História VII Lagartos - Capítulo 6


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Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Na ausência da lua as estrelas ficam com o trabalho de enfeitar o céu

Capítulo 6 - Uma noite sem lua


Josef Deoclecio, 6 de abril, segunda-feira, 00:05hrs.

Um cara vai me ajudar a encontrar a casa do ladrão. Aparentemente ele é filho de uma bruxa louca que incendeia ratos. Dark só tem amigos estranhos. Pelo menos ele tem amigos. Frequento a igreja desde que me entendo como ser dotado de inteligência e nunca gostei daquelas pessoas. As velhas Sacerdotisas são legais, não conheço uma que não saiba fazer bolo. Mas as crianças da minha idade não são nem um pouco interessantes.

Na igreja tem um educandário e uma orquestra das crianças. As crianças que tocavam na orquestra não precisavam se esforçar tanto no educandário. Como sempre fui preguiçoso, preferi ficar no educandário mesmo, tocar instrumentos é muito difícil, além de chamar muita atenção. A punição pelo meu pecado capital foi o isolamento. A maioria das crianças queria chamar atenção e tocar na orquestra. Nunca entendi porque se esforçar tanto por isso.

A minoria é dividida da seguinte maneira: Os estudiosos, que são extremamente chatos e robóticos; os que estão por obrigação dos pais, normalmente fazem bagunça e tentam competir atenção com o povo da orquestra; e as meninas preguiçosas, que se olham no espelho o dia todo e não conversam sobre nada além de seus penteados e meninos.

Antigamente costumava ter um pequeno grupo, os menos chatos, que não queriam estar lá, mas como estavam, faziam da sala de aula uma festa. Riam de todo mundo, como se todos nós fossemos palhaços. Nunca os entendi, mas achava divertido observa-los. Porém, não demorou muito até que fossem expulsos da igreja. Algumas Sacerdotisas o chamavam de filhos do demônio, outras apenas de loucos.

Desde que foram expulsos, meus dias tem sido cada vez mais insuportáveis. Não existe nada de legal pra fazer na igreja, além de ler o mesmo livro todo dia e tocar e cantar para adorar a Deus. Quando você não canta nem toca pra adorar, fica parecendo que você é um inútil. Na maioria das vezes você é realmente um inútil ali só ouvindo a orquestra.

Venho me sentindo assim desde que os filhos do demônio foram expulsos. Agora que não tenho mais uma distração como o espelho das meninas, fiquei entediado. E quando estou entediado começo a pensar sobre aquele dia...

- Chegamos – Disse Yuri.

- E agora? Tem campanhia?

- Grita ai moleque, vou meter o pé.

Um grito feminino vindo de trás da casa nos assustou. Yuri correu pra lá na hora, como um daqueles heróis indo salvar uma moça em perigo. O segui, e quando chegamos lá, estavam Darius. Juju, e a garotinha. Quando pensei que iriam me cobrar seus pertences roubados, reparei na mão ensanguentada da menina.

- O que aconteceu? – Perguntou Yuri.

- Ela foi mordida. – Respondeu Juju nem um pouco preocupado.

- O que mordeu ela?

- Ou, segredo nosso! – Darius se meteu. – O que cês quer aqui?

- Josef queria falar com Juju. – Respondeu Yuri meio intimidado.

- Boa noite Senhor Deoclecio, foi roubado né? – Darius me encarava com olhos assustadores.

- Por favor! Não me deem de comida pros bichos! – Implorei de joelhos.

Todos riram de mim. Afinal, quem não riria?

- Relaxa moleque! Eu vi o estrago que o senhor fez no nariz desse vagabundo.

- Tá na hora de ir embora, não tá? – Juju nos expulsa delicadamente.

- Amanhã a gente conversa Irineu. – Disse Darius.

- Sim, boa noite meu caro.

- Não esquece de conversar com o Ramon também.

- Pode deixar.

Fiquei muito interessado nesse segredo que faz mãos de garotinhas sangrarem. O que será que tenho que fazer pra me contarem? Acho que só sendo amigo deles mesmo. Como será que faz amizades com pessoas mais velhas? Já sei! Fazendo perguntas!

- Juju. – O chamei.

- Fala. – Os olhos caídos dele são a representação visual da palavra preguiça.

- Por que você invade a biblioteca catedral pra ler?

- Porque só os sacerdotes podem entrar lá, e não estou nem um pouco afim de virar um. Já ouviu falar de uma coisa chamada “voto de castidade”? Deve ser horrível. Mais alguma coisa? – Me perguntou como se fosse um professor ou algo do tipo.

- Não.

- Ok, pode ir embora. – Que mal educado!

Como vou fazer amizade com esse tipo de gente? Bom, não importa. Pelo menos vou pra casa sendo vigiado pelas estrelas, e com a certeza de que não serei devorado por animais.

- Nos vemos qualquer dia Josef. – Yuri se despediu.

- Acho que sim.

- Senhor Deoclecio, quer carona? – Perguntou Darius montado em sua loba.

- Vai passar pelos bambuzais?

- Vou.

- Então vamos, só não quero ser mordido.

- Diana é mancinha, relaxa.

Quando me aproximei, a loba já me mostrou suas presas e começou a rosnar. Já preparei meu psicológico pra perder um braço ou uma perna.

- Tô vendo!

- Quieta Diana! – Ordenou Darius, Diana até abaixou as orelhas.

Montei nas costas da loba e cheguei em casa rapidamente.

- Valeu pela carona. – Agradeci.

Porém quando vi, Darius já estava há vários metros de distância, não parecia ser muito fã de despedidas.

00:27hrs.

Quando cheguei em casa e acendi a luz do quarto, dei de cara com uma cena bizarra. Minha cama estava com os lençóis ensanguentados. Havia um coelho comendo uma perna humana em cima do meu travesseiro. Assim que abri a porta, o demôninho pulou pela janela, deixando aquela perna toda mordida sujando minha roupa de cama. Ao olhar pela janela pra procura-lo, só consegui ver a escuridão da noite sem lua.

E agora? De quem é essa maldita perna!?


Notas Finais


Me paguem e talvez eu continue um dia, risos. Obrigado pela atenção!


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