História Velocy - Capítulo 12


Escrita por: ~

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Palavras 1.717
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Romance e Novela, Sci-Fi

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 12 - O dono da voz


“Velocy?” estavam me chamando, mas eu não conseguia identificar quem era, abri meus olhos lentamente e o clarão do sol me invadiu, eu odiava isso, para piorar, eu estava sem meus óculos,  fechei meus olhos e resmunguei baixinho

“Se você prefere ficar de olhos fechados... beleza” a voz novamente, era uma voz conhecida disso eu tinha certeza, mas, minha mente estava confusa, a única coisa de que eu realmente me recordava era de ter sido trancado em um armário

Me virei para a esquerda tentando ficar contra a claridade, mas quando meu braço esquerdo se apoiou na grama, senti uma forte dor no mesmo, resmunguei mentalmente e voltei a minha posição que estava antes, completamente espatifado no chão, pude sentir minha perna direita dormente, minha cabeça latejando, e, alguns passos do meu lado

“DEIXA DE FRESCURA VELOCY, NEM ESTÁ TÃO CLARO ASSIM!” A voz gritou, minha cabeça parecia ter explodido, mesmo não estando tão claro, eu não estava afim de abrir meus olhos, senti minha perna dormente começar a voltar ao normal

A grama estava fria, meu braço latejava, assim como minha cabeça, relances do que tinha acontecido passavam pela minha mente

Tobias e Léo tinham acabado comigo, sentia a dor ainda de algumas pancadas, mescladas com a forte dor de cabeça, cujo motivo para a mesma, eu não conhecia, eu sabia, de alguma forma, que a intensa dor no braço esquerdo não tinha nada relacionado com a briga, pelo menos, não com a briga de Tobias e Léo, pois parecia que minha “sombra” tinha brigado por mim enquanto eu dava uma voltinha, eu não conseguia me lembrar nitidamente de outra briga

Mas eu lembrei do medo correndo pelas minhas veias

Eu estava escondido nos arbustos, disso eu tenho certeza mas... porque?

“arbustos?” meu pensamento saiu da minha boca antes que eu pudesse interrompe-lo

“o que?” a voz perguntou, mas, eu não a respondi, eu estava atordoado demais para responder

Eu me recordava também de um leve cheiro de mato, e... a imagem de Tobias por algum motivo apareceu na minha mente, como se ele soubesse o que aconteceu

Como se tivesse sido... plano dele

“Por que arbustos?” a voz voltou a perguntar

Senti minha mente latejar, talvez porque eu estava começando a ligar as peças daquilo que tinha acabado de ocorrer, ou porque dessa vez, o tom da voz estava mais severo, mas eu não o respondi

Antes disso eu estava correndo pela escola, tinha me transformado

Me lembrei de ter sido ricocheteado, sim, foi isso que me deixou nesse  estado, eu tinha sido ricocheteado... mas por quem? Ou melhor... pelo que?

Meu braço latejou novamente, e senti minha perna voltar ao normal

“ABRE LOGO A MERDA DESSES OLHOS ANTES QUE EU DESISTA DE AJUDAR” A voz disse rispidamente, logo depois senti algo bater na minha barriga, tateei o objeto e percebi que era meu óculos

Eu reconheceria essa grosseria em qualquer lugar, antes mesmo de abrir meus olhos murmurei

“Daniel?”

“E QUEM MAIS SERIA?” Ele respondeu como se eu o estivesse fazendo perder tempo

“Eu acabei de sei lá acordar de um desmaio? Você poderia por favor gritar mais baixo?” eu retruquei

“É...” ouvi Daniel dar uma risada abafada

“parece que você acabou de perder seu ‘estoque’ e sua ‘muleta’ deve ter sido uma bela ‘somanta’” Daniel disse mais para si mesmo do que para mim, o que, não fez nenhuma diferença e também, nenhum sentido. Não sei se era por causa do atordoamento mas, eu não tinha conseguido entender absolutamente nada da frase, era como se palavras conhecidas se juntassem e formassem palavras desconhecidas, afinal... o que um estoque tinha em comum com minha situação? Um estoque de vendas? E muletas? Quero dizer, eu tinha acabado de brigar feio mas, acho que não era para tanto assim... pensei em Daniel estar na verdade olhando promoções no celular e pensando alto, mas provavelmente eu estava enganado. Minha audição devia estar ruim graças as várias pancadas que levei... e o que seria somanta? Talvez “Samantha”... Daniel podia estar mesmo falando com alguém

Além disso, tinha mais uma coisa estranha, Daniel não falou essa frase com o tom ríspido costumeiro, pelo contrário, ele parecia estar mais feliz, parecia até ter ganho um sotaque novo

“Eu devo estar realmente atordoado” murmurei, e, isso fez Daniel “voltar ao normal”

“VELOCY LEVANTA LOGO, NEM DEVE TER DOÍDO TANTO” Ele gritou mais alto, e, percebi que ele não pararia de fazer isso enquanto eu não me levantasse, peguei meus óculos e os coloquei nos meus olhos, só o fato de eu ter feito a ação de levantar o braço esquerdo, ele já latejou

Me perguntei porque meu braço estava doendo tanto, mas, tinha certeza de uma coisa, esse braço não foi machucado durante a briga contra Léo e Tobias

Tobias

Sua imagem vinha na minha mente, como se ele soubesse de algo, como se ele fizesse algo, como se ele, direto ou indiretamente tivesse contribuído para eu ter sido ricocheteado e ter acabado aqui, caído no chão, e sangrando, sim, eu sentia um “cheiro de sangue” que fazia meus sentidos de répteis se apurarem, mas desta vez, não era sangue de uma presa que se debatia, era meu sangue

Eu era minha própria presa, eu tinha perdido a luta

Uma luta que eu nem me lembrava direito

Daniel deu uma tossida forçada, tratei de tentar me ficar em pé, apoiei minhas mãos na grama e dei um impulso, mas, meu braço doía

“Hunf, isso é drama só pode” Daniel disse enquanto balançava sua cabeça com um sorriso incrédulo, talvez ele pensasse que eu só quisesse chamar atenção, ou fazer drama

“VELOCY... ABRE ESSA BOSTA DE OLHO ANTES QUE EU...” Mas Daniel parou, como se ele tivesse se lembrado de algo, ou, se auto repreendido de continuar a frase

Abri meus olhos

A claridade estava me incomodando muito, forcei meus olhos para lutar contra isso, senti uma leve tontura

Fechei meus olhos por uns segundo e os abri novamente, eu ainda piscava involuntariamente, como se, meu cérebro quisesse manter meus olhos abertos mas, eles quisessem ficar fechados

“Vamos logo” ele usou o tom severo de costume e me deu sua mão, eu a peguei e ele me puxou

Quando fiquei de pé cambaleei um pouco, e tive que me apoiar em Daniel para não perder o equilíbrio, “será que era essa a ‘muleta’ que ele estava falando? Ele era a ‘muleta?’” pensei comigo

 Depois, quando senti segurança, soltei minhas mãos do ombro dele, e não caí, minha perna não tinha sido quebrada, e, por incrível que pareça meu braço esquerdo também não, mas, ele estava cheio de sangue, do mesmo jeito que praticamente toda a roupa estava com sangue, seja pela briga com Tobias e Léo que deixou alguns hematomas, ou por eu ter sido ricocheteado e ter caído espatifado no chão, percebi também que um pouco de sangue do meu braço escorreu para as minhas roupas... ou melhor, as roupas emprestadas

As roupas de Daniel estavam em um péssimo estado

 A blusa que já estava larga mesmo com meus “ajustes”, agora estava incrivelmente larga, suja e rasgada, além de manchada de sangue, os clipes tinham caído provavelmente durante a luta ou a transformação, a calça, estava rasgada também, um dos botões tinha caído e, ela estava uma mistura de sangue com grama

Novamente a imagem de Tobias apareceu nos meus pensamentos, mas dessa vez ela estava borrada, outra imagem estava “tomando forma”, mas, meu pensamento foi desviado por mais um grito de Daniel

“O QUE VOCÊ ESTAVA FAZENDO CAÍDO NO CHÃO??!!!!!!”

Coloquei minha mão em minha cabeça, meus pensamentos ainda estavam desorganizados, eu me sentia incrivelmente desorientado, olhei para Daniel e percebi que ele estava sozinho

“Quem é Samantha?” eu perguntei, minha voz ainda estava fraca, eu sentia um gosto de sangue na minha boca

“Samantha?” Daniel perguntou

“É, você falou algo do tipo... quem é?” eu perguntei

A primeira expressão de Daniel foi um sorriso, mas isso, foi substituído por uma cara fechada novamente

“NÃO É NINGUÉM, AGORA, RESPONDA MINHA PERGUNTA”

“Eu não me lembro” disse com minha voz ainda fraca, alguns segundos de silencio, ergui as sobrancelhas e perguntei de um jeito desafiante “e você? Porque está aqui?”

“Eu estava passando e te vi” ele disse com indiferença “mas parece que foi só uma perda de tempo”

“Uma perda de tempo? Então por que não foi embora?” eu perguntei incrédulo

Daniel parou, pude sentir a resposta para a minha pergunta se formar nos olhos dele, mas, ele rapidamente afastou a ideia e fechou a cara

“Olha, eu só fiquei aqui por respeito ao Dilan, ta legal? Por mim você podia ter sido pisoteado 10 vezes, e eu não me importaria... ele te considera muito”

“Pelo Dilan? Ele... me considera?” eu perguntei

A expressão de Daniel refletiu uma raiva imediata

“VOCÊ ESTRAGOU TUDO, VELOCY!” Ele gritou

“O que?” perguntei assustado por essa repentina mudança de tom de voz

“Olha...” ele respirou fundo, parecia evitar me esganar “Eu e Dilan sempre fomos o ‘Calzas’ e o ‘Alatriste’ E VOCÊ VEIO PARA FAZER A GENTE VIRAR UMA MERDA DE TRIO??!!!!!” suas bochechas estavam vermelhas e ele estava borbulhando raiva

“Mas... mas...” Daniel cortou minha fala

“E não me venha com ‘mas’! DILAN É O ÚNICO AMIGO QUE TENHO” ele respirou fundo, suas bochechas voltaram para a cor normal, esperei alguns segundos para me certificar se ele estava calmo mesmo e perguntei

“Quem são ‘Calzas’ e ‘Alatriste’?”

A expressão do Daniel refletiu espanto “Da-da onde você conhece esses nomes?”

“Você acabou de falar” respondi em tom óbvio

O rosto de Daniel ficou pálido, e, ele deu um tapa na própria face, ele estava murmurando coisas que eu não consegui entender

Ele parou e olhou para algo que estava atrás de mim, sua expressão ficou perplexa, eu também resolvi olhar... era uma pegada enorme de dinossauro

Foi ai que eu reparei que o chão estava repleto de pegadas, incluindo pegadas de um velociraptor

E eu senti medo

Senti medo que Daniel pudesse saber de tudo

Eu me virei para ele e soltei a pergunta, com receio da resposta

“Daniel, quando você chegou aqui... o que você viu?”

Ele me encarou por alguns segundos e respondeu usando uma voz seca e uma completa expressão de indiferença

“O suficiente”

Logo depois se virou, e foi embora



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