História Você é uma ilha - Capítulo 19


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Amor, Bangtan Boys, Bts, Coréia Do Sul, Drama, Fanfic, Fanfiction, Jeon Jungkook, J-hope, Jimin, Jin, Jung Hoseok, Jungkook, Kim Namjoon, Kim Seokjin, Kim Taehyung, Kpop, Min Yoongi, Mistério, Park Jimin, Poesia, Rap Monster, Romance, Sexo, Smut, Suga, Suspense
Exibições 16
Palavras 2.506
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Hentai, Mistério, Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 19 - Constante mudança


Fanfic / Fanfiction Você é uma ilha - Capítulo 19 - Constante mudança

(Nota: Por favor não se esqueçam de votar e deixar comentários nos capítulos, é muito importante pra que a fic tenha mais visibilidade e seja mais divulgada, é só um click e me ajuda muito <3)

"O sol é novo a cada dia." -Heráclito

Eu não sou a mesma pessoa que pulava o quarto período para fumar com o namorado atrás da escola.

Nem a garota que vai impulsivamente com um garoto que mal conhece para a praia, muito longe do seu estado.

Não sou mais a garotinha cheia de medo com uma mãe no hospital.

Não sou mais a bagunça de mágoa e raiva da traição do meu pai.

Não sou mais a garota acordada as três da manhã com um cigarro na boca quando o desespero chegava com o pensamento de "o que eu faço agora?".

Não sou mais quem eu era a dois anos atrás.

Não sou mais quem eu era a seis meses.

Não sou mais quem eu era ontem.

Tudo em mim mudou, tudo em todos mudou, tudo em tudo mudou.

Menos a mudança.

A mudança é a única coisa constante na minha vida, ela vai continuar mudando, e mudando, e mudando, e mudando e mudando até o dia da minha morte.

Tendo isso em mente, também preciso reconhecer a mudança nas pessoas a minha volta.

Skie e Elliot estão hoje com 7 anos e vão fazer oito daqui a pouco, eles ainda aprontam muito mas também são pessoas muito talentosas e artísticas, devo ter feito algo certo com esses dois que, felizmente, conseguiram concentrar toda a sua hiperatividade e ansiedade para a arte e os esportes. Não paro de lhes dizer o quanto sou orgulhosa deles e isso só os encoraja.

Louisa esta com 10 e sofreu demais com a morte da nossa mãe, elas eram realmente muito apegadas e próximas e foi difícil e preocupante cuidar de Louisa.

Ela nunca foi uma criança difícil mas sempre senti que era mais infantil do que as demais, ainda sinto isso mas hoje eu consigo ver que é só seu mecanismo de defesa, Lou transforma tudo em arco-íris e doces pra que ela mesma não fique triste.

Anthony foi o mais difícil deles. Antes pensei que seriam os gêmeos, com todo o barulho e a correria mas não, o silêncio de Anthony foi pior.

Quando alguém é tão silencioso e independente é muito difícil saber quando está tranquilo, triste, magoado, com raiva, e etc.

Agora que ele tem 12 anos descobrimos que ele é muito bom de matemática e diz ele que quer estudar muito, sempre ri quando eu digo que ele é uma benção porque sinceramente, eu não sei o que faria se um dos meus irmãos fosse uma pessoa verdadeiramente difícil.

Brooke, eu pensei que ela seria essa pessoa, a difícil, mas ela não é mais.

Agora eu entendo o que se passa com ela, ser a terceira irmã, alguém que não está em nenhum extremo de uma família tão grande, pode ser frustrante. Lidar com a falta de atenção ou reconhecimento, quando se é tão jovem é muito difícil, por isso o tempo todo me esforço pra fazer mais por ela, mesmo que agora com quinze anos, entenda que estou dando o meu máximo. 

Mathilde e eu nunca tivemos uma boa relação e ela piora a cada dia mas atualmente eu já não espero mais nada dela, não consigo, por mais que me esforce, ver o que mudou em sua personalidade desde que tínhamos dez anos e ela sabia como se colocar no topo em todas as situações possíveis então não acho que ela seja alguém interessante. 

E o meu pai, que foi possivelmente a maior mudança da minha vida do ultimo ano e alguns meses. 

Eu o conhecia como alguém incrível, simplesmente perfeito. Ele saia para trabalhar logo de manhã e organizava os maiores eventos, nos apresentava a todos, comparecia a todas as minhas apresentações de colégio, nos levava para ver o jogo que baseball e sempre trazia presentes e fazia surpresas a minha mãe. 

Eu sempre me julguei tão, mas tão abençoada por ter uma família tão perfeita e harmoniosa que escolhi ser egoísta, escolhi me afastar deles e pensei que tudo seguiria seu curso sem mim mas não é assim que as coisas funcionam e a realidade era outra. 

Durante o tempo em que passei visitando minha mãe no hospital eu conversava com uma terapeuta, foi muito bom e me ajudou demais e eu queria muito ter mais tempo para procura-la porque a terapia não é nenhuma piada, é algo realmente necessário e de grande ajuda. 

Nas minhas consultas ela me explicou que o que eu sentia, todo o ódio, revolta e mágoa, eram na verdade constrangimento. Constrangimento porque estava com medo de encarar o que realmente era a minha família e me afastei, constrangimento porque sempre me gabei da família perfeita quando na verdade eu não tinha uma e me ajudou a lidar com ela. 

Na época eu nem mesmo conseguia encarar o meu pai e morávamos na mesma casa, ele saia todas as manhas como se nada estivesse diferente e isso me enchia de ódio, hoje, o ódio acabou. Estou indiferente. 

O que quero dizer com tudo isso é... As pessoas mudam com mais frequência do que se mantem constantes. 

As vezes as mudanças não são visíveis mas sim mudanças nos conceitos, nas entrelinhas, nas crenças. 

As vezes o que muda é o coração e não só o corpo e por isso nos apaixonamos e desapaixonamos e esquecemos e seguimos em frente ou voltamos atrás. 

As vezes alguém muda drasticamente mas não em qualquer quadro que te envolva e por isso você imagina que ela continua a mesma. 

É muito difícil se manter o mesmo e ser constante quando tudo e todos mudam o tempo todo. 

Nem todos que mudam, mudam para o bem, e nem todos os que mudam, mudam para o mal, nem sempre a mudança é tão drástica e extrema assim e isso não quer, de maneira alguma, dizer que ela não é importante. 

É extremamente importante que a mudança venha, para que possamos perdoar e melhorar, o tempo é uma ferramenta que é necessária porque contem a mudança, sem ela, não poderia ser mais dispensável. 

Jungkook me liga no fim da tarde e a voz dele é muito animada, fala tudo depressa e me manda para um café perto do estúdio, eu vou, esse garoto não pode ser ajudado, as vezes penso que é maluco. 

Eu o encontro sentado no fundo com um copo de isopor vazio, o pé martelando o chão com ansiedade e o celular na mão. 

"Me chamou?" -Reviro meus olhos e jogo a mochila no banco ao lado, me sentando de frente pra ele, me esforço para parecer indiferente a presença dele porque se não o fizer provavelmente ele vai perceber o quanto minha barriga está cheia de borboletas e meu rosto quer corar. 

"Chamei!" -Ele abre um sorriso imene me passa o celular, há fotos de um apartamento vazio e eu franzo as sobrancelhas, antes que precise perguntar ele continua- "Finalmente comprei o apartamento! Saiu um pouco do limite do que eu conseguia pagar mas no fim a grana do álbum do casal inteirou. Não é ótimo?"

É ótimo e estou muito feliz por ele, é estranho pensar assim mas é como se realmente estivesse se tornando um adulto agora. 

Ele é mais velho do que eu e enquanto eu estava no colegial ele fazia cursinho, mas esse tempo todo morou com o pai e não precisava se sustentar com o dinheiro das fotografias então trabalhava informalmente, agora com o próprio apartamento e economizando com o dinheiro que consegue das fotos, parece muito mais real, como um adulto com preocupações reais, gosto desse lado, pensei que não gostaria. 

Ainda assim, parece um garoto, mordendo o dedão e esperando minha aprovação. 

"É incrível, já foi ver o imóvel?"

"Claro, e também já conversei com o pessoal da imobiliária e arrumei a papelada, só preciso pintar o imóvel e ai posso fazer a compra de toda a mobília e me mudar de verdade."

"Parece que você pensou em tudo mesmo." -Sorrio para ele e uma garçonete deixa um café na mesa, ele indica que é pra mim e agradeço com um aceno- "Então vai ficar no hotel até quando?"

"Ficar no hotel?" -Jungkook me encara verdadeiramente confuso com seus olhos puxados deixando-o ainda mais fofo e aumentando ainda mais as borboletas no meu estômago. 

"Você por acaso deu check out assim que comprou o apartamento e se esqueceu de ainda não tem nada lá?" -Começo a rir, não posso evitar, ele parece tão fofo e tem o rosto de quem acabou de se dar conta de que fez algo tosco. 

"Sim..."-Ele sussurra, baixinho. 

"Como é?" -Eu ouvi, mas quero vê-lo falar em voz alta. 

"É eu esqueci esta bem? Esqueci!" 

Balanço a cabeça e rio ainda mais, jogando a cabeça pra trás, esquecendo completamente do meu café. 

"Ai ai... Esquece, você pode ficar na minha casa até conseguir se mudar."

"Ah obrigado." -Os ombros dele caem quando liberam a tensão e ele sorri pra mim, se curvando pra me agradecer. 

Desde que nos conhecemos já estou acostumada com esse tipo de coisa, convivemos tanto que eu mesma tenho algumas manias dele, como dizer apenas "oh" como sim, me curvar e dizer "Ya!" para as crianças quando fazem algo errado... Tudo culpa desse garoto coreano, aish

Já está escuro quando saímos e eu o acompanho até o hotel, ele pega suas coisas dentro do prazo de check out e vamos pra casa em silêncio. 

Não pensei muito nisso quando ofereci mas agora estou ligeiramente nervosa, hoje é sábado e nenhuma das crianças está em casa, de repente começo a me perguntar em que estágio estou com Jungkook. 

Por algum motivo não consigo seguir em frente com Jeon Jeongguk, ainda estou preza a pessoa que ele era, ou que pelo menos achei que fosse. Tenho medo dele me dar as costas do dia para a noite e subir em sua moto, me deixando para ser uma ilha sozinha. 

Ele está abrindo um pequeno caminho no mar e é paciente o bastante para ver a terra subir sem desistir, por mais que demore, o que farei quando ele finalmente conseguir colar a minha ilha ao seu continente? Como ficaremos? Como ficarei?

E agora ele ficará na minha casa e se as coisas ficarem estranhas? E se ele se aproximar demais? E se não se aproximar? E se não me quiser de maneira alguma ou se...

Não tenho tempo para me preocupar, ele solta o ar pesadamente e quando o encaro esta com os olhos arregalados, parecendo chocado. 

Olho para a fachada da casa, há uma garota sentada na estada da frente. 

Jungkook desce antes que o carro pare de se mover completamente quando estaciono. 

"O que está fazendo aqui?"

Salto para fora, vejo os dois discutindo e me sinto uma intrusa, não sei o que devo fazer mas ela está na frente da minha casa então não posso só ignorar. 

"Eu fugi." 

"VOCÊ O QUE?" 

Eles começam a discutir em outra língua, provavelmente coreano, é ai que me dou conta de que é a irma dele. 

Não consegui olhar muito para ela na noite de baile mas do pouco que eu me lembro está muito diferente. O cabelo cortado curto, está mais alta e com o quadril mais largo. 

Fico em silêncio, queria entender a conversa mas já que não consigo me concentro em interpretar os gestos. 

Jungkook parece mais irritado do que nunca, está com o rosto vermelho e os olhos arregalados mas de alguma maneira sei que está preocupado, sei porque conheço a sensação de amar tanto alguém que machuca vê-la sendo imprudente. 

Ela começa a chorar, chora e bate no peito dele e aponta para mim e para a casa e pra si mesma, junta as mãos como se fosse rezar e se curva para ele várias vezes, eu não sei o que está acontecendo mas acho que está se desculpando. 

A gritaria acaba e o garoto que faz meus dias mais fáceis está com o lábio e as mãos tremendo. 

"Me promete que vai mudar?" -Ela fica em silêncio- "Me prometa!"

Ela grita em coreano, então respira fundo e o encara com os olhos marejados. 

"Eu vou te mostrar que posso ser melhor, eu prometo, eu vou me esforçar."

Eles ficam em silêncio, ofegantes, eu chuto uma pedrinha de asfalto e enfio as mãos nos bolsos, desconfortável. 

"Alguém quer pizza?"

Uma hora depois estamos sentados a mesa, desconfortavelmente quietos, mexendo com desinteresse os talheres pelo prato cheio de olho e azeite. 

"Teresa?" -O sotaque dela é um pouco mais forte que o de Jungkook, mas é fofo, ela está sentada de frente pra mim. 

"Pode me chamar de Tessa, Ji Yeon" -Ela sorri e concorda com a cabeça. 

"Me desculpe por aparecer assim tão de repente, você não deve ter entendido nada e deve estar confusa... Acho que... Acho que se o meu irmão quisesse que soubesse sobre mim ele teria te contado então vou deixar que ele explique, se quiser, tudo o que aconteceu. Em poucas palavras eu fiz algo que decepcionou muito o meu irmão e agora preciso me esforçar pra que ele veja que eu mudei, quero que ele saiba que estou madura agora, e você também, é claro."

"Sei como é, está tudo bem. Eu vou subir, tomar banho e deixar vocês conversarem. Eu volto mais tarde tudo bem?"

Ambos concordam com a cabeça, Jungkook não tirou os olhos do saleiro desde que ela começou a falar. 

Me levanto e faço o que disse que faria, por mais que esteja curiosa, sei que eles precisam de algum tempo como irmãos e só volto no fim da noite, para ajudar Jungkook com seu lugar no sofá e levar Ji-Yeon para o quarto de Brooke.

Quando me deito na minha cama enorme e fria, fico me perguntando o que será que conversaram e o que pode ter mudado entre as lágrimas, gritos e dez minutos de conversa, mas acima disso, se foi bom. 

Espero que qualquer que seja a mudança acontecendo entre os dois, seja boa e que todas as que vierem daqui pra frente, que me envolvam ou não, também sejam. 

As vezes me esqueço disso mas Jungkook também já teve sua cota de acontecimentos ruins e assim como eu não pode mais lidar com nada dando errado outra vez. 

Por isso espero que mude e pra melhor. 

Porque ligo demais para esse garoto, ligo tanto que não importa quantas vezes eu revire os olhos e ria de sua cara, eu vou continuar aparecendo quando ele me chamar. 

E como qualquer pessoa que tenha a habilidade de se importar, quero que constante de mudanças continue positiva. 

Mesmo sabendo que nem todas serão boas, se a maioria for, estarei contente. 

Porque essa é a minha unica certeza, que a unica coisa constante, de agora e para sempre, é a mudança. 

Então que seja boa.



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