História Você não pode correr para sempre - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Depressão
Visualizações 0
Palavras 1.635
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Suspense

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Felicidade


Fanfic / Fanfiction Você não pode correr para sempre - Capítulo 1 - Felicidade

Eu corria cada vez mais rápido, sentindo o vento cortar meu rosto, mas…de onde vinha esse vento? Olhei para cima e, nada, não tinha nada lá, apenas um céu escuro sem nenhum sinal de nuvens ali, oh droga, isso não é bom.

-Eu EsToU tE vEnDo… - Olhei para frente quase automaticamente quando ouvi a maldita voz, a voz que me perseguia todos os dias, seu timbre já tinha virado familiar para meus ouvidos atentos a qualquer som, todo o meu corpo estava em alerta, eu não podia descansar um minuto sequer quando a voz começava a me perseguir nesta estrada vazia.

Olhei para o chão vendo o asfalto desgastado, meus pés estavam descalços, queimando de dor a cada contato com o chão, parecia que mil pedrinhas estavam naquela estrada e todas vinham diretamente para meu pé agora sangrando, mas eu não podia parar de correr, ou a voz iria me alcançar. era sempre a mesma coisa, eu andando por esta estrada vazia tentando encontrar um lugar para ficar e me sentir aceito, mas toda a vez em que eu me sentia perto da felicidade nesta estrada apreciando a vista das árvores ao redor dessa estrada, a voz aparecia, ela sempre voltava para me perseguir, como em uma brincadeira sem graça de pega pega mortal, era como se essa maldita voz quisesse esfregar na minha cara que a felicidade não existe enquanto ela ainda estiver ali para tentar me capturar.

-NãO eXiStE lUgAr PaRa PeSsOaS cOmO vOcÊ - Fechei os olhos tentando não ceder ao cansasso, correr da criatura que me perseguia todos os dias era desgastante, e ela sempre repetia essas palavras, tentando me fazer ceder a pressão e aceitar que eu sou uma coisa falha e indesejada, ele queria me ver cansar de tentar fugir dele, maldito!

Olhei para todos os lados respirando com dificuldade, a raiva de chegar só a pensar em desistir e admitir derrota para a voz me deixava enjoado, tentei procurar algo útil fora da estrada, mas…nada, não tinha nada lá, a não ser árvores e grama, nada ali para me ajudar, olhei novamente para os lados já perdendo a esperança de achar algo, só que dessa vez uma coisa me chamou a atenção; ao lado de uma árvore com tronco vermelho e folhas azuis, estava uma placa desbotada escrito "Lugar nenhum", com uma seta abaixo apontando para a esquerda, a placa estava apontando para...fora da estrada.

-HaHAHAHSHSHAHhahahahHHahhahag! - A risada gutural da maldita voz soou pelos meus ouvidos mais perto é parei bruscamente, olhei novamente para a placa, era a primeira coisa que eu via a anos de diferente na estrada, essa árvore diferente e a placa…sempre foram só árvores comuns…fechei os olhos com uma vontade súbita de chorar quando a risada da voz chegava mais perto. "Quer saber? Não tenho nada a perder de qualquer forma, essa praga iria me pegar uma hora ou outra se eu continuar o resto da vida correndo dele até me cansar mesmo, que se dane a lógica!" Pensei convicto virando a esquerda e não em linha reta pela primeira vez em minha vida, e corri até a placa. Quando meus pés tocaram no chão pela primeira vez em anos sem ser asfalto, senti uma trilha ser formada em direção aonde a placa apontava, uma trilha aonde a grama morria e me guiava em direção a um horizonte escuro. Olhei para cima pela milésima vez, mas algo ali também tinha mudado, agora ao invés de um véu preto e vazio, estava um ponto brilhante e pálido no céu...a lua. Uou, faz quanto tempo que eu não a vejo mesmo? Não importa, comecei a correr mais rápido seguindo a trilha e quase gritando de satisfação quando senti a grama gelada ao invés da estrada queimante em meus pés cansados.

Corri como se minha vida dependesse disso, e por partes dependia. Até que depois de muito tempo e cansaço, parei de supetão novamente quando vi uma outra placa, a voz do monstro atrás de mim parecia desesperada e distante, li a placa escrita com uma tinta quase ilegível "Parabéns, você chegou ao seu destino. Lugar nenhum. População: você" e novamente naquela placa também tinha uma seta, ela apontava para a mesma direção em que a primeira apontou, olhei para baixo e dessa vez a trilha não era mais grama morta, parecia…um chão branco, lustroso. Franzi a testa seguindo em direção pela trilha agora com um piso novo, olhei novamente para o céu quando vi pontos brilhantes iluminarem o chão lustroso e confirmei minhas suspeitas, agora tinham estrelas nos céus, milhares delas, e parecia que as estrelas de juntavam acima de mim em um formato de lâmpada para iluminar o caminho, olhava para os lados vendo também que a cada passo que dava, uma parede branca com várias portas parecia surgir do chão, é um cheiro…cheiro de hospital.

Eu andava cada vez mais rápido, a voz atrás de mim sussurrava coisas ilegíveis, meus pés queriam voltar e minha cabeça girava violentamente, mas ignorei essas coisas e continuei meu caminho.

"Sala n°∞" uma sala com o sinal do infinito estava agora a minha frente, ao meu redor as paredes brancas com detalhes verdes já tinham se erguido junto a um teto branco, aonde as estrelas tinham formado lâmpadas brilhantes de hospitais. Aquela sala número ∞ era o fim do corredor, respirei fundo contando até 10…TOC TOC TOC, bati na porta três vezes após um longo suspiro e escutei uma voz atrás da sala, uma voz calma e serena falando "Entre" quase chorei de emoção quando percebi a quanto tempo eu não escutava uma voz que não fosse…aquela voz que me perseguia, falando do meu perseguidor em formato de voz, ele parecia estar agora desesperado, estava gritando ao longe do corredor…como se estivesse agonizando profundamente.

-Licença - Pedi quando abri a porta e senti uma sensação estranha, faz tempo que eu não falava também, minha voz estava mais rouca que o normal, até meus ouvidos tinham desacostumado a ouvi-la. Um homem com um sorriso gentil e olhos transmitindo tranquilidade me olhou avaliativo indicando uma cadeira a sua frente para me sentar, segui timidamente, ele me olhou sorrindo e pegou um papel posicionando uma caneta nele.

-Pode falar - Sua voz parecia mais calma e compreensível agora, por algum motivo senti algo entalado em minha garganta, eu sei o que ele quer que eu fale, e pela primeira vez em minha vida…eu falei, inspirei o máximo de ar para meus pulmões e comecei a contar toda a minha história, toda a minha vida é como ela era antes da voz começar a me perseguir, sobre a incansável corrida pela estrada fugindo dessa voz, fugindo dos problemas, eu tinha medo de parar de correr e encarar meu perseguidor, porque...eu sou apenas um covarde. Depois que terminei o homem me fitava atento.

-Hum, entendo, então, senhor…

-Jonatan, meu nome é Jonatan.

-Senhor Jonatan, você tem um caso de depressão em nível média, o nome desta voz que te persegue é a própria apatia, você foge dela, temendo saber se um dia ela irá te alcançar, mas…você quer que ela te alcance? Cabe a você decidir. Este medicamento pode te ajudar com seu caso, Jonatan, você aceita se livrar desta voz? - Fechei meus olhos sentindo minha respiração falhar, o senhor me estendeu uma pílula vermelha e azul, a observando de mais perto conseguia ver uma árvore dentro dela, por algum motivo parecia que uma pequena árvore estava ali, crescendo, parecia ter parado no meio até ficar no exato tamanho da cápsula. Estranhamente aquela árvore parecia a mesma que vi na estrada. Engoli em seco com a proposta e comecei a rever todos os acontecimentos da minha vida "Será que eu era feliz antes da voz aparecer?" "Eu realmente quero fugir dela?" "Será que não vai ser mais confortável apenas jogar tudo para os ares e desistir desse mundo?" Essas e mais milhões de perguntas rondavam minha cabeça como várias abelhas zunindo em meu ouvido, cada vez chegando mais e mais, até que respirei fundo é um pensamento veio a minha mente, calando todos os outros "Ela não é real, essa voz…ela não é um tipo de vilão…ela, sou eu, aquela voz são minhas próprias inseguranças falando mais alto. Eu nunca consigo fugir dela, porque não se dá para fugir de sua própria mente, eu não quero mais precisar ter que correr de mim mesmo, eu quero me enfrentar!"

-Aceito! - Falei com tanta convicção que até eu me assustei, agora que parei para perceber, a semelhança entre minha voz e a voz que me persegue são quase palpáveis, talvez eu nunca tenha falado esse tempo todo porque aquela maldita voz já estivesse fazendo isso por mim. O senhor abriu um largo sorriso e peguei o remédio de suas mãos calejadas sem hesitar os engolindo de uma vez. Arregalei os olhos quando senti ela cair em meu estômago, céus, aquilo era muito bom! Era como se a árvore dentro da pílula estivesse crescendo em uma velocidade anormal dentro de mimi, suas raízes iam até a ponta de meus dedos me fazendo mergulhar em uma felicidade subita, senti todo meu corpo relaxar como nunca antes, sem precisar mais ficar alerta 24 horas esperando a qualquer hora a voz chegar é precisar correr. Todas as minhas lembranças mais felizes invadiram minha mente e quando menos percebi, um sorriso rasgava meus rosto, minhas bochechas doiam por estar sorrindo pela primeira vez em anos, mas a dor não importava, tudo o que importava agora era essa sensação de paz e plenitude que agora de instalava em meu peito, o aquecendo.

-Qual o nome desse remédio? - Perguntei extasiado, o homem me olhou com um sorriso genuíno e brincalhão. Estendendo para mim um pote com várias outras cápsulas dentro, todas com uma pequena árvore junto. Li a embalagem, e lá estava o nome, Felicidade.

Eu experimentei tomar a felicidade pela primeira vez.


Notas Finais


Não existe uma interpretação apenas, mas sim, várias.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...