História Você Me Completa - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Pretty Little Liars
Personagens Alison DiLaurentis, Aria Montgomery, Bethany Young, Caleb Rivers, Cece Drake, Emily Fields, Ezra Fitzgerald, Hanna Marin, Isabel Randall Marin, Jenna Marshall, Kate Randall, Mike Montgomery, Mona Vardewaal, Noel Kahn, Personagens Originais, Sara Harvey, Spencer Hastings, Toby Cavanaugh, Tom Marin, Wren Kingston
Tags Caleb, Haleb, Hanna, Pll
Visualizações 26
Palavras 3.459
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Obrigada quem comentou!!
Espero que gostem! <3

Capítulo 6 - Protegê-la


[Caleb]

Eu espero que você esteja muito orgulhoso, garoto! — Victor.

Vá se danar, Victor, eu não tenho que te dar explicação nenhuma, porcaria! — Caleb.

Adicionei alguns emotions raivosos ao texto e enviei. Haviam postado um vídeo do pequeno confronto há cerca de uma hora e a proporção do assunto só vinha aumentando gradativamente. O que fez com que Victor me especulasse e como eu ainda estava sob o estado de ira eu achei melhor não atender as suas ligações, eu queria mesmo gritar com mais alguém além do ‘pobre’ garoto que havia tido a audácia de tocar em Hanna, no meu anjo. Porém o mais viável era tentar manter a calma enquanto esperava do lado de fora da sala do gestor da Rosewood High. Ele era a pessoa que me ajudaria a dar um fim naquilo, portanto eu devia estar centrado. Comecei a estralar os dedos distraidamente a fim de espantar os vestígios de raiva ainda correndo em minhas veias.

Lembrei com prazer cada detalhe daquele afrontoso fite. Esboçando um sorrisinho de lado.

Eu havia acabado de passar numa loja de aparelhos de academia e encomendado algumas. E estranhamente alguma coisa me fez escolher o outro caminho para casa, o que me fazia passar na frente da escola onde Hanna estudava. Balançando a cabeça no ritmo da música que tocava na rádio e cantarolando, vi de relance uma agitação no pátio exterior, resolvi passar mais próximo da calçada e poder acompanhar de perto o que de fato estava acontecendo, parando de curtir a música que antes me descontraia. Quase bati o carro numas latas de lixo prateadas que haviam mais a frente ao perceber de quem se tratava, quem parecia estar com problemas, parei qualquer reação por segundos precisos e soltei o ar que havia reprimido. Sem pensar, abri e fechei a porta do carro ruidosamente, marchei pesadamente e andei em passos largos a liberando do garoto, socando a sua cara perfeitinha demais para o meu gosto, que o fez cair.       

— Se você encostar nela de novo considere-se a merda de um imbecil morto! — eu gritei com toda força que eu tinha, respirei exageradamente. O metidinho a valentão se levantou meio cambaleante e começando a nos confrontar fisicamente. Depois ele voltou a cair.

Uns garotos se aproximaram de nós e eu disse em tom de deboche:

— Três contra um? Não me parece justo não é? Eu não me metia nessa se fosse vocês. — eu alertei num tom ‘brincalhão’, mas que não deixava de ser verdadeiro. Eu podia fazer com eles sumissem. Ambos fecharam a cara e se afastaram, porém se manteram por perto. Ótimo. Senti uma dor aguda em meu estomago quando o idiota me acertou em cheio enquanto eu convencia seus amigos a ficarem de fora. Mas não fui ao chão.

O tal Noel riu.

— É o melhor que pode fazer, cara? — me recompus enquanto fazíamos algo como uma dança de capoeira, muito popular no Brasil.

Ele ficou bravinho e com um grunhido avançou para cima de mim de novo. Que me esquivei dando um grande passo para o lado e ele atingir o ar, quase dando com a fuça no chão duro. O que não seria uma má ideia. Sorri com orgulho de ainda lembrar as técnicas nos meus tempos de colegial. Já que era necessário sair na porrada com os valentões que insistiam importunar Mike, meu melhor amigo na época e a mim. Eu não tinha outra alternativa. Era outra escola, porém sempre existiu esses sem noção em todo lugar.  

As pessoas ao nosso redor não estavam dispostas a parar o conflito, se deliciando com o espetáculo. Mesmo que se fizessem isso, não íamos parar. Umas estavam espantadas ainda, talvez me reconhecendo.  

— Você parece ser um metido a valentão que gosta de ameaçar meninas indefesas, quero ver se sair dessa idiota.

— Quer dizer que a Hanna Baleia tem um protetor agora? Ela fez alguma lavagem cerebral ou algo assim amigo? — ele riu saindo ora suor ora sangue da boca. A queimação fazendo com que eu apertasse minhas mãos me punhos. Odiando a forma como se referiu a Hanna.

— Eu. Não. Sou. Seu. Amigo. — eu disse entre dentes, meus olhos cintilando de ira. — Mas você é um cara morto!

Ele sorriu não parecendo se abalar nenhum pouco com o que havia escutado, parado, mas com as mãos em frente a si, esperando um ataque ou fazê-lo ele mesmo.  

— Muito bem, mauricinho, já que quer brigar, vamos! Você verá quem é o idiota aqui.

O adjetivo me fez rir sombriamente.

— Noel, você está maluco? Esse é Caleb Rivers! — uma garota baixinha de olhos verdes grandes falou exasperada se metendo no meio, soou como se fosse um pecado mortal estar a atacar um pop-star. O que não era de fato algo inteligente a se fazer de qualquer maneira. Não raciocinava direito, eu apenas queria que aquele babaca pagasse muito caro por tratar Hanna daquela forma e não importava a minha reputação, se famoso ou não.

— Eu estou pouco me lixando para quem é esse filho da mãe, Katie! — cuspiu Noel limpando o canto da boca com o polegar e me encarando com um olhar frio e com pingo de diversão. O que me causou mais ira ainda. A sensação servindo de combustível para o momento.  A menina arregalou os olhos com o tom dele.

E eu tampouco ligava quem era aquele imbecil. Minhas mãos pinicaram querendo entrar em ação novamente e deixar os estragos. Peguei a pequena garota que estava alia extremamente nervoso e a tirei dali, arrastando-a gentilmente para o lado. O que fez com que me distraísse e Noel atingisse minhas costas, me fazendo cair de joelhos no gramado e mais algumas meninas arfaram perto. Levantei com o corpo tremulo pronto para mais uma soltando um grunhido. Meu corpo podia estar irradiando fogo. Tipo o Goku.

Quando íamos nos confrontar fisicamente mais uma vez escutei um grito esganiçado o que me fez virar o rosto e encarar a cena que me deixou mais nervoso ainda. Como pude me esquecer dela?  Perguntei para mim mesmo me sentindo péssimo. Um péssimo amigo.

Estava tão cego de raiva que não pensara duas vezes antes de quebrar a cara daquele filho da mãe que não tinha noção da palavra perigo. Num passo rápido chutei no ar com minha perna direita e fiz o tal moleque cair de costas no gramado, ouvindo um gemido de dor e corri para onde Hanna estava nos braços de um garoto branco de cabelos negros e uma garota de madeixas laranjas e franja, parecendo ser de outro país.  

— Hanna. — eu a chamei com um tom desesperado me agachando e tocando seu rosto frio demais, sem o habitual rosa bebê nas bochechas cheias.  

— O que está acontecendo aqui?! — meus ouvidos captaram ao longe um voz grave num que exigia ordem e ao mesmo tempo respostas. Mas não liguei muito, estava concentrado no rosto pálido e inconsciente da garota perto a mim.

Ouvi gritinhos e correria e vi que todos os alunos que estavam ali passaram correndo de imediato por todos os lados ao som da voz do que parecia ser o diretor. Para não serem ‘interrogados’. Vi Noel sendo aparado por uma garota mediana parecendo bem interessada em seus machucados e caminhavam junto com um bando de outras pessoas. Ele não iria escapar. Não mesmo.

Senti-me tentado em ir até lá e nocauteá-lo de novo, para não sair dali, mas Hanna era o que mais importava naquele momento.

— Me ajude a coloca-la no meu carro. — ordenei voltando ao garoto que me olhava cético, ele a segurava com muita intimidade o que me fez pensar que fossem amigos. Pude ver a marca dos dedos ainda avermelhados no braço dela, comprimi os lábios com raiva.

— E-eu er... hum...  Okay.

Com um pouco de dificuldade a comportamos no banco de trás do carro, as dores no meu corpo e no meu rosto ameaçando latejar e arder, pigarreei e olhei para o menino e a menina asiática que se juntou a nós. Encarei de soslaio o gestor caminhar até nós acompanhado de mais duas pessoas adultas, talvez professores.

— Eu vou indo, Lucas, pode me informar se Hanna estiver bem depois? — perguntou a menina com a mochila de cor animada de Hanna.

— Claro, Kim. Obrigado. — pegou a mochila da loira e se despediram. Quando se virou para mim acenou minimamente e eu assenti sorrindo um pouco. Voltei meu olhar para a loira.

O gestor chegou até nós nos fazendo milhares de perguntas e vendo meu estado chegara a conclusão de que eu estava metido na encrenca e fui intimado a conversa, antes eu fui logo adiantando o ocorrido com Lucas como testemunha. Estava um pouco incomodado com o fato de ter uma Hanna desacordada no meu carro precisando de atenção médica, o que foi minha válvula de escape para poder cuidar dela.

Dirigi o mais rápido possível para sua casa, com Lucas ao meu lado no celular numa ligação com a tal doutora Sullivan, que parecia ser a que atendia toda família. Aquilo pareceu uma eternidade, mas foi questão de minutos. Aquela bagunça toda.

Mas eu faria tudo para que ela ficasse bem, um lado meu que não sabia que sequer existia apitava de uma forma assustadora. O sentimento de proteção, de que mataria alguém caso fizesse mal à ela e ainda assim não seria o bastante.

E tal garoto? Ele iria pagar caro.

.

— Pode entrar. — escutei dizerem do outro lado do cômodo e soaí do devaneio, me apressei em ir até lá e entrei sem delongas.

O homem um pouco calvo me encarou sob seus óculos e ergueu as sobrancelhas.

— Você de novo por aqui, sr. Rivers. — disse num tom irônico, que não gostei tampouco. Sentei numa cadeira vaga sem esperar convite algum. Fique calmo, Caleb.

— Exato. Quero ver de perto as medidas que o sr. — li o nome da plaquinha sobre sua mesa de madeira — Clarke irá tomar.

— Acho que isso diz respeito somente a mim e ao responsável da senhorita Marin, não acha? — disse retoricamente entrelaçando os dedos depois de deixar uns papeis a sua frente. Encarou-me de maneira dura.   

Enruguei a testa diante do sobrenome, totalmente confuso. Não deveria ser ‘Wilson’? Porém depois me recompus semicerrando os olhos para o homem. Eu queria ser uma pessoa mais calma, mas as pessoas não cooperavam comigo. Assim ficava difícil. Hanna não estava lá para fazer sua mágica e me tranquilizar com sua doçura. Ruim para o diretor, ele teria que aguentar meus surtos. Ela estava de cama por culpa de um imbecil sem juízo e sem noção.

— O que eu acho? — pendi minha cabeça para o lado soltando um riso irônico e voltando dizer: — Eu acho que se o senhor não tomar decisões que fará com que aquele moleque ainda estude na mesma escola que Hanna, eu mesmo tratarei disso. — eu tentei manter minha voz o mais passiva ao meu alcance, mas vendo a face do gestor ficar vermelha, percebi que não tinha conseguido passar uma frente sensata.

— Quem você pensa que é para falar nesse tom rapaz? — alterou sua voz.

— Ora, ao ver pela sua idade eu não chegaria a uma conclusão tão rápido. Eu sou Caleb Rivers. — sorri novamente, estranhamente pensando no sorriso acalentador de Hanna e percebendo que não iria conseguir nada se não parasse de agir feito um louco clamando por justiça.

— Eu peço que se retire agora, ou serei obrigado a chamar os seguranças! — ele estava extremamente nervoso e bravo com meu comportamento.   

— Seguranças esses que nem mesmo estavam vigiando quando uma garota quase foi agredida? Em pleno pátio da sua escola? — acusei sem pensar. — olha aqui sr. Clarke, eu apenas quero que alguma atitude seja feita, ninguém deveria passar por isso, fazer essas coisas e sair impune! — a última parte soou tão desesperada que o gestor talvez não tivesse esperado, transformando a expressão séria numa compreensiva.

Ele respirou fundo assim como eu, para recobrar a sanidade. 

— Por favor, rapaz, vá embora. — ele disse. — ou eu terei que puni-lo também.

Eu bufei rindo ironicamente.

Levantei-me disposto a não mais discutir, frustrado por não ter conseguido tirar nada dele que pudesse me tranquilizar e ficar aliviado por Hanna não correr nenhum perigo quando estivesse naquele local novamente. Mas eu estava certamente certo de que se ele não movesse um misero dedo, eu faria algo. Não ficaria assim, não mesmo.

— Eu não me dou por vencido pode ter certeza disso. — eu assegurei um tanto exasperado com as mãos em punho no ar a minha frente caminhando em direção a porta da sala e antes que eu saísse completamente dali pude escutá-lo dizer baixo, porém num tom que demonstrava toda a certeza do mundo:

— Ele não retornará mais para essa instituição, sr. Rivers, nunca mais.

Virei um pouco meu rosto para assentir e saí porta a fora. Muito satisfeito.

Era o mais cabível a ser feito. Eu sabia de toda a história por Lucas e não era nada mais justo do que ter aquele mal caráter longe não somente da escola, mas de toda Pensilvânia.

Estava triunfante, mas por mais que estivesse satisfeito com as medidas que seriam tomadas eu estava com certo receio por não ter deixado o tal Noel realmente inconsciente.

.

Passei na Apple Rose, comprei algumas comidas que certamente Hanna gostava e rumei de volta para os Wilson.  

Com a permissão de Ted, que havia chegado às pressas e bastante perturbado depois de chegarmos a sua casa com sua filha, entrei no quarto extremamente feminino de Hanna. Ele me fez prometer que iria cuidar dela enquanto iria até a escola tratar dos mesmos assuntos que eu minutos atrás.

Lucas estava sentado num pufe de cor salmão e conversava animadamente, talvez para distraí-la. Olhei ao redor. Quando a trouxe para cá, não tinha prestado atenção em nada, pois assim como entrei saí como o flash. Não pude deixar passar despercebido os detalhes do cômodo vivo demais, assim como ela. Nas paredes havia um papel de penas em rosa e preto, uma penteadeira com um espelho oval, um guarda-roupa embutido de cor branca, um sofá repleto de almofadas e o mais chocante e revelador: pôsteres meus em diferentes pontos do quarto, como Ted havia dito. Reprimi a risada e ao invés de fazer aquilo e provavelmente a deixar constrangida eu apenas sorri. Ela falava um pouco baixo e estava com o corpo completo escondido pelo cobertor florido.

— Quarto legal. — eu murmurei e ela rapidamente desviou sua atenção do garoto e me olhou.

Numa atitude muito Hanna, afastou as cobertas e saltou da cama num pulo, revelando um pijama de moletom de calça e blusa cinza e me envolveu num abraço desajeitado, tive que me equilibrar para não irmos de encontro ao chão. Ao sentir seu aperto, meu corpo um tanto dolorido, evitei soltar qualquer som que denunciasse que sentisse dor, até por que não era tão insuportável assim.

E apesar de estar sentindo aquilo tudo, nada era mais satisfatório do que vê-la bem e ter seus braços gorduchinhos me prendendo.

— Caleb! Você está bem? — — perguntou num tom apressado, mas muito preocupado, próxima ao meu ouvido, abracei-a de volta, era bom. Muito. Inalei seu perfume adocicado que eu realmente achava um aroma maravilhoso.

— Estou ótimo, Han.

— Fico mais tranquila por isso. — falou e ao desfazer o abraço e me encarar sorriu sem mostrar os dentes, que retribuí. Seu semblante calmo de repente transformou-se ao me analisar. Talvez ao notar as mínimos, ou nem tanto assim, arroxeados na minha face. Eu tinha consciência de estar com alguns hematomas, a ardência e a dor voltando em pontos específicos onde aquele idiota alcançou. A adrenalina que antes percorria meu corpo inteiro não havia dado chance para senti-los em tempo real, porém eu estava certo que o tal Noel tinha sido o mais afetado entre nós, eu desejava isso com toda a força da mente.

— E então? Como se sente? — indaguei num tom que demonstrava toda minha preocupação também. Não podia esquecer que ela havia passado mal horas atrás. A conduzi novamente para que pudesse deitar na cama, o que não a agradou nenhum pouco, mas ao invés de se cobrir até o queixo novamente, usou a cabeceira para apoiar as costas.  

— Eu estou bem agora. — disse ela esboçando o sorriso de covinhas após arrumar a coberta, pigarreou para continuar: — mas e quanto a esses seus machucados? Já cuidou deles?

— Eu nem mesmo lembrava para ser franco.

Dei de ombros.  

— Você quem deveria estar descansando, não eu. Eu posso ajudar, tem um kit de primeiros socorros lá na cozinha. — fez menção em se levantar novamente, mas eu a impedi.

— Eu posso cuidar disso depois, Han.

Ela sacudiu a cabeça esboçando uma careta e bufando em seguida.

Lucas rapidamente se despediu de nós, depois de Hanna agradecê-lo e se foi. Dando uma última olhada estranha para a loira antes de realmente ir. Franzi a testa.

— Então? O que a médica falou? — ocupei o lugar dele, sentando-me no pufe redondo.

— Eu tive uma pequena queda de pressão, com as emoções. Mas ela me recomendou muitas coisas, não necessariamente estar de cama.

Eu ri da careta novamente. Voltando a ficar sério quando ela por reflexo observou seu braço agora com as marcas bem mais claras.

— Porque você não me contou sobre isso? — eu perguntei calmamente, tentando ficar, já que todas vezes que meus pensamentos eram direcionados àquela cena, meu corpo reagia de maneira negativa.

— Não achei que fosse importante.

— Mas é claro que é importante, Hanna. Quase aconteceu algo ruim com você.

Ela abaixou a cabeça o que julguei ser por vergonha.

— Eu não queria que você sentisse pena de mim, de ser meu amigo só por isso, eu ser uma garota gordinha que sofre por comer demais e querer ser feliz assim. — balbuciou brincando com a unha no cobertor.

— Você é mais que isso. Você é bondosa, é incrível... São por esses motivos que me fazem querer ser seu amigo. O que seria de mim sem você, hein?

Ela ergueu a cabeça e sorriu ternamente. Sem responder nada.

Ofereci minha mão para que ela apertasse, sua mão quente em contato com a minha. Parecia ser um encaixe perfeito.

— E você está errada, seu eu soubesse antes, eu no mínimo teria dado umas porradas naquele idiota de qualquer forma, só que mais cedo.

Ela riu um pouco.

— Obrigada, Caleb. Hoje quem me salvou foi você.

— Eu faria quantas vezes precisasse.

Ela sorriu um pouco timidamente dessa vez.

— Tem mais alguma coisa que eu precise saber, Han? — pedi com a voz suave, estranhando o tom nunca usado. Mas não deixando transpassar. Não queria que soasse como se eu estivesse a obrigando, eu apenas queria saber mais de sua vida.

Ela suspirou. Parecendo ponderar sobre. Mais um suspiro e depois resolveu finalmente se abrir.

— Não é muito fácil para mim falar sobre isso, mas já que você tem consciência da parte pior... — riu nervosamente, com ele morrendo aos poucos, senti uma pressão a mais, nossas mãos ainda conectadas — minha mãe morreu há três anos... De câncer.

— É a mulher ruiva do quadro?

Ela meneou a cabeça, fechando os olhos rapidamente, parecendo travar uma luta interna, e ao abri-los eles cintilaram com lágrimas nas bordas. Amaldiçoei-me por fazê-la falar de um assunto delicado. Não me contive e a abracei de lado, fazendo com que sua cabeça repousasse em meu ombro, apertando-a fortemente.

Eu preferi por me manter calado, nada do que eu estupidamente falasse iria aplacar sua dor, era quase um eco da minha própria, havia perdido o laço com a minha mãe, mesmo ela ainda estando viva e morando na mesma cidade de sempre. E quem era o culpado? Eu mesmo.

Ela não chorou, não a ouvi fungar. Nem nada parecido. O que eu realmente achei um pouco estranho. Mas não questionei tampouco. Talvez ela apenas tivesse algum controle surreal de emoções. Hanna era surpreendente.

— Obrigada mais uma vez. Você é meu herói.

— Por nada, Han. — com cuidado para não assustá-la eu depositei um beijo leve em seus cabelos, trazendo para mim uma sensação de paz e querendo passar aquilo para ela. Seria terrivelmente cruel se o destino ou qualquer pessoa me afastasse dela.

.

Depois que Ted chegou parecendo com expressão péssima, a roupa de trabalho amarrotada e gravata fora do lugar como me lembrava de encontra-lo antes, nos alimentamos com a comida que eu havia trazido. Hanna parecia muito bem por sinal, se empanturrando com as guloseimas.

Ele também tinha ido exigir alguma providencia e certamente que aquele gestor tinha que tocar no meu nome. O que fez Ted agradecer de coração minha atitude. Talvez fora por isso que ele se sentiu na obrigação de cuidar dos meus ferimentos enquanto Hanna sugava o refrigerante e nos olhava atentamente sentada na cadeira do balcão. Dei uma piscadela e ela riu.

Definitivamente estava em casa.  


Notas Finais


Então? O que acharam?
Kissinhos e até domingo! <3


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