História Viagem Imediata - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Teletransporte
Visualizações 4
Palavras 1.648
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Aventura, Mistério, Romance e Novela, Super Power
Avisos: Álcool, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Fim de Semana


_ Mayse!

  Aquele som já estava incomodando, era algo indesejado naquele momento. Uma claridade batia em seus olhos e seu corpo pesava. Estava tudo quentinho e aconchegante quando o chamado ficou mais alto e com um impulso ela abriu os olhos e rolou para o lado com susto e caiu de cara com tudo em uma superfície dura a qual ela costuma chamar de chão do quarto. O impacto só não foi tão dolorido pois havia um tapete simples naquele local. Com certeza não começou o dia com o pé direito.

 _ Ai...

  Seu pai sai do batente da porta e entra no quarto suspirando. Segura o braço dela e a levanta de uma vez só. Tudo parecia estar girando e Mayse esfregou os olhos. Já estava de manhã e Rick estava tentando acordá-la. Tudo a sua volta estava estava claro e isso machucava sua visão recém desperta.

 _ Não sei como ainda não se quebrou inteira... - disse seu pai.

 _ É que a cama é perto do chão - brincou ela com voz de sono.

 _ Deve ser mesmo. Bem, o café já está pronto, então se arruma e vêm - disse saindo do quarto.

 _ Me arrumar?

  A garota se perguntou se havia visitas na casa, pois qual seria o problema de ir de pijama tomar café da manhã como sempre fazia aos sabádos? Foi então que a infelicidade veio a tona, esse era o final de semana da sua mãe. Significava ter que estar já preparada bem cedo e passar um final de semana nada legal. Olhou para sua cama lhe chamando e bufou. Não gostava de fazer coisas com má vontade, mas não havia como evitar.

  Pegou sua bolsa vermelha e jogou nela algumas roupas, escova de dente, papel e seus lápis de cor, tudo isso sonolentamente. Ao terminar de se trocar, foi até a cozinha esbarrando sua bolsa pela corredor da casa e despejou ela em um canto. O cheiro de café impregnava a cozinha inteira, o que despertou o apetite de Mayse.

  Precisava acordar seus olhos, estavam se fechando de cinco em cinco segundos, assim, foi até a pia e molhou o rosto.

 _ Mayse, não usa a pia da cozinha para isso. Existe banheiro sabia? - disse seu pai entrando e abotoando a farda.

  _ Foi mal pai, quer dizer... Oficial Aytes! - diz e finalmente se senta na pequena mesa da cozinha.

  Rick sorri e bagunça o cabelo dela que já estava de certo modo desgrenhado. Ela sabia que ele não queria aumentar o seu mal humor, então estava agindo naturalmente. Pegou um biscoito do pote de vidro a sua frente e se pôs a comer. O dia estava se mostrando presente com seu raios de sol entrando pelas janelas bem abertas da casa e a deixando mais viva. As manhãs geralmente não eram agitadas na casa, mas o lado de fora era. Os sons de carros passando e do cachorro do vizinho latindo é o que caracterizava aquele horário.

  O policial sentou de frente para a filha e bebeu seu café enquanto lia a uma reportagem sobre um acidente de carro, mas logo depois depois foi interrompido por Mayse que o chamou com um recém bigode de leite.

  _ Promete que vai me buscar o mais cedo possível? - pediu nervosa.

  Observou seu pai a olhar meio sem resposta e depois responder:

  _ Vou te buscar no horário de sempre. Por que não tenta aproveitar em vez de ficar me ligando para ir te buscar, em?

  _ Eu tento pai, só que não dá, parece que estou na casa de estranhos.

  _ Você precisa se acostumar, são sua família também - disse gentil.

  Família. Aquela palavra tão normal mas tão difícil para Mayse. O sangue a unia com seus meio-irmãos, mas só por isso eram uma família? Será que não precisa de mais elementos para serem denominados como tal? A mente da garota vagava sobre isso por anos. Uma vez a professora de sua turma pediu para que fizesse uma redação sobre sua família e Mayse foi a última a entregar de tanto tempo que levou pensando o que era família. Talvez nunca descobrisse.

  _ É... - disse por fim.

 

 

  Já no carro, Mayse se deitou no banco de trás e ficou olhando para o teto. A casa de sua mãe fica a uma hora de Mársow, cidade em que mora com o pai. A casa da mesma não aparentava ser nada chata, havia uma piscina enorme em que ela não dava pé, por isso tinha que usar boias de braço, uma televisão grande e espaço para brincar, mesmo assim não conseguia se divertir. Entediada, sentou-se e pegou um papel e seu lápis de desenhar na bolsa. Lá fora a paisagem passava rápido, mas o céu parecia o mesmo, então desenhou um monte de pássaros voando com um grande fundo azul atrás. Estava pintando um dos pássaros quando seu pai disse:

  _ Você tá com fome? Trouxe uma maçã.

  _ Eu dispenso, obrigada - respondeu. Mayse não era muito fã de frutas.

  Rick colocou os óculos de sol.

  _ Sabe, eu acho que maçãs são igual a pessoas.

  _ O quê? - ela o olhou parando o trabalho no papel.

  _ Tem pessoas que trazem tanta coisa boa para vida e a gente descarta só porque não aparentam ser tão agradáveis.

  Ela pensou bem e logo sacou a jogada do pai. Aqueles discursos eram demasiado persuasivos. A garota até perdeu o medo de vacina graças as artimanhas dele.

  _ Me dá a maçã... - pediu com expressão entediada.

  Rick tirou uma das mãos do volante e pegou a maçã dentro de sua mochila rindo. Maçãs não eram tão ruins assim, só dava preguiça de comê-las. Depois de do que pareceu ser vinte minutos, o lugar começou a lhe parecer familiar e logo a frente avistou a casa. Seu pai estacionou o carro bem em frente e ela abriu a porta puxando sua bolsa. O dia estava mais quente.

  Esperou seu pai e foram até a porta. Ele apertou a campainha e depois de mais ou menos trinta segundos segundo Clarisse a abriu com um sorriso simpático e olha primeiro para a filha. Mayse sorri também, mas sem os dentes.

  _ Oi filha, que saudade! - a mulher se abaixou e pressionou a garota em um abraço que a pequena retribuiu sentindo um cheiro de almoço. Parece aquela maçã não deu jeito.

  Clarisse levantou e cumprimentou Rick e pegou a bolsa de Mayse, levando para dentro. Os dois se despediram e em meio ao abraço ele disse:

  _ Eu tenho um trabalho importante hoje Mayse, tenta não me ligar hoje, só se for emergência.

  _ Tudo bem, mas você vai fazer o quê?

  _ Coisas chatas de policial, a gente se vê amanhã de noite.

  _ Tchau.

  Após se despedirem, ela entrou na casa e fechou a porta. Ouviu sua chamá-la do andar de cima e seguiu subindo as escadas. Podia ouvir também a televisão ligada na sala e Enzo e Chloe brincando. Mayse era a irmã mais velha com dez anos, Enzo o do meio com seis anos e Chloe a mais nova com três. Foi sem premeditar foi até o quarto de hóspedes onde sempre ficava a entrar encontrou Clarissa ajeitando a roupa de cama. O quarto era quase do tamanho do seu, mas mais arrumado.

  _ Mãe, o que é isso? - perguntou apontando para um caderninho em cima de uma mesinha no canto.

  _ Eu comprei para você desenhar, eu sei que as vezes fica entediada - ela sorriu.

  _ Poxa, valeu - disse folheando o caderno totalmente em branco.

  Uma das coisas que ela mais gostava era desenhar e isso ficou evidente tanto para Rick quando para Clarisse.

  _ Quando o almoço ficar pronto eu te chamo, enquanto isso fica a vontade - informou saindo do quarto.

  Mayse observou tudo e se atirou na cama ainda com sono.

 

 

  A comida estava boa, mas ela mexia em sua batatas com o garfo procrastinando a tarefa. A mãe e dava colheradas da boca de Chloe enquanto conversava com Ryan, seu padrasto. Em seus devaneios estava a escola que teria que enfrentar segunda-feira, seu segredo que não podia nem discutir e a falta de casa. Nem percebeu quando Clarissa se dirigiu a ela.

  _ Oi? - disse meio perdida.

  _ Perguntei se não quer suco de laranja - ela repetiu.

  _ Ah, depois eu pego.

  Podia-se perceber normalidade e preocupação no rosto de Clarissa. Mayse se sentia um pouco culpada, mas não podia fazer nada se não se sentia confortável.

 

 

 Saiu do banheiro já de pijama carregando sua toalha. A casa estava quase toda escura e ela topou sem querer com dois móveis no caminho para o quarto. Assim que chegou puxou o cobertor e se enfiou na cama, mas não estava nem pouco com sono. Olhou pela janela e as únicas luzes vinham dos postes e bares ainda abertos. Tentou pensar em vários coisas para ver se o sono vinha, mas era uma missão perdida.

  O relógio na parede, apesar da escuridão, parecia marcar uma hora da manhã. A única ideia que lhe via a mente era ver televisão, porém não tinha preguiça de se levantar. De repente lembrou que não precisava se mexer para ver televisão. Uma onde de culpa já a invadia só de pensar em fazer isso. Olhou para o teto nervosamente e considerou, ninguém ia saber, mas ela ia. Decidiu por fim que ia fazer, com medo das consequências, mas ia.

  Imaginou a sala, ela de frente para a televisão e deu um impulso com o corpo e a mente. Um segundo depois estava na própria sala em cima do sofá. Estava com tanta saudade daquela sensação que nem pensou na bronca que poderia levar se seu pai descobrisse que se teletransportou. Pegou o controle da televisão e colocou em filme qualquer.



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