História Virtual Love - Capítulo 18


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Comedia, Mistério, Romance
Visualizações 38
Palavras 4.167
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Artes Marciais, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


CAPÍTULO NOVO *--*

Chegou a hora. A Verdade da Julia, espero que estejam curiosos.

Desculpa a demora :/

Espero que gostem ❤

Capítulo 18 - Verdade


Fanfic / Fanfiction Virtual Love - Capítulo 18 - Verdade

Faz uma semana desde que o Campeonato acabou, eu esperei até depois do Campeonato para contar porque... Não sei, apenas esperei porque precisava pegar coragem, e essa uma semana a mais foi para confimar que eu queria mesmo contar, já que eu estou com medo disso, é meio difícil falar. Hoje é sexta feira, não dei nem uma "pista" para o Japa de que contaria para ele hoje, eu prefiro que seja normal, que a conversa flua normalmente, e que não tenha um certo tipo de pressão. Vou falar para ele 15:00, em ponto, essa hora eu estarei batendo campainha na porta da casa dele, e não terá volta, terá que ser hoje, ele merece isso. 

[...] 

14:57, vou sair da minha casa agora, mesmo sendo vizinha dele, eu preciso chegar antes, eu tenho que falar. 15:00, bati a campainha na hora certa. Ele atendeu. 

- Oi Julia, que foi? - Ele sorriu, esse sorriso me destruiu. 

- Preciso falar com você. - Minha voz saiu mais fria do que eu imaginei. 

- Tá bom, entra. - Ele abriu passagem. 

Nos fomos caminhando, eu como sempre estava atrás dele. Eu vi a mãe dele, ela iria abrir a boca para me cumprimentar, mas eu estava com o rosto triste, apenas balancei minha cabeça com o sinal de sim, tenho certeza que ela entendeu. 

- Bia eu tenho que resolver umas coisas no banco, vem comigo. - Ela gritou. 

Elas saíram logo em seguida. 

- Senta aí. - Ele sentou na cama. - O que foi? 

- Eu vim te contar a verdade. 

- Julia... - Ele assustou? - Se você não quiser não tem problema. - Ele pegou minha mão. 

- Eu preciso te contar, lembra? Eu disse que ia te contar, eu só não sabia quando... E já que passou o Campeonato, eu achei a melhor hora. 

- Mas você não está bem, olha... Não precisa, se você não quiser... - Ele parecia preocupado. 

- Precisa sim, eu estou te devendo isso. 

- Você vai ficar bem? Não gosto de ver você triste. - Ele apertou minha mão, mas não senti dor. 

- Você estenderá o motivo da minha tristeza, e do meu ódio, da raiva, do choro, de tudo. - Eu apertei a mão dele. 

- Calma tá?! - Ele sorriu. 

- Só, por favor, não me enterrompe. - Eu tirei meu chinelo e subi na cama, e fui para o canto mais afastado, e comecei a cantar, acho um bom começo: Monster - Tauz. 

"Monster 
How should I feel?
Creatures lie here
Looking through the windows

Eu era alguém, que acreditava só no bem
Lutava e buscava o certo como ninguém

Mas veja bem, a verdade é que eu sempre fracassei
Também doeu em mim no dia que eu te deixei

Por anos eu tentei, mas sei que eu falhei
Não pude cumprir tudo aquilo que jurei

E eu sei fui tão longe que cheguei 
Ao ponto de ser a dor da pessoa que eu mais amei 

Olha o que eu me tornei 
O tipo de pessoa que eu nunca imaginei  

O mal que estava escondido alimentei 
E agora sinto que esse monstro não dominei

E quem vai entender?
Se quero pra mim morrer  

Eu odeio o que virei, mas me faz sentir tão bem 
Pois quando estou nas sombras sou forte como ninguém

Monster 
How should I feel?
Creatures lie here
Looking through the windows

Me vejo no espelho, mas não me reconheço 
Confesso que até de mim, as vezes eu tenho medo

Nenhum sentimento, nem arrependimento
Tudo se perdeu como folhas para o vento

Se sobrou algo de mim, no fundo, lá dentro 
Luto pra encontrar mas no fim eu nunca venço

E eu tento, mas é só perda de tempo 
Cada dia estou mais frio, perdido nos meus pensamentos  

Não preciso de razão
Eu escolhi cair pra dar de cara no chão  

No meio da multidão, percebo a solidão
Depois que você foi aqui virou escuridão  

E quem vai entender?
Se quero pra mim morrer 

Tanto faz, não importa mais nada e mais ninguem 
Não estou me importando nem comigo também

Monster 
How should I feel?
Creatures lie here
Looking through the windows  

Me sinto quebrado
Caindo em pedaços

Porque eu sei que estou fora e não consigo voltar 
Toda minha insanidade eu preciso provar  

Não dá, eu já deixei me dominar 
Uma fera fora da jaula quem pode controlar?

Sinto que está mais forte e nem eu posso parar 
Você não pode mais me ver pois tem alguem no meu lugar

Cheguei a um extremo
Posso até estar morrendo e eu já quero isso mesmo  

O errado é tão certo e o certo é tão errado
O mal que me faz bem é o que me deixa alucinado 

E quem vai entender?
Se quero pra mim morrer 

Eu odeio o que virei mas me faz sentir tão bem 
Pois quando estou nas sombras sou forte como ninguém 

Monster 
How should I feel?
Creatures lie here
Looking through the windows 

Monster 
How should I feel?
Creatures lie here
Looking through the windows" 

*Flashback ON* 

Eu tinha 8 anos quando meu pai morreu, meu tio que me deu a notícia, na época eu não entendi muito bem as coisas, a tristeza que sentia, a falta, e ainda a falta da minha mãe. Depois que meu pai morreu minha mãe desapareceu: vinha em casa uma vez por semana, às vezes aparecia toda machucada ou nervosa, totalmente diferente do que ela era. Eu lembro que meu pai era um cara alegre, e que eu brincava com ele em algum lugar claro, e que minha mãe estava rindo com a gente, só isso, mais nada. 

- Mamãe, mamãe, porque você não fica mais em casa? O papai foi embora, estou com falta dele. - Eu tinha 9 anos ainda. 

- Cala a boca inútil. - Ela me empurrou. - Você é meu pior erro. 

Na época eu não entendi, eu chorei por causa do tombo, mas eu não entendi. 

- Mamãe, mamãe, fica comigo, brinca de boneca comigo. - Eu ainda tinha 10 anos. 

- Cala a boca. - Ela chutou minha mão, a boneca voou longe. 

- Porque você não brinca comigo? O papai brincava comigo. - Eu cruzei os braços. 

- Eu vou falar de novo, inútil. - Ela puxou meu cabelo, e me arrastou pela casa, até o quarto. - O seu pai está morto, em baixo da terra, não vai voltar mais, NUNCA MAIS, e sabe qual a melhor parte? EU PREFIRO ELE MORTO. - Eu realmente não entendi, ainda era muito nova, muito infantil. 

Eu fiz 11 anos, 12 anos, 13 anos e fui entendendo, minha mãe é uma desgraçada que ficou feliz porque o marido havia morrido, e ela acha a filha um erro, mas porque? 

- Ei, meu pai morreu como? - Eu perguntei para aquela coisa, estava estirada no sofá, vendo televisão e bebendo.

- Aah, que fofa, ela quer saber como o papai foi morto. - Ela riu e sentou. 

- Fala logo. 

- Quer saber mesmo? - Ela riu. 

- Fala. 

- FOI MORTO, ASSASSINADO, TIRO, FACADA, CHUTE, PONTA PÉS, PORRADA. - E ela riu. Eu estava paralisada, como ela fala que o próprio marido foi assassinado, e ela ri? - Quer saber porque também? - Ela veio até mim e apertou minhas bochechas forte, consegui sentir o cheiro insuportável de bebida. 

- Eu vou embora. - Eu saí andando rápido. 

- AH NÃO VAI MESMO. - Ela tacou o copo em minha direção, mas ela errou. Pegou o meu braço e me puxou, me jogou no sofá. 

- Sabe... - Ela riu. - Seu pai sempre foi um otário, desgraçado, que nunca me ajudou em porra nenhuma. 

- MEU PAI NÃO ERA ASSIM. - Eu gritei. 

- Ah era sim. - Ela riu. Bebeu mais um gole daquilo, não sei se era cerveja, ou qualquer outra merda. - Eu nunca amei aquele porco, na real foi só pelo dinheiro que ele tinha, aí eu fiquei grávida, e nasceu essa bosta, no caso você. Eu tentei abortar, porra, você pode ter certeza disso, mas aquele otário não deixou "ela é minha filha" e blablabla, ele me enoja. 

- Você me enoja.

- Silêncio, resto de aborto. - Eu realmente estava com vontade de matar essa vadia. - Eu arrumei um amante, além de trouxa seu pai é corno, esse meu amante é um bandido, traficante de uns morros ai, ele transa bem que é uma beleza, sabe o dia que seu papai morreu? Eu estava com ele, "morra com o capeta, otário", realmente não fez falta, aquele trouxa. 

- Você traía meu pai vagabunda? 

- Olha a boquinha, papaizinho não vai gostar, não é filhinha de papai? - Ela me deu um tapa na cara. - Calma, ainda não chegou a melhor parte. - Ela riu. - O Fabio, esse era o nome do traficante, ele se apaixonou por mim - Ela riu. - Que otário, ele pediu para casar comigo, e me deu muito dinheiro, eu tinha tudo que eu quisesse, mas com uma condição, eu separasse do seu pai. 

- E porque você não fez isso, vadia? 

- Olha a boquinha - Ela me deu outro tapa na cara. - Porque se eu ficasse com seu pai e poderia ter O DOBRO de dinheiro, não seria ótimo? E depois eu mandava os dois para o inferno, junto com você, já que eu nunca te quis mesmo. - Ela riu. 

- E onde meu pai entra nessa história? 

- O Fabio descobriu que eu ainda ficava com seu pai, e matou ele, dia 10 de outubro. Na base do tiro, foi tão... FODA, bem feito, não estava nem aí mesmo, mas ele veio até mim, me ameaçou, apontou a arma na minha cara, e me encheu de porrada, depois me chutou, e eu tive que ficar aqui, morando com você, e o pior. - Ela riu, e me deu outro tapa. - O desgraçado do seu pai deixou todo o dinheiro para você, o resto de aborto é mais rico do que eu. - Eu vomitei. 

- Você matou seu marido por causa de dinheiro? - Eu não tinha soltado uma lágrima se quer, mas vomitei. 

- Ai que nojo, eu não vou limpar essa merda. E eu não matei o otário do Fernando, ele simplesmente morreu sozinho, não fui eu quem atirei, nem mandei, o cara fez isso sozinho. - Ela bebeu mais, e riu. 

- Você me dá nojo. 

- Ah restinho de aborto, cala a boca. 

Naquela época eu ainda não era muito boa lutando, ainda precisava treinar muito, mas eu não liguei, levantei daquele sofá e chutei a cara dela toda, eu bati na minha mãe, e não foi pouco, eu deixei marcas nela, tem um corte na coxa dela que eu fiz com o caco de vidro do copo que ela jogou em mim, está escrito o meu nome, para ela nunca mais esquecer. 

Eu fui até meu tio, eu estava com nojo, com raiva, eu estava cega naquele momento. 

- É VERDADE? - Eu gritei na cara dele. 

- O quê? - Ele pareceu assustado. 

- Não se faça de idiota, é verdade aquilo que ela falou? 

- Ela contou então... 

- CONTOU? ELA CUSPIU AQUILO NA MINHA CARA, E AINDA RIU. 

- É verdade. - Ele estava triste. 

- EU ODEIO AQUELA MULHER. - Eu gritei isso com todas as forças que eu tinha. 

Foi quando aquela discussão aconteceu, que eu quebrei o braço do meu tio, eu sei que ele deixou, e eu precisava disso, aquele foi o dia que eu mais chorei na minha vida, eu estava me sentindo um nojo, eu não consegui me olhar no espelho por muito tempo, eu dormi na casa da Carla e o do Miguel por vários dias. Eu tive uma audiência com uma juíza também. 

- Eu sou a Juíza Marcela. - Uma morena de cabelo curto. 

Ela falou um monte de coisas, sobre aquela bosta que "minha mãe" arrumou, e ela concordou com tudo, com um sorriso no rosto, eu sinto nojo desta mulher. 

- Julia, você gostaria de morar com quem? - A Juíza Marcela me perguntou. 

- Eu gostaria de explicar um pouco melhor, posso? 

- Por favor. - Ela concordou. 

- Eu gostaria que minha guarda fosse do meu tio Manoel Lopes. 

- Sim, mais o que? - Ela ainda parecia confusa. 

- Eu vou morar com a Catharina, mas não como minha mãe, só morar junto mesmo. 

- Mas porque Julia? - Meu tio perguntou. 

- Não tem motivo específico, é só tortura psicológica mesmo, ela terá que olhar para a maior merda que ela fez na vida, todos os dias. - Eu sorri, mas queria destruir o mundo todo. 

- Tudo bem, se esse é o seu desejo. - A Juíza Marcela concordou comigo. 

- Eu queria fazer um pedido, Juíza. - Meu tio se pronunciou. 

- Eu queria levar a Julia ao Japão, não para morar lá permanentemente, mas para passar um tempo comigo, eu morarei três anos lá, e gostaria que ela fosse comigo. - Eu fiquei feliz com a ideia de viajar, mas ao mesmo tempo triste, eu ainda estava muito... Péssima. 

- Se ela concordar, tudo bem. - A Juíza Marcela concordou.

- Eu quero. 

Eu saí de lá e sentei em um banco, ainda dentro do tribunal, um policial sentou do meu lado. 

- Sua história é bem triste em garota. - Ele olhava para um copo. 

- Você estava lá dentro? 

- Estava, e vi como você agia e como estava tratando os outros. - Ele bebeu um gole daquilo, acho que era café. - Acho que você não deveria guardar rancor no coração. 

- O que você sabe sobre mim velhote? 

- Bom, apenas o que eu escutei ali, mas pela sua face de tristeza, por trás desse seu ice berg invisível há uma criança de 13 anos que está chorando. - Ele olhava para o copo. 

- Você não sabe nada disso. - Ele estava certo, mas eu queria esconder isso. 

- Quando eu tinha mais ou menos a sua idade eu vi minha avó morrer, eu fiquei do mesmo jeito que você neste exato momento. - Ele olhou para mim. 

- Me desculpa. - Eu comecei a chorar na frente de um velho totalmente desconhecido.

- Não chore criança, você é uma boa garota, um dia isso passa. - Ele balançou meu cabelo. 

- Obrigado, Donatário? - Olhei no pequeno crachá em seu uniforme. 

- Isso, Julia. - Ele sorriu. - Se um dia eu tiver uma filha colocarei o nome dela de Julia, é um nome muito bonito. 

- Ela não será triste igual eu. - Tentei sorrir. 

- Mas terá um sorriso bonito, igualzinho. - Ele também sorriu. 

- Obrigado. 

- Obrigado? Eu não fiz nada, só sentei em um banco e tomei meu café. - Ele levantou e saiu andando, mas piscou para mim e sorriu. 

Eu morei no Japão dos meus 13 anos até meus 16. Descobri muitas coisas sobre meu pai, a guitarra... Cantei bastante, toquei, aprendi a falar japonês e voltei para o Brasil, quando eu cheguei aqui eu soube que aquele Fabio, o traficando, havia morrido em uma troca de tiros com a polícia, na hora eu me lembrei do Donatário. Passaram-se três anos, eu não consegui me abrir com ninguém, havia ficado fria demais, não ria, não tinha emoção, não tinha amigos, apenas pela internet, mas eu sabia que não era real. 

Eu decidi morar com minha mãe, eu não me importava mais com a presença dela, mas sei muito bem que ela se importa com a minha.

Eu me mudei para São Paulo e conheci um garoto idiota que mudou minha vida toda, de uma hora para outra, simplesmente por aparecer, e não se importou com a avalanche que estava fazendo, o meu primeiro amigo que não era simplesmente virtual. 

*Flashback OFF* 

- Julia... Isso tudo aconteceu com você? - O Japa tinha vindo para o meu lado enquanto eu falava. 

- Sim. - Eu estava chorando de novo. 

- Me desculpa, eu nunca poderia imaginar uma coisa dessas. - Ele me abraçou. 

- Desculpa por demorar tanto para te falar, eu tenho nojo disso, vergonha de mim mesma. - Eu estava chorando no colo dele, de novo. 

- Não precisava ter falado tudo, cara, eu estou péssimo, me desculpa... - Ele beijou meu cabelo. 

Eu o abracei forte, eu tinha ficado falando sobre toda a verdade por uma hora, eu estava cansada, e chorando. 

- Quer alguma coisa? Para ajudar, sei lá? - Ele estava preocupado, parecia triste, ou culpado por ter me feito falar. 

- Eu estou bem, e por favor, não fique triste, eu não aguentaria ver alguém triste por causa do que aconteceu comigo, não foi culpa sua. - Eu acho que arranhei o braço dele, deu para escutar um gemido de dor. 

- Não é culpa sua também, aquela... Coisa, não merece a filha que tem. - Ele me apertou mais forte. 

- Eu já me acostumei, sabe... Com a dor, a pressão, os olhares, a tortura psicológica... - Eu ainda estava chorando, mas não era aquele choro desesperado, é uma lágrima de cada vez, eu estava calma... 

- Não se acostume com isso, eu quero que você seja aquela criança, que ria por aí, eu quero que você seja a minha Julia que sorri. - Ele abaixou a cabeça no meu ombro, eu não deveria ter contando isso para ele, até ele vai ficar me olhando com pena? 

- Você vai ficar me olhando com pena também? - Eu o empurrei. 

- Não. Julia! Eu nunca faria isso! - Ele me puxou e me abraçou de novo. Eu voltei a chorar e abraçar ele. 

- Eu odeio ver você chorar. - Eu odeio chorar! 

- Posso ficar aqui? Eu não quero voltar para a minha casa, está tudo quieto de novo, estou sozinha de novo, a Carla e o Miguel foram embora, meu tio nunca para quieto, eu não quero ficar sozinha. - Eu o abracei mais forte, quase me deitando. 

- Pode, não tem problema, eu prefiro que você fique aqui. - Ele estava acariciando meu cabelo, isso é bom. 

- Obrigado Japa. - Eu meio que deitei no ombro dele. 

- Me desculpa por fazer você se lembrar de tudo isso. - Ele estava com a voz mais triste. 

- Acredite, eu estou bem melhor depois que disse isso para você, foi a primeira vez que conto isso para alguém, eu estou... Mais leve. - Eu olhei para ele. 

- Dorme. - Ele sorriu e voltou a acariciar meu cabelo. 

- Eu gosto quando você faz carinho no meu cabelo. - Eu sorri. 

- Eu gosto de ver você dormir, você fica calma. - Ele sorriu. - Dorme. 

- Obrigado. - Eu fechei meus olhos  forçando a dormir, eu senti ele puxar o cobertor e jogar sobre mim. 

[...] 

Eu acho que dormi por um bom tempo, senti meus olhos pregados e úmidos pelas lágrimas, quando acordei já era de noite, o Japa não estava lá, devia ter ido fazer alguma coisa em algum lugar da casa, eu saí para procurar ele. 

- Japa? 

- Ah, oi Julia, o Japa está tomando banho. - Eu encontrei a Fátima. 

- Eu contei para ele. 

- Que bom. - Ela sorriu. - Como está se sentindo? 

- Livre e triste. 

- Depois você toma banho também, e veste um dos pijamas da Bia. - Ela sorriu, como se nós não tivéssemos conversado. 

- Oii Juulia. - Entendi  a Bia havia aparecido. Eu apenas sorri em direção a Fátima. 

- Oi Bia. - Sorri. 

- Aqui, acho que esse pijama aqui vai sair em você, e também têm uma peça íntima, ela é novinha. - Ela riu. - Comprei hoje, ainda está com a etiqueta, pode ficar para você. 

- Obrigado. - Eu sorri, isso que é ter uma irmã? 

O Japa saiu do banheiro, ele estava sem camisa - normal - e com o cabelo molhado. 

- Ainda parece um gato molhado. - Eu ri.

- Vai vestir uma camisa Japa, para de vagabundagem. - A Bia estava nervosa? Que fofo. 

- Tá, tá, você está com a cara toda amassada Julia. - Ele riu.

Eu fui tomar banho, não quis molhar o cabelo, iria demorar demais para secar. Vesti o pijama, ficou meio curto, deu até vergonha de sair de dentro daquele banheiro. 

- Ficou meio curto... - A Fátima riu. 

- Meio? - O Japa riu. 

- Cala a boca seu tarado. - Nossa Bia, não exagera. 

- Vem Julia, não liga para esses dois, sente-se aqui e vamos jantar. - A Fátima me chamou. 

- Sua mãe não vai reclamar de você dormir aqui? - Bia, é capaz de ela me agradecer. 

- Ela nem vai perceber. 

Nós comemos, a Fátima cozinha bem. Depois do jantar nós ficamos conversando, ali na mesa mesmo. 

- Julia, aonde você vai dormir? - A Bia pergunta. Para mim dá no mesmo. 

- No meu quarto. - O Japa falou. 

- E aonde você vai dormir? - Nossa Bia, que lerdeza. 

- No meu quarto ué. - Isso é meio óbvio né Bia, eu já "dormi" com o Japa uma vez. 

- Vou ser tia tão rápido? - Ah meu Deus... 

- Claro, vários mines japinhas. - Ele riu. 

- Esconsta uma mão em mim e você não irá ajudar na reprodução da espécie humana. 

- Eu ficava longe se fosse você. - Eu e a Fátima rimos. 

- Minha costela ainda está doendo tá. - Ele queria me deixar culpada? 

- Minha barriga também. 

- Vai começar as briguinhas? Que amor. - Silêncio Bia. 

- Vamos Julia, ou ela vai encher o saco para sempre. - O Japa me chamou. 

- Tá. - Levantei abaixando um pouco do short do pijama. 

Fomos para o quarto dele, eu sentei no canto, de novo. 

- Eu durmo do lado da parede. 

- Marcando território? - Só falta eu fazer xixi na parede. 

- Claro. - Ele tirou uma pasta de trás do computador. 

- Julia, tem uma coisa que eu não te contei, bom, não é muito importante, mas eu não gosto de mostrar para todo mundo, só para pessoas que são realmente muito importantes para mim. - Ele se sentou do meu lado e abriu a pasta. 

- Isso são desenhos? Foi você que fez? 

- Sim, eu não gosto de mostra-los, é estranho... - Ele disse olhado para os desenhos. 

- Eles são lindos. - Fui olhando um por um, ate chegar nos dois últimos. 

- Essa sou eu? 

- Sim, você fica muito fofa dormindo, eu tive que desenhar. - Ele riu. 

- Ficou muito lindo. - Eu sorri, talvez aquele tenha sido meu sorriso mais verdadeiro. 

- Esse daqui é de quando você estava no avião, você faz biquinho enquanto lê. - Ele riu. 

- Não faço não! 

- Faz sim, eu tirei uma foto. - Ele me mostrou no celular dele, o desenho é igual a foto, e porque eu estou fazendo biquinho enquanto leio? 

- Que vergonha cara. - Eu ri. 

- Posso ficar com esse que eu estou dormindo para mim? 

- Pode, me deixa fazer outros desenhos seus? Você faz umas caras bem legais. - Ele riu. 

- Pode. - Eu ri. - Eu sei que sou uma modelo. - Joguei meu cabelo. 

- É... - Ele riu. - Você fica linda enquanto sorri. 

- Você também fica muito fofo quando ri. - Eu apertei as bochechas dele. 

- Para com isso mano. - Ele riu. 

- Está vendo? Você fica fofo quando ri. - Eu sorri. 

- Vamos dormir, já que você vai ficar no seu canto. - Ele levantou e guardou a pasta, e deixou meu desenho em cima da estante. 

- Boa noite Julia. - Ele deitou na cama, estava virado de costas para mim. Eu virei ele e deitei minha cabeça no seu ombro. 

- Agora sim, boa noite. - Ele levantou o braço e passou por trás do meu pescoço, e segurou meu braço, a gente ficou um pouco colados demais, mas  não deu problema algum. Foi uma boa noite, eu dormi bem, leve, como nunca havia dormido antes. 

[...] 

Eu fiz questão de acordar mais cedo que todos, vesti minhas roupas, deixei o pijama em cima da mesa, peguei um papelzinho e escrevi um bilhete, e colei em cima da mesinha do Japa. Não ía poder ficar lá, tenho certeza que o Japa ficou triste por eu ter falado tudo para ele, já que a história é mesmo triste. E eu também estava com vergonha de mim mesma por todas essas coisas que aconteceram comigo. Eu fui embora, eu sei que moro do lado dele, mas eu ainda posso me esconder, pelo menos por um tempo, até eu ter coragem de olhar para ele de novo.


Notas Finais


Cara, o que aconteceu com a Julia foi muito triste, e o Japa, ele também pareceu triste. A Catharina também, tudo explicado.

Espero que tenham gostado ❤


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