História Voraz - Interativa. - Capítulo 15


Escrita por: ~

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Palavras 4.763
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Mutilação, Nudez, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá, Vorazes, tudo bem? Chegamos ao fim da história de Voraz. O que tenho a dizer? Agradeço a todos por terem acompanhado está história, fiquei muito feliz com ela.

Eu queria pedir algo, mesmo tendo quase certeza de que nao irá acontecer, comentem neste último capítulo. Pelo menos dizendo que gostou, suas opinioes sao importantes. Queria ter este capitulo, o maior numero de comentarios desta fanfic,eu ficaria feliz. Se vc nunca comentou essa fanfic, agora, pelo menos dizendo que curtiu.

Tenham uma última e boa leitura.
Com voces, Voraz: O Prazer Insaciável de Amar.

Capítulo 15 - 13 - Batalha.


13

 

“É sempre necessária alguma escuridão para se ver as estrelas”.

- O Reino das Vozes que não se cala.

 

Não sei dizer quanto tempo demorou para chegarmos em Hallstatt, apenas que quanto mais alto subíamos, mais medo eu tinha. Ao mesmo tempo que era perigoso e amedrontador, era o que mais me chamava atenção. Era a mistura do medo com admiração. A colocação perfeita de amor e ódio que se misturavam em um turbilhão de sentimentos repentinos.

Vi as mais belas asas baterem como as aves, e a feição de Samuel me reconfortar inteiramente. Era cedo – e estranho – demais dizer que já gostava dele. Eu o amava de uma estranha maneira. Eu o conheço há alguns meses, possivelmente quatro, e já o queria para sempre em minha vida.

Sem dizer nenhuma palavra voamos de Los Angeles até dentro da longe Áustria. Avistei Hallstatt e logo sorri. A pequena cidadela brilhava naquele anoitecer. Vi pássaros e quase os toquei com minhas próprias mãos nas alturas. Vi nuvens acima e abaixo, e passamos acima de um grande avião. Era tudo lindo, tudo tão incrível, diferente, perigoso.

Ao chegar no solo, minhas pernas quase não me aguentaram. Senti uma estranha tremedeira e assim que vi que iria cair Samuel me agarrou.

Os cabelos dele foram ajeitados por mim, e suspirei, notando a fumaça que emanava não apenas da minha boca como também das altas montanhas de Hallstatt. O lago Hallstätter parecia estar frio, e de fato deveria estar.

 - O que exatamente iremos fazer? – Perguntei. Não tinha noção do que faríamos primeiro. Queria ver meu pai. Procurar meus amigos. Saber sobre Izzy. O tal colar. Eram coisas demais para se resolver. Minha cabeça quase explodiria.

Samuel não respondeu. Me deixou eu um interesse curioso de saber para onde ele olhava atento. A resposta era o escuro da floresta. Me aproximei devagar, ainda admirando as longas asas negras que se esticavam em alarme. Pisei em algum maldito galho seco, criando a distração perfeita para que algo investisse contra nós. Samuel me empurrou com a mão esquerda enquanto suas asas se abriram por completo e avançou contra uma estranha criatura na floresta.

Reclamei da dor ao bater minhas costas numa árvore. Então, eu os vi.

Primeiro a criatura saltou pelas árvores como um macaco, na verdade algum macaco muito louco. Os olhos eram o que mais se destacavam, as pupilas se dilataram enquanto o vermelho de seus olhos me mantinha como alvo. Samuel voou contra a aberração e a mesma pulou, direto para mim. Corri desesperadamente pela floresta, e Sam voltou com rapidez, pegando a criatura pela cabeça e a jogando contra a primeira árvore que viu.

— Sam! – Gritei. – Mais!

Do outro lado, saindo pelo lago, outras criaturas de olhos vermelhos vinham devagar. Todas me olhavam com risadas altas e auge incomodavam.

— Eles já estão aqui. – Samuel sussurrou pensativo. – Anna! – Gritou. – Corra para sua casa. Procure o amuleto de sua mãe!

— Não, eu...

— Faça isto! – Outra vez gritou, avançando contra as outras criaturas. – Eu ficarei bem. Lhe prometo.

— Sam!

— Vá!

Mais criaturas avançaram contra mim, mas Sam as impedia. As asas bateram e Sam atacava voando. Vi o exato momento em que a primeira criatura foi jogada contra outra. Me virei depressa correndo feito louca pela floresta.

A chuva me pegou no mesmo instante. Como já não bastasse o clima estilo filme de terror, trovões e relâmpagos me assustavam quase mais que quaisquer criaturas.

Escorreguei algumas vezes e escutei passos. Rápidos flashbacks passavam pela mente. Sam e outras pessoas corriam nuas em minha frente. O meu sonho! – Pensei.

Por que agora? Por que ter estes malditos pensamentos, justamente agora?

Continuei correndo o mais rápido que eu podia. Logo atrás, uma criatura saltava pelos galhos e se esgueirava pelo escuro. Acelerei mais o passo sabendo que podia tropeçar nas raízes de algumas árvores ou deslizar pelo barro que já se formava na floresta. Minha respiração foi se dificultando, e tossi algumas vezes. Desisti de ir para minha casa, virei correndo para algum lugar mais próximo, a casa de Sam.

Mais alguns quilômetros e já não aguentava mais. Eu sabia o que a criatura estava fazendo, ela estava me cansando.

— Saia das sombras! – Gritei já rouca. – Maldito!

— Passarinho venha cá, não voe não!

A música!

Olhava para todas as direções, sem nada aparecer. Estava ficando com mais raiva que medo, e detestava ter raiva.

— Saia...

— BU! – Fez Lust bem em minha frente.

Grunhi desesperadamente e o mesmo me arremessou contra algo fofo. As folhas de algumas árvores se espalharam no chão, e olhei em volta, avistando a casa de Sam. Me levantei assim que Lust se aproximou. Seus olhos castanhos me olhavam de cima abaixo, pareciam brilhar. Ele usava uma calça qualquer, com uma jaqueta jeans rasgada. Os cabelos ondulados estavam perfeitos, e o sorriso lindo, porém sarcástico era o que tinha no rosto.

Me virei para correr quanto eu os vi logo ali, amarrados e caídos no chão. Kat e Dylan estavam vendados e amordaçados. Ambos tentavam se mover ao escutarem passos.

— O que você fez?! – Perguntei correndo até um pedaço de pau, e o pegando para que o apontasse para Lust. – Não se aproxime!

— Ou o quê? – Perguntou. – Vai me acertar com isto? – Ele apontou o pau. – Sei que já te contaram quem eu sou, ou melhor, o que eu sou. Sabe que não pode me ferir, Anna. Nosso destino é...

— NÓS... – O interrompo com um tom mais alto. – NÃO TEMOS NENHUM DESTINO!

— Que isso, Anninha. – Lust se aproxima. – Você nasceu para ser minha.

— Ela não nasceu para ser sua! – Samuel grita nos surpreendendo.

Meu demônio protetor vem pelos ares empurrando o outro. Lust, no entanto para seu movimento com o braço esquerdo, prendendo o pulso de Sam. Sabendo ele que não seria fácil, Samuel dobrou as asas, segurando com toda força o braço do oponente, então caindo para trás, dobrando perfeitamente o braço de Lust.

O estalo do braço se quebrando me incomodou demais. O rapaz grunhiu um pouco, e tentou acertar o rosto de Sam, que já saltou para longe, pousando no chão, ao meu lado.

— Deveria ter ido para sua cada. – Sam disse.

— Mas foi bom ter vindo. – Falo olhando para meus amigos.

— Samuel Pride! – Chamou Lust enquanto voltava o braço para o lugar. – Rei dos renegados.

— Quanta formalidade. – Provoca Sam. – Mas dispenso a alcunha, maçã.

— EU NÃO SOU UMA MAÇÃ! – Gritou. – SOU O FRUTO PROIBIDO!

— Dane-se! Lust, minha luta não é com você!

— Mas a minha é com você! – Disse o outro demônio.

Lust esticou os braços, e como antes em Sam, as asas saíram de suas costas. Os olhos se escureceram, e a camisa foi jogada fora. As asas de Lust eram diferentes. Maiores? Talvez, mas não como de garças, e sim uma mistura de corvo com um morcego. Pareciam brilhar, mas não me impressionei mais. Pontos brancos estavam em suas asas, então eles se moveram, e os vi piscar. Piscar? Sim, piscar, eram olhos espalhados pelo par de asas de Lust.

Bastou um suspiro do outro, para que iniciasse o confronto.

De onde Lust estava, o bater de asas criou pequenos redemoinhos que levantaram as folhas e a terra húmida. Voaram para o céu, e embaixo da chuva fina trocavam socos e pontapés.

— Você é fraco. – Lust diz, empurrando Sam. O fruto do pecado apenas desviava de socos ousados do expulso.

Enquanto eles lutavam, corri até Kat e Dylan, retirando suas mordaças e levando a mão para retirar suas vendas, quando um pensamento veio em mente.

Eu não queria que eles sofressem como eu. Ficariam loucos, perplexos, o que iriam dizer? Como reagiriam com tudo aquilo? Porra, eram demônios, asas, olhos vermelhos. Eu sei demais, agora me perseguem também por isto, não me perdoaria se os colocassem na lista negra desse pessoal.

— Vamos. – Falei os levantando ainda com as vendas.

— Anna?! – Kat se descontrola. – O que está acontecendo? Meu Deus, Anna retire a venda. Anna! Anna! Me...

— Se acalme...

— Como. Como você quer...

— Cala a boca, Kat! Ou iremos morrer aqui! – Gritei sem controle. – Há muitos nós aqui, precisamos andar logo, não posso soltá-los, não aqui. Apenas vamos.

Guiei os dois, mas Dylan voltou.

— A tal folha! – Lembrou ele. – Anna encontramos um papel.

— Não é hora para isto, Dylan.

— Um papel estranho na casa de Sam. – Falou o loiro. – Eu não sei o que quer dizer, mas parecia ser algo importante, para Sam esconder e Lust querer tanto.

Seja lá o que fosse aquele papel, não podia me dar o luxo de voltar. Apenas puxei Dylan e continuamos devagar até chegarmos na estrada para o centro da cidade.

Enquanto isto no céu, Sam e Lust duelavam mortalmente.

Uma risada de Lust veio acompanhada de uma joelhada no queixo de Sam que parecia acabado. Lust bateu as asas, chegando mais alto, e com impulso deu uma cotovelada com força nas costelas de Sam, que ganhou força para cair.

Sam caiu de costas torcendo a asa esquerda e grunhiu.

Lust desceu devagar, com os braços cruzados enquanto via o rival agonizar. Balançou a cabeça em deboche, e se preparou para chutar quando Sam esticou seu braço e abriu sua mão, como se dissesse “espere”.

— Há! – Lust bateu suas palmas uma vez, deixando sua boca aberta. – Não brinca! Vai implorar por sua vida?

— Não seja... – Sam é interrompido por tossidas. – Não seja estúpido... Anna está correndo perigo...

— Você é o perigo que ela está correndo. – Lust rebate.

— Vai mesmo deixar seus donos a matarem?!

— Eu não tenho donos! – Lust afirma, socando o rosto do inimigo, que grunhiu.

— (Tosse) se ela... morrer, eu vou.… vou destruir você.

Lust coloca suas mãos na cintura e gargalha.

— Não está em posição de me ameaçar, Samuel.

— A folha que tanto quer! – Samuel gritou. - Leia... Anna sabe demais. (Tosse) eles querem matá-la.

— Eu jamais permitirei. Sempre protegerei Anna. Deve haver algum modo de parar a profecia! – Lust cerra o punho.

— E há, Pecado.

— Não me chame assim.

— Seu nome inicial, como um plano inicial.

— Sei o que está fazendo, Samuel. – Lust sorri. – Ou seria anjo Samuel? Enfim, sua rapidez para se curar é extremamente impressionante. – Ele repara. – Propõe o quê?

— Eu proponho que façamos Anna viver. – Samuel diz. – E com isto, acabaremos com todos eles.

— O que seria isto? Uma trégua? – Pergunta o castanho.

— Já fomos amigos.

— Já fomos. – Realça o outro.

— Então sim, uma trégua. – Fala Samuel esticando o braço.

Lust observa o ato e o repreende.

Samuel abre suas asas certificando que estão melhores, e os dois voam rápido.

E eu? Bem, cheguei na praça Markplatz 22:38. Não havia muitas pessoas. Ótimo, assim sem perguntas.

Retirei as vendas de Kat e Dylan, e finalmente consegui retirar os nós da amarração em Dylan.

— Dylan, ajude Kat e vão para casa.

— Como assim, Anna? – Dylan segura firme o meu pulso. – Queremos respostas, não pode simplesmente vim e entrar outra vez em nossas vidas e depois sumir sem nos dar satisfação.

— Dylan, eu...

— Ele tem razão, Anna. – Kat fala, entregando os braços para que Dylan tente a soltar. – Onde esteve? O que aconteceu hoje? Eu estou com medo, NÃO! – Gritou. – Eu estou é apavorada, caramba!

— Eu prometo que tudo vai se esclarecer. – Garanto, sem mesmo eu ter a certeza. – Apenas fiquem em sua casa, e não saiam de lá.

Fico de costas para eles. Mesmo eles me gritando, acabei correndo para minha casa. Não poderia os envolver mais ainda naquela história.

Virei algumas ruas e me aproximei de minha casa. Aparentemente tudo bem. Caminhei o resto do caminho, e vi a senhora Lockwood mais uma vez aguando suas plantas.

Quando me viu, a mulher arregalou os olhos, e acelerei para que não me enchesse de perguntas idiotas.

— Anna querida. – Me chamou.

Merda.

— Sim? – Forcei um sorriso simpático, que mais se pareceu com o cínico.

— Seu pai disse que você tinha sido sequestrada...

— Eu estou bem, Dona. – Falei, passando por ela e entrando em minha casa. Suspirei atrás da porta revirando os olhos e comecei a revirar a casa.

Corri para o quarto e nada por ele. Revirei guarda-roupa, penteadeira, abaixo da cama, e procurei por qualquer porta secreta (qual é, têm demônios em minha vida; sou descente direta das segundas filhas de Eva; Deus e Lúcifer se aliaram para matar meu namorado; eu voei com um cara de asas; meu pai mata demônios. Não me surpreenderia se encontrasse uma porta secreta).

Desci as escadas indo direto para a cozinha. Joguei todas as gavetas no chão, todas as portas foram abertas. Não havia nenhum amuleto. Arrastei armários, os derrubando, e nem sabia de onde vinha aquela força.

Parei um instante e me assustei quando o celular tocou. Pela janela avistei a senhora Lockwood molhando suas rosas, e me virei para atender o celular.

— Sam? Como está? Eu não....

Estou bem. Pegue o amuleto e corra para a igreja e me encontre lá. Não confie em ninguém. Eles já te observavam antes, podem ser qualquer um. – Disse e desligou.

Podia ser qualquer um. Qualquer um.

Escutei o barulho de água, e rapidamente me virei. A mangueira da vizinha estava caída no chão jorrando água, e a senhora Lockwood não estava em meu campo de vista.

Caminhei atenta e devagar pelo corredor entre a sala e a cozinha, com medo de encontrar o que não queria encontrar, e infelizmente encontrei, a porta aberta.

Me abaixei para pegar uma das facas caídas, e apontei enquanto andava.

— Senhora Lockwood? Precisa de algo? – Questionei.

Então o barulho.

Me virei, avistando a janela agora aberta, com ela lá. A idosa babava estranhamente. Os olhos estavam negros, e a cabeça contorcida para trás, me olhando freneticamente. Parecia esperar um ato para agir, então resolvi me manter ereta, quieta.

Tentei dar alguns passos para trás, mas ela me olhou, e grunhiu.

Gritei abismada e comecei a correr pelas escadas.

A senhora possuída veio pelas paredes como em filmes de horror, como uma aranha nem escorregava. O barulho que ela fazia me fez querer chorar, eu estava desesperada.

Ela subia e saltava pelos móveis, chegando na escadaria. Seu corpo veio torcendo e retorcendo a cada degrau. A boca se abria desproporcionalmente, e vi sangue respingar por cada canto da casa.

Entrei no quarto de meu pai trancando a porta. Arrastei a cama, e a criatura começou a bater, e bater, e bater.

— Meu Deus! – Gritei.

Abri o guarda-roupa do meu pai, retirando todas as roupas, e nada. As gavetas foram retiradas, e a cômoda inteiramente revistada.

— Isso! – Falei quando encontrei água benta.

A porta foi arremessada contra a outra parede, e me preparei.

De cima, o demônio veio se esgueirando sorridente.

— Venha, seu demônio imundo!

E veio.

Ele avançou com tudo, e ao se aproximar cravei a faca banhada com a água benta. Acertei seu pescoço, e a aberração grunhiu de dor.

Sorri, mas muito cedo. A faca foi retirada, e mesmo com o corte o demônio se aproximou, me empurrando contra o closet. Caí de costas, e reclamei. O demônio segurou meu pé, e quando o torceu, gritei o mais alto que pude. Bati minhas mãos até acertar um pequeno pote, e nele, a imagem de minha mãe. Meu pai guardou coisas dela!

Rapidamente abri o pote, e encontrei o que estava procurando.

Um simples cordão aparentemente de ouro, e uma pedra roxa que encantou meus olhos.

— Hei! – Chamei a atenção da criatura. – Vá se foder! – E coloquei o colar.

O demônio, que segurava meu outro pé apenas grunhiu antes de se tornar apenas pó. Foi tão rápido, tão simples, tão preciso.

Toquei o colar, sorrindo à toa.

— Anna?! – Assustei com a chegada de Izzy. Na verdade, nem reconheci aquele estilo selvagem bad girl dela. – O que está acontecendo aqui?

— Anna, precisamos...

Sam se aproxima.

As asas! Merda, as asas!

Izzy não parava de olhar para elas, assim como eu em outrora.

— Sem tempo para explicações. – Ele fala, puxando Izzy.

— Como assim? Anna, ele tem asas! Anna. Socorro! SOCORRO! – Ela grita com medo. – Meu Deus, o que está acontecendo? Anna!

Corri com eles, mas caí na mesma hora. Meu pé estava torcido.

— Filho da mãe! – Reclamei.

— Está bem? – Pergunta Sam ainda segurando Izzy.

Concordei.

— É apenas torção, ficarei bem. Pode indo.

Sam levou Izzy em segurança, e fui me escorando pelas paredes.

Lá fora, Lust me olhou distraído. Nem questionei sua presença, se não iniciou um confronto não era o nosso rival.

— Filha! – Escutei meu pai.

Saí pulando com uma perna para encontrá-lo, e ele se apressou ao me ver caindo. Ele me abraçou forte e desabei em seus braços. Chorei.

— Estou com medo.

— Eu sei minha filha, eu sei. – Sua voz era macia, e me confortava. – Vai ficar tudo bem. – Disse ele.

Talvez se meu pai não estivesse com medo e inseguro com o que si mesmo dizia, fosse mais fácil me fazer realmente acreditar que tudo ficaria bem.

— Todos para a igreja! – Ellis, avó de Izzy gritou.

A chuva engrossou e mais trovões se iniciaram.

Então todas as luzes se apagaram.

Escutei passos lentos no fim da rua, e com a iluminação lunar, alguém veio caminhando. Um homem moreno se aproximou de jaqueta de couro enquanto batia palmas.

— Todos passarinhos reunidos. – Disse o homem. Thomas era o seu nome, era o último fiel presente naquele dia, no dia em que começou tudo. – Stefã, o padre. Ellis, a ex-fiel. Sam, o expulso. Lust, o pecado. E você. – Thomas me olha. – Anna, a descendente de Eva.

— Não precisa disto, Thomas. – Sam fala. – Deus...

— O que Deus quer? Nada! – Gritou o moreno. – Nem estou fazendo nada.

— Vendeu sua alma ao Diabo para vingar uma namorada! – Revela Lust.

— Jessie não era minha namorada! – Thomas gritou. – Ela era. Ou melhor, é.

O moreno aponta no escuro, e hordas de demônios se aproximam. No centro deles, a moça de unhas pintadas de roxo sorri. O cabelo acastanhado está caído para o lado esquerdo de seu ombro. Mordisca devagar seu lábio inferior, olhando atenta para Sam.

— Você!

— Eu tentei te avisar, Samuel. – Disse Scar. – Tentei mostrar o que você deveria fazer, mas me ouviu? Não! – Scar caminha poderosa até próximo a Sam. – Anna seria sua destruição, e ainda será, se caso não aceite sua morte.

— Jamais! – Sam grita.

Ela. Claro. Eu sempre soube. No penhasco, era ela.

— Foi você! – Gritei, chamando a atenção de Scar. – No penhasco, você quem tentou me matar!

— É, e hoje não irei apenas tentar. – Diz ela. – Matem todos, deixem apenas Samuel e Lust vivos. Eu quem vou te matar Anna.

Surpreendendo Scar e a todos, Lust saltou atrás dela acertando dois dos demônios. O rapaz bateu as asas, atraindo a mulher, e se aproveitando, Samuel empurra a mesma.

— Atacar! – Gritou Thomas.

As hordas de demônios começaram a correr em nossa direção. Vi no momento em que Cry correu pelo meio da rua desembainhando uma espada. Ela acertava cada demônio, e se tornavam pó, assim como a senhora Lockwood. A Dona Ellis retirou uma espécie de adaga, e fazia o mesmo.

— Eu vou ficar. – Falei, me soltando de meu pai que me puxava.

— O quê? – Ele pergunta perplexo. – Ficou louca?

— Eu consigo ajudar. – Falei mostrando o colar de minha mãe. – Cuide de Izzy.

Notei Izzy, e nos braços de sua avó, se encontrava desmaiada. Meu pai, vendo que eu não iria mudar de ideia, pegou Izzy e correu com ela para a igreja.

Cry e Ellis lutavam contra olá demônios, não os deixando se aproximar de mim, e nem que atrapalhasse as lutas dos outros.

Lust socou Thomas, que caiu contra o chão. O moreno logo se levantou com raiva investindo contra o demônio. O ex-fiel estava possuído por algum demônio mais forte, e ao tocar em Lust, o puxou para baixo.

— Não me faça te matar! – Scar pede, enquanto tenta acertar Samuel.

— Jamais machucará Anna! – Ele fala.

Um enorme frio na barriga veio de imediato quando vi Scar segurar o pescoço de Sam. A mulher o jogou para trás, e vi, o que parecia ter ficado “comum no dia. Scar abriu suas asas prateadas e sorriu maquiavélica para mim. Bateu as mesmas e voou em minha direção.

— Deixe ela em paz! – Grunhiu Lust, lhe investindo um soco.

Scar apenas virou o rosto com o ataque. Sorriu poderosa, partindo para cima do rival. Primeiro enxerguei socos, e depois Scar já feriu Lust no peito. Ela era muito ágil.

— Preste atenção! – Gritou Cry derrubando um dos demônios que se esgueirava atrás de mim. – Isto não é um jogo, Anastácia!

Ela estava certa. Não podia dar o luxo de morrer ali.

Corri até os demônios, e o primeiro me segurou pelo pulso. Gritei desesperada, mas então a aberração notou o colar. Meu amuleto rapidamente brilhou, e com ele, a criatura. Os olhos vermelhos foram se dissolvendo, assim como suas garras, contudo, o corpo. Fez-se pó.

— Você está bem? – Questionou Ellis pousando a mão em meu ombro.

A chuva parecia só aumentar. E a cada golpe, trovões e relâmpagos surgiam no local. A igreja, calada, e torci para que Izzy e meu pai estivessem bem. Outra vez, aquela péssima sensação que me desconfortava. Vi algumas das criaturas criando asas e voavam para a igreja. Lust lutava ainda contra Scar, e Sam contra Thomas. Cry e Ellis derrotavam a horda, restou para mim.

Corri pela rua que se erguia até a igreja, desviando de criaturas do chão, apressando mais ainda o passo.

Me aproximei, porém, a porta estava aberta, e vi que entraram.

Subi os degraus tão rápido que quase escorreguei no segundo. Passei pela porta, a fechando e trancando atrás de mim.

A primeira criatura já estava morta, e a segunda voou pela igreja. Os dentes pareciam ser maiores, e o odor de enxofre na igreja incomodava.

— Se prepara! – Gritou meu pai acetando a criatura com água benta.

A aberração urrou e caiu no centro da catedral. Corri até ela balançando meu colar. Em um único toque o demônio desapareceu.

— Senti que precisava de mim. – Falei.

Meu pai nada mais disse. Apenas correu. O segui.

Passei pela ala de confissão, descendo alguns degraus no final do corredor. Me lembrei de quando retornei do México, indo para igreja e encontro a igreja totalmente ensanguentada, fiéis morreram naquele dia. Desci até embaixo, e me deparo com a senhora Mendes sendo exorcizada, e agora cá estou eu novamente.

Desci as escadas de um local, e quase a mesma cena se repetiu.

— Saia! – Gritou meu pai pressionando Izzy na maca. Os olhos dela estão cinzas, e assim como a coloração de sua pele.

Izzy arrasta suas unhas pela maca, até que as mesmas se quebram pela força. Tapo minha boca, e choro escondida.

— Saia! – Ele prossegue. – Em nome de Deus. Hei!

— Vá se foder, padre! – Grunhiu ela. – Anna sua vadia pecadora, me tire daqui. Me tire daqui. Me tire!

— Anna...

Stefã iniciou, porém Izzy o interrompe. A garota se solta da maca, indo direto ao forro. Corro até ficar ao lado de meu pai, e ficamos atentos.

— Izzy! Eu sei que está aí...

— Ela está sendo fodida por Samael! – Grita o demônio se debatendo.

Ele se joga, tentando me acertar, mas ao desviar, acerta a cabeça na parede.

— O que vamos fazer? – Pergunto.

— Eu apenas preciso contê-la novamente. – Meu pai responde.

Tentamos cercar Izzy, mas ela era mais esperta, ou melhor, a criatura era. Ela avançou contra mim tentando me acertar, mas meu pai pulou sobre ela. Não perdi tempo, corri até a maca, notando correntes ao lado, as peguei e comecei a passá-las pelo corpo de Izzy.

— Não! – Gritou. – Não faça isso Anna!

— Pronto minha filha. – Ele diz. – Vá ajudar boa outros.

Estranhei meu pai pedir aquilo. E estranhei ainda mais que não havia mais barulho de chuva, nem de nada.

Saí da igreja às pressas. Onde estava a batalha?

Ao descer mais ainda a rua, abri a boca em um perfeito O. Todos ainda estavam lá, mas não como eu queria.

— NÃO! – Gritei, obtendo a atenção de todos.

Cry e Ellis estavam amarradas, cercadas por pelo menos doze demônios. Scar, ao me ver abriu um longo sorriso. Ela passou a adaga pelo próprio braço como entrando em êxtase. A castanha mordiscou o lábio e caminhou até Thomas, lhe dando adaga.

— Anna. – Ela inicia. – Acabou.

Sam estava de joelhos, ao lado de Lust.

— Não faça nada, Scar! – Sam gritou. – Ela não pode morrer. Não, por favor...

— Não é nada pessoal, Anna. – Ela prossegue. – Sam precisa voltar para o inferno, Sam precisa viver. E você. – Ela me aponta com o dedo correto, exibindo sua longa unha pintada de roxo. – Justamente você, o impede disto.

— Escute, Scar...

— ESCUTE VOCÊ, ANNA! – Ela grita, conseguindo me amedrontar. – Ainda terá sorte, não te farei sofrer. Morrerá rápido, e assim, eu e Sam voltaremos ao inferno.

— Perdão, Scar. – Thomas se manifesta. O moreno desliza a adaga entre os dedos e sorri. Scar me dá as costas, estranhando o ato. – Não entrei em um corpo imundo para não fazer o que era para ter sido feito. – Ele fala. – Vou cumprir a profecia.

— Não! – Ela grita. – Você não pode! Anna vai morrer, então a profecia não se cumprirá!

— Ela ainda não morreu. – Diz o moreno rodeando entre Sam e Lust. – E Sam caiu, foi expulso, iria procriar. Sabe o destino dele, Scar. E é igual ao seu. Você amou, demônio não ama!

— Vou arrancar seu coração! – Ela ameaça. – Se tocar em um fio de cabelo dele.

— Ordens superiores, querida. – Ele aponta para baixo.

Thomas maneja sua adaga, e Scar bate suas asas. Me impressionei com tamanha rapidez, e Thomas também. O moreno abaixou sua arma, e quando foi acertar Sam, o braço da mulher entrou na frente.

Scar grunhiu, e ao notar, os doze demônios que cercavam Ellis e Cry, agora sorriam cada um segurando partes sua.

— Não! – Sam gritou se afetando.

Prestei mais atenção, e vi que Scar o tinha empurrado.

— Eu disse para você. – Scar olha Sam. – Eu sempre iria lhe proteger. De tudo.

Thomas retirou a adaga, e as criaturas agiram. Arrancaram primeiramente a asa de Scar, e depois começaram a lhe morder. Sam tentou agir, porém Thomas se manteve no meio.

— Temos assuntos a tratar. – Ele fala.

Sam bufa, e noto a diferença, a voracidade. Mais rápido que Scar, mais forte que Lust. Sam estava incontrolável. Aposto que nem Thomas esperava. Primeiro socou o queixo dele, e arrancou os pequenos chifres que saíam pela testa. Nem mesmo revidou o moreno, e Sam já estava voando com ele lhe dando socos.

— Maldito! – Gritou Sam. O próprio bateu as asas, juntando as mãos juntas e como um martelo, socou o crânio de Thomas, que caiu em uma queda livre até se afundar no asfalto.

Cry e Ellis voltaram a atacar os demônios, mas era tarde, Scar estava morta.

Sam o socou ainda mais, e seus olhos haviam mudado.

— Sam! – Gritei.

Ele não me olhou. Apenas socou Thomas mais uma vez. Olhei para os lados, e nem sinal de Lust. Ou seja, ninguém podia parar Sam. Era outro Sam, um Sam que me fez ter medo.

— Pegue! – Joguei para Sam a adaga de Scar. Vi Ellis e Cry rezando, e o pote de água benta que elas usaram nas adagas, inclusive a que joguei para Sam. Lembrei de tudo que meu pai me disse, e sabia o que devia ser feito. – Não está matando ele, apenas está socando um corpo temporário. A adaga, ela vai matá-lo!

— NÃO! – Gritou Thomas em meio ao sangue que cuspia.

Sam pegou a adaga, e não pensou duas vezes antes de atingir o coração de Thomas. O grito agudo parecia ser um animal selvagem, então ele desapareceu, para sempre, por toda a eternidade.

Leve, a chuva retornou.

Lavando toda a rua, e toda a alma.

Sorri, totalmente desacreditada. O que eu acabei de fazer? Lutar contra demônios, quantas pessoas podem dizer isto?

Sam se aproximou, de um jeito sombrio, me envolvendo em um gostoso abraço. E também riu. Depois Ellis e Cry. Havíamos vencido. Ótimo. Tudo havia acabo. Tudo ficaria bem.

Eu estava exausta. Resolvemos ir até a igreja, mas ao virarmos, a imagem.

Sam me segurou para que eu não caísse. Ao lado, Ellis aumentava seus passos, até que acabou correndo até meu pai.

Meu pai desceu o primeiro degrau. Sua roupa estava coberta de sangue, e os olhos marejados. Os braços esticados seguravam Izzy morta. Caí em prantos, sem dizer nada. Ellis já gritava o suficiente. A senhora pegou Izzy no colo, e com ela caiu no chão molhado.

Tudo parecia caminhar em câmera lenta. Abracei meu pai assim que ele se aproximou. Ele havia tentado. Eu já imaginava. Eu já tinha visto aquela cena.

Voltei a abraçar Sam, não segurando minhas lágrimas. Chorei, chorei ainda mais. Mas agora eu tinha quem enxugasse minhas lágrimas. 


Notas Finais


R.I.P Izzy, quem diria.
R.I.P Scar.


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