História Você e eu? - Capítulo 30


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adolescente, Amizade Colorida, Colegial, Festa, Namoro, Romance, Teatro
Exibições 173
Palavras 3.216
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Escolar, Famí­lia, Festa, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Cross-dresser, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Boa leitura 😊

Capítulo 30 - Sofia


Fanfic / Fanfiction Você e eu? - Capítulo 30 - Sofia

"Devia haver um livro de culinária para a vida com receitas que nos dissessem exatamente o que fazer. " (Sem Reservas)

– Que palhaçada é essa? – o Jorge perguntou e entreguei meu celular pra ele poder ver o snap.

Quando ele me devolveu o celular coloquei o snap pra repetir porque queria ver também. Lógico que eu não devia ter feito isso, porque era uma foto do Vicente e a Pietra se beijando! Aquelas fotos bem bonitinhas, o tipo de foto que ele e eu costumávamos tirar juntos. Será que agora o Vicente faz com a Pietra todas as coisas que fazia comigo?

– Eu não vou chorar. – respirei fundo.– Eu não vou chorar. Vou ficar bem do jeito que sempre fico. Vou ficar bem...

– Você quer saber de uma coisa? – ele me puxou pra perto e me abraçou. – Te acho mais bonita do que essa loira aí. E seu ex é um mané. 

– Você me acha fútil? – arregalei os olhos e ele me encarou. Eu nem sabia o motivo da pergunta, mas deu vontade de perguntar. – Porque as vezes eu me acho fútil demais, sabe? Tão rasa quanto uma piscina infantil.

– Você não é fútil. – ele disse. – Você é engraçado, bonita, inteligente. E ganha de qualquer um no karaokê. Mas eu acho que agora, você está tentando ser fútil pra tirar o foco do quanto você sente falta do Vicente.

– Eu queria que tivesse dado certo e eu tentei tanto pra isso! – eu estava indignada. Deu vontade de correr pra BH só pra dar um murro na cara do Vicente e outro naquela cara feia da Pietra. – Não consegui ser o suficiente e isso tudo é injusto. Eu não devia ficar chapada o tempo todo, né? Mas não sei lidar com isso sóbria. Meus pensamentos acabam comigo. Eu não devia me sentir assim.

– É muito injusto. – ele concordou. – Então não fique assim. Tá, eu sei que é um porre superar esse tipo de coisa, mas você tem que tentar.

– Acho que não estou tentando o suficiente também. – suspirei. – Eu queria uns minutinhos de paz. Porque de uns tempos pra cá eu sinto como se não soubesse fazer nada direito. E é tão frustrante porque eu ouço uma música ou vejo um filme e só consigo pensar em Vicente. Ele está em todo lugar, meu Deus. Não sei como fugir disso.

– Não é pra fugir. – ele fez cara feia. – Você tem que ficar e encarar. Não vai doer pra sempre, mesmo que pareça. E se ele é burro o suficiente pra te deixar ir, tem que ficar claro que não é sua culpa. Ele que não merece você, entendeu? 

– Sabe o pior? – perguntei e ele balançou a cabeça pra negar. – Eu pensei que ele era diferente. Pensei que ele era alguém que valesse a pena. Eu saí da minha zona de conforto pelo Vicente e pra quê se ele só mentiu pra mim o tempo? O que mais dói é que minha pessoa preferida no mundo era uma mentira.

O Jorge passou a mão pelo meu rosto e limpou umas lágrimas. Eu estava chorando e nem me dei conta. 

– Olha só, você foi legal comigo e com os meninos aquele dia, então vou ser legal com você. – ele levantou e me estendeu a mão. 

Levantei também e fiquei olhando em volta. Todo mundo ainda estava bebendo, dançando, rindo e ninguém sequer notou que tive um momento bad. O mundo realmente não para de girar só porque algumas coisas são difíceis de aguentar. É melhor lidar com isso de uma vez.

O Jorge saiu me puxando até chegar no quarto dele e quando eu entrei ele fechou a porta.

– Se eu não fosse uma bobona chorando pelo meu ex a gente podia estar se pegando. – ele riu e saiu me arrastando até chegar na cama. – Essa situação é esquisita, Jorge. O que você quer?

– Sabe meu rolo com a caloura? – ele perguntou e abriu uma das últimas gavetas do guarda roupa. – A gente teve um rolo intenso, entende? Aí eu fui na casa dela lá em Lafaiete e ela me mostrou um monte de coisas. A Juh tem uma caixinha no quarto dela que chama "quando a vida te rouba os limões, o que você faz?" e ela esconde um monte de doces nessa caixinha.

– Eu não estou te entendendo mais... – falei. – O que tem a ver a caixinha com os limões?

–Nada. – o Jorge riu. – Mas ela me disse que quando fica triste e abre a caixinha, a tristeza vai embora.

– Por causa dos bombons? – arqueei a sobrancelha. 

– Não. – ele pegou a caixinha e colocou na minha frente. "Se a vida de rouba os limões o que você faz?", como assim? Isso era ainda mais abstrato do que a minha mente. Se bem que a vida adora fazer isso mesmo. Te encher de esperanças e depois te dar uma rasteira. Não dá pra fazer muitas coisas sobre isso. – É que teve um dia que eu fiquei meio mal lá na UFOP, uns assuntos com meus pais e tudo o mais. E ela fez uma caixinha pra mim também e me levou no mirante pra gente comer os bombons. Mas era por causa da companhia. A caixinha só funciona com a companhia certa, pra dividir os bombons e a tristeza também, entendeu?

– A ideia é brilhante. – abri o maior sorriso e ele sorriu também. – Você gosta dela?

– A gente viveu um monte de coisa incrível. – ele mexeu na caixinha e não disse nada, mas eu sabia que ele estava pensando em tudo que passou com essa Juh. – Eu posso dizer que foi a única pessoa que me envolvi de verdade.

– E por que não deu certo? 

– O que acontece... – ele deu de ombros. – A vida.

A gente ficou lá no quarto por um tempo que não sei definir, comendo os bombons e conversando sobre a vida.

– Jorge, sabe de uma coisa bem louca? – nós dois estávamos deitados olhando pro teto. – Tem uns amigos meus e eles deviam se pegar.

– Essa é a loucura? – ele virou a cabeça um pouco de lado pra me olhar. 

– Não. – comecei a rir e ele riu também. – A loucura é que eles não se pegam. Nem quando rola clima e eu não sei mais o que fazer.

– Por que você tem que fazer algo, Cinderela? – ele jogou um papel de bombom em mim e eu mostrei língua. – Quer trocar a fantasia e ser a Mulher Maravilha?

– Engraçadinho... – revirei os olhos e ele riu. – A questão é que ela não assume que está afim dele. E ele não vai fazer nada se ela não demonstrar nada. 

– Os dois estão afim um do outro? – concordei e ele balançou a cabeça também. – E eles não vão fazer nada se o outro não fizer?

– É tão bobo. – suspirei. – Se você está com fome você vai até a geladeira ou espera a geladeira vir até você?

– Quê? – ele começou a rir e eu não me aguentei e ri também. – Você é doida.

– Eu gosto de ser doida. – balancei a cabeça. – Eu não preciso ficar vivendo pelo o que os outros esperam de mim e...

– E? – ele me encarou esperando uma resposta, mas eu fiquei muda. – Você tá bem?

– É essa a resposta. – falei baixinho e o Jorge fez uma expressão confusa. – Meu Deus, essa é a resposta!

– Resposta de quê? – ele se sentou na cama de frente pra mim. – Quer compartilhar a descoberta?

– Mais tarde, talvez... – levantei da cama num pulo. – Preciso da sua ajuda agora.

– Você vai ficar falando por códigos ou eu vou poder saber o que se passa nessa sua cabeça? – ele continuou sentado me encarando e eu ri. – Porque sinceramente, eu não estou entendendo mais nada.

– A gente vai agilizar as coisas entre o Marco e a Helena. – falei é estendi a mão pra ajudá-lo a levantar. – Porque a vida é muito curta pra não beijar, certo? E se eles querem um ao outro tem que aproveitar todo o tempo possível.

– Acho justo. – ele concordou. – E o que a gente faz?

– Você vai atrás do Marco. – saí do quarto e olhei em volta. – Eu vou conversar com a Helena lá perto do balcão. Arrasta o Marco pra lá daqui há uns dois minutos, consegue?

– Você não pode me subestimar, coisa pequena. – ele bagunçou meu cabelo e me deu um selinho. – Dois minutos e ele vai estar lá, pode deixar.

O problema ia ser só encontrar a Helena mesmo, porque parecia que tinha ainda mais gente lá dentro. 

– Eu sabia que ia encontrar você aqui. – ela estava na varanda, sozinha, na maior bad. E não sei porque pensei nisso, mas acho que foi um sexto sentido louco. – O que foi?

– Nada. – ela suspirou. – Eu só fiquei cansada de tanta música, tantas pessoas. Vim tomar um ar.

– O que o Marco fez? – fechei a cara. – Porque eu vou bater nele.

– Ele não fez. – ela deu de ombros. – O Marco não fez nada e acho que fiquei esperando ele fazer. Esse é o problema.

– E por que você não fez? – me apoei na grade e olhei pra frente. – Você podia ter feito.

– Porque a gente brigou mais cedo. – ela suspirou. – Eu nem lembro o motivo da briga, mas ele não conversou comigo desde então. Ele passou por mim umas 50 vezes nessa festa e nem olhou na minha cara. Acho que só eu fiquei afim.

– Você realmente não reparou nada, né? – a encarei. – Ele ficou essa semana toda atrás de você. E o jeito que ele olhou pra você lá na casa do Henrique, foi...foi mágico, sabe?

– Não foi mágico. – ela fez careta. – Foi como se ele tivesse tentando enxergar a minha alma!

– E é ruim? 

– E se ele não gostar do que ele ver? – ela me encarou também. – Eu gosto de ficar perto dele e eu não quero que ele se afaste, sabe? Ele é mó incrível e todo...ele. não sei explicar, mas eu gosto. E se a gente ficar e ele odiar? Vai mudar tudo.

– Você não vai saber se não tentar, Helena. – suspirei. – Seu medo não te protege de nada. Só te priva de ficar com ele mesmo. E se não for bom vocês ignoram e voltam a ser amigos, uai.

– E por que você ficou com essa cara do nada? – ela afastou o cabelo do meu rosto. – Eu falei alguma coisa?

– Não. – balancei a cabeça. – Mas você tem que concordar comigo que se você não fizer nada, não tem como saber. Sofrer por antecipação é um lixo.

Virei pra trás e vi o Jorge passando com o Marco. Mas Graças a Deus o Jorge me viu e mudou a direção da rota pra onde a Helena e eu estávamos conversando. Acho que ela não notou que eu estava fazendo umas mímicas loucas pro Marco fazer silêncio.

– Eu queria tentar. – ela olhou pra frente e o vento bagunçou o cabelo dela. – Mas eu não posso querer sozinha.

– E quem disse que você quer sozinha? – fiz cara feia. – O problema é que você supõe uma coisa e ele supõe outra. Mas vocês não conversam! Como vão saber a verdade?

– Se ele quisesse você não acha que ele já teria feito alguma coisa? – ela permaneceu olhando pra frente e eu dei uma espiada no Marco. Ele tentou ir embora, mas o Jorge não deixou. – Ele é muito incrível, Sofia. Por que ele ia querer ficar comigo se pode ficar com quem ele quiser?

– Porque você é incrível também. – falei. – Você enxerga o Marco por quem ele é e eu sei que ele adora isso. Você é sincera com ele, Helena. 

– Eu nem sei se faz sentido, mas eu acho injusto que a gente tenha ficado três anos no mesmo lugar e só ter se aproximado agora. – ela riu de nervoso.  – Como se a gente nunca tivesse se visto até agora, sabe? E se nossa aproximação agora fosse um sinal pro quanto a gente pode fazer bem um pro outro. 

– E você podia colocar todo esse medo de não dar certo num pote e ir ficar com ele. – falei. – Ia ser bem mais fácil e vocês iam poder aproveitar ainda mais.

– E o que eu falo com ele? – ela me encarou. – Que quando ele para pra me encarar eu perco toda a noção do mundo a minha volta? Que a voz dele me deixa maluca? Que eu quero estar com ele o tempo todo e quando a gente fica sem conversar parece que nada mais faz sentido? Ele vai rir de mim, Sofia.

– Você não vai precisar dizer de novo. – o Marco entrou na conversa e a Helena virou pra trás na mesma hora. Eu corri pra perto do Jorge, pra não atrapalhar o momento dos dois. – E eu não vou rir de você, Helena. Porque eu acho que essa palpitação no meu peito quando você chega perto não pode ser qualquer coisa. E eu acho que a gente devia parar de perder tempo.

– Você estava aí o tempo todo? – ela arrumou uma mexa solta de cabelo atrás da orelha e ele riu. – Você ouviu tudo?

– Ouvi o suficiente. – ele chegou mais perto e segurou o rosto dela entre as mãos. – E eu gostei de tudo.

E então eles se beijaram. Acho que é nesse momento que tudo em volta perde o foco e você sente que está com a pessoa certa, como sempre deveria ter estado. Porque eles estavam se beijando tão intensamente que não dava pra saber onde começavam um e terminava o outro. Meu coração ficou até quentinho! Eles estavam se beijando, finalmente...

– Acho que você conseguiu. – o Jorge sorriu pra mim e eu abri um sorriso enorme pra ele. – Feliz, Cinderela?

– Muito feliz. – apertei a mão dele. – Vem, a gente tem que comemorar.

A gente foi lá na cozinha e pegamos duas Skol Beats e depois saímos correndo lá pra fora.

– O que você falou lá no quarto sobre ter achado a resposta? – ele bebeu e me encarou. Nós estávamos sentados em uns banquinhos de frente pra casa dele. – Qual era a resposta?

– Bem, eu sou desse jeito, sabe? – bebi também e olhei pra cima. – Eu sou louca assim mesmo. E eu tenho opiniões sobre as minhas coisas e sobre meus sonhos e se outra pessoa não entende, o problema é dela. Eu definitivamente não tenho que ficar vivendo pelas expectativas de ninguém, Jorge. 

– Eu sabia que você era esperta, Sofia. – ele bateu o dedo na pontinha do meu nariz. – É essa a lógica. Parabéns!

– Cadê o meu irmão com a Liara? – fiz uma cara assustada. Eu nem tinha visto meu irmão na festa. – Gente, ele vai me trucidar!

– Ele foi pra casa da Liara. – o Jorge cutucou alguma coisa na terra. – O Henrique mandou mensagem mais cedo e pediu pra eu avisar, mas não lembrei. Só lembrei que ele disse que era pra eu cuidar de você. 

– Cuidou direitinho. – sorri e apoiei minha cabeça no ombro dele. – Você é muito incrível. Parece que te conheço há anos já.

– Sabe o que a gente devia fazer pra fechar a noite? – ele me encarou e eu balancei a cabeça pra negar.  – Mostrar como que joga o jogo pra esse seu ex.

– Não quero mostrar nada. – suspirei. – Nem eu sei jogar ainda, como vou mostrar alguma coisa?

– Ele não precisa saber que você não sabe. – ele riu. – Me empresta seu celular.

Passei o celular pra ele e o Jorge mexeu em alguma coisa que não vi e depois pediu pra eu chegar perto porque ele queria contar uma coisa e quando eu me dei conta ele estava lambendo meu rosto. Foi engraçado demais...

– Você que é doido. – comecei a rir. – E para de gravar snap disso, meu Deus! Minha cara deve estar horrível. E isso é nojento, aaah.

– Você tá linda. E não é nojento, você adora. – ele riu e parou de gravar o snap. – Ele não vai fazer isso com você e ficar por nada, entendeu? Amigos servem pra essas situações e pelo o que parece ele não conhece seus amigos, Sofia.

Concordei e nós voltamos a conversar sobre coisas aleatórias. Ele me contou mais sobre a Juh e eu contei dos meus planos pra faculdade (porque ele já sabia sobre o Vicente e eu também não queria falar sobre isso). E do nada ele arredou pra frente e me beijou. Eu fiquei sem saber se correspondia ou não, mas se ele estava me beijando devia ter algum motivo.

– Linda demais você. – ele me deu um selinho e eu ri. – Sério, não dá pra lidar.

– Sua bebida subiu só agora, bonitinho? – passei a mão no rosto dele. – Acho que a gente devia ir dormir, tô com sono.

– Olha essa foto. – ele me mostrou meu celular. E uma foto nossa se beijando. Ele tirou uma foto! – Ficou perfeita, né? Parece que a gente saiu de um filme.

– Você não presta! – comecei a rir. – Eu nem reparei que você estava com meu celular ainda. Que terrível!

– Sabe o que dizem sobre o feitiço virar contra o feiticeiro? – ele fez uma cara toda vitoriosa e eu fiquei tão animada. Sério, o Jorge era tudo de bom, meu Deus! 

– É esse o jogo? – perguntei e ele assentiu. – Quando eu aprender a jogar direito ninguém me segura então.

– Ele não vai mexer com você e sair por isso. – ele disse de novo e eu concordei. – Esse Vicente vai aprender o que é bom.

O Jorge postou a foto no snap e me entregou o celular. Depois me abraçou de lado e a gente voltou pro apartamento.

Eu sei que estava pensando na vida e o Jorge dormindo do meu lado e eu fiquei muito feliz por ele estar ali. Ele era tão gracinha comigo e a gente nem se conhece tanto tempo assim. Além disso eu pensei sobre o jeito que as coisas começaram a seguir e resolvi que não ia me desesperar mais. 

Um passo de cada vez e se as coisas ficarem tensas demais e não vou estar sozinha pra lidar com elas.


Notas Finais


Finalmente meu casalzinho se pegoooou. Teve Marco e Helena sim, uhuuul. (Gif bem gracinha deles haha)
Gostaram do cap?
Beijinhos 😘


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