História VII Lagartos - Capítulo 4


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Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


É só um bar bem posicionado na rua

Capítulo 4 - Taverna do Coiote


Ravena Brandão, 5 de abril, Domingo, 21:53hrs.

“A morte chama os maus, mas só os bons vão abraça-la.”

Meu irmãozinho Darius sempre adorou falar da morte. Desde que nossa mãe foi assassinada por um coelho, a morte tem sido uma espécie de linha de chegada pra ele. Decidiu que ira viver arriscando sua vida para ser um dos reis do Vilarejo, queria proteger as pessoas. Nunca mais demonstrou medo da morte, pois sua vida era proteger nossa mãe.

Tenho 19 anos e Trabalho de garçonete na Taverna do Coiote, no centro de Valentim. Por ser bem localizada, está sempre cheia e animada. Várias pessoas passam por aqui todos os dias. Ouço todo tipo de história. Meu chefe é um grande caçador viajante, conhecido por ter catalogado todas as criaturas da perigosa floresta das nuvens.

Navaho Wanagi, famoso Coiote, pôs um grande quadro de recompensas na taverna, nesse quadro havia desenhos e nomes de animais raros que podem ser encontrados na floresta. Coiote paga qualquer um que os capturar vivos. O quadro também é aberto para visitantes colocarem seus pedidos, todo tipo de serviço pode ser encontrado no quadro.

- Coiote, o que o senhor faz com os animais do quadro? – Perguntou um cliente curioso.

- Os estudo, tenho um terreno grande em Adelaíde, aonde os crio e observo.

O Senhor Coiote é um velho de cabelos grisalhos, mas está longe de ser caduco. Passa a semana inteira viajando e volta pra Vila dos Lagartos só nos finais de semana. Na sua ausência, seu filho Navajo é o responsável da taverna.

Navajo é como um irmão, além de ser como meu irmão. Confuso? Meu irmãozinho tem a fama de ser um marginalsinho perigoso, Navajo compartilha da mesma fama, porém é reconhecido pelos mais velhos. Tem 23 anos, e todos o chamam de Gorila, por ser musculoso e lembrar muito um. Na taverna também funcionava uma padaria, na qual Navajo é padeiro e confeiteiro.

Era uma noite de trabalho normal, até que Juju, um dos coleguinhas do meu irmão pôs os pés na taverna.

- Ei! Velho Navaho! – Juju parece que nunca ouviu falar de respeito aos mais velhos...

- O que foi moleque!? Por que não me chama de Coiote que nem todo mundo?

- Coiote é um apelido legal demais, por isso deve ser esquecido.

- Fala peste! Antes que eu peça pro Gorila te jogar pra fora.

- Tenho um machado e um anel, quantos sonhos dá pra comprar com isso? – Se sonhos fossem considerados algum tipo de droga, Juju seria um viciadinho.

- Mais sonhos? Vai acabar diabético garoto.

- Fala logo velho, não tenho a noite toda.

O sino da catedral tocou anunciando as dez horas. Darius e a pequena Cornélia entram na taverna roubando toda a cena, montados em seus animais exóticos. A Diana do meu irmão sempre me assustou, sempre gostei mais do Ângelo, ele é como um gato grande e fofo.

- Juju! – Gritou Cornélinha. – Vem ver o que eu achei! Rápido!

- O que?

- Vem logo!

- Bora logo Irineu. – Apressou Darius.

- Tão chatos... – Suspirou.

- Ravenaaa! – Me chamou Cornélia. – Vem lá em casa amanhã!

- Tá bom mocinha, não tá tarde pra madame tá na rua não?

- A noite é uma criança também, não gosto de deixa-la sozinha com os adultos.

Juju montou nas costas de Ângelo com sua irmã e devolveu os pertences roubados.

- Quando você roubou!? – Darius se indignou.

- Não roubei! Lutei por isso! Olha meu nariz ensanguentado!

- Pelo menos o senhor Deoclécio não deixou barato.

As crianças foram embora deixando os homens da taverna encantados com seus animais. Não demorou para chover perguntas nos ouvidos de Coiote.

- Aonde encontro um lobo daquele?

- Por que tem fogo nos olhos daquele tigre?

- São animais da floresta das nuvens?

- O Senhor já estudou sobre essas espécies?

As perguntas não paravam de surgir. Coiote respondeu todas ao mesmo tempo.

- Vão lá e descubram vocês mesmo. As respostas não estão em seus copos, mas sim, lá fora. Sobre meus estudos, outro dia compartilho um pouco deles.

Poucos tinham coragem de entrar na floresta das nuvens, além de ser no alto da serra, era muito perigosa. As criaturas que vivem lá são na sua maioria mortais.

A maior recompensa do quadro é de 2000 ouros e 300 pratas, pela captura de um grande falcão negro, batizado de Memphis Misraim por Coiote. Esse falcão por muito tempo tem sido visto no alto da Torre de Valentim, como se estivesse tomando conta do povoado. Naturalmente o Senhor Coiote ficou fascinado com a ave, e pôs uma grande recompensa por ela.

Perto da meia noite o bar fechou, pois amanhã é segunda-feira e as pessoas tem que acordar cedo para trabalhar. Antes de apagar as luzes o senhor Coiote veio falar comigo.

- Ravena, estou pensando em criar uma pequena escola no andar de cima. Ensinar as crianças sobre os seres da floresta. Se tornaria minha aluna pra futuramente dar aulas comigo?

- Claro, por que não? Mas por que isso agora? Hahaha! Não gostou de ouvir tantas perguntas?

- A taverna tem lucrado muito, não gosto disso.

- Não entendi, ela não deveria fazer isso?

- O que vendemos aqui Ravena?

- Bebidas, cigarros, pães, doces e sonhos.

- Como trabalha no caixa também, com certeza sabe de onde vem a maioria do lucro.

- Tenho anotado, no geral vendemos mais bebidas e cigarros.

- Exatamente, não gosto de pensar que lucro vendendo essas coisas.

- Que velho careta! – Não resisti. – Deixa as pessoas se divertirem. Nem todo mundo é louco que nem você.

- Todas aquelas perguntas me irritaram um pouco. Quando disse para procurarem as respostas, todos desanimaram. Todos queriam um lobo e um tigre daqueles, mas ninguém estava disposto a procura-los na mata.

- Entendi, você quer criar uma geração de caçadores?

- Hahahaha! Fica tão elegante dito assim. Poderíamos recompensar os alunos com os sonhos de Navajo.

- Vou pensar sobre isso Senhor Coiote.

Como cresci no meio da floresta assistindo uma loba assustadora cuidando do meu irmão, estou acostumada a lidar com animais. Seria uma boa experiência aprender sobre eles.

Quando estava trancando a porta da taverna, fui abordada por um menino exausto, parecia ter corrido quilômetros.

- Moça! Viu um garoto carregando um machado e um anel por ai?

- Juju?

- É! Esse mesmo!

- Desculpa, ele foi embora tem algum tempo.

- Sabe aonde ele mora?

- Perto do rio Iara. A casa com um pé de jambo no quintal.

- Obrigado!

- Garoto, o que você vai fazer lá a essa hora?

O menino parecia não me escutar e começou a correr novamente. As crianças de hoje em dia estão cada vez mais malucas. Talvez Senhor Coiote esteja certo, é melhor caçar animais do que problemas.


Notas Finais


Não cacem animais com frequência crianças, no mundo real temos um negócio chamado Ibama. Se algum dia matar bicho com suas mãos, seja homem e o coma


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