História Volta ao Mundo em 80 Histórias - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias Once Upon a Time
Tags Swanqueen
Exibições 78
Palavras 6.319
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Homossexualidade, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Ei, galera...
Então, a fic de hoje me foi enviada por uma pessoa muito querida e que acompanha as minhas fics...confesso que o final me surpreendeu e novamente lá está o espaço para o desconhecido que eu adoro. Confesso também que imaginei uma boa continuação, mas isso já é com minha amiga Aymê.

Espero que curtam a estória e que continuem nos acompanhando

Capítulo 6 - Medo - Por Aymê


E depois deem uma conferida nas outras fics dela: http://fanfiction.com.br/u/401814/

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27 de Abril de 2012

Estou sentada na cafeteria, Regina está atrasada novamente. Como essa mulher era difícil, sempre me fazendo esperar. O pior é que eu sempre esperava...

Vejo meu celular e percebo que tenho mensagens da Archie. Sim, minhas amigas possuem nomes estranhos, talvez até elas sejam estranhas, mas são as melhores...a Archie então é meu anjo, aquela pessoa que me ajudou a crescer junto dela.

Suspiro frustrada pela demora, a única coisa boa disso é repassar toda a nossa estória, toda ela até aquele momento. Até aquela cafeteria.

Andava até o portão, meu sorriso era perceptível, não por alguém ou algo especial, apenas a pura e simples felicidade. Olhei para baixo, assim que vi duas pessoas paradas no portão; eu sabia quem eram, tinha certeza que seria um pedido ou uma confissão. Se eu soubesse como as coisas seriam eu teria implorado para que fosse um pedido.

-Hey Emma.- Cumprimentou Tinker. Eu sei, nome bobo, culpe a mãe dela por isso.

-Emma.- Disse Regina com os olhos brilhando em expectativa para mim.

-Olá.- Eu falei. Queria entrar, elas não eram minhas melhores amigas, as minhas amigas estavam na sala me esperando para iniciarmos o dia de curso, mas eu tinha essa coisa de ser educada, então apenas passei o peso de uma perna para outra e fiquei olhando.

-Você é a irmã de Robin, certo?- Perguntou-me Tinker.

-Sou.- Sorri. Sempre acontecia isso. As pessoas pensavam o quê? Que por ele ser meu irmão eu iria dar algum tipo de ajuda para elas? Isso me irritava tremendamente.

-Que legal!- Disse Regina agora, ainda sorrindo, ainda me olhando nos olhos. – Ele estuda conosco, vive nos provocando.- Falou rindo.

Eu internamente revirei meus olhos. Sério que até no curso para me profissionalizar, as “paquerinhas” dele iam me seguir!?!

-Ele é assim mesmo, brincalhão e provocativo.- Sorri e olhei para o relógio forçando elas a entender que já era hora de entrar. – Vou ir para sala, nos vemos lá.- Sorri forçadamente e entrei, quase corri para encontrar Mulan e Ariel.

 

-Olá.- Eu disse as meninas. Elas retribuíram e engatamos uma conversa e o tema da vez era procurando Nemo.

-As coisas estão tensas, vários cursos, preciso arrumar um emprego e ainda preciso ficar implorando a minha mãe centavos para sair.

-Que isso, Ariel, para de reclamar.- Disse Mulan sorrindo como sempre fazia. – Continue a nadar, nadar, nadar.- Disse gargalhando, eu a acompanhei e logo nós três estávamos rindo.

Mulan nos lembrava da Dory, a personagem pacífica e desmemoriada, mas de um grande coração.

Logo o professor entrou. Como tínhamos uma amizade com ele o provocamos, ele também debochou de nós e logo estávamos levando uma “bronca” que sabíamos que não era real e rindo sem parar.

A aula começa e logo somos as primeiras a terminar a matéria. E voltamos a nossas conversas.

Os dias eram assim, tranquilos, calmos, com sorrisos fáceis e muita diversão. Logo ficou mais sério e precisamos ir para empresas destinadas a nos treinar o que aprendemos em sala.

Melhores alunos, melhores empresas. Claro que fomos as melhores. Esqueci-me de dizer, Tinker e Regina já faziam parte, na verdade eu ficava no meio e fazia a ligação entre elas. Por que no fundo sabia que elas não eram amigas entre si, mas eram minhas amigas.

O tempo passou e eu acabei na mesma empresa que Regina. Eu por merecimento e ela por pedir um favor. Nos tornamos amigas, daquelas inseparáveis. Sabíamos tudo uma da outra, ou eu achava que sabíamos, não importa.

Nesse tempo, ela se disse apaixonada pelo meu irmão Robin, aquilo foi doloroso, não entendi na época por que, afinal era normal não era? Todas se apaixonavam por Robin, bom de fala, bonito e inteligente. Mas o engraçado é que ela era correspondida e não aceitava as investidas dele. Fiquei mais calma por isso.

Passamos de aprendizes para estagiários. Como eu era mais velha, tinha dezoito e já tinha ficado um ano sem estudar, fiquei feliz em poder ingressar na faculdade, a única da nossa pequena cidade de Atibaia.

Temos o segundo melhor clima do Brasil, me orgulho disso, além de uma cidade turística e dona de uma festa do morango maravilhosa. Temos ruas históricas, que ainda conservam o paralelepípedo. Um museu, uma Maria fumaça, o Edmundo Zanoni que tem uma linda paisagem e onde acontece as nossas festas do morango, da uva e do pêssego. Também possuímos um pequeno bonde elétrico, uma usina hidroelétrica , a gruta funda, onde ficamos perto demais da natureza. E claro, o que não podia faltar, a “Pedra grande”.

Pedra grande é o lugar ideal para poder ver o por do sol ou o nascer do sol, de lá você enxerga todo o verde que possuímos, uma linda vista, além dos vôos de asa deltas, é indescritível aquele lugar de tão perfeito que é ficar em cima dele. É como se você fosse dono do mundo e este mundo fosse apenas seu; é uma grande vivência e todas as idas sempre são únicas e inesquecíveis.

Volto a realidade com a mensagem em meu celular, um sorriso discreto e triste se forma em meu rosto. É Regina, ela disse que se atrasará mais alguns minutos.

Bebo meu suco e volto a me perde em nossa história.

Nosso laço se estreitou bastante, praticamente vivíamos juntas; faculdade, trabalho, finais de semana, conversas longas pelo celular, tudo da vida da outra estávamos incluída.

Conheci nessa época Elsa, uma loirinha inteligente e dona de um sorriso encantador. Apesar de Regina e eu brigarmos com freqüência, pelo seu jeito de falar e pela minha falta de fala, nos dávamos bem.

Elsa entrou num momento que eu e Regina estávamos brigando muito, por ciúmes, confesso da minha parte, mas da dela também. Eu odiava as amigas dela, não me incluíam em nada e toda aquela “melação” me enchia, claro que na época eu não era ciente do ciúme que sentia, nem do significado e muito menos entendia que o que as amigas faziam era pelo fato de saberem, mesmo que inconscientemente, o tamanho do carinho que tínhamos entre nós.

Voltando a Elsa, ela simplesmente me conquistou, não no sentido romântico, até por que não sabia que eu poderia sentir isso por mulheres, mas por ser ela, apenas ela e me aceitar como eu, apenas eu. Não que Regina não fizesse isso, fazia, mas Elsa respeitava meu silêncio e melhor, transformava em alegria.

Então a sala seria dividida em duas turmas, A e B, para aulas de matemática básica. Eu acabei ficando na sala de Elsa e Regina na sala com August, que claramente sentia algo por ela, não só ele, mas algumas pessoas a nossa volta também e estranhamente, nenhum deles gostava de mim, na época pensei comigo que seria pela minha falta de habilidade social, mas agora, novamente, tudo faz sentido.

Fiquei na sala com Elsa, nossas palhaçadas e risadas tanto na turma separada quanto na turma em conjunto eram percebidas por Regina, uma pessoa como ela tinha uma habilidade nata para fazer amizade, mas estranhamente as duas não se deram bem e Regina vivia dizendo que não fazia questão. Como havia dito, estávamos brigadas, então a maior parte da conversa na faculdade era com Elsa; no trabalho, depois de virarmos estagiárias, não ficamos mais no mesmo setor, então a única hora que nós ficávamos sozinhas e tínhamos alguma conversa era depois do trabalho, que eu a deixava no ponto de ônibus e aguardava ela pegar, ou depois das aulas de faculdade que ligávamos para conversar uma com a outra, confesso que quem mais ligava era eu.

Ainda lembro-me da frase boba e cheia de significados que lhe falei, em mais uma das nossas brigas; ela tinha me magoado e eu não queria falar sobre isso, eu nunca queria. Então ela simplesmente resolveu me ignorar e ignorar minha distração, sim eu não falava sobre o problema, mas sobre o tempo, o céu ou os outros sem problemas.

-Não vai falar?- Perguntou irritada.

-Não tenho nada a dizer.- Retruquei. – Já viu como parece que vai chover? Sei, ideia e conversa idiota, eu sabia que não funcionava, mas arriscava mesmo assim.

-Você sabe que me irrita quando faz isso.- Fala entre dentes. A essa altura estávamos descendo do ônibus.

-Não estou fazendo nada, Reh.- Ela me olhou e eu sabia que estava ferrada.

-Ok, se não quer falar não temos nada para conversar.- Ela soou bem irritada.

-Não vai conversar comigo eu vou embora.- Disse me fingindo de séria.

-Tchau.

Disse um “ok” e sai andando, mas minha cabeça ficava trabalhando, “você a está deixando, você a está deixando”, eu não podia deixar ela, eu não conseguia. Bufei comigo mesma pela minha falta de força de vontade e voltei.

-Não ia embora?- Ela perguntou debochada.

-Eu voltei.- Eu disse baixo, mas sabia que ela ouvia. – Eu sempre volto. Completei. Essa frase era para mim, mas como a outra, sabia que ela tinha escutado.

Agora vejo o quanto eu doava de mim para ela. Neguei com a cabeça, com o mesmo sorriso que negava toda vez que me lembrava de nós.

Em um dos dias que ela veio a minha casa me questionou.

-Por que com ela é só sorrisos e comigo não? Temos que brigar?- Ela perguntou triste, eu como não tinha habilidade nenhuma, apenas rebati.

-Pergunto o mesmo, por que com August é só sorrisos e comigo não? Xinguei-me na hora, ao invés de falar algo maduro, lá estava eu, rebatendo uma afirmação boba.

Não me lembro da resposta dela, provavelmente me disse que era mais fácil, como eu afirmei que era mais fácil com Elsa, mas prometemos não mais mexer com isso.

Mesmo brigando, desentendendo e sermos completamente diferente uma da outra, nossa amizade crescia cada vez mais, os sentimentos ficavam cada vez mais fortes, mais enraizados.

Um amigo do irmão de Regina, Neal, se interessou por mim. Não me julguem, eu tinha dezenove anos, estava confusa por sentir um grande carinho e ciúmes de uma amiga, nunca tinha me envolvido com ninguém, e alguém tinha se interessado, resolvi arriscar.

Neal estava indo embora. Eu não precisaria ficar agarrada a ele, apenas teria algo seguro e fácil perto de mim, algo que me faria ser quem eu deveria ser.

Regina me apoiou, colaborou para que nós ficássemos e depois para namorarmos. Não sentia vontade disso, mas sabe quando tudo te empurra para aquele lado? Era assim. Eu estava sendo empurrada e não fazia nada contra.

Regina ficou triste, estranha na verdade. Em Setembro eu comecei a namorar e nessa época ela confessou se apaixonar por Killian, apesar dela nunca ter demonstrado interesse algum por ele. Killian era mulherengo, estava em um relacionamento sério com Milah, mas no momento estavam em crise, então resolveu dar em cima de Regina.

Estou sendo sincera quando digo que não queria isso, por que não queria minha amiga sendo a outra ou causando sofrimento a outra pessoa. Me julguem, sou alguém de caráter e não consigo achar normal um cara em um relacionamento dar em cima de outras pessoas, por uma crise.

Depois de um tempo, lá para o final de 2009, onde eu já estava em um relacionamento, ela resolveu voltar a se interessar pelo meu irmão Robin, este que não deixava sua paixonite por ela escondida.

Sim, eu ajudei, acredita? Eu fiz uma coisa ali, outra ali e acabei deixando minha amiga ficar com meu irmão, apesar de deixar claro que cunhadas não eram minhas amigas.

Meu namorado não estava aqui, então quando eles saiam eu queria ficar em casa, já não bastava ficar agoniada com medo que Regina me esquecesse, ainda tinha que segurar vela, não mesmo.

Mas ela me forçava e lá estava eu novamente, fazendo algo que não queria, apenas por que uma pessoa me pediu.

-Eu não vou, Regina.- Era a milésima vez que eu falava isso.

-Então não vou também.- Disse firme.

-Para com isso!- Eu falei frustrada. –Ele levou tempo demais para você aceitar a ser “ficante” dele e agora você vai fazer isso?- Perguntei ficando irritada.

-Eu não.- Ela disse parecendo vitoriosa, sabia me manipular direitinho. – Você, por que afinal é você quem não quer ir, e se você não vai, eu não vou.- Disse por fim.

-Ok. Eu vou.- Disse bufando.

Resultado? Ela ao meu lado, ele ao lado dela e todo mundo descontente. Ela não me deixava para ficar com ele, ficava lá ao meu lado, para que eu não ficasse sozinha. Eu odiava está situação.

Passou novembro, que foi quando eles começaram a ficar, chegou dezembro e continuaram na mesma.

-Em, eu não sei, eu gosto e não gosto de ficar com seu irmão.- Ela me confessou. Eu fiquei contente e triste ao mesmo tempo. O que eu faria? Nada.

-Reh, você precisa decidir, já pensou ele chegar para pedir sua mão em namoro?- Pergunto, já deixando claro que ele queria fazer isso, meu irmão estava apaixonado e ela parecia não estar.

-Você acha?- Perguntou a mim.

Eu apenas assenti.

Final de ano, eu ganhei uma aliança, mas a única coisa que eu queria era ela longe dele. Eu devia saber, o que eu sentia não era algo “comum”, mas fingi não perceber.

Eu e meu irmão brigávamos pela atenção dela. Sim. Só que eu como amiga e ele como pretendente.

Ficamos ruins nessa época um com o outro. Eu mandava ela dizer que eu tinha feito os dois ficarem juntos, então ele não tinha que ter ciúmes e ele dizia que eu não queria a dividir. Ok ele estava certo, mas eu não tinha culpa, pelo menos eu não queria ter.

O ano virou, ela voltou da viagem e me chamou para conversar. Estávamos mais tensas ainda uma com a outra, devido aos problemas e brigas com meu irmão.

-Eu não sei o que faço.- Ela confessou depois de um tempo em prantos. – Se fico com ele te perco, se termino com ele te perco.- Chorou desesperada. – Então de qualquer forma eu já te perdi.- Foi algo surreal o que eu senti, não sei explicar.

Mas naquele momento, como em outros, prometi não ir embora, prometi que nada disso iria acontecer e pior, pedi para ela não terminar, não iria aguentar a culpa por isso.

Ela o fez, ela terminou com ele, ele ficou arrasado e eu sabia que me culpava, eu me culparia. Foi difícil.

O tempo passou e mesmo “meu irmão” sendo uma ferida delicada, nós ainda éramos amigas.

Foi aí que conheci Archie e o que eu viria a saber depois, Malévola, isso mesmo, a mãe dela ficou com depressão pós parto e isso fez com que ela tentasse atingir a menininha que quando crescesse seria tão forte e tão teimosa como seu nome.

Elas se tornaram amigas de Regina. Como disse, minhas habilidades não eram nada boas.

Gostei delas, principalmente de Archie, apesar de achar o nome masculino e ter sérias dúvidas se a mãe dela também não tinha algum tipo de problema; resolvi deixar de lado.

E ali surgiu uma amizade e dela foi que veio a maior descoberta. Isso mesmo, foi através de Archie e sua namorada Malévola que finalmente entendi o que eu trazia no peito.

A princípio pensamos que elas eram só amigas, assim como nós, que não se desgrudavam, assim como nós, mas surgiu um boato de que elas eram um casal e mesmo tendo esta dúvida, Regina e eu duvidamos muito que fosse verdade, afinal não tinha nada demais, parecia nós ali na nossa frente.

Passou um tempo e elas nos chamaram para sair, até ai não tínhamos ideia que elas realmente eram um casal e descobri no final que elas achavam que nós também éramos um casal.

Sai dos meus devaneios pelo celular.

-Está atrasada...(...).... Eu sei que você avisou da faculdade, mas combinou comigo um horário...(...)... Não, eu não saí de casa, me liga quando estiver vindo que eu saio...(...)... Ok Reh, beijos.-  Sim eu menti na ligação. Ela não precisa saber que novamente eu a estava esperando.

Suspirei e olhei no celular, Malévola me provocando, nós éramos duas crianças, respondi a ela a altura e deixei o celular lá. Precisava termina de traçar tudo que vivi com ela até aqui, era importante.

No passeio, depois de uma noite agradável e sendo basicamente pressionadas pelas duas e mais a maluca da Aurora, que ficava insinuando as coisas, acabamos nós quatro num carro, Archie dirigindo pela estância, o lugar de maior movimento da cidade. Se eu disser que não esperávamos por aquilo é mentira, já tínhamos falado entre eu e Regina que talvez elas pensassem algo sobre isso, afinal éramos quase parecidas.

Archie jogou o carro para o lado, fazendo nos quatro irmos de um lado para outro e entrou em uma vaga na frente de umas lojas fechadas. Meu coração acelerou, eu sabia que era agora que vinha a pergunta direta. Regina me olhou e arregalou os olhos.

-Vocês namoram não é?- A pergunta da Archie foi direta.

Eu ri de nervoso e Regina começou a tremer e gaguejar.

-Não.- Ela disse vacilante.

Eu sorri, não que não tivesse medo ou nervosa, mas era uma resposta simples: “não”.

-Então prova.- Disse Archie nos encarando e Mall já apontou para nossas mãos e questionou:

 -E essa aliança ai?- Perguntou mirando nossas mãos. Sim, eu fiz isso, usei uma aliança de amizade. Patético eu sei, mas eu era um pouco patética mesmo.

-É de amizade.- Respondeu Regina. – Somos cinco amigas.- Titubeou para responder.

-Deixa eu ver.- Falou no seu melhor estilo mandão. Eu estiquei e entreguei. – O que quer dizer isso aqui? Perguntou apontando para as letras gravadas.

-Nossas iniciais.- Falou Regina. – Quer dizer... quer dizer.... quer ....- Ela simplesmente não lembrava. Travou.

Eu respondi, enumerando os nomes e depois a fase boba do significado deles juntos.

Este dia elas também falaram sobre elas e questionaram mais vezes se realmente não tínhamos nada.

Depois desse dia acho que tudo mudou, fez sentido para mim, fez sentido para ela, fez sentido para todos.

Depois desse dia a Regina descontraída e simples sumiu, deu lugar a mulherão que ela era, sempre saltos altos, roupas provocativas e um sorriso malicioso.

Não que eu não achasse que ela tenha ficado bonita, mas a menina que eu conheci não existia mais.

Só entendi o porquê de ela ter trocado o guarda roupa, quando minhas mais novas amigas me disseram que estava rolando um boato que éramos um casal e que outras pessoas nos viam assim, por eu sempre esperar ela pegar o ônibus, por que eu a consolei diversas vezes na rua, a aparando e fazendo carinhos, por que agora eu entendo que eles viam que nós tínhamos algo a mais.

Mas ela mudou, não só as roupas, mas a personalidade e cada pessoa que me conhecia começou a mudar também, eu não entendia o porquê. Eu não sabia por que, eu só sabia que as coisas haviam mudado.

Fomos convidadas a ir para a praia. Sim, eu ainda namorava. Sim, ele tinha voltado. Sim, ela estava solteira e pelo jeito novamente apaixonada por outra pessoa e sim, eu fiquei com ciúmes.

Eu não deveria ir, afinal eu estava em um relacionamento sério. Fazia uns seis meses que ele havia voltado, mas minha vida ainda era ligada muito a ela. Archie e Mall nos chamaram, nós resolvemos ir.

Foi uma briga terrível na minha casa, minha mãe disse o que já falavam, iríamos parecer casais. Eu não levei a sério e não quis saber, pela primeira vez eu fui, quase despedaçada pelas palavras de Mary, mas fui. Foi a primeira vez que me libertei da imposição da minha mãe.

A viagem foi uma redescoberta, nós estávamos em novembro, sim no feriado do dia quinze, dali uns dias era aniversário do meu irmão e ele iria pedir outra garota em namoro.

Mas o que aconteceu na viagem foi incrível e pela primeira vez depois de muito tempo, dissemos em voz alta que nossa “relação” era a mesma que as das nossas amigas, aquilo foi um alívio, como se tirasse uma carga das nossas costas, pelo menos eu achei.

Mas eu ainda tinha um namorado, meu irmão ainda gostava dela e nós jamais falamos sobre ter algo mais que uma amizade, então era apenas libertador, pelo fato daquele “amor” ser tão grande que era perceptível.

Nego com a cabeça. Como eu era boba, realmente uma romântica incorrigível.

Voltamos de viagem e parecia que aquela Regina, carente, carinhosa e próxima tinha morrido. Talvez a realidade para ela tenha sido demais, não sei, até hoje não sei. Sei que ela me afastou e voltou a ser a Regina “vadia”, não no mal sentido, mas no sentido de querer alguém, e atrás de quem ela queria ir? Sim, meu irmão.

 Foi um choque, foi horrível, foi... aaahhh... tão angustiante ver aquilo. Mas eu não me envolvi, a esta altura eu já sabia que havia boatos dela dizendo que eu era apaixonada e que ela só não sabia lidar comigo, foi logo após o aniversário de Robin, sim ele pediu a garota Zelena em namoro e ainda sem uma declaração linda, Regina estava lá, era amiga da família, era minha amiga e era uma vingança pessoal de Robin.

Descobri no mesmo dia do aniversário do meu irmão. Soquei o encosto do banco que Malll estava, gritei pela primeira vez meu primeiro palavrão e me senti a pessoa mais estúpida de todo o mundo. Como eu não percebi como as pessoas me olhavam? Como não entendi os olhares piedosos ou até raivosos? Talvez por que estava naquela bolha, naquela onde se acredita que as pessoas são boas e que um mundo pode ser melhor.

Por que mesmo depois do aniversário, mesmo depois do que eu sabia, eu ainda a queria na minha vida. Loucura? Talvez.

Final do ano, resolvemos ir para a praia novamente, mas desta vez, meu namorado ia, meu irmão e mais alguns amigos, menos a namorada dele, é que essa viagem estúpida estava programada e a namorada dele não estava incluída, por simplesmente não ser a namorada oficial na época. Eu já sabia que ela havia dito que gostava do meu irmão novamente, isso me soava chato e repetitivo e acima de tudo falso.

Resumindo a viagem? Éramos apenas dois casais, eu e um amigo, ele e a namorada dormiram juntos, afinal não se largavam. Eu e o meu namorado? Separados, Neal não gostou, achou injusto, mas eu não liguei, ainda mais quando Regina disse que nós poderíamos dividir a cama, imagina? Ter a certeza que não aconteceria nada entre ela e meu irmão e ainda ficar longe do meu namorado.

Não me entenda mal, ele era gentil, carinhoso, educado, me amava, mas eu não. E não sabia como terminar, ele ficava dizendo que não sabia viver sem mim e toda a minha família apoiava, queriam o quê? Que eu largasse a única pessoa que me irritava profundamente com tanto cuidado, mas que pelo menos cuidava de mim? Desculpe decepcionar, mas eu não consegui.

Voltando á viagem, foi virada de ano, então estávamos entrando em 2010, claro que fiz de tudo para ficar perto, mas os outros queriam os dois juntos, mesmo ele namorando, então imagina o complô para eles ficarem sozinhos? O que aconteceu? Segundo Robin, nada além de uma declaração de Regina, dizendo que o amava e que se ele não estivesse comprometido iria lutar por ele desta vez. Resultado? Dois meses depois ele terminou e ela começou a namorar. Meu irmão sofreu nesse tempo todo, até o primeiro ano do relacionamento dela e depois desencanou, ou fingiu, não sei. Acho que foi mais ódio mesmo do que falta de amor, enfim, não vou pensar nele.

O problema foi voltar da viagem. No mesmo dia descobri que os boatos eram maiores do que eu imaginei. Eu era a “louca” apaixonada que não a tinha deixado ser feliz, a fazendo ter que decidir entre mim e meu irmão. Ow é eu sei, tive a mesma reação. Meu mundo parou por milésimos de segundos e eu não sabia o que fazer.

A partir dai as coisas mudaram, eu me tornei mais fechada e anti social possível, eu sobrevivia. Não só por que Regina tinha me dado esse baque, mas por que as pessoas a minha volta acreditaram nela. E eu? E minha dignidade? Não valiam? Não era julgada? Descobri que sim, só que da pior maneira possível.

Ainda mantive amizade, ainda amparava e cuidava. As amigas? Aquelas das alianças? Acreditaram nela e não em mim.

A única que acreditava era a Archie.

-Você precisa falar, Emma.- Dizia para mim com o semblante irritado.

-E dizer o quê? Que é mentira? Eu estou apaixonada mesmo.- Soei irritada, não era com ela, era comigo mesmo.

-E daí?- Perguntou no mesmo tom. – Ela mentiu, você por acaso a obrigou a escolher? Fica seguindo ela e não a deixando ser feliz? Se faz tão mal, por que ela escolhe sempre se aproximar?- Archie me encheu de questionamentos.

-Eu não sei.- Eu gritei. – Eu não sei.- Saiu mais baixo e um choro, contido e sentido, não que não tivesse chorado durante este processo, apenas não na frente de outra pessoa, não na frente de alguém que acreditava em mim.

-Ei.- Aproximou-se e me abraçou. – Chora mesmo, coloca tudo para fora.- Disse-me enquanto fazia círculos em minhas costas. – Ela não te merece.- Disse baixo. – Ela pode ter parecido tudo aquilo que você procurava, mas na verdade você era as respostas e culpas dela.- Falou enquanto ainda fazia círculos em minhas costas. –Talvez ela goste, talvez não, mas temos uma certeza aqui, ela não te faz bem, precisa quebrar este círculo.- Disse com pesar.

Eu acenei, passei as mãos pelo meu rosto. Ergui minha cabeça e tomei uma decisão.

Não antes de fazer o que estava fazendo hoje. Repassei tudo, a nossa aproximação, a nossa amizade, nosso companheirismo, nossas trocas de segredos, nossas constatações sobre nossas mães, nossas angústias, nossas aventuras, eu ponderei tudo, tudo que vivemos, tudo que passamos e eu tinha que concordar com minha amiga, aquilo tinha ido longe demais, já estávamos em 2011 e eu ainda vivia nesse jogo dela.

 Decidida, fui até a casa dela, ela tinha terminado novamente o relacionamento e estava novamente completamente apaixonada pelo meu irmão. O que eu não entendia é por que ela fazia esse jogo? Por que se aproximar de mim, enquanto queria apenas meu irmão? Não pensei nisso.

Fui ao seu encontro como ela havia pedido, parei em frente a sua casa e desci. Respirei fundo várias vezes e entrei em sua casa.

Ela estava em seu quarto me esperando, sorri para ela, ela retribuiu. Sentei na poltrona que existia ali.

-Então.- Perguntei, afinal ela tinha me chamado.

-Eu só queria saber como estava.- Disse toda atenciosa.

Involuntariamente sorri. Começamos uma conversa e depois de um tempo o assunto Robin estava em pauta.

-Regina, eu não quero saber sobre isso.- Fui direta. – Sempre que este assunto acontece, não dá certo.- Falei

-Não é assim, você sabe que eu sou e sempre fui apaixonada por ele, só não entendia.- Diz ela.

-Chega.- Eu fiquei brava. – Eu cansei disso, uma hora você é apaixonada por ele e outra não, uma hora é minha amiga, outra me apunhala pelas costas, uma hora você é isso e depois...-  Não sabia o que dizer no final da frase.

-Você que fica irritada toda vez que falo do seu irmão.- Diz na defensiva.

-Por que eu te amo, “porra”.-  Eu grito e na mesma hora arregalo os olhos, pronto fiz besteira. – Droga!- Solto.- Você joga comigo e sabe disso, me mantém presa a você e isso me mata, não posso mais jogar isso.- Digo apontando entre nós. – Preciso me afastar, preciso ficar longe.- Declaro e saio apressada de sua casa.

Ainda a ouço me chamar. – Emma, Emmaaaa, Emmaaaaa. Não sei o que era, não sei se ela contou a alguém, eu realmente quebrei o contato de vez com ela.

Terminei meu relacionamento, não antes de aceitar a ideia estúpida de ficar noiva. Mas também consegui por um fim. Virei amiga de Neal, que ainda choraminga ás vezes que não consegue me esquecer.

Não ouvi mais de Regina. Mentira, ouvi sim, todo mundo que nós conhecia perguntava por ela, como ela estava, o que ela fazia e outros me informavam, não eu não perguntava, mas parece que nós realmente deixamos a entender algo, por que as pessoas simplesmente não conseguiam não deixar de falar dela comigo. Era sufocante.

Passei os seis primeiros meses me convencendo que jamais falaria com ela novamente. Mall nessa hora se mostrou muito amiga, queria me levar aos lugares, queria que eu conhecesse gente nova, queria muita coisa. Já a Archie, sempre se certificava em como eu estava, se não estava muito mal e sempre dizendo que na vida tudo é para aprendizado, bom ou ruim é aprendizado.

Fiquei até 2012 sem falar com ela. Ela me procurou, com uma desculpa qualquer, eu resolvi conversar.  Archie havia me dito que eu precisava ser madura e eu estava sendo. Bom, ela queria apenas conviver em paz, eu aceitei, não precisava de sua amizade, mas também não precisava ignorar ela como uma menina birrenta.

Ela veio me contar.....

-Hey.- Ela me cumprimentou me fazendo olhar para ela e sair de minhas lembranças.

-Hey.- Respondo sorrindo. Levanto-me e ela me abraça e beija meu rosto.

Sentamo-nos e nossas vozes somem.

-Então.- Digo e parece um d’javi.

Ela sorri, aquele sorriso sem graça. – Como você está?- Pergunta.

Eu abro o meu e começamos uma conversa bacana, sem detalhes da vida uma da outra, sem passado, apenas as conversas normais.

Distraio-me com o celular, eu trabalhava com ele, vinte e quatro horas, era uma poderosa ferramenta de trabalho e por isso não ouço o que ela diz, apenas o final.

-....Eu só queria dizer que estou pronta.

Eu levanto a cabeça e faço uma careta. Ela percebe que não entendi nada do que ela disse.

-Não está me ouvindo?- Pergunta

-Distrai-me?- Sai como pergunta, ainda era cautelosa com ela.

-Emma, preste atenção.- Chama a minha atenção e coloco o celular na mesa. – Como eu falei eu... Não termina.

Eu levanto a mão e pego meu celular para atender.

-Hey intelectual...(...)... Você é sim....(...)... Estou na rua, você sabe eu vim ver a Regina...(...)... Não, claro que não...(...)... Eu já me atrasei para ver você, amor?...(...)... Belle, linda eu vou sim, só deixa eu terminar aqui...(...)... Ok apressada, vou ir...(...)... Beijos.- Desligo e celular. Enquanto falava com minha namorada, percebi varias expressões na cara de Regina, desde surpresa até decepção, bom eu não precisava agradar a ela, mas sim minha namorada que queria me apresentar aos pais dela.

-Desculpe.- Falo e aponto para o celular. – Acho que você demorou muito, eu preciso ir, Belle me mata se eu chegar atrasada.- Digo já ficando de pé.

-Mas, Emma nem conversamos.- Fala me encarando. –Eu nem disse...- Não a deixo completar.

-Eu sei, eu sei, mas eu preciso ir. Belle marcou há muito tempo este jantar e eu lhe disse que tinha outro compromisso depois, mas ainda consigo ouvir o que tem a dizer se resumir.- Digo afobada.

-Não.- Diz ela sorrindo sem graça. – Pode ir, marcamos outro dia, não é importante.- Fala como se não fosse nada.

Levanto, beijo sua testa e vou me dirigir ao caixa.

-Ems, deixa por minha conta.- Tento protestar, mas ela completa.- Sério, na próxima você paga.- Sorrio e dou de ombros.

Saio correndo para ver minha namorada, sei que Regina foi um marco, sabe aquele negocio de antes e depois? Isso mesmo, só que tem o antes, o com ela e o depois.

Antes eu era anti social, sinceramente uma boba anti social. Com ela uma boba menos anti social e também uma boba irritada e magoada, depois dela uma Emma madura, que sabia que o amor podia doer, mas que também sabia que ele passava.

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Regina Mills

Conhecer Emma Swan foi a melhor e a pior coisa do mundo. Ela fazia-me sentir que tudo era possível, que eu poderia ser amada e que eu merecia isso.

Mas eu não soube aceitar. Não eu tive medo, mas não um bobinho, um daqueles gigantescos, então fiz o que sabia fazer de melhor. A culpei.

Se eu gostava de seu irmão? Talvez, mas amor mesmo foi com ela, mas como admitir para suas amigas, sua família, para uma sociedade que você é apaixonada por uma mulher? Não tinha como, eu já tinha que conquistar minha mãe diariamente, se eu dissesse que gostava de meninas, meninas não, de Emma Swan; eu seria expulsa de casa.

Então mantive ela perto, sei que a magoei, foi extremamente egoísta, mas eu não podia deixar ela ir e também não podia deixar ninguém saber.  Então para sair impune de qualquer coisa eu constatei o obvio a todos. Que ela me amava, não foi difícil convencer as pessoas, era visível. Enquanto eu a mantinha ao meu lado eu afastava de mim qualquer possibilidade de ser vista como alguém que correspondia.

Pelo menos não publicamente. Achei eu que duraria, achei que ela ficaria ali, até eu estar pronta, até eu ter certeza que poderia lidar com isso.

Mas não, um dia ela veio a minha casa e para me convencer e para provocá-la, toquei no nome do seu irmão. Ela ficou chateada, logo uma discussão começou e ela se confessou. Declarou-se e eu não tive reação, eu não sabia o que fazer, apenas fiquei ali a vendo se desculpar e quando ela estava longe eu chamei por ela, queria dizer que sentia o mesmo, mas não disse, não consegui que ela voltasse e não contei a ninguém.

O tempo foi passando e eu continuei sentindo aquilo por ela. As pessoas me diziam o quanto ela estava mais falante, mais feliz, mais solta, mais otimista, ela estava vivendo e eu aqui sobrevivendo. Senti raiva, devia ser ao contrário, logo me repreendi e respirei fundo. Não, eu tinha que ficar feliz por ela. Passou-se mais tempo.

Eu a procurei, confesso, com uma desculpa boba. Ela me aceitou de volta. Então eu precisei trilhar um novo caminho com ela. E foi o que eu fiz. Conversávamos muito pouco, nada muito pessoal, eu apenas perguntava por Neal, tinha medo que ela cedesse a ele novamente. Ainda bem ela não cedeu.

Marquei um encontro. Cheguei dez minutos antes dela, a vi chegar, a vi sorrir, a vi caminhar e finalmente sentar na cadeira. Suspirei, ela estava linda, sua postura mais confiante, seu caminhar realmente mais leve, aquela Emma Swan era uma versão melhorada da minha.

Travei. Eu ia me declarar, mas ao ver toda aquela nova mulher ali eu não soube o que fazer, fiquei repassando nossa estória. Precisava achar uma maneira de falar sem parecer idiota ou sacana. Fiquei lá a vendo, passou dez minutos e a vi ainda a vontade, sem parecer que esperava alguém e com o celular em mãos. Passou mais vinte minutos e eu ainda estava ali, eu tinha me atrasado meia hora, ela continuava ali.

Liguei, ela mentiu, eu sorri com aquilo, ela quis parecer desinteressada. Disse que me atrasaria mais. Ela concordou.

Eu iria descer, mas eu travei, eu sabia que essa era a única oportunidade de me declarar, então precisava fazer direito.  Passei meu batom, retoquei a maquiagem, repassei todo o discurso e desci.

Ainda lentamente. Ela não estava prestando atenção em mim, parecia perdida, a chamei. Ela olhou surpresa. Abraçamo-nos e eu dei um beijo em seu rosto.

Engatamos meio sem jeito uma conversa amistosa, logo eu percebi que era agora ou nunca.

Ela sorriu e pegou o celular. Eu acreditei que prestava atenção ainda. “ Fui uma idiota eu sei, mas eu não sabia o que fazer, sei que te magoei e feri demais, mas eu não estava pronta, não naquela época e se me der uma chance agora, sei que posso te fazer feliz, Emma, eu estou pronta agora” ela não ouviu.

Fiquei feliz por um segundo, mas fingi ficar irritada. Eu iria mudar aquela porcaria de discurso. Mas antes que eu pudesse falar seu celular toca. Ela atende, vejo um brilho em seus olhos. Ela começa uma conversa descontraída e quando ouço a palavra “amor” devo ter passado de confusa a decepcionada.

Eu sorri amarelo, ela precisou ir e eu novamente deixei. Assim que ela saiu eu deixei minhas lágrimas caírem. Eu era mesmo uma idiota, Emma estava o tempo todo ali, o tempo todo para mim e o que eu fiz? A deixei escapar pelas minhas mãos. Por puro medo, egoísmo, seja o que for. Ela escapou.

Eu poderia me colocar em uma batalha com esta tal de “Belle”, mas o sorriso que ela deu era o mesmo que dava a mim, eu não podia destruir sua felicidade novamente.

Paguei a conta, fui embora e cheguei em casa exatamente do mesmo jeito que saí, sozinha e vazia.

Não me contive em minha raiva. Joguei tudo da minha cômoda no chão, nada daquilo fazia sentido, eu tinha a deixado ir, eu a tinha perdido e nada do que eu fizesse mudaria isso. Assim que o último objeto caiu no chão eu cai também. Olhei para a nossa foto, quando éramos mais novas, em um show, o qual tinha feito tantas promessas. Minhas lágrimas caíram.

Ouço a porta abrir e fechar, passos chegam até meu quarto e não me mexo um centímetro sequer.

Como imaginava minha mãe abre a porta, sua cara é de espanto. Ela olha para mim sem entender, parecia preocupada.

-O que houve?- Pergunta me encarando.

-Medo.- Eu disse e voltei a chorar. – O medo me fez perde... não terminei a frase, apenas deixei minha cabeça pender para frente, minha mãe se aproximou e inesperadamente se ajoelhou ao meu lado. Acho que aquilo de mães entenderem é verdade. Encostei-me nela e chorei, por que sabia que Emma Swan eu não teria mais.


Notas Finais


Bjus e continuem conosco.


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