História Vila de Santa Cruz - Capítulo 1


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Categorias Originais
Tags Suspense Mistério
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Palavras 730
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Aventura, Ficção, Suspense
Avisos: Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Boa noite, caro leitor. Espero uma união duradoura e prazerosa!

Capítulo 1 - Capítulo 1


Fanfic / Fanfiction Vila de Santa Cruz - Capítulo 1 - Capítulo 1

 

                               Clareou o dia, o povo da vila se preparou para contar os mortos. Ao final da tarefa, já a tarde ia pela metade. No cemitério localizado no alto do morro, mais ao sul do porto de embarque e desembarque da vila, negligentemente próximo à orla da mata densa, reinava agora o silêncio. Era um dia frio e feio, bastante ruim, Pedro pensou, andando a passos rápidos em direção à paroquia.  A igreja, simples, sem luxo, mergulhara em sombras, refletindo a fraca luz do dia sob ameaça de tempestade. Ecoando o estrondo dos trovões, e clareando-se à luz azulada dos relâmpagos intermitentes, a igreja espelhava fielmente o desânimo de seu pároco, padre Giácomo Varella.  Pedro o encontrou ali, ajoelhado, em oração, diante do altar.  Esperou o padre terminar de rezar e se pôr de pé para, somente então,  interpelar-lhe. 

                         - O padre sabe o que aconteceu aqui essa noite.

                         - E daí? Os mortos continuarão mortos – retrucou o padre. - E quanto aos que estão vivos... - Ele não chegou a concluir sua fala, por que Pedro o interrompeu, indignado, a voz alterada.

                          -  E daí? Como assim? - Inquiriu. - E que tal o padre ir comigo à capital, contar à polícia o que sabe?

                      Um raio iluminou o interior da nave, seguido do forte trovejar. O padre xingou baixinho. Foi sentar-se em um dos bancos no meio da nave escura. Fitava a cruz imensa onde um Cristo envernizado jazia pregado com uma expressão tristonha na face comprida esculpida na madeira de lei.

                          - Não é bem assim... – se queixou o padre,  suspirando. - Você sabe... - disse, esfregando o rosto com a palma das mãos rosadas, cansado.  Já a algumas noites que ele não conseguia dormir. - Se eu fizer a denúncia muita gente inocente vai morrer ou pagar um preço muito alto! - exclamou, exasperado, olhando para o homem jovem, empertigado, muito perto dele e aparentemente calmo - ou era apenas indiferença?, perguntou-se o velho sacerdote. A nave inteira mergulhara na escuridão, enquanto a tempestade do lado de fora desabava como um dilúvio, batendo no telhado de zinco com punhos de gigante.

                            -- O cel. Teodoro não vai ficar quieto – reclamava o padre. - Você tem ideia do que pode acontecer? - Indagou ao jovem, sem encará-lo, aproveitando a pausa entre um e outro trovão.    

                            - Já está acontecendo!  - Retorquiu Pedro no exato  momento em que um relâmpago iluminou o interior da igreja, ofuscando a ambos.  - Estão pagando com a vida, padre!  - O trovão ribombou poderosamente,  e por um instante eles tiveram a impressão de que sob seus pés a terra tremeu.

                         O cel. Teodoro Ramalho se dizia o benfeitor do lugar e agia como tal. O homem se orgulhava da fama de violento que corria lépda e certeira pelos quatro cantos daqueles sertões de rios e mata fechada até onde a vista podia alcançar. Dizia-se à boca miúda que a ninguém era permitido o direito à vida ou até mesmo o direito à morte sem a sua mais completa e explícita anuência. Evidentemente que o velho cel. Teodoro nada fazia para que cessassem essas histórias. Pelo contrário, tratava de tirar proveito delas. E assim, conforme a fama de feroz aumentava, maior ia ficando seu poder de persuassão, de se impor sobre a gente simples do lugar e de incutir terror nos corações desse povo ignorante. Há muito que o cel. Teodoro enviuvara, e como não tivesse herdeiros e morasse sozinho na fazenda, os agregados juravam que em certas noites, em especial as noites de lua cheia, o homem virava bicho e saía batendo as estradas banhadas de luar.  Como ninguém até o momento havia feito prova da existência ou não do bicho o assunto permanecia muito vivo entre o povo agregado da fazenda e a gente humilde e supersticiosa da vila. Porém, Lobisomem ou não, ninguém duvidava que o cel. Teodoro era coisa ruim, tivesse sociedade com o cão e que não hesitaria em ordenar a morte ou até mesmo de matar com as próprias mãos todos os seus desafetos, fosse quem fosse, presidente, bispo, padre, ou um simples pescador. E sabedor da natureza sinistra do cel. Teodoro, o padre Giácomo se abstinha de agir em defesa dos paroquianos, afogando, noite após noite e covardemente, a consciência em taças de vinho que lhe chegava às mãos pelo arcebispo da cidade ao visitar a vila.    



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