História Verdade ou Desafio - Capítulo 62


Escrita por: ~

Postado
Categorias Amor Doce
Personagens Castiel, Lysandre
Exibições 830
Palavras 9.107
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


É tipo EXTREMAMENTE difícil fazer isso.
Essa foi a maior demora pra postar um capítulo - dois meses e dez dias - e também é o capítulo mais longo até hoje. Provavelmente com revisão eu poderia encurtá-lo, mas a coisa é que eu não queria mesmo terminar.
Enfim. Vamos lá. Volto nas notas finais.

Capítulo 62 - Epílogo - The Winner Gets The Trophy


Quando a escuridão começou a se dissipar, eu tinha apenas uma vaga noção de que tinha passado bastante tempo, mas estava muito cansada para me importar. Aos poucos comecei a ouvir um som fraco e ritmado de máquinas e sussurros abafados. Inspirei e senti o cheiro asséptico que me indicava que estava em um hospital, mas não conseguia lembrar nem saber por que eu estava lá. Tinha, no entanto, uma vaga sensação de que meu corpo estava exausto e dolorido, então aquilo fazia sentido.

Depois do que pareceu um esforço enorme, consegui abrir as pálpebras devagar. A primeira coisa que notei foi o branco do teto, das paredes, dos lençóis. Então um reflexo de cor chamou minha atenção e percebi que Castiel estava sentado perto de mim, a cabeça baixa, provavelmente cochilando. Encarei-o por alguns segundos enquanto minha visão ficava mais clara. Aos poucos as lembranças do que tinha acontecido antes que eu apagasse começaram a flutuar para a superfície da minha mente e com elas veio o desconforto. Respirei fundo. Não queria pensar, queria voltar para o escuro e para o silêncio, mas agora que tinha acordado sentia dor demais para dormir. Além disso, minha garganta arranhava, e eu sentia tanta sede que parecia que poderia tomar um litro de água em um gole. Fiz mais um esforço enorme para tentar encostar no braço dele, chamá-lo.

- Lynn? – ele disse com um sobressalto, pulando de pé. Eu tinha apenas conseguido mexer os dedos de leve e sussurrar seu nome fracamente, mas em dois segundos ele já estava alerta, chamando enfermeiras na porta do quarto. Ele correu novamente para mim e pegou minha mão, mas ela estava meio dormente e eu mal sentia.

- Lynn, você está bem? Está me ouvindo?

Eu queria responder a ele e tentei falar, e vi que Castiel me encarava pacientemente esperando resposta, mas antes que eu conseguisse articular qualquer coisa a sala tinha se enchido de médicos e enfermeiras e familiares e conhecidos. Uma médica autoritária ergueu a voz, pedindo que todo mundo se retirasse para que ela pudesse verificar como eu estava, que depois podiam voltar, e eu choraminguei, porque não conseguia me manifestar. Ela, no entanto, me ouviu e me encarou.

- Lynn, você quer que eles fiquem aqui? – ela me perguntou calmamente.

Falar era difícil demais, então apenas olhei para Castiel, esperando que ela entendesse. Ela apertou os lábios.

- Ok. Vamos fazer o seguinte – ela baixou a voz como se conspirasse, apesar de o silêncio súbito fazer com que todos pudessem ouvir. – Vou te examinar primeiro, e vamos tirar esses tubos todos de você, então deixo seu namorado voltar, ok?

Eu queria protestar, mas agora que estava começando a sentir meu corpo melhor, notava que havia tubos em lugares absurdos, e a médica estava provavelmente me oferecendo a chance de ficar apresentável para meu namorado. Assenti o melhor que pude.

Depois de me livrar de todas as sondas e cateteres e me deixar apenas com uma agulha que levava soro ao meu braço e de testar todos os meus reflexos e movimentos, a médica pareceu satisfeita. Uma enfermeira ergueu a cama apertando alguns botões, permitindo que eu ficasse mais sentada, enquanto outra me trouxe um copo de água com um canudo. Depois de beber tudo me senti um pouco mais gente, e a médica assentiu com satisfação.

- Certo – ela disse, séria – Vou deixar seu namorado entrar pra vocês conversarem. Ele parece ser a pessoa que mais precisa conversar no momento. O resto só quer te paparicar. Agora, se você estiver cansada demais...

- Eu aviso – falei. Pigarreei, mas minha garganta estava boa o suficiente. – Eu aviso se quiser que ele saia.

“No dia de São Nunca” pensei comigo enquanto a médica saía e deixava Castiel entrar. Ela disse algo nas linhas de “comportem-se”, o que fez ele parecer indignado e me fez rir, então estávamos finalmente sozinhos.

No segundo em que ficamos sozinhos ele me encarou por meio segundo antes de atravessar o quarto e me abraçar com força. Abracei-o de volta, mas só então me dei conta de que estava apenas feliz por vê-lo, enquanto ele, aparentemente, estava sentado do lado daquela cama por algum tempo com medo de que eu não acordasse.

Quando nos separamos, percebi que Castiel respirava fundo como se contivesse o choro. Mordi o lábio. A última coisa de que me lembrava – muito vividamente, agora que já estava bem acordada – era de desmaiar nos braços dele depois de quase morrer. Não sabia quanto tempo havia passado e o que mais havia acontecido. Resolvi começar com a pergunta mais fácil.

- Quanto tempo... quanto tempo faz? – perguntei com cuidado. Castiel sorriu levemente, como se estivesse esperando que eu começasse assim.

- Dois meses – ele respondeu calmamente – Um pouco mais.

Imediatamente tentei sentar mais ereta, num pulo, e Castiel teve que me segurar.

- Dois meses? Mas... e... – eu nem sabia por onde começar.

- Calma – ele disse, se sentando na maca, ao meu lado. Ele parecia tão cansado, mas eu sabia que ele estava tentando se manter firme por mim. – Quando a ajuda chegou, eu achei que você ia morrer. Te trouxeram pro hospital o mais rápido possível, você estava muito mal. O corte no rosto não parava de sangrar, o tiro no braço estava começando a infeccionar, a fratura na perna, que era uma fratura limpa, virou um desastre sem tamanho, porque você resolveu andar por aí...

- Eu precisei... – comecei, mas Castiel ignorou.

- Mas o pior é que você não acordava. Depois de tratar as emergências, os médicos disseram que toda hora aparecia uma complicação nova. Como se o seu corpo não quisesse se curar. Finalmente, aquela médica que você viu aqui, disse que você estava sofrendo de estresse, simplesmente, e decidiram colocar você em coma induzido por um tempo. Aparentemente, seu cérebro só precisava de um descanso enquanto todo o resto se curava. Agora só a fratura da perna ainda está em recuperação, e você vai precisar de um tempo pra voltar a andar normalmente. E, eu sinto muito, mas ainda tem uma cicatriz no seu rosto. Eles não podem fazer todas as sessões necessárias para apagá-la de uma vez.

Pensei no assunto. Nem pretendia perguntar sobre aquilo, não ligava para meu estado de saúde, queria saber como estavam as pessoas à minha volta naquele tempo, inclusive ele. Castiel levantou, pegou algo em uma gaveta no criado-mudo e me estendeu. Era um espelho.

- Seus pais ficaram com medo que você ficasse muito chateada com a cicatriz, mas eu te conheço e sei que você vai querer ver logo.

Peguei o espelho e encarei, apreensiva. Então suspirei, porque não era tão ruim quanto eu esperava. Havia de fato uma cicatriz bem visível, uma linha esbranquiçada que seguia do lado esquerdo do maxilar até o queixo. Não me importava muito com aquilo, na verdade, e imaginava que minha palidez por ficar dois meses apagada acentuava a cicatriz, o que podia resolver quando voltasse à vida normal. Mas a menção aos meus pais me interessou mais.

- Castiel, minha mãe – falei quando ele pegou o espelho de volta – ela não podia ficar nervosa...

- Então – ele falou, assentindo – assim que soube que você tinha sido sequestrada, ela foi hospitalizada. Mas está tudo bem – ele acrescentou rapidamente quando eu ofeguei – ela já está bem. Ficou no hospital por um bom tempo, devido à preocupação, mas já teve alta. E, claro, já teve o bebê, alguns dias atrás. Seu irmão se chama Lucas.

Sorri sinceramente pela primeira vez em muito tempo, aliviada. Me senti culpada por ter causado tanta preocupação, e por não ter dado atenção suficiente à minha mãe durante a gravidez, tanto que nem tinha ideia do nome que ela ia escolher para o bebê. Mas estava feliz que aquele drama tivesse acabado. Só podia imaginar o quanto minha mãe estava feliz com o filho. Só com isso, já começava a me afeiçoar ao meu novo irmãozinho, finalmente.

- Mais alguma coisa que eu precise saber? – falei, me sentindo mais calma. Castiel, no entanto, baixou os olhos, e achei que ele parecia um pouco impaciente.

- Não muito. Todo mundo tem estado superpreocupado com você, é claro, mas fora isso, estão todos bem. Menos Bia, claro, mas isso você sabe. Ah, e Nina? Bem vivinha. Debrah atirou nela aquele dia e ela, muito esperta, se fingiu de morta. Mas tá viva. Ela se recuperou logo e se entregou de muito bom grado. Está em tratamento psiquiátrico, muito calma e contente.

Assenti, surpresa, mas admirada, e suspirei. Me preparei para perguntar da única pessoa que ele ainda não tinha mencionado, mas ele falou, meio como se estivesse a ponto de explodir.

- Agora você pode, por favor, me dizer – ele soltou entre dentes – o que diabos deu na sua cabeça pra tentar se jogar em um abismo com Debrah?

Encarei-o, chocada.

- Eu não me joguei, Castiel! Ela me puxou!

- E você nem tentou lutar contra...

- Como eu ia fazer isso – falei, revirando os olhos – no estado que eu estava, com a perna quebrada e tudo mais?

- Não sei, talvez – ele rebateu imediatamente, erguendo uma sobrancelha – do mesmo jeito que você foi se arrastando do ponto em que caiu até encontrá-la, como eu sei que fez?

Ele continuou me encarando com a sobrancelha erguida e ganhou o concurso de olhares sarcásticos e desentendidos. Baixei os olhos e suspirei.

- Eu sinto muito – falei com sinceridade. Minha voz estava mais clara do que estivera desde que acordei, e fiquei feliz porque queria muito me fazer entender – Eu não estava querendo morrer. Queria que aquilo acabasse. Mas aparentemente, era o único jeito de acabar. O único jeito era deixar que ela me matasse, porque só assim ia poder levar ela comigo. Ou vice-versa. Infelizmente, estávamos ligadas demais pra que eu tivesse esperança de que só uma fosse cair.

- Você tem noção – ele começou – do que eu senti quando vi ela te puxar com ela...

- Eu não queria que você visse aquilo – falei imediatamente – não achei que você fosse chegar a tempo. E principalmente, não achei que você fosse conseguir me puxar a tempo.

- Como pode achar que eu não te salvaria? – ele disse indignado.

- Não é isso – falei, balançando a cabeça – Eu não achei que você ia ter um reflexo tão rápido. Eu, por exemplo, acho que no seu lugar travaria. E mesmo que não travasse, não achei que você conseguiria me segurar antes que fosse tarde. Foi tudo rápido demais, não sabia que você tinha um reflexo tão bom.

Suspiramos. Ele parecia tão chateado e eu não entendia o porquê. Entendia que estivesse estressado com todos os problemas que eu tinha causado, mas agora tinha acabado, e ele não parecia tão aliviado quanto eu achava que devia estar. Tentei fazer uma gracinha.

- Ou que sabia atirar. Isso também foi chocante.

- Habilidade nata, acredite se quiser – Castiel falou em tom de quem quer fazer piada, mas não consegue. – Devia me ver jogando paintball.

Ele tentou um sorriso, mas logo voltou a parecer chateado. Eu segurei a mão dele com a força que podia.

- Cast, tá tudo bem – falei, tentando passar a calma que eu sentia – Acabou agora, e eu tô bem... ou tem mais alguma coisa? – um pensamento incômodo, meio sem sentido, veio na minha cabeça – Debrah aprontou mais alguma?

Castiel pareceu mais confuso do que eu.

- Como ela poderia ter aprontado mais alguma? – ele pareceu se dar conta de que não tínhamos falado dela ainda e uniu as sobrancelhas, então prosseguiu com um tom que dizia que eu tinha perdido algo óbvio – Lynn, Debrah está morta.

Uni as sobrancelhas, as palavras dele não estavam exatamente chegando a algum lugar no meu cérebro, não fazia sentido.

- Não está, não – falei simplesmente.

Castiel coçou a cabeça, pensativo.

- Lynn, você olhou pra baixo quando eu te puxei, você se lembra? Você viu, não viu? Que ela caiu?

Percebi que ele achava que eu não estava entendendo, ou que eu não me lembrava.

- Eu lembro, Castiel – falei com muita calma – você me puxou e ela me soltou. Ela ainda tentou se segurar em mim e só conseguiu agarrar o pingente...

Levei a mão instintivamente ao pescoço, mas a corrente não estava lá. Fiquei imediatamente agitada.

- Castiel, meu pingente...

- Sinto muito – ele falou, me segurando para que eu não levantasse – Ela puxou com ela. Tentei procurar depois, voltei lá várias vezes, mas tem pedras demais, é difícil de chegar lá sem ajuda. Podemos procurar depois que você melhorar, ok?

Assenti, incomodada. Cicatrizes e fraturas pareciam menos incômodos do que a falta da corrente. E menos estranhos do que o que ele dizia.

- Mas, Castiel, ela não... quero dizer... – mordi o lábio – como você pode saber que ela está morta?

Castiel ergueu uma sobrancelha. Ele parecia estar quase achando graça na minha incapacidade de entender.

- Eu vi quando eles retiraram ela das pedras, Lynn. Te disse, é um local de difícil acesso, mas eu estava lá porque estavam te socorrendo por perto.

Balancei a cabeça, descrente. Abri a boca para dizer que aquilo não provava nada, mas mordi o lábio apenas.

- Eu fui ao funeral, também – ele disse, como se tivesse lido minha mente – o caixão estava coberto de flores quase totalmente porque a condição dela era… bem ruim. Mas o rosto dela estava à mostra, então sei que era ela.

“Fácil de falsificar” pensei. Mas percebi que não fazia sentido continuar tentando convencê-lo de que estava errado. Como eu sequer tinha certeza daquilo? Para ser completamente sincera, nem eu sabia. Só o que tinha era um sentimento de que ela estava viva. Mas tinha plena certeza de que se ela estivesse morta, eu saberia.

No entanto, de repente eu percebi que ele não ia acreditar em mim ou, pelo menos, entender. Ele acharia que eu estava apenas paranoica, por causa do trauma. Então decidi não dizer mais nada a respeito, pelo menos por ora. Mas a expressão dele ainda me preocupava.

- Cast – falei gentilmente – por que você está tão chateado?

Ele mordeu o lábio, incomumente hesitante.

- Você percebe que a polícia vai querer falar com você, certo?

Dei de ombros.

- Eles já me encheram de perguntas – ele continuou – mas não sei se ficaram satisfeitos com as respostas.

- Por que não? - perguntei. Claro, eu disse a mim mesma, eles acham que ela está morta, então  tem que haver uma investigação. Eu só não entendia por que Castiel estava tão chateado com aquilo. Então a ficha caiu.

- Eles acham que você matou Debrah? – tossi, tão surpresa que as palavras mal saiam. Ele deu de ombros e baixou a cabeça.

- Provavelmente – ele disse – ninguém disse com essas palavras. Eu contei o que houve, expliquei que atirei nela pra que ela te soltasse, que ela caiu porque quis e eu apenas te puxei de volta. Mas você não percebe como isso soa?

Balancei a cabeça, indignada.

- Mas é a verdade! – falei apenas.

- É mesmo? – ele respondeu sombriamente. Balancei a cabeça novamente.

- Claro que é! - Entendia o ponto dele, e sabia que não havia testemunhas para confirmar nossa história, mas não via como alguém pudesse duvidar. – Ela ia me matar, quem sabe o quão louca ela é... era – me corrigi de imediato – tem que entender que você fez o que foi preciso. Não tinha como impedi-la.

Castiel levou um tempo para responder. Quando ele olhou para cima ele parecia mais que chateado – parecia torturado.

- Não tinha? - ele disse simplesmente.

Apenas então entendi que ele não estava incomodado que as pessoas pensassem que ele a matou. Ele mesmo estava se culpando pela morte dela.

- Não, não tinha – falei firmemente, sem acreditar que ele estivesse pensando aquilo. Balancei a cabeça – Castiel, não foi culpa sua. Ela caiu porque estava tentando me levar com ela.

Castiel suspirou e ficou de cabeça baixa por um minuto. Então ele se sentou mais perto, segurando minha mão com gentileza, mas firmemente.

- Você lembra exatamente o que aconteceu, certo? - ele esperou que eu assentisse e então continuou – Quando percebi o que ela ia fazer corri o mais rápido que pude. Droga, nem eu sabia que conseguia correr tão rápido. E então, quando as alcancei, te puxei com toda força que tinha. Mas teve uma fração de segundo, lá – ele baixou um pouco a voz – onde ela, também, estava te segurando com toda força que tinha. E eu agarrei o pulso dela – ele suspirou, como se fizesse uma grave confissão – e forcei ela a te soltar.

Forcei a memória. Pensando bem naquele momento, percebi que ele tinha razão: me lembrava como ela estava me segurando com força, e que, de repente, não estava mais. Fazia sentido. Suspirei.

- Cast, você não fez nada errado…

- Eu podia ter puxado ela com você – ele me interrompeu – Ou pelo menos, podia ter puxado você sem empurrá-la…

- Você não empurrou Debrah!

- Mas não me ocorreu. - Ele continuou como se eu não tivesse dito nada - Não me ocorreu salvá-la. Ou puxar você sem forçar ela a te soltar. Eu só… eu estava com tanta raiva e tão desesperado e eu queria, mais que qualquer coisa, que ela te soltasse. Meu cérebro não processou que, ao fazer ela te soltar, ela ia cair para a morte.

- E agora você sente que a matou – murmurei.

Ele não respondeu, mas não era necessário. Mordi o lábio, tentando pensar em algo para confortá-lo. Queria dizer que ela não estava morta, mas já tinha percebido que ele não ia acreditar. Dizer que eu teria feito o mesmo parecia bom, mas nós dois sabíamos que eu poderia matar Debrah de propósito – eu já tinha tentado. Então suspirei, tentando ser racional.

- Cast – falei cuidadosamente – Não. Foi. Sua. Culpa. Ela pulou, tecnicamente. Eu não acho que você teria conseguido salvar nós duas. Você tomou uma decisão que precisava tomar, no tempo limitado que tinha. Não havia muitas opções. E você não tem como saber o que teria acontecido se você tivesse tentado salvar nós duas. Havia uma grande chance de que você teria morrido conosco. Mas em vez disso, você me salvou. Então pare de se torturar com isso, ok?

Ele assentiu, mas eu sabia que ele não estava convencido. Mas antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa ele pulou de pé.

- Eu já tomei muito do seu tempo – ele disse – Se você não estiver muito cansada, vou avisar lá fora que a procissão pode entrar.

Assenti, dizendo a mim mesma que tentaria convencê-lo depois.

 

Ele não estava brincando sobre a procissão. Um monte de gente veio me ver, trazendo presentes e fazendo as mesmas perguntas sobre como eu me sentia e do que me lembrava. Meus primeiros visitantes foram meus pais e meu irmãozinho. Só vi de relance seu rostinho no meio dos cobertores antes que minha mãe o entregasse para o meu pai e me abraçasse com força, me largando apenas para que meu pai pudesse fazer o mesmo. Depois de falarem muito sobre o quanto estiveram preocupados, eles chamaram Castiel de volta ao quarto, para que ele me ajudasse a segurar o bebê por um tempo. Meu pai disse que era porque ele e minha mãe estavam muito abalados e precisavam da ajuda de alguém estável, mas eu acho que eles só queriam me mostrar que eles aprovavam Castiel na minha vida.

Eu ainda estava admirando o rostinho adorável de Lucas quando Rosalya chegou – mais como invadiu – no quarto com Lysandre. Ela esperou minha mãe pegar o bebê de volta e pulou em mim, imediatamente entrando em um discurso reclamando sobre minha demora em acordar, e as coisas que queria fazer com Nina e Debrah por minha causa. Ela não fez nenhuma pergunta estúpida e me fez rir, e eu a amei por isso. As outras pessoas no quarto não gostaram tanto da empolgação dela quanto eu, e saíram todos juntos quando Lucas começou a chorar.

Assim que ficamos sozinhas, a conversa ficou mais séria. Ela me deixou falar, então contei exatamente o que aconteceu no precipício, e como eu tinha certeza de que ela estava viva. Rosalya não me contrariou, mas parecia cética.

- Lynn – ela disse devagar – como ela poderia ter sobrevivido? Você mesma disse, ela queria te jogar de lá porque não tinha como sobreviver à queda.

Dei de ombros, sem saber o que dizer.

- Apenas sei – falei honestamente.

Depois do ceticismo de Rosalya, desisti de dizer às pessoas que achava que Debrah estava viva. Não que sobrasse tempo para isso – como Castiel já tinha me dito uma vez, havia mais gente que se preocupava comigo do que eu percebia. A doutora permitia apenas duas visitas de cada vez, então o dia foi todo ocupado. Pela hora em que a médica voltou e declarou que precisava que todo mundo fosse embora para que ela fizesse alguns exames, eu estava literalmente cansada demais para manter meus olhos abertos.

 

O dia seguinte foi o dia das visitas desagradáveis.

Logo após meu triste café da manhã de comida de hospital, dois detetives, um homem e uma mulher, quiseram falar comigo. Meu pai insistiu em ficar presente e eu apenas dei de ombros, disfarçando meu nervosismo.

Contei a eles o que aconteceu, omitindo minha conversa decisiva com Debrah. Falei que tinha saído do local onde caí e quebrei a perna porque tinha medo que ela machucasse Castiel, e eu tinha essa insana ideia de tentar convencê-la a não fazer aquilo.

- Isso obviamente não funcionou – a mulher disse, em um tom condescendente.

Contei que Castiel atirou nela apenas para fazê-la derrubar a faca que segurava contra minha garganta, e que ela tentou pular do precipício e me levar junto, mas Castiel me salvou.

- Como exatamente ele salvou você? - o homem perguntou.

Eu nem hesitei. Eu sabia que Castiel não tinha explicado claramente, portanto eu não precisava me preocupar em contradizê-lo, então respondi calmamente.

- Ele correu até nós quando percebeu o que ela ia fazer – eu disse – e me puxou para ele. Não sei se ela estava cansada, ou com dor, mas ela me soltou naquela hora. Ela tentou segurar em mim de novo, mas… - Parei de súbito. Se eu contasse sobre o pingente, eles iam procurá-lo e guardar como evidência. Então dei de ombros – Mas não conseguiu.

Meu pai apertou meu ombro, tentando me confortar. Os detetives trocaram um olhar e não disseram nada por um momento.

- Você lembra de mais alguma coisa? Algum detalhe? - a mulher perguntou. Percebi de repente que o tom condescendente dela era proposital. Ela estava fazendo o papel de “policial boazinha” para ver se eu confessava alguma coisa.

- Eu lembro de soltar Castiel e me arrastar até a beirada, e ver ela lá embaixo – falei simplesmente – e desmaiei. E depois, acordei aqui.

Mais silêncio.

- Então… encerramos como suicídio? - a mulher perguntou ao colega, mas eu sabia que ela esperava que eu dissesse mais alguma coisa.

- Foi suicídio – falei fazendo a vontade dela – Ela estava acuada e me queria morta, então ela literalmente estava disposta a morrer, se isso significasse a minha morte também.

- Você parece conhecê-la bem – o detetive disse.

“Você nem sabe o quanto” pensei, mas o que eu disse foi:

- Ela me torturou por muito tempo, então, sim, conheço. Conhecia, de qualquer forma. Só porque não estou morta também, não significa que ela não soubesse que ia morrer quando pulou.

Eu sabia que eles não estavam impressionados, e podia sentir que eles ainda achavam que ou eu ou Castiel havíamos matado Debrah. Eu não me importava, no entanto. Eles sabiam que só o que tinham era nossa palavra, e nós dois concordamos que era suicídio. Não havia motivo para procurar furos em nossa história. Além disso, eles deviam saber que Debrah não era uma vítima inocente.

- Bem – o detetive suspirou, fechando seu bloco de anotações e erguendo as sobrancelhas – Parece que seu namorado é um herói.

Eu sorri pela primeira vez em um longo tempo.

- Ele é.

 

A segunda visita desagradável foi dos pais de Debrah. Eu estava incomodada, mas, para ser sincera, eu estava mais era curiosa. Será que eles sabiam que sua filha estava viva? Eu não poderia perguntar uma coisa assim, claro – se eles não soubessem, eu estaria apenas cutucando uma ferida aberta, já que eu não podia provar nada. E se soubessem, não me contariam, com certeza.

Eles estavam consternados e deprimidos, mas isso eu já imaginava. Esperei que um deles dissesse algo e, quando o silêncio ficou insuportável, murmurei.

- Sinto muito pela sua perda.

Os dois pareciam à beira das lágrimas. A mãe foi a primeira a falar.

- Nós é que sentimos muito, querida – ela disse em uma voz fraca – nós permitimos que ela se livrasse porque não sabíamos… não queríamos ver… não queríamos ver o que ela... se tornou.

- Se tivéssemos noção – o pai disse em uma voz igualmente triste – do que ela seria capaz. Mas mesmo depois que soubemos o que ela fez com você, quando seus amigos nos mostraram aqueles vídeos… nós…. Nós não sabíamos como lidar com aquilo.

Assenti. A mulher soluçou e eu me senti horrível.

Talvez eu estivesse mesmo fora do meu juízo? Por que eu simplesmente não aceitava que ela estava morta? Os pais dela estavam se desfazendo em tristeza na minha frente, e eu ali, cheia de teorias da conspiração sobre como ela teria sobrevivido e forjado a própria morte. Talvez eu estivesse mesmo tão abalada pelo trauma que não conseguia raciocinar direito. Talvez eu devesse parar de lutar contra os fatos diante de mim.

- Você vai ficar bem, certo? - a mulher perguntou. Dei de ombros.

- Acho que sim – respondi – Os médicos querem que eu fique aqui mais uns dias pra mais exames e coisas assim. Mas talvez eu saia antes do fim da semana.

- Ah – a mulher assentiu. Então ela perguntou, em uma voz estranhamente calma e casual para a situação – Você ainda não tem uma data, então?

- Não, ainda não – respondi automaticamente, ouvindo o soar fraco de um alarme na minha cabeça, sem saber por que. Me virei para o marido – O que vocês vão fazer agora? Não quero ser intrometida, é só que eu sempre tive a impressão que vocês eram muito… focados em Debrah, entendem?

Eles trocaram um olhar e o alarme fraco na minha cabeça disparou. O homem abriu um esgar que tentava ser um sorriso.

- Queremos viajar por um tempo – ele disse – você tem razão, nós meio que…. Negligenciamos a nós mesmos com o passar do tempo para dar o melhor para nossa princesa.

- Ela não era uma princesa – a mulher disse rapidamente lançando um olhar raivoso para o marido – Tratá-la como se fosse foi o que nos cegou por tanto tempo.

- Enfim, estamos planejando agora – o homem falou, evitando o olhar severo da esposa – Temos algumas aplicações e uma poupança, então posso parar de trabalhar e vamos passar um tempo longe… para lidar com tudo, sabe?

Assenti, a compreensão descendo sobre mim. Eu sabia o que estava acontecendo, só não sabia como provar. A mãe de Debrah me encarou mais uma vez com aquele olhar de pesar.

- Mais uma vez, sentimos muito.

Assenti novamente, me sentindo entorpecida.

 

O médico decidiu que eu devia ficar no hospital até domingo. Isso me daria tempo de me recuperar adequadamente, já que as piores lesões já haviam se curado, mas meu tempo em coma – sem mencionar o tempo deprimida e sendo torturada – tinham me deixado ligeiramente subnutrida.

Tive que ver um psiquiatra duas vezes naquela semana, e teria que vê-lo pelo menos uma vez por semana por algum tempo, já que eu tinha passado por tanta coisa. Eu teria argumentado contra a ideia, mas tive dois ataques de pânico e pesadelos terríveis nesse meio tempo, o que – junto com o fato de eu ter deixado escapar que não acreditava na morte de Debrah - levou ao diagnóstico de TEPT: Transtorno de Estresse Pós-Traumático.

A diretora da escola também veio me visitar. Ela veio me dizer que o ano letivo já tinha acabado, mas que minhas notas ruins seriam desconsideradas, levando em conta tudo que aconteceu, e eu só precisava fazer um curso de recuperação de verão por formalidade. Minha mãe exigiu um pedido de desculpas pela falha do corpo escolar em perceber qualquer coisa de errada no comportamento de Debrah. Assistir a mulher mais velha forçando a si mesma a resmungar desculpas foi a melhor parte da semana – junto com o dia que minha tia mandou as medidas de saúde às favas e contrabandeou o gato até o meu quarto para uma visita.

 

Eu estava mancando de volta para minha cama depois do banho no sábado à tarde, com a ajuda de Castiel e Rosalya, quando a mãe de Debrah voltou a me visitar. Meus dois amigos pararam de súbito quando a viram, quase me fazendo cair.

- Desculpe, é uma hora ruim? - a mulher perguntou.

Ela estava segurando uma cesta cheia de doces e bichinhos de pelúcia. Eu tinha certeza de já ter visto pelo menos um deles no quarto de Debrah.

- Não, tudo bem – falei sem emoção, subindo de volta na cama – acabei de tomar banho. Mas ainda preciso de ajuda pra me locomover.

Castiel murmurou “até depois” e quase correu para fora do quarto, evitando o olhar da mulher. Com o coração partido, percebi que ele ainda se culpava pela morte da filha dela. Rosalya me encarou com um olhar de desconfiança, mas eu assenti, sinalizando que estava tudo bem, e ela saiu do quarto também.

- Meu marido e eu vamos embora logo – a mulher disse quando a porta se fechou atrás dela, colocando a cesta aos pés da minha cama – Mas eu queria ver como você estava antes de ir.

Ela parecia um pouco… animada. Não o tipo de animada feliz, o tipo de animada “sorria e acene”, como se escondesse algo.

Sorri calmamente. Não estava mais assustada ou impressionada. Durante aqueles dias no hospital fiz minha própria pesquisa. Fiz amizade com algumas enfermeiras e coloquei as mãos em certos arquivos, com a desculpa de que ajudaria com meu TEPT. Eu sabia o que ela estava fazendo ali, e era só mais uma evidência da qual eu não precisava.

- Então, como você está, querida?

- Melhor – falei apenas.

- E já sabe quando sai daqui?

- Amanhã – respondi – pela manhã.

- Ah – ela suspirou. Notei que ela estava torcendo as mãos e me senti mal por ela. Não queria estar naquela posição.

- Não posso comer todos esses doces, sabe – falei, puxando conversa.

- Ah, sim! - ela exclamou – Esqueci que você deve ter restrições na dieta por enquanto. Mas você pode comer daqui alguns dias, certo? E você pode curtir os bichinhos de pelúcia por enquanto.

Mordi o lábio antes de falar.

- Estes… estes eram de Debrah?

- Ah, não, querida! - ela disse imediatamente – Eles são novos… as coisas de Debrah, dei todas para a caridade – ela pausou, parecendo triste mais uma vez. Então sorriu – Mas, sim, parecem muito com os dela. Imaginei que vocês teriam um gosto parecido.

Analisei os ursinhos. Eles eram, realmente, muito bonitos, e eu podia me ver escolhendo eles se fosse comprar algum. Mas o que ela disse me deixou curiosa.

- Por que você achou isso?

A mulher se sentou ao meu lado, na cama, com cuidado para não encostar na minha perna que ainda tinha uma bota ortopédica.

- Um dos motivos pelos quais nunca desconfiei do comportamento da minha filha, principalmente em relação a você – ela disse calmamente – é que ela sempre pareceu gostar de você. - Ela segurou a risada quando ergui as sobrancelhas e continuou – Ela falava sobre você o tempo todo. Não de propósito, eu acho, mas ela sempre acabava mencionando seu nome quando estávamos conversando. Quando apontei isso, ela parecia surpresa, e não sabia explicar. Ela disse que achava que talvez fosse porque vocês eram muito parecidas. Que pensavam de forma parecida e tinham gostos similares, além do óbvio.

- Castiel – murmurei, assentindo.

- Sim, mas além disso – ela assentiu também – ela disse que vocês gostavam dos mesmos livros e músicas, tinham estilos similares, e que você amava cantar, assim como ela. E que, por causa disso, ela sentia como se você a conhecesse melhor que qualquer pessoa, como se vocês estivessem conectadas. Ela disse que você conseguia entendê-la, entendê-la de verdade.

Eu não sabia o que responder para isso. Me senti triste, pela primeira vez, por Debrah. Eu não sabia o que tinha feito ela se tornar o que se tornou, mas ouvindo sua mãe falando, por um momento eu podia imaginá-la: apenas uma garota bonita, sentada em seu quarto, conversando com sua mãe sobre a escola e a nova amiga.

Se ela não fosse uma sociopata, teríamos sido como irmãs.

- Eu entendo ela – disse finalmente – mas, sinto muito, não posso perdoar o que ela fez. Nem sei como dar algum sentido a isso tudo pra você.

- Não esperava que você pudesse, querida – ela respondeu calmamente – Só achei que você devia saber.

Ela me encarou como se esperasse uma resposta, mas mais que isso, como se estivesse esperando para ver se eu tinha entendido que ela estava dizendo algo nas entrelinhas. Eu apenas uni as sobrancelhas, sem ter certeza de ter entendido. Então ela adicionou:

- Pelo menos agora esse… jogo doentio dela acabou. Você e o seu guitarrista mereciam um troféu depois de tudo que minha filha fez.

Então a ficha caiu. A mulher sorriu satisfeita ao ver minha expressão boquiaberta, apertou minha mão de leve e se levantou.

- Adeus, Lynn – ela disse quando chegou à porta – Tenha uma boa vida. - Então suspirou – E mais uma vez, desculpe por tudo.

Fiquei apenas sentada em silêncio, pensando. Depois de algum tempo Castiel e Rosalya voltaram para o quarto, parecendo preocupados.

- O que ela queria? - Rosalya perguntou imediatamente – Ela disse ou fez alguma coisa?

- De certo modo – respondi, ainda pensativa – Ela queria me dar uma coisa.

Rosalya analisou a cesta, fazendo uma careta.

- Brega – ela murmurou para si mesma – Você não pretende comer qualquer coisa que ela te deu, certo?

- Nessa eu concordo com Rosalya – Castiel disse – Ela estava muito sorridente então provavelmente está planejando te envenenar ou coisa do tipo.

Eu sorri, mas me senti triste por dentro. Castiel não falava muito nos últimos dias, e eu sabia que ele estava tentando não demonstrar que ainda se sentia culpado. Fiquei esperançosa de repente. Talvez, pensei, eu possa matar dois coelhos com uma só cajadada.

- Eu não estava falando da cesta – eu disse, fingindo não notar a confusão dos dois – Ei, Rosa, você acha que consegue convencer meus pais a me deixar fazer uma coisa?

Ela estreitou os olhos.

- Depende.

Eu ri, porque ela soava um pouco como minha mãe. Tentei ficar séria de novo.

- Quero visitar o túmulo de Debrah antes de ir para casa amanhã.

Os dois suspiraram.

- Você ainda acha que ela está viva, não acha? - Castiel perguntou.

- Meu psiquiatra disse que é por causa do TEPT – falei inocentemente, evitando a pergunta – Ele disse que vou aceitar com o tempo. E ele concordaria que ver o túmulo dela ajudaria.

Rosalya mordeu o lábio, suspeitando da minha expressão inocente, porque me conhecia bem demais. Então suspirou outra vez.

- Vou ver o que posso fazer.

Encarei Castiel.

- Você vem comigo, não é? - perguntei a ele.

Eu sabia que ele não queria ir ao túmulo da pessoa que acreditava ter matado, mas fingi não saber. Eu precisava que ele viesse comigo para que eu pudesse provar que eu estava certa e tirar aquele peso da consciência dele.

- Ok – Castiel respondeu, forçando o sorriso.

 

No domingo pela manhã o sol estava alto no céu, como se comemorasse minha saída do hospital. Coloquei roupas normais pela primeira vez em muito tempo, finalmente, e saí do quarto usando uma muleta, apenas para ver minha mãe me esperando, chorando de emoção outra vez. A abracei e consegui não chorar com ela quando saí.

Rosalya tinha convencido meus pais a me deixarem passar pelo cemitério antes de ir para casa sob a alegação de que eu precisava de um “encerramento”. Não era mentira, na verdade, porque era exatamente o que eu estava indo fazer.

Castiel sentou em silêncio ao meu lado durante toda a viagem de táxi. Eu segurei a mão dele com força, minha outra mão levando um buquê de flores  – minha mãe insistiu que eu levasse, não pela memória de Debrah, mas pelo sofrimento dos pais dela. Quando chegamos ao cemitério, Castiel me ajudou a descer do carro e me encarou muito sério.

- Tem certeza que quer fazer isso? - ele perguntou.

Hesitei. E se eu estivesse errada? E se minhas conclusões fossem bobagem e a mensagem da mãe de Debrah fosse só loucura de uma mãe triste?

- Positivo – suspirei.

Andamos devagar, por causa da minha perna, e eu ainda estava me adaptando à muleta. Mordi o lábio, nervosa, tentando pensar em como começar aquela conversa.

- Você precisa de uma pausa? - Castiel perguntou quando viu minha expressão séria – Você não devia andar tanto tão cedo.

- Estou bem – murmurei. Ele uniu as sobrancelhas.

- Então no que está pensando? - ele perguntou – Você está com a sua cara de “não sei como dizer isso”.

- Minha o que? - Eu dei risada. Amava o fato de que ele reconhecia minhas expressões depois de tanto tempo – Como se eu não soubesse como dizer o quê?

- Isso é você que tem que me contar – ele riu também – Geralmente algo muito complicado, ou que não vai me deixar feliz.

Fiquei séria outra vez. Ele esperou em silêncio enquanto andávamos pela grama bem cortada, entre as lápides bem polidas e cheias de flores.

- Quando estava no hospital – disse finalmente – eu vi a ficha médica de Debrah.

- Algo que não vai me deixar feliz, então – ele resmungou, mas eu balancei a cabeça.

- Você não entendeu. Ela tinha uma ficha, não de entrada no necrotério, mas da entrada na emergência. Você sabia que ela estava viva quando a tiraram das pedras?

Castiel parou de repente, quase me fazendo cair, pois estava me apoiando nele.

- Não, não estava. Ninguém poderia sobreviver…

- Mas ela sobreviveu – falei calmamente – você disse que viu quando a tiraram das pedras. Não viu os paramédicos correndo para ela?

- Eu estava focado em você – ele disse, unindo as sobrancelhas – não prestei tanta atenção. Mas lembro de ouvir alguém falando sobre levar o corpo para o IML…

- Provavelmente o de Bia. - falei. Ele pareceu confuso.

- Pra ser sincero… tinha me esquecido dela.

- Debrah deu entrada na emergência, tipo, cinco minutos antes de mim – contei, recitando a ficha dela de memória. Tinha lido várias vezes nas noites em que estava sozinha no hospital e não conseguia dormir – e, como você disse, foi bem ruim. Ela quebrou os braços, pernas e algumas costelas. Como ela caiu sobre as pedras e o solo era irregular, ela não bateu a cabeça diretamente pra sofrer um traumatismo.

- Ainda assim…

- Mas ela bateu a parte de trás da cabeça – continuei como se ele não tivesse me interrompido – Ela teve um trauma grave entre as vértebras C1 a C4. Basicamente, não apenas as vértebras se estilhaçaram, mas também a medula espinhal foi danificada permanentemente, sem mencionar os danos na artéria basilar e no tronco encefálico. É essa região aqui – falei, tocando a parte de trás do pescoço dele até a base de sua cabeça – Dei um google. É a parte do sistema nervoso que controla todas as funções motoras, desde braços e pernas até o movimento do maxilar que usamos para mastigar e falar.

- Então, se ela sobrevivesse, ficaria paraplégica? Ou pior, em estado vegetativo?

- Pior que isso – respondi em tom sombrio – A ficha indicava que, se ela sobrevivesse, ela ia ficar sob a Síndrome de Encarceramento. É uma síndrome onde o paciente está completamente consciente e pensa normalmente, mas é incapaz de falar ou de se mover de qualquer forma, exceto pelo movimento dos olhos. Você entende? Significa que ela ainda seria Debrah, ciente de tudo, vendo e ouvindo o mundo ao seu redor, mas estaria presa em sua própria mente, incapaz de reagir ou se comunicar.

Castiel ficou em silêncio. Dei a ele um momento para processar a ideia, então continuei.

- Ela foi declarada falecida às 3:04 da manhã, pouco mais de duas horas depois de chegar no hospital. A parte estranha é que, de acordo com o atestado de óbito, a causa da morte foi hemorragia interna, causada pelas costelas quebradas que teriam perfurado um pulmão. Quero dizer, com todos os danos ao sistema nervoso, a causa da morte foi hemorragia.

Castiel balançou a cabeça.

- Estou vendo pra onde isso vai – ele disse exasperado – Você quer me dizer que ela não morreu na queda, mas ela morreu no hospital, e a culpa ainda foi minha.

- Não – falei – Não é o ponto...

- Então o que – ele me interrompeu de novo – Você acha que ela escapou um destino pior do que a morte?

- Não sou a juíza do que ela merece ou não…

- Mas esse é o ponto! Eu sei o quanto ela era horrível e estou feliz por ela não poder te machucar mais, mas não é isso que me incomoda. O problema é que eu não quero ser um assassino! E é tarde demais para…

- Quer me deixar terminar? - falei em um tom agudo e irritado. Ele ergueu as sobrancelhas, mas se calou. Suspirei, então continuei com a mesma voz calma de antes – Quando ela… morreu, eles preencheram um monte de formulários que colocaram na ficha dela, incluindo objetos pessoais e roupas que ela tivesse com ela, pra poder devolver tudo pra família depois, entende.

Ele assentiu e eu fiz uma pausa. Essa era a parte complicada.

- Dentre os itens que estavam com ela – falei lentamente – eles listaram uma corrente com um pingente prateado com pedrinhas roxas.

Castiel parou de súbito outra vez. Desta vez eu estava preparada e me apoiei na muleta.

- Mas… não – ele me soltou e se virou para me olhar nos olhos – Lynn. Eu perguntei aos pais dela sobre o colar. Foi um momento horrível então eu lembro bem. Eu perguntei especificamente se eles encontraram o seu colar com ela. E eles disseram que não.

Eu sorri, o que o deixou mais confuso. Puxei o braço dele e fiz com que continuasse andando.

- Desde que eu acordei e você me disse que ela estava morta, algo que ela me disse ficou preso na minha cabeça: Ela disse que subestimamos o amor dos pais dela por ela. Ela falou isso para explicar como se livrou da cadeia. Porque mesmo sabendo o que ela fez, eles a amavam demais para permitir que ela ficasse longe deles. A vida dos dois girava em torno dela. Eles parecem pais que perderam sua única filha e razão de viver pra você?

Castiel ponderou.

- As pessoas reagem de formas diferentes ao luto.

- Verdade – concordei – E ainda assim, eu aprendi minha lição. Eu não subestimaria o quanto os pais dela a amam.

Contei as lápides e vi que estávamos muito perto da de Debrah. Diminuí o passo.

- Eles a amariam o suficiente para forjar sua morte. Seria o plano perfeito para evitar que ela fosse presa por tudo que fez. E, claro, agora eles sabem do que ela é capaz, e estão visivelmente mal com isso, então não a livrariam numa boa se achassem que ela pode sair por aí pra fazer tudo de novo. A não ser que ela estivesse tão debilitada que eles tivessem certeza que eles poderiam se trancar em casa com ela, sem se preocupar com uma fuga dela.

Analisei a expressão de Castiel. Ele estava olhando para baixo, pensativo, e eu soube que ele estava começando a considerar a hipótese.

- Eles não conseguiriam esconder por muito tempo.

- Conseguiriam – respondi – se saíssem da cidade, como estão prestes a fazer. O pai dela mencionou que eles tem dinheiro suficiente guardado para parar de trabalhar. Eles poderiam muito bem se esconder em um lugar onde ninguém os conhecesse, onde pudessem tomar conta de Debrah, sozinhos. Porque nesse estado ela realmente ia precisar que cuidassem dela.

Finalmente, vi a sepultura de Debrah logo à nossa frente. Havia uma cruz simples de pedra, com uma lápide  onde se lia seu nome, datas de nascimento e morte, e onde deveria estar o epitáfio, havia apenas as palavras “Filha Adorada”. Me virei para encarar Castiel antes que chegássemos mais perto.

- Quando vi o colar na lista de itens pessoais de Debrah, Perguntei às enfermeiras sobre ele. Uma delas se lembrava dele pois havia entregue os itens para a mãe de Debrah e quando viu o colar, comentou como era bonito. E a mãe de Debrah respondeu que era o favorito de Debrah. E que eles pretendiam enterrar Debrah com ele.

- Ela deve ter visto Debrah usando o pingente – Castiel murmurou, meio que para si mesmo – E com certeza viu quando eu tirei do pescoço dela para devolver a você.

- Ela devia achar que Debrah ia querer ficar com ele – murmurei.

Puxei Castiel na direção da sepultura. Quando faltava pouco, larguei da mão dele e andei os poucos passos sozinha.

Sorri. Eu não sabia bem o que esperava quando decifrei a mensagem da mãe de Debrah, mas desde que pisei no cemitério uma parte de mim sabia o que seria, como se eu ouvisse um chamado.

Pendurado na cruz de pedra, reluzindo com a luz do sol, estava meu colar, o pingente balançando levemente apesar de não haver brisa.

Me abaixei e tirei o colar delicadamente da pedra. Havia tanto significado naquela pequena guitarra prateada que eu fiquei sem palavras por um momento.

Castiel estava sem palavras, também, mas por razões distintas.

- Eu… eu não entendo. Como você sabia? Quero dizer, por que a mãe de Debrah daria isso a você?

- Ela não daria – respondi, ainda encarando o pingente – Debrah daria.

Encarei-o.

- Foi isso que a mãe dela foi fazer ontem, no hospital. Me dar uma mensagem. Ela não podia me dizer diretamente que a filha dela estava viva, porque ela não poderia ter certeza que eu não contaria a alguém e colocaria ela e o marido em problemas. Então ela sentou lá e ficou falando comigo sobre Debrah, sobre como éramos parecidas, como eu a entendia melhor que ninguém, e como nós merecíamos um troféu por tudo que ela nos fez passar. Ela trouxe a mensagem de Debrah, porque Debrah sabia que eu ia entender. Pensamos igual.

Castiel fechou os olhos por um momento e suspirou, irritado, lutando com a ideia.

- Se ela está viva, como poderia mandar uma mensagem? Você disse que ela é incapaz de se mover.

- O Stephen Hawking também é e continua escrevendo livros – respondi – Eu disse, a única coisa que pacientes dessa síndrome conseguem mover são os olhos. Assim eles conseguem se comunicar, ainda que precariamente.

Castiel ficou quieto, então continuei falando.

- Sabe o que é mais interessante – comentei – É que se você parar pra pensar, você me salvou de um destino parecido. Se eu tivesse caído com ela, provavelmente nosso peso combinado seria o suficiente para esmagá-la. E como eu estaria em cima dela minhas lesões seriam menores, mas eu provavelmente acabaria em uma cadeira de rodas. Só projetando, claro. Nunca saberemos.

Castiel balançou a cabeça. A voz dele ainda era cética quando ele falou:

- Então… ela só queria te devolver o colar?

- É mais pelo que o colar representa – respondi, sem me abalar pelo tom de voz dele – Você não entende?  Debrah queria que eu soubesse que ela, também, sabe muito bem qual é a situação dela. Ela não pode nem falar nem se mover de nenhum modo. Ela tem todos aqueles pensamentos ainda, e não pode agir de acordo com nenhum deles. Aposto que me trazer esse colar foi o único pedido que a mãe dela aceitou conceder. Ela tem de viver escondida, em silêncio, um segredo do resto do mundo, dependendo do amor de outras pessoas até pra respirar. É basicamente o pior pesadelo dela. Agora, se eu estivesse no lugar de Debrah? Eu desistiria desse jogo infernal, também. E deixaria que ela soubesse disso, em consideração a tudo que passamos até agora. Em consideração à amizade que nunca conseguimos ter.

- É uma rendição, então?

- O tempo da rendição acabou. – falei, balançando a cabeça – É literalmente um troféu.

Castiel ficou muito quieto, encarando o colar na minha mão por um tempo. Ele parecia finalmente ter aceitado que eu não estava imaginando coisas.

- Então… quem está enterrada ali? - ele apontou com a cabeça para a sepultura.

- Provavelmente uma boneca, um manequim – falei, dando de ombros – os pais dela queriam que a história fosse crível, e um caixão fechado, sem sinal dela, não convenceria ninguém que a conhecesse.

- E ela nunca mais vai poder se mover?

- Talvez – falei devagar – Eu pesquisei bastante esses dias. Com o tempo ela pode conseguir comer e respirar sozinha de novo. Mas os dias de jogar carros nas pessoas ou persegui-las com armas acabou.

Ele suspirou, tentando esconder seu alívio. Eu ri.

- Pode me ajudar com isso? - pedi.

Ele pegou o colar das minhas mãos e colocou em meu pescoço.

- Agora – falei, me virando para ele assim que ele fechou o colar – Assunto sério.

Castiel me encarou em choque, surpreso que algo pudesse ser mais sério do que tudo que discutimos até então.

- Você andou falando pras pessoas que é meu namorado?

Castiel ergueu as sobrancelhas e começou a gargalhada.

- É sério – falei, mantendo a expressão neutra – eu nunca disse que íamos reatar. Não tínhamos decidido nada quando fui sequestrada.

Ele parou de gargalhar, mas continuou sorrindo ao passar os braços à minha volta delicadamente.

- Eu nunca disse nada – ele respondeu – Eu só estava por perto o tempo todo, com expressão preocupada, e as pessoas só presumiram isso.

- E você não as corrigiu – provoquei.

- Eu estava mais preocupado com o fato de que você estava em coma. Estava esperando que pudéssemos discutir isso depois que você acordasse.

Castiel me encarou em expectativa. Parecia, de repente, bem idiota continuarmos separados. Não só por tudo que tínhamos passado, mas também porque era óbvio para qualquer um que nos pertencíamos. E se sabíamos que sempre voltaríamos um para o outro, não havia motivo para negar mais.

- Quero namorar você de novo – falei devagar – mas tenho algumas condições.

Ele assentiu solenemente.

- Tudo que você quiser.

- Fizemos tudo ao contrário da outra vez – falei – no nosso relacionamento. Nos pegamos, depois resolvemos namorar e só muito mais tarde começamos a conversar de verdade. Sei que não é sua parte preferida, mas conversar é importante às vezes. Não dá pra resolver tudo com sexo.

- Podemos conversar até nossos ouvidos sangrarem – ele assentiu novamente.

- E não me entenda mal – continuei devagar, passando um dedo pelo contorno do zíper da jaqueta dele – mas eu quero ter encontros de verdade. Ir em cinemas e shows, até piqueniques. Não só ir pra sua casa pra transar a noite inteira.

- É tão ruim assim? - ele provocou.

- É maravilhoso – falei, rindo – mas não é a única coisa pra se fazer no mundo. E quero ter memórias com você que a gente possa contar pros nossos netos.

Castiel emudeceu e desviou o olhar do meu, piscando rápido. Baixei a cabeça, só então percebendo o que eu dissera. Ele ergueu meu queixo delicadamente e me fez encará-lo.

- Fechado – respondeu apenas, sorrindo. Eu sorri e ele aproximou o rosto do meu – Posso dizer que você é minha namorada, agora?

- Eu ia amar isso – respondi.

Castiel me beijou. Delicadamente a princípio, e então com a paixão que me lembrava. Eu não podia abraça-lo direito por causa da muleta, mas o puxei pela jaqueta com a mão livre e correspondi o beijo com tudo que tinha.

Paramos apenas quando o ar acabou. Eu sorri, olhando nos olhos dele, me sentindo ótima apesar de tudo.

- Vamos – ele disse, deixando de me abraçar para segurar minha mão – Tenho que te levar pra casa. - me virei para irmos, mas ele me parou, encarando minha outra mão – o que vai fazer com isso, afinal?

Olhei para baixo. Na mão com que segurava a muleta, estava ainda segurando o buquê de narcisos minha mãe tinha me feito levar. Tinha pensado apenas em jogá-lo fora, mas agora não parecia certo. Pensei na corrente em meu pescoço e em como era um símbolo de rendição, uma bandeira branca. Se Debrah era capaz de acabar aquela guerra, eu também tinha que ser.

Soltei da mão de Castiel e caminhei de volta para a sepultura, imaginando que a mãe de Debrah provavelmente voltaria ali depois para ter certeza que o colar se fora. O buquê tinha vindo com um cartão em branco, que não tive paciência de explicar para a vendedora que não era necessário. Abri minha bolsa, que havia pendurado no apoio da muleta, e peguei uma caneta jogada lá, apoiando o cartão contra as flores e pensando no que escrever.

“Sinto muito por você. E estou deixando tudo isso para trás.”

Não era exatamente um perdão, mas era o melhor que eu podia fazer. Coloquei o cartão entre os narcisos e depositei o buquê junto à lápide branca. Então caminhei de volta para Castiel, me sentindo mais leve do que me sentira em muito tempo.

- Vamos – falei, alcançando a mão dele de novo – Eu acho que seria capaz de matar alguém por um prato de comida decente.

- Escolha interessante de palavras. - ele riu.

Comecei a gargalhar, então notei o olhar dele. Castiel me encarava como se nunca tivesse visto nada mais lindo no universo, e eu me senti corar como fazia quando ele ainda me chamava de tábua e flertava comigo logo que nos conhecemos.

- O que foi? - perguntei, tímida.

- Nada. Eu já te disse hoje? Eu amo você.

Sorri feito uma idiota.

- Amo você também. - respondi. Então puxei a mão dele para que fosse mais rápido. - Agora, vamos. Estou andando mais rápido que você, e olha que estou usando uma bota ortopédica!


Notas Finais


Planejei agradecer comentário por comentário, mas eram muitos. Planejei fazer um vídeo, mas não ficou legal.
No fim das contas, nada era bom o suficiente para agradecer vocês. Esses três anos foram incríveis e os comentários de vocês salvaram muitas vezes minha inspiração, minha sanidade, minha vontade de escrever e até minha vida.
Tenho mil coisas pra falar e não lembro hahaha

(Em tempo: a wild playlist appears!
https://www.youtube.com/playlist?list=PLplye5NhV9zjfeknbyjQnt40A1GT7GaKS )

A fanfic acaba aqui, do jeitinho que eu imaginei a história. Nunca pensei quando comecei a rascunhar ela lá atrás, que ficaria desse tamanho - literalmente e figurativamente. Era pra ser uma one shot com o primeiro beijo da Docete e do Castiel, e acabou virando nisso. Hoje eu sinto que esses personagens são um pouquinho meus também. A Chino fez AD, mas eu tenho muito orgulho da minha Lynn, do meu Castiel e da minha Debrah.

A quem queria um livro: dificilmente vai rolar. Vou, no entanto, tentar. O que preciso é da permissão da Chinomiko, e vocês sabem que dificilmente ela vai dar. Mas vou pedir mesmo assim, contando com todos vocês que disseram "transforma num livro que quero na minha estante!"

E isso não é um adeus, gente. Vai ter outras fanfics? Vai, mas vai demorar - tenho um monte de projetos originais pausados por causa da fic. Mas tenho facebook, tumblr e agora um blog só pra poder manter quem quiser saber da minha vida atualizado hahaha

Facebook
https://www.facebook.com/priscila.boltao

tumblr
http://pribunny.tumblr.com/

blog
https://alot2sayblog.wordpress.com/

E... é isso. Mais uma vez, muito, muito, muito obrigada por tudo - pelos três anos, pelos elogios, pelos pedidos de postalogopelamordedeus, pelos 3mil favoritos e pelo carinho de vcs. Nunca consegui acreditar que algum dia alguém ia ser fão de qualquer coisa que eu fizesse pq nunca acreditei em mim, mas vocês me ajudam a acreditar <3

Té logo, fico por aqui pra não chorar :')


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