História Viajante - Capítulo 8


Escrita por: ~

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Categorias Harry Potter
Personagens Alvo Dumbledore, Avery (Marauder-era), Bellatrix Lestrange, Harry Potter, Kingsley Shacklebolt, Lílian Evans, Lord Voldemort, Lucius Malfoy, Mulciber, Remo Lupin, Severo Snape, Sirius Black, Tiago Potter
Tags Harry Potter, Jily, Marotos, Severus Snape, Snarry, Viagem No Tempo, Wolfstar
Visualizações 339
Palavras 2.130
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Hentai, Magia, Romance e Novela, Slash, Violência, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Lumos!

Capítulo 8 - Fim de semana - Parte Dois


H.P

O Espelho de Ojesed refletia a mesma imagem que vi no meu primeiro ano em Hogwarts. Eu me via ladeado pelos meus pais, ambos sorrindo pra mim.

De repente a imagem foi mudando e as imagens de outras pessoas começavam a ser refletidas pelo espelho. Comecei a ver Cedric, Sirius, Remus, Tonks, Fred, Dobby, Moody, Dumbledore, Ron e Mione de mãos dadas como eu os vi pela última vez e até mesmo Edwiges estava lá. O último a aparecer foi Snape e, diferente da maneira que eu estava acostumado a ver seu eu adulto, ele sorria para mim. Alias, todos eles sorriam. E eu sorria de volta, feliz por vê-los.

Mas, como um efeito dominó, seus sorrisos foram se apagando, um por um, começando por meus pais. Os sorrisos deram lugar a expressões neutras, e essas foram sendo substituídas por expressões de dor, outras de raiva. Virei-me para fugir da imagem. Era só um espelho, não era real. Pelo menos foi nisso que acreditei até me ver cercado por todos aqueles que até poucos segundos sorriam para mim.

- Nossas vidas foram ceifadas por sua causa! – meus pais disseram em uníssono com uma voz etérea que me arrepiou por inteiro.

- Eu morri por sua culpa. Fui parar naquele cemitério por sua causa. – ouvi as palavras deixarem os lábios de Cedric.

- Eu atravessei o véu porque você foi incapaz de aprender a fechar a maldita mente. Justo quando eu finalmente ia recomeçar. Arrependo-me de dizer que poderíamos ser uma família! – eu via o ódio no olhar de Sirius, suas palavras vieram a mim com tanta força que não aguentei e caí sobre os meus joelhos.

- Nós não tivemos a oportunidade de viver o nosso amor. Fomos mortos por sermos amigos do grande Harry Potter. – Ron e Hermione se aproximavam, os outros faziam o mesmo, um passo de cada vez.

- Durante toda a minha vida você foi a lembrança de tudo o que eu não pude ter. O filho da mulher que amava com meu maior inimigo, e vejam só, morri para te proteger. – a expressão de Snape era neutra, mas mesmo com aquela voz etérea eu conseguia identificar o mesmo ódio que ele direcionou a mim durante todos aqueles anos.

- Todos nós estamos mortos, Harry! – todas as vozes juntas entoaram, instintivamente levei minhas mãos às orelhas e pressionei com força para não ouvir o que diziam, mas não adiantava. Meu corpo todo tremia. Minhas pálpebras estavam cerradas, também não queria vê-los, não mais. Eu ouvia seus passos. Quanto mais perto eles chegavam, mais o ar me faltava. Queria gritar para que parassem mas minha voz estava presa na garganta. – De quem é a culpa, Harry? – eles estavam mais perto, tão perto que pareciam estar falando de dentro da minha cabeça. Pressionei minha mãos com mais força e encolhi-me até que minha cabeça estava tocando nos meus joelhos. – Vamos, Harry, diga de quem é a culpa!

- É minha! A culpa é minha. Todos estão mortos e a culpa é minha!


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Acordei sobressaltado, banhado em suor e tremendo, resultado do pesadelo que me atormenta desde o fim da guerra.

Todas as atividades do dia anterior cobraram seu preço. Estava tão cansado que acabei dormindo sem tomar a poção do sono sem sonhos. O frasco jazia intocado no criado mudo. Por sorte acordei de fazer escândalo e o quarto não tinha qualquer sinal de descontrole mágico, algo que estava cada vez mais comum desde que atingi a maioridade.

O relógio indicava que eram 3:30 da manhã. Ainda faltava um bocado até amanhecer e eu não tinha condições de voltar a dormir, mesmo com a poção, então peguei um cobertor e saí o quarto.

O nível inferior da casa contava com uma cozinha espaçosa, dispensa, lavanderia, duas salas de estar – uma social e uma privativa - biblioteca e um escritório. Passei pela dispensa para reunir alguns doces e segui para a sala de estar privativa. Dispensei a televisão e convoquei um romance trouxa para passar o tempo.

Cerca de uma hora e meia depois deixei o livro de lado e deixei os minutos passarem até que o sol começou a nascer. As grandes portas de vidro que davam passagem à varanda também davam uma visão privilegiada do amanhecer.


-----x-----


- Cara, você está horrível! - assustei-me com a proximidade da voz. Ergui o corpo para me colocar em uma posição sentada. Em uma poltrona próxima Severus estava sentado e me encarando. A postura ereta não combinava em nada com o cabelo desgrenhado e a cara amassada de quem tinha acabado de acordar.

- Você é excelente em animar as pessoas, parabéns! – ele ergueu uma sobrancelha, exatamente como sua versão mais velha, e esboçou sorriso.

- Estou sendo sincero, você está mesmo horrível. – defendeu-se. – Não dormiu?

- Dormi pouco.

- O que houve?

- Pesadelos. – respondi- Na verdade é um pesadelo só, sempre o mesmo. Mas não quero falar sobre isso.

- Certo. Tishy avisou que o café está na mesa, você ainda pretende comer alguma coisa? – ele perguntou apontando para os pacotes de doce que estavam ao meu redor. A maioria estava intocada.

- Quase não comi. Vamos! – levantei e saí sabendo que ele me seguia.



Mesmo tentando ignorar, o olhar de Snape estava sobre mim durante todo o café da manhã.

- Que foi?- questionei sem olhar para ele.

- Tô assustado com a quantidade de doce que você consome. Pra onde vai tudo isso?

Olhei para o meu prato. Tinha um generoso pedaço de bolo de chocolate. Isso sem contar os biscoitos que eu já tinha comido e o fato de na mesa ainda ter torta, pudim e vários tipos de geleias diferentes para acompanhar as torradas. Não era o café da manhã mais saudável do mundo mas simplesmente dei de ombros.

- Passei muito tempo sendo privado dessas coisas, agora não preciso mais passar por isso. – Snape pensou por alguns segundos antes de falar outra vez.

- Isso tem algo a ver com aquilo que você disse na sexta? Sobre passar a vida trancafiado em um armário? – baixei ainda mais o olhar fazendo uma nota mental para prestar uma maior atenção ao que eu digo.

- Esqueça o que eu disse. Não é importante.

- Falar ajuda, confia em mim! - encarei-o totalmente descrente. – O quê? Foi você quem disse. Vai negar tuas próprias palavras? – desafiou!

- Você é um idiota! E não, não nego o que disse. Só não é tão simples assim, além de ser uma história longa.

- Hoje é domingo e não temos nada pra fazer. – rebateu. – E eu não acho justo te contar as coisas e você me deixar no escuro.

- Tens razão. Ainda assim não me sinto confortável, então façamos assim: você pergunta o que quer saber e eu respondo da maneira mais detalhada que puder, certo? – ele assentiu. – Pode começar.

- Certo. Você pode começar me explicando porque mora sozinho.

- Meus pais morreram quando eu ainda era um bebê. Fui criado pela minha tia materna e o marido dela. Quando atingi a maioridade passei a viver sozinho.

- O que houve com seus pais?

- A casa onde vivíamos foi atacada por um bruxo das trevas. Meus pais fizeram o que podiam para me proteger e acabaram mortos.

- Seus tios não foram bons pra você, não é? Você fala deles é a tua voz deixa claro a mágoa que você sente. – ele disse com os olhos fixos nos meus. Em momento algum ele os desviava .

- Minha mãe e a irmã dela não se davam bem, ou pelo menos passaram a não se dar bem quando a magia da minha mãe se manifestou e a situação ficou ainda pior quando ela começou a estudar magia. Quando meus pais morreram a minha guarda passou automaticamente para o meu padrinho, mas ele caiu em uma emboscada e foi parar em Azkaban injustamente. Acabaram por me deixar com essa minha tia, que não ficou muito feliz em ter que cuidar do filho da irmã estranha.

- Onde é que o armário e os doces se encaixam? - sei que deixei ele perguntar, mas o interrogatório já estava me deixando desconfortável.

- Céus, como você é curioso! – acusei.

- Só estou tentando entender, oras!- defendeu-se.

- Tá! A culpa é minha por te deixar perguntar. – devolvi de mau grado, aquele assunto nunca seria confortável, não importa quanto tempo passe. - Meus tios não queriam cuidar de mim. Nunca fizeram o mínimo esforço pra isso. Desde que eu cheguei na casa fui confinado ao armário que tinha debaixo da escada. Não tive direito a uma infância normal com brinquedos e essas coisas. Desde muito cedo eu tinha que fazer as tarefas domésticas e quanto mais velho eu ficava, mais coisas eram adicionadas a lista de afazeres domésticos. Com relação aos doces, eu só pude experimenta-los quando comecei a estudar magia. Antes disso minha alimentação limitava-se ao que sobrava nas refeições, isso quando eu não ficava de castigo por algum motivo idiota e era obrigado a ficar sem comer. Era isso ou apanhar, era meu tio quem cuidava dessa parte e ele não tinha a mão leve.

- Você não sente raiva deles? Quero dizer, no seu lugar eu sentiria, muita na verdade.

- Confesso que algumas vezes sim, principalmente depois que descobri minha verdadeira história. – ele me olhou confuso e eu expliquei. – Até os onze anos eu não sabia de nada sobre quem eu era. Meus conhecimentos limitavam-se ao meu nome – que só descobri quando comecei a estudar, até aí eu era a “aberração” – e a mentira de que meus pais morreram em um acidente de carro. Depois que soube da verdade acabei me revoltando com os Durs... meus tios, principalmente quando eles falavam mal dos meus país, mas entre continuar revoltado e deixar pra lá, resolvi deixar pra lá. Durante um tempo ainda tive esperanças de poder sair da casa deles e viver com meu padrinho sem ter que esperar até ser maior de idade quando ele conseguisse comprovar sua inocência, mas deu tudo errado e ele acabou morto também. Não era como se eu tivesse muita escolha. Essa situação toda me deixa mais triste do que com raiva. – respondi já sem ânimo pra continuar. Nem meus amigos sabiam direito o que eu passei com os Dursley porque nunca me senti a vontade pra falar. Era bom contar tudo isso pra alguém, mas ao mesmo tempo me deixou pra baixo e tudo o que restava da alegria do sábado se esvaiu. Snape deve ter notado isso, porque se comportou de uma maneira totalmente estranha. Ele se levantou, veio até mim, murmurou um “sinto muito” e beijou o topo da minha cabeça. Depois saiu, pensativo e aparentado estar abalado, e me deixou ali, atônito e com meu corpo totalmente consciente do lugar que ele tinha tocado. 


-----x-----


Snape passou o resto da manhã no quarto. Só saiu perto da hora do almoço com um convite para um almoço e um passeio no Beco Diagonal. Segundo ele seria uma forma de me compensar pela conversa tensa no que era pra ser um final de semana para relaxar e se distrair. “Eu não deveria ter feito tantas perguntas. Sinto-me mal por ter te deixado triste.” Ele justificou o convite.

No fim o passeio serviu ao seu propósito. O almoço estava delicioso e o passeio foi imensamente agradável. O Beco Diagonal estava tão colorido e cheio de bruxos quanto a primeira vez que estive ali aos onze anos. A diferença era que eu podia andar tranquilamente sem ser encarado e sem ter gente pedindo para ver a cicatriz em forma de raio na minha testa.

Durante o passeio Snape me contou um pouco mais da sua vida. Espontaneamente, diga-se de passagem. Mencionou o pai trouxa pra dizer que por ele sua mãe fora deserdada pela família. Contou que não se davam bem e por isso ele passava todos os feriados em Hogwarts, só ia pra casa durante as férias e que mesmo não sendo reconhecido pela família da mãe, sua avó depositava mensalmente uma quantia em um cofre em seu nome, para que ele se mantivesse enquanto estivesse no mundo mágico. “Ela só não quer o nome dela associado a alguém considerado inadequado pela sociedade, já que todos sabem do nosso parentesco.” ele disse.

O passeio teve seu fim na sorveteria Florean Fortescue, para o desespero e a descrença de Severus. Tudo o que eu disse para me justificar era que eu não podia fazer nada. A compulsão por doces era maior do que eu.

A volta para casa foi feita com um sentimento de perda preenchendo meu coração. Não fazia idéia do que aconteceria quando estivéssemos de volta ao castelo, mas não tinha nada que pudesse fazer. Estava na hora de voltar!


Notas Finais


Nox!


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