História Vincere - Capítulo 9


Escrita por: ~

Exibições 192
Palavras 4.410
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Esporte, Famí­lia, Festa, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá, pessoas!
Não demorei pra postar desta vez. =D
Tenho algumas observações a fazer.
1° - Muito obrigada para quem está comentando.
2° - Vamos comentar, e dar essa moral.
3° - Se a fanfic estiver chata, podem falar.
4° - O número de comentário no capítulo anterior caiu bastante, e isso me preocupou. :/
Agora, sobre outros assuntos:
Estou no terceiro colegial, e por isso não sei como vai ser daqui até o mês de Novembro, porque eu tenho que estudar mais, então TALVEZ, eu demore mais para postar.
Mas eu vou tentar postar com bastante regularidade.
Queria pedir também, para que vocês orassem e torcessem por mim, nos vestibulares que irei fazer, e também para que eu passe nas faculdades das cidades que eu pretendo morar ano que vem (no caso, seria Santos, Taubaté, Ouro Preto ou Belo Horizonte).
TriGo, é um grupo musical, que tem um canal no Youtube, e para quem não os conhecem, vale muito a pena. Serião, muito bom. <3
Já tenho até meu crush da TriGo, que é o Vitor.
Estou escrevendo esse capítulo ao som de Legião Urbana. Pais e Filhos "Eu moro na rua não tenho ninguém, eu moro em qualquer lugar... Já morei em tanta casa que nem me lembro, mais... Eu moro com meus pais, uhm"
E pra vocês eu digo: "É preciso amar, as pessoas como se não houvesse amanhã!"
Amo vocês. <3
Beijos e boa leitura.

Capítulo 9 - Me dar um soco te faria me perdoar?


Fanfic / Fanfiction Vincere - Capítulo 9 - Me dar um soco te faria me perdoar?

 

"Se você quer ser bem-sucedido, precisa ter dedicação total, buscar seu último limite e dar o melhor de si mesmo."

 

Ayrton Senna

...

Sem pensar muito eu me afasto, e caminho calmamente até o banheiro, sem deixar nenhuma lágrima escorrer. Passo por parte lateral do Ginásio, como se nada estivesse acontecendo. Minhas mãos estavam fechadas, e minhas unhas cravadas nas palmas, com tanta força que chegava a machucar, para que eu não fosse fraca e acabasse chorando.

Ouvi alguns gritos chamando meu nome, mas não olhei para trás, e nem reconheci quem era. Ligada no automático, abri a porta do banheiro sem verificar se era feminino ou masculino. Sentei no chão, ainda distante de tudo o que estava acontecendo. Preferi pensar que estava tudo bem, mas quando eu encostei minha cabeça na porta, eu senti frio.

Muito frio, por dentro e por fora.

Mas eu nem me importei, tão pouco me mexi. Deixei as lágrimas escorrerem tranquilamente, sem lembrar de mais nada. O choro era silencioso, e eu continuava da mesma forma.

Me sentia fraca, e meu corpo não conseguia mais se mexer. Tinha a sensação que estava abalada demais, por dentro e por fora. Mas o frio começava a me incomodar. E eu apenas chorava, em silêncio. Com toda força que eu tinha, me afastei da porta, e acabei me encolhendo no chão.

Senti um sono muito grande, e continuei ali deitada, enquanto as lágrimas escorriam sem nenhum esforço da minha parte. E eu permanecia calada, para que ninguém pudesse me escutar, e também sem força.

O piso estava gelado e úmido, parecia estar congelando. Meu corpo se encolhia cada vez mais, porém eu permanecia em estado de choque. Sem completa noção de nada. Só de que eu queria minha mãe ali comigo.

Os segundos se arrastaram e se transformaram em minutos, e eu continuava da mesma forma que antes. O frio se aumentava cada vez mais, e eu estava começando a cair em uma zona distante por mim. Parecia realmente estar entrando em algum outro lugar, afastado, escuro, mas confortável.

Ouvi um barulho forte, e alguém abriu a porta abruptamente, com certa dificuldade.

Não consegui me mover para saber quem era.

Essa mesma pessoa se jogou no chão com a respiração ofegante. Eu nada fazia, e apenas me mantive ali, com os olhos fechados e extremamente cansada.

A pessoa tocou meu braço com suas mãos grandes e com a pele grossa. Eu apenas suspirei, e nada fiz.

- Aline, pelo amor de Deus, o que você está fazendo aqui? – ele perguntou e eu não consegui nem abrir os olhos. Tocou minha testa, meu rosto e novamente meus braços, com rapidez. – Você está gelada, tem que sair daqui.

Consegui sussurrar alguma coisa, mas não tenho certeza do que foi.

- O que? – ele pergunta, e eu nada respondo. – Então... Então... Eu vou te tirar daqui.

Sinto Bruno encostar em mim novamente, e ele me envolve em seus braços. Em pouco tempo eu estou no ar, em seu colo, sendo levantada por ele. De repente ele começa a andar e abre a porta, andando comigo em seus braços. Logo já não estou mais no banheiro, e ele começa a se afastar um pouco mais. Depois sinto-me sendo colocada no chão novamente, e ele me senta no chão, encostando minhas costas na parede e segurando meus braços, para que eu não desmorone.

- Você está gelada. – ele fala novamente e suspira, aparentemente nervoso. - Me desculpa. Espero que não brigue comigo por isso.

E então sinto ele me abraçar e colocar meu rosto na divisória entre seu ombro e sua cabeça. Ele me afaga, carinhosamente. Me envolve de uma forma que me aquece, e eu sinto seu cheiro, mesmo que ele esteja soando, o perfume chama mais atenção. A colônia amadeirada preenche os meus pulmões, e eu sinto-me reconfortada, e então, a necessidade do abraço dos meus pais, desaparece. Até porque, eu já me sinto bem o suficiente ali.

E como eu agradecia Bruno por isso.

- Escuta, eu sinto muito pelo que aconteceu, de verdade. Independentemente de qualquer coisa, eu nunca estaria de acordo com aquilo, e eu... – Bruno suspira, e parece cansado. – Eu não gosto de ver ninguém sofrer, mesmo que eu esteja chateado, ou com raiva. E acredite, eu estive. Mas alguma coisa me faz acreditar em você. Um sentimento, algo... Que eu não entendo, mas é forte, e me faz crer que você não fez o que estão te acusando, então, eu não vou deixar ninguém te magoar de novo. Principalmente da forma que foi hoje. Juro que tentei te defender. Eu falei para eles não irem atrás de você, porque eles queriam ir. Queriam discutir. Mas eu pedi para que eles não fizessem isso, como também pedi para que eles parassem de vaiar. Eu pedi várias vezes, mas eles só pararam quando eu gritei que você não tinha culpa. Mas eu, realmente, sinto muito...

- Eu também... – consegui sussurrar mesmo que ainda fraca e senti o abraço de Bruno me apertar ainda mais, como se ele estivesse feliz por eu ter respondido. – Eu vou provar, que não tenho culpa de nada. Você vai ver.

Bruno não me soltava, até porque, eu ainda estava fria, mas já me sentia bem mais aquecida se comparado a antes.

- Eu sei, eu acredito em você. – ele sussurrou.

Ficamos em mais algum tempo abraçados, em silêncio. Nossa respiração estava calma, e eu conseguia voltar aos poucos a realidade, mesmo que mantendo meus olhos fechados, devido ao conforto que sentia em seus braços. Já não chorava mais e me sentia completamente segura em seus braços. É até engraçado pensar, que ele, tão mais alto que eu, e a pouco tempo tão irritado comigo, me fazia sentir segura com seu abraço. Eu deveria me sentir no mínimo desconfiada, mas não era o que acontecia. Estava me sentindo bem, tão bem, que poderia cair no sono mais profundo tranquilamente ali.

- Obrigada por acreditar em mim. – sussurro após um bom tempo.

Bruno se afasta um pouco e passa as mãos por meus braços, enquanto me olha calmamente. Sorri de lado, o que é retribuído por mim. Em um gesto inesperado ele passa a mão por meu rosto, os dedos sobre minhas bochechas e faz um carinho calmo ali. Não é algo tendencioso, e nem com malicia e segunda intensões. É natural, e claramente involuntário.

E é muito bom de sentir.

Quando ele percebe o que está fazendo, retira a mão do meu rosto e a afasta, constrangido. Ele olha para outro lugar, e vejo seu pomo-de-adão subir e descer. Ele coça a cabeça, ainda envergonhado, e só depois me olha.

- Desculpa. – ele morde o lábios inferior. – Você já está melhor?

Assinto calmamente e ele se afasta ainda mais.                                                       

- Eu acho que o treino já está quase voltando. – ele fala e se levanta com habilidade e rapidez. – Você se sente bem para voltar ao trabalho?

Enquanto ele estende a mão e me ajuda a levantar, eu penso em sua pergunta.

Agora é minha vez de morder o lábio inferior, e eu olho para baixo. Fisicamente eu estou bem para voltar ao trabalho, mas psicologicamente, com certeza não. Só de pensar que poderia receber outra vaia igual aquela, chego a tremer, o que não parece passar despercebido por Bruno.

- Aline, o banheiro estava muito gelado, você não acha? – ele pergunta e eu assinto, ainda sentindo o que a baixa temperatura causou em mim. – A temperatura estava muito mais baixa do que o normal. Você se importa em me acompanhar até lá, novamente?

Maneio a cabeça negativamente e andamos de volta ao banheiro, em silêncio. Quando chegamos em frente a porta, Bruno estende a mão para a fechadura e a gira para o lado direito, que é o lado que à abre, mas, surpreendentemente, não abriu. Ele tenta novamente, dessa vez aplicando um pouco mais de força, e de novo. Mais nada acontece. Olhamos um para o outro, achando estranho aquilo.

- A porta não abre. – ele fala e eu estranho. – Você tem a chave?

Nego com a cabeça e me lembro de quem a tem.

- O Carlos e o Antônio tem. – eu falo e eu franze o cenho. – O que foi?

- Porque eles tem a chave para o banheiro feminino do Ginásio, e você não?

Eu sabia a resposta daquela pergunta, foi a mesma que eu fiz para eles, só que, ambos, disseram para mim, que reportes normalmente não tem tanta credibilidade com a organização, muito menos eu que era a mais nova, enquanto eles, eram amigos dos coordenadores, além da responsabilidade maior que eles transmitiam e da confiança que todos tinham neles.

- Eles são amigos dos organizadores, trabalham a muitos anos cobrindo o vôlei. – falo e dou de ombros. – Sou muito nova ainda também, enquanto eles já são super experientes. Foram mais ou menos essa a resposta que eles deram para mim.

- Quem mais tem a chave? – ele me pergunta e eu penso.

- Seu pai, algumas pessoas da comissão, o segurança... – falo os nomes que deveriam ter a chave. – Você não tem? É capitão do time.

- Desse Ginásio não. – ele fala e passa a língua pelos lábios. – Você tem algum grampo de cabelo, ou alguma coisa que possa abrir essa porta?

E eu coloco a mão nos bolsos, e tiro meu celular. No outro bolso, eu tento encontrar alguma coisa e só tiro de lá um clips de papel, que estava usando para separar as folhas que eu tinha impresso um pouco antes, na minha casa, para o trabalho.

- Só tenho um clips. – dou de ombros.

Analisando um pouco, ele pega o clips de minha mão e o olha por poucos segundos.

- Acho que serve.

Bruno se abaixa e molda o clips, de uma forma que ele se modifique da sua forma atual. Observa um pouco mais, e coloca no buraco da tranca, movendo de um lado para o outro. Desconfio que ele vá realmente conseguir abrir a porta, mas mesmo assim olho curiosa. Com um pouco de demora, de repente, ouço um estralo na porta, e percebo que ela está finalmente destrancada.

Bruno me olha.

- Abriu. – ele fala e gira a maçaneta, enquanto eu continuo apenas a observar.

Quando a porta se abre, sentimos uma massa de ar frio sair de dentro do banheiro, nos atingindo. A temperatura está muito baixa, diferente da que está do lado de fora, e o local parece contar com uma espécie de fumaça branca, que deixa tudo embaçado.

Entramos dentro do banheiro, curiosos.

Olhamos em volta, e temos dificuldade para enxergar. Tiro novamente meu celular do bolso, e ligo a lanterna, o que nos auxilia um pouco na nossa missão.

- Boa ideia. – ele fala e caminhamos até a parede do banheiro.

Não consigo ver muito bem, mas Bruno encosta a mão em algo que tem na parte de cima, quase chegando ao teto.

- O ar condicionado está marcando uma temperatura muito baixa. – ele fala e me olha assustado. – Alguém mexeu aqui.

Na mesma hora meu celular descarrega e eu suspiro, frustrada.

Mas isso é o que menos me importa no momento.

Guardo meu celular no bolso da calça e fico preocupada com a situação em si.

Engulo a seco, e tento pensar em quem poderia ter feito isso. Bruno tenta mexer no ar condicionado, que nunca seria alcançado por mim sem o auxílio de uma cadeira, ou uma escada, mas ele parece lidar com aquilo tranquilamente, devido muito a diferença de altura.

Enquanto estamos concentrados para resolver o problema, um outro se inicia.

Abruptamente, ouvimos a porta ser fechada com uma batida forte e ouvimos algum barulho que parece ser de chave do lado de fora.

Olhamos um para o outro, e imediatamente nos preocupamos.

Sem falar nada, nos aproximamos da mesma, e Bruno leva a mão a maçaneta. Ele a gira por várias vezes, mas nada de se abrir. Começo a ficar nervosa com a possibilidade de ficar trancada com ele, quando me veio uma ideia na cabeça.

- O clips. – falo radiante, como se tivesse tido a salvação dos nossos problemas.

Mas o meu sorriso logo se desfaz, quando Bruno faz uma careta.

- Eu deixei do lado de fora da tranca. – ele diz e eu suspiro.

Movo minha cabeça para trás, encostando na parede e levo minhas mãos ao rosto, massageando minhas têmporas, e então algo me vem à cabeça novamente.

- Arromba a porta Bruno. – digo enquanto coloco meus cabelos castanhos atrás da orelha. O jogador repete novamente a mesma careta, só que dessa vez ainda mais frustrado. – O que foi? Está com medo de se machucar, por causa dos jogos? Vamos tentar que eu te ajudo.

Bruno solta o ar pelo nariz, e parece zombar da minha boa vontade, o que me faz cruzar os braços e o observar atentamente, com o cenho franzido.

- Uma porta normal eu consigo arrombar, mas não essa daqui. – ele bate a mão em punho fechado contra a madeira pintada com verniz algumas vezes. – Essa porta aqui foi pensada caso aconteça uma suposta invasão. Torcedores nervosos, acabam sendo bastante violentos, e é exatamente por isso que a porta é tão resistente. Eu posso até conseguir abri-la, mas vou com certeza me quebrar inteiro e vai demorar muito.

- Vamos gritar. – falo com esperança e ele suspira.

- A porta e as paredes são muito grossas. – ele parece estar muito mais tranquilo do que eu. – Muito difícil alguém nos ouvir.

Nego com a cabeça, aflita e escorrego na parede até o chão, com as mãos em meio aos meus cabelos, de encontro com meu coro cabeludo. Finco minhas unhas ali, e começo a pensar no que podemos fazer para nos livrar daquela situação, só que desta vez, nada me vem à cabeça.

- Bruno, se eu ficar aqui por mais tempo, vou pegar uma hipotermia. – digo sem olhar para ele, mas o mesmo se abaixa e encosta nos meus braços, me fazendo olhar para ele. – Desculpa por tudo isso. Foi tudo culpa minha a gente estar aqui.

Bruno nega com a cabeça e tira do seu corpo a regata que vestia e estende para mim. Automaticamente arregalo os olhos e nego com a cabeça.

- Existe uma pesquisa que diz que as pessoas do sexo masculino sentem menos frio que as do feminino, além de terem capacidade de sobreviver por mais tempo a situações extremas. – ele sorri de lado. – Não acho que essa seja uma situação extrema, nem que a gente vá morrer, mas veste a regata colocando os braços pra dentro e ela vai ficar parecendo um vestido para você, mas pelo menos ela está quente. Você estava gelada quando eu te tirei daqui, e enquanto eu dou um jeito no ar condicionado, você veste ela pra ficar pelo menos um pouco aquecida.

- Como você vai ver os números do ar condicionado? – eu pergunto e ele parece confuso.

- A lanterna do seu celular. – ele parece ter uma ideia brilhante. – Seu celular Aline, a gente poderia ligar para alguém nos tirar daqui!

E a tristeza que eu sinto é tão grande, que eu tiro meu celular do bolso, com a maior sensação de derrota que eu já senti em toda minha vida.

- Está descarregado. – falo mostrando o celular, enquanto ele também parece estar derrotado.

Bruno encosta na parede, e com as costas desnudas, sente o frio do revestimento branco do banheiro, e reclama pelo choque térmico. Olho para cima, e tento pensar em alguma coisa para sairmos dali, mas nada parece algo realmente efetivo, e aquilo me chegava a desesperar.

- Veste a regata. – Bruno fala estendendo a mesma para mim que já está toda amaçada em sua mão. – Você estava a poucos minutos delirando por causa do frio, e eu não. Se você não se aquecer, vai desmaiar daqui a pouco e depois vai ter dificuldade para respirar. Então, eu não vou poder fazer realmente nada para você.

- Eu não posso aceitar, Bruno. – digo com a cabeça inclinada para cima, enquanto olho para o teto.

- E porque não?

Viro meu rosto em sua direção, e é muito difícil olhar em seus olhos, quando seu tórax está completamente descoberto. Mesmo assim, são neles que eu foco, e mesmo assim, quase me perco meio a sua íris cor de mel.

- Por que eu não quero que as pessoas me culpem caso você fique doente também. – digo com os olhos fixos nos seus, e com uma intensidade que chega a deixa-lo completamente sério. Desvio meu olhar do seu, e maneio a cabeça. – Além do mais, você já fez muito por mim, e eu não posso usar a única coisa que pode te aquecer.

Meus argumentos parecem convencer Bruno, já que em poucos instantes, ele já está vestindo a regata sem olhar em minha direção. Não sei se ele ficou ofendido por algo que eu falei, mas mesmo assim o fato não me preocupa. Estávamos em uma situação difícil demais para importarmos por pouca coisa.

Olho para baixo, e coloco a cabeça entre meus braços e enrolo nos meus joelhos, me encolhendo. Já não me vem mais nada à cabeça, e eu só quero sair logo daqui... Mas ao mesmo tempo, não sinto tanta falta do lado de fora, como sentiria antes. Foram ofensas demais, revolta demais e raiva de mais contra mim, que me fez sentir-me deslocada.

De repente, sinto braços fortes me envolverem, entrelaçando-se nos meus braços e aproximando-me contra si. Olho para cima e Bruno tem seus olhos fixos em alguma coisa que não sou eu, mas mesmo assim consegue me abraçar com perfeição. Não resisto ao seu abraço, e repito o seu alto, envolvendo sua cintura e colocando minha cabeça na sua costela. Não olho para ele, e também não parecemos tão próximos assim, mesmo com o abraço.

Bruno então me surpreende novamente e com um braço, pega minhas pernas e coloca sobre as dele, mais especificamente sobre suas cochas e joelhos que estão esticadas no chão. Me aninho ainda mais ao seu abraço, e não desfaço sua ação. Para mim, na verdade, estou ainda mais confortável, e eu descobri que o seu corpo me trazia uma paz, que eu nunca tinha sentido antes na minha vida.

Parecia ser algo interno. Sua alma parecia nos transmitir essa sensação, e quanto mais próxima, melhor eu ficava. Era inexplicável, e incrível o que eu sentia. Não fazia ideia se era a única à me sentir assim perto dele, mas sabia que aquilo era muito intenso.

- É bom ficar perto de você. – Bruno me surpreende com a fala, que sai mais como um sussurro e eu levanto meus olhos para encontrar os seus, mas o mesmo mantém a cabeça levantada e os olhos fechados. – Me traz uma paz, uma força. Me sinto tranquilo...

Sorrio de lado, e solto o ar pelo nariz lembrando de uma contradição da sua fala que me chama mais atenção do que o fato dele dizer exatamente o que eu estava pensando.

- Você gritou comigo na frente de um Ginásio inteiro. Me xingou, me acusou... – engulo a seco, mas minhas palavras também saem baixas, e eu acredita que seja por causa da temperatura e do nosso estado de saúde que não deve estar muito bom. – A calma que eu trago pra você pareceu não funcionar aquele dia que parecia que você iria me bater.

E sem aviso prévio, Bruno se afasta de mim, mesmo que ainda envolvidos, e eu me assusto. Os olhos do jogador estão arregalados, e ele parece estar quase magoado. A indignação que ele expressa não condiz com a realidade do que aconteceu. A ira que ele apresentou aquele dia cabe completamente em uma atitude agressiva, e não entendo o motivo dele se alarmar com o que eu disse.

- Nunca faria isso. – ele fala e trava o maxilar. – Não sou desses tipos, sabia?

Franzo o cenho, e o observo atentamente, me surpreendendo com sua reação. Seus olhos me passam uma situação que me deixa quase indignada, e causa minha curiosidade, que parece ser saciada com um pensamento.

- Eu não escreveria uma matéria te acusando disso. – digo por fim e ele me olha intensamente.

Bruno morde o lábio inferior com força, e parece realmente irritado, ou algo assim. Se afasta de mim sem muito lamento, e cruza os braços, encostando a cabeça na parede e então soltando o ar com a boca.

- Eu pouco ia me importar se você escrevesse uma matéria dessas, desde que fosse verdade. – ele diz e o olho, o que não é retribuído por ele. – Nem pensei em matéria quando disse que não sou esse tipo de cara. Só falei que eu realmente não sou, e nunca me passou pela cabeça fazer uma coisa dessas.

E então reina o silêncio entre nós, como se fossemos novamente dois desconhecidos. O frio continua cada vez mais intenso, e eu começo a pensar no que restará de nós quando sairmos dali. Em nenhum momento pensei em morrer, até porque não conseguia crer que aquela temperatura fosse capaz de acabar com as nossas vidas, mesmo que fosse bem baixa. Pensava mais era na minha saúde, e na de Bruno, principalmente, já que ele era um atleta, e séria péssimo para ele ficar doente.

Se bem que de qualquer forma, ficar doente para minha profissão também é horrível, principalmente pelo fato que trabalho ao vivo em rede nacional.

Encostei minha cabeça na parede e bufei, assim como Bruno tinha feito pouco tempo antes.

Não tinha muito o que ser feito mais, por isso só nos restava esperar.

E eu só esperava que não fosse por muito tempo. 

xxx

 

Uns cinco minutos tinham se passado e Bruno já não emitia nenhuma som, e até sua respiração parecia discreta demais. Conforme meu coração foi amolecendo do nosso rápido desentendimento, minha preocupação tomou o lugar, principalmente depois que eu percebi que ele estava desacordado.

Encostei minha mão em seu braço, delicadamente, mas ele nem moveu. Cheguei mais perto e passei as mãos pelo seu rosto, constatando que ele estava realmente muito frio. Engoli a seco e pensei no que eu poderia fazer.

- Bruno. – chamei chacoalhando seu braço, mas ele novamente não esboçou princípio de reação algum. – Bruno, olha para mim. Acorda, vai!

E continuava mexendo em seu braço com cada vez mais voracidade, e ele continuava da mesma forma, como se nada estivesse acontecendo. Seus olhos estavam tão cerrados, que pela primeira vez desde que entramos no banheiro, eu realmente senti medo.

Coloquei minha mão sobre seu coração, e o mesmo continuava batendo, e abruptamente senti-lo acelerar. Minha preocupação já chegava a níveis alarmantes, quando eu resolvi finalmente agir. Ainda sentada, me aproximei ainda mais dele e me ajoelhei. Joguei uma perna no outro lado do seu corpo e fiquei de frente para ele. Envolvi meus braços no seu pescoço, e fiquei me equilibrando com minha barriga encostando em suas costelas. Continuava mais baixa que ele, mesmo que eu estivesse ajoelhada e ele sentado, mas pelo menos a diferença de altura desta vez era pequena.

Me concentrava em tentar aquece-lo, mesmo que eu também não estivesse com minha temperatura normal. Soltei o ar, e encolhi meu corpo, colocando meu rosto em seu pescoço, no vão entre sua cabeça e seu ombro. O seu perfume amadeirado preencheu novamente os meus pulmões, e parecia ser fortificante. Era indescritível a sensação que seu perfume me causava.

- Bruno, por favor, fala comigo. – aquilo era praticamente uma suplica.

E em uma atitude inesperada, senti suas mãos tocando minha cintura, o que me surpreendeu.

- Desculpa, eu estava brincando. – ele sussurrou no meu ouvido com a voz rouca, e eu arregalei os olhos. – Não queria te assustar.

O afastei do meu abraço empurrando seu peito com as mãos, e o fazendo bater as costas na parede, sem muita força. Lançava um olhar indignado em sua direção, e ele apenas sorria de lado. Maneei a cabeça negativamente, furiosa da forma que ele brincou com meus sentimentos daquela forma.

- Eu fiquei preocupada. – ralhei e ele encolheu os ombros. – Isso é brincadeira que se faça?

- Legal você se preocupar comigo.

Solto o ar com força e reviro os olhos.

- Primeira e última vez.

Imediatamente me afastei dele, levantando e indo até a porta, dando um soco ali.

- Que agressividade é essa? – ele questiona, mas eu nem me dou o trabalho de responder, apenas dou ombros. – Nossa, você é bem forte. Não gostaria de ser essa porta.

Olho para ele ainda com a mão onde acabei de socar.

- Engraçadinho você. – faço uma careta e irônica e ele sorri. – Pois fique você sabendo, que eu luto. E modéstia à parte, eu sei lutar muito bem.

Bruno então se levanta e sorri de lado, se aproximando até mim, e me olhando com cara de cachorro pidão.

- Me dar um soco te faria me perdoar? – ele pergunta enquanto me mostra o braço direito. – Você pode tentar, se quiser, e se isso possa te fazer sentir melhor.

O olho indignada, enquanto ele me olha atentamente. Parece estar analisando minha reação, mas eu sem pensar duas vezes, dou um soco em seu braço, o que o faz apertar os olhos.

- Parabéns. – ele fala e não demonstra reação alguma, o que causa minha indignação. – Está se sentindo melhor?

Solto o ar pelo nariz, desistindo de ficar com raiva dele. O jogador me deixou dar um soco em seu braço, mesmo que não acreditando muito em meu potencial, só para fazer com que eu deixasse de ficar irritada com ele, merece meu reconhecendo.

- Um pouco. – sorrio e ele repete o meu gesto.

Nossos olhares se encontram, e pareço estar hipnotizada, pois me perco em seu par de olhos cor de mel. Meu sorriso some, e eu fico apenas a observa-los, mesmo quando meus olhos resolvem encontrar outros caminhos, como sua pele clara com poucas pintinhas, e sua boca rosada. Envolvidos com aquele momento, parecemos alheios a tudo.

Parece que só existe eu, e ele.

Quando somos surpreendido por uma batida na porta, e uma voz que fala em um tom bem baixo, atrás da porta.

- Tem alguém ai? – e eu reconheço a voz sendo de Melinda.

Sorrio automaticamente e me viro para porta, batendo minha mão contra madeira, e gritando que, sim, tinha alguém ali.

Duas pessoas desesperadas, frias e que precisavam ser salvas.

Melinda nos salvou e eu já gostava muito dela, mas não só por isso.


Notas Finais


Viva a Melinda! <3
Esperam que entendam que esse capítulo foi feito por uma menina amadora de 17 anos, não me cobrem demais, por favor hahaha
Comentem pessoas, por favor.
Precisamos dos seus comentários.
Maior capítulo até agora, espero que tenha ficado bom. :)
Ia falar mais alguma coisa, mas eu esqueci hahaha
Bruninho, te amo! <3
Feliz dia das crianças!
Respeitando todas as religiões; Feliz dia de Nossa Senhora Aparecida!
É isso gente, obrigada.
Beijoos! <3 <3


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