História Você é Mort Rainey? - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias A Janela Secreta
Tags Johnny Depp, Mort Rainey, Tiranela
Visualizações 9
Palavras 4.929
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá, independente de quem esteja lendo, eu agradeço de coração.
Bem, essa é a minha "primeira" fic, postada aqui no Spirit, pois tbm eu comecei a escrever no Wattpad.
E só pra dizer, eu não sou nenhuma escritora, eu só escrevi mesmo porque gostaria de aprender mais, sabe? Eu vejo escritores tão sensacionais não somente em livros mas aqui no Spirit também. E estou aqui compartilhando para quem esteja lendo. (Não reparem na capa, pois não tive tempo nem de editar, além de ser péssima nisso) Mas O que vale é o conteúdo.

A história é baseada no filme "Janela Secreta" após a morte de Amy, e de como Mort lida com isso. (Tudo é narrado por ele, como ele enxerga) E... Não vou dar mais spoilers, tenham uma boa leitura <3

Capítulo 1 - Inverno Rigoroso


Fanfic / Fanfiction Você é Mort Rainey? - Capítulo 1 - Inverno Rigoroso

Meia volta, dê meia volta e dá o fora daqui, agora. Não volte.

12 de junho, 2007.

- Eu o avisei, Senhor. Rainey, eu disse pro senhor manter distância, mas o cê não quis me escutar. E agora tá aí, largado nesse sofá como uma cabrita que cabou de dar a luz a uma ninhada. - Dizia Tiranela fazendo mais um de seus comentários grotescos.

Aquele insuportável caipira ainda está me observando? Ah! Quer saber? Que se dane! Eu não preciso da opinião de ninguém, eu só quero dormir. Eu apenas quero... Dormir. - Me revirei entre o sofá mais uma vez, desta vez aconchegado-me na almofada.

- Vai se fazer mesmo de surdo? Oh, sim. Eu me lembro muito bem de como o senhor fez a mesma coisa quando sua mulher implorou pela vida, sendo arrastada igual uma mulher das cavernas toda descabelada. Foi hilário. - Continuava o homem do chapéu rindo na maior ingenuidade.

Naquele momento, ele havia passado dos limites. Bufei alto à procura dos meus óculos que deveriam estar na minha escrivaninha. Cadê eles quando preciso? Levantei pondo meus chinelos e ajustando a corda do meu velho roupão dando um simples laço apertado. Em segundos olhei para a esquerda, onde avistei Shooter, não muito bem, pois sem meus óculos eu era um tremendo cego. Estava no tanto embaçado, mas ele continuava alí, bem alí, perto demais para ser real... Dessa vez eu não o perderia de vista.

Esse palerma não espera pelo que está por vir, ele se arrependerá de ter fodido toda minha vida. Peguei o primeiro objeto na minha frente, o mais preciso uma pá que estava encostado na beira da porta. Não faço a mínima ideia de como isso veio parar aqui, mas como se essa minha vida fizesse sentido também, não? Caminhando lentamente para que assim ele não me escute até a escadaria, abro a porta em direção ao meu quarto que céus... Acho que um furacão passou por aqui.

Mas o quê é aquilo? - Estranhei que minha cama estava com a cabeceira solta, o parafuso que a segurava parecia ter se soltado de certa maneira .

- Eu não me lembro de ter trazido nenhuma mulher aqui, então por que desses utensílios femininos embaixo da minha cama? - Disse enquanto abaixava-me e jogando de lado aquele sutiã e calcinha praticamente usados.

Você realmente é uma piada... Então quer dizer que ainda "está no armário"? Não é uma vergonha todos nós temos...

- Cala a boca, seu cretino! Eu.. Sou um homem, não... - Certo que pensei na possibilidade de ser "gay", mas não, isso realmente não é meu caso. Já ouvi dizerem que sou um pouco afeminado, incrível!  Eu tinha de tudo pra ser um, a diferença é que no meio do caminho eu descobrigosto de homem, simples.

- Primeiramente, "cretino", não é um grande insulto, afinal você está falando com seu próprio Eu. Ou seja, Eu sou Eu, que é Você. - Minha outra imagem falava comigo mesmo. Eu deveria estar assustado com isso, mas não, praticamente virou parte de mim. 

Mort... Você está delirando novamente. - E foi uma brincadeira, bobinho. Eu sei que você não gosta do outro lado da fru-

- Chega! Chega! - Gritei pondo as mãos nos ouvidos como se não estivesse ouvindo. Parou? Ele finalmente parou? Bem, o que me resta é acabar de vez com a raça desse caipira e achar meus óculos. Realmente, hoje não é meu dia de sorte, estava até bom demais para ser verdade. De tranquilidade ao caos.

Ouço um barulho que parece vir do banheiro, ficando somente em uma porta á frente. Respiro fundo tentando manter a calma, apertando a pá mais forte em minhas mãos.

- Eu sei que você está aí! - Como se ele fosse responder, "Oh, desculpa o incômodo, só estou usando o seu banheiro emprestado, senhor Rainey" Maldita voz persistente.

- Eu vou contar até cinco, se não sair daí... Entrarei com tudo. - Ele ainda não saiu, se não sair pelo bem, vai ser pelo mal, como diz a lei. - Um... Dois... - Acelero os passos cada vez mais direto para a porta que já estava aberta e sim, é a hora.

- Aarfh! - Me joguei com tudo no box do banheiro mas ele não estava mais aqui. - Merda... Acabei assassinando o espelho mais uma vez. - Falei olhando para o vidro que agora estava todo despedaçado no chão, mais uma bagunça que terei de limpar. O sacana se safou mais uma vez, por enquanto.

09 de junho, 2007. - 13:40 P.M.

- E vamos agora à previsão, como fica o clima para amanhã?

- Pois é, Ellen, a neve chegou mais cedo esse ano devido a um cumulo de massa polar ao...

Eu odeio dia de neve, isso só me traz más lembranças e sempre acabo doente. Com certeza vão nos proibir de sair de casa e fazer aquele velho treinamento em caso de "avalanche" e blá blá blá.

Deslizei o dedo para mudar a estação da rádio, sim, sem tecnologia por hoje, pois pode causar interferências.

E meu querido óculos, onde foram parar? Não faço a mínima ideia, já se passaram três dias e mesmo deixando a casa de ponta cabeça de tanto procurar, eu não consegui achá-los. Shooter, ele mesmo deve ter roubado.

Eu deveria tentar e escrever alguma coisa e ver no que sai. Por que não? Nesses dois últimos anos, eu tentei no máximo escrever um novo livro, que fizeste qualquer pessoa se identificar, mas parece que as livrarias estão ocupadas demais divulgando romances de vampiros adolescentes. Não me envolvi com o crime ou algo do tipo. Sobre ter um novo relacionamento, eu confesso ter passado um ou mais noites foras, mas nada que me deixasse se levar para a cama com qualquer uma. Por mais que eu queira, não consigo.

Caminhei até as escadas em direção a bancada de trabalho, afastando a cadeira e abrindo a tela do PC que quase me cega.

- Brilho... cem por cento. Ei, eu não deixei assim! - Diminui no máximo para quarenta e estiquei os braços, uma exercitada faz bem.

Agora sim, chegou a hora. Mas o que escrever... O pequeno tracinho na tela do bloco de notas piscava e piscava. Realmente eu não tenho nenhuma inspiração, na noite passada foram horas gastadas escrevendo em folhas de papel que agora estão no lixo.

- Você é um verdadeiro gênio, Mort. - Resmunguei fechando a tela e descendo no mesmo instante direto para a sala.

Espera... Acho que deixei algo passar. Corro de volta para meu escritório e vejo do lado da cafeteira um maço de cigarros.

Fala sério, Mort. Você não quer isso...

Eu parei com o vício, mas nem sempre consigo controlar. Pego o pacote nas minhas mãos e o aperto até se amassarem por completo. Fiz um juramento de não fumar mais, no mês passado meu clínico informou sobre esse mau hábito que está quase acabando com meus pulmões.

Para de tentar bancar o anjinho, isso não faz seu estilo. Você sabe muito bem que a uma semana estava fumando e tomando vodka naquele sofá.

Não liga para o que ele fala, você pode sair dessa. Sair desse vício.

- Vocês podem calar a boca!? - Gritei para os meus dois "clones" que não param de mexer com minha mente. - Que se dane! Eu vou é fumar, quero mais é fumar. Vou fumar esse daqui...

Falei furioso tirando um isqueiro de dentro do meu casaco, que nem lembrava-me de carregá-lo. E acendia logo puxando o ar e soltando, fumaças... Como elas fazem todo sentindo na minha vida, eu amo isso.

- É isso mesmo! Eu vou fumar esse daqui, depois vou até a loja, compro outro maço e fumo até fazer bico. E quem vai me impedir? Você? Ou você? - Falei com a maior clareza e confiança desse mundo. Quem pensam que são para desafiar-me?  A cabana é minha propriedade, para começo de conversa esses sujeitos nem por aqui deveriam estar.

Parando para pensar... Eu deveria me preparar para o inverno e comprar mantimentos até a geada de neve. As lojas se fecharão e os estoques vão acabar se eu não chegar cedo.

É a melhor coisa que você pensou até agora. Vá, vá logo.

E para que sair nesse frio? Eu acabarei doente e possivelmente morto se não tomar cuidado. E eu tenho com o que me alimentar, afinal tenho meu próprio milharal.

Mas é um tolo mesmo... Você pode até retirar todo o milharal dalí e aí sim, acabou! Não escute esse babaca, vá logo comprar o que importa e não se esqueça de roupas novas.

Revirei os olhos em um tom de desprezo e soltei mais uma fumaça segurando o cigarro em um v com os dedos.

- Certo. Dessa vez eu vou ficar do lado do anjinho aí. - Completei enquanto parece que "Anjinho" ficou todo orgulhoso de si e o "Diabinho" um tanto indignado. Mas onde eu deixei meu check de dinheiro? Sério porque tudo decide desaparecer da noite pro dia...

Abri a última gaveta e por acaso encontrei uma pasta preta chamada "Anonimato" hãm? Qual o sentido disso? Bem, não tenho tempo pra saber, preciso achar meu check e rápido.

Por que não procura no seu quarto encima do guarda-roupa?

- E por que diabos iria estar em cima do guarda-roupa? Eu sempre guardo todo tipo de documentos aqui! - Respondi levando as mãos a cômoda é derrubando alguns objetos.

Calma ... foi apenas um palpite...

Eu espero que ele, EU, sei lá mais quem, esteja certo. Corri para o meu quarto abrindo a porta e entrei. Lá estava meu armário, me estiquei um pouco para cansar o topo e senti alguma coisa... Não parecia como papel mas era quadrado e de ferro.

- Meus óculos! Poeirado e fora da moda como sempre! Como senti saudades. - Os limpei pela minha jaqueta, não estava tão sujo na verdade. Eu nem deveria questionar o motivo de como eles foram parar aqui, pois não tenho respostas para absolutamente nada. Mas é um grande alívio encontrá-los, eu não os trocaria por qualquer preço, eles são especiais demais.

Um dos mistérios foi resolvido. E agora, onde está o ...

- Check? - Surpreendi a mim mesmo quando o encontrei caído no piso. É assim que eu terei que viver, com meus pertences sumindo e aparecendo do nada.

O peguei em um só gesto ainda desconfiado olhei de um lado ao outro só pra conferir. Está tudo bem Mort, siga em frente.

Desci degraus abaixo, estava quase pronto para sair. Peguei no cabide antes um casaco de couro com um par de luvas azuis que vou precisar e botei minhas botas que não estavam com um cheiro tão agradável, ECA. Eu não tenho chulé, elas que estão mal-lavadas. Certo, agora as chaves do carro, pela minha sorte estão no lugar em ordem. A peguei do chaveiro e abri em uma só volta a maçaneta.

Com tudo trancado, abri a porta do carro logo sentando-me. Liguei o ar condicionado para uma temperatura mais quente que já estava me fazendo bater os dentes de frio.

- Eu odeio muito você, inverno. - Resmunguei com as mãos no volante pronto para dar partida.

17:19. PM.

Terminei minhas compras, essas caixas estão muito pesadas, como já havia deixado o porta malas aberto as teletransportei até lá dentro. Agora as sacolas de roupas... É, eu deixei ...

- Aqui estão, senhor Rainey. - A jovem atendente da loja disse aparecendo em minha direção e entregando as sacolas com muita pressa.

- Ah, obrigado. Hãm... Ju... Ju... - Droga, como posso esquecer o nome da garota que sempre me serviu na banca.

- Juliet. É Juliet. E de nada, agora se me der licença... - Ela respondeu um tanto emotiva, nesses últimos períodos ela dava bola para mim toda vez que eu ia fazer compras e eu o oposto, agora parece que jogo virou. Ela quer manter distância, como se eu fosse um psicopata ou algo do tipo.

- Hey, Juliet! Eu estava pensando se você não...

- Não, não, pode deixar por conta da casa. Se quiser aqui está o número de entrega, assim o senhor nem precisa vir até aqui. - Disse a morena voltando em minha direção e entregando um cartão vermelho da loja.

Eu estava tão decepcionado e sem qualquer tipo de reação por dentro. Realmente ela estava assustada com minha presença, não queria nem que eu chegasse perto. Deve ser por conta dos boatos que surgiram de mim. Mas se ela não quer nada comigo, quem sou eu para impor algo, não?

- É uma ótima ideia, mas eu prefiro vir pessoalmente aqui, só para vê-la novamente. Sabe, você é uma garota muito esforçada e bonita... Juliet. - Dei uma ênfase na última fala e sorri com o maior sorriso estampado no rosto tentando assustá-la ainda mais, apenas por diversão.

E não é que funcionou? Ela respondeu um "Sim, claro..." sem contato visual e deu as costas. Foi divertido, mas eu não queria constranger a garota mais do que já fiz.

21:58 P.M.

Eu já me encontrava em casa, pronto para tirar um soneca, estava muito exausto e meu corpo parecia que despencaria a qualquer momento.

Olhei para o relógio da parede que marcava exatamente 22:00, quanto tempo eu levei até aqui? Eu apenas fui fazer compras.

Deixei tudo largado na entrada da porta e retirei as minhas botas pronto para me deitar no meu duro sofá. Suspiro ofegante e aqui estou eu, um marmanjo em decadência, que não consegue escrever nada.

A minha vida era praticamente perfeita a dois anos atrás, agora tudo isso não passa de um inferno, onde vivo perturbado pela minha própria mente, que quer me impor ordens até conseguir dominar meu cérebro por completo, e aí sim, eu...

Quem sou eu?

Você é Você.

E por que não seria mais?

Porque você sabe...

- Não, eu não sei. - Falei alto me levantando do sofá, peguei meus óculos da escrivaninha que estavam poucos embaçados por conta do tempo lá de fora e os limpei mais uma vez na própria blusa. Decidi que se ficasse mais um tempo aqui iria enlouquecer de vez.

Fui até meu escritório onde me lembrei daquela pasta com o título de Anonimato e por curiosidade fui dar uma lida. Afastei a cadeira em um só movimento que fez um enorme barulho de madeira antiga. deveria ter pensado antes em comprar móveis novos também, agora é tarde.

O envelope não estava totalmente aberto, apenas uma pequenina brecha, que acabou sendo rasgada pelos meus próprios dentes. Puxei o papel dalí que para minha surpresa não estava expresso, estava escrito à mão, e uau... A caligrafia é parecida com a minha, muito por sinal.

Comecei a ler, o primeiro parágrafo dizia sobre o meu Eu Interior que estava tendo sérios problemas psicólogos, o que eu precisava de ajuda médica e se não o feito acabaria me matando. - A escrita pode até ser parecida com a minha mas eu não escreveria algo assim, está longe de se tornar algo bem produzido na verdade, se eu fui tão besta de escrever isso ainda com esse título. Eu deveria ter me drogado, só pode.

Continuando, ainda no primeiro parágrafo Mort citava que Tiranela não pararia de atormentá-lo até achar o seu Final. Mas que raios?

Mort, por que está falando sobre você mesmo em terceira pessoa?

Minha boca  deslocou-se junto ao maxilar em uma grande volta e prossegui a leitura Pensei e repensei diante de tudo a minha volta, desde o momento que passei a ver Tiranela com mais frequência, as vezes acompanhando pela minha outra “pessoa”, as vezes não. Sem explicação alguma, apenas sei que em qualquer dia da semana, ele estaria dentro do meu lar, pronto para me atormentar, brincando com meu alto subconsciente, dando a ideia de que fiz um grave crime e passaria a vida lamentando por isso. Mas eu não quero acreditar nisso, eu não posso. - No começo eu estava aterrorizado, já não tinha ninguém ao meu lado, sem apoio algum. Foram diversas bebidas de Rum, Whisky, e pacotes de Doritos. Nada mais parecia fazer sentido. Mas minha vida ainda seguia em frente, Shooter aparecia quando bem quisesse, apenas para mim. Foi assim que me acostumei com sua presença. 

Pare de reprisar o que já passou, dizem que quando mais você cutuca seu passado, mais ele voltará contra você. Preciso terminar de ler isso agora ou nunca. - Segundo parágrafo... Este envelope é prioridade do Senhor Rainey, no qual deixo o meu sincero sentimentos e receios. 

- Oh, muito interessante. Estou até fazendo a dança do Snoopy. - Falei sarcasticamente revirando os olhos e olhei para a carta "sinistra" mais uma vez.

Desde o dia em que meu coração estava em chamas de raiva, por rancor eu tive de fazer o mesmo com meu antigo lar. Do que eu e minha bela esposa viviam como um casal feliz, até suas longas e demorados dias de “trabalho”. Ela não podia sequer voltar para casa jantar, pobrezinha. Não apenas o seu emprego fixo era importante mas como às parcelas do meu cartão de débito também eram. Tal foi o dia em que a segui despercebido nas semanas próximas do natal. E que belo presente que você me presentearia! Naquele frio, não maior como meu coração ficaria depois daquela noite em que a peguei no fraga. Trabalhando muito a “Como Foder Alguém de forma Gostosa na Cama.” Você não contava que perderia, não é mesmo querida? Eu também não, por isso teve que acabar desse jeito, porque não pude deixá-la partir. Agora você sempre estará comigo, no meu quintal. Você sempre gostou da janela que dava de  vista ao nosso quintal, não estava totalmente formado, você até quis fazer começar uma plantação de orquídeas, e eu achei uma má ideia, eu queria semear algo que pudessemos sempre nos alimentar.

Foi por isso que  decidi começar uma plantação de milho, ficariam perfeitos alí, eu já havia imaginado tudo. Até seus cabelos radiante a luz do sol, que iluminava minha vida antes dessa dolorosa solidão. E no final, você ficou comigo, Amy. Eu posso sempre me apreciar da sua imagem, de forma gulosa posso saborear cada parte sua.  - Assim como fazia com o Ted, mas não se preocupe, meu amor. Ele e mais ninguém poderá  nos separar, em partes achei que deveria ser um pouco compressível com ele. Afinal, ele não deveria ter visto a sua aliança no seu dedo anelar.

Eu deveria ser mais bondoso, um simples ato de generosidade. Ele seria enterrado junto a você, foi o que fiz quando em um só golpe levei a pá até seu crânio, perfurando-o em uma rápida morte encefálica. Com você já foi mais complicado, tentou resistir. Menina má . . . 

O melhor ficou para o fim, seus gritos que soavam-me como gemidos, pedindo e implorando pela vida daquele homem. Como pôde? Ainda está pensando nesse maldito que quer destruir nosso relacionamento de doze anos? Depois de acertá-lo chegou sua vez, Amy. Céus! Estava tão sexy naquela posição, mas você deveria ter fechado mais a boca, assim como as pernas.


Após um ano, eu pensei em fazer algumas pequenas mudanças no quintal. Não fique magoada, querida 

- Sinceramente, eu vou cortar todo tipo de bebida alcoólica daqui. Por mim já chega! Bobagens e mais bobagens! - Joguei tudo em minha volta no chão, lápis, canetas inclusive a minha estante de trabalho, menos o meu computador, eu não sou tão louco pra destruí-lo.

Você continuará lendo, certo, Senhor Rainey? - Citava "Mort 2" que parecia imitar todos os meus movimentos, cada detalhe era repetido em sequência.

- O senhor Rainey aqui está muito cansado de ler bobagem sem sentido algum. - Respondi logo procurando o meu maço de cigarro, eu tinha que me controlar, olha o que isso está fazendo com você, Mort.

Mas você mesmo disse que sua vida não faz sentido algum, lembra-se?

- Sim, não faz. Não faz a porcaria de sentido ainda mais com você nela! - Estou chingando a quem? Eu mesmo? - Se dane tudo, eu vou ler essa porcaria até o fim.

Procurei pela bagunça que tinha feito no chão e ali a peguei.

Não pude acreditar em tudo que estava escrito do parágrafo diante. Não... Eu sou um mero cidadão da cidade de Nova Iorque, não um...

Assassino? Mort, os seus crimes estão todos detalhados bem aí nessa pasta, se eu fosse você a queimava. Imagine se alguém além de você descobre, está perdido. É a pena de sua miserável vida ou cadeia elétrica, isso sem pensar duas vezes. Você será punido mais cedo ou mais tarde.

- Pra mim já chega. - Rasguei toda a carta e coloquei os pedaços por dentro do seu próprio envelope. - Agora vamos ver, o que falta... Sim, vou queimar isso. - Retirei meu precioso isqueiro do bolso direito e procurei sair de casa no mesmo instante.

Ah, esse maldito tempo de inverno...

Esse inverno rigoroso ainda me matará. Encarei o céu por alguns segundos, em uma árvore eu podia ver que estava sendo julgado pelos olhos de um esquilo. Ele não parava de me encarar, talvez ele saiba a Verdade.

Dê um fim nele então.

- Não, sem essa. Eu não sou um assassino - Meu corpo tremia e meus dentes rangiam cada vez mais, eu estava gelado feito um cadáver, isso porque eu já estava morto por dentro. O vento soprava como mil facas entrando em seu corpo, a segurança pediu para que as pessoas permanecessem em casa até o inverno passar, e até que eu cumpri a regra? Seja por um tempo.

No mesmo local acendi o fogo no envelope, isso morreria comigo, bem aqui. Ninguém pode saber.

Senti alguma coisa parar sob meus pés, dei meia volta e olhei abaixo.

- O que será que temos aqui? - Era o chapéu de John, a primeira coisa que fiz foi encaixa-lo na cabeça, servia perfeitamente.

Por que está usando?

- Eu não sei. Será que foi ele que quis? Por que ele iria querer que eu usasse o chapéu?- Questionei encarando o tempo que parecia mudar.

Talvez ele queira que você...

- Ele queira que eu o quê?

Fique confuso

- Eu já estou confuso bicho-grilo. Bastante confuso. - O envelope parecia não queimar, algo estava errado. Tossi como um velho de noventa anos, minha garganta queimava ardentemente.

Olhe em sua volta.

Nada soa familiar para você?

- Nenhum pouco... Isso não faz sentido. - Disse sem reação alguma, encarando as chamas de fogo que acendiam descolorir mais o céu coberto por nuvens escuras.

Quer ver uma coisa que faz sentido? Fale com o xerife Dave Newsome, peça para que ele venha aqui nesse instante trancar você antes que cause mais estragos.

- Eu não matei ninguém. - Suspirei nervoso e andando de um lado ao outro, eu não sabia o que fazer. Avistei um último olhar entre as chamas que agora pareciam se apagar, estava feito. Ninguém saberia de nada.

Ficarei em casa, é o melhor que posso fazer. Sem contato humano enchendo a cara de whiskey e milho.

Caminho lentamento até a cabana e quando prestes a por a mão na maçaneta, eu ouço uma voz feminina, uma voz que parecia muito familiar.

Assim como a de Amy.

Não olhe para trás, não olhe para trás, Mort. É apenas sua insanidade chamando-o para a loucura novamente.

Foi o que fiz logo adentrando para dentro de casa o telefone toca.

Atendo? Bem, eu não tenho nada de importante para fazer mesmo. Deitei-me no sofá trazendo o fio de telefone em meu ouvido e assim ouvido a voz do outro lado da linha.

- Alô? - Perguntei quem era mas nada foi respondido. - Alô? Quem é? - Ainda sem resposta, o máximo que eu conseguia captar era uma respiração que parecia ofegante.

Trotes, essas crianças não tem o que fazer? Dá próxima vez eu mandarei todas elas para ...

O telefone tocou por mais uma vez. Eu pensei que tinha desligado a eletricidade da casa a um dia atrás.

- Alô! Escuta aqui, pestinha. Se você pensa que pode ... - Peguei o telefone com força e respondi ligação tentando passar o maior argumento possível mas fui cortado pela mesma voz de minutos atrás.

- Você é Mort Rainey? - Se perguntava a pessoa do outro lado da linha, sua voz era rouca e ao mesmo tempo chorosa, o que deixou-me mais aflito.

Ótimo, como se não bastasse eu ser assombrado por minha própria mente, mas agora também tenho que lidar com a assombração de minha falecida esposa. Confesso que estava em choque. Mortos deveriam estar Mortos, não passando medo em Vivos. Meus devaneios estavam indo longe demais, eu deveria me tratar.

Dois dias depois.

O nevoeiro havia diminuído um pouco por hoje. Eu estava super concentrado em escrever qualquer coisa que viesse em mente, quando o xerife Dave bateu até a minha porta. Era sábado, dia da patrulha fazer sua inspeção matinal.

Primeiro ele disse-me que eu estava sendo acusado de quatro delitos, antes era apenas um pelo desaparecimento de minha ex-esposa, e ele jurava que eu era o culpado por trás disso. O segundo foi o caso do meu ajudante e delegado Ken Karsch que estava tentando me ajudar a resolver o caso de Shooter com toda a maldita história de plágio e Tom Greenleaf, ambos corpos foram encontrados perto do rio Tashmore, que não era muito longe de minha cabana, o maior motivo que me levou a acusação foi que "supostamente" o meu relógio de pulso estava pendurado entre o volante da picape, e uma das minhas chaves de fenda foram usadas para matá-los. Como eles sabem que tudo isso me pertence? Bom, eles sabem mais sobre mim do que eu mesmo. Além de terem encontrado uma pasta similar a que eu juro que queimei com as próprias mãos. Talvez existisse uma cópia? Talvez eu nem tivesse queimado? Mas eu não tinha rasgado a carta em si  e deixado somente em pedaços Atualmente eu não me reconheço mais, mas me sinto diferente como se tivesse conseguido tomar o controle de minha própria mente, não deixando a insanidade falar mais alto.

Terceiro delito, é sobre o incêndio na minha antiga casa... Eles vasculharam em tudo quanto é canto, até o meu quintal, meu milharal de ouro, até um última espiga de milho. Tudo completamente destruído. E lá encontraram vestígios de ossos que batiam com o DNA de Ted. A família dele querem que eu morra, aqui mesmo nessa cela, até a velhice me atingir, de preferência que eu seja eletrocutado.

Quarto delito, é engraçado. Janet sumiu, relatos dizem que a última pessoa com quem ela conversou foi comigo, um homem de cabelos loiros que usava óculos. No dia em que fui fazer compras, enfim. E eles jogaram também toda a culpa sobre mim.

E eu diria que foram apenas estas quatro acusações, mas o última notícia que recebi me deixou de queixo caído. Amy. Nenhum vestígio de seu corpo foi encontrado junto ao de Ted, que era o que os policiais mais esperavam encontrar.

Até eu estou surpreendido.

A cela é fria, não mais como eu estou por dentro, talvez não mais de como eu fui "acusado" por esses crimes.

- Está curtindo a nova casa, senhor Rainey? É onde o senhor vai passar a maior parte da vida. - Dizia o polícia com um sorriso estampado no rosto, com um café quente em uma mão e na outra, uma daquelas rosquinhas rosas e suculentas que se vê apenas em filmes. - Não vai nos dizer mesmo onde deixou o corpo da senhorita Amy, certo?

Ele se queixava, eu já tinha ouvido essa pergunta mais de uma vez, apenas hoje. Realmente se eu soubesse eu falaria ou ... Não.

- E o senhor acha mesmo que eu a matei? Minha própria ex? - Me levantei do piso imundo e o respondi pondo as mãos entre a cela, agora estávamos olho a olho, dente por dente.

- Não somente como a matou mas também desapareceu com o corpo. E o de Janet? Roupas dela foram encontradas na sua cabana, a família confirma.

Dei de ombros, eu só queria dar um soco em cheio naquele rosto pálido.

- Ela não faz meu tipo, xerife. . . Eu garanto que o senhor se arrependerá de todas essas acusações. E eu vou sair daqui, e não irá demorar muito. - O respondi voltando a sentar no fundo da cela, para minha sorte decidiram me deixar em cela separada, por ter sido indiciado  com "Esquizofrenia Paranóide ou Indiferenciada" o que eu poderia ser concebido com um tratamento fora daqui em algum hospital psiquiátrico, e ohe lá isso tem suas vantagens. Dizem que portadores dessa doença não costumam ser violentos ao ponto de matar alguém, mesmo tendo seus momentos de agressividades. Acho que por esse motivo ás minhas chances de sair daqui aumentam.

- E agora? Acho que finalmente você conseguiu o seu glorioso "Final da história" - Falava ele deixando o lanche em uma cômoda rústica ao lado e fazendo aspas com a última fala, claramente debochando da minha cara.

- O Fim é apenas um inicio, xerife Dave. Nada disso durará por muito tempo. - Eu não pude deixar de segurar o riso, agora eu estava gargalhando, um ataque de risada que não podia controlar.

Mas ainda assim, eu digo... Que um dos maiores medos de um escritor é o tal do bloqueio criativo. É sentar na frente de uma máquina de escrever e não conseguir gostar de nada do que sai das pontas de seus dedos, ou, o que pode ser ainda pior, não sair exatamente nada.               

E bem, meu nome é Mort. Um mero cidadão da cidade de Nova Iorque, com uma vida perfeita, uma casa dos sonhos e uma linda esposa. Eu sou Mort Rainey. E a morte dela sempre será um mistério... Até mesmo para mim.


Notas Finais


Apenas uma OneShot, quase sem sentido algum, se você reparar, foi muita brisa, confesso.
Obrigada se alguém chegou até aqui, ainda penso em excluir tudo isso aqui e refazer, vai que melhore. Mas é isso... E eu tenho uma conta só pra leitura e criei essa só pra postar mesmo.

Críticas construtivas são todas bem-vindas, mais uma vez eu agradeço & kisses! ♡


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