História Victorian Era - Capítulo 19


Escrita por: ~

Postado
Categorias Amor Doce
Tags Armintorry, Castlin, Dakath, Victorian Era
Visualizações 32
Palavras 2.609
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Ficção, Mistério, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Aloha, boinhos! ^-^
Desculpe a demora e pelo o capítulo ser pequeno, mas voltei às aulas e escrevi mais da metade estando bastante gripada (dor de cabeça dos infernooooooos).
Boa Leitura :D

Capítulo 19 - A Verdade Sobre Bones - Lynn


x Capítulo XVIII x

x A Verdade Sobre Bones x

 

xData: 27 de abril de 1868

xHorário: 21:45

xLocalização: Nova York, Estados Unidos

xEstação: Primavera

xPonto de Vista: Lynn

 

Olhei boquiaberta para Nathaniel, que continuava exibindo o seu sorriso de satisfação e orgulho como tivesse encontrado um tesouro valioso.

Aquele era o Conde Humberto Bones?! O que tinha fugido após a morte da esposa, que era a irmã da Melanie?! O que ele estava fazendo nos Estados Unidos se gerenciava uma fazenda na Alemanha?!

Eu não estava entendo mais nada.

Humberto rangeu os dentes e fechou as mãos em punho, tremendo de raiva. Eu continuei com as duas armas carregadas em sua direção.

- Boa noite, Conde. - falou Nathaniel dando um passo à frente - Fugiu para os Estados Unidos? Interessante. - ele ficou sério - Por quê?

Humberto cuspiu no chão com uma expressão de desgosto no rosto. Nathaniel torceu o nariz com total desprezo.

- Ele tem uma caixa de couro debaixo da mesa. - o rosto do Conde empalideceu - A tampa tem um brasão do R.D.W. Havia um broche e uns envelopes, que eu peguei e guardei comigo.

Nathaniel olhou para mim com um sorriso, orgulhoso por minha causa. Retribuí um sorrisinho tímido e voltei a olhar para o Conde, assim como o guarda.

- Não adianta fugir, senhor Bones. - falou Nathaniel num tom sombrio e sério - Lá na entrada e dentro do bordel estão vários policiais disfarçados para prendê-lo a qualquer momento. Melhor não pensar em fugir.

Humberto continuou rangendo os dentes e apoiou-se em sua escrivanhia.

- O que vocês querem? - perguntou ele entredentes. Ele tinha um sotaque forte e grave... Seria por ele ser alemão? - Eu não direi nada sobre o assassinato de minha esposa!

- Que engraçado. - falou Nathaniel sem sorrir - Pois é justamente isso que viemos atrás de você. Por que fugiu após o assassinato de Louise Richy Bones?

O Conde olhou para todos os lados do escritório, como estivesse planejando uma fuga. Eu estava bastante surpreendida de como um cara tão óbvio como ele fugiu para os Estados Unidos sem levantar grandes suspeitas ou deixar rastros.

- O que ganharei com isso? - questionou ele, olhando diretamente para o guarda - Além da prisão, é claro. Melhor recompensa por colaborar com o caso desses assassinos.

- Você não morrerá hoje. - respondeu Nathaniel num tom frio - Ou deseja tanto morrer agora ao ponto de colocar a mão no bolso para pegar a sua arma?

Humbertou ficou imediatamente pálido e retirou a mão do bolso da calça. Ele voltou a apoiar as duas mãos na mesa. A franja de seu cabelo estava molhada de suor.

Comecei a pensar melhor no motivo de ele ter fugido para os Estados Unidos ao invés da Alemanha. Com medo dos agentes secretos ou dos Guardas Reais o pegarem em seu país de origem? Ou será que era...

Senti um peso horrível no meu peito chamado de “pena” quando realmente entendi o nervosismo dele... Não, o estresse do Conde Humberto Bones.

- Responda. - mandou Nathaniel com seriedade. Ele estava com uma expressão fechada - Por que fugiu para um bordel nos Estados Unidos ao invés voltar para o seu país de origem?

Humberto abriu a boca para responder, mas não emitiu nenhum som quando seus olhos arregalaram-se quando olhou para mim. Nathaniel arregalou os olhos com surpresa também. Eu havia abaixado as duas armas em direção ao chão.

Eu não conseguia mais apontar alguma arma à ele. Eu não sabia dizer se era por pena ou porque conseguia me botar no lugar dele.

Quase perdi Merlin uma vez e entendia a dor dele.

Mordi o lábio inferior, sentindo uma formigação leve no meu nariz e os meus olhos ardentes como tivessem poeira.

- Eu já sei o porquê ele veio para cá. - falei firmemente, respirando fundo para tomar um pouco de fôlego antes que começasse a chorar - Eles ameaçaram vocês dois e mataram a sua esposa como um aviso sobre algo que você não deveria ter descoberto.

Humberto empalideceu e fechou a boca, engolindo algo grosso que estava teimando a permanecer entalado na garganta. O Guarda Real me olhou admirado.

- Estou errada, senhor Bones? - perguntei suavemente.

O homem soltou um suspiro profundo e contornou a escrivanhia para sentar pesadamente em sua cadeira de madeira escura. Ele ficou sentado de lado e curvado, com os cotovelos poiados nos joelhos e olhando para as mãos juntas. Ele emanava uma aura exausta à sua volta, como estivesse vivendo com esse estressse há meses.

Senti-me arrependida por achá-lo um babaca covarde por ter fugido, mas algumas vezes recuar para planejar melhor com mais tempo e cautela poderia ser a melhor opção em algumas ocasiões.

“Recuar para planejar melhor com mais tempo e cautela...”, repeti o meu pensamento para mim mesma. “Parece que vejo um pouco de mim refletido naquele nobre. Realmente, títulos não dizem nada. No final, somos todos semelhantes”.

Não importava quem fosse; se fosse uma pessoa com alto título de Nobreza ou alguém que idolatrava. Éramos todos semelhantes no final. Nós ríamos, chorávamos, gritávamos, ficávamos com raiva, ficávamos eufóricos, tínhamos rancores e tínhamos lembranças tristes e felizes. Botar títulos nos outros como fossem produtos à venda e exibição era uma atitude irracional e infeliz. Além de aumentar a desigualdade e o preconceito, provavelmente os que estavam acima dos outros sentiam-se sozinhos em alguns momentos e invejavam aqueles que estavam juntos em maior número e viviam da melhor maneira que podiam numa situação tão desfavorável.

Era tão difícil conviver em conjunto sem botar alguém acima dos outros?

Naquele momento, me perguntei se Merlin tinha o mesmo pensamento ao dirigir-se à rainha com tamanha audácia e naturalidade. Afinal, a minha irmã tratava uma pessoa do mesmo modo que essa pessoa a tratava.

Não era uma surpresa Merlin tratar Vitória com tanto desprezo.

Eu faria a mesma coisa se fosse um pouco sem noção como ela.

- Você não está errada, garota. - respondeu o Conde num tom distante. Parecia que ele nem prestava atenção direito, apenas parecia desabafar - Foi exatamente isso que aconteceu. Eu descobri informações ultra-secretas sobre a organização F.D.W. e não são informações muito felizes...

- Por que gerencia em segredo um bordel aqui? - interrompeu-o Nathaniel - Você não é dono de uma fazenda na Alemanha, certo? O que aconteceu?

- Esse bordel é apenas fachada para transportar ópio e dinheiro desviado. As moças raptadas seriam vendidas nos “mercados negros” ou trabalhariam aqui. - respondeu Humberto - E outra, eu não gerenciava, apenas era um capanga do antigo dono...

- Repugnantes... - resmunguei, apertando com força o cano das armas - Vocês são nada mais e nada menos que um bando de bostas.

- Eu não tinha ideia de quão nojentos éramos até uns meses atrás. - explicou-se o Conde, ainda sem nos encarar - Eu estava obcecado pela grana que estava ganhando com esses trabalhos e também os previlégios. Eles sabem como manipular os outros, fechar os olhos dos outros, então acabei não vendo as verdadeiras intenções deles.

- Quais são as intenções dessa facção? - questionei.

- Não descobri muitas coisas quando acabei dando uma olhada nas cartas do meu super... do meu ex-supervisor, que era o dono daqui, ou deixaria as coisas mais suspeitas. - revelou ele - Eles estavam fazendo experimentos em humanos, tentando criar alguma arma letal.

Eu e Nath nos entreolhamos, um mais confuso e incrédulo do que o outro. Como poderiam fazer uma coisa dessas sem ninguém saber? Nem mesmo a Rainha Vitória?

- Eles mascaram tudo para nenhuma autoridade saber, nem mesmo a da Grã-Bretanha. - Humberto respondeu a nossa pergunta silenciosa - As informações que obtive foram o suficiente para eu perceber o que estava acontecendo e ficar cauteloso sobre os outros membros da facção. Foi na metade do ano passado e já estava casado com Louise. Ela me pediu para contar a verdade para ela sobre o que estava me estressando e fiz isso, mas foi um erro, pois alguém que estava ouvindo a nossa conversa me dedurou em dezembro e o supervisor nos ameaçou. Ele disse que era melhor eu ficar calado ou mataria a minha família, mas nem eu sabia onde a minha família estava há anos, então não falei nada sobre por um tempo. - ele respirou fundo - Eu iria revelar as informações que obtive para a rainha no dia seguinte depois da peça com Louise, mas...

Sua voz falhou. Eu fechei os olhos e respirei fundo. Estava sentindo o que ele sentia; a perda de uma pessoa que amava. Ele amava Louise, não casou com ela por negócios, mas pelo o que sentia por ela. Era raro algo assim haver entre nobres, já que boa parte dos casamentos eram arranjados e escolhidos pelos pais.

E quem decidia isso era sempre o nobre homem. A mulher nobre não tinha importância, por isso ela adquiria o sobrenome do marido.

Eu detestava esse pensamento onde a mulher não podia expressar sua opinião.

- Então eles a mataram. - concluiu Nathaniel com uma expressão séria - Eles estavam vigiando os seus passos. Não estou surpreso de eles terem descoberto sobre o que pretendia fazer.

O Conde apenas balançou levemente a cabeça, concordando com o que Nath dissera.

- Fugi da Inglaterra e me escondi aqui sem ninguém saber. - falou Humberto. Em nenhum momento, ele havia nos encarado - Esse bordel era do meu ex-supervisor e o matei assim como o dedurador. De apenas um capanga eu acabei virando o dono do local. As moças raptadas, eu as liberava logo depois de embarcarem para cá e depois as mandava para um navio para a Inglaterra. Como as jovens eram de classe média a nobres ou prostitutas, não foram divulgadas nenhuma notícia sobre os desaparecimentos delas para o público. Quanto ao tráfico de ópio, mandei queimá-lo num quarto. Já o desvio de dinheiro, não gastei em nada durante esses meses. A única coisa que gastei com dinheiro foi para o bordel e foi com o meu dinheiro.

Se arrependendo por causa de seus crimes... Mas não era nenhum pouco o suficiente para se livrar de uma prisão com pena a cumprir por vários anos.

Eu nem sabia se a rainha o deixaria viver depois de obter todas essas informações dele.

- E quanto a fazenda? - questionou Nathaniel.

Humberto ergueu a cabeça para nós dois. Seus olhos demonstravam exaustão e não havia nenhum brilho neles.

- Deixei como propriedade para minha esposa. - respondeu ele ainda no mesmo tom de voz distante - Aquela fazenda possui uma casa grande de campo, não é apenas um local de trabalho; também é uma grande moradia. O supervisor sempre dava um jeito de eu não pagar impostos e também para desviar dinheiro. - ele abaixou a cabeça - Isso é tudo o que tenho a dizer agora...

- “Agora”? - repetiu Nathaniel, desconfiado.

Concordou o Conde com a cabeça.

- Daqui a alguns minutos, algum assassino virá para esse bordel e me matará porque um maldito traidor pegou as cartas que enviaria para a Majestade contando todas as informãções que obtive e mostrará para algum outro supervisor...

- Isso não ocorrerá. - interompeu-o Nathaniel - Iremos impedir isso.

Olhei com surpresa para ele. Não era uma frase de otimismo ou para consolar alguém, mas uma afirmação que escondia um intenção severa. O Conde olhou para o guarda, confuso, parecendo perceber o que queria dizer.

- Como irão impedir um dos assassinos de me matar? - questionou ele.

- Levando-o de volta para a Inglaterra, é óbvio, senhor Bones. - respondeu Nathaniel, mexendo nos bolsos internos de sua capa. Ele tirou um par de algemas de ferro - Você será julgado pelos seus crimes perante o juíz e perante a Majestade. Sem dúvidas, você ganhará no mínimo uma ordem de prisão.

Humberto ficou em silêncio enquanto Nath lhe colocava as algemas nos pulsos. O Conde abriu um meio sorriso amargo.

- Parece que não há mais saídas para mim. - falou ele - Mas não me arrependo de me entregar, no final.

Ele lançou um olhar significativo em minha direção, mas voltou os olhos em direção ao chão.

Passos apressados e pesados vieram do corredor. Policiais de Nova York entraram no escritório com as armas de fogo nas mãos e apontando para o Conde Humberto, que já se levantara.

Eu e Nathaniel decidimos ficar esperando parados até os policiais levarem o detido para fora do escritório, em silêncio. Eu e o guarda nos entreolhamos.

- Melhor irmos. - falou Nath de forma devagar como estivesse avaliando a minha expressão - Não temos mais nada para verificar aqui.

Eu respirei fundo, tomando um pouco de fôlego para falar com firmeza. Eu não estava conseguindo engolir tudo aquilo. A minha cabeça parecia não conseguir processar as informações que recebi, apesar de ter ouvido muito bem e pensado sobre elas.

Mas não conseguia formular uma opinião sobre tudo.

- E se eu deixei alguma coisa passar? - perguntei, olhando ao redor.

Nathaniel aproximou-se de mim e me abraçou, me puxando para perto de si. Sentindo-me cansada, apoei a minha cabeça em seu peito.

- Acredito em sua intuição. - respondeu Nath. Pelo seu tom gentil e suave eu julguei que ele estava sorrindo levemente mais para me acalmar - Vamos sair daqui e voltar para o hotel. Precisaremos estar no navio amanhã de manhã, lembra?

Ele estava me persuadindo para ir embora dali para que eu não ficasse pensando sobre tudo o que ouvi. Humberto fugiu quando descobriu o quão horrível era a facção a qual participou e escondeu toda a verdade dos outros, principalmente de sua esposa para não causar problemas à ela, mas ela acabou insistindo e ele contou toda a verdade, o que foi um erro.

Mas se ele não tivesse contado a verdade para ela? O cenário seria o mesmo? Ele perderia sua amada esposa?

Eu ficava imaginando se perderia Merlin contando ou não a verdade para ela.

Fiquei por mais alguns minutos abraçada com Nathaniel, que não insistiu e muito menos forçou para que saíssemos do local. Apenas voltamos para as ruas pouco iluminadas de Manhattan quando já não aguentava mais ficar num local tão cheio de casos sujos e de uma aura tão negativa.

Ao chegarmos na entrada do bordel, vimos o Conde Humberto sendo empurrado para dentro de um cabrióle da polícia de Nova York. Um dos agentes secretos da Rainha Vitória conversava com quem parecia ser o chefe da polícia, provavelmente discutindo sobre a ida do prisioneiro para a Inglaterra.

Olhei para o céu noturno com algumas pequenas estrelas brilhantes quando lembrei-me de algo.

- Ainda não embrulhei o presente para a minha irmã... - murmurei.

Escutei uma risada baixa do meu lado. Voltei os olhos para Nathaniel, que segurou a minha mão direita enquanto exibia um sorriso divertido no rosto.

- Melhor fazer isso ainda hoje. - falou ele num tom pensativo - Então, teremos mais ou menos dois meses de descanso.

Aproximei-me dele, entrelaçando o meu braço no dele.

- Mais ou menos dois meses para ficarmos bem juntos. Aproveitarei bem esses dias restantes. - falei com um sorriso.

“Queria que pudêssemos ficar sempre juntos dessa forma nos outros dias”, falei para mim mesma com um pouco de amargura. Eu não podia ficar com ele dessa forma na Inglaterra por causa dos pais do Nathaniel e também por causa de minha irmã gêmea.

Mas estaria aguardando pelo dia em que eu e Nathaniel iríamos revelar a nossa relação e viver sem medo de que alguém descobrisse e tudo desmoronasse.


Notas Finais


Espero que tenham gostado :3
Leiam a minha outra fanfic de Amor Doce: https://spiritfanfics.com/historia/the-observer-9769887


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