História Vidas em neon - Capítulo 5


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Colegial, Família, Gay, Original, Realidade, Romance, Vida
Exibições 8
Palavras 4.785
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Festa, Lemon, Orange, Romance e Novela, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Suicídio, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Ah vey, sei lá.

Capítulo 5 - Capítulo 05 - A festa -


Fanfic / Fanfiction Vidas em neon - Capítulo 5 - Capítulo 05 - A festa -

-Vanessa, tu viu o ferro de passar? – Grito saindo da frente do espelho e correndo para o quarto da garota, que ainda está amassando os cachos loiros e longos em frente à penteadeira branca.

-Garoto!!! – Se surpreende fechando o hobby de seda em cima de seu belo conjunto de roupa intima, que ela só usa em super ocasiões. – O que foi?

-Tu viu o ferro?- Repeti a pergunta. –Alguém vai se dar bem hoje. – Disse mostrando que ela não cobriu rápido o suficiente o conjuntinho do sexo.

-Assim espero, mas para de falar que dá azar -  Disse, terminando com os cachos e me dando o ferro.

-Obrigado e boa sorte. – O casal não estava fazendo muito a coisa que casais costumam fazer e para mim pareceu estranho, já que os dois haviam esperado quase um semestre depois do começo do namoro para se aprofundarem romanticamente no relacionamento.

Mas minha cabeça estava em outra coisa, fazer minha roupa ficar lisa. Sim, eu faço isso, não tenho tesão pela vida dos outros como a maioria das pessoas, se não posso ajudar não me envolvo. Estou colocando minha roupa e me admirando no espelho, me inspirei com a Vanessa e decidi colocar minha cueca especial também já que também fazia tempo desde que alguém tinha me tocado fora dos meus sonhos. Fui escovar os dentes e depois coloquei a  camisa regata de camurça marrom com a jaqueta, que tinha me custado um rim e meio, e uma calça rasgada na parte de trás da canela, com várias tiras perto da “bainha”, que não estava mais lá, já que eu a tinha desfeito para desfiar mais, tudo isso com um sapato preto de plataforma plana que o Tris tinha me mandado diretamente dos brechós de Milão, onde custou apenas dez euros. Ainda achando pouco peguei alguns anéis que eu tinha comprado pela internet e tinham chegado na intenção da festa. Pronto, mando uma foto no snap pra o resto da Santa Aliança (Camila, Mona, Who) menos para Vanessa porque achei desnecessário. Desço as escadas e Vanessa está combinando comigo com um saião de camurça caramelo, de fenda lateral e cós baixo, além de um croped jeans, como se fosse um colete faltando alguns botões e uma sandália plataformada vintage.

-Vocês vão combinadinhos? De quem foi essa ideia? – Nossa mãe perguntou surpresa, já que quando éramos pequenos valorizávamos bastante nossa “individualidade” nos estilos de vestir. Mais especificamente Vanessa porque ela detestava ser confundida com um garoto, mas pensando bem acho que a mudança começou quando ela teve que jogar a opinião alheia no lixo devido à sua sexualidade classificada como confusa (de forma bastante preconceituosa) por pessoas que valorizam demais a sexualidade binaria onde só se pode ser gay ou hetero, nada além disso. Nós partilhamos dessa “pequena” irritação, principalmente quando ela começou a namorar o Camilo, nessa época as pessoas falavam que ela o trocaria por uma garota e que ele teria tido sorte porque talvez ele pudesse participar desse momento, como se a sexualidade da minha irmã fosse agora um hobbie sensual para agradar os homens. Enfim agora estávamos lindos, resolvidos e orgulhosamente parecidos, salvo algumas coisinhas. Tiramos uma foto para o Tris que praticamente nos tinha vestido, considerando que quase tudo que tínhamos era “resto” dos desfiles dele.

-Não façam nada que eu não faria- Minha mãe disse enquanto o Chris mandava a foto para o Tris.

-O que seria isso exatamente?- Vanessa se atreveu a perguntar recebendo uma cutucada minha.

-Fica tranquila Dona Estella!- Respondi por cima do pequeno protesto de Vanessa.

Saímos de casa e pegamos um Uber que chegou rapidamente e nos levou na casa da Mona para busca-la, a garota estava ainda mais gata como se fosse possível. Com um vestido todo em um paetê preto que terminava a alguns dedos do seu joelho, colado em seu corpo curvilíneo e com o zíper aberto na altura da base do seu farto busto, que claramente ela abriu logo que saiu pela porta de casa já que sua mãe nunca deixaria um “absurdo” daquele. O black rosa da garota brilhava com uma espécie de glitter capilar   e ela fechava seu look com um all star rosa no mesmo tom de seu cabelo.

-Aposta quanto que ela comprou o tênis só por causa do cabelo?- Eu falei rindo.

-Na verdade foi a tinta que eu comprei no mesmo tom do tênis, tá querido? - A garota disse entrando no carro e nos fazendo rir, nós fomos para a festa conversando e dançando dentro do uber, que tinha uma playlist maravilhosa com uma mistura de Regaeton e trap music que animava até uma pessoa em coma. Assim que saímos do carro Mona puxa um maço de Lucky Strike (Straight Blue) ao mesmo tempo em que Vanessa tirava seu maço já usado até a metade de Camel e eu peguei o isqueiro da minha vó para ascender a festa ainda do lado de fora da casa, porque o Camilo estava encarnando quando a gente fumava já há algum tempo. Terminando aquela primeira rodada, nós pegamos uns chicletes e entramos na casa da Who. A arrumação estava super legal, placas por todo o lugar com algumas regras básicas e algumas brincadeiras como:

“ Não quer brincar, então vai pro quintal ”

Mais tarde explico a referência. Além disso, tinha os copos coloridos, os minitanques de cerveja, os bebedouros de suco gummy, os gummy bears banhados em vodca e a mesa de roska com uma galera bem gata preparando os drinks. As comidas e bebidas ficavam no quintal porque as pessoas tinham o costume chato de cair em cima das coisas e acabar com a bebida, então decidimos mexer na logística da festa. O DJ estava pegando fogo e era bem bonitinho também, mas parece que ele estava olhando para a Mona que realmente estava uma coisa maravilhosa.

-Nossinhora!!!- Camilo chegou por trás da Vanessa, que se virou agarrando o  garoto e beijando-o como se fosse a ultima vez que fosse fazê-lo na vida.

-Credo!!!- Eu e Mona nos afastamos para encontrar a Who que estava conversando com um garoto MUITO gato no quintal. Esperei até a Who fazer algum sinal para que eu e Mona nos aproximássemos sem atrapalhar o que parecia um ótimo esquema. 

-Boa noite, toquinho- Mona disparou – Quem é o seu amigo?

-Luana, prazer!- Droga, deve estar querendo a Mona. – E quem é o SEU amigo.

-Esse é o...- Ela já ia me apresentando quando tomei a frente.

-Eu sou o Francisco, mas pode me chamar de Fran – Dei a mão para o que achei ser um aperto amigável, mas acabou sendo um abraço bem forte, meu deus que cheiro maravilhoso.

-Vocês estudam na Frida com a Who? – Luana perguntou para mim e Mona de forma despojada.

-Sim- Até a Who respondeu, claramente estava afim também.

-Ai que ótimo! Adorava aquele lugar. - Falou tomando um gole do que parecia ser uma roska de morango ou acerola.

-Isso está bom?- Mona ataca novamente.

-Está ótimo! Quer um pouco?- Disse esticando o braço e oferecendo a bebida para a Mona que garantiu o baba dela agarrando o canudo com a língua em um movimento arriscado para qualquer pessoa, mas que para ela foi um golpe certeiro já que Luana pareceu gostar do que via. Isso até uma garota super gata com um turbante chegou agarrando nosso mais novo amor deixando bem claro seu compromisso. - Oi, meu amor!

-Estava te procurando em todo lugar sumido. - A garota falou, pegando a bebida e colocando na mão de Mona e levando nosso crush para dentro da casa.

-Tchau!- Os três disseram embasbacados com a situação. Como Deus pode fazer alguém tão perfeito e não deixar o mundo desfrutar de tamanha beleza.

-TÁ FODA VIU?!-Who gritou um pouco injuriada com a situação e todos rimos indo para a fila da roska. Agarrei as duas pelos braços e seguimos para a mesinha da diversão. Mona lambia o canudo buscando aproveitar o que teria sobrado de Luana no copo.

-Chega Mona, pede logo a sua e joga esse copo fora. - Disse já impaciente com a insistência da garota em sugar um copo vazio.

-Moço, faz três desse para mim. Bem forte!  – O moço pegou o copo e fez três roskas super fortes para nós. Entramos de volta na balada e começamos a dançar, a galera estava bem louca, encontramos com o Daniel que já estava felizinho dançando surpreendentemente bem. O garoto se aproximava dançando um tanto sensualmente em minha direção(tocava where are u now), quando me segurou pela cintura e começamos a dançar bem juntos forçando os corpos um contra o outro, fazendo algumas pessoas nos olharem e Mona e Who gritarem loucamente como se nunca tivessem me visto fazer aquilo. A música acabou e o Daniel me abraçou:

-Você está bem bonito ein?!

-EU SEMPRE ESTOU BEM BONITO- Respondi cavando mais um elogio – Você também não está nada mal e para alguém que vestiu “qualquer coisa”, você está bem arrumado.

-Tive que investir um pouco para impressionar. - O garoto acariciava meu braço de leve.

-Valeu a pena- Respondi ao garoto que estava com uma regata bem cavada dos lados revelando todo o seu corpo trabalhado e uma tatuagem na costela, um crânio perfeito com algo que no escuro parecia um cano de arma entre os dentes.

-Coooom certeza!!!- Mona atacou novamente abrindo espaço entre o garoto e eu.

-Que passos foram esses?- Who perguntou animada.

-Eu faço dança desde pequeno, por sinal amanhã tenho minha primeira aula na Frida. - O garoto falou dando uma chegada mais próxima no ouvido da pequena que usava um vestidinho que exibia seus ombros e tinha uma manga longa, em boca de sino. Aparentemente a garota usava apenas aquilo e uma sandália gladiadora, estava bastante ousada para o comum de suas roupas largas e disformes. Outra música começou e Mona e eu começamos a dançar juntos enquanto Who e Daniel dançavam bem próximos. Droga, ele realmente sabe dançar e isso estava mexendo comigo de uma maneira que “UI!”. Tocava Trndsttr quando eu e Mona decidimos procurar por alguém que talvez tivesse alguma coisinha diferente para intensificar a diversão. Um amigo nosso estava com uma cartelinha de “balinhas especiais” -como ele chamava pra disfarçar, não sei para quem. Eu e Mona compramos um e dividimos, fomos direto para a balada para esperar bater enquanto dançávamos. A musica começou a me arrepiar e aí eu senti que o efeito estava começando, acho que tocava sex with me, as letras entravam pelos meus poros e eu podia sentir o cômodo cheio se pulsar com movimentos firmes, concentrados e compassados, várias pessoas passavam por mim se tocando meu corpo e acariciando minha pele com toques quentes até um nível em que o ar-condicionado não dava mais conta. Outra musica mais agitada começou a tocar e Daniel aparece de novo, sua tatuagem me chamava atenção e enquanto o garoto dançava rindo, eu observava os movimentos que a caveira tatuada na lateral do seu tronco fazia, ela se mexia abrindo e fechando o maxilar tudo parecia ser surreal, eu realmente via neblina no ar da balada e surgiam algumas cores fortes no ar, que de alguma forma me enlouqueciam. Eu dançava muito rápido ao som da música e parece que o tempo parava e acelerava com as luzes estroboscópicas, tudo parecia muito mais profundo do que era e sempre que alguém me tocava eu sentia que o ambiente ficava vermelho. Mona chegou mais perto de mim me acariciando e beijando meu pescoço, nós começamos a dançar sensualmente um com o outro enquanto outras pessoas nos tocavam, nós começamos a nos beijar como de costume o que durou por um tempo de algumas músicas talvez, senti que tudo rodava e parava quando eu a beijava, eu a tocava com força enquanto a garota forçava sua pélvis contra mim.

-Faz aquilo, Fran. - Ela falou de leve no meu ouvido me deixando louco, eu a empurro para um canto onde arrastei minha mão para dentro do vestido da garota, eu beijava seu pescoço com mordidas furtivas e compassava o nosso beijo com o movimento dos meus dedos, que a essa altura já despertavam na garota sensações diversas. Alguém se aproximou e começou a beijar meu pescoço e beijar a Mona também quando abri meus olhos era a Who, as garotas se beijavam e riam um pouco enquanto a menor começava a me tocar por fora da calça e a me ajudar entre as pernas de Mona. A música mudou e Vanessa me puxou do canto num movimento só, cortando o clima e levou os três para fora do espaço.

-O que é que vocês tomaram?- A garota perguntou com os olhos marejados.

-O que é que você tem?- Mona perguntou pondo a mão no rosto de Vanessa.

-Meu namorado não quer fazer sexo comigo. Acho que ele não me quer mais, quero o que vocês usaram. - Disse estendendo a mão.

-Eu só tenho um beck agora, mana! - Disse tirando um sachê com o cigarro de maconha.

-Prensada? - Vanessa fez uma careta.

-Naturalíssima - Respondi fazendo uma cara de felicidade pra ver se ela se animava.

-Me dá issoooooo!!! - Funcionou, a garota pegou meu isqueiro no bolso de trás e acendeu, dando uma tragada longa no cigarro.

-Eu quero também viu filhona?!- Disse rindo da garota, acho que o efeito da bala já estava passando, nem imaginei que tivesse passado tempo suficiente para isso.

-Eu também –Mona e Who protestaram.

-Passa logo Vanessa- A garota estava segurando para mais uma tragada. Passou em diante e começou a dançar com os braços no alto enquanto cantando a música tocando lá dentro. Quando terminamos, voltamos para aquele ambiente imerso em música e suor e o Camilo estava na mesa de Dj:

-Cadê o Dj? – Perguntei meio lerdo.

-Você tá muito louco, Fran? Tá quase na hora da dança das cadeiras. - O garoto apontou o relógio que apontava duas da manhã. Todo ano, na festa do terceiro ano, tinha essa brincadeira para os alunos se entrosarem melhor e normalmente eu ficava na mesa porque eu quase sempre estava acompanhado, não foi o caso desse ano. 

-Ita!!- Disse me posicionando para começar meu trabalho de costume. O Camilo desceu e puxou a Vanessa para fora como se fosse conversar com a garota do lado de fora.

-JÁ SÃO DUAS HORAS - Gritei para todos que já sabiam o que fazer.

-DANÇA DAS CADEIRAS- Mona gritou juntamente com a Who.

-Sério que vocês estão felizes para brincar de dança das cadeiras? - Daniel questionou.

-É uma brincadeira diferente do que você está imaginando. - Mona anunciou.

-Okay! Pra quem não sabe as regras:

                *Fica quem quer.

                *Assim que um dos dois se afastar você se afasta também, nada de insistências.

                *Sem fotos, sem luzes, sem julgamentos e sem trapaças.

                *O beijo acaba quando acabar a música!

-Beijo???- Daniel se assustou.

–Isso não é brincadeira de criança, gatinho! – Mona falou pro garoto.

 

-Contagem regressiva do dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois, um. – Assim que a contagem acabou, as luzes se apagaram e eu comecei a jogar o beat, enquanto a galera se pegava lá embaixo. Os beijos mais inusitados aconteciam, na pista, ninguém olha a cara de ninguém, só beijos livres enquanto a música tocava. Quando eu mudava a musica, mudavam os parceiros e foi assim até duas e meia da manhã, o pessoal pegava fogo lá embaixo e chegavam ainda mais pessoas, eu não pegava ninguém estando na mesa de Dj, porque eu era o único que enxergava devido a luz inevitável do computador, o que eu usava de desculpa já que não tinha um acompanhante como justificativa. Do nada, uma mão fecha a minha tela do computador e me pega para um beijo furtivo. Sinto a força da pegada daquela pessoa que eu acho que era um garoto de capuz, o casaco sem mangas me fazia sentir os músculos e as pulseiras de couro enroscando em minha roupa, nunca ninguém tinha feito aquilo na dança das cadeiras e normalmente eu teria expulsado a pessoa da mesa do dj, mas o beijo era maravilhoso e me tocava com desejo sem dizer nada, o abdome sarado se atritava com o meu e eu conseguia sentir um membro enrijecido na calça do desconhecido, que me tocava ainda mais atrevidamente ao arrastar as mãos para a minha bunda apertando o local com força e cheio de posse do que fazia. Todos os efeitos das coisas que eu tinha usado já tinham passado mas eu ainda sentia aquele toque queimando minha pele e já sentia um beijo que eu conhecia de longe. De repente me lembro que tenho que trocar a música, tentando alcançar o notebook mas sendo impedido pelo anônimo me devorando:

-Não vale espiar - Imediatamente saí do transe, definitivamente eu conhecia aquela pessoa. Levantando a tela com força de verdade, o garoto sumiu na multidão e eu fiquei com cara de tacho na mesa de Dj. Rapidamente mudo a música para voltar a encarar a multidão de gente e ver o encapuzado fugitivo. Decido descer do palquinho dando lugar para a Who subir, mas sou capturado por outras pessoas que me impedem de andar, então me liberto de todos e vou para o quintal para respirar um pouco, chegando lá eu vejo Vanessa desmaiada num sofá e Camilo já desesperado tentando dar água para ela.

-Já está tarde demais para água. Ela bebeu tanto assim? - Estranhei, mas o costume com a situação não me permitiu enlouquecer, peguei rapidamente uma ampola de glicose que eu sempre carrego quando saio com a garota que já gosta de dar PT (perda total) e forcei na boca da desmaiada. – Engole Vanessa! Agora senta e espera. – Disse me sentando do lado da garota e segurando sua cabeça para que não engasgasse.

Camilo me encarava com uma cara de tristeza.

-Fran, eu não tô bem!-O garoto disse isso e começou a chorar com as mãos nos olhos, o quintal estava vazio e o garoto entrava em desespero em meus braços.

-Calma, irmão! Ela vai acordar, isso sempre acontece. – Disse estranhando a bad que se instalava no garoto sempre tão estável.

-Isso é culpa minha, Fran. - O garoto nem enxugava as lagrimas, malmente respirava e me deixava sem muita escolha para consolá-lo já que eu segurava a cabeça da Vanessa.

-Como assim? - Perguntei, como que a bebedeira de Vanessa pode ser culpa dele?

-Eu não tô conseguindo estar lá pra ela. - O garoto esclareceu, ou pelo menos eu achei que aquilo fosse só sobre sexo.

-Faz quanto tempo que vocês não...? – Não falei a palavra para não constranger o garoto em prantos.

-Desde que eu soube do câncer do meu pai. - Um arrepio tomou conta do meu corpo, o garoto falou aquilo e imediatamente colocou a mão na boca se calando por ter falado aquilo que ele parecia estar guardando há um tempo. Camilo tinha mania de segurar essas barras pesadas sem falar para ninguém.

-O QUE? - No susto do grito que eu dei a Vanessa acordou de supetão interrompendo a conversa. - Vai buscar água para ela Camilo! - O garoto levantou e correu para buscar agua para a menina que se virou para mim falando.

-Irmão, eu tomei duas cápsulas! Me ajuda. - Rapidamente a levei para o banheiro, fechei a porta e a garota quase desmaiada que se apoiava em meu pescoço se ajoelhou frente a privada. - Eu não consigo, Fran.

-Força, Vanessa! - Estava muito preocupado com o que quer que seja que ela tinha colocado para dentro.

-Eu não quero! – A garota sempre ficava nesse enjoo eterno quando bebia, mas dessa vez nós tínhamos apenas o tempo até que as capsulas fizessem efeito na garota e ela tivesse alguma reação.

-Você vai vomitar essa merda agora, garota! - Disse segurando a garota pela cabeça e forçando meus dedos na garganta dela, quando o Camilo entrou no banheiro gritando.

-Você tá machucando ela!!!- O garoto gritou sem entender a gravidade da situação.

-Eu tô salvando minha irmã. - Disse gritando e empurrando o garoto de volta para perto da porta, até que a garota começou a vomitar e eu a segurei firme para que não batesse a cabeça caso desmaiasse de novo. Assim que a garota terminou de vomitar eu gritei. -Cadê a água Camilo?

O garoto estava imóvel e espantado com a situação que tinha acabado de ver, nunca tinha presenciado a Vanessa a beira de uma overdose e ficou ainda mais abismado ao ver a quantidade capsulas que a menina tinha ingerido, que excedia e muito a quantidade que ela disse ter usado. Agarrei a garrafa na mão do namorado paralisado e forcei para que Vanessa bebesse, mas a garota vomitou mais ainda. Assim que ela terminou de vomitar, se apoiou em mim bebendo mais água e chupando um pirulito que o Camilo tinha no bolso para neutralizar o efeito de algumas das capsulas que já haviam sido abertas dentro da garota. A menina em meus braços tomou a garrafa de agua inteira e lá para as quatro da manhã a mesma dormia em meu colo tranquilamente, enquanto estamos os três sentados no chão do banheiro o Camilo decide falar:

-Desculpa- Ele disse olhando para baixo.

-Você não tem nada a ver com as merdas que Vanessa faz. Ela faz isso desde que começou a beber, a diferença é que hoje foi com droga. - Eu falava isso enquanto fazia carinho nos cachinhos loiros da minha irmã.

-É, mas eu sou namorado dela, era dever meu estar com ela na hora em que ela decidiu tomar aquelas coisas. - O garoto estava bem abatido.

-Eu sou irmão dela, sabendo do descontrole da minha irmã essa responsabilidade é minha e sempre foi e sempre vai ser, não importa quantos anéis de compromisso ela coloque no dedo. - Ficamos em silencio e por volta das cinco a Vanessa acorda e o Camilo a segura enquanto eu vou lá fora ver se tem alguma comida para a garota ressuscitada. Lá fora está uma zona e a Who estava deitada no sofá gargalhando sobre alguma coisa que tinha no celular da Mona.

-Olha o sumidooooooo! – A japinha gritou –Nós fizemos várias coisas ein?!

-Eu tava no banheiro com... -Fui interrompido pelo professor Marcelo que desceu as escadas, com os sapatos na mão e saiu correndo pela porta. Eu olhei para a Who que me encarava assustada. - Com a Vanessa. Aquele é o...? –Ainda não queria acreditar. 

-De novo???- Who questionou tentando mudar de assunto inutilmente já que Mona desceu as escadas logo depois.

-Mona?!- Tentei ligar o pontos, mas desisti logo em seguida, não tinha condições de lidar com aquilo. - Quer saber? Quanto menos eu souber, melhor. - Disse me voltando para o diálogo interrompido com a japa estirada no sofá -Dessa vez não foi só bebida e você pode mesmo falar né moça? - Falei lembrando-a do incidente em que ela vomitou em Mona. -Se arrumem logo para gente chegar pelo menos no segundo horário da aula.

-AAAAh não! - Mona protestou.

-Nem vem, Mona! Seus pais te matam se você faltar aula por causa de porre! –Disse conscientizando a garota.

-Não vai ter ninguém amigo! - Ela tentou negociar.

-Quem dá aula é professor sabia? - Disse convencendo as duas a subirem e se arrumarem enquanto eu chamava uma pizza para o café da manhã. Logo depois eu ligo para o Cris:

-Mano, a Vanessa passou mal, a gente já resolveu a maioria, mas eu queria que você levasse ela pro hospital para dar uma confirmada sem a mãe e o pai saberem, tem como? -  Acho que o garoto tinha acabado de acordar.

-Já tô indo. –O Cris era meio ausente mas quando necessário, ele sempre cooperava para nos acobertar.

-Pegue o carro, ela tá meio dopada ainda. – Disse finalizando a ligação.

-Tá, Francisco! Tchau. – O garoto ficava impaciente de manhã.

Voltei no banheiro e chegando lá Vanessa estava dormindo de novo:

-Meu irmão vem buscar ela pra leva-la no hospital. - Avisei o Camilo que a tinha nos braços.

-Eu vou com ela. - Ele começou a se levantar com a menina nos braços.

-Não, você vai voltar para casa pra dar um check no seu pai e depois voltar pro segundo horário, já chamei seu Uber. - O garoto levantou com Vanessa nos braços e quando chegou seu carro ele deixou a menina no sofá e foi pra casa. Nesse meio tempo o moço da pizza chegou, eu servi uns pratos e assim que as meninas desceram prontas, eu deixei a Vanessa na custódia delas e fui tomar meu banho. Tomei meu banho na suíte da Who e durante o banho tentei assimilar tudo que havia acontecido naquela noite, o beijo do desconhecido, a Vanessa usando drogas aleatórias, o câncer do pai do Camilo e o nosso professor que provavelmente estava de casinho com Mona. Terminei meu banho, vesti uma camisa da Who, com a calça da festa e desci para comer com as meninas. Chegando lá a Vanessa já não estava mais lá:

-Cadê minha irmã? -Perguntei desesperado.

-Calma, Fran! Teu irmão acabou de levar ela pro hospital. Mas ela já estava acordando.- Me acalmei e fui sentar com elas na mesa.

-Então, Professor Marcelo ein?!– Perguntei olhando para Mona que pela primeira vez me parecia envergonhada.

-Ah qual foi Fran, eles estão rolando desde o ano passado.- Who disparou com a expressão de sempre.

-O QUE? – Gritei na mesa batendo os talheres contra o prato. -  Então foi por isso que você passou?

-EI! Eu até tentei mas ele não aceitou. Eu tive que estudar. – Ela disse como se fosse um absurdo estudar.

-Peraí! Então o pau no seu celular era o dele? Ai meu deus, eu vi o pau do professor Marcelo! – Eu disse sem conter a risada.

-Ai, isso é o de menor. – Who terminou o prato e foi pra pia para lavar um pouco da bagunça. –Lembra dos convites misteriosos para a formatura do terceiro ano do ano passado?

-AI MEU DEUS, esse tempo todo e você estava pegando o professor??? Vocês já devem estar namorando. Como é que ele teve cara de aparecer aqui ontem? Será que alguém viu ele? E se alguém o viu o que acontece? Caralho! É muito pra absorver.

-Pois prepara que tem mais! Ele disse que a ama agorinha a pouco. -Who se virou com o pano de prato no ombro.

-O QUE? E agora? Você o ama? Ai meu deus se controla Francisco. –Não estava conseguindo segurar a empolgação.

-Agora nada, a gente vai continuar transando, eu vou continuar gozando, mas não vai ter essa babaquice de amorzinho. – Mona falou irritada como se o brinquedo preferido do playground tivesse quebrado.

-Ai Mona! Vai dizer que você não gosta dele? –Disse duvidando.

-Claro que eu gosto, mas isso quer dizer que eu tenho que querer me prender num relacionamento com ele? – Ela disse já negando com a cabeça. –Eu sou muito jovem pra namorar, essas coisas requerem um preparo e uma certa acomodação. Como é que eu vou namorar com alguém que não é suficiente para mim?

-Relacionamento aberto, ué. - Who falou pegando o prato da Mona pra lavar.

-Eu não gosto dessas coisas, não sei lidar com esse negócio de tô namorando, mas não tenho um compromisso exclusivo. – Ela disse com uma cara de muxoxo. –Acho lindo quem consegue, mas comigo não rola. Eu quero conhecer mais gente, ver minhas opções, experimentar mais. Não tenho tesão nenhum pra parar minha jornada por UM carinha.

-Você nunca fez tanto sentido. – Disse surpreso com a declaração feita por Mona. –Vocês viram o Daniel?

-Você com certeza viu! –Who disse sentando com um café na mão.

-Filhinha, foi só uma dança! – Disse com um tom de normalidade.

-Ai, mas ele estava uma delícia! - Mona atacou o pão no centro da mesa.

-Estamos falando da mesma coisa? – Os três riram. –Mas de fato ele estava bem gostosinho sim. Tu viu a tatuagem dele? Depois da bala eu fiquei vendo a caveira batendo dente. – Falei e tomei o último gole da Who que não estava aguentando de rir.

-Bora logo, que eu não parei de transar pra nada. – Mona disse levantando e pegando a bolsa. Nós fomos pro ponto de ônibus e chegamos na escola na exata hora do sinal para o intervalo entre a primeira e a segunda aula.


Notas Finais


Foi na quinta pq tinha que postar antes ou não postar nunca kkkkkkkkk


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