História Você e eu? - Capítulo 31


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adolescente, Amizade Colorida, Colegial, Festa, Namoro, Romance, Teatro
Exibições 163
Palavras 4.061
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Escolar, Famí­lia, Festa, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Cross-dresser, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Oie gente, cs tão bem?
Não tenho nada a dizer pra vocês hoje haha
Boa leitura 😘

Capítulo 31 - Sofia


"Você é uma criatura egoísta, que não reconheceria o amor nem com lente de aumento." ( Noiva em Fuga)

Esse fim de semana em OP acabou com minha energia demais. Teve a festa do Jorge que foi mais corrida e louca que qualquer outra coisa e no domingo todo mundo foi turistar: Henrique, Liara, Helena, Marco, Samuel, Pedro, Karina, Fernanda e eu e o Jorge de vela desse povo todo. Mas se bem que a minha relação com o Jorge acabou virando uma parada meio louca, porque a gente continuava amigos, mas quando todo mundo cismava de parar e namorar, a gente dava uns beijinhos também. Amizade com benéficos? Sei lá, mas eu sei que adorei!

Marco, Helena e eu voltamos pra BH de noite e eu sabia que não ia conseguir acordar sozinha pras aulas da manhã, então pedi minha mãe pra ir me gritar se eu não aparecesse na hora que costumo aparecer.

Cheguei na escola que nem um zumbi e fui no meu armário pegar os materiais pra aula de física.

– Cinderelaaaaaa! – a Helena pulou em mim e abriu o maior sorriso. – Eu...

– Você tá toda feliz por causa do Marco né... – apertei as bochechas dela. – Que gracinha.

– A gente vai sair amanhã. Ir no Cinema. – ela riu. – Uma loucura, certo?

– Não. – balancei a cabeça. – O Marco entende muito de filme. Adoro ver filme com ele.

– Não era essa a loucura. – ela me encarou. – Uma loucura nós dois, né? Tipo, é esquisito.

– É booooom. – sacudi os ombros dela e ela acabou rindo. – Não pensa muito na estranheza da situação. Só vai...e sei lá, vai acabar sendo perfeito. Tudo perfeito.

– Ele disse que gosta do jeito que eu fico falando do mundo. E em como eu me recuso a comer as balinhas azuis e... – ela parou de falar do nada e olhou em volta. – Meu Deus, quem sou eu?! Não... Ele fala isso pra todo mundo?

– Você é a única pessoa que conheço que não come as balinhas azuis. – falei. – Ele comentou sobre isso comigo também. Disse que era fofo. 

– Mudando totalmente de assunto agora. – ela abriu um sorriso enorme. – A Roberta vai pregar o resultado no mural depois do intervalo. Animada?

– Com certeza não. – falei séria e a Helena fechou a cara. – Não me olha assim. Não quero ficar criando expectativa sobre isso, porque me recuso a colocar essa decepção na lista.

– Você arrazou no teste, Sofia. – ela balançou a cabeça. – Foi perfeito! E não foi só eu que achei não, tá. Mostrei pro Lucas, meu professor de teatro, e ele adorou. 

– Acho que eu devia voltar a fazer minhas aulas. – bati meu armário. – Não sei se levo tanto jeito assim. Achei minha apresentação meio falha, sabe?

– Isso porque você quer muito o papel e seu inconsciente ficou te cobrando perfeição. – a Helena entrelaçou nossos braços e fomos andando pra sala. – Mas como sua melhor amiga e consciência, eu te digo que foi perfeito. Não tem como você não ser a Julieta. O papel é seu, bonitinha...

– Qual é a desse apelido? – a gente chegou na sala e eu tive que gritar um pouco pra ela me ouvir, porque parecia que tinha passado um furacão por lá. Todo mundo estava muito agitado. – Não tem nada a ver.

– Claro que tem. – ela arrumou o material na mesa ao lado da minha. – Você é toda decidida e corajosa, persistente. Que nem a Cinderela. Você é forte! Então o apelido tem tudo a ver.

– Que bom que você pensa tudo isso, Leninha, porque eu não vejo nem a metade. – suspirei. – Tipo, menos da metade.

– Eu não aguento quando você fala assim. – ela revirou os olhos. – Você é tudo isso sim. E é uma pena que você não consiga ver, sabe? Mas eu sou uma gracinha e vou repetir sempre, até você acreditar. 

– Muito fofa da sua parte. – sorri. – E falando em princesas, tenho que te contar uma coisa.

– Sobre a Cinderela? – ela arqueou a sobrancelha e eu ri. – Nossas conversas são sempre abstratas assim ou só agora que reparei?

– São sempre assim. – mexi no cabelo dela. – Mas o que eu ia te contar é sobre a irmãzinha do Marco. Ela é um doce, Helena, você tem que ver...

– Eu ainda não entendi. – ela fez uma expressão meio confusa. – O que tem a Cinderela a ver com a irmãzinha do Marco?

– É que fui pra casa do Marco num dia aí e ela é absurdamente fofa e toda esperta e criativa. Deu vontade de roubar, mas enfim... – olhei em volta pra ver se ninguém, vulgo Pietra pé no meu saco ia aparecer e voltei a encarar a Helena. – E ela me disse umas coisas sobre a princesa do Marco estar perdida em algum lugar. Você é a princesa perdida, Helena! Ele te achoooooou, uhul!

– Ela disse isso?

– É que o Marco tinha um projeto de relacionamento com a Pietra. – revirei os olhos. – E pelo o que parece a Duda não gostava da cunhada. E ela disse que como o Marco não estava mais com ela podia ir atrás da princesa dele de verdade. E no caso, ele achou você. 

– A gente só não prestou muita atenção antes. – a Helena olhou pra frente na direção que o Marco estava. – Mas agora, nada parece tão certo quanto ele. 

Falei que ela estava apaixonada e a Helena negou umas trezentas vezes. Até parece...

Juro que tentei me manter acordada na aula de Física, mas foi impossível. Eu estava olhando pro professor tentando entender todo aquele papo sobre a luz se comportar como onda e partícula e do nada eu apaguei. Acordei com alguém me cutucando e levei um susto!

– Onde tá pegando fogo? – perguntei com a fala meio embolada e ouvi a risada da Helena. 

– Meu Deus, como você faz pra dormir assim? – ela me analisou.  – Credo, não tem fogo nenhum. Mas você precisa vir comigo. Tipo, agora!

– Certeza que não tem fogo? – levantei e passei a mão no rosto. Minha cara devia estar toda marcada por causa do fichário. 

A Helena saiu me puxando pela mão por um corredor que de repente pareceu infinito e a gente chegou no mural. Só quando eu vi aquele tanto de gente em volta foi que me dei conta do que estava acontecendo.

– Ela pregou a lista. – falei baixinho. – Caralho.

– Pregou. – a Helena bateu palmas. – Eu já vi meu nome e eu passei pro papel que escolhi. 

– Parabéns, Helena. – dei um abraço tão apertado que ela até me pediu pra soltar porque ela precisava respirar. – Agora a gente pode voltar pra sala.

– Quê?

– Eu não quero ver. – suspirei. – Teve mais um monte de testes incríveis pra Julieta. Não quero ver a lista e descobrir que meu nome não está lá.

– Eu disse uma coisa importante sobre a Cinderela, né. Coragem. – ela pegou minha mão. – Não faça que eu me arrependa do apelido.

Eu acho que tinha uma espécie de carnaval no meu peito, sério. E eu não sabia o que fazer direito, então deixei a Helena abrir caminho no meio das pessoas até chegar no mural. Em meio segundo fiz um monte de preces malucas e disse pro universo ser legal comigo e colocar a minha vida nos trilhos de novo. 

Fiquei um tempão procurando meu nome na lista e quando achei respirei fundo e segui a linha até onde supostamente estaria escrito o nome do meu personagem. E adivinha só? Eu seria a Julieta! Consegui o papel, meu Deus!

Eu estava tão em choque que nem notei a Helena falando que nem uma doida na minha frente, nem no Marco perto da escada sorrindo pra mim. Também nem me dei conta de que podia olhar a lista do lado e ver quem seria o Romeu. Essa ideia nem passou pela minha cabeça na hora.

– Eu disse que você foi perfeita. – a Helena me abraçou. – Estava tão na cara...

– Eu sabia que você ia conseguir. – o Marco também me abraçou e tirou meus pés do chão. – Quando você quer uma coisa, você consegue.

– Gente, eu estou tão feliz que nem consigo organizar meus pensamentos. – falei e abracei os dois ao mesmo tempo. – Obrigada por tudo, sério. Não ia ter dado certo sem vocês.

– O que a gente fez? – o Marco riu e bagunçou meu cabelo. – Quem fez um teste foda foi você, Cinderela.

– É que eu não estava muito bem por causa de tudo com o Vicente. – dei de ombros. – Eu achei que nem ia conseguir subir naquele palco, mas vocês estavam lá pra torcer por mim. Obrigada.

– De nada, coisa mais linda. – a Helena me abraçou de novo. – O que a gente vai fazer pra comemorar?

– Verdade. – o Marco me encarou e depois encarou a Helena. – Afinal as minhas duas meninas conseguiram, né. Não me aguento de orgulho. 

Ele abraçou nós duas, me deu um beijinho na testa e um selinho na Helena. Meu coração não sabe lidar com esses dois... tão fofos!

Ficou decidido que nós íamos sair mais tarde pra comemorar e sério, eu não conseguia parar de sorrir.

Só que sempre tem pessoas pra dar aquela estressada básica no momento. Nós estávamos voltando pra sala e de repente a Pietra apareceu no corredor e eu decidi que o melhor a fazer era ignorar. Mas parece que ela não consegue me ignorar, porque assim que ela me notou fez cara feia e revirou os olhos. Continuei andando como se nada tivesse acontecido, mas como se não bastasse, não satisfeita com essa demonstração esquisita e desnecessária de nojo a minha pessoa, ela passou batendo por mim! 

– Qual é o seu problema? – a encarei e ela parou de andar quando ouviu minha voz. – Meu Deus, não dá pra agir feito uma pessoa normal?

– É que você é tão desnecessária que nem reparei. – eu estava ficando com vontade de dar um murro na cara dela. Meu Deus! Eu não fiz nada com a menina, não é possível que ela não goste tanto assim de mim. Louca.

– Sosô, deixa ela pra lá. – a Helena segurou meu braço e o Marco ficou do meu outro lado encarando a Pietra. – Ela não vale nem isso. 

Deixar pra lá? Eu estava cansada de deixar pra lá. Cansada de ignorar todos esses olhares de nojo e a cara de triunfo que ela fazia toda fez que ficava se esfregando no Vicente. Eu estava muito cansada de toda essa implicância.

– Sabe, Sofia, olhando pra sua cara agora até que eu entendo que você tenha conseguido o papel pra Julieta. – a Laís tinha me contado que a Pietra fez o teste mesmo, mas eu nem dei muita atenção. – Alguma coisa você tinha que conseguir. Não dá pra perder em tudo.

– Você é tão podre. – fiz uma careta. – Me mira e me erra, que tal?

– Eu não aguento essa sua cara de sonsa. – ela revirou os olhos de novo e não sei o que deu em mim, mas me imaginei naqueles cenas de The Vampire Diares arrancando a cabeça da Pietra sem dó nem piedade, mas parece que a Helena notou isso, porque segurou meu braço mais forte. – Bem, e pelo o que parece o Vicente também não.

– Cala a boca. – falei meio brava e o Marco arregalou os olhos. É muito difícil me tirar a paciência. Nem quando eu brigava com o Vicente eu ficava com tanta raiva. – Ninguém te suporta, menina. Qual moral você tem pra falar isso comigo? Presta atenção e se enxerga um pouquinho.

– Lógico... – ela riu debochada e eu cerrei o punho. – Deve ser por isso que ele te trocou por mim.

– Ótimo, porque vocês se merecem mesmo. – revirei os olhos. – Tão mesquinhos, tão egoístas. Fiquem juntos. Nem sei como pode caber tanto ego em um projeto de relacionamento.

– Um projeto de relacionamento era o que você tinha. – ela me olhou indignada. – Eu tenho vontade de meter a mão na sua cara.

– Tenta. – soltei meu braço das mãos da Helena e deu pra notar o olhar que ela lançou pro Marco do tipo "se a Sofia ir pra cima ela vai acabar com a Pietra" e o Marco riu. – Porque eu não tenho medo de quebrar a unha.

– Ih, a meio metro ficou nervosinha. – ela riu. Acho que pensou que eu estava blefando porque a gente estava na escola e tal, mas no momento eu nem liguei. – Eu estou morrendo de medo, Sofia. Imagina...

Ela nem terminou de falar e eu fui pra cima dela tão rápido que nem o Marco e a Helena se deram conta pra conseguir me segurar. Foi muito rápido mesmo porque ela arredou um pouco pra trás e quando se deu conta e tentou vir pra cima de mim o Marco a segurou e a Helena entrou na minha frente.

– Você ficou doida?! – ela disse completamente incrédula colocando as mãos no rosto.

– Você não vai estragar o fim do meu Ensino Médio, entendeu?– apontei o dedo pra ela. – Não vou deixar você fazer isso. Vê se cresce.

– Eu vou acabar com você, sua maluca! – ela gritou e tentou vir na minha direção novamente, mas o Marco a segurou mais forte. – Pode escrever, porque vou fazer da sua vida um inferno!

– Vai fazer o quê? – a encarei e ela fez cara feia. – Me bater? Nos poupe, Pietra.

Saí andando e entrei na sala, mas o Marco e a Helena não entraram comigo, deviam estar dando um sermão na Pietra.

– Tem como você olhar por onde anda? – ouvi a voz do Vicente e apertei os olhos com força. Bem, acho que agora começa o round dois da briga. – Eu estou ficando cansado de tombar em você.

– Aaah, só porque eu adoro ficar tombando em você o tempo todo. – revirei os olhos. – Vicente, me respeita, né. 

– Eu só estava brincando. – ele arregalou os olhos azuis e eu ri. – Não precisa ficar na defensiva, tá. Não vou morder você.

– E nem me beijar? – semicerrei os olhos e ele assentiu. – Então se for assim a gente pode ter essa conversa estranha de boa.

– O que aconteceu que você está com essa cara? – ele perguntou, mas quando abri a boca pra dizer que não era da conta dele a Pietra entrou na sala batendo os pés e as amiguinhas encrenca delas foram socorrer. 

– Vicente, tem como você vir comigo? – ela voltou, segurou o braço dele e me encarou com uma cara de ódio mortal. – É importante.

– Eu estou ocupado agora. – ele apontou pra mim e ela deu de ombros. – Ficou cega?

– Não, mas...

– Então espera no seu canto que vou terminar de conversar aqui. – ele apontou pras amigas dela e eu segurei uma risada. Ela se afastou batendo o pé de novo e o Vicente riu. – Ela é louca.

– Descobriu sozinho? – revirei os olhos. Sério, era esquisito pensar na possibilidade de ter uma conversa normal com ele. Na verdade, estar tendo uma conversa normal era absurdamente esquisito. Mas quando ele ficava perto assim eu quase esquecia o quão babaca ele conseguia ser. Quase, porque eu ainda tinha memória e ainda me lembrava da merda da foto de sábado. – Isso já estava na cara, Vicente.

– A gente não está ficando mais. – ele deu de ombros. – Ela é tão...

– Patricinha? – ele assentiu e eu ri. – É, deve ter sido difícil pra ela ouvir isso.

– Até parece que ela ouviu. – ele revirou os olhos. – Ela ainda acha que a gente vai ficar.

– Você não diz pra Pietra que não quer. Ela diz. – comecei a rir e ele fechou a cara. – Boa sorte. 

– Você vai na casa do Fernando hoje? – ele me encarou e eu desviei o olhar.

– O que tem na casa do Fernando?

– Não sei. – ele deu de ombros. – Ele só chamou a galera pra ir.

– Se o Marco e a Helena animarem...

– Bem, vê se aparece. – o Vicente sorriu e senti meus ossos virarem gelatina. Até me apoiei na mesa. – Vai ser legal.

– Sofia Batullieri. – a pedagoga da escola apareceu na porta e eu me virei na sua direção. Ótimo, estava vindo merda por aí. – Na sala do diretor agora.

Ela saiu andando indicando que eu devia ir atrás dela e o Vicente me encarou.

– Você quer que eu vá com você? – ele ficou me encarando e me deu raiva. Nem era pra eu estar em apuros se não fosse ele. – Pra...

– Pra defender a sua não namoradinha? – revirei os olhos. – Não precisa.

– Como assim? – ele semicerrou os olhos. – Eu acabei de dizer que ela é uma chata.

– Mas era ela quem você estava beijando sábado. – fiz cara feia. – Engraçado, né?

– Sofia...

– Vicente!!!

– Eu só achei que podia ajudar. – ele disse. 

– Não preciso da sua ajuda. – joguei o cabelo pra trás. – Afinal se não fosse você e todo esse drama, eu não precisava ir pra sala do diretor.

Corri atrás da pedagoga, mas quando passei pela porta dei uma encarada no Vicente. Aquela troca de olhares em câmera lenta.

– O que ele quer? – perguntei pra Márcia, nossa pedagoga, me referindo ao diretor. 

– Você andou brigando hoje. – ela fez cara feia. – Ele quer conversar.

– Não teve briga. – dei de ombros. – Foi um pequeno desentendimento.

Pode até ser um desentendimento, mas de pequeno não tinha nada. Não aguentei e ri. A Márcia me lançou um olhar de reprovação e segurei o riso. Pareceu que o corredor não tinha fim e a escadaria ficou ainda maior. Eu não estava com medo dele, mas não queria ouvir sermão. 

A Márcia bateu na porta e quando ouviu a voz do diretor ela entrou e me deixou lá plantada. Esperei uns minutinhos e ela voltou indicando que eu entrasse.

– Que bom ver você, Sr. Diretor. – abri um sorriso forçado e ele me indicou a cadeira que estava de frente pra ele. – O que me fez ter a honra de estar na sua tão maravilhosa presença?

– Olha o respeito, Sofia. – ele ajeitou o óculos. – O que deu em você, mocinha?

– Bem, a gente poderia manter um diálogo se eu soubesse o que me trouxe aqui. – me ajeitei na cadeira. – Quer esclarecer?

– Você bateu na Pietra Tavares. – ele me encarou. – O que tem a dizer sobre isso?

– Que foi por um motivo? – dei de ombros e ele suspirou. – Eu não saio batendo nas pessoas atoa.

– O que deu em você, Sofia? – ele tirou o óculos e colocou em cima da mesa. – Você nunca deu trabalho. Sempre foi uma ótima aluna. Cheia de amigos.

– Ainda sou uma ótima aluna. Ainda tenho amigos. – revirei os olhos. – Mas ela não é minha amiga e eu não tenho sangue de barata.

– E isso justifica o olho roxo? 

– Que olho roxo?

– O da Pietra, oras. – ele disse. Meu Deus, essa menina não tem limite! Eu dei um mísero tapinha e ela fala que foi um olho roxo! – Ela foi atrás da Márcia desconsolada.

– Ela não está com o olho roxo. – falei. – Foi só um tapa. Até porque meu amigos de verdade não me deixaram continuar...

– Eu vi o olho dela. – ele respondeu. – Está roxo sim e isso é inaceitável nesse colégio.

– Inaceitável é gentinha tipo ela. – bufei. – Eu não tenho nada a ver com esse olho roxo aí.

– Não é o que parece. – ele mexeu em uns papéis e eu tive vontade de pegar a cara dele e esfregar no asfalto quente. Esse papo de olho roxo era tão fake quanto o cabelo da Pietra. – A Vitória e a Milena vieram aqui com ela relatar esse problema. Infelizmente você vai ser suspensa, Sofia.

– Elas estão mentindo e eu vou ser suspensa??? – levantei e bati na mesa. – Meu Deus, não é possível que você não veja um palmo na sua frente. Eu não deixei esse olho roxo.

– Continua com esse seu desrespeito que a suspensão vai ser o menor dos seus problemas. – ele me encarou meio bravo e eu achei melhor abaixar o tom de voz. – Certo. Eu já liguei pra sua mãe e ela vem te buscar. Espero que você reflita sobre suas atitudes nesses dias. Pode sair agora.

Revirei os olhos pra ele e bati a porta da sala quando saí. Não é possível que eu fui suspensa por causa de uma coisa que eu não fiz! Tá, não fiz em partes.

Voltei pra sala pra pegar minhas coisas e dei de cara com o Marco e a Helena na porta.

– O que aconteceu? – a Helena me encarou. – Deu ruim?

– Fui suspensa. – bufei. – Fui suspensa por causa de um olho roxo! 

– Você bateu forte, mas não foi pra tanto. – o Marco falou e eu assenti. – O que o diretor disse?

– Ela foi na sala dele com aquelas duas amigas nojentas e com o olho roxo! – respondi. – A Pietra me acusou e as amiguinhas confirmaram.

– Ela é louca. – a Helena fez cara feia. – Sério, o que passa na cabeça dessa menina? 

– Eu nem sei se ela tem um cérebro. – fiz pouco caso. – Tenho que pegar minhas coisas pra ir embora.

– Não é justo. – o Marco me encarou. – Você não fez isso. Quer que eu vá conversar com o diretor?

A Pietra saiu da sala e parou de frente pra mim.

– A mamãe vem te buscar, Sofia? – ela perguntou com falsa preocupação e eu me segurei pra ficar na minha. 

– Você tem um problema. – falei. – Você precisa de ajuda, maluca.

– Eu disse que ia fazer da sua vida um inferno e é isso que vou fazer. – ela disse. – Pode se preparar porque foi só o começo.

Ela foi embora e depois passaram a Vitória e a Milena fazendo cara feia pra mim. Ignorei e entrei na sala pra pegar minhas coisas e o Vicente veio na minha direção.

Mas a questão era: de onde saiu aquele olho roxo se não foi por mim?

– Se você veio fazer piadinha com minha suspensão, você chegou tarde. – revirei os olhos.

– Você foi suspensa? – ele perguntou incrédulo. – Por que?

– Não me diga que você não sabe? – fiz uma falsa cara de surpresa e ele suspirou. – Por causa da Pietra, Vicente. Ela é maluca. Tipo, de verdade. Ela precisa de um médico. É insano!

– Eu não acredito que ela fez isso. – ele balançou a cabeça e passou por mim.

– Onde você vai? – o encarei e ele passou a mão pelo cabelo.

– Resolver as coisas. – ele disse sério e eu concordei mesmo não entendendo muito bem o que ele quis dizer com isso.

Minha mãe chegou na escola bufando de raiva, mas ignorei. Quando ela se acalmasse eu poderia explicar tudo direito. Mas o que eu ia ficar fazendo nesses dias de suspensão? Merda. 

A Pietra é um ser humano tão sem amor que não fica feliz vendo a felicidade dos outros. Isso é doentio!


Notas Finais


Gostaram?
Bem, eu ficaria muito feliz se vocês comentassem pra eu saber o que vocês estão achando e tal.
Beijinhos. 😘


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