História Você Já Foi à Paris? - Capítulo 7


Escrita por: ~

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Categorias Julian Draxler
Personagens Julian Draxler, Personagens Originais
Tags Futebol!, Jornalismo, Julian Draxler, Paris, Psg
Visualizações 95
Palavras 3.007
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


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Capítulo 7 - Querido Diário - Parte IX


Fanfic / Fanfiction Você Já Foi à Paris? - Capítulo 7 - Querido Diário - Parte IX

Eu acordei arrasada tanto psicologicamente quanto fisicamente. Me levantei e fiquei com medo da meu reflexo no espelho; tudo bem acordar descabelada e com a cara amassada, mas eu tava parecendo o próprio capeta com olheiras, os olhos vermelhos e a sensação que eu nunca mais conseguiria pentear meu cabelo outra vez. Como acordei cedo não precisei me arrumar às pressas. Raquel já estava fazendo o café da manhã, eu teria que ir à droga do CT: haveria treino regenerativo e trabalho no gramado para os jogadores que não jogaram o jogo da classificação. Eu não queria ir, não só por causa do Julian, mas também por que eu preciso colocar uma roupa descente, preciso estar apresentável e eu francamente não estava a fim, meu estado psicológico abalado impedia que eu tivesse vontade de interagir com as pessoas, mas eu não tenho vida de princesa e não posso deixar uma noite ruim atrapalhar o meu trabalho.

     -Você está horrível. - Raquel pôs uma xícara de café em minha frente.  

     -Bom dia para você também.

     -Se você estiver com muita ressaca eu posso ir no seu lugar, hoje tem coletiva e precisamos conseguir uma entrevista. - Ela se sentou de frente para mim. É eu sei, ela duvida que eu seja capaz de conseguir uma entrevista.

     -Te devo essa. - Eu forcei um sorriso e me levantei sem tocar no café. Raquel estava me enchendo o saco, ela não é tão legal quanto aparenta.

Voltei para o meu quarto, e me deitei outra vez na cama. Eu estava de ressaca sim, ressaca de ser feito de boba, de mim e das minhas decisões tolas e principalmente dos meus sentimentos que estavam bagunçados.

Eu não vi Raquel sair aquela manhã, quando dei por fé  o apartamento estava vazio. Esquentei um pouco de leite, sentei em frente à TV e zapeei pelos canais. Tudo em francês eu não estava com paciência para esse tentar entender os programas ou apenas ver as imagens sem dar bola para o que falavam. Desliguei e observei a tela escura. Passei boa parte da manhã aproveitando o sol vindo da janela do meu quarto.

Eu queria contar para alguém minhas desilusões peguei o celular, como destinatária minha amiga de infância, digitei um texto gigante falando sobre um colega de trabalho e a presepada em que eu havia me metido. Deixei em entrelinhas que o meu tal colega era um jogador isso não era importante, eu só queria mesmo desabafar sobre o ocorrido. Esperei alguns minutos olhando para o teto e eu fui respondida com outro textão. Entre aquelas palavras de apoio, tentativas de me fazer sentir melhor e levantar minha auto-estima eu me lembro que havia algo sobre eu mostrar para ele o que ele perdeu me fazendo de boba, falando para eu ir trabalhar tão linda quanto eu poderia e não dar atenção a ele. Parecia até um bom plano, não para causar com o Julian, mas sim para eu me sentir bem. Se sentir bonita ajuda muito e talvez eu me arrume mais mesmo. Querido diário eu aprendi na minha vida que não existe baixo astral por causa de homem, não se você passar um batom e se sentir bem na frente do espelho. Eu já tive alguns lances com alguns caras, já me senti muito para baixo e então minhas amigas iam até a minha casa, depois de uma máscara facial e as unhas feitas não existia coração partido. Dizem que amor próprio é ótimo para curar uma bad, que melhor prova de amor a si mesmo se não ficar bonita? Mas é bem mais fácil tudo isso quando suas amigas estão perto de você, aqui na França, sozinha essa ideia não me deu o ânimo que eu esperava. Eu queria mesmo era um abraço.

Em meio ao texto de autoajuda havia também indagações sobre como eu consegui um francês e não contei nada? E como é que eu vou contar que o motivo dos meus problemas de cabeça na França é um alemão? Passei o dia no quarto, o apartamento estava limpo, não tinha nada para fazer, nada para eu me entreter, ninguém com quem bater um papo interessante e sem ânimo para continuar respirando. Nesse marasmo e no meio de choramingos eu peguei no sono outra vez.

Acordei de novo sem saber onde eu estava, que horas eram. A soneca foi monstra e a fome que ela me causou também. Chequei meu celular antes de ir para a cozinha comer alguma coisa e quem sabe antes de comer algo escovar os dentes já que eu estava com um gosto ruim na boca, havia mensagens da minha mãe e uma de um número que não estava salvo na minha agenda.

 

“Você está bem? Não te vi no campo hoje. Adorei sua companhia ontem.”

 

Olha diário, talvez eu ficasse feliz com a mensagem, em outro dia, antes de ontem a noite. Talvez eu ficasse mega feliz em saber que ele se lembrou de mim e que a minha espera por passar horas conversando com ele por mensagens havia acabado, mas hoje eu não queria nem ter dado o meu número a ele. Eu não acreditei na cara de pau dele: depois de beijar mil bocas, inclusive a minha, me fazer de otária na balada, ele me manda uma mensagem assim, se fazendo de preocupado? Qual o problema dele, na verdade qual é o meu? Eu fiquei super indignada e aquela sensação de ter sido usada só aumentou e então eu me lembrei que eu não tenho nada com o Julian e que o que aconteceu é considerado normal, só mais uma noite de balada, só mais uma farra que ele pode por a culpa na bebida. Porém, contudo, todavia, entretanto ele pode até perguntar se eu estou bem e porque eu não fui ao CT hoje, talvez ele ache que eu tenha dado PT ou que eu tenha sumido e tudo mais, só que eu não sou obrigada a responder nada. Mensagem ignorada com sucesso. Tomei um banho, depois de muito custo penteei meu cabelo e fiz uma trança. Como eu estava entediada resolvi fazer um bolo, que por sinal ficou muito bom. Eu cozinho bem quando eu estou com raiva, deve ser um dom.

No dia seguinte eu não tive como escapar de ir para o centro de treinamento, a semana seria cheia muita coisa para adicionar ao site. Então depois de me levantar e ficar sentada na cama olhando para o nada por um tempão eu decidi seguir o conselho da minha amiga, aquela mensagem do Julian foi uma motivação, porque agora eu sei qual é  a dele e o quão canalha ele é. É isso aí eu iria linda e iria ignorá-lo o máximo possível. Eu tô muito longe de casa pra ficar depressiva por causa de uma fantasia amorosa ridícula. Vesti uma camiseta e uma calça jeans, meu tênis branquíssimo. Passei gloss, máscara de cílios e tive a paciência de definir cachinho por cachinho. Eu me senti bonita, mesmo estando simples. Eu não poderia chegar lá de salto e tudo mais se não seria uma mudança brusca porque eu nunca ia tão bem arrumada, deveria ser uma mudança sutil: Um pouco de cada vez: hoje vai ser um decote discreto, um brilho em meus lábios e meu cabelo perfeito. Peguei o táxi depois de tomar café. Eu estava perfeitamente adiantada; pra essa arrumação acordei bem mais cedo. Fui direto para o gramado, os jogadores nem haviam chegado ainda. Fiquei perto do corredor de acesso como quem não quer nada, mas na verdade eu queria sim: mostrar ao Julian que ele estava sendo ignorado.

Parece coisa de quinta série, mas vai ser uma massagem no meu ego ferido. Quando os jogadores começaram a vir em direção ao campo reparei que ele e o francês Adrien Robiot estavam absortos em uma conversa, seria perfeito. Andei na direção deles fingindo ler algo muito importante em meu caderno e esbarrei propositalmente no francês que me segurou delicadamente pelos ombros.

      - “Desculpa.” - Eu usei meu tom de menina tímida.

       - “Sem problemas.” - Adrien me soltou e sorriu. – “Gostei do seu cabelo.”

       - “Oi Isa.” - tudo o que eu queria ouvir, só pra eu ignorar. A sinfonia do destino tocou ao meu favor.

       - “Obrigado.” - Eu sorri para o francês e olhei em seus olhos azuis, fingindo que o alemão nem estava ali. Depois segui o meu caminho tranquilamente. Eu pude reparar Julian franzir a testa e falar alguma coisa com seu amigo. Sabe diário eu até que gostei. Eu sei que você deve ter achado bem infantil minha atitude, mas às vezes as pessoas pedem por isso.

O meu projeto ser linda e ignorá-lo deu certo por uma semana. Ele passava me cumprimentava eu apenas o encarava sem abrir a boca para responder, ele se aproximava e eu saia. E eu tenho certeza que ele reparou nisso tudo. À noite eu checava meu celular e havia mensagens dele com vários pontos de interrogação. Sabe qual é a dos garotos feito o Julian? É que eles gostam de brincar, mas nunca serem os brinquedos, principalmente ser o brinquedo rejeitado. Eu sei que eu não era a única da lista dele, mas se ele ainda não desistiu de falar comigo quer dizer que eu tenho o incomodado.

Olha diário a gente passa a vida sonhando com um príncipe, eis que de repente você  encontra um. É atração à primeira vista porque ele parece se encaixar em cada um dos seus sonhos. Mas ninguém é tão perfeito que seja capaz de corresponder a todas as suas expectativas de uma só vez e aparentemente foi isso que aconteceu, foi só uma ilusão, um verdadeiro conto de copa do mundo em que você deposita muita expectativa onde não deveria existir nenhuma. Eu já estava começando a aceitar isso, mas eu não tenho controle sobre tudo o que acontece nem sobre minhas esperanças ridículas. Então eu preciso te contar como eu caí na realidade. Literalmente.

 Raquel havia ido gravar uma matéria no CT, eu estava farta dela, no começo ela parecia ser uma pessoa bem diferente do que ela é agora. Ela é um pé no saco em tempo integral. Eu praticamente implorei para ficar em casa com a desculpa que eu iria faxinar a cozinha de cima a baixo e ela me deixou. Eu gosto de limpar as coisas é desestressante para mim. Liguei o radio de Raquel na cozinha com o meu pen drive na pasta de sucessos dos anos 2000 a 2009. De funk, pagode antigo à summer eletrohits e músicas internacionais. A cada música uma boa lembrança de dias que pareciam infinitos em frente à TV dançando e se sentindo nos clipes musicais com as amigas durante os programas da MIXTV que naqueles anos tinha uma programação musical excelente. Ouvindo aquelas músicas eu nem me importei de subir em uma escada perigosamente bamba que eu achei na área de serviços e me equilibrar para limpar em cima dos armários e os azulejos das paredes. Estava tudo muito legal, recordar e cantar junto, chorar escutando Chris Brown - With you. E então eu soube que eu estava precisando realmente de um abraço.

Até que aquela música começou, e eu não me segurei precisava ligar para uma das minhas amigas só para falar da nossa adolescência e infância quando a gente achava que a vida no ensino médio iria funcionar como em High School Musical. Eu estava em um dos últimos degraus da escada, de costa para ela limpando o armário, Sabe diário se um dia você fizer uma faxina você vai entender que às vezes temos que ser contorcionistas e contar com um equilíbrio danado para limpar todos os lugares. Me virei devagar até chegar a posição ideal para descer, ela estava chacoalhando e rangendo. Já teve a impressão de estar sendo observada? Olhei para a porta da cozinha automaticamente apenas para conferir e tomei um baita susto, meu coração parou, fiz um movimento errado e levei um baita tombo com a escada e tudo. Eu me esborrachei.

 

Fall... Sometimes I fall so fast
When I hit that bottom
Crash, you're all I have
(...)

 

Sim eu caio rápido e ao som de Ashlee Simpsons - Pieces of me . E agora eu sei que o chão de Paris é frio e causa dor se você cair nele. Cai no Chão e no chão eu fiquei tentando me lembrar de como se levanta e estabelecendo mentalmente um mapa da dor. Só por nossa senhora Aparecida mesmo. Não sei se isso é jeito de chegar à casa de alguém. Eu não escutei a porta da sala abrir, culpa do som alto e muito menos eu iria esperar essa visita agora. Custava me chamar?

      - “Você está bem?” – Julian rapidamente se ajoelhou ao meu lado e estendeu a mão.

      - Me leva Jesus. Eu quero morrer! - Eu choraminguei ignorando o cara que acaba de me oferecer uma força. Levei minha mão até minhas costas e bunda ia ficar um hematoma maneiro, tava tudo dolorido.

Tentei me levantar, essa foi uma daqueles quedas que parece que tira até o ar da gente. Meu ombro estava doendo também. Me sentei no chão e encarei Raquel que se aproximou  de mim.

      -Meu Deus menina, quer me matar de susto, machucou? - Ela me observou estatelada no chão, levantou a escada e foi em direção à geladeira. Eu morar com essa mulher e um pedaço de madeira é a mesma coisa. Ela levantou a escada e não me ofereceu nem a mão.

       - “Você precisa de um médico?” - Draxler pareceu preocupado. – “Desculpa não quis mesmo assustar você.” - Ele me ofereceu outra vez a mão.

       - “Preciso que você cale a boca. Eu tô ótima, nunca estive tão bem.” - Eu recusei sua mão outra vez e me apoiei no armário para me levantar.

Eu iria ficar dolorida por dias, mas o que é uma queda de uma escada pra quem já está acostumada com os tombos da vida? Fui até o rádio e o desliguei.

     - O que ele está fazendo aqui? - Raquel se aproximou com algumas pedras de gelo em um saco plástico.

     -Disse que precisava falar com você. - Você está inteira, ótimo. Estou muito cansada para levar alguém ao hospital. - ela me avaliou e me entregou o saquinho com gelo. – “Quer alguma coisa, Julian?”

    - “Não obrigado”. – Ele cruzou os braços e me fitou por um longo instante.

     -Vou deixar vocês conversarem e depois você me conta o que está acontecendo. - Ela meneou a cabeça em direção ao alemão e saiu da cozinha.

Eu coloquei o saquinho de gelo em meu ombro, sabe aquela vontade de chorar ou de sair gritando era isso que eu senti, não sei se foi porque eu cai e estava sentindo dor, ou se era por que nem o meu cabelo eu havia penteado naquele dia, se era de raiva do Julian ou se era porque ele estava na minha frente, na minha casa sem eu saber o porque.

     - “Você está mesmo bem?” - Ele veio em minha direção. – “Posso te ajudar?

     - “Não obrigado e sim eu estou bem. Nem doeu.” - Eu dei de ombros e gemi ao sentar na cadeira.

      - “Posso ver?” - Ele se aproximou e tirou minha mão com a saquinho de gelo do meu ombro. – “Vai ficar um hematoma feio aqui.” - Eu olhei para o outro lado esperando uma novidade. – “Você tem alguma pomada anti inflamatória? Ajuda a passar a dor.” - Eu simplesmente neguei com a cabeça.

      - “O que você está fazendo aqui?”

      - “Você não tem falado comigo e me evitado e eu não sei bem o porque…”

       - “Jura que você não sabe?” - Eu tirei as mãos dele do meu ombro. - É muito babaca mesmo viu. Da licença. - Eu tentei me levantar rapidamente e ficou claro que eu vou pagar caro por essa queda.

        - “Escuta Isa, se foi por causa Do que aconteceu na balada… Do nosso beijo..”

        - “Não foi por causa do nosso beijo, foi por tudo o que aconteceu. Eu não tenho costume de beijar alguém e assistir essa pessoa beijar várias bocas depois da minha em uma noite e achar normal.” - Ele arregalou os olhos e me encarou com a boca semiaberta já preparado para jogar na defensiva. Típico. – “Eu não esperava que você fosse esse tipo de cara.” – Na verdade eu esperava sim, mas às vezes a gente tem que se fazer de boba.

         - “Isa…”

         - “Meu nome é Isabel.”

         - “Desculpa não quis ser um idiota com você.” - Eu apenas esperei já me preparando para a desculpa da bebida. – “Eu estava bêbado.” - Eu disse.

          - “Eu também, não deveria nem ter deixado você me beijar, parece que o que a gente faz bêbado causa um enorme arrependimento depois.” - Eu sei que eu menti sobre estar bêbada, mas ele mereceu.

         - “Uau. Eu acho que eu mereci essa.”

        -Some da minha frente.

        - “Me desculpa, eu fui idiota e ainda fiz você cair de uma escada. Você tem todo direito de ficar brava comigo, mas eu gosto de conversar com você e eu não queria que você ficasse com raiva de mim.”

E foi ai que eu percebi que para ele não fazia diferença ou não ter me beijado ele só não queria que eu não me afastasse. Doeu viver de fantasia esse tempo todo e agora abrir os olhos. Tive que despencar de uma escada para cair na real.

        -Tá bom então. - Eu abri um sorriso irônico.

        - “Podemos ser amigos?”

        - “Eu realmente não tô afim, mas claro.” - Eu sorri sem mostrar os dentes e fui direção ao meu quarto.

        - “O que eu posso fazer para você se sentir melhor?” – Ele ainda me observava e matinha um olhar arrependido de pura falsidade.

Fingir que morreu seria ótimo.

Querido diário, nesse tempo todo eu nunca quis tanto a minha casa como naquele momento.

 


Notas Finais


Até o proximo
a musica é essa aqui ó
https://www.youtube.com/watch?v=WJCsyLUCSXI


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