História Visceral - Capítulo 8


Escrita por: ~

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Categorias Yu Yu Hakusho
Personagens Hiei, Personagens Originais
Tags Angst, Drama, Hiei, Personagem Original, Romance, Yu Yu Hakusho, Yyh
Visualizações 44
Palavras 3.120
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Ecchi, Hentai, Luta, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 8 - Percalço


Hiei não levou muito tempo para considerar a proposta de Rina, ao contrário do que ela esperava. Ele apenas a encarou por alguns segundos, com um olhar ao mesmo tempo superior e aborrecido, e soltou um muxoxo, indicando que havia feito sua decisão.

— Se fizer mais alguma tolice, corto sua garganta. Ouviu bem? — disse, com uma naturalidade assustadora.

Rina teve um ligeiro sobressalto ao ouvir aquelas palavras, como se seu coração tivesse parado por um microssegundo. Não por causa da ameaça. Esse era o tipo de coisa que ela já esperava vindo dele. O que a deixou impressionada foi o que ela viu em Hiei. Ou sentiu, ela não soube explicar.

Uma semelhança atordoante com alguém que ela já não lembrava havia muito tempo. Como ela podia ter esquecido?

Hiei não notou a mudança no estado de espírito de Rina— ou fingiu não notar. Recomendou que eles partissem imediatamente para recuperar o tempo perdido e assim que Rina meneou a cabeça concordando, ele saiu na frente, deixando que ela a seguisse alguns passos atrás.

Não trocaram mais nenhuma palavra até o anoitecer. Se Hiei falou algo, Rina não ouviu, tampouco respondeu. E enquanto ela seguia calada pelos terrenos do Makai, sua mente imediatamente voltava no tempo com uma memória trazida à força, uma memória que ela não sabia como foi conseguiu deixar apagada por tanto tempo.

Dimitri. Ela tinha 13 quando o conheceu; 16 quando o deixou. Foi ele quem a ensinou a se defender quando ela era apenas uma garota que tinha acabado de fugir da casa dos pais e não sabia se virar nas ruas. Ensinou Rina tudo que ela precisava para sobreviver, na verdade. A roubar sem ser pega, a beber sem se embriagar, a se esconder de quem devia se esconder, e encontrar quem devia encontrar. Ele foi seu professor, seu pai, seu amigo, seu primeiro amor.

Dimitri nunca a julgou ou perguntou o que estava fazendo nas ruas sozinha, mas a chamava de mimada sempre que a teimosia de Rina falava mais alto. Era autoritário e grosseiro, mas cuidava dela mais do que cuidava de si próprio, e tinha um jeito carinhoso que escondia por baixo de seu jeito zangado de falar. Nos três anos em que Rina morou com ele, só sentiu a verdadeira fúria de Dimitri uma única vez: quando ela quase morreu por uma overdose de drogas injetáveis. Ele a levou para o pronto-socorro, disse que era sua filha, preencheu formulários com dados falsos, esperou que ela melhorasse e a trouxe de volta para casa.

Depois gritou, a xingou e quase chegou a agredir.

— Se fizer mais alguma tolice dessa, eu te mato! Entendeu? Você entendeu, Rina? — Tinham sido suas palavras naquele dia. A perfeição com que Hiei quase as tinha reproduzido era impressionante.

Mas Dimitri, ao contrário de Hiei, estava chorando. Ela chorou também e, fora o álcool, nunca mais usou nenhum tipo de droga na vida. Não por medo que ele fosse mesmo a matar. Seu medo era de vê-lo chorando novamente.

Como diabos ela poderia ter esquecido?

Foi ele quem a ensinou a manejar uma faca, a ocultá-la sob as roupas, a nunca deixar nenhuma pessoa pisar nela, a usar a cabeça quando não podia contar com a força, a ser rápida e precisa em seus movimentos. Teria ficado orgulhoso da habilidade de Rina se ele soubesse. Ou talvez tivesse rido, debochado. Seu humor variava tanto que era sempre uma surpresa para ela. Mas Dimitri nunca chegou a saber.

E então ela lembrou por que havia esquecido. Não tinha sido ela quem o tinha deixado.

Dimitri era meticuloso, mas não tinha consigo mesmo a mesma dedicação que tinha com Rina. Ele tinha mais conhecimento do que qualquer outra pessoa que ela já tivesse conhecido e, ainda assim, fez um erro que Rina nunca perdoou. E, por se recusar a aceitar, Rina optou por esquecer.

Dimitri havia se matado.

Ele, o homem que havia ficado desesperado quando Rina quase morreu, que a ensinou todas as táticas de defesa que ela conhecia, que dizia para ela nunca ter medo, um dia deliberadamente tirou a própria vida.

Rina não estava em casa quando aconteceu. Quando chegou, ele já estava morto, com um tiro na boca e a arma ainda na mão direita. Tinha deixado uma carta pedindo desculpas, justificando o que para ela era injustificável.

Ela então foi embora, queimou a carta, chorou por um dia inteiro e nunca mais pensou em Dimitri.

Até aquele maldito dia. Odiou um pouco Hiei por causa disso.

Hiei tinha um pouco do jeito impositivo de Dimitri. O jeito de nunca admitir que está errado ou de que precisa de ajuda. Dimitri em três anos nunca havia pedido ajuda. Talvez se tivesse pedido, não estaria morto.

Hiei também não havia pedido ajuda quando se feriu mais cedo. Poderia ter igualmente morrido. No entanto, ela ajudou. Teria inconscientemente se lembrado de Dimitri já naquela hora? Era tão importante assim? Ela fechou os punhos, ao mesmo tempo com raiva e indecisa. Queria poder esquecer novamente com a mesma facilidade de antes. Ou ter a capacidade de se recordar dele sem precisar se machucar para isso.

— Você ouviu o que eu falei? — Hiei perguntou de repente.

Não, ela não tinha ouvido.

— Vamos acampar aqui por essa noite — ele disse — Amanhã continuamos.

O céu já estava escuro fazia muitas horas, mas ela nem sequer havia percebido. Tinham caminhado por uma distância considerável, considerando a mudança brusca na paisagem — apesar do machucado de Hiei o ter feito diminuir o ritmo. Quanto tempo ela havia ficado fora do ar daquele jeito?

— O que há com você? — Hiei perguntou de novo, vendo que Rina não saía do lugar e nem abria a boca.

— Nada — ela falou — Boa noite.

E se deitou sob a árvore mais distante, a cabeça apoiada na bolsa que carregava e as costas viradas para Hiei.

Ele a observou por um tempo. Tinha apreciado o fato dela ter ficado calada durante todo o trajeto, mas agora, estranhava. Era como se ela nem sequer estivesse presente. Como se ele estivesse guiando um fantasma esse tempo todo. Aquilo era preocupante: por que a mudança tão repentina?

Irritado consigo mesmo por se incomodar com esse tipo de coisa, Hiei procurou outra árvore e se empoleirou no galho mais alto. Depois mudou de ideia.

Acabou dormindo no chão aquela noite.

(...)

— Eu preciso beber alguma coisa — Rina falou. Já tinha passado metade do dia seguinte e eles estavam caminhando por horas. O sol estava exatamente em cima de suas cabeças.

— Tem um riacho aqui perto.

— Não é isso que eu quero beber.

Hiei olhou por sobre o ombro. Rina estava caminhando atrás dele, quase ao seu lado. Tão calada quanto o dia anterior. Aquela, na verdade, era a primeira frase que proferia em horas. Mas não era ele quem iria perguntar o porquê.

— Não sei se percebeu, mas isso aqui não é uma excursão de férias. Beba água ou morra de sede, você escolhe.

— Ora, vai à merda, Hiei! — Rina respondeu irritada e o ultrapassou, dando passos largos para se manter na frente do caminho.

Hiei quase sorriu com aquela resposta. Ela estava voltando ao normal.

(...)

Por um dia inteiro, eles não encontraram uma viva criatura durante todo o caminho. As pradarias que atravessaram era longas, e o solo, coberto de tocas e buracos feitos por pequenos animais. Ainda assim, não avistaram nenhum, nem ouviram seus sons ou perceberam seus movimentos.

Rina não conhecia o Makai, e, portanto, não estranhou. Mas Hiei conhecia aquele lugar o suficiente para saber que tanta calma assim poderia ser um mau sinal.

O Makai decididamente estava mais em paz desde que Enki assumiu a liderança, era verdade. Ao menos os principais reinos haviam concordado em uma trégua e o medo de uma guerra de proporções desastrosas estava cada vez mais longe. Mas youkais são youkais e muitos tinham dificuldade em abrir mão da vida bandida que levavam. Hiei não era um exemplo ele próprio? Não tinha detestado ficar na coleira, cumprindo ordens de um Rei que ele não havia escolhido, tendo seus dotes e habilidades subaproveitadas?

Não adiantava: por mais que prezasse por eventuais momentos de descanso, lutar fazia parte do seu DNA. Era assim por natureza, estava em seu sangue. Não foi por isso que aceitou levar Rina até seu destino em primeiro lugar? Para ter uma desculpa de viajar por todos os cantos do Makai e enfrentar os desafios típicos desse tipo de jornada? Para conhecer o clã milenar de guerreiros que Kurama tanto falou?

Mas talvez estivesse errado. Talvez fosse seu instinto que o estivesse fazendo imaginar que perigos o podiam estar espreitando. Talvez aquela região estivesse mesmo em paz, e ele apenas estava vendo coisas que não existiam, procurando motivos para sacar a espada. Os demônios, afinal, podiam conviver harmoniosamente.

Ele quase se convenceu disso. Quase. Pois Hiei não se convencia tão fácil assim de coisa alguma.

E quando viu um conjunto de sacolas e alforges abandonados no meio do campo, esqueceu-se de todas as teorias sobre a harmonia entre os povos do Makai.

Os dois se aproximaram. As bolsas estavam cheias, mas não havia ninguém por perto. A planície era vasta e, apesar do capim relativamente alto, não oferecia espaço suficiente para alguém se esconder. Também não encontraram sinais de luta, nem mesmo energias malignas destoantes.

— O que pode ser isso?

— Eu não sei — Hiei respondeu. Por via das dúvidas, deixou a mão próxima à katana — Vamos abrir as sacolas.

Haviam seis bolsas ao todo. Duas continham mantimentos, incluindo alimentos ainda frescos e bebidas. As outras estavam cheias de mercadoria, a maioria feita de ferro ou porcelana. Nada de muito valor, segundo Hiei.

— Vamos pegar as comidas. Pelo menos a maioria ainda parece em bom estado — ele falou.

Apesar disso, Hiei continuou olhando os artefatos por mais algum tempo. Eram simples, mas deviam ter algum valor para quem os carregava. Por que haviam sido abandonados? E junto dos mantimentos? Aquilo não fazia o menor sentido.

Mas ele não tinha a mesma paciência que Kurama para analisar tão meticulosamente as circunstâncias que encontrava pelo caminho. Então apenas pegou uma das sacolas carregadas de provimentos, deixou que Rina pegasse outra e deixou de lado as repletas de quinquilharias.

— O que acha que aconteceu? — ela perguntou — Se quem carregava isso foi atacado, por que os assaltantes teriam deixado as sacolas aqui?

— Isso não importa. Vamos embora.

— E se for uma emboscada?

Ele considerou a hipótese por um instante.

— Aí vai ser meu dia de sorte.

Mas ninguém os atacou, o que deixava Hiei ligeiramente desconfortável — ainda que não admitisse em voz alta. Voltou novamente a temer aquela calma, aquela sorte tão improvável. Nada no Makai era o que parecia ser. E quando estavam longe o suficiente do local onde haviam encontrado as bolsas, ele sugeriu que fizessem uma pausa para avaliar o que tinham conseguido..

— As comidas parecem em bom estado — Rina disse, abrindo a sacola que trazia.

Hiei concordou. As que carregava também estavam boas para consumo. Ele ainda encontrou dois cantis: um trazia água e outro, alguma bebida de forte teor alcóolico, que ele percebeu apenas pelo cheiro. Jogou o segundo cantil em direção à Rina.

— A bebida que queria.

Ela abriu o frasco e examinou o conteúdo. O fechou em seguida, parecendo satisfeita. Não era o bourbon que estava acostumada a tomar — e que precisou derramar quase todo para limpar a ferida de Hiei — mas aquilo iria servir.

— Podemos ficar por aqui um pouco? — ela pediu.

Hiei estranhou o pedido, mas concordou. Ela geralmente não se opunha às longas caminhadas e havia deixado claro o quanto queria encurtar aquela viagem o máximo possível.

O que fez Hiei lembrar-se de uma coisa: estavam próximos da fortaleza de Mukuro. Se seguissem mais um pouco para o Norte, não demorariam a avistá-la. E encontrá-la era tudo que Hiei menos queria. Como ele não tinha pensado nisso antes e refeito o trajeto? Ou teria ele ido inconscientemente na direção dela?

De qualquer maneira, não poderiam prosseguir naquela direção.

— Vamos ter que fazer um desvio para o Oeste — Hiei disse, um pouco abrupto. Não que Rina soubesse o caminho que ele tinha traçado, mas cedo ou tarde ela ia perceber que ele estava deliberadamente se afastando daquele local antes de seguir em frente.

— Por quê?

— Porque sim.

Ela o encarou demoradamente. Ele a ignorou. Pegou uma das frutas da bolsa e comeu sem retribuir o olhar.

— O que você está querendo evitar?

Hiei não respondeu. Continuou agindo como se não a devesse explicações, apesar de saber que ela continuaria as cobrando. E, ele sabia, com razão. Mas ter que falar sobre Mukuro para Rina estava fora de cogitação naquele momento. Somente aquela ideia o fazia estremecer.

— Estou ficando farta de você não me contar tudo que sabe. Se vamos passar os próximos dias juntos, é melhor que eu saiba o que está acontecendo. Nós temos um trato.

— Meu trato é com Yusuke, e é apenas para te levar para um determinado lugar. A maneira como farei isso é escolha minha.

Ele podia sentir que Rina o continuava encarando. O que mais ele poderia dizer? Explicar toda a conturbada relação que tivera com Mukuro? Deixar que ela soubesse de sua intimidade? Nunca. Preferia que Rina se revoltasse, que mantivesse sua distância e o deixasse em paz.

Mas Rina não se revoltou. Ao contrário, ela riu, desfazendo a cara sisuda com que até então o fitava. Riu de um jeito frio e importuno, de maneira que chegou a cegar Hiei de raiva.

— O que é tão engraçado?

— Não é óbvio? — ela respondeu — Você está com medo de alguma coisa no caminho!

— Eu não estou com medo! Idiota! Não é nada disso!

— Bem, não consigo ver outra explicação. E como não quer me dizer, só posso assumir que não quer admitir que está assustado.

Hiei levantou, irritado. Levou a mão à espada. Rina continuava sorrindo com descaso.

— Vou fazer você engolir essas palavras!

— Não seja burro, Hiei. Você ainda está machucado. E eu não quero brigar com você. Você me é mais útil vivo do que morto. Agora, se queria passar uns dias a mais na minha companhia não precisava mentir, era só falar.

Ela piscou o olho, deixando Hiei lívido. Em seguida, Rina jogou o cantil com a bebida de volta para ele, que se atrapalhou ao tentar pegar no ar.

— Acho que você está precisando de um gole — Rina disse.

Hiei bufou. Definitivamente não esperava por isso. Mas ela estava certa: uma briga entre eles seria pura perda de tempo agora. Então largou a katana, segurou o cantil em uma das mãos e voltou a se sentar, dessa vez de costas para Rina. Tomou um gole e limpou a boca em seguida. A bebida não era tão ruim assim.

— Vocês são dois idiotas — Rina disse baixinho, se aproximando. Sentou do lado dele e pegou de volta a garrafa.

— De quem você está falando?

— Você me fez lembrar de alguém — ela respondeu, bebendo do gargalo — Mas não vale a pena falar dele agora — Então Rina fez uma pausa e continuou, pensativa — Você já amou e odiou uma mesma pessoa, Hiei?

Ele franziu o cenho. Não gostou nem um pouco daquela conversa.

— Isso não é da sua conta.

— Não, claro que não — ela sorriu de novo e ofereceu o cantil — Eu sou só uma youkai… do que mesmo você me chamou? Ah sim, patética.

— Eu disse que sua habilidade era patética…

— Dá no mesmo. E essa habilidade era incrivelmente útil quando você mora rodeado de pessoas que não entendem o que você é.

Hiei olhou pelo canto do olho. Ela tinha uma expressão meio distante, o rosto fixamente voltado para frente. Um resto de sorriso ainda pendia pelos lábios, mas lentamente se apagava.

— Você é mais forte do que qualquer humano. Não precisava se esconder.

— Você não sabe mesmo como a vida funciona do lado de lá, não é?

Hiei grunhiu qualquer coisa em resposta. Ele admitia que não tinha mesmo muito interesse nas relações humanas. Não entendia como Kurama e até Yukina podiam ver graça naquele mundo. Ele tinha certeza de que nunca se adaptaria tão bem quanto eles.

— Eu matei algumas pessoas para sobreviver, mas não me orgulho muito disso. Não me arrependo também: os vermes mereciam mesmo morrer. Pelo menos a maioria. Mas a vida não deveria ser só lutar pela sobrevivência — Rina prosseguiu.

— Hum — Hiei bebeu mais um pouco do cantil — Você está errada. Quem deixa de lutar, deixa de viver.

Foi impossível não lembrar de Mukuro novamente ao dizer essas palavras. Mukuro e sua fortaleza há alguns quilômetros de distância. Tão perto, e, ao mesmo tempo, tão longe.

— Heh. Parece que você não teve uma vida muito fácil. Eu te entendo, Hiei. Também tive meus problemas.

— Não me compare a você. Você não sabe nada sobre mim.

— Não, não sei — ela disse, agora se virando e olhando séria para ele — Por que você não me conta?

Hiei ficou surpreso com o pedido. Olhou atônito para ela, mas logo balançou a cabeça, impaciente. Apoiou os cotovelos nos joelhos e relaxou o tronco para frente, observando a vastidão daquele campo. Quantos dias ainda tinham pela frente?

— Não faça perguntas que você já sabe a resposta.

Rina deixou o assunto de lado. Atrás deles, o sol começava a se pôr gradualmente e os dois concordaram em encurtar a caminhada daquele dia e acamparem ali mesmo, a céu aberto. Talvez fosse a bebida, ou talvez fosse aquele assunto indigesto, mas nenhum dos dois encontrou pique para retomar a jornada naquela noite.

— E eu não acho você patética — ele falou, por fim, antes de se levantar.

Ela deu uma risadinha.

— Hiei — ela chamou quando ele começou a se afastar — O que tem ao Norte daqui?

Hiei ficou em silêncio por um tempo, pensando a respeito. Rina esperou. Estava de costas para ele, e assim ficou, terminando de beber o conteúdo do cantil.

— Alguém que eu prefiro não encontrar — respondeu, absorto nas próprias palavras. Elas tinham um peso enorme para ele,

— Por quê? Por acaso ainda gosta dela?

Hiei gelou com a pergunta, que o pegou completamente desprevenido. Não soube o que dizer, e simceramente, não responderia nada ainda que soubesse. Se arrependeu na mesma hora de ter continuado com a conversa.

— É uma mulher, não é? — Rina perguntou novamente, ainda sem o encarar.

— Como você pode saber uma coisa dessas?

— Eu falei que te entendia, Hiei. Sei como é querer esquecer de alguém que não vale a pena ser lembrado.

Ele ficou subitamente constrangido. Mais do que isso, ficou furioso. Consigo, por ter sido tão óbvio. Com Rina, por ter deixado isso claro.

— Não se meta na minha vida — ele murmurou.

Idiota. E pensar que havia se preocupado com ela.



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