História Verdade ou desafio - Capítulo 33


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amoppk, Amor, Camcy, Camren, Fuder, Hot, Laucy, Lesbicas, Oneshot, Yuri
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Palavras 4.973
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Hentai, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Survival, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 33 - Capítulo IX


Fanfic / Fanfiction Verdade ou desafio - Capítulo 33 - Capítulo IX

***Jena on***

Passei o dia junto a Marcus e Lucas procurando por Jasmi até nos ligarem avisando que ela estava em casa. Tinha que ser minha irmã gêmea, acabou ficando bêbada a noite toda, sempre soube que ela era fraca para bebidas.

Nós três vamos para um hotel qualquer em uma estrada. É o último dia de Lucas na cidade antes de ele voltar, e queríamos aproveitar o momento juntos e sozinhos. É difícil um namoro com três pessoas, mais difícil ainda quando uma delas mora em outra cidade. Nós entramos no quarto do hotel. É simples mas aconchegante, da pra ver a estrada do outro lado da janela do quarto enquanto acontece o por do sol.

-Querem assistir algo? - Marcus pergunta nos encarando após ligar a TV.

-Qualquer coisa está bom - digo e encaro o loiro.

-Pode ser - fala sorrindo. Lucas é a coisa mais fofa do mundo quando sorri. O garoto vem até mim e beija minha testa - Eu vou descer pra comprar bebidas - diz e logo beija a testa de Marcus também - não queimem o quarto enquanto estou fora - nós três rimos. O maior deixa uma bolsa preta grande para trás em cima da mesa e vai em direção às escadas.

 Tanto eu quanto Marcus sabemos que ele não irá apenas comprar bebidas, o loiro anda estranho e com alguns telefonemas suspeitos, além de que está mais próximo de Alice, o mais surpreendente de tudo, porque os dois se odeiam. Na verdade é difícil encontrar alguém que Alice não odeie ou não tenha alguma briga no passado.

Eu a conheço desde que entrei no colégio Winchester, há cinco anos atrás, e desde aquela época as pessoas já me avisavam para ficar longe da morena. A garota sempre tinha segredos de todo mundo mas ninguém sabia nada sobre ela, aprendi a manter certa distância com o tempo, mas depois que Jasmi começou a namorar ela comecei a perceber que Alice não é tão ruim quanto achei que fosse, talvez ela só estava tentando sobreviver do jeito dela nesse mundo injusto. Mas mesmo assim por algum motivo Lucas não se deu muito bem com ela, fico pensando se ela descobriu algum segredo dele, eu acho isso quase impossível, o loiro é o garoto mais santo e fofo que já conheci, não consigo pensar em algo que lhe prejudicaria, muito menos em um passado que ele tenta esconder. Eu quero dizer... Se ele tivesse algum segredo eu já saberia não é? Nós estamos namorando e honestidade é um ponto necessário para continuarmos.

Estou com medo por Lucas, sei que ele está em um momento difícil e o pior de tudo é saber que eu não posso fazer nada. Algumas horas se passam, eu e Marcus desistimos de esperar e vamos assistir a "O quarto de Jack" na TV. Já assisti esse filme umas mil vezes, mesmo sendo emocionante fico em um tédio profundo olhando para a porta esperando Lucas chegar. Eu só quero passar a noite ao lado dos dois, não que eu seja safada... Ok... eu sei que eu sou, mas é pedir muito transar de vez enquando?

Acabo me irritando e ligo para o loiro, uma, duas, três vezes, ele não atende. Começo a ficar preocupada com o que poderia ter lhe acontecido, cutuco Marcus o fazendo parar o filme.

-Lucas não volta, nem atende o celular - digo, o moreno passa um braço pelos meus ombros.

-Calma, ele deve ter se perdido no caminho - fala e me dá um beijo na testa - Você quer que eu vá atrás dele?

-Sim - sussurro o abraçando querendo carinho, o maior me beija mais uma vez e se levanta.

-Eu já volto - ele diz e pega no celular mais uma vez, tentando ligar para o garoto e sai do quarto.

Pronto, fico sozinha, de novo. Bufo. 

Me levanto e vou pegar a bolsa que Lucas deixou, ele havia dito que tinha comprado comida antes e minha barriga já está roncando. A abro, o que vejo dentro me surpreende e abro um sorriso fofo. Vejo duas caixas transparentes com rosas vermelhas dentro, uma caixa enorme de bombom mais duas cartas.

Eu não deveria ter descoberto isso. Provavelmente Lucas iria fazer alguma surpresa e por isso estava demorando. Sorrio mais ainda. 

Volto a me sentar no sofá, observo o quarto de hotel tentando matar o tempo, pego meu celular de vez enquando pra checar as mensagens. Eu tento, eu juro que tento não pensar no que poderia estar escrito naquelas cartas, mas... Droga eu sou muito curiosa.

Me levanto em um salto indo em direção a bolsa, olho para trás tendo certeza absoluta que ninguém táva me olhando (o que não faz nenhum sentido porque eu estava sozinha no quarto), retiro as cartas, observando uma com o meu nome alaranjado, eu amo essa cor. Meu sorriso já está enorme.

Abro a carta observando a letra de Lucas, acho que aquilo que dizem de letra de médico ser um garranjo realmente não era brincadeira, Lucas não é médico mas já está terminando a faculdade de medicina, então eu conto como médico. Me esforço um pouco para entender a letra e encosto na mesa enquanto leio. 


"Jasmi Martins.

Você foi uma pessoa muito importante na minha vida, mas é hora de dizer adeus. 

Eu não quero que se machuque e por isso vou ser direto e sincero com minhas palavras. Eu nunca senti o mesmo que você sente por mim, por mais que eu tente, não consigo.

Eu passei seis meses longe de você, foram seis meses fáceis, mas daí eu voltei, tentei me apaixonar na mesma intensidade que você se apaixonou por mim, mas não importa o que eu fazia era inútil. Teve uma hora que eu percebi estar te iludindo, eu não sou uma pessoa assim, não gosto de machucar as pessoas. Por favor entenda, eu sei que você terá um futuro muito mais feliz ao lado de Marcus, pelo menos não vou atrapalhar mais seu relacionamento com ele.

Me desculpe por tentar ser quem eu não sou.

Me desculpe por mentir. 

Me desculpe por tudo.

                               Lucas Morgan."

As lágrimas já preenchiam cada parte de mim. Isso não pode ser verdade, não pode, simplesmente não aceito que o mesmo Lucas que estava agora pouco sorrindo para mim tenha escrito isto.

Por causa do choque deixo a folha cair de meus dedos, fico encarando a parede com a boca aberta e os braços caídos, minha mente não consegue processar tudo. O que eu fiz? 

O QUE EU FIZ PRA MERECER ISTO? 

De um impulso eu surto jogando tudo pro alto. "Ele me iludiu!". As almofadas, os vasos, os objetos jogo nas paredes com uma raiva me preenchendo. "Ele mentiu para mim". Eu grito e rasgo o papel em vários pedaços. "Lucas... meu doce Lucas...". Sou interrompida quando alguém entra a força no quarto. Só tenho tempo de me virar e ver Lucy me encarando antes de desabar no chão chorando muito. 


***Jena off***

***Marcus on***


O filme estava interessante, mas tive que sair após também perceber que Lucas estava demorando muito para voltar. Ligo várias vezes em seu celular mas só dá ocupado.

Desço as escadas encontrando a recepcionista que me dá um pequeno sorriso, sorrio de volta para a moça e saio do local. Já estava de noite, a estrada onde passavam caminhões enormes e alguns carros de viagem já parecia mudar de cor, do cinza para o preto. Respiro fundo quando a última chamada é desligada. Entro dentro do carro indo em direção ao bar mais perto. Lucas disse que iria comprar bebidas então é o primeiro lugar que vou procurar. É um pouco mais longe do que eu imaginei, pelo fato de estar no final da cidade as coisas aqui são bem distantes uma das outras. Mas o que eu mais acho estranho foi o vendedor falar que não viu nenhum "loiro, bonitão de vinte e um anos". Volto para o carro sem saber onde procurar, até que eu tenho uma idéia maluca. Ligo para Alice. Talvez os dois estejam juntos de novo, embora eu esteja achando a relação recente deles extremamente estranha vou na sorte pra ver se consigo algo. Nada. Da na caixa postal. 

Droga, ninguém mais usa celular hoje em dia? 

Entro dentro do carro e dirijo até a casa dos Martins, Alice disse que iria para lá quando soubemos que Jasmi estava bem e em casa. Se eu estou procurando a morena pelo menos sei onde a achar. 

Chego no beco onde está a casa, ela está em reforma pela primeira vez desde que conheci Jena, há mais ou menos cinco anos atrás. Estão construindo um novo quarto para o bebê de Lauren, o jardim também está vivo pela primeira vez assim como as paredes não estão descascando pela primeira vez.

Bato na porta algumas vezes. Quem abre é Camila.

-Oi Mila - digo - Lucas passou por aqui? - é a primeira coisa que pergunto.

-Não - ela diz e arqueia uma sobrancelha.

-Alice está? 

-Sim... mas... - ela olha para o chão - ela está com a Jasmi no quarto, acho melhor não atrapalhar - fala.

-Está tudo bem? 

-Eu não sei... - Camila sai da casa e fecha a porta atrás de si - Jasmi está estranha, eu e Lauren vimos alguns hematomas nela mas não falamos nada, talvez tenha acontecido mais do que apenas bebidas esta madrugada - diz. Fico de boca aberta.

-Ela não quer falar? - pergunto. Camila nega.

-Até agora não falou nada pra ninguém, nós também não vamos perguntar pra respeitar o espaço dela... melhor assim - fala.

-Por que?

-Porque se ela não quis contar então é melhor não invadirmos o espaço pessual dela - fala - mas preciso que você fique de olho nela, não espiona-la, apenas cuidar mais dela até a Jasmi se sentir a vontade pra falar.

-Pode deixar - digo e desço os dois degraus que levavam até a porta da casa, antes de sair me viro para a menor - devo guardar isso em segredo?

-Diga a Lucas e Jena, apenas eles - ela fala e adentra novamente a casa.

Me pergunto o que aconteceu com Jasmi, mas Camila tem razão, é melhor não invadir o espaço pessual dela. Talvez não seja nada. Ou talvez tenha arranjado briga que nem aconteceu comigo ontem, ou talvez ela nem se lembre por estar bêbada e por isso ainda não contou nada.

Eu entro no carro e já vou dar a partida até que vejo algo que eu não esperava, o carro de Lucas estava do outro lado da rua. O loiro pousava a cabeça no volante enquanto segurava o mesmo, parecia aflito e pensativo ao mesmo tempo. Saio do meu automóvel indo até ele, bato de leve no vidro dando um grande susto no garoto.

-Como me encontrou? - pergunta enquanto abre a porta.

-Palpite - digo e lhe dou um selinho, o loiro rejeita na hora me fazendo de bobo. Arqueio uma sobrancelha e o encaro - Você ainda não leu? - pergunta.

-Ler o que? - respondo com outra pergunta. Ele respira fundo e parece pensar, passa as mãos no bolso enquanto encara o chão e cora de leve.

-Entra no carro Marcus - diz abrindo uma porta para eu entrar. Fico por um tempo o observando. Quando eu digo que foi por um tempo eu não estou exagerando - Marcus eu vou embora - o loiro diz finalmente.

-Embora? - pergunto - eu sei... Por isso que a gente ia aproveitar o último dia...

-Não Marcus - ele me interrompe - eu vou literalmente embora, eu não vou mais voltar - fala. O encaro por um tempo sem entender absolutamente nada do que ele diz.

-Do que você está falando? - indago. Ele sorri fraco e passa os dedos pelo meu rosto, desce pelo meu tórax e finaliza colocando a mão sobre o colo novamente. 

-Eu estou terminando o namoro - diz. Abro a boca em choque.

-O-o-o q-q-que? - engasgo tentando pronunciar algo. Lucas olha para mim com dó. 

-Desculpa, eu deixei uma carta pra você, mas você ainda não leu, expliquei tudo lá. - diz e olha para fora do carro, sigo seu olhar vendo Alice e Jasmi saindo da casa, a ruiva ainda de pijamas praticamente sendo arrastada para o carro. Volto a olhar Lucas, ele não tirava os olhos do que via, parecia hipnotizado, até que o carro virou a esquina e percebi uma lágrima escorrendo de seu olho - me desculpa - diz com uma voz de choro, abre a porta saindo logo em seguida e me puxando para fora do carro, em nenhum momento o garoto olha em meus olhos, estou em choque e por isso não consigo fazer nada até sentir algumas lágrimas escorrerem pelos meus olhos.

Não. Homens não choram! Para Marcus! Você não vai sofrer por um imbecil desses!

-Lucas - falo chamando a atenção do mesmo, não sei o que dizer, olho para o chão procurando palavras, no final não encontro nenhuma, até lembrar do que Camila disse - a Jasmi... Ela está com problemas - é a única coisa que consigo dizer.

Limpo meu rosto com a costa da minha mão observando o loiro voltar ao banco do motorista e dar partida. 

-Eu sei - fala encarando o horizonte - ninguém pode fazer nada - o garoto então diz uma última frase - Todos  que eu amo se machucam - fala e da partida. Observo o carro pegando distância, não faço nada. Não sei o que ele quis dizer com isso, prefiro não entender. Eu não sei se conseguiria fazer algo. Caio de joelhos no chão e coloco meu rosto entre minhas mãos, chorando como um bebê. 

Foda-se que homens não choram! Foda-se tudo! Meu Lucas não está comigo! Meu amor me deixou em um beco abandonado para chorar sozinho. 

Abraço a mim mesmo enquanto ando para o meu carro, entro no banco de trás deitando ali e deixando que as lágrimas rolassem. Eu não queria que alguém visse meu lado frágil. Ali fico por horas (ou pelo menos parecem horas) soluçando e tentando achar um motivo para ter sido deixado para trás. 


***Marcus off***

***Lucy on***


Preparo as coisas para ir embora, já estava farta dessa cidade. Mesmo preocupada com Jasmi sei que não posso fazer nada. Já lhe dei a pílula do dia seguinte hoje quando ela acordou no meu quarto, embora eu ache que ela nunca sequer menstruou. Acho que esqueci de contar para que era aquele remédio, mas tudo bem. As coisas nessa cidade me tiraram do sério, a partir de agora deixo Jasmi nas mãos de Alice, a nova namorada dela.

Eu ainda não acredito que ela consiguiu me trocar tão facilmente, durante o tempo em que estava fora eu passei dias e noites vagando em memórias de quando namorávamos, fiz até planos para fugir de lá e ir para os braços da minha doce Jasmi, passei muitas madrugadas pensando nela, em seu sorriso, em como eu o destruí, aquilo doía mais em mim do que algum dia poderia doer nela, eu não tinha escolha, era o melhor para ela, mesmo não sendo o melhor para mim, eu não ligava para o meu futuro, eu só queria que ela fosse feliz, mesmo que fosse com outra pessoa, porque sabia que se fosse comigo Jasmi iria sofrer muito.

Mesmo pensando dessa forma eu voltei, acho que ainda tinha esperanças de que ela estaria esperando por mim, mas ela fez exatamente o que eu queria que ela fizesse; seguiu em frente, achou outra felicidade que não fosse eu. Sinto uma lágrima solitária descer pelo meu rosto, a limpo com a costa da minha mão e coloco a mala no táxi que eu havia chamado. As coisas estão uma merda em casa, gostaria de demorar mais um pouco antes de voltar, mas infelizmente não tenho onde ficar e meu dinheiro já era. Estou pronta para entrar no carro até que ouço um grito vindo de dentro do hotel, não alto, mas da para perceber que é de angústia e agonia. Volto para dentro do local pedindo ao motorista esperar mais um pouco, como o moço estava comendo um sanduíche nem se importou de esperar. Entro no local encarando a recepcionista, ela está tão perdida quanto eu, aceno com a cabeça dizendo que vou checar o que aconteceu. Nesses dias que passei nesse hotel acabei fazendo amizade com ela. Subo as escadas, ouço um barulho de algo sendo quebrado então o sigo, paro em um corredor sem saber para onde ir, ouço mais um barulho de alo caindo, bato na porta com o ombro mesmo, uma, duas vezes até abrir na terceira. O que vejo me surpreende.

Vejo uma versão um pouco diferente da minha querida Jasmi, caída sobre o carpete olhando o teto, muitas lágrimas em seu rosto, dois vasos quebrados ao seu lado além das outras coisas bagunçadas pelo hotel. Eu vi Jena apenas duas vezes antes de terminar o namoro com Jasmi, as vezes eu chegava a confundí-las, mas eram pequenas e extremamente parecidas, não que agora não sejam parecidas, é só que eu me familiarizei tanto com Jasmi que mesmo Jena sendo idêntica a ela não possui o mesmo efeito que minha Jasmi me causa.

Dou alguns passos hesitantes para perto da ruiva, pelo fato de ter forçado a abrir a porta com o ombro percebo um choque percorrer meu braço esquerdo. Chego perto da garota e agacho ao seu lado.

-Precisa de ajuda? - pergunto, ela estava me observando todo esse tempo mas não disse nada. Se vira de barriga para baixo no chão mesmo e se cala totalmente.

Percebo um papel caído ao seu lado, o pego e começo a ler apenas por curiosidade. Seja lá o que for alguém terminou com a Jena, um tal de Lucas Morgan, deve ser o loiro ou o moreno que arranjou briga na festa de ontem, ambos estavam com ela.

Como Jena não me responde eu me levanto e arrumo as coisas do quarto, com certa pressa porque o taxista estava me esperando. Quando já estava tudo preparado pego as duas bolsas que encontro e as desço, colocando no porta malas, volto ao quarto e vejo Jena abraçada aos próprios joelhos, chorava muito e amassava o papel na mão. 

-Hey Jena - digo tocando em seu ombro, como reação a garota olha para mim com certo ódio - eu estou aqui para ajudar, juro - digo e pego em sua mão, Jena a puxa e se afasta de mim - Por que todo mundo acha que eu sou a vilã aqui? - pergunto mais alto do que pretendia.

-Talvez pelo que você tenha feito com minha irmã? - ela responde com outra pergunta - e por que merdas tu está nesse hotel? Está me seguindo por acaso? - a garota limpa as últimas lágrimas que havia deixado cair, sua expressão de fúria. 

-Eu me hospedei neste hotel há alguns dias - falo - só vim ajudar... mas caso não queira - chego perto da ruiva, em um movimento rápido a seguro em meus ombros, ficando com a cabeça do lado de trás e a bunda ao lado da minha cabeça. A garota de debate muito enquanto desço com ela em meu ombro, pelo fato de já ter feito isso com Jasmi inumeras vezes eu sei o que fazer, acho que a teimosia é passada pela genética dos Martins. 

Dou uma pequena quantia a recepcionista pagando pelos vasos quebrados. Saio do hotel com Jena me xingando até de nomes que eu não sabia que existiam, a coloco no banco de trás e sento do lado do motorista.

-Dia difícil? - ele pergunta, sorrio e olho para trás vendo a cara emburrada de Jena.

-Sim - falo e logo depois passo o endereço dos Martins, eu sei onde é só porque fui no chá de bebê da Lauren que foi na casa da família dela.

Não que eu tenha decorado o endereço da minha ex... Magina...

O moço chega no local quase uma hora depois, sim, uma hora, o maldito pneu furou e tivemos que esperar pelo concerto. Por incrível que pareça Jena não surtou nesse meio tempo, ela só se encostou na porta do automóvel e ficou lendo e relendo aquela carta estúpida. 

Assim que chegamos vejo um carro estacionado, peço para o motorista esperar um pouco enquanto tiro as bolsas que estavam no quarto de Jena no hotel. 

-O que aconteceu? - ouço a voz de Lauren atrás de mim enquanto tiro as bolsas, Jena sai do táxi com uma cara nada boa enquanto segura o choro, Lauren corre na mesma hora para a ruiva - Jena, você está bem? - pergunta, a menor apenas faz que sim com a cabeça e começa a andar em direção a casa.

-JENA! - ouço uma voz masculina.

-Quer ajuda aí? - ouço Camila e me viro dando de cara com a morena, ela estende o braço e pega as bolsas pretas que estavam comigo, agradeço a ela e volto ao táxi, mas antes de entrar vejo Jena abraçada com um moreno alto e musculoso. Me pergunto quem é ele mas não digo nada. Entro no carro dando as coordenadas da minha cidade onde meus pais estão esperando e assim o motorista da partida.


***Lucy off***

***Marcus on***


-JENA! - gritei assim que vi a ruiva entrando na casa dos Martins. Sai do meu carro desesperado por seu abraço, e assim o fiz, a abracei tão forte que a garota quase caiu, mas eu a segurei em meus braços com medo de perdê-la também. 

-Você já sabe, neh? - ouço uma voz de choro da garota, faço que sim com a cabeça mesmo sem ela estar vendo. A diferença de altura de nós dois é enorme, Jena é baixinha e eu sempre fui o maior da minha idade, então a levanto colocando-a em meu colo. Jena passa as pernas pelo meu tronco, encaixa o rosto no meu pescoço enquanto me abraça. Não sinto lágrimas da garota, provavelmente não quer deixá-las rolar. Passo a mão pelo seu cabelo, sua respiração é curta mas calma. Entro na casa sem olhar para trás, apenas com a garota em meus braços. Assim que adentro a cozinha os pais da garota correm até mim achando que havia acontecido algo com ela, e aconteceu, por dentro Jena está uma bagunça, assim como eu. Depois de contornar as perguntas deles a levo até o quarto. Sento na beliche e a deito ali.

Jena não abre os olhos, apenas se vira para um dos lados e fica quieta. Me deito ao seu lado, ficamos praticamente de conchinha. Entrelaço meus dedos aos dela. Ouço Lauren e Camila entrarem na casa logo depois. Passam-se alguns minutos e pego no sono por conta do choro de antes ter me deixado exausto.

Não sei quanto tempo se passa. Só sei que vejo Jena se levantando e indo até a janela do quarto. Essa janela é praticamente inútil porque dá para o muro da casa do vizinho, mas ainda assim fizeram a janela. Vou até a ruiva a abraçando por trás. Percebo que ela mexe em algo no celular, olho de soslaio e vejo algumas conversas que ela teve com Lucas.

-O que você está fazendo? - pergundo.

-Tentando achar no que foi que eu errei - responde, ela respira fundo e passa por mais conversas. Volto para a cama e em mais alguns minutos pego no sono.

De manhã no outro dia as coisas não pareciam mais as mesmas, tomo banho, faço a higiene pessual, como um pouco, mas nada parece como sempre esteve. Eu e Jena passamos a tarde toda na cama, não que a gente tenha feito algo, apenas dormimos ou fingimos dormir para passar o tempo. Até que a ouço novamente chorando, isso já está partindo meu coração. Pego no celular da garota e busco o número de Jasmi, talvez seria melhor se ela estivesse aqui quando eu for pra casa.

-Amor - a chamo, a garota se vira para mim - tenho que ir pra casa agora, meus pais já devem ter chegado e provavelmente estão preocupados... chama a Jasmi pra ficar com você. 

-Eu quero ficar sozinha - ela diz, beijo em sua testa e a encaro.

-Por favor - passo o celular para ela que já estava tocando.

-Jasmi - a ruiva ao meu lado soluça com o celular no ouvido, provavelmente a irmã dela atendeu - Você pode vir aqui em casa? - pergunta, meu coração é quase espremido ao ouvir isso, eu gostaria de ficar ao lado dela em todo esse momento, mas sinto que até Marcus Lira precisa de um momento sozinho - O Lucas - a ouço novamente - ele terminou comigo - ela diz, começa a chorar, eu a abraço e desligo a ligação. 

Alguns minutos depois me despeço da ruiva, vou para casa, quando chego Alice e Jasmi já haviam saído. Tomo mais um banho e volto para a cama.


***Marcus off***

***Lucy on***


Observo os carros a minha frente, já era de madrugada e a fila de caminhões e carros estava enorme, estou esperando no táxi há quase duas horas, muito nervosa com tudo isso. Quando a fila finalmente decide andar já era quase quatro da manhã, mas então lá na frente há mais um congestionamento e somos obrigados a parar. Bufo. Essa última semana tem sido uma droga, e pra piorar isso acontece.

-Ei moça - o motorista fala, olho para ele - por causa do tempo e da gasolina a mais que eu estou gastando vou ter que cobrar o dobro - ele fala, abro a boca em um O perfeito.

-É o que? - falo abismada - eu não tenho todo esse dinheiro!

-Se você quiser - ele diz com um sorriso no rosto - talvez poderia me pagar de outra forma... - Tira a mão do volante e passa pela própria calça, onde já havia um volume ali. Fico mais abismada ainda, saio do carro em meio a fúria que começa a me dominar. Arranco a bagagem do porta mala, coloco uma das bolsas em um ombro e a outra de rodinha eu levo na mão pela avenida com os carros parados - ESPERA AÍ! - o motorista grita, olho para trás encarando o homem de chapéu branco idiota - Você ainda não me pagou nada! - mostro o dedo do meio pra ele e volto a andar. Hoje meu dia não começou nem um pouco bem, sinto como se alguém chegasse em mim numa tentativa de me animar eu chutaria o pobre coitado no meio das pernas.

O pior de tudo é que menos de dois minutos depois a fila de carros começa a andar, o taxista idiota mostra o dedo do meio quando passa por mim, observo os dois lados da estrada, puro campo rural. Bufo mais uma vez até que um carro para ao meu lado.

-Hey garota - um moço loiro fala com um sorriso fofo, o carro extremamente caro, acho que até de sentar ali dentro já se é pago alguma quantia - Você quer carona? - ele pergunta - Te deixo na próxima cidade! - fala. Eu olho dos dois lados da pista, o garoto para o carro ao meu lado.

-Você não vai me raptar, estrupar ou exigir sexo pela carona neh? - pergunto, o garoto ri de mim.

-Talvez - diz sorrindo e abre a porta. Olho desconfiada pra ele - se eu fosse fazer isso acha mesmo que eu contaria? - pergunta.

-Se você fosse fazer isso provavelmente eu cortaria seu pinto - coloco a bolsa e a mala no banco de trás e sento no banco do passageiro. O loiro ri de mim.

-Selvagem - fala rindo - eu vi você saindo do táxi ali atrás, e tenho a leve impressão de que já te vi em algum lugar - o garoto começa a dirigir, em menos de dois minutos e já estamos a mais de cem por hora - nos conhecemos?

-Caso você tenha estado em um hotel na beira da estrada, em um beco com um monte de gente doida e uma festa para o povo do terceirão que aliás... Só deu merda, então sim, provavelmente já nos vimos antes - aperto um botão observando o vidro descer, na linha do horizonte da pra ver o sol nascendo.

-Sabe... eu acho isso até uma coincidência, mas eu estive em todos esses lugares nos últimos dias - ele fala sorrindo. Coloco a cabeça para fora do carro sentindo o vento bater de leve em minha pele.

-Sou Lucy Drake - me apresento e volto a olhar o garoto, realmente eu o conheço de algum lugar.

-Lucas Morgan - abro a boca ao ouvir esse nome. Agora consigo entender porque Jena sofria por ele, além de rico é gentil e bonito.

-Você é um imbecil - dou um soco em seu ombro, o garoto faz cara de dor.

-Você faz isso com todos que te ajudam? - pergunta.

-Machucar quem me ajuda? Isso é o que eu sei fazer de melhor! - falo, no mesmo momento me lembro de Jasmi - mesmo não querendo... - sussurro. 

-As vezes nós machucamos mas não queremos isso - pelo jeito o garoto me ouviu - é a vida... Ela te dá as peças mas não te ensina como jogar, nem de que lado deveria jogar - diz e olha de soslaio para mim. Volto a minha atenção para o lado de fora da janela.

-As vezes eu prefiro não jogar - digo - sabe? Dar um foda-se para tudo! Esquecer todo mundo! - o garoto liga o rádio em um volume muito alto, uma música alegre de não sei quem começa a tocar.

-Então... - ele sorri - FODA-SE! - o garoto grita para a estrada de carros, caio na gargalhada junto a ele.

-FODA-SE! - grito junto ao loiro. Nós dois rimos  muito que nem dois adolecentes idiotas (na verdade nós somos dois adolescentes idiotas que quebraram o coração das pessoas que mais amamos), cantamos e dançamos no ritmo da música apenas com a cabeça e os braços - FODA-SE TODO MUNDO! - grito, o vento fazendo meu cabelo voar, o sol nascendo no horizonte e alguns carros passando por nós buzinando com raiva. Caio na gargalhada.

-FODA-SE! 


Notas Finais


Lucy conhece Lucas '-' o que será que vai acontecer?
Gente fiquei uma semana fora mas olha esse capítulo que enorme! T.T me desculpem!
Não sei quando posto o próximo :v


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