História Você e eu? - Capítulo 36


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adolescente, Amizade Colorida, Colegial, Festa, Namoro, Romance, Teatro
Exibições 111
Palavras 7.784
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Escolar, Famí­lia, Festa, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Cross-dresser, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Oie pessoas...
Eu sei que vocês querem me matar porque fiquei um tempão sem postar, mas eu estava tão maluca com coisa de escola, relatório, calcular nota de corte do Enem (pior parte), blá blá blá. E aí não consegui escrever nada. Perdoem o vacilo e não desistam de mim (kkk).
Enfim, então voltei com outro capítulo da Sofia, e acho que esse é outro da listinha dos meus preferidos e espero que vocês gostem. Boa leitura 🙏

Capítulo 36 - Sofia


Fanfic / Fanfiction Você e eu? - Capítulo 36 - Sofia

"A vida de ninguém é repleta de momentos perfeitos. E se fosse, não seriam momentos perfeitos. Seriam apenas normais. Como você pode saber o que é a felicidade se nunca tivesse experimentado as quedas?" (P.S. Eu te amo)

Meu braço ficou roxo e quando acordei no domingo ele estava roxo e com uns pontinhos verdes, então passei uma base no lugar pra disfarçar um pouco. Mas só tinha essa parte machucada, o resto do meu corpo estava intacto. Minha cabeça estava latejando também por causa da vodca, mas só notei isso quando fui escovar os dentes. Meu cabelo estava todo espetado e perdi um bom tempo pra arrumar. Fiquei enrolando no meu quarto, porque não queria descer e encarar a minha vida. Na verdade, queria ficar ali pra sempre assistindo o final da sétima temporada de The Vampire Diares e se eu ficasse quietinha, talvez tivesse dado certo.

– Sofia, desce pra tomar café agora! – minha mãe bateu na porta do meu quarto e a cada batida minha cabeça doeu mais. Incrível que as pessoas aqui de casa não superaram ainda que não tomo café da manhã a não ser em datas importantes, tipo meu aniversário.

– Já vou! – respondi meio fraco e deitei na minha cama de novo. Quanto tempo será que eu tinha até ela bater na porta do quarto outra vez? Uns dois segundos, porque ela não ia sossegar até eu aparecer.

–Sofia!!! – ouvi o gritinho dela e apertei o travesseiro contra o rosto. Criei coragem e fui rastejando até a porta. – Você me ouviu?

–Infelizmente eu ainda escuto. – abri a porta e fiz cara feia. – E você sabe muito bem que eu não tomo café da manhã.

– Mas você vai viajar e pode ficar com fome. – ela fez uma cara que eu não entendi muito bem, como se o fato de eu viajar fosse algo terrível. Pior ainda, como se eu estivesse indo pro Japão! O Rio de Janeiro é ali do lado...

– Tem comida no avião. – respondi.

Desci as escadas correndo e fui em direção a cozinha. O Henrique estava tomando café e abriu um sorriso quando me viu.

– Bom dia, Bela Adormecida. – ele estreitou os olhos. – Como foram seus sonhos?

– Primeiro, não me chama de Bela Adormecida. – puxei a cadeira e me sentei. – Eu já sou a Cinderela, não preciso ser outra princesa. Segundo, meus sonhos não são da sua conta.

– Acordou atacada? – ele riu e me deu vontade de dar um murro na cara dele. – Mas pelo lado bom, isso não vai durar muito tempo. Daqui a pouco a gente vai viajar. 

– Interessante. – assenti e foi a conta da minha mãe aparecer. 

– Amores da minha vida, eu vou sair. – ela me deu um beijinho na testa e outro na testa do Henrique. – Aproveitem muito o Rio de Janeiro. 

– Onde você vai? – estreitei os olhos. 

– Não vou ficar a semana inteira aqui sozinha, né. – ela piscou um dos olhos. Te digo o que ela vai fazer : sair com o Leonel. E como eu sei? Só ele causa esse efeito "sou uma mãe descolada" nela. – De qualquer forma, boa sorte no seu teste, amor.

– Obrigada. – dei de ombros e o Henrique me olhou com cara feia.

Minha mãe pegou a bolsa dela na bancada, mandou beijo pra gente e saiu toda saltitante pela porta.

– Não fica agindo assim. – o Henrique suspirou. – Não tem necessidade. Você não é assim.

– Agindo como? – revirei os olhos. – Eu estou normal.

– Não, você começou a agir como se tudo fosse indiferente, mas nós dois sabemos que não é. – ele estreitou os olhos. – Não precisa fingir pra mim.

– Eu não estou fingindo nada. – respondi. – A mamãe sabe que eu não tomo café da manhã e mesmo assim foi lá me acordar. E ela já me desejou boa sorte umas 50 vezes, Henrique. Você queria que eu acordasse feliz e saltitante? Sinto muito se desapontei você.

– Eu sou seu irmão mais velho, então essa sua língua afiada não vai me afetar. – ele deu de ombros, mas depois ficou me encarando. Eu sabia que quando ele começava com esse olhar, significava que estava pensando em algo pra solucionar meus problemas. – Sei exatamente do que você precisa, irmãzinha.

Ele levantou e foi até o armário pegar uma caneca pra mim. E sou apaixonada por canecas, tenho um monte no armário e fico maluca se qualquer um ousa tocar nelas.

– O que você acha que vai fazer? – estreitei os olhos. – Você sabe que não pode mexer aí.

– Você está de olho em mim. – ele piscou um dos olhos e eu mostrei língua. – Não vou deixar nenhuma quebrar.

– E o que você quer com a minha caneca de New York? – fiquei brincando com os farelos de pão que o Henrique deixou na mesa.

– Vodca. – ele riu. – E café.

– Vai ficar horrível. – fiz uma careta. – Não quero tomar isso.

– Você não tem que querer nada. – ele riu mais ainda da cara feia que fiz. – Vai ficar bom.

– Eu duvido. – revirei os olhos e apoiei os cotovelos na mesa, de uma forma que eu conseguisse segurar meu rosto.

Fiquei observando o Henrique trabalhar no veneno que ele queria me servir. Ele estava fazendo pra nós dois e pelos movimentos deu pra perceber que era algo que ele já cansou de fazer. Notei quando ele pegou o achocolatado no armário e meu estômago até revirou. Ele misturou café e um pouco de achocolatado, colocou um pouco de leite e jogou duas doses de vodca de menta em cada caneca. 

– Você vai adorar. – o Henrique pousou a caneca na minha frente. Tinha cheiro de café, mas pensar que tinha vodca estava me deixando enjoada. – É só não pensar muito na vodca e focar no café.

– Que ideia maluca é essa? – segurei a caneca e ele foi na geladeira pegar chantilly e cereja.

– É tipo cappuccino de chocolate com menta. – ele abriu um sorriso. – Só não pensa na vodca. 

– E por que eu tenho que beber isso? 

– Porque você acordou chata. – ele bagunçou meu cabelo e eu fiz cara feia. – Isso é pra ver se você volta ao normal. Não vou conseguir viajar com você do meu lado assim.

Esperei ele jogar chantilly e cereja por cima e colocar um canudo na borda.

Pra constar é horrível. A vodca deixa o café com um gosto esquisito, como se o leite fosse azedo. Tomei um gole e me deu vontade de vomitar tudo. No segundo não foi tão ruim, mas continuava, você sabe, ruim...

– Olha, eu sei que deve ser um porre. – ele me encarou e eu bebi um pouco do projeto de cappuccino. – Mas o Vicente é só um cara. E você já superou outros caras antes. Não precisa fingir que não liga pro mundo. 

– Eu só acordei cansada. – coloquei mais chantilly na minha caneca. – Não foi de propósito. Acordei cansada de tentar parecer bem, de fingir que ainda estou empolgada com a viagem ou com o teste. Eu acordei cansada de fingir. Sinto muito se parece chato. É o que está acontecendo comigo e não sei evitar. 

– Não tem que se desculpar pra mim. – ele cutucou o chantilly com o canudo. – Só tem que fazer um teste perfeito amanhã e aproveitar muito o Rio. Pode ser?

– Henrique, eu não fui capaz nem de levantar da minha cama sem querer morrer. – suspirei. – Você acha mesmo que consigo fazer um teste perfeito com um diretor experiente? Ele vai é rir da minha cara. Então se eu fosse todos vocês, não ia depositar muitas esperanças.

– Eu sei que você é uma atriz incrível. – ele disse calmamente. Mas eu estava sem saco pra ouvir lições de moral, porque não ia mudar o que eu estava sentindo por dentro. – Você é teimosa e insistente. E você não desiste. Sei também que você deve estar me achando um idiota com todo esse papo, mas é meu dever iluminar suas ideias. Eu acredito em você.

– Uma decisão horrorosa. – bufei. – Eu tenho esse problema também. Coloco minha confiança nas coisas erradas. E principalmente nas pessoas erradas.

– Não ouviu nada do que eu disse? – o Henrique estreitou os olhos e eu dei ombros. 

– Claro que ouvi. – respondi. – Só não concordo com você.

Joguei o resto do meu café na pia e lavei a caneca. Disse pro Henrique lavar a dele quando terminasse e colocar de volta no lugar, exatamente do jeito que estava. Ele tentou dizer algo, mas não deu muito certo, porque saí varada da cozinha e fui conferir minha mala. 

Eu realmente não estava mais empolgada pra ir, mas não queria chegar no Rio e perceber que esqueci algo importante. Então fiquei lá no meu quarto conferindo item por item da minha lista, almocei bem pouco e voltei pro quarto pra conferir uma última vez e fiquei um tempinho deitada encarando o teto, até meu pai bater na porta.

– Animada pra viajar? – ele me deu um abraço apertado. Era engraçado pensar que agora a gente se dava bem, se até pouco tempo atrás eu estava abominando toda e qualquer ideia de contato com ele. 

– Nem tanto. – dei de ombros. Meu estômago estava revirando por causa da bebida que o Henrique fez pra mim mais cedo e definitivamente eu não ia viajar de boa se não tomasse remédio pra dormir.

A gente saiu de casa no meio da tarde e fomos pro aeroporto logo depois. Não demorou muito, foi até bem tranquilo pra embarcar e assim que entrei no avião tomei meu remédio pra dormir. Demorou menos de 1 hora pra chegar lá, mas eu estava meio dopada por causa do remédio que tomei e a bebedeira de ontem e o cappuccino falso do Henrique, então quando meu pai me apontou o Cristo Redentor, eu não estava raciocinando o suficiente pra ficar doida da vida.

– Olha você, no Rio de Janeiro, hein? – o Henrique abriu um sorriso pra mim e eu concordei. – Quer fazer o que primeiro?

– Eu queria muito dormir. – bocejei e ele bagunçou meu cabelo. – Acho que tomei mais remédio do que era realmente necessário.

– Você dormiu a viagem toda e quando acordou parecia até meio bêbada. – ele me abraçou de lado. – Mas agora você pode acordar de verdade porque a gente vai se divertir!

– Dormir. – bocejei de novo e ele riu. – A gente sai amanhã?

– Meninos, não vou pro hotel agora. – meu pai chegou perto da gente, mexendo em algumas coisas na carteira. – Tenho uma reunião e depois um jantar importante. Mas é só entrar no táxi e falar o nome do hotel. É conhecido.

Ele me deu um beijinho na testa e se despediu do Henrique.

Quando a gente chegou no hotel, a primeira coisa que fiz foi abrir as janelas da sacada do meu quarto e era completamente perfeita a visão lá de fora. Fiquei até um pouquinho embasbacada e sonhando acordada. O mar em vários tons de azul, o sol beijando o mar, se pondo de uma forma tão majestosa que ficava difícil ignorar. O céu estava em tons de laranja e rosa e as montanhas ao fundo davam o toque perfeito. Era muito maravilhoso pra ser de verdade!

Depois de um tempo sonhando acordada, fui tomar banho, porque já estava até bamba de cansaço, e quando deitei na cama eu apaguei de novo. Muito fácil me dopar, né? Simples demais. As vezes eu ficava irritada com o quanto eu sou fraca pra qualquer tipo de remédio ou bebida. Até remédio pra dor de cabeça me deixa meio lenta.

Acordei e já tinha escurecido, abri a janela da sacada de novo e a paisagem tinha mudado totalmente e na minha opinião ficado bem mais bonita.

– Sonhando acordada de novo? – ouvi uma voz lá de baixo e me inclinei um pouco pra olhar. De novo?

– Sempre. – abri um sorriso e o menino lá embaixo sorriu também. – E você faz o que aí?

– Esperando você aparecer. – ele riu. Por isso o de novo de encaixa. Muito típico. – Te vi aí mais cedo, e fiquei aqui esperando. Tomando cerveja.

– Parece um jeito legal de matar o tempo. – bateu uma brisa e bagunçou meu cabelo. Me embolei toda pra arrumar e ouvi a risada do menino. – Meu nome é Sofia. E o seu?

– Crawford. – ele se apoiou em uma cadeira de praia. Embaixo da minha sacada era a área da piscina, então com essa vista, dá pra imaginar como esse hotel é demais. – Quer dizer, Alex.

– Você não é daqui, né? – estreitei os olhos. 

– Meu sotaque sempre me entrega. Eu sou americano. – ele passou a mão no cabelo e me encarou. – Tudo que sei sobre você é que você não é carioca. Os cariocas tem um sotaque engraçado. Seu sotaque é lindo.

– Eu sou de Minas Gerais. – falei.  Engraçado esse povo saindo dos Estados Unidos enquanto eu só quero chegar lá, atuar num filme hollywoodiano e tentar ficar viva durante a estreia.

– Tem um tempo que já moro aqui. – ele continuou me encarando e eu já estava com vontade de me esconder, mas não arredei nada. Só fiquei lá parada enquanto aquele deus grego olhava pra mim. – Penei com o português no começo, mas agora já está tudo sob controle. Só tenho que me acostumar a dar o primeiro nome quando perguntarem.

– Você gosta do Rio? 

– E você gosta muito de perguntas?

– De que outra forma eu posso saber coisas sobre você? – arqueei a sobrancelha. 

– Você pode descer e tomar uma cerveja comigo. – ele abriu um sorriso e reparei que ele tinha uma covinha. Ele era todo lindo, meu Deus! O cabelo dele era loiro, mas um loiro tão claro que parecia ser quase branco, mas por causa do sol do Rio, ele tinha um bronzeado lindo. Olhos verdes e um sorriso que era de tirar o ar, o chão, as estruturas. O Alex parecia com aqueles surfistas de filme. – Aí você faz suas perguntas. Pode ser?

Pedi pra ele esperar um segundo e coloquei uma roupa confortável e fresca, por causa do calor.

– Muito mais bonita assim de perto. – ele disse e eu mexi no cabelo, um pouco envergonhada. Talvez muito. – Qual a próxima pergunta, Sofia?

– O que você está fazendo no Rio? – sentei na espreguiçadeira ao lado dele. – Eu sei que o Rio é tudo de bom, mas... 

– Quero acumular todo tipo de experiência na vida. – ele piscou um dos olhos pra mim. – Quanto mais melhor. Recebi um convite pra ser protagonista de uma novela brasileira e resolvi arriscar.

– Jura? – arregalei os olhos e ele riu. Muita coincidência na minha vida, sem base.

– Juro. – ele passou as mãos pelo cabelo de novo e eu quase babei. – E você?

– Uma coisa bem parecida. – balancei a cabeça. – Mas não sei se tenho chance pra ser protagonista. Eu recebi um convite pra fazer um teste também. Mesmo sem ser a principal já sei que vai ser incrível.

– Quem sabe a gente se esbarra de novo? – ele bateu o indicador na ponta do meu nariz e eu ri.

A gente ficou mais um tempo conversando sobre coisas da vida, nada  de muito importante, e ele não quis me dizer muita coisa sobre o personagem dele. Me contou que a mãe dele estava hospedada no hotel, por isso ele estava aqui. O Alex era super simpático e engraçado e tinha uns momentos que eu não conseguia nem parar de rir. Ele era intenso, sabe? Aquele tipo de pessoa que não tem medo de nada, que sempre está disposta a arriscar e correr o mundo e adorei isso nele. Ouvindo as histórias dele me deu vontade de me arriscar a ser tudo que não tive coragem de ser até agora, de fazer coisas diferentes e até meio esquisitas. A sensação de que eu não estava vivendo o suficiente ficou remexendo e fazendo barulho dentro de mim, e inconscientemente, enquanto ele falava um pouco sobre o EUA, resolvi que não ia deixar essa sensação tomar conta da minha vida.

Voltei pro meu quarto, comi alguma coisa e deitei. Demorei pra dormir porque fiquei pensando nas minhas conversas com o Henrique e com o Alex e me deu vontade de conquistar tudo. Ainda mais quando eu já tinha chegado até aqui com essa oportunidade perfeita. Decidi que ia ser o melhor teste da minha vida. Eu não ia desperdiçar isso por conta de um coração partido de jeito nenhum.

As vezes eu ficava encucada com todo esse poder que outra pessoa supostamente tem sobre a gente. Com toda essa coisa de querer estar perto e não se ver sem o outro de forma nenhuma. Eu sei que sou o ser humano mais romântico que conheço, mas as vezes não faz sentido na minha cabeça. As vezes eu fico me perguntando como pode tudo isso, sendo que até você encontrar alguém que valia a pena, você esteve sozinha e seguindo a vida. É totalmente estranho depender de outra pessoa pra acordar feliz e fazer as coisas por si mesmo. Amor de verdade não pode ser tão rude assim.

Acordei com o Henrique batendo na porta do quarto e me pedindo pra correr, porque pra variar, eu estava atrasada. Eu tenho esse lindo dom de perder a noção do tempo quando eu não posso me dar a esse luxo. Mas por algum outro motivo desconhecido eu não me desesperei nem nada, porque alguma coisa no fundo do meu coração me dizia que tudo ia ficar bem e dar certo.

O Henrique me levou onde era o teste com a moto (que ele pegou com algum amigo dele que desconheço) e nem demorou muito, o trânsito ajudou demais. Parecia que o universo sabia das circunstâncias, entende? E mais do que nunca eu fiquei pensando que quando uma coisa é pra ser, ela simplesmente é.

Entrei correndo, mas tive que parar a correria porque tinha uns trocentos corredores e eu fico perdida com qualquer tipo de placa. Eu nunca consigo chegar num lugar direito, então tive que ficar parando toda hora pra pedir informação. Cheguei num ponto que não me deparei com mais ninguém e não sabia mais por onde ir e me virei de volta pra poder encontrar com a senhora que me disse pra virar a direita e subir as escadas. Mas eu dei de cara foi com o Alex. Nem sei explicar o pulo que meu coração deu quando caiu a ficha que era ele.

– Quando eu olhei pra você eu tive a sensação de que a gente ia se encontrar mais vezes. – ele abriu um sorriso. O engraçado é que tive essa sensação também. – Parece que eu estava certo.

– Pensei a mesma coisa. – olhei em volta. –  Mas antes eu preciso chegar nessa sala aqui. Como faço?

Ele pegou o papel da minha mão, olhou algumas vezes e depois me disse o caminho certo. 

Fui correndo e o Alex foi atrás de mim, nem sei por qual motivo. Ele não estava flertando comigo nem nada demais, só sendo uma pessoa que conheci a menos de 12 horas muito legal.

Cheguei na sala e bati na porta. Uma menina loira e pequenininha abriu, olhou alguma coisa na prancheta que estava na mão dela e me disse pra entrar. Eu achei que ela ia bater a porta na cara do Alex, mas isso não aconteceu. Ele entrou junto comigo e encostou na porta quando a menina loira fechou.

Fui reparando na sala, e vi o diretor sentado de frente pra um fundo branco e as outras meninas pro teste sentadas em cadeiras lá trás. O diretor era o tipo de pessoa que impõe respeito. A presença dele era um pouco assustadora, confesso, mas depois de um tempo, quando disse pra mim mesma que ele era só uma pessoa normal, esse detalhe nem fez diferença. Não tinha mais muitas meninas pra fazer o mesmo teste que eu, então isso também me deixou muito tranquila. Eu sabia do que era capaz.

– Sofia Batullieri. – o diretor me chamou depois de um tempo e eu fui em sua direção. Ele foi lendo minha ficha e eu concordando com a cabeça. – Antes de começar, o que aconteceu com o seu braço?

Eu tinha ignorado meu braço de ontem pra hoje, porque não estava doendo, então nem passei base pra vir pra cá.

– Eu caí. – fiz uma cara de tanto faz e ele estreitou os olhos. – Eu sou uma destrambelhada. Sempre caindo por aí...

– E uma excelente mentirosa, suponho. – ele riu de lado e eu dei de ombros. – Parece que alguém entrou numa briga.

– Se é mentira tudo que você pode fazer é supor mesmo. – estreitei os olhos também. – É minha palavra contra a sua.

– Pode começar. – ele me encarou por mais uns segundos, anotou alguma coisa na minha ficha e fez sinal pra eu começar.

Eu tenho muita facilidade com roteiro. Se eu ler uma vez e me interessar isso já fica na minha cabeça e na hora de falar eu só preciso criar um jeitinho pro personagem. E nesse caso a personagem era uma menina rica, mimada pelo pai viúvo e que não sabe lidar com "não" como resposta. Foi tão fácil interpretar isso que quando o roteiro acabou eu olhei na direção do Alex com uma cara de "sério?" e ele balançou a cabeça de leve pra afirmar.

Quanto ao diretor, ele não disse nada, exceto que eu não me atrasasse na quinta. Aquela pose dele não estava me deixando intimidada, só irritada. Tudo bem que ele sabe muito do assunto, mas não aguento essas caras de nojo.

Acenei de leve pro Alex antes de ir embora e fiz um esforço mental pra lembrar o caminho de volta.

– E como foi o teste da minha irmã mais linda do mundo? – encontrei com o Henrique lá fora e ele abriu um sorriso pra mim antes de me entregar o capacete.

– Tudo de bom. – sorri de volta. – Pra ser bem sincera, eu esperava uma coisa mais complicada.

– Você é uma convencida mesmo, né? – ele bateu no meu capacete e fiz cara feia. – Então, bonitinha e futura atriz famosa, o que você quer fazer hoje?

Nem tinha pensado em nada pra fazer depois do teste, mas definitivamente não era ficar trancada no hotel. Depois de uns 10 minutos sem entrar num consenso o Henrique e eu decidimos voltar pro hotel primeiro, buscar mais dinheiro e arrumar umas coisas pra passar o dia na praia (que não seria a de frente pro nosso hotel). A gente foi pra Praia do Arpoador, comeu num lugar que o Henrique disse ser o melhor do Rio de Janeiro, mas eu estava encantada demais com a vista pra me importar com o nome do restaurante. Depois a gente ficou na praia perdendo tempo com conversas sem sentido e uma caminhada looooonga (nem sei como topei isso, sou sedentária). Quando começou a escurecer o Henrique cismou que queria ir embora, mas eu disse que ele podia ir sem mim, porque eu queria ficar mais uns minutinhos.

Eu nem sei no que estava pensando, só que estava muito feliz e animada com o dia que tive, de um jeito que não consegui me sentir ontem nem me esforçando muito.

– Parece que você não perdeu essa mania, né? – ouvi uma voz atrás de mim, mas não precisei me virar pra trás pra olhar, porque a pessoa sentou do meu lado. – Olha só quem cresceu...

Lembra da história sobre eu não ser mais virgem, mas isso não ser uma história trágica? Então, era o menino sentado do meu lado. O meu irmão já estava na faculdade em OP e eu estava terminando o primeiro ano do colegial e em uma bela semana fui visitar o Henrique. O Victor, amigo dele na época, foi super gracinha comigo e me fez companhia quando o Henrique tinha que ir resolver umas coisas. Então no outro fim de semana eu voltei pra OP, mas passei o sábado com o Victor, então simplesmente rolou. Não foi nada incrível, mas também não foi trágico. Foi normal, acho. Mas depois ele foi fazer um intercâmbio na Espanha e o Henrique perdeu contato com ele e eu nem fiz questão de manter.

– Olha só quem... surgiu. – apontei pra ele, mas voltei a encarar o mar logo depois. Eu nem sei o que acontece comigo, mas vivo tombando com gente do meu passado por aí. Na maior parte do tempo eu só ignoro, porque se não me fez diferença por tanto tempo, continua não fazendo quando aparecem de novo.

– E como vai a vida, princesa? – eu sabia que ele estava me encarando, mas não estava afim de encarar de volta. 

– Acho que continuo sendo uma princesa. – dei de ombros. Esse apelido da Helena pegou tão rápido que deu vontade de trucidar ela. O Victor me olhou com uma cara de interrogação tão grande que acabei rindo. – É que minha melhor amiga me chama de Cinderela. Todo mundo me chama assim. Então pra sua informação, eu continuo sendo uma princesa.

– E atriz nas horas vagas? – era incrível isso de como todo mundo já sabia que eu era atriz. Olhei pra ele meio confusa e ele deu de ombros. – Não me olha assim, Cinderela. 

– Ótimo, parece que você gostou do apelido também. – dei um soquinho de brincadeira no braço dele e ele riu. – E como sabe que sou atriz?

– Minha melhor amiga é namorada do Davi. Na verdade, a gente trabalha juntos e tal. Um projeto novo. – arregalei os olhos e o Victor riu da minha cara. – Enfim, o Davi achou você e é claro que compartilhou a ideia com a gente.

– Ótimo, então você ia surgir mais cedo ou mais tarde. – comecei a rir e o Victor me encarou meio confuso, mas depois entendeu e riu comigo. – Credo, o destino anda fazendo uns joguinhos comigo, só pode.

– Verdade. – ele concordou. Olhei pra ele com cara feia e ele passou a mão no meu rosto. – Qual é, Cinderela, não pode ser tão ruim assim? Eu aposto que só te aconteceu um monte de coisas boas.

– Na maior parte do tempo sim. – assenti. E era verdade mesmo. Mas as partes que davam errado não eram nada fáceis.  – Quer dizer, tem aquela coisa toda de se decepcionar e quebrar a cara. Mas isso é normal, não posso fazer muitas coisas pra mudar.

– A Lia vive me enchendo o saco porque sempre que eu fico bolado com alguma menina venho aqui pra praia. – ele balançou a cabeça. Ele falava dessa menina de um jeito meio diferente. Como se em algum momento ele tivesse sido apaixonado por ela. – Você faz isso também.

– Em Minas não tem mar, lembra? – estreitei os olhos. – Tenho que aproveitar enquanto posso.

– Por isso você perde seu tempo bebendo que nem uma maluca? – ele me encarou tão sério que de repente ficou até frio. Puta que pariu. 

– Não. – olhei pro mar de novo. Ótimo, eu tinha mesmo que ser um livro aberto. Anos sem ver o menino e ele sabe que eu bebo pra esquecer os meu leves problemas. Tá, eu sei que não é um crime. Todo ser humano faz isso quando se sente triste, né? – Quer dizer...talvez. Hm... é. 

– Eu sabia. – ele deu de ombros. – Mas não é uma coisa ruim, de todo. Você perdeu uma coisa importante e precisa dela de volta. Como sabe que não pode ter, ou como é melhor não ter, você compensa com outras coisas. Compensa a falta dela com álcool.

– E você fazia a mesma coisa pra superar a Lia? – o encarei. Quando uma pessoa olha pra você e te decifra tão facilmente pode ter certeza que ao menos uma vez na vida ela passou por algo parecido. Não é humanamente possível chutar tão bem assim. Ainda mais que hoje eu nem estava triste. Só pensando mesmo sobre tudo. 

– Ela era a pessoa perfeita pra mim. – ele falou meio nostálgico e eu até pensei em dar a minha mão pra ele segurar, mas pensei melhor depois e não fiz isso. Ele tinha acabado de reaparecer. – Mas você sabe como funciona, não é? As coisas acabam. Ela conheceu o Davi, ficou loucamente apaixonada e eu fui chutado do cargo de metade da laranja. 

– Você ficou triste e um pouco puto da vida. – falei como quem não quer nada e mesmo que não fosse uma pergunta o Victor assentiu. – E saiu pra todas as festas que foi capaz em uma semana, tomando porre em todas? 

– Nem sei como ela conseguiu fazer isso comigo. – ele riu. – Eu nunca fui de me importar e aí ela apareceu. Mudou tudo. E foi embora. Nunca fiquei tão pra baixo na vida.

– Mas pelo menos não durou pra sempre. – dei de ombros. – Eu perdi meu melhor amigo porque a gente não soube lidar com essa coisa de relacionamento. As vezes eu fico meio perdida sem ele.

– Eu sei... – ele apoiou a mão no meu ombro e eu balancei a cabeça. – Mas quer saber de uma coisa?

– Que coisa? – estreitei os olhos e ele riu. 

– A gente não perdeu nada. – ele piscou um dos olhos. – Olha pra mim. Eu tenho 22 anos e um emprego de sonho pra qualquer pessoa no ramo de cinema. O que mais eu ia querer?

– Não pode viver do seu emprego pra sempre. – revirei os olhos. Certo, eu estava super empenhada na minha carreira nesse momento, mas eu não queria desistir do amor. Parecia uma bobagem desistir de um sentimento tão legal, porque uma vez não deu certo. O Victor não disse nada e só ficou encarando o mar. – Você não superou que ela encontrou o Davi, né?

– Não. – ele me encarou. – E como você sabe?

– Parece que você usa seu emprego pra se convencer disso. Pra se convencer de que não precisa dela. – peguei um montinho de areia e deixei escorrer pelos dedos. – Mas não funciona assim, Victor. Você tem que dar um jeito de superar de verdade, senão você vai explodir.

– Vou pensar sobre isso. – ele garantiu e eu assenti. – Então...?

– Então?

– Vai dormir aqui? – ele olhou em volta. Já tinha escurecido e só havia algumas pessoas na praia. – Sinceramente, eu acho meio perigoso. Ainda mais pra uma princesinha como você, né?

Mostrei língua e ele riu. Era muito fácil conversar com o Victor. As vezes eu sentia que o conhecia desde sempre. Ele acabou de reaparecer e eu já conversei com ele sobre o Vicente, coisa que não conversei nem com a Helena ainda.

– Eu só não queria voltar pro hotel. – levantei e balancei o corpo pra tirar o restinho de areia. – Mas acho que já deu a hora.

– Não. – o encarei e ele abriu o maior sorriso.

– Como não? – inclinei um pouco a cabeça pro lado e ele se aproximou de mim. Tipo, ele já era lindo quando conheci ele em OP, imagina agora? Eu estava com medo de ficar olhando muito pra ele e esquecer meu nome.

– Você vai ser uma de nós em pouco tempo. – ele piscou um dos olhos e eu estreitei os meus. Como ele podia ter tanta certeza? – Tem que saber o que a gente faz.

Ele sorriu de novo e me estendeu a mão. Eu sei que não posso sair por aí com um ser humano que surgiu de repente. O Victor podia ter mudado desde que o conheci, mas não parecia ter sido de uma forma ruim. Então dei a mão pra ele segurar. Geralmente minha intuição não falhava nesse ponto, então resolvi acreditar nela. A gente foi de moto e caralho, moto é tudo de bom. O vento batendo forte, a velocidade, tudo. O Victor me arrastou pra um apartamento, porque ele disse que não ia dar muito certo se eu aparecesse de biquíni do nada na casa da Lia (onde era a festa do pessoal), ia distrair todo mundo e a Lia ia querer me matar por causa do Davi. Até parece...

O Victor me entregou uma toalha e fui tomar banho. Ficar na praia o dia inteiro é quase que ficar na academia o dia inteiro. Foi só entrar na água que parecia que eu ia desmontar. Nem demorei muito, porque toda hora ouvia os gritos do Victor me mandando andar rápido.

– Peguei essas roupas da minha irmã. – eu estava de toalha, mas eu acho que nem fazia diferença, porque ele entrou no quarto e agiu naturalmente. Deve ser uma coisa bem normal pra ele. – Vocês tem o mesmo físico, acho. Deve servir.

E serviu mesmo. Era um cropped cinza com um short cheio de paetê. Ficou até bonitinho com a sapatilha preta. Eu nem queria imaginar o resto do guarda-roupa da irmã dele. Só devia ter brilho lá dentro. 

Depois a gente foi pro apartamento da Lia, que devo dizer que é perfeito. Ele é enorme, todo clarinho e moderno. Se eu morasse assim não ia sair de casa nunca mais.

– Achei que você não ia mais aparecer. – uma menina ruiva, alta e maravilhosa chegou abraçando o Victor e ignorando de leve minha existência. – Onde você estava?

– Lia, essa é a Cinderela. – ele disse e a Lia (previsível o Victor ter se apaixonado por ela, a menina era perfeita) olhou ora pra mim e ora pra ele sem entender nada, enquanto nós dois não conseguimos segurar a risada. – Quer dizer, Sofia. Essa é a Sofia. Mas pode chamar de Cinderela se quiser.

– Você não parece com a Cinderela. – ela me encarou de cima a baixo e eu fiz uma cara fofa, mas por dentro só queria dar um murro nela. – De qualquer forma, acho que é um prazer conhecer você.

E ela ainda me abraçou, essa cínica. Meu santo é meio lento sim, mas quando ele não bate com uma pessoa logo de cara, pode saber que é encrenca.

– Essa era sua pessoa perfeita? – olhei pro Victor com uma cara surpresa e ele fez cara feia. – Perfeita por fora, só se for. Porque não gostei dela.

– As pessoas mudam, ue. – ele deu de ombros, mas olhou pra trás na direção que ela estava. Lógico que ele se importava com ela, mesmo sendo essa metida aí. – E além do mais a gente não veio aqui pra analisar minha melhor amiga/ex amor da minha vida. Porra, até rimou.

– Você fez de propósito. – empurrei o braço dele de leve e ele riu. 

– Com certeza. – ele bagunçou meu cabelo. Como se já não estivesse bagunçado. Eu nem lembro de ter penteado ele no apartamento do Victor. – Quer beber o quê?

Vodca pura. O Victor me fez virar três copos de vodca pura! Todos de uma vez e ainda balançar a cabeça. Quando eu terminei já estava enxergando tudo embaçado. Ouvi o Victor dizendo algo e apontando pra porta, mas não entendi nada, até porque a música estava alta pra caralho.

Eu sei que conversei com muita gente legal e infelizmente, com uns caras idiotas que ficavam falando do meu corpo e eu começava a xingar até o Victor perceber e livrar o indivíduo da minha fúria.

– Você ficou maluca? – ele disse meio sério e meio rindo quando me largou perto da piscina. Não aguentei a cara que ele fez e acabei rindo. Ele me carregou lá de dentro do apartamento até a parte da piscina no ombro e nem estava cansado. Eu acho que devo pesar o mesmo que uma pluma. – É sério, princesa, não pode sair batendo nas pessoas e fazendo toda essa bagunça.

– Quem disse que não? – dei de ombros e sentei na beirada da piscina. – Eles eram uns idiotas.

– Eu sei.

– Então não precisa fingir que não adorou o que eu fiz. – falei rindo e ele riu também. 

– Uma princesa se defendendo sozinha. – ele sentou do meu lado e me encarou. – Novidade.

– Eu não sou de porcelana. – revirei os olhos. – E também nem sou um objeto bonitinho. Eles não podem ficar falando do meu corpo como se estivessem falando de um item de decoração qualquer. 

– Você é demais. – ele riu e se jogou na piscina, com roupa e tudo. 

– Me diz aí qual o lance com a Lia? 

– Já te contei sobre isso. – ele arqueou as sobrancelhas. – A gente ficava e aí um dia ela...

– Não. – fiz sinal pra ele parar. – Não sobre isso. Essa parte trágica eu já entendi. Quero saber sobre a parte que ela virou uma megera. 

– Tudo isso é novo pra ela, sabe? – ele apoiou os braços na beirada da piscina e ficou me encarando. – Ser uma pessoa linda e cobiçada. Ter um namorado galã. Todo esse dinheiro e essa vida... Mudou muito a cabeça dela. As vezes ela parece a Lia engraçada e espontânea de sempre, mas na maior parte do tempo ela só é...

– Egoísta, chata e mandona? – completei a frase e ele assentiu. – Olha, você é melhor que isso. E ela nem deve transar tão bem assim.

– Presta atenção no que você acabou de dizer. – ele fez uma cara safada e me jogou água. Eu comecei a rir e nem me dei conta que ele me puxou pra dentro da piscina. A água estava super fria, gelada pra porra e por dois segundos achei que ia morrer. 

– Eu só disse a verdade. – comecei a rir e enrolei meu cabelo pra tirar um pouquinho da água. – Não precisa me punir por isso.

– Falou a pessoa que transa pra caralho, né. – ele me encarou. Quando a gente fica bêbado é uma bosta as vezes, porque no meu caso, demoro mil anos pra formar frases que façam sentido. E demoro uma eternidade pra entender o que a pessoa diz quando ela fala tão seriamente do jeito que o Victor acabou de fazer. 

– Não. – joguei água nele. – Mas com certeza muito melhor que ela. 

– Verdade. – ele riu e me encarou, sorri de volta, mas notei que o olhar dele ficou meio distante e me virei na direção que ele estava olhando. 

A Lia estava parada na porta, olhando pra nós dois dentro da piscina com uma cara de ódio mortal e a única coisa que fiz foi encarar de volta. Eu não tenho culpa se ela não soube lidar com a fama e com o namoradinho bonito. Não tenho culpa se ela é toda insegura. Na verdade, não tenho nada a ver com isso. Acabei de chegar aqui. O Victor deu a entender que ia entrar na minha frente na piscina pra poder conversar com a Lia caso ela resolvesse surtar, mas eu saí antes que ele pudesse bancar o meu herói.

– Oi, bonitinha. – abri um sorriso forçado e ela continuou com a cara de poucos amigos pra mim. Nossa, ela me lembrava muito a Pietra, já estava me dando nos nervos. – Alguma coisa errada?

– Tudo errado. – acho que ela estava ficando tão vermelha quanto um pimentão. – Não pode entrar na piscina.

– Esse seu aviso não faz muito efeito se você dizer depois que a gente já entrou. – apontei pras minhas roupas e pro Victor. – Mais alguma coisa?

– Não gosto de você. – ela estreitou os olhos. Blá, blá, blá. Começou a gritaria desnecessário. – E você não vai chegar agora, se achar importante e estragar a minha festa.

– Fofa, se você não percebeu, a única pessoa estragando a sua festa é você mesma. – sorri, mas fechei a cara logo depois e a Lia me olhou feio. – Muito barulho por nada. Só me deixa aqui na minha e vai encher a paciência de outra pessoa. 

– Victor! – ela deu um gritinho tão agudo que juro por Deus, doeu na alma. – Vai deixar ela falando assim comigo?

– Ela tá certa, ue. – o Victor saiu da piscina e olhou fixamente pra ela com um sorriso debochado no rosto. – Você fica dando chilique aí atoa. Deixa a menina em paz e vai curtir a sua festinha, vai.

– Eu não gosto mesmo de você. – ela se aproximou de mim e me encarou. Me segurei pra não rir da cara malvada que ela me lançou. E nem do fato dela ter repetido duas vezes e nenhuma me fazer a menor diferença. 

– E o problema é seu, flor. – mandei um beijinho e pulei na piscina de novo. Ela disse alguma coisa pro Victor, que só ignorou e pulou na piscina logo depois de mim.

Incrível que todo lugar que eu vou tem uma menina metida e cheia dos problemas que não gosta de mim. Deve ser pra me testar, só pode.

– Eu achando que esses caras idiotas iam ser minha única frustração. – revirei os olhos e o Victor riu. – Não ia ser tão fácil assim, né?

– Você ficou diferente. – ele me analisou. A minha roupa estava super colada em mim, mas ele não estava me olhando de um jeito pervertido. Acho que só tentando notar as mudanças.

– Tipo?

– Sei lá. – ele se aproximou e tirou o cabelo do meu rosto. – Você parece mais...decidida. Mais madura também.

– Eu não podia ser uma garotinha ingênua pra sempre. – dei de ombros. Meu passado era tão frustrante, nem gostava de ficar falando sobre ele. 

– Pra deixar bem claro, a gente não transou aquele dia porque te achei ingênua. – o Victor estava me encarando tão profundamente que eu me afastei um pouco e apoiei na beirada da piscina.

– Como é? – estreitei os olhos. – Bonitinho, você tem que ser um pouco mais direto quando falar com a minha pessoa alcoolizada.

– Não sei direito, Cinderela. – ele riu. – Só tô dizendo que não usei você. E não te achava um poço de ingenuidade nem nada. Tipo, você era toda pequenininha e espontânea, deu vontade de cuidar pra sempre e...e... aí a gente transou. 

– E você foi fazer um intercâmbio na Espanha e sumiu. – joguei água nele de brincadeira e ele riu. – Que trágico.

– Qual parte? – ele olhou em volta pra ver se a Lia estava dando chilique em algum lugar, mas depois olhou pra mim.

– Era pra você ser o amor da minha vida. – fiz beicinho. – Maldito intercâmbio na Espanha...

A gente ficou mais um tempão brincando na piscina, ignorando as caras feias que a Lia fazia toda vez que passava perto da gente. Falando sobre a vida, as tretas, as paixões, as festas. O Victor me contou sobre o intercâmbio e eu falei sobre nada muito importante, na verdade, só fiquei enrolando. Contei por alto as coisas com o Vicente e toda a treta com a Pietra, mas não fiquei prolongando a conversa. Não era obrigada.

– Você vai dormir aqui hoje. – o Victor me arrastou pro quarto, porque eu já estava ficando roxa dentro daquela piscina. – Vou te arrumar umas roupas quentinhas e um monte de cobertor.

– Acho que tá fazendo uns 40° lá fora, Victor. – bati os dentes e ele riu. – Não precisa de tanto cobertor. 

– É só regular o ar condicionado, princesa. – ele riu e foi me dar um beijinho na testa. Ele era um amor, meu Deus. Eu era tão sortuda por tombar com gente legal, sabe? Tudo bem que uma vez ou outra apareciam umas que não gostavam muito de mim, mas todo mundo que gostava, compensava demais. 

O Victor saiu pela porta e eu fui tomar banho. A Lia ia morrer quando soubesse disso e eu fiquei rindo comigo mesma no banheiro. Eu estava levemente bêbada demais, então nem liguei pro moralmente aceitável, no momento eu não precisava ser um poço de amor pela moral. Tomei meu banho rapidinho e fiquei esperando o Victor voltar com a roupa quentinha pra mim.

– Não é demais que todo mundo aqui tem uma irmã? – ele piscou um dos olhos e eu ri. – Vou procurar coberta agora porque ainda não achei nenhuma.

Voltei pro banheiro, vesti a roupa da irmã da Lia, acho, escovei meu cabelo e sentei na cama.

– Victor? – deitei e puxei a coberta até perto do nariz. Ele me encarou com uma expressão curiosa, que nem a que o Henrique faz quando sabe que quero contar algo importante. – Você sabe que a Lia vai me matar enquanto durmo, não é?

Arregalei os olhos e ele riu da minha cara. Tipo, riu mesmo, mas depois me deu um beijinho na testa.

– Cinderela, eu podia até te levar pro seu hotel, mas eu tô bêbado pra caralho. – ele apagou a luz e deitou do meu lado. – E acho que nesse estado ia bater a moto e matar nós dois.

– Credo, que horror. – fiz cara feia e ele entrelaçou nossos dedos.

– Por isso eu vou te proteger se a Lia aparecer aqui. – ele deu um beijinho na minha mão e eu ri. – Fora que eu ainda acho que ela não sabe como atravessar portas.

– Aaaai, até parece que é um príncipe, gente... – fiz carinho no rosto dele como se ele fosse um bebê e ele riu. – Quem vê até pensa.

A risada dele era tão gostosa, ele era tão gostoso. Minha mente louca de álcool já estava era pensando merda, mas balancei a cabeça algumas vezes pra afastar o pensamento. E eu acho que nós dois estávamos sussurrando, mas nem tentei entender o motivo, a voz dele ficava muito linda assim.

– E você tem que se sentir ainda mais agradecida, você tá ligada, né? – ele continuou com a minha mão perto da boca dele e eu já estava quase tendo um ataque. Estreitei os olhos pra demonstrar que não fazia ideia do que ele estava falando e ele riu. – Você tá aí deitada do meu lado com esse pijama enorme, toda sexy, com o cabelo meio molhado e esse sorriso lindo, e eu nem vou tentar transar com você. 

– De príncipe a sapo em segundos, Victor...– dei um tapa de leve no rosto dele e ele tentou morder minha mão. 

O Victor tentou conversar sobre alguma coisa e só estava concordando com uns sons esquisitos e sem nexo. Ele passou a mão no meu rosto e deu um beijinho na ponta do meu nariz.

– Antes de você apagar, tenho que te avisar que a gente vai tomar sorvete com coca enquanto assiste o sol nascer lá na cobertura. – ele sussurrou e eu abri um pouquinho os olhos. Ele riu da cara curiosa que eu fiz. – É demais. E sorvete com coca é bom pra caralho, né.

– Você que é demais, meu Deus. – comecei a rir e ele riu ainda mais. – Não sei se vou conseguir acordar não. 

– Eu acordo você. – ele disse. – Só não bate no meu rosto quando eu fizer isso.

– Vou tentar lembrar desse aviso. – puxei a coberta e me aconcheguei. – A gente vai ficar com frio lá em cima, não?

– A gente vai levar o cobertor, ô coisa lerda. – ele se aconchegou também.

Sabe quando você está num momento e não quer que acabe nunca? E mesmo se ele acabar, ter a chance de fazer mais vezes? Esse foi o dia mais sem nexo que tive, mais um dos mais engraçados. O Victor é todo maluco e espontâneo, e mesmo que ele goste de uma vadia insegura, ele ainda é demais. Hoje foi um dia incrível e eu estava com a sensação de que a minha semana ia ser toda assim.

– Princesa? – ouvi a voz do Victor bem distante e murmurei alguma coisa como resposta. – Boa noite. Bons sonhos.

– Boa noite, Victor. – mandei um beijinho.

Ouvi a risada dele toda gostosa antes de apagar de vez.


Notas Finais


E aí gostaram?
Olha, não vou dar muita certeza, mas vou lançar mesmo assim. O próximo capítulo deve ser outro da Sofia no Rio com as loucuras dela com o Victor (aliás, gostaram do Alex e do Victor?) e a segunda parte do teste dela. E o outro capítulo deve ser do Vicente e toda a resolução da treta com a Pietra pro nosso casal ficar relax.
Enfim, acho que é só isso.
Comentem aí pra eu saber o que vocês acharam (sério, amo os comentários de vocês ❤) e até qualquer dia... 😘


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