História VII Lagartos - Capítulo 3


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Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Josef é um menino sem amigos que vai pra igreja, daqueles que as meninas acham desinteressantes

Capítulo 3 - Machados e aneis


Josef Deoclecio, 5 de abril, Domingo, 21:34hrs:

 

"A graça da vida é ser burro e ter que procurar as respostas."

 

Irineu me disse isso uma vez. É quase a mesma coisa que "viver só é legal quando se é idiota". Irineu deve ter algum problema. O vulgo dele é Juju, quem esse cara pensa que é pra saber qual é a graça da vida? Ele é só um vagabundo. Era o que eu pensava antes de vê-lo desafiar os reis Alpinistas. 

 

Meu nome é Josef Deoclecio, tenho 12 anos e moro na parte alta de Valentim, perto dos bambuzais. É um bom lugar de se morar, o problema são os meninos mais velhos. Aquele desgraçado do Dark já deve tá esperando pra me roubar. Mais um dia normal...

E lá está ele no lugar, sentado no Banco aos pés do morro, junto com seu amigo Passarinho. Preciso pensar em outro caminho pra chegar em casa. Talvez pelo mato. 

- Preciso falar alguma coisa Josef? - Perguntou Dark quando o me aproximei. 

- Não, toma. - Simplesmente entrego o lanche, sem paciência pra apanhar hoje. 

- Que isso Josef, tão fácil? - Passarinho brincou  - Não vai nem brigar por ele? 

Nunca tive nada contra Passarinho. Apesar de ser negro, nunca me roubou nada, nem implicou comigo, apenas ria de mim. Quem não riria de um covarde? 

- Pão? É isso que cê tem pra hoje?  - Reclamou Dark. 

Dark é intimidador e sua cara de mal me dá medo. Não posso reagir as agressões dele porque a diferença de força entre nós dois é muito grande. Uma vez ele enterrou a cabeça de um moleque na parede da padaria com um chute.  

- Sim, hoje foi santa ceia. - Respondi. - tenho um pouco de vinho também. 

- Vinho? Hahaha! - Parece que ele gostou. - Passarinho, cadê o Juju? - Perguntou passando um pão para o colega. 

- Deve tá na biblioteca da catedral... - Respondeu já com o pão na boca. - Por que? 

- Ele ia adorar esse vinho. - Dark dizia o bebendo como se fosse água. 

- Pensei que só os sacerdotes podiam entrar lá. - Fiquei surpreso. 

- Garoto, Juju é como um gato - Disse Passarinho. - Não existe lugar proibido pra ele. 

- Por que ele não entra pro ministério da igreja e vira um sacerdote, já que é tão interessado em livros velhos? 

- Mete o pé moleque, -Dark me expulsou. - se ficar fazendo perguntas demais vão pensar que você é nosso amigo. 

- É Josef, pergunta pro Juju, mete o pé. - Passarinho também não queria me dar atenção. 

Segui meu caminho me perguntando; por que eu que vou na igreja desde criança não posso encostar naqueles livros e um marginal pode? Aonde foi parar a justiça divina? Talvez ir pra igreja seja perda de tempo... 

Após esse pensamento provido de má fé, eis que surge saindo da floresta um enorme tigre com os olhos e as quatro patas em chamas. Fiquei paralisado, não sabia o que fazer. Aqueles olhos azuis com labaredas infernais pareciam secar minha alma. Quando me acalmei um pouco, avistei uma garotinha montada na criatura. Ela sorria e acenava pra mim. 

- Menino, você viu meu irmão? - Perguntou como se seu tigre demoníaco não fosse nem um pouco assustador. 

- Err... - Tentei dizer alguma coisa, mas logo fui interrompido por um latido feroz vindo de trás de mim. Quando me virei, dei de cara com um lobo negro, com uma cicatriz de lua na testa. Estava cercado por dois animais selvagens. 

Quando estava prestes a escolher por qual deles ser devorado, uma voz surge atrás do canino. 

- Seu irmão tá brincando de pular pelos telhados agora, parece que o pegaram na biblioteca de novo. - Um garoto de cabelos negros carregando arco, flecha e uma loba. Esse só podia ser Darius, o delinquente mais forte de Valentim. Eu estava presente de uma lenda viva. - Posso te ajudar a caça-lo. 

- Mas eu queria ele rápido. - Disse a menina. - Você consegue montar na Diana? - Perguntou apontando para a loba. 

- Diana é muito mais rápida que esse seu gatinho ai. - Brincou Darius. - Claro que consigo.

- Então vamos apostar quem encontra ele primeiro. - A garotinha parecia confiante. – Vamos Ângelo! 

- Aposto meu machado. - Darius o largou no chão. 

- E eu, o meu anel. - O tirou do dedo indicador e o jogou no chão também. 

- Ei! Moleque! - Darius chamou minha atenção agressivamente. 

- Sim senhor! - Me assustei. 

- Qual o seu nome? 

- Josef! Josef Deoclecio! 

- Então senhor Deoclecio, tome conta de nossas coisas até voltarmos. Quem chegar aqui com o Juju primeiro leva tudo. 

- Mas eu tenho que ir... - Antes que eu terminasse de falar, os dois correram com o vento montados em seus animais. - pra casa... 

Mas que dia... acho que mais nada me surpreende hoje. Porém, alguns segundos depois avisto um rosto na moita me encarando. 

- Eles já foram? - Perguntou o rosto. 

Respondi com uma bicuda na ponta do nariz. O garoto saiu da moita resmungando de dor e com o nariz sangrando. 

- Desgraçado! Perdeu a noção do perigo!?

Naquele momento saía da moita com o nariz ensanguentado, o garoto que mudaria minha história pro resto da vida. Óculos quebrados, roupas sujas e cabelo bagunçado: Irineu Lyon.

- Aaaah! - Me espantei com meu próprio chute. - Me perdoe moço! 

- Ah, tudo bem. - Ele realmente parecia ter esquecido o ocorrido, embora seu nariz ainda fosse uma pequena cachoeira sangrenta. - Você lembra da aposta que eles fizeram? - Me perguntou. 

- Sim...  quem aparecer com o Juju primeiro ganha o machado e o anel. - Respondi. 

- Então me entregue os dois, eu sou o Juju. - Esse cara é o maluco que invade a Catedral! 

-Você é maluco? 

- Por que a pergunta? 

- Não acho que isso seria certo.

- Quem se importa com certo e errado garoto? Quem aparecer com o Juju primeiro ganha, e eu tô aqui. 

-Mas... - Antes que abrisse a boca, ele tomou o anel e o machado de minhas mãos. 

-Obrigado Josef! - Ele sabe até meu nome! - Qualquer dia a gente se vê. - Disse isso e saiu equilibrando em pé nos fios dos postes, em direção ao centro de Valentim. 

Que equilíbrio desumano é esse!? Tenho que recuperar o anel e o machado antes que aqueles dois voltem e me deem de comida pra aqueles bichos. - Josef então correu atrás de Juju, porém pela rua. 


Notas Finais


Obrigado pela atenção


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