História Vez ou outra ela vem me visitar! - Capítulo 1


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Gêneros: Poesias

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Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Vez ou outra ela vem me visitar!


Fanfic / Fanfiction Vez ou outra ela vem me visitar! - Capítulo 1 - Vez ou outra ela vem me visitar!

Eu comecei a dar sinais a 12 anos atrás. Naquela época ninguém falava sobre depressão na infância. Os pais reforçavam a alimentação e compravam Biotônico para os filhos, pois assim eles teriam mais disposição, mais apetite. Eu nunca tive. Olhando as fotografias da minha pré adolescência, percebo que eu era quase esquelética. Mas, voltando...ela apareceu quando eu tinha 6 anos, falta de interesse nos brinquedos, falta de disposição para atividades simples que antes eu gostava de fazer. Era apenas um momento de tristeza, isso era normal.  Com 12, 13 anos ela passou a me visitar todos os dias, era insuportável, comecei a matar aula na escola. A convivência e a socialização se tornou um castigo. Matava aula e ficava deitada debaixo de um pé de manga a duas quadras da escola. Ouvia música no celular, músicas tristes, e chorava, chorava e chorava. A menina rebelde estava nascendo, mas para o mundo isso era apenas uma fase, quando eu ficasse "moça" iria passar. Ninguém pensou que poderia ser a velha depressão de sempre. E de repente, parece que ela se foi. Foram dias calmos, sem crises de ansiedade, sem inseguranças e angústias. Eu realmente pensei que ela tinha ido embora. Ganhei peso, meu cabelo estava crescendo, meu sorriso ficou lindo, colorido, irradiante. SURPRESA! 15 anos. Entro de cabeça num relacionamento conturbado, problemas de família se tornam frequentes. Brigas, discussões, traições! Ela voltou! Droga! A depressão me arrastou pelos pés me jogando de um prédio de 130 andares. Eu estava despreparada, sem paraquedas, a queda foi inevitável. As auto-mutilações começaram numa crise de ansiedade. Eu estava chorando dentro do banheiro, suando frio, o peito doía, estava com taquicardia, a angústia e a tristeza dominaram meu corpo. E a vontade de morrer me sentia inútil a ponto de não conseguir me matar. Depois vieram os vícios. Festinhas com muita vodka, cerveja, vinho, e conhaque. Eu me apaixonei pelo conhaque. Até chegar ao ponto de beber uma dose sempre que me sentia fria e vazia por dentro. Meu rendimento escolar caiu, e o sonho de se fazer uma faculdade foi embora. Eu estava começando a entrar no fundo do poço eu já tinha alguns vícios que dificilmente me deixariam chegar aos 60. Se chegasse aos 30 sem nenhum problema seria um milagre. Eu precisava mudar. Mas como? Comecei a procurar psicólogos novamente, fiz algumas sessões, e logo fui encaminhada ao psiquiatra. Tomei remédio para ansiedade durante 3 anos, e percebi que não estava me sentindo feliz, nem triste, nem ansiosa, e nem calma. Interrompi o uso por conta própria (o que foi um ato super errado, pois não se deve suspender o uso da medicação sem consultar o seu médico.) Suicídio, suicídio, suicídio, parecia a única solução. Nunca tentei diretamente, mas já provoqueis situações de risco. Até que percebi que eu estava muito doente. Voltei a escrever. E isso foi a minha terapia.
Todos os dias um poema novo, um sentimento que estava sendo desabafado. E aos poucos, a vida foi ficando melhor, comecei a agradecer, e reclamar menos. A depressão ainda estava lá, mas ela estava perdendo as forças, pois eu estava lutando para ser melhor, para me sentir viva. Quando ela vinha com todas as forças, eu aceitava que aquilo iria passar, e que só dependia de mim para que ela fosse embora rápido. Comecei a parar de fugir, de correr e me esconder, encarei ela de frente, entendi que eu tinha um problema, e que ele deveria ser tratado. E aos poucos, eu fui me tratando, um dia de cada vez. Hoje nunca mais me mutilei, nunca mais me odiei, nunca mais eu desisti de mim. Eu amo estar viva, amo acordar e sentir o ar entrando em meus pulmões. Eu ainda tenho depressão, vez ou outra ela vem me visitar. Tomamos um chá, ouvimos algumas músicas tristes, assistimos a filmes antigos e choramos por alguns minutos. Mas antes que anoiteça, eu peço que ela vá embora, e que volte em outra hora. Pois as estrelas precisam ser admiradas com alegria.
Se eu estou conseguindo, você também consegue.



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