História Vigilantes - Capítulo 12


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Tags Mistério, Original, Romance, Suspense, Terror
Visualizações 8
Palavras 1.876
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Oi, gente! Quanto tempo! Hahahaha... Fiz uma pausa bem longa dessa vez, mas foi proposital. Apesar de já saber o rumo da história e ter definido cada capítulo até o final, às vezes um break é necessário pra expandirmos as ideias. Isso me ajuda muito a escrever com mais qualidade e colocar no texto um conteúdo mais completo, mais aprofundado, mais explicativo, enfim... Mais bem detalhado e com todas as pontas ligadas.

Sendo assim, vamos atualizar!

Espero que gostem e que voltem para acompanhar o desfecho da nossa história =D
Opiniões - desde que respeitosas - sempre serão bem-vindas!

Um abraço!

PS: Capítulo reeditado ; ]

Capítulo 12 - Alma perdida


Fanfic / Fanfiction Vigilantes - Capítulo 12 - Alma perdida

O velho galpão nunca estivera tão frio, ou talvez fosse apenas a onda de tensão que dominava meu corpo a me causar calafrios, não saberia dizer. A única coisa em que eu conseguia pensar enquanto estava deitando o corpo desacordado de Alaizabel sobre saco de dormir de Suri era que estávamos num beco sem saída. Em uma cidade pequena tudo era mera questão de tempo.

— O que faremos agora? — sentei-me muito quieto e acendi uma fogueira para me manter quente e ocupado, enquanto observava Uriel arrancando os sapatos e abrindo a própria mochila num canto escuro do depósito. — Não vão demorar a dar falta da garota e aí saberão que os descobrimos.

— Estou pensando em alguma coisa — murmurou Suri de pé a alguns metros da fogueira, os olhos cintilando em tons de vermelho, refletindo a luz das chamas. Parecia calma, ainda que preocupada — Não consigo parar de pensar naquela mulher...

— Aquela era a mãe da Alaizabel — falei quase num sussurro.

— Ela estava tomando conta o corpo a filha, sem dúvidas — uma Uriel mais familiar às minhas lembranças voltou ao nosso campo de visão.

— Mas por quê?

— Talvez para que ninguém a levasse, tipo como fizemos? — a sobrancelha de Uriel se ergueu com seu sarcasmo.

— Não acho que seja isso — Suri continuava encarando o fogo. Quase dava para ver seu cérebro trabalhando através de suas retinas — Apenas os próprios membros da Seita conhecem a cripta dos rituais e acho difícil que haja traidores entre eles... Não... Há algo mais... Algo que não se encaixa...

De súbito rolei pelo chão quando Alaizabel ergueu-se diante de nós. Seus olhos arregalaram-se nas órbitas, vermelhos e úmidos. As olheiras negras e fundas se projetavam em seu rosto magro e pálido, dando-lhe um horrível aspecto cadavérico.

— Noah...? — Sua voz sibilada ecoou rouca e fraca dentro de minha cabeça. Ela franziu o cenho, como se tentasse puxar da memória qualquer traço de familiaridade entre nós.

— Alaizabel... — murmurei com cautela.

— Noah!

O medo deu lugar a um choro soluçado. Minha amiga agarrou-me num abraço forte e dava para ouvir seus lábios se abrindo num sorriso lenitivo.

— Onde estou? — Ela afastou-se e olhou a volta. — Quem são essas pessoas?

— Relaxa, somos boazinhas, eu juro! — Uriel ergueu as mãos em sinal de paz e fuzilei-a em silêncio.

Você quer ajudá-la ou assustá-la, sua maluca!?

— Noah, eu me lembro... Eu me lembro! — Bradou Alaizabel um tanto desnorteada. Ela agarrou meus braços com as duas mãos e começou a falar de jeito rápido e caótico. — Tudo está claro agora... Eles... Meu pai... Oh, Noah, é terrível, você não pode imaginar...

De repente ela se calou, os olhos espantados vidrados nos meus.

— Eu... Eu não... Não deveria estar aqui... Eu não deveria estar aqui! — gritou ela se afastando, as lágrimas desciam torrencialmente por seu semblante aterrorizado.

— Ei, Alaizabel, calma, está tudo bem... — arrisquei alguns passos até ela. — Nós podemos te ajudar...

Não!

Não tivemos muito tempo para pensar em seguida. Alaizabel correu para a saída, gritando que precisava ir embora, e como se tivesse batido contra uma porta invisível, ela caiu para trás, gemendo e se contorcendo.

— Alaizabe...

— Não! — gritou Suri aproximando-se e observando minha amiga com atenção. — Deixe-a...

— Alaizabel... Deixe-me te ajudar... — implorei preocupado.

Você... Não pode... Ajudar...

Abri a boca, mas não houve nenhum som. De repente uma sensação fria e apavorante consumiu meu corpo e minha mente. Pude enfim perceber que aquela diante de nós deixara de ser minha amiga. Quando? Não saberia dizer. A única coisa que eu sabia era que aquela voz que saíra dos lábios de Alaizabel — uma  voz rouca, velha e cortante — definitivamente não era a dela.

— Essa menina está possuída — concluiu Suri.

 

* * * * * * * * * * * * * * *  * * * * *

 

Alaizabel, ou o que parecia ser ela, debateu-se e gritou enquanto a amarrávamos a uma cadeira velha do escritório abandonado do galpão.

— Por que temos que amarrá-la? Ela não é perigosa! — debati segurando os braços de minha amiga, que insistia em rosnar e a tentar se soltar de nós.

— Sim, ela é! — respondeu-me Uriel. Com força, ela conseguiu amarrar um dos pés de Alaizabel e estava começando a amarrar o outro quando virou-se para mim com impaciência. — Essa não é mais a sua amiga, campeão. Supere logo isso para o bem de todos nós!

Sentei-me encolhido junto à fogueira. Nada daquilo fazia sentido e a dor de perder minha amiga começava a latejar horrivelmente em meu peito. Aquele era o fim? O fim de Alaizabel, daquela menina meiga, linda e carinhosa com quem eu havia crescido?

— Ei, deixe-me cuidar disso — Suri sentou-se ao meu lado e segurou meu braço, fazendo-me voltar de meus pensamentos obscuros. Mal havia me dado conta de que estava sangrando.

— Obrigado — agradeci sem vontade.

— Esse espírito é forte — falou Uriel do outro lado da fogueira. Eu a vi olhar a sua volta, como se pudesse ouvir coisas que mais ninguém ouvia. — a aura dele está por toda parte. Precisamos interrogá-lo e saber quais são seus planos.

— Eu farei isso — disse prontamente.

Fora de questão! — rebateu Uriel lançando-me um olhar fulminante. — Você está muito envolvido com essa menina e ele vai usar tudo contra você. É muito perigoso e você não tem experiência!

— Eles usaram a Alaizabel e eu quero saber o motivo! Eu vou! — berrei com raiva. Soltei-me de Suri e corri para a sala onde havíamos amarrado minha amiga sem esperar novos protestos.

Assim que entrei Alaizabel ergueu os olhos em minha direção e deixou a cabeça pender para um lado. Não havia nada em seu semblante, nenhum resquício da vivacidade que antes a fazia sorrir e brilhar como a luz do dia. Era um mero corpo frio, habitado por um ser que eu desconhecia.

— Estava me perguntando... Quando mandariam a primeira vítima — sibilou a voz melodiosa da antiga Alaizabel, que apesar de familiar, não me enganaria.

— O que você quer aqui? — Perguntei com cautela. Estava consciente de que meu corpo tremia e meu coração batia alardeado, mas talvez ela não soubesse daquilo. Precisava manter a calma.

— Então vamos manter as velhas formalidades? Que antiquado... — os lábios da garota se rasgaram num sorrisinho sarcástico. — Eu esperava uma recepção mais carinhosa de sua parte.

Respirei fundo e tentei controlar meus nervos fechando as mãos em punho.

— Você foi um falso amigo, Noah... — Alaizabel estreitou os olhos, seus cabelos caiam sobre seus ombros, sujos e desgrenhados — Você me seduziu e me usou... E no primeiro obstáculo... Trocou-me por outra!

Arregalei os olhos, revelando espanto. Como ela sabia? Como poderia saber?

Você me traiu! — ela urrou ferozmente, sacudindo-se na cadeira como um bicho selvagem tentando se soltar da jaula. — Você é um traidor, Noah! Eu te odeio!

— Pare! — exclamei com aflição.

— Como pôde fazer isso comigo, Noah? — Finalmente ela parou de se debater e me encarou com tristeza. — Eu não era suficiente pra você? — Um soluço escapou-lhe por entre os lábios frêmitos. — Por que se envolveu com aquela nefilim imunda? Ela não é mulher pra você, Noah... Se... Se me soltar, garanto que tudo será diferente, eu juro... Seremos tão felizes...

— Cale a boca — murmurei angustiado, mal conseguia encará-la.

— Eu consigo ver através de você, Noah... Eu vejo tudinho — ouvi os lábios de Alaizabel se abrindo num sorriso — Sei que ainda me ama, mas aquela demoniazinha colocou coisas na sua cabeça... Coisas que agora te fazem pensar. Deixe-me então acabar com as suas dúvidas... Você nunca poderá tê-la...

— Chega de asneiras! — gritei num impulso que me pegou de surpresa. Meu peito subia e descia no ritmo acelerado de minha respiração. Ódio e impotência cresciam dentro de mim. Eu precisava silenciá-la e voltar ao rumo certo da nossa conversa antes que ela me enlouquecesse. — Diga logo o que você quer aqui ou não vai durar muito mais tempo...

—Asneiras? É como você chama? — ela suspirou alto num gesto claramente decepcionado. — Você não consegue ver, não é? É mesmo bem penoso. A Alaizabel está muito triste por saber sobre essa sua quedinha por aquela nefilim pecadora, sabia? Mas não se preocupe, eu já a tranqüilizei. Eu disse a ela que aquela vadia nunca poderá ter você de verdade...

Eu mandei você parar! — Vociferei no ápice da raiva. Não aguentava mais, não podia mais ouvir sequer uma palavra venenosa dela.

Não estava raciocinando direito quando Uriel invadiu a sala e se pôs entre mim e Alaizabel. Ela segurou-me pelos braços, obrigando-me a olhar para ela. Havia preocupação em seu semblante pálido.

— Está tudo bem? — perguntou-me em tom estranhamente gentil.

— Olha quem veio socorrer seu príncipe encantado... — Alaizabel riu, agradada.

— Você precisa ir, Noah — a voz suave de Uriel ecoava distante em meio à tempestade de sentimentos que dominava meu corpo e minha mente.

— Sabia que estávamos conversando sobre você, menina nefilim? — Alaizabel parecia feliz — Falávamos sobre seus péssimos hábitos... Seus pecados... Pergunto-me por que não teve coragem de corromper esse garoto... Você é tão fraca...

Uriel lançou a outra um olhar que silenciaria até o mais perigoso dos homens.

— Do que ela está falando? — questionei de repente curioso sobre o rumo daquela conversa.

— Está plantando o mal nas nossas cabeças. Vamos, temos que ir, chega de papo por hoje — Uriel tentou puxar-me para fora, mas me desprendi dela e encarei Alaizabel.

— O mal? Plantando o mal? — a moça fez-se de decepcionada. — Assim você me ofende...

— Por que não fecha essa matraca? — rosnou Uriel, voltando a segurar meu braço na tentativa de nos tirar da sala. — Noah... Vamos embora...

— Do que está falando? — minha pergunta foi direta. Alaizabel esboçou um sorrisinho inocente nos lábios.

— Ela não te contou a verdade, não é? É — os olhos avermelhados da garota foram de Uriel para mim — Ela não teve coragem. Ela é uma mentirosa!

— Cale a boca, sua bruxa!

Mas antes que Uriel avançasse contra Alaizabel, eu a segurei como nunca havia feito antes. Ela virou-se para mim, espantada.

— Noah...

— Eu quero saber — respondi veemente. — Fale — ordenei encarando Alaizabel, muito contente em sua cadeira.

— A verdade é que a sua amiguinha nefilim é uma alma perdida. Ela nunca poderá ascender, sabia? Está condenada a esta terra para sempre! — Os pés de Alaizabel se balançavam para frente e para trás, enquanto ela desnudava o segredo mais profundo de Uriel com divertimento. — É uma pena, não é? Ela caiu em tentação só uma vezinha e veja o estrago que fez à própria vida. E agora ela decepciona vocês... É um grande peso morto preso à barra da saia da irmã... E tudo porque não quer ficar aqui sozinha...

Chega! — Uriel lutou em meus braços para atacar Alaizabel, mas eu a segurei com força.

— Essa é a vida dela, Noah. Um pecadinho de cada vez... — sibiliou a outra rindo com desdém.

Você vai voltar para onde veio, nem que eu mesma tenha que te levar até lá! — rosnava Uriel debatendo-se em meus braços.

— Mas tenho que admitir... Essa história de vocês é bonita, sabe? — refletiu Alaizabel. — Ela se apaixona por você e você mal sabe quem escolher, não é, Noah? Talvez agora conhecendo a verdade seja capaz de julgar qual de nós é melhor — naquele momento, Alaizabel lançou-me um olhar frio e obstinado. Quase pude enxergar através de seus olhos a verdadeira alma que comandava seu corpo e pensamentos. — Durma com ela... E terá o mesmo destino.


Notas Finais


Agora ficou complicado para o lado do Noah, né? Como será que ele vai lidar com essa nova revelação? Só os capítulos futuros dirão hahaha...

Obrigada por ter vindo!
Te espero no próximo!
Opiniões são sempre bem-vindas S2
Beijos!


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