeza. Mesmo sabendo que já se encontravam preso a essas águas, ainda não as tinha sentido com o impacto avassalador que chocaram ao seu corpo. O tsunami o privou de respirar, de ouvir seus próprios batimentos na noite silenciosa. Nem o som esganiçado fantasiado de soluços que escapavam de seus lábios, parecia incomodar a onda gigantesca que o dilacerava.

Tudo o que menos queria era deixar-se levar pela dor, se afogar em meio ao desespero. A agonia de perceber que os beijos trocados não refletiam em nada ao outro, criava o desejo em seus lábios trêmulos, que os sussurros solitários dos porquês da ação do mais novo, se agarrassem aos rumos dos xingamentos, do ódio necessário para continuar sua vida sem possíveis traumas. Sem medo de poder encontrar alguém para amar novamente. Não queria se transformar em um ser desacreditado no deslumbrante sentimento de amar.

Um riso irônico.

Mas, era pedir demais! Como conseguiria simplesmente superar toda essa situação sem se encharcar com a dor torrencial? Teria que caminhar pelo deserto, sentir o sol queimar a pele, a boca seca em procura daquilo que seus olhos suplicassem em busca de retirada do peso que pisoteava seu coração, para quem sabe firmar-se em uma impossível extremamente possível estabilidade emocional.

Jeon Jeongguk se tornou egoísta, manipulador, egocêntrico.

Kim Taehyung não encontrava adjetivos melhores para justificar aquilo que o asfixia. O grande amor de sua vida, não se deu por satisfeito com apenas um ao seu lado, te satisfazendo, o tomando como seu... Jeon Jeongguk achou realmente necessário, enganar aquele que estava prestes a prometer: honrar e respeitar até que a morte os separe.

O sorriso trêmulo de Taehyung refletia o seu desejo pela morte.

Agora, quem seria o assassino e quem seria a verdadeira vítima? Kim Taehyung já não se sentia aprisionado na prisão da traição, para ter o trabalho de ficar à mercê dos olhos mortíferos daquele que ainda pena em amar?

Estava ficando louco? Paranoico? Depressivo?

Esses estados emocionais não são perfeitamente consideráveis para o momento? Não seria confuso se sua mente estivesse aceitando tudo com naturalidade?

Será que morrer acabaria com essa dor? Será que morrer faria Jeon Jeongguk sentir dor?

Ou melhor, a pergunta que realmente desejava ser feita: Será que Kim Taehyung desejava que Jeon Jeongguk sofresse?

A resposta surgiu ao fundo, um sim extremamente mascarado pelo sofrimento. Talvez o tormento apenas se relacionasse com sua libertação das garras daquele que o sufocava, sem nem ter o conhecimento disso. Taehyung queria apenas que a balança se equiparasse nas mesmas proporções de sentimentos negativos e então fizesse justiça, decaindo para o lado de Jeongguk. Kim Taehyung queria ver a sua dor, saber que seu estado poderia o afetar indireta e diretamente.

Agora como poderia realizar tal ato? Se seus olhos ainda choravam a amargura de todo o momento e, se para cada pequeno canto que olhasse, presenciasse os momentos felizes e enganosos que viveu ao lado daquele que vai negritando seu coração com o ódio? O querer demolir as paredes, quebrar os moveis, rasgar roupas começa a interessar sua menta.

Se convenceu que tentar cessar o choro não resolveria em nada a sua situação, que não o libertaria do soterramento do adultério, pois sabia que precisava sentir aqueles sentimentos conflituosos, para buscar meios de se reerguer. Assim, precisa se organizar, deixar sua mente respirar em meio ao turbilhão de pensamentos que incha seu corpo de pontadas em formatos de espinhos.

Levantou-se de sua enorme cama, e abriu o guarda-roupa, retirando uma pequena mala de um dos compartimentos. Vazia. Como cada pedaço que o constituía. Taehyung encarou as roupas dobradas, as peças misturadas. Viu o pijama de Jeon Jeongguk misturado ao lado do seu. Suas camisetas dividindo os cabides, como sua relação deveria ser. Em constante harmonia em meio a diversidade de cores dos panos extremamente parecidos.

Taehyung gritou com toda a força existente em si. Sentiu o chão tocar-lhe bruscamente os joelhos e a dor chegar aos músculos.

O que Jeon Jeongguk fizera com o amor tão maravilhoso que juraram ter e sentir? Será que a máscara da ilusão havia coberto seus olhos? Será que enxergava através de lentes de contato traidoras, dolorosas e extremamente coloridas, pintando uma aquarela imaginativa, apenas tentando evitar o inevitável? O amor nunca realmente existiu ou apenas se perdeu no decorrer do caminho?

Kim desistiu de Jeongguk no momento que viu aquelas mensagens, aquelas fotos, aquelas declarações escondidas de amor. Mas será que seu coração já cogitava deixar essa paixão mascarada terminar?

 

Taehyung precisava fazer alguma coisa, precisava deixar o rastro da destruição para que Jeongguk se perdesse no caminho do verdadeiro sofrimento.

 

Não soube onde encontrou o pequeno caderno de anotações, talvez ele tenha aparecido simplesmente do nada, ordem do destino aceitando sua decisão como a possível solução, ou seu lugar sempre fora aquele, e Taehyung apenas o resgatou em sua memória.

A caneta de cor preta, pressionada contra a folha branca, não pintava nenhuma palavra a ser lida, a única coisa que preenchia as lacunas, era a água que insistia em cair. Elas molhavam e borravam as linhas, tornavam o papel frágil, assim como todo a vida de Kim Taehyung.

Suas mãos o rasgaram. Contudo, a dor física não foi sentida.

O papel molhado foi arremessado na parede, junto com seus berros de desesperos.

Taehyung, junto com aquele simples ato, dividiu em duas partes a si mesmo, reconhecendo-se como algo quebrado, descartável.

 

Tentou novamente.

 

A ironia o dominou. E ele apenas a agradeceu. Pois a chamava para concluir seu grande objetivo, partiria mais deixaria seu legado. Mesmo que isso tornasse a vida daqueles terrível e vazia.

 

Olá, Jeon Jeongguk.

 

Estava esperando tanto desta linda semana, você se preparou tanto, reservou nosso local preferido, tudo para passarmos o Natal juntinhos, como sempre foi, desde a adolescência. E para tornar tudo ainda mais perfeito, estamos para nos casar, a grande data está a caminho, falta quantos dias? Cinco? Quatro? Zero? Foram longos dias de preparo, não é mesmo? Decoração. Roupas. As exigências de nosso grande amigo Jung Hoseok. Tudo deveria ser perfeito, como o nosso relacionamento impecável. Deveria refletir como sempre fomos felizes e apaixonados, esbanjando nosso amor para os quatro cantos do mundo.

Pensando nessas palavras, apenas acredito que cumpri com a minha parte. Sei que pode estar achanado tudo muito confuso, encontrar um papel machucado em cima de nosso leito, com o guarda roupa todo revirado, e a prova do crime descansando inanimada do lado da cama daquele que jurou amar pelo o resto da vida, pode ser impactante. Contudo, em um relacionamento, cada um acaba sendo responsável por uma metade da divisão amorosa, eu fiz a minha parte Jeon Jeongguk, cuidei de você, o respeitei, o amei com cada pequena célula sincera que constitui meu corpo. Porém, você apenas estragou tudo. Suas mãos espalhou as bactérias da traição.

Rasgou nosso relacionamento ao meio como uma folha velha e amarelada, jogou ao lixo e apenas sumiu, fingindo que o assassinato não era suficientemente grave para entrar em um julgamento.

 

As palavras saiam apressadas. A letra confusa. Mas, Jeongguk iria entender cada palavra, frase, parágrafo descrito. Sua inteligência descomunal seria usada contra ele.

Taehyung descrevia aquilo em uma tentativa inconsciente de se ver melhor, mostrar através daquelas palavras, a fúria e o terror que sentiu ao descobrir o que o seu amado fez com seus sentimentos, e poder buscar as forças que tanto precisa, para se desgrudar e se curar daquilo que o machuca.

 

Sinceramente, estou com a consciência limpa, pessoa mentirosa.

Sim, mentirosa. Estupida. Mentirosa. Homem mentiroso. Mentira, mentira.

 

Xingá-lo parecia o certo. Embora, em sua concepção, apenas estava denominando uma característica fundamental em sua personalidade fajuta.

 

Sabe por qual motivo minha consciência se encontra limpa? Sabe por que sei que suas escolhas não tiveram relação alguma com as minhas atitudes? Em nenhum momento da minha vida, Jeon Jeongguk, eu deixei de me expressar de forma verdadeira a você. Mesmo em nossas brigas, eu nunca menti, nunca quis deixar que você se sentisse traído de alguma maneira! Mas, olha para você! Olha no que transformou todo o meu cuidado e carinho.

Sempre procurei me conectar com você de todas as maneiras possíveis, lhe entender, passar cada momento complicado ao seu lado. Mas, sabe a verdadeira ironia? A única coisa que quero neste momento é que me deixe em paz! Que simplesmente suma da face da terra e carregue a desgraça em sua mala de viagem! Apenas sofra.

Eu sei que poderia desejar voltar ao tempo e mudar todos os meus atos, mas sei que isso é uma idiotice. E uma atitude de uma pessoa fraca. Eu não sou fraco! Sou traído! Menosprezado! Porém, não sou fraco!

Sabe, você mais que ninguém reconhece o quão forte sou, o quão forte posso ser enfrentando problemas. Quer um exemplo? Quer o maior exemplo de todos? O maravilhoso exemplo que sei que está passando por sua mente neste exato momento?

 

Enquanto desenvolvia aquelas frases, ele não sabia ao certo o que poderia escrever, apenas sabia que precisava deixar seu legado por entre aquelas palavras. Seu recado precisava ser passado, e de preferência da pior maneira possível. E agora, pensando no exemplo citado, Taehyung apenas conseguia crer no início de tudo, quando cada pequeno momento era intenso e magnífico. Novo. Movido pela paixão adolescente.

O estranho é que um sorriso nascia em seus lábios.

Nem se deu ao trabalho de reprimir esta ação. Parecia tão certa e necessária. Mesmo que claramente o trazia ainda mais dor, mas estava tão acostumado em pensar nessa palavrinha de três letras, que acabou nem sentindo outra onda de tristeza o inundar.

O maravilhoso da situação, é que aos poucos ele mesmo se secava da tempestade com uma simples toalha frágil.

 

Foi mágico.

Tudo bem que não nos amamos na primeira vez. Assim como todo e qualquer amor. Foi preciso se apaixonar novamente para dar espaço ao amor.

 É aquela coisa, ninguém nunca se deu ao trabalho de criar alguma fórmula ou ensinamento para amar da maneira correta, imagino que fomos acertados pelas flechas erradas. Sabe, fico pensando, se naquele momento, eu não entrei no lugar dele. Será que atrapalhei os planos do grande Cupido?

Se a resposta for sim, não ousarei pedir desculpas a ninguém. Pois, se existe uma vítima nessa história, essa pessoa sou eu. Neste momento, Jeon Jeongguk, estou me manifestando de maneira negativa em relação a você, espero que se acostume com o tom pesado de minhas palavras.

Talvez eu me perca um pouco em meu texto e não diga nem metade do que quero.

Minha mente está cheia de coisas a serem escritas, mas ela se encontra tão deteriorada que sou obrigado a reconstruir os pedacinhos e junta-los novamente para encontra coerência. Se alguma informação parecer confusa, não me culpe, em nenhum momento me culpe pelo o que aconteceu a nós.

Peço que não procure respostas igual, de certo modo, eu tentei, por que elas não serão encontradas. Não se questione, apenas aceite. Entenda que nós dois usamos lentes de contato em nosso relacionamento. Enxergamos apenas aquilo que queríamos, manipulamos tudo, deixamos o negro se colorir de vermelho e incendiar nossos corações feridos.

Nesse meio tempo, apenas ajudamos na fabricação da máscara que nos cobria da realidade. E sabe quem deu o passo inicial para este processo? Você.

 

Taehyung acabou percebendo que cada pequeno parágrafo que escrevia, correlacionava com algum momento escondido de si mesmo, para poupar-lhe do sofrimento.

 

Estou enrolando tanto em dizer pequenas coisas. Talvez, devido ao simples fato que, essas pequenas coisas decretaram o nosso futuro.

Faz tanto tempo. Quantos anos? Nossa. Essa era a hora que eu mexeria no seu cabelo, sorriria enquanto esperaria sua resposta exata. Você sempre guardou datas, horas, detalhes que sempre passavam despercebido por mim.

Quando nos conhecemos, eu pensei que você era o idiota mais lindo do mundo. Eu queria tanto te reconfortar, dizer que aquela derrota era apenas mais uma que teria que suportar. Você soluçava tanto. Chamava a si mesmo de burro e incompetente. Adjetivos verdadeiramente desnecessários para a sua maravilhosa capacidade intelectual.

Você mais que ninguém sabe que eu nunca entendi essa supervalorização de inteligência, e entende como eu odeio essa palavra, sendo esse professor de crianças, a pessoa com mais propriedade para dizer que está mais que na hora de cessar os traumas ocasionados pela separação de “capazes” e “incapazes” dentro de uma simples sala de aula.

Jeon, você estava se achando a pior pessoa do mundo, simplesmente porquê tinha pego o segundo lugar em um campeonato de xadrez. Eu achei aquilo tão engraçado que acabei rindo de você.

Você me disse: Eu perdi hyung. E eu lhe questionei sobre sua perda, e a sua resposta foi a sua classificação alarmante de segundo lugar. Eu, Kim Taehyung, ri de você como nunca na vida. Ri muito, muito alto. Ri ainda mais quando o vi segurar um peão por entre os dedos. Aquilo era verdadeiramente engraçado.

Nossa.

Recorda o que fez? Como fez questão de tacar aquele simples objeto no meu nariz e me fazer espirrar até o final da aula? Fiquei todo vermelho e parecendo estar resfriado depois daquela atitude.

Porém, quando o vi correr em desespero após ter me acertado, percebi que de certo modo eu tinha errado. Corri atrás de você, o abracei. Abracei o desconhecido.

Jeon Jeongguk, aquele foi o melhor abraço que já senti em toda a minha vida e sei que nenhum o superará.

 

Enquanto pensava naquele momento, Taehyung apenas pensou no que Mahatma Gandhi disse: “O mundo está farto do ódio”. Isso era tão verdade que acaba deixando o momento errado. Contudo, Kim não encontrava outro rumo para sua própria vitória, uma parte de si dizia que só se sentiria bem se estivesse longe de Jeon Jeongguk, e essa parte o dominava, o controlava com unhas e dentes.

Ele não queria continuar sendo um defeito de fabricação humano, aquele que iria esconder a raiva de tudo e todos, como se todos aqueles momentos de calúnia não tivessem ocorrido por todos aqueles longos meses.

Kim Taehyung não iria reprimir aquilo que consideravam como um monstro dentro de si. E muito menos seu novo objetivo, mesmo sendo obrigado a massacrar sonhos.

 

Droga.

Era tudo tão lindo, principalmente o nosso começo.

Você precisava de alguém para abraçar, enquanto eu precisava abraçar alguém.

Encontramos no acaso aquilo que mais desejávamos.

Não sei ao certo quando me apaixonei por você. Irei tentar pensar nisso agora.

Depois daquele dia, tudo o que passamos foi muito confuso, eu ficava preocupado com você, o vigiava escondido nos corredores, enquanto você continuava sendo o idiota de sempre se escondendo atrás de seu irmão. Você era a sombra dele, o filho mais novo que deveria seguir o mesmo exemplo.

Como eu odiava aquilo.

As pessoas começaram a perceber a minha obsessão e me questionar por qual motivo me transformei em um perseguidor sem causa, foi quando inventei de abrir a boca, dizer a todo mundo que estava preocupado com você, e que era preciso fazer algo em relação as suas crenças, antes que você surtasse.

Eu sempre me preocupei com você, com cada pequena coisa que deixaria de pensar por medo de se afundar ainda mais. Droga Jeon Jeongguk, mil vezes droga! Você jogou tudo isso em uma privada imunda e deu descarga. Quer que eu te agradeça por isso?

A folha não suportava mais ser maltratada daquela maneira, contudo, ela deveria aguentar a letra descuidada, porém pequena de Kim Taehyung, que acabava pensando muito mais rápido do que as palavras eram transformadas em pequenos formatos simbólicos humanos.

Ao pensar em tudo o que passou com Jeongguk, uma parte de si acabou tentando resgatar a outra que deixava-se levar pelo desejo do perdão, essa, para Kim Taehyung, não poderia ser considerável. Simplesmente, não tinha sentido. Não tinha como, meio, forma... pois a partir de agora, Taehyung não iria mais se importar com nada que se relacionasse a Jeon Jeongguk.

O mentiroso agora irá arcar sozinho com as consequências de sua mentira.

 

Quando o pedi em namoro, tive certeza absoluta que tudo poderia dar muito errado ou muito certo. Acabou que foi a primeira opção.

Você lembra, Jeon Jeongguk? Como eu enfrentei seu irmão na frente da porcaria daquela escola infeliz toda! Eu quase bati na idiotice dele repetidas vezes até que pudesse ver seu corpo solicitando uma misericórdia que não seria concebida. Ele te sufocava.

Agora você me sufoca, contudo, saiba que isso passará logo, logo.

Eu o pedi em namoro na frente de todo mundo.

Você chorou. Você aceitou.

Nos surpreendemos depois, não é mesmo? Ganhamos a apoio de tantas pessoas! Todo mundo queria nos ajudar de alguma maneira, saber quem mais cuidava de quem; quem era a mulher; quem era o homem! O que são perguntas verdadeiramente retardadas, vamos combinar.

Eu me formei, você estava ao meu lado, sorrindo, gritando, me chamando de “hyung”, beijando-me. Você está no meu álbum de fotos.

O pior, é que foi a mesma coisa com você, eu estava lá, bagunçando seu cabelo, beijando seus lábios rosadinhos, arrumando constantemente aquele uniforme cafona. Se bem me recordo, foi nesse dia que o forcei a fazer pelo menos uma única amizade. Erro mortal.

Porém, mesmo com tudo isso, com nossa decisão de continuar com nosso amor mesmo depois do colegial, dividindo tudo na faculdade, nos formando juntos mais uma vez e por fim, decidindo finalmente findar este relacionamento, você inflou meu amor e o transformou em ódio.

A partir de agora, Jeon Jeongguk, você será meu sãne, meu inimigo e está expulso de qualquer território que meu corpo possa pensar em habitar. Lembra-se quando expliquei essa palavra a você? É uma representação bíblica, vem do verbo “sane” que significa “odiar” “indispor”. Percebe, meu querido sane, o quanto você é cruel?

 

Hesse Hermann já disse que se odiamos alguém, é porque acabamos por odiar algo nele que faz parte da gente, já que de acordo com o alemão, aquilo que não faz parte de nós não nos perturba.

Kim Taehyung odeia a traição de Jeon Jeongguk porquê isso afeta o amor que sente por ele. Tudo bem, que se formos pensar em Charlie Chaplin, podemos crer que talvez seja encontrado os antídotos dentro das lágrimas e o riso, para ir contra o ódio e o terror. Mas, na situação que Taehyung se encontra, a única coisa que o fara bem é o sentimento de liberdade que essa pequena-grande carta irá afetar drasticamente Jeon Jeongguk.

 

Querido sãne, lembre-se que se um dia pensar em me procurar, e eu sei que vai, irei te receber com todas as pedras que você formou em meus sentimentos, e irei atirá-las sem dó em quaisquer respostas que tente encontrar para perguntas que não me darei ao trabalho de desenvolver.

Você não me enganará mais, não quero saber de nada que tenha relação a você, sinto como se a comida que nem consumi, estivesse subindo pela minha garganta e misturado ao meu próprio sangue, apenas no pensar em ver seu rosto em minha frente novamente.

Como teve a ousadia, meu querido sãne, de dizer aquelas três palavras para duas pessoas ao mesmo tempo? Me diga, pateta, quem está realmente se enganando nesta história toda? Eu já-irei me superar muito bem! E você? E esse fardo que irá carregar nas costas? Terá forças de vontade para aguentá-lo até seu último suspiro?

Eu poderia simplesmente ligar para aquela pessoa – minha conhecida, irônico – e estender toda o meu manifesto a ela. É perda de tempo. Perda do meu valioso tempo em correr para longe de você.

Sãne, você pisou em mim. Apodreceu meus sentimentos. Prendeu cordinhas em meu corpo e me fez de fantoche para seu espetáculo da vida. Você é o protagonista e eu sou apenas o figurante que quase morre na primeira cena.

Agora eu o prendo por entre esse mesmo palco, o seguro por entre essas mesmas cordinhas e apodreço seus sentimentos enquanto apenas sorrio vendo o caos que atua.

 

Kim Taehyung precisava terminar de arrumar sua mala. Pegou tudo o que julgava ser dele, mesmo sabendo que uma peça de roupa de Jeon Jeongguk fora colocada de maneira intencional no fundo da bolsa de viagem, o que faria com ela, ainda não planejara em sua mente.

Enquanto juntava todo os seus pertences, entendeu que é um verdadeiro mito pensar que as pessoas traem por estarem insatisfeitas com o relacionamento. Kim Taehyung nunca fizera nada que desse motivos a Jeon Jeongguk. Aparentemente, o mais novo achou interessante e certo ter relações com outra pessoa apenas por prazer.

Mais um sorriso irônico nasceu em seus lábios no momento em que fechava a mala, sua recuperação estava sendo rápida, ele poderia simplesmente ficar ali e esperar a voz de Jeongguk dizer tudo aquilo que ele já tinha certeza que ouviria. O perdão não iria acontecer, mas aquele que sairia ainda mais machucado seria o próprio Taehyung, e essa não era uma opção.

Kim Taehyung está explodindo de ódio, seu maravilhoso amante quebrou seu coração e agora seu único desejo é fortalecer esse sentimento contra seu querido, Jeon Jeongguk.

 

Eu oficialmente o odeio, Jeon Jeongguk. Agora ainda é 24 de dezembro de 2016, e faltam alguns minutos para o dia 25, quando iriamos comemorar mais um Natal preparado por você, o adorador desta data, aquele que sempre me surpreendeu com comemorações. Agora, irei apenas dizer um grande: foda-se.

Fique esperando. Sentado. Em pé. Se perguntando: cadê o Taehyung, o homem que eu tanto amo? Onde foi parar? Será que perdeu a hora novamente? Terei que ir busca-lo?

Sim, terá.

E quando chegar em nossa maravilhosa ex-casa, entrará neste mesmo quarto que me despeço, e em nossa maravilhosa cama, encontrará esta carta, seguida pela prova de seu crime, o aparelho de celular que lhe dei de presente de aniversário a um ano.

 

Eu retirei minha máscara, porém, a sua agora está pregada em sua face.

 

E finalmente, Jeon Jeongguk, hoje, dia 25 de dezembro de 2016, exatas 00:02:17, estou finalmente vendo o fim do nosso maravilhoso amor sem fim. Obrigada por isso, fique com meu ódio em seus pesadelos. Feliz Natal!


Notas Finais


Olá pessoinhas, é bem possível que me vejam aqui hoje novamente.. só nunca se sabe.

Enfim, esse pedido foi feito pela @/stylan, e ele foi algo bem específico então, eu espero que eu tenha feita da maneira como imaginou. Ele é um plot que me intrigou por um motivo bem pessoal, e escrever ele foi até algo que eu senti que precisava, mas nunca tive coragem pra fazer.

Para que ficou curioso, eu utilizei referencias de alguns pensadores e principalmente - como solicitado no plot - da música Hate do 4minute (choros), então se quiserem reler ouvindo a música, eu aconselho muito!

Bom, acho que é isso.

Obs importante: revisei ela com muito cuidado só que nunca se sabe e pretendo enviar a uma beta. Agora eu fui.


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