História Vespertine - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Kai, Kris Wu, Sehun
Tags Chanbaek, Exo, Inverno, Kaisoo, Krishun, Sekai, Vespertine
Visualizações 140
Palavras 2.659
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Poesias, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Enjoy.

Capítulo 3 - Não cabe a você.


I wake up and the day feels broken.

 

 

Kyungsoo acordou e logo sentiu fortes pontadas em sua cabeça, então automaticamente levou suas mãos até a mesma para massageá-la, mas logo percebeu que naquele ato não surtia efeito nenhum. Coçou seus olhos. Espreguiçou-se. O cheiro de Jongin invadindo suas narinas.

Ao lembrar-se do mais alto e de tudo o que aconteceu na noite anterior, Kyungsoo se levantou um pouco bruscamente demais e fez uma careta de dor. Estava um pouco difícil sentar-se direito, mas após um tempo ele se acostumou. Fechou os olhos e abraçou suas pernas vagarosamente, escondendo ali o seu rosto envergonhado.

Apenas naquele momento, a ficha de Kyungsoo caiu.

Por que eu fiz aquilo?, ele se perguntou sentindo uma lágrima cair diretamente no moletom de Jongin.

Talvez, se não tivesse aceitado o convite de Baekhyun, isso não aconteceria. Talvez não fosse um desejo novo seu, mas apenas o efeito da bebida que o movia para fazer esse tipo de coisa. Isso com certeza era culpa da bebida. Maldita vodka.

Ou melhor, era culpa de Baekhyun.

Quando parou de pensar demais, Kyungsoo observou o quarto. Duas pequenas janelas estavam abertas e a luz que emanava delas era pálida, triste, branca. Partículas de poeira dançavam enquanto eram iluminadas pela luz cândida da manhã, os livros se mantinham intocados no chão e as luzes de neon das várias placas estavam apagadas.

Remexeu-se para sair da cama e estremeceu ao pisar no chão gelado. Achou seus sapatos jogados em um canto qualquer do quarto e os calçou, então rumou para o banheiro que ficava um pouco mais distante do quarto. Por sorte, não havia ninguém ali, então ele se permitiu ficar mais calmo naquele ambiente tão diferente.

Fechou a porta e a trancou para ter certeza de que ninguém entraria no lugar. Olhou para seu reflexo no espelho, o rosto inchado, os cabelos bagunçados, os olhos marejados. Apoiou-se na pia do lugar com suas mãos, e olhou para o ralo da mesma, contemplando as lágrimas que pingavam sobre a superfície branca. Quando o choro cessou, Kyungsoo abriu a torneira e deixou as lágrimas irem embora, como se aquilo pudesse acabar com todas as suas dores.

Depois de fazer sua higiene matinal, saiu do banheiro pronto para procurar por Jongin. Precisava de um carregador urgentemente para poder ligar para Baekhyun e finalmente sair daquele lugar. Estava confuso demais para pensar direito em tudo o que acontecera e desejava apenas ir para o conforto de sua casa, perto de seus livros e de sua solitude desmedida.

Tomou o seu celular nas mãos e seguiu pelo corredor ainda sombrio do lugar, perguntando-se se deveria ou não bater em alguma das portas.

— Você não deveria estar aqui. — Kyungsoo ouviu a voz de vinha detrás de si e assustou-se, pondo a mão no peito antes de se virar para ver quem estava falando. Era um garoto magro e mais alto que si, com cabelos cinza e um olhar sério e indiferente.

— Nossa, você me assustou. — Disse enquanto tentava se recuperar do susto. — Eu conheço você?

Você não deveria estar aqui. — Repetiu lentamente, ignorando tudo o que o outro dissera. — Se o Suho ver você ele vai ficar furioso com Jongin, e eu não quero ter que te expulsar daqui. Então, por favor, vá embora.

O tom indiferente da voz de Sehun — esse era o nome do garoto — soava para Kyungsoo como um ruído muito irritante. Mas ele não conseguir tratar alguém mal assim, sem conhecer direito, por isso fez de tudo para se acalmar e conversar direito.

— Eu não sei ir para casa, meu amigo veio me deixar aqui ontem, mas não consigo falar com ele. — Kyungsoo dizia calmamente. — Eu só estou esperando Jongin para...

— Acho que você não está me entendendo, garoto. Ele mesmo pediu para você ir embora. — Sehun deu um sorriso de lado, extremamente sarcástico. — Acho que foi bom enquanto você foi a putinha dele, mas tente não se iludir e achar que é especial, porque você não é.

Como se tivesse escolhido as palavras certas, Sehun conseguiu calar Kyungsoo. De alguma forma, o menor se sentiu muito mal ao ser chamado daquele jeito, e se sentiu bem pior sendo rejeitado por Jongin. Tentou não se deixar atingir por aquelas frases, mas ao se lembrar das cenas da noite passada, de todos os toques e gemidos e beijos, ele podia jurar que tinha sido especial.

Que Jongin o considerara especial.

— Tudo bem, eu sei que não. — Mentiu depois de vários segundos de pausa. — Mas eu não posso embora sem ao menos saber como ir para casa.

 — Foda-se, eu não ligo. Só vaza daqui.

Sehun empurrou Kyungsoo até a saída do lugar sem problemas, pois era um pouco mais forte que ele. Mas, no momento em que o menor saiu pela porta, avistou Jongin vindo em sua direção com um olhar confuso, mas que logo se tornou cheio de raiva.

— Sehun, mas que porra você está fazendo? Deixe-o em paz! — Disse o mais alto, pegando Kyungsoo pelo braço e o trazendo para mais perto de si.

— Eu estava o expulsando. — Sehun explicou simplório. — Se Suho o visse, você ficaria encrencado, então eu tentei evitar...

— Acho que não preciso de nenhuma babá, certo? Eu sei resolver os meus problemas.

Sehun não respondeu, apenas observou os dois rapazes a sua frente atravessando aquela rua enquanto conversavam e trocavam risadas, ignorando a sua presença, como se ela não valesse de nada.

Bem, talvez não valesse mesmo.

Por alguns segundos, Sehun se imaginou no lugar de Kyungsoo. Pensou em como seria incrível se Jongin o tratasse com toda aquela alegria, e não com a brutalidade na qual sua relação se baseava. Imaginou como seria se ele cuidasse de si, como cuidou daquele maldito garoto baixinho.

Chegou até mesmo a dar um sorriso. Um sorriso triste.

Não era a primeira vez que Jongin fazia o seu coração sangrar. Outros garotos já haviam passado pela cama do mais alto, mas Sehun fazia questão de acabar com todos eles, às vezes tomando atitudes ligeiramente drásticas. Bem, o amor faz isso com as pessoas.

Entrou no seu quarto e rumou em direção ao grande espelho no canto do mesmo, seu all-star fazendo um barulho fraco no chão que contrastava com aquele ambiente silencioso. Olhou para seu reflexo, encarou seus olhos que já não brilhavam tanto, que já não eram tão alegres quanto antes. Desceu o olhar para seu nariz, seus lábios, seu queixo. Abaixou a cabeça e passou as mãos nos seus cabelos, desde a franja cinza até a parte de trás, deixando-os bagunçados.

"Eu me odeio", sussurrou, "Ah, como eu me odeio..."

 

I

 

Passo após passo para fora da rua, Jongin o levava até algum lugar. Kyungsoo estava pensativo, focando sua atenção na falta de sincronia entre seus passos e os de Jongin. O braço alheio foi acariciando seu ombro, suavemente, até chegar ao outro e se manter lá, em um abraço tímido; Jongin virou o seu rosto para o menor e sorriu, esperando algum tipo de reciprocidade, porém Kyungsoo manteve-se sério.

Não sabia o que, de fato, estava ocorrendo consigo. Queria fugir dali, sair de perto de Jongin e voltar para casa, voltar a sentir o cheiro de livro velho que decorava o lugar e não o cheiro tão adocicado do perfume de Jongin. Contudo, parecia não possuir mais o controle sobre seus passos, a dor de cabeça persistia, ele sentia enjoo e tontura.

— Há algo de errado? — O mais alto perguntou. Seu gorro vermelho e branco deixando-o apenas mais bonito do que o desejável.

— Tudo. — Kyungsoo disse sem pensar. — Quer dizer, não, não! Eu estou bem.

Jongin apenas lançou um olhar desconfiado, que foi totalmente ignorado pelo outro.

— Vou te levar em um lugar. — Jongin disse mais para si mesmo do que para Kyungsoo e desceu sua mão para segurar a mão do menor, branquinha e delicada.

Ao sentir Jongin puxando-o enquanto corria, Kyungsoo não conseguiu fazer nada além de segui-lo, forçando as pernas fracas a acompanharem os passos do outro por entre as ruas. O ruído dos carros diminuía conforme eles andavam rápido, quase correndo. O vento forte pré-invernal estava ainda mais cortante naquela manhã suave, tão delicada que parecia que se estilhaçaria em mil pedaços com apenas uma ameaça de temporal ou vendaval.

— É aqui. Chegamos. — Jongin disse após soltar a mão de Kyungsoo, tentando normalizar sua respiração alterada por aquele pequeno exercício.

Kyungsoo deu uma olhada no lugar a sua frente. Era um grande lago, cujas águas eram agitadas pelo voo de alguns cisnes; a atmosfera era bucólica e reconfortante, como uma nostalgia ilógica. Sentia saudades de algo que lhe proporcionava as mesmas sensações causadas apenas pelo simples estar naquele lugar.

Jongin sentou-se próximo ao garoto, suas pernas em posição de lótus. Kyungsoo logo sentou ao seu lado, inseguro quanto àquela proximidade e, ao mesmo tempo, tomado por uma repentina saudade dos pais. Abraçou as pernas. Suspirou. Sua mente naquele momento era como um fone de ouvido que colocamos no bolso e, do nada, após uns momentos, aparece todo embaraçado. O que acontecera para deixá-lo assim?

Por que aquele lago lhe trazia tantas lembranças?

— Desculpe-me por Sehun — Jongin começou, coçando a nuca de forma constrangida e imperceptivelmente fazendo Kyungsoo voltar à realidade. — Ele sempre teve esse jeito autoritário. Às vezes chega a ser irritante.

— Ele é seu namorado? — Perguntou um pouco aflito. Tinha um pouco de medo da resposta.

— Não! — Jongin gritou. — Quer dizer... não, não é. Embora ele goste de mim, eu não dou a mínima pra ele. No dia em que ele resolver parar de ser babaca e de se meter onde não é chamado talvez eu lhe dê uma chance de se aproximar.

Os dois calaram-se. Kyungsoo procurou ignorar um pouco a presença de Jongin para escutar os sons misteriosos que vinham daquele lago. Eram tão bonitos os cisnes... Não pôde evitar lembrar-se do livro do patinho feio que estava perdido de sua família, a qual é encontrada depois de tanto sofrimento. Queria que fosse assim consigo também, queria que tudo não passasse de um pesadelo e que sua omma o ninasse como fizera por tantos anos, com todo o amor possível. Lembrava-se do cheiro dela de baunilha e suor, tão cansada devido aos afazeres domésticos. Porém mesmo assim ainda possuía energia o suficiente para amar o pequeno Kyungsoo com todas as suas forças.

Infelizmente, na vida real, não havia final feliz.

— Eu costumava vir aqui quando criança — Jongin disse em tom nostálgico, ganhando a atenção de Kyungsoo para si quase que imediatamente. — Gostava de vir depois da chuva e pular nas poças d'água, deixar minhas roupas molhadas sem me preocupar com outras coisas. Gostava de sentir a infância. E prometi a mim mesmo que jamais me esqueceria dessas coisas. Então eu fui e virei isso aqui. Apenas isso aqui. — Apontou para si mesmo com as mãos, usando todos os dedos.

Não podia negar que ainda sentia uma pontinha de raiva por Jongin tê-lo deixado sozinho, mas aquelas palavras lhe fizeram sorrir de verdade — dessa vez sem a presença do álcool em seu organismo. Sentia-se do mesmo modo, quase que com as mesmas palavras. A única coisa que mudava era o fato de que o Kyungsoo pueril nunca gostou muito de chuva, pois apreciava mesmo o frescor da primavera.

Ele havia mudado bastante após tudo aquilo. E isso era bem estranho.

— Algo nesse lugar me é bastante familiar... — Disse incomodado, como se estivesse desvendando um enigma. A dor de cabeça, mesmo que fraca, o impedia de raciocinar com a vontade que tinha. Como se o estivesse lembrando de que bebera demais na noite anterior.

Maldita primeira ressaca.

Jongin apenas sorriu com aquela confissão. Não era acostumado a ficar falando sobre seu passado por aí, então foi bom Kyungsoo não ter perguntado. Voltou seu olhar para o lago, perdendo-se em pensamentos, sempre calmo, sempre relaxado.

Kyungsoo, por sua vez, estava exasperado. Brincava freneticamente com as mãos ao forçar seu cérebro a lembrar-se dos porquês que lhe perseguiam. Por que esse lugar me traz tanta paz? Por que eu quase automaticamente me lembrei de meus pais? Por que eu sinto que já estive aqui antes?

E, como em uma epifania, lançou seu olhar para o lado e avistou uma pequena cabana, rústica e delicada. Então conseguiu se lembrar, e sua cabeça doeu com a quantidade de informações que se debatiam em sua mente, como as asas dos cisnes voando, tentando se encontrar em meio aos pensamentos confusos. Não podia ser. Aquela cabana. A cabana que era de seus avós.

Pequenos filmes passavam em sua cabeça, mostrando-o partes de sua infância. Seus pais andando consigo pela primavera, dirigindo-se ao lago; ele entrando na cabana e vendo seus avós e os três gatos, dos quais ele tinha medo; de segurar nas mãos grandes e protetoras dos dois ao atravessar a rua...

Não percebera quando começou a chorar, apenas percebeu quando Jongin voltou sua atenção para si, perguntando-o coisas que na hora não conseguiu entender, mas que eram claramente preocupações. Sentiu os braços alheios a lhe envolverem, porém ele estava totalmente focado na cabana; os neurônios fazendo sinapses freneticamente, a cabeça latejando.

Nossa, aquele era o lago de sua infância! Ele mal podia acreditar.

 

II

 

O casaco de Jongin estava com um cheiro esquisito, como se tivesse sido guardado por muito tempo em um guarda-roupa mofado. Mas não era um cheiro ruim que nem o cheiro do mofo. Era até bom, quase viciante.

O narizinho de Kyungsoo tocava levemente aquele pescoço, ora cheirando aquela região ora inalando o aroma do tecido do casaco que cobria o ombro de Jongin. Mas não é como se tivesse ficado mais calmo, pelo contrário, apenas ficou mais nervoso e envergonhado por lembrar-se dos detalhes da noite anterior. Entretanto, as lágrimas foram todas enxugadas pelas mãos delicadas do mais alto, tão ternamente que quase esqueceu que estava prestes a ter um colapso nervoso.

Jongin afastou os corpos suavemente e o beijou. Eram tão delicados os lábios grossos de Kyungsoo, tão mordíveis que ele precisou se conter para não estragar aquele momento. O mais baixo o fitava com os olhos arregalados, sem respirar e nem se mexer, totalmente assustado. Queria ir embora. Jongin não havia escolhido a hora certa para selar seus lábios, nem mesmo perguntou se ele queria ser beijado, se ele estava pronto. Bem, não estava. Talvez na noite anterior, sob o efeito do álcool, pudesse estar. Mas ali, sóbrio, com tantos pensamentos anuviando sua mente, tinha certeza de que não estava.

E talvez nunca estivesse.

Em um átimo, desvencilhou-se do abraço do mais alto e saiu correndo como nunca havia corrido antes. O vento batia violento em seu rosto, as lágrimas voltavam mais fortes, o latejo na cabeça ficava mais forte, seus pés tropeçavam enquanto almejava voltar às ruas movimentadas, suas pernas fraquejavam de dor causada pelo esforço repentino. Mas que porra estava acontecendo? Por que diabos não conseguia se controlar e controlar seus pensamentos? Era ridículo, ele já era um adulto! Não tinha mais motivo para sair correndo, assustado feito uma criança.

Se bem que... Sim, tinha sim. Não só um como dois motivos.

Um se chamava medos incontrolados, e o outro se chamava Kim Jongin.

E ter os dois juntos em um pequeníssimo espaço de tempo foi o suficiente para fazer seu pequeno corpo cair inerte no chão e seu rosto bater contra a superfície coberta de areia, acalmando seus pensamentos com a velocidade de um tiro. A dor desaparecera. De repente, tudo estava escuro.

Ele havia apagado.

 

“Se você acorda
E o dia parece estar
Quebrado
Incline-se sobre a rachadura
E ela tremerá
Sempre gentilmente
Note
Como brilha
Lá embaixo

 

Há muito
Apego
Ao pico
Há muita
Pressão”

Notas Finais


3 meses. Eu sei, eu sei. Me desculpem ;_;
O capítulo ficou pequeno, mas prometo trabalhar mais no tamanho dos próximos. Obrigado por continuarem acompanhando Vespertine, pelos favoritos tudo, e desculpem os erros de digitação kassnkjdasd ♡


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