História Walk On. - Capítulo 15


Escrita por: ~

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Palavras 5.597
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Yuri
Avisos: Bissexualidade, Linguagem Imprópria, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olá, gente. ATENÇÃO AQUI:
COMEÇO DIZENDO QUE ESTE CAPÍTULO NÃO ESTÁ NADA BOM, QUEM NÃO QUISER LER DRAMA, PLEASE.
WALK ON ESTÁ NESSA FASE, E EU NÃO AGUENTO MAIS TANTO ''MIMIMI.'' QUEM NÃO QUISER SE ''DECEPCIONAR'' NÃO LEIA!
No mais, obrigada e desculpem, mas hoje não estou no meu melhor dia.
Sobre o cap: Escrevi correeeeeeendo.

Bjs.

Capítulo 15 - Culpas.


– Taylor, eu nunca tive a intenção de causar nenhum dano a Violet. – Lin estava com a voz balanceada, as mãos endureceram, aquela fora a pior sensação que já sentiu em toda a sua vida.

– Lin, eu sei! Ok? Eu sei! Não foi culpa sua. Isso poderia acontecer com um deslize meu ou de Laura. – Sem ter tempo para dialogar, ela andou depressa até o quarto em busca da bolsa. Em seu colo, Violet chorava, agoniada. O medo fez com que as lágrimas de Taylor secassem, sumissem. Ela estava endurecida de tanto nervosismo. Pendurando a bolsa no antebraço, ela voou até a sala, apanhou o celular e ligou para Laura, mas a morena não atendia. Sua segunda tentativa foi o número de Jodi. A amiga de Laura a atendeu e Taylor contou todo o ocorrido. Jodi pediu que ela mantesse a calma e levasse Violet para o Mount Sinai Hospital, uma vez que este estava mais próximo dos apartamentos das atrizes. Ela garantiu à Taylor que estaria a caminho de lá.

– Eu levo vocês. – Lin se ofereceu. Apesar de Taylor ter penhorado que o seu lapso não fora proposital, nada lhe arrancava o peso das costas, a cada minuto que se passava ela sentia-se mais culpada ainda. Schilling mostrava-se desolada. A reação alérgica da pequena avançava com rapidez, os lábios começaram a ganhar um inchaço atemorizante, Taylor não teve muito a pensar sobre Caitlin a levá-las, o que estava em jogo era o bem-estar de Violet.

Os minutos iam se passando e o rosto de Violet modificando. O contorno em volta do olho direito estava mais proeminente, semelhando a picada de uma abelha. Na emergência do hospital, Violet fora examinada visualmente, os médicos pediam o histórico completo do que ela havia ingerido, mas o nervosismo travou a memória de Taylor, tudo o que ela sabia fora o nome do agente da reação alérgica. A garganta de Violet ganhou um inchaço rebelde, levando a equipe a usar uma masca de oxigênio. Taylor tremia horrores. Eles a acalmaram, uma vez que a pobre estava entrando em pânico. A criança recebeu medicações para aliviar os sintomas da alergia e do inchaço sob a pele do rosto. Os bracinhos ainda estavam avermelhados assim como os olhos de Taylor. Caitlin tentou dizer-lhe uma coisa e outra, mas ela parecia estar longe dali. Vivi conseguiu dormir para que os exames fossem realizados, ela ainda precisava da máscara para respirar, fato que levou as duas loiras ao choro.

Enquanto aguardava notícias, Taylor sentiu que sua alma fosse abandonar o seu corpo ao ver Laura e Jodi adentrarem a sala de espera. O coração se sacudia dentro de seu peito, a pressão arterial despencava como se fosse um elevador sem controle. Ainda assim, Taylor se manteve sentada. Laura estava com os cabelos bagunçados, olhar desesperado. Ao bater os olhos em Caitlin, Prepon mudou de expressão completamente. Caitlin continuou sentada ao lado de Taylor, amparando a olhada fatal que recebia, aliás, retrucava.

– Eu quero que você escute bem o que irei dizer. – Laura parou na frente de Taylor, apontando-a com o dedo. Taylor alçou os olhos para ela, sabendo o que viria e como viria. Ela estava predisposta a escutar o que quer que fosse, desde que seu bebê estivesse bem. Sua saúde era a prioridade do momento. – Se eu souber que essa aí – Apontou Lin com uma jogada de cabeça. – esteve perto de Violet, se eu chegar a sonhar com isso, Taylor, eu a arranco de você!

O peso daquelas palavras retorceu os ossos de Taylor, fazendo-a tremular os lábios e olhos. Laura estava muito nervosa, a forma de como ela a olhava.. Aquela forma era cortante, sem emoção, empatia, apenas repugno, repulsão. A resposta de Taylor foi o silêncio. Ela estava destruída demais para rebater, triste demais para explicar que o erro não havia acontecido por sua parte. Ela entendia de ponta a ponta a fúria que Laura vinha a sentir, ela também era a mãe de Violet.

– Em primeiro lugar, Caitlin é o meu nome. – Ela ficou em pé. – Taylor não teve nada a ver com o que aconteceu à Violet. Não a culpe, não seja grosseira com ela.

– Não estou interessada em saber da droga do seu nome, porra! – Laura daria um passo à frente, Jodi impediu. – Violet estava na responsabilidade dela! E você, sua.. Sua.. – Ela a olhava, balançando a cabeça. – Condenada dos infernos, da próxima vez enfie a merda de um Donuts no meio de sua bunda.

– Laura, por favor. – Jodi abaixou o braço dela, pedindo-lhe calma. Alguns enfermeiros olhavam a discussão, a maioria sabia de quem elas se tratavam, então, era bom evitar o escândalo.

– Chega! – Taylor levantou apoiando a mão na parede. – Laura, pare com isso, por favor, apenas pare.. Pare já! – Tomou-a pelo pulso, tirando-a do meio da vista dos outros. Conduzi-la até a outra sala de espera não era uma tarefa fácil, ela puxava os braços, nervosa.

– Eu não irei ficar aqui discutindo assuntos sem fundamentos com você. Eu preciso ver a minha filha. – Ela estava disposta mesmo em virar as costas e ir atrás de informações. Entrando em cena, as mãos de Taylor a puxaram.

– Violet está um pouco irreconhecível. A reação alérgica foi muito agressiva. – Ela fez uma pausa e respirou fundo, soltando as lágrimas que a tristeza havia prendido. – Ela é pequena demais, oh Deus.. – Ela chorava copiosamente, não para convencer Laura de algo, mas por estar arrasada, não havia fingimentos, só uma mãe despedaçada por se deparar com aquela situação.

Laura começou a respirar aceleradamente, o medo sentou em seus ombros, levando-a a crer no pior.

– O que vocês fizeram com o meu bebê, Taylor? Por favor, eu quero saber. – A voz dela estava assustadoramente baixa, trêmula, como se fosse aumentar a qualquer momento.

– Ela não fez nada! – Caitlin chegou para esclarecer as coisas. Laura tinha sangue nos olhos ao encará-la.

– Por favor, Caitlin! – Taylor disse, rangendo os dentes. – Deixe-nos!

– Mas ela a está culpando por algo que você não fez, não é justo. A culpa foi minha, Laura Prepon. – Lin já estava se cansando. – Será que você tem problemas em entender?

– Então é assim, não é? Você envenena o meu bebê com suas porcarias, e ainda quer que eu entenda algo? Ela está nesse hospital por sua imprudência e a de Taylor. Ela não teria que deixar você chegar perto da minha filha. – Estavam muito perto uma da outra.

– Eu já o fiz antes e não a machuquei! – Arqueava a sobrancelha, alterada. – Taylor não tem culpa, é a última vez que eu irei lhe esclarecer isso.

– Ou o quê? – Laura deu um passo à frente, olhando-a de perto. – Fala?

– Vocês duas querem parar? Que inferno do caralho! – Taylor puxou Laura pela cintura, ela estava tão disposta a sentar o tapa no rosto de Lin, que nem percebeu o afastamento. – Lin, vá embora.

Caitlin viu o desespero no olhar dela, morrendo de pena, ela disse:

– Me desculpe, Taylor. Eu sei que você está preocupada, mas a culpa não foi sua. Eu irei embora para que você fique em paz, mandarei mensagem. – Ela não olhou para Laura, apenas deu um aperto sentido no braço de Tay, saindo.

Laura olhou Taylor. Não tinha muito no seu olhar, apenas amarguras. Ela simplesmente a deixou ali, indo buscar informações.

O pior já havia passado, Violet apresentava uma melhora em se tratando do inchaço no rostinho. Ela havia desencadeado uma diarreia por conta da alergia, mas passava bem e dormia com a ajuda do oxigênio extra, a garganta precisava desinchar para ela poder respirar por conta própria. Ela estava deitada em uma cama com grades coloridas na ala infantil, segurando a ponta do dedo de Taylor. O bracinho fora marcado por uma caneta cutânea, a pele já dava adeus ao tom avermelhado. Taylor a olhava com o coração nos olhos. Sentia horrores por vê-la naquele estado, para qualquer mãe aquilo era a pior das piores torturas da vida. Não se tratava de classe social, etnia, nada, apenas a vida de seus bebês em jogo.

Laura estava ali também, mas falava ao celular com alguém que Taylor não fazia ideia de quem seria. Ela falava de cabeça baixa, massageando os olhos, de vez em quando, balançava a cabeça positivamente, dando a entender que concordava com o que a outra pessoa falava. Olhando para os pés, Taylor esbugalhou os olhos, estava de pantufas cor-de-rosa. Jodi, ao seu lado, riu.

– Desligada.

– Eu saí tão apressada.. – Ela olhou-a, sorrindo por sorrir. – Não percebi.

– Tudo bem. Relaxa. Está bonito. – Jodi esticou-se um pouco, massageando-a nas costas. Schilling tinha o semblante de alguém com sono, mas era só a aparência, ela havia chorado muito, e os olhos ficaram bem pequenos.

– Algo precisa estar bonito aqui.

– Além de Violet parecendo um marimbondo?

As duas riram da maldade dela.

Duas enfermeiras vieram para conferir a respiração de Violet. Laura desligou o celular e aproximou-se, atenta. O neném teria que passar mais algumas horas em observação até que a protuberância e a soltura diminuíssem. Talvez ela tivesse alta só no dia seguinte, já que as horas haviam passado rápido. Lá fora entardecia bem lentamente. Laura deixou um beijinho na pequena boca de Violet, conversando algumas coisas no ouvido dela. Sua fisionomia havia melhorado, ela não aparentava mais ser aquela Laura raivosa e absorvida. O braço de Taylor estava ficando dormente, mas Violet ainda segurava a ponta de seu dedo, ela não puxaria a mão, não mesmo. Laura esbarrou o braço no seu, sem olhá-la, ela voltou a sentar na poltrona, mexendo no celular.

Ajeitando o braço por cima da grade, Taylor arrastou a cadeira até a borda da cama, deitando a cabeça ali. Ela pesava tanto, longe de ser uma simples dor de cabeça. Jodi e Laura estavam mergulhadas em seus celulares. A TV do quarto seguia ligada, produzindo desenhos animados. Taylor bocejou, sentindo uma onda de sono a invadir. Na bolsa jogada aos seus pés, seu celular fez um escândalo ao receber uma mensagem. Ela conseguiu se desdobrar para apanhá-lo com a mão livre. As mensagens vieram de Lin, Eloise e Natasha. A de Lyonne a fez sorrir.

‘’ Por que caralhos você me comprou um espremedor de laranjas?’’

Só Natasha para ousar arrancar um sorriso seu. Ela respondeu a mensagem com um coração. Eloise brigava consigo por ter desaparecido, de novo. Taylor demorou meia hora para escrever uma resposta a ela. Caitlin perguntava o seu estado e o de Violet. Schilling contou que a menina estava em observação, mas não falou a respeito de seu emocional. Lin agiu inocentemente, contudo, deixou-a muito chateada. Violet era um bebê, porque ela não pensou antes de colocá-la para provar o recheio daquela maldita rosquinha?!

O que também pesava era a forma de como Laura estava lhe tratando. Não queria confetes, sorrisos, beijos ou abraços, queria que ela entendesse que o sofrimento era igual, principalmente por Violet ter sofrido o incidente em sua responsabilidade.

Violet se mexeu e soltou seu dedo, ela tentou levar a mão até a face, mas Taylor segurou, imaginou que ela fosse coçar a vista. Laura, de novo, levantou indo verificá-la. Ela passou a ponta dos dedos por toda a superfície do rosto de Violet, distribuindo alivio imediato.

Taylor recebeu a ligação de Tish, e foi obrigada a sair do quarto para não acordar Violet. A mãe estava em Manhattan com Sam, aproveitaria para vê-la. Tay contou-lhes o incidente de Violet, chocando-a. Ao encerrar a ligação, ela sentou um pouco na sala de espera, sua mãe logo viria e lhe encheria de broncas. Ao fundo da sala, Taylor via pessoas passando pelo corredor, médicos, pacientes, visitantes.. Ficou imaginando como seria a sua vida se fosse um deles. Por um momento ela não queria ser quem era, o que era.. A vibração do celular em sua perna a fez voltar ao mundo real. Caitlin. Ela a ligava. Taylor estava tão bagunçada, que ela deixou passar, ficou a olhar a tela do celular por alguns minutos. Laura foi procurá-la, e pela cara que ela fazia, coisa boa não era. Schilling sentiu o estômago rodar.

– O que aconteceu?

– Conversei com a médica de Violet. – Apontou a cadeira. Taylor sentou-se. – Sabe o que ela me disse?

– Não..

– Que Violet teria vido a óbito se você não a trouxesse.

Taylor ficou imóvel. A informação desceu por todo o seu corpo destruindo tudo.

– Não adianta me fazer essa cara! Você me decepcionou e colocou a vida da minha filha em risco. Eu nunca irei te perdoar por isso, Taylor. Vê-la transando com Caitlin não foi nada perto do que vocês duas fizeram com Violet. – Laura estava fria mesmo, e ela sabia disso. Por dentro seu coração já nem batia mais, ao saber da entrada de Violet na emergência, seu mundo ficou estraçalhado. Jodi cuidou para que ela não viesse a ter um ataque do coração, já que o desespero quase a matou. Pior ainda foi saber que Caitlin estava presente com a criança. Foi o fim. Ela mal podia olhar para Taylor sem que quisesse apertar-lhe o pescoço. – Eu mataria vocês duas se o pior tivesse acontecido.

– Você sabe que eu não a machucaria! – Ela disse. – Eu não tinha ideia de que a Caitlin apareceria, mas não irei te convencer disso, Laura, não mesmo. Eu estou sofrendo aqui! Eu estou sofrendo por você, por mim e por Violet! – Ela levantou. – Eu adoraria poder mudar o que passou, poder não ter começado a nossa história, deixar que Violet viesse para a sua vida com outra pessoa, mas não dá. Eu sinto muito por isso. Não estou me fazendo de vitima, a vítima disso tudo é Violet, ela é a única inocente entre nós. – Respirou um pouco. – Eu não sei o que fazer.. Neste exato momento eu estou tão decepcionada comigo mesma. – Laura mordia o lábio, olhando-lhe. – Sei que a culpa não foi minha, mas eu poderia ter sido mais cuidadosa com Violet, prestado mais atenção nela. Eu não estava vendo quando Caitlin deu-lhe Donuts para provar. Estava lhe respondendo. – Sua voz foi ficando mais pastosa, a boca amargava. Estava horrível como humana, mulher e mãe. – Violet tem você. Essa é a sorte dela, se ela tivesse só a mim.. – A fala sumiu.

Laura ficou olhando-a em silêncio.

– Eu não posso abrir mão dela, eu a amo tanto. Você pode não acreditar nisso, mas eu a amo com todo o meu ser, se fosse preciso eu daria a minha vida por ela agora, já. – Taylor enxergava tudo a sua volta como ruína. Essa palavra vinha em sua mente o tempo todo. – Saber através de você que ela teria morrido se eu não a trouxesse.. Meu Deus. – Lágrimas grossas rolaram de seus olhos. – Eu espero nunca mais ter que viver essa reflexão, eu espero nunca mais ouvir isso. Eu estou tão fodida por dentro que você não faz ideia. Sua decepção não é nada perto da que eu estou sentido por mim.

– Eu só quero que você saiba de uma coisa, Taylor: Se Caitlin chegar perto da minha criança, eu irei fazer um inferno na vida dela. Se você quer se envolver com ela, não será mais problema meu, depois do que aconteceu hoje, quero distância! Não posso proibi-la de ver Violet. Mas posso e irei proibir essa desgraçada de chegar perto dela. Está ouvindo bem, não é?

– É claro que eu estou te ouvindo, Laura! Você escutou o que eu disse a você?

–Não faz mais sentido para mim, Taylor. Desculpe, mas não faz!

– Esqueça o que eu disse, Laura. Eu darei um jeito em tudo. Não agora, pois não estou com a cabeça no lugar. Preciso de um segundo sozinha. – Ela saiu da sala de espera e foi à procura dos médicos que cuidavam do caso de Violet. Eles explicaram-lhe que por conta do inchaço na garganta, Violet poderia ter morte por asfixia, uma vez que a reação alérgica dela ia avançando com muita rapidez, e ela era apenas um bebê para aguentar por muito tempo. Taylor estava ficando cada vez mais desanimada para a vida. O pânico ao imaginar como teria sido se não trouxesse a menina para o hospital, a fez ficar desacordada.

Laura voltou para a ala infantil aos prantos, mas bastou ver Violet acordada e sorrindo para a avó, que tudo foi ficando mais colorido. Sua menina estava viva, só que com uma alergia terrível a avelã e familiares. O fato de a mãe de Taylor estar presente deixou-a surpresa. Tish contou-lhe o que fora fazer em Manhattan. Não foi para ver Taylor, mas já que estava ali, faria-lhe uma visita. Sam também viera, mas não estava no quarto, Laura acreditava que ele podia ter ido atrás da irmã.

Taylor fora atendida e medicada, ela pediu ao irmão que não dissesse nada. Uma vez que já estava de pé e ciente de tudo. Infelizmente o remédio para diminuir a dor de cabeça e o stress, não lhe curou a dor da alma. Mas ela decidiu que não iria desabafar com mais ninguém. Sentia que qualquer um lhe apontaria o dedo e diria: Você está errada!

Sam comprou-lhe um suco de frutas e uma porção de bacon. Os dois comeram juntos, conversaram sobre o ocorrido e foram se sentar na sala de espera. Sam estava agoniado, Taylor não falava nada, muito menos o olhava, na verdade, a irmã encarava as paredes, mantendo o olhar nelas, por segundos, minutos. Algumas lágrimas silenciosas iam escorregando de seus olhos, mas ela secava tão rapidamente, chegando a ser espantoso.

– Você não precisa ficar bem agora, Tay, mas não sinta raiva de si mesma.

– Raiva não é o que estou sentindo de mim, Sam.

– Você se machucava quando a sentia.

– O passado não vem ao caso. Não vê que eu quase perdi a minha filha?

– Mas a culpa não foi sua, essas coisas acontecem. – Ele abraçou-a.

– Eu queria ser melhor.

– Você é a melhor, pelo menos para mim.

– Eu te amo.

Sam a beijou na orelha.

– Eu também.

– Samuel. – Tish o chamou. – Precisamos ir, vá se despedir de Violet.

Ele deu mais um beijo em Taylor, ela o agradeceu por sua demonstração de carinho, e ele foi ver a sobrinha.

Taylor recebeu um olhar avaliativo da mãe.

– Você precisa ser mais cuidadosa, Taylor.

– ''Oi Taylor. Como você está?'' – ela sorriu, ironizando. – Algumas mães costumam a fazer este tipo de pergunta.

A mãe dela se aproximou.

- Violet está bem. Mas você-

– Eu estou muito cansada emocionalmente! – cortou-a. – Você só aparece quando lhe é conveniente. Você não me liga para saber como eu estou, você não liga para saber como Violet está! – Deus! Ela queria se livrar daquela sensação ruim que a cercava, mas estava cada vez pior. – Se tem alguém aqui neste hospital que não deve me culpar de nada, esse alguém é você, tá legal?

Ela apertou os olhos.

– Se Laura está arrasada comigo, ELA tem todo o direito do mundo, agora você não. Eu te amo, eu estou sempre buscando um jeito de me aproximar, ligo, mando mensagens, mas você não gosta de quem eu sou. Me vê como sua: Taylor Celebridade. Seu único filho é Sam. Então, não me venha jogar a culpa!

– Não seja arrogante Taylor! Você é uma mimada!

– Eu posso ser o que você quiser, desde que não ouse me culpar de nada. Não fique aí parada me olhando, pode ir embora agora e continuar me hostilizando pelo resto da sua vida. Aprendi desde os sete anos a lidar com isso.

– Mãe... Taylor.. – Sam voltou, coçando a cabeça. – Está tudo bem?

– Sua irmã resolveu me desrespeitar! Veja se pode!

– Ok.. Não.. Eu não.. – Taylor levantou, olhando para os dois. – Eu não mereço isso. Recuso-me! – Ia se afastando. – Sam, eu te ligo depois. – Ela foi caminhando devagar até o quarto de Violet, mas Jodi a puxou pelo pulso, levando-a para respirar o ar da noite.

– Você já se alimentou?

– Sim. Estou bem quanto a isso, Jodi. Laura se alimentou?

– Oh sim. Ela está bem melhor por saber que Violet está se recuperando. Lali virá trazer as roupinhas dela.

– Jodi, eu a teria perdido..

– Não pense mais nisso, Taylor. Foi um acidente.

– Não consigo.. Eu simplesmente estou com medo. – Elas se sentaram no jardim.

– Pense em Violet, ela está melhorando, não há mais o que temer.

– Agora ela está segura com Laura. Isso me conforta, mas o receio que estou sentindo de chegar perto da minha própria filha.. – Ela apoiou as costas no banco, olhando as janelas daquele enorme edifício hospitalar. – Não se dá para explicar. Ela não merecia isso.

– Caitlin não podia pensar pelo menos?!

– Não consigo nem escutar o nome dela. Não, ela não pensou, não fez de propósito, mas eu estou eternamente magoada. A reação teria sido com qualquer pessoa.. – Olhou-a. – Não quero desabafar. Eu mal posso ouvir a minha própria voz.

Jodi suspirou.

– Espero que vocês três fiquem bem.

 – Eu tentei construir uma família, mas falhei miseravelmente com as duas pessoas que eu mais amo nessa vida. Você já passou por isso alguma vez? – ela quebrou a promessa de calar-se. De não desabafar. Impossível.

– Nunca. Mas tem sempre a primeira vez.

– Eu já magoei Laura tantas e tantas vezes. Não o farei mais. Eu decidi que irei me afastar dela, não de Violet. Trabalharei para ser uma mãe melhor.

– Mas vocês duas atuam juntas, Tay. Será difícil.

– Eu sei, pode ser difícil, mas não impossível. Laura se mostra forte, mas ela é mais fraca do que eu. Você sabe. Nós sabemos. Ela não precisa de mais decepções. A de hoje foi o cúmulo. – As duas ficaram caladas por dois minutos. – Farei uma proposta a Jenji.

– Não é o que eu estou pensando, huh?

– Não sei o que você está pensando. – Sorriu, cansada.

– Sair de Orange?

– Creio que não. – Levantou-se. – Vamos subir? Quero ver Violet.

– Bem, é uma boa. Ela está acordada.

Conforme subiam, Jodi falava sobre as experiências assustadoras que já teve com sua filha. Não era aquele sorriso, mas Taylor tentava o fazer. As portas do elevador se abriram e as duas saíram. Havia alguns médicos e enfermeiros aglomerados na sala de espera, eles moviam-se, separando Laura e Lin. O sangue de Taylor explodiu dentro de suas veias, Prepon acabou passando um pouco mal, Jodi quase teve um ataque por isso. Dividida, abalada, e tendo a certeza de que aquele era o pior dia da sua existência na terra, Taylor colocou a mão na cabeça, ciente de que iria morrer de tanto nervosismo. Ela ficou parada vendo Laura sair por uma porta com dois médicos, Lin apontando os ferimentos no lábio.

– Inferno de vida! De dia! De tudo! – Ela falou um pouco lato, chamando a atenção para si. Aproximou-se de Lin. – O que está acontecendo aqui?

– Você não me respondeu Taylor! – Ela estava muito sisuda. – Eu te liguei, liguei, liguei! Estava preocupada com a saúde da garota, me senti culpada o dia todo! Vim até aqui para saber dela e me aparece à dissimulada da sua ex me agredindo verbalmente.

– E o que você fez a ela? – Schilling teria um troço, era certeza!

– Fiz o que tinha que ser feito. Eu não aceito ser chamada de coisas que eu não sou.

– Caitlin, o que há de errado? O que você fez a ela?

– Nada mais do que um tapa, ela revidou. – Mostrou-se o rosto vermelho, a boca machucada. – Nada feliz, ainda me arrastou pelos cabelos até aqui. Prevejo nossas fotos em sites de fofocas, aliás. ‘’ Atrizes saem no tapa em Hospital.’’

– Ouça só, Violet está bem. O pior já passou! – disse num fio de voz. – Agora você pode ir embora. Eu a procuraria para conversarmos, mas não tem mais o que se falar, você agrediu a mãe do meu bebê. Ela é explosiva? Sim, mas a nossa filha está em um hospital, você não entenderá o que estamos sentindo vendo o nosso bem mais precioso tendo que passar por isso. Eu pensei que fosse mais compreensiva! Caramba! – Passou a mão no rosto. – Laura está arrasada com tudo, e aí aparece você para agredi-la? Eu não consigo entender. Recuso-me. Desculpe-me, mas isso é inaceitável.. – Taylor olhou-a pela última vez, balançando a cabeça.

Schilling foi até o quarto em que a filha ocupava, vendo-a na companhia de uma enfermeira e Lali. A babá a abraçou em um cumprimento rápido. Olhando o bebê, Taylor sorriu. Violet estava bem melhor. O rosto estava com traços de uma criança que termina de acordar, cheio de marquinhas. Ela sorria para os brinquedinhos que sua mãe Lali balançava. O peito de Taylor renovou-se de esperanças, ela faria tudo valer a pena por sua filha. Violet recebia uma dose de remédios injetável na coxa. Ela deu um miadinho, mas não prolongou o choro. O momento de paz havia passado ligeiro na mente de Taylor. Lembrou-se de Laura. Ela explicou à Lali que voltaria logo.

[]

Através de Jodi, Taylor ficou sabendo o porquê de Laura ter passado mal. A principio, Taylor imaginou que ela tivesse com falta de ar, desmaiado. Viu o estado dela como o seu, horas atrás. Porém, o caso de Prepon era pior. Oficialmente, Taylor decretou aquele dia como ‘’O inferno de Taylor. ’’ Sim! Tudo acontecia tão rápido, acabando com tudo dentro dela. Jodi detalhou todo o drama de Prepon, e a cada palavra, Taylor sentia uma parte de si indo embora, acabando, se desfazendo. Lembrou-se da noite do desfile em que viu Laura a olhando com Caitlin, após, flagrando-as no set.. Vazio! Foi o que sobrava dentro dela. Ele havia tomado conta de tudo. Nem decepções a pobre tinha. Acabou-se tudo! Ela estava tão deprimida, que queria morrer. Jamais se perdoaria por ter causado todo aquele estresse na mãe de sua filha, por mais que as coisas estivessem difíceis entre elas, Laura não merecia nada daquilo. Taylor tomou a decisão de se afastar definitivamente. Deixaria Laura viver, depois de tanto sofrimento, ela tinha o direito de seguir com a vida bem pacata e atenua. Schilling denominou-se sinônimo de problemas para ela. Ela já se via louca por ter de se afastar, mas a saúde de Laura vinha em primeiro lugar.

– Ela ficará muito chateada comigo.

– Você precisava me contar, Jodi. – Taylor secou as lágrimas. – Estou chorando não por mim, mas por ela, se bem que ela merecia coisa melhor do que isso. Eu espero um dia poder superar esse dia fatídico em minha vida. Parece uma novela, eu não sei.. Tudo no mesmo dia.

– Tente se acalmar um pouco, não se estresse. Chega de sustos para mim. Nós.

– Não consigo me acalmar, eu estou com ódio de mim mesma. Sinto-me um monstro sem coração. Minha mãe está certa em ter me dito aquelas coisas.. – Ela bebeu um pouco de água que Jodi a trouxe. – Obrigada.

– Você só estava tentando seguir com a sua vida, Taylor. Laura também, mas vocês duas são malucas.

– Eu não irei me perdoar por tudo isso, Jodi. Laura merecia alguém melhor. Eu fodi tudo desde o começo. Enfiei a Violet na vida dela para anular a ideia de nós adotarmos Daman. Eu senti ciúmes da atenção que ela deu a ele.. Eu sou louca! – Ela soltou o copo vazio em cima de uma cadeira. – Eu só a queria para mim. – Jodi ficou ali, escutando-a, sentindo-se horrível por tudo o que estava acontecendo. – Laura precisa se afastar de mim, não deixe que ela tente se aproximar. Eu não quero isso. Irei trabalhar arduamente para que o que estou vivendo suma, me entende?

– Sim, querida. Fique tranquila.. Você está muito nervosa.

– Eu preciso ir vê-la, saber que ela já passa bem. – Virou o corpo para Jodi. – A partir de amanhã eu só a verei no set. Aliás, eu não sei.. Conversarei com Jenji. Estou confusa, mas tudo o que sei é que preciso ficar afastada dela. Laura tem que se cuidar, a única pessoa que ela escuta é você, não deixe que ela pare com o tratamento, que deixe de tomar as medicações. Violet precisa dela.

– Farei tudo isso, Taylor. – Ela bateu a mão nos braços dela. – Não se preocupe, eu já lhe disse. Você só tem que relaxar um pouco. Está tensa.

– Não importa como estou Jodi, a prioridade aqui não sou eu. – Ela queria chorar, mas esgotou-se. – Eu não consigo ficar parada, a culpa me corrói. Eu causei todo esse estresse em Laura. Sinto-me mal por Viv. Ela não tem culpa, mas tem o azar de me ter como mãe. Não, não me olhe com essa cara de pena. – Arfou. – Eu preciso tentar buscar algo de bom em mim para não falhar com ela. Violet é a única parte real que há em mim.  

– Taylor.. Chega, linda. Ficar se culpando tanto não irá sanar nada. Mude, não passe as horas se culpando. Isso só lhe fará mal. – Abraçou-a. – Respire um pouco. Vá para casa, descanse, eu assumirei daqui.

– Não! – Ela ficou em pé, levantando Jodi. – Eu preciso ver Laura, ficar com Violet..

– Se Laura estiver acordada, não será uma boa ideia, você sabe. Ela irá te culpar, e de culpa você já está cheia.

– Quem disse a você que eu me importo? Eu feri essas pessoas a troco de nada. É o mínimo que mereço! – Elas foram caminhando devagar.

Jodi não foi capaz de rebater. Taylor fazia sua autocrucificação. Apesar de concordar que ela fora culpada por causar tanto stress em Prepon, ficava com pena de vê-la cair na real daquela forma. 

Laura estava acordada, olhando a medicação em seu braço. Queria arrancá-la dali e sair daquele quarto. Seu peito doía bem pouquinho, não havia passado mal por conta do coração, mas os médicos precisaram saber se ela sofria de problemas relacionados a ele, para poderem lhe aplicar um calmante. Eis que seu mundo começou a se fechar ao ver Taylor e Jodi adentrarem ali. Taylor ficou parada no meio do quarto. Olhava-a, olhava-a.. Olhava de novo.

– Me desculpe, Laura. – Voz firme. Olhos secos. – Eu só quero que me desculpe. Não precisa ser agora, amanhã.. Eu só quero que desculpe a minha ignorância de ter entrado em sua vida. Você era uma mulher sadia que sabia aproveitar a vida ao lado das suas amigas, amigos.. Família. Desculpe-me por ser mesquinha e ter acabado com tudo isso, por ter tirado aquele seu brilho. – Ela não se aproximou, continuou parada. – Me perdoe por você estar ai, passando por tudo isso, por meu descuido em torno de sua filha. Sei que nada do que estou falando valerá a pena pra você. Está tudo acabado, mas saiba que eu sentirei a sua falta. – Dito isso, Taylor saiu.

Ela buscou Jodi com os olhos avermelhados.

– O que houve?

– Ela soube de tudo. – Contou, esfregando a mão na testa. A dor de cabeça ali era viral. – Está disposta a se afastar de você. – Suspirou. – Eu a contarei melhor em outro momento. Estou estressada. – Laura ficou em quietude por vinte minutos. Nem ela e nem Jodi disseram uma palavra. Prepon queria poder desaparecer com aquele dia para sempre. – Caitlin bateu em você?

– Eu revidei! Ela entrou no quarto de Violet, querendo respostas! – riu. – Fui deselegante com ela, ela me agrediu no rosto, resultado: Tirei-a do quarto pelos cabelos.

– Mas vocês! – Jodi foi motivada a rir. – Ouvi Taylor colocando-a para correr.

A sobrancelha de Laura ondulou. Ela enxugou os olhos, mas não disse nada.

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No início da manhã, Taylor acordou sentindo dores nas costas. Ela cedeu a poltrona à Lali, e ficou com uma cadeira horrível. A cabeça latejou com vontade assim que ela viu a luz do dia. Uma enfermeira de meia idade trocava a fralda de Violet. Ela sorria achando engraçado a forma de como a mulher era paciente. Viv estava melhor, o rosto ainda tinha lá suas marquinhas, mas de resto, ela estava literalmente curada. Laura havia passado a noite no outro quarto com Jodi.

Taylor conversou com os médicos de Violet, e eles afirmaram que ela teria alta até o final da manhã. Só precisava de mais algumas medicações. Ela sentia-se feliz por sua pequena, saber que ela já estava fora de perigo foi como ganhar uma segunda chance. Tay mandou mensagem para Jenji, e a resposta veio no mesmo instante. Jenji acordava cedo, por isso Schilling não se espantou. As duas marcaram de se encontrar em um café.

Antes de ir até ela, Taylor buscou notícias de Laura. A atriz ainda dormia, segundo Jodi, ela passou a noite conversando com a mãe pelo celular. Aquela era a segunda melhor notícia do seu dia. Esmagando as bochechas de Violet com beijos, Taylor deixou o hospital e tomou um táxi até o seu apartamento. Lali a avisaria sobre a alta de Violet.

A angústia voltou rolando aos seus pés assim que eles adentraram o apartamento. Ela podia ver-se no dia anterior, podia sentir o pânico ao ver Violet ficando vermelha e enfatuada em seus braços. O Donuts de Caitlin estava em cima da mesinha, Taylor o tirou dali, jogando-o dentro do vaso sanitário. Ao puxar a descarga ela sentiu vontade de descer junto com ele. Revirando os olhos para si, ela tomou um banho rápido. Jenji já estava a sua espera no local marcado.

Sem enrolar mais, Schilling apressou-se. Quase meia hora depois, ela já abraçava Jenji e relatava a ela tudo o que havia acontecido. A mulher a escutou por quase duas horas, não a interferiu, não a julgou, apenas a escutou. A proposta que ela tinha em mente não iria agradar aos outros produtores, pois teriam que mudar todo o roteiro. Jenji notou que ela precisava de um tempo para si, para trabalhar as suas habilidades cravadas por trás de seu coração aparentemente hermético. Sugeriu-lhe algo que seria muito produtivo, Taylor ficou olhando-a.

– Você aceita?

– Sim!

Jenji apertou a mão dela, brincando.

– Ótimo! Boa escolha.



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