História Walk On. - Capítulo 16


Escrita por: ~

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Palavras 9.280
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Yuri
Avisos: Bissexualidade, Linguagem Imprópria, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Ei, bebês! Eu gostaria de agradecer a todos por todas as mensagens positivas, comentários, tudo. ♥
Vocês são incríveis, e eu adoro essa energia BOA que vocês me transpassam. Meu muito OBRIGADA! <3

Ah, sobre o cap: Não tem LAYLOR, mas tem AMOR! :}

Eu escreveria mts coisas neste cap, porém a preguiça não permitiu, e por falar nela, não terminei de corrigir o cap. Hueheuehueh. To meia bêbada, mas to firme aqui. Põe casaco. Tira casaco. Entenderam? Há!
Enfim, até logo.

Capítulo 16 - We are all equal.


– Eu não a convidei para cozinhar, Uz!

– Cale a boca, Taylor. Já ouviu aquele ditado: Boca fechada não entra mosca? – Uzo amarrou um lenço amarelo na cabeça, rindo da cara que Taylor exibia.

– Nunca! – Sorriu. – Posso ajudá-la?

– Obrigada, mas não preciso de ajuda. Asaro é fácil de fazer. Inclusive, torço para que você aprove.

Taylor sentou na ilha, cruzando as pernas. Ela via a habilidade que a amiga tinha com aqueles ingredientes.

– Tenho certeza de que irei aprovar! Não se preocupe. – Ela puxou uma cebola, olhou, olhou e pensou em cortá-la. Uzo lhe passou uma faca, esperando. Taylor não aguentou por muito tempo. Os olhos azuis lacrimejavam, levando-as ao riso eterno. – Certo! Não sei lidar com esse tipo de coisa. Mas que saco.. Meus olhos.. – Piscou-os. – Gente! Horrível.

– Vá lavar o rosto, irá aliviar.

– Como? Eu não consigo enxergar direito.

Uzo molhou as mãos na pia e aliviou os olhos de Taylor. As duas riam se apoiando uma na outra.

– Puta que pariu, Taylor! Você não existe. Seu rosto parece um tomate.

Ela enxugou a face com os dois braços, voltando a enxergar melhor.

– Desculpe.. – Engoliu a risada. – Descobri que odeio cebolas. Argh. – Balançou os ombros, tornando a sentar direito. Taylor estava bem melhor. Ao despedir-se de Jenji, ela ligou para Uzo, convidando-a para passar o restante do dia em seu apartamento, assim não ficava sozinha, sofrendo e chorando. Sim, ela ainda chorava. O receio não havia ido embora, só estava de malas prontas. Violet já havia tido alta, mas precisavam ter cuidado com todos os sintomas que ela viesse a apresentar. O desejo de Taylor era passar o dia todo ao lado dela, saber que ela estava ali.. Novinha em folha. Mas Laura não iria permitir, compreendia disso.

Prepon enviou-lhe uma mensagem dizendo que ela veria Violet dentro de quinze dias. Taylor ficou redondamente chateada, mas não queria azucriná-la. Ela observaria a garota através de chamadas de vídeos. Dentro de quinze dias Violet ficaria em seu apartamento, assim por diante.

– É bom ver você feliz.

– Não estou feliz, só aprendi a sorrir. Isso não quer dizer nada. – Olhou para as mãos.

– Quer dizer que você é forte o suficiente para seguir em frente. – Uzo colocou os ingredientes na panela e diminuiu o fogo.

– Eu preciso mudar, Uz.

– Oh, Tay! – Ela a empurrou, sentando-se ao seu lado. – Todos nós precisamos mudar algo, sabe? Mas faça isso por você. Não para agradar os outros, por você, apenas.

Ela olhou Uzo.

– Se eu a pedir em namoro.. Você.. Aceitaria?

– Não! – Foi conferir a panela no fogo.

– Meu Deus! Você não poderia ter dito um ‘’sim’’? – Seu sorriso ficou implicante.

– Estaria mentindo, não prezo a mentira.

– Ok, senhorita certinha. – Taylor pensou um instante. – Irei vender o meu apartamento.

– Este?

– Sim. – Respondeu, desanimada. – Ele me trás muitas recordações, não as quero. Mal posso pisar na sala que já vem à cena de Violet em minha mente.

– Pelo que entendi a culpa não foi tua Taylor.

– Às vezes penso que sim, às vezes penso que não, vai variando. O fato é: Preciso vender aqui.

– Mudar faz bem, certo? – Taylor admitia concordar com ela. – Então o faça.

– Aluguei um apartamento em Los Angeles, cheguei a te contar?

– Chegou esquecidinha.

– O fiz para ficar perto de Violet. – murmurou.

– Ela é tão boazinha. Adorou o passeio que fizemos. – Uzo colocou dois pratos em cima da mesa, sorrindo.

– Violet está crescendo tão rápido.. – Taylor fungou. – Estou perdendo tanta coisa.

– Você não está perdendo. É sempre tão presente, não deixe o que aconteceu te assombrar, não foi culpa tua. – Puxou uma cadeira. – Agora esqueça isso, pelo menos por agora.  Conte-me o que Kohan e você estão tramando.

Xxx

Três semanas mais tarde..

Com o acompanhamento de Jenji semanas atrás, Schilling fora apresentada à fundação Time For Change em San Bernardino, Califórnia. O instituto baseava-se em ajudar mulheres, crianças e famílias sem abrigo a alcançar a autossuficiência, usando uma variedade de práticas baseadas em programas de reincidências. Taylor entrou de cabeça na instituição. No comecinho foi bem difícil, uma vez que todos a viam como uma celebridade, a tratavam como tal, alguns eram tímidos, lhe poupavam de alguns serviços sociais bem extensos. Taylor bateu o pé no chão e provou que não era diferente de ninguém ali. Ela tinha um propósito assim como todos. A diretora executiva Kim Carter permitiu que a atriz permanecesse em um complexo de apartamentos de habitação, a pedido da própria. Taylor optou por fazer parte de todos os programas, estes incluíam: Gestão de processos de negócio, aconselhamento, transporte, habilidades para a vida, maternidade, gerência de dinheiro, saúde e bem-estar, desenvolvimento de liderança. Ela comparecia às 12 reuniões de cada etapa delineada, pulando apenas os programas de drogas ambulatoriais e álcool. Envolvida com toda aquela responsabilidade, ela não tinha tempo para pensar em si, em suas dores, lamentações. Na fundação todos se ajudavam, e Taylor aprendeu isso desde os primeiros dias. As crianças de rua recebiam uma atenção completamente especial. Com os outros voluntários, Tay fornecia intervenções que os preparariam para os resultados educacionais positivos. Eles a adoravam!

Taylor já não pensava tanto em Prepon, acreditando que o plano de Jenji mais uma vez triunfava. Ela era tão incrível. Seu hobby favorito era ajudar ONGs, Institutos.. Uma mulher surpreendente. Schilling agradecia pela oportunidade cada vez que via aquelas pessoas esperando uma explicação, uma ajuda, um apoio moral, sim, ela adorava as reuniões daquelas mulheres, sentia que sempre tinha algo a aprender com elas por menor que fosse. Ela via Violet através de imagens e vídeos. A garotinha havia viajado com Laura para o México, as duas curtiam algumas praias, uma vez que Jenji também lhe dera uma pausa.

O coração de Taylor Schilling se trincava em mil pedacinhos de tanta saudade que ela tinha da filha. Violet estava tão grande, beirando os seus cinco meses. Trabalhando no projeto ‘’Mommy & Me’’, ela notava a corrente de amor que aquelas mães despejavam em cima de seus queridos filhos. O programa estava conectado à ligação da família, projetado para fortalecer o reagrupamento familiar, daquelas mães com seus filhos. Onde elas aprendiam a se comunicar de forma eficaz, reforçando a educação e criatividade de seus filhos. Taylor sentia uma inveja positiva, pois aquelas mulheres aprendiam junto de seus bebês. E o seu bebê estava tão longe. Era quase tortura pessoal ser tão presente naquelas atividades. Algumas das crianças de rua se aproximavam, ela dava-lhes abertura, mas sentia a falta de Violet. Seria bom para ela se desenvolver com outras crianças em atividades tão simples. Dentro daquela fundação Taylor fez grandes amizades, aprendeu, chorou, sorriu.. Só não ganhou a simpatia de Ashley Corr-Carter, professora de dança e sobrinha da dona de tudo aquilo.

Ash, ou CC, como todos a chamavam, era uma mulher bacana, com traços de uma garota. Ela usava cabelos rastafári, um sorriso enlouquecedor e seu mau humor para com Schilling. Os mais novos a chamavam de ‘’Shakira- Brown.’’ Seu rebolado era magnifico e sua pele da cor do pecado. Linda! Os olhos eram tão grandes e escuros, cílios estirados e ameaçadores. Durante o período que esteve presente, Schilling não tentou uma aproximação, visto que Ash não fazia muita questão de conversar. Ela era gentil com todos, principalmente com os pequenos. A princípio Taylor sentiu-se exculpada, após, riu e viu que Ashley sentia ciúme de como a tia dava credibilidade - não requisitada - a ela. A time for change recebia muito auxilio, alguns famosos apadrinharam-na, dando-lhe um suporte maior. Taylor, óbvio, não ficaria de fora.  Ms. Carter sempre fora atenciosa com ela e com os outros voluntários. Não por ser bajuladora, mas por dar a cada um a chance de usar toda a competência para guiar as outras mulheres, crianças e adolescentes. Kim era uma voz poderosa para as mulheres que carregavam as cicatrizes de pobreza, falta de moradia, e encarceramento. E a crença de Kim movia estas mulheres com formação e a oportunidade de desenvolverem habilidades para a vida, em um ambiente acolhedor e de apoio. Elas se tornariam independentes, ativas, participantes em suas comunidades. Kim também as ajudava em suas buscas de trabalho, garantindo apartamentos, licenças profissionais, empréstimos estudantis, e benefícios assistenciais permanentes. Taylor adoraria ficar ali por meses, anos, mas entendia que seu período era em curto prazo, em breve teria de voltar para os sets, para Piper. Mas tudo dentro daquela organização prendia o seu foco, levando-a crer que seu papel no mundo era aquele: Ajudar e aprender com aquelas pessoas. Mais uma vez, ela sentiu falta de Violet, principalmente na hora de agrupar as crianças do abrigo de emergência na van, e os levar até a sede da fundação. Por outro lado, eles a fizeram esquecer. Gritavam e pediam música alta. Taylor sempre ligava o som no último volume, deixando-os sorridentes.

– Eu estou tão feliz! Ei.. Não corra.. – Ela gritou, mas o menino já havia escapado e corrido até a portaria. – Desculpe, Eloise. Mas eles me comem o juízo.

– Não se preocupe. Fico bem em saber que você já está melhor, Taylor. Eu a vejo dentro de uma semana. Está preparada?

– Evitei pensar na volta, sabia? – Ela tirou Gwen da cadeirinha, sentando-a nos quadris. Ela a olhou e apontou para os outros carros. – Gosto daqui, eu estou cercada o tempo todo. – suspirou. – Em meu apartamento será só eu.. – Caminhou, fingindo que acenava para os carros. Gwen a imitou. Ela era um enorme bebê de três anos, não gostava de andar, abusava de Taylor e matava a mãe de vergonha. Aquela foi à primeira criança que Taylor entrara em contato ao pisar ali após deixar Violet, após tudo. Ela havia pegado amor na doce menina com síndrome de Down. Gwen lembrava Prepon. Era restringida, tremenda e tinha pouca paciência. A danada gostava de bater em outras crianças que a azucrinavam. – Vamos caminhar um pouco. – Colocou-a no chão, segurando a mãozinha suada.

– No! No! – Ela ficou brava, enrubescendo as bochechas.

– Tchau, Gwen. – Brincou, abanando a mão. A pequenina de cabelos negros olhou-a, choramingando.

– Não dou um minuto para você resistir.

– Ela está fazendo a cara de ontem. – Riu, colocando os óculos de sol. – Gigi pediu para que eu fosse mais firme.. – Taylor chegou até a portaria, acenou para Emiliano e o abraçou por uma janelinha bem pequena. Emiliano Ramiro era Cubano, convencido e muito simpático. Oh! Muito galanteador também. Chamava Taylor de ‘’amor’’. Livrando-se de suas brincadeiras, ela olhou para trás e viu Gwen parada perto do canteiro tomando sol na cabeça.

– Vá buscá-la.

– Hoje não, Eloise. – Ela desafiou os olhinhos castanhos. Eles estavam tão furiosos, a fez sorrir. – Eu ligarei mais tarde, fique bem, querida. Amo você. – Escutou a resposta, riu e desligou. – Venha Gwen. Vamos brincar!

– Amor, amor, Gwen é mais teimosa do que uma mula empacada. Você a acostumou assim. – Emiliano empurrou o vidro da janelinha, colocando metade do corpo para fora. – Gwen! Venha já aqui menina teimosa.

Gwen sentou no chão, escondendo as mãozinhas dentro dos bolsos do casaco de frio.

– Ela se parece com alguém que eu conheço. – Cansada de esperá-la, Taylor pendurou a bolsa no ombro e ia caminhar até ela. Ash, a bambambã, apareceu, fazendo o caminho pelo alfobre. Ela arrumou os cabelos com seus finos dreads loiros, sorriu e esticou a mão para Gwen. A menina agarrou firme nela e ficou em pé, movendo as perninhas até Taylor.

– Oi! – Gwen disse, fugitiva, como se tivesse receios em receber uma bronca. – Lá! Taylor! Olha. – Apontou a sede. – Entrar, a Gwen. Quer.

Ela deu risada da atriz mirim, pegando-a no colo.

– Você daria uma bela atriz, Gwen. – As duas se dirigiram até as salas de atividades, mas Taylor parou, virou para trás e agradeceu Ash. Ela deu um sorrisinho sem sal, e ficou por isso mesmo. – Desisto de tentar fazer amizade.

– Amizade!

– Isso, querida, amizade. Não faça amizade com pessoas que não precisam dela. – Passou-a para o outro braço. A menina pesava demais, Deus! Mas ela se enroscava no pescoço de Taylor, deixava-a confortável, e tudo ficava bem. Para Taylor aquele contato era muito especial, saber que alguém confiava a ela a vida de seu bebê, não tinha preço. Gwen sanava a saudade que ela tinha de Violet, a menina lhe trazia tanta felicidade, não só por este fato físico, mas por ser ranheta, carinhosa, decidida. Ela iria longe. Beijando-a nas bochechas e mãos, Schilling a entregou para uma das supervisoras de atividades. Gwen acenou para ela sorrindo e dizendo um até logo.

[]

– E outro abraço! – Laura disse, apertando Lali e Violet em um abraço. – Aliás, um sanduíche. – O bebê soltou um ruído. As duas riram, se desvinculando. – Eu irei sentir a falta de vocês.

– Também iremos sentir a sua falta, não é mesmo, Vittie? – Violet namorava os brincos de Laura, as mãozinhas queria tocá-lo, senti-los, mas ela não deixou. – Ela sentirá falta de seus brincos.

– Ela quase arrancou as orelhas de Laura. – Naomi comentou, risonha.

Elas haviam viajado com Violet para o México, mas já estavam em Los Angeles. Laura conseguiu aproveitar a paz que tinha nas mãos, e curtiu sete dias ao lado da filha e de Naomi. As duas fizeram agendamentos para reuniões beneficentes, levaram Violet para conhecer algumas praias e pontos turísticos. Prepon não soubera de Taylor até determinado ponto, mas Jenji contou-lhe que ela estava envolvida em uma fundação, visto que, com certeza, ela estava muito desgastada para ficar sozinha em seu apartamento, sem condições de atuar e ver Violet, a diretora a conduziu até aquela instituição, como fizera da primeira vez em que Taylor estava deprimida, levando-a para a Índia. Laura conseguia entendê-la, sinceramente, conseguia, mas ainda estava muito magoada com o descuido dela. Lali levaria a criança para fazer-lhe uma surpresa. Taylor sabia que veria Violet em Manhattan, não ali na Califórnia.

– Boogie? – Jodi entrou na cozinha, convidando-a a acompanhá-la até o jardim.

– Você está esquisita, o que está acontecendo? – Mordendo um pedaço de tangerina, Laura sentou-se em uma poltrona perto da cozinha de lazer.

– A vida é sua, sei disso, mas eu esperava que você confiasse em mim!

– Do que é que você está falando?

– Naomi! – Ela soltou o nome da mulher com raiva. – Você não me deve satisfações da sua vida, mas eu pensei que fossemos amigas a ponto de confiarmos uma na outra.

– Jodi, por favor. Eu não a contei nada porque não era o certo. Naomi e eu não temos uma relação denominada.

– Bastava confiar! Descobrir tudo por conta própria foi estranho.. Aliás, segure a empolgação de Terasa. – ela girou nos calcanhares e foi embora pisando duro.

– Jodi!

– Não tem essa de ‘’Jodi’’. – Puxou a porta de vidro, ultrapassando-a. – Levarei Lali até San Bernardino, na volta passarei em minha casa.

– Você vai ficar brava comigo por quanto tempo? – Prepon abraçou-a pelas costas, jogando todo o peso do corpo em cima do dela.

– É uma pergunta a qual eu não sei te responder. – Sacudiu-se, eliminando a outra de cima de si. – Lali? Vamos indo, amiga. – Chamou por ela da sala, não entraria na cozinha.

Naomi carregava Violet nos ombros, deixando-a numa felicidade sem fim. Ela grudava os cabelos loiros e os olhava entre os dedos, depois os punha na boca. Jodi soltou um burburinho.

– Segure-a, Lali.. Uppa! – Naomi perdeu alguns fios de cabelos, encontrando-os molhados de baba nas mãos da garotinha de Prepon. Ela tirou-os dali e deu um beijinho rápido na testa dela.  – Tenham uma boa viagem. Espero poder vê-las mais vezes.

Depois da saída das três, Laura e Naomi se enfunaram na cozinha onde preparam um almoço a base de soja. Prepon penetrava uma nova dieta, seu tratamento cardíaco exigia isso. Jodi havia pegado no seu pé para que seguisse com os remédios e consultas médicas. Enquanto estava em casa, ela e Elizabeth se adiantavam nos quefazeres do livro, este que já estava com data marcada para o lançamento. Laura tinha uns três exemplares prontos com ela, guardando-os em uma parte reservada em sua biblioteca particular. Estava tão orgulhosa de si. A vida parecia caminhar por uma estrada tranquila, empoeirada de bons fluídos. Havia surgido um convite para um novo filme, mas ela trataria do assunto com calma, à prioridade do momento era o lançamento de seu livro. Após o almoço as duas foram aproveitar o dia na piscina. Laura colocou os bichinhos de Violet para tomar sol. Eles estavam gigantes. Principalmente os dois porquinhos, os preferidos de Viv. Ela os via e ficava tão eufórica. Emílio, a tartaruga, gostava de ter sossego no fundo da piscina, se Laura não o tirasse de lá, o bichinho enraizava.

– Jodi está chateada com você?

 – Sim. – Laura se encolheu na cadeira, escondendo o corpo do sol. – Nós ficaremos bem.

– Sinto muito, Laura.

– Não sinta. – Sorriu e deslizou os olhos naquele corpo escultural. Naomi não percebeu, ela estava dando carinho a um dos porquinhos. A loira era cheia de pintinhas nos braços e ombros, algumas escaparam para as costas, mas eram poucas. Ela usava um biquíni vinho, short branco e os cabelos presos. Os olhos dela eram tão azuis que Laura tinha receio de ser cegada por eles.

– É incrível como tudo lhe agrada. Desconfio que sinta amor até pelas formigas.

– Desde que elas não roubem a minha comida, estou ok.

Elas sorriram de forma cúmplice.

– E essa cicatriz de em sua coxa esquerda? – Laura nunca tinha reparado nela antes, mas parecia ser de queimadura.

– É uma história triste. – Naomi passou a mão por cima com delicadeza, olhando bem de perto.

– Não precisa entrar em detalhes. – Prepon recebeu uma negação de cabeça.

– Eu estava em um campo de refugiados na Síria, havia uma quantidade imensurável de voluntários.. – Ela soltou o porquinho na grama e virou-se, olhando Prepon. – O campo de refugiados continha muitas tendas, famílias com até nove crianças. Sabíamos que era arriscado, mas precisávamos levar água e alimentos, foi o que fizemos. A vida por ali já não tinha grandes expectativas. Blecaute por toda parte. Temor. Extermínio. Animosidade. Refugiados. Mas eles carregavam muita esperança no olhar, a fé que a maioria tinha em Yhwh, nos encorajava.

– Estou conseguindo imaginar o que aconteceu. Sinto-me horrível. – Ela deixou escapar um suspiro fundo.

– Estava tudo indo tão bem até que os ataques aéreos começaram. Não deu tempo de pensarmos em nada, os bombardeios foram rápidos e precisos. Tendas pegavam fogo, pessoas, crianças.. – Subitamente, porém, a fala dela transformou-se em lágrimas. Laura apertou os dedos dela, transferindo-lhe segurança. – Aquelas famílias tinham fugido dos combates que havia se intensificando na cidade vizinha. – Naomi limpou o rosto, e passou a língua nos lábios, sentida.  – Hindri, o meu ex-noivo, você sabe, – Laura fez sinais positivos. – ele levantou daqueles escombros com uma sede de viver, queria fazer tudo ao mesmo tempo, ajudou-me a levantar, mas não tínhamos muito a fazer, já se viu em uma situação assim? Onde não há mais certeza do que a morte?

– Não. – Laura respondeu, baixo, baixo demais. Ela parecia assistir toda aquela catástrofe.

– Lá era um cenário de filme de guerra, um filme da vida real, com ataques reais, mortes reais. Hindri acabou ficando preso dentro da tenda em que auxiliávamos uma família. O casebre derretia em cima dele.

– Não quero que você continue! Estou sendo franca, Naomi. Não carecemos reviver esse evento fatídico em sua vida.

– Falar disso me ajuda a entender o verdadeiro sentido da vida, Laura. – A designer sorriu entre as lágrimas. – Eu caminhei por entre fogos, em meio a berreiros de adultos e choro de crianças. Voluntários tentavam conter as chamas, refugiados corriam com seus bebês sem vida nos braços. Foi devastador. – Ela suspirou. – Perdi seis amigos, o meu noivo, também perdi a fé na humanidade.

– Quem estava por trás desses ataques?

– Nós acreditávamos que os russos foram os reesposáveis. – Naomi cruzou as pernas, esperando o ar voltar para dentro de seu peito. Ela sentia na pele o drama de todo aquele desastre vivido há uns três anos atrás. Era uma cicatriz irreparável. Incurável. – Segundo meu pai, estávamos errados, aviões do governo da Síria foram os responsáveis pelo incidente. Mas o governo negou o envolvimento, passaram a culpa aos rebeldes, ficou sobre analise.

– Isso é tão desumano, eu sinto muito por todas aquelas pessoas inocentes, por você e Hindri.

– Hindri morreu como um herói. Ele sempre foi um grande homem, tinha a necessidade de ajudar ao próximo.

– Ele me parece alguém que eu conheço. – Prepon foi se arrastando até a testa dela, colocando ali um beijo. – Você é incrível. É humana. É linda.

– Obrigada! – Exclamou, rindo.

– Agora podemos esquecer esse assunto? Não faz bem a você.

– Sim, perfeito! – murmurou Naomi, cheia de alívio. – Mudando de assunto, eu não sabia que Lambert fora sepultado aqui. Bonita atitude.

– A ideia foi de Taylor.. – Laura falou o nome dela tão naturalmente. Mas obtinha uma pontinha de algo que Naomi não soube identificar. Ainda assim, a loira adiantou a conversa.

– Eu tive dois cachorros, eles eram os meus únicos amigos. Devido à minha alergia, os meus pais tiveram de deixá-los em um abrigo. Foi uma péssima experiência. Chorei por dias! – Ela colocou o dedo na cabeça, brincalhona. – Tenho certeza de que os meus pais ficaram loucos. Eles me compraram duas aves para evitar que eu me sentisse triste. Por mais que eu adorasse os bichinhos, nada no mundo suprimiria a falta que senti dos meus cachorros.

– Você quer um? Aposto que seus pais estarão ok com isso.

– Agradeço, mas já é uma lástima superada.

Laura riu para ela.

– Recuso o cachorro, mas aceito uma ajuda com as minhas malas.

– Você irá embora hoje?

– Por mais que eu quisesse ficar, não poderei. Amanhã é o aniversário do meu pai. Ele faz questão da minha presença.

– Entendo, mas sinto muito. Sua companhia é agradável. – Convidou-a para entrar. Naomi a acompanhou preguiçosamente.

– Não gostaria de me acompanhar? A viagem é cansativa, mas valerá a pena.

– Eu adoraria, Naomi. Porém, o que eu lamento, voltarei a gravar em menos de quatro dias. Passou tão rápido. – as duas subiram os degraus de braços dados.

– Você descansou bastante, está cuidando da saúde, de seu bebezinho. – Ela entrou no quarto de hospedes e olhou as malas com tanta preguiça.

Prepon não respondeu, estava ocupada sorrindo.

– Ainda bem que é só empilhar essas coisas no táxi.

– Até a sua bagunça é organizada. Seus pais criaram um humano perfeito.

Naomi liberou uma risada pesada.

– Eles depositaram muitas responsabilidades em cima de mim. Meu sonho sempre foi ter um irmão, assim eu teria com quem dividir tantos afazeres. – riram. – Você tem a família grande, isso é bom.

– Minha família é o meu alicerce. – ilustrou Laura, com evidente carinho na voz. – Você não pensa em ter a sua própria família?

 – Sou viciada em enfrentar o perigo mundo a fora para poder ajudar aos necessitados, não me vejo em uma família material. – Disse. – A minha família são as minhas ações. – Naomi exibiu um sorriso orgulho nos lábios, este confirmava o que ela acabara de dizer a Prepon.

– Essa é você, Naomi Shoebat Ann Tzabar, a cidadã do mundo. – Laura sentou próxima a janela, sorrindo da paciência que a mulher tinha ao organizar as malas.

– Atrás de Angelina Jolie.

– Claro que sim.

– Oh, yes! Alguém andou decorando o meu nome. – Ela se tocou e riu. Laura brincava, dizendo que seu nome era muito enrolado.

– Adoro o seu nome.

– Minha mãe sempre me chamou de Ann. Pensei que este seria o meu primeiro nome, mas enganei-me. Meu primeiro nome seria: Afifah!

– É um nome forte, combinaria com você. – Fez careta. – Seu pai é alemão, huh?!

– Exatamente. Mamãe é Israelense.

– Eles fizeram uma linda mutação.

A loira deu uma risada estridente.

– Não exagere Laura. Você é muito bonita também, eu lhe disse isso naquela noite no jantar da sua religião.

– Nah-há! – gracejou. – Você o fez para me manter distante dos meus problemas.

– Só acho que você é maior do que as suas dificuldades. – Fechou o zíper de uma mala, permitindo que a outra ficasse escancarada. Os olhos de Prepon brilharam. – Pronto! Não entendo como todas as roupas couberam em uma única mala. – deu uma olhadela em Laura. – Mas isso não importa. Eu posso tomar um banho?

– É claro! Eu irei preparar algo para você comer.

– Não, querida, não é necessário. Estou satisfeita.

– Prepararei assim mesmo. – Laura passou por ela, mas voltou, beijando-a no ombro. A relação das duas era descoberta com calma. Naomi não se relacionava com ninguém desde a morte de seu noivo. Se envolver com Laura Prepon vinha sendo um grande descobrimento. A morena era atriz, contudo, provavelmente conhecida mundialmente. Naomi não. Ela evitava aparecer. A fama não lhe serviria de nada.

Quase na hora de ir embora, Naomi teimou com Laura que queria um táxi para apanhá-la. Elas já foram vistas no México, não queria rumores, não queria ser altamente exposta, se o fizesse, seria quando ambas estivessem preparadas. O envolvimento delas era algo aprazível, mas significativo. Elas se encontrariam muito em breve, precisavam colocar em pratica detalhes do jantar beneficente. Prepon havia convidado Shara-ru para vir pessoalmente aos EUA. A indiana, sem jeito, ficou completamente emocionada, marcando sua presença.

Sem adiantamentos, Naomi se despediu de Laura na porta da residência. Prepon deixou-a bem apertada com aqueles braços fortes e sensíveis. Com um beijinho tímido, as duas se afastaram. A loira conseguiu agradecê-la por não conversarem em Hebraico. Era uma piada interna.

Com a ida da mulher, Laura tomou um banho e ligou para Jodi. As duas conversaram entre ironias, depois sorriram, se acertaram, houve pedido de desculpas de ambas as partes, por fim: Elas combinaram de se encontrar no apartamento de Jonathan, onde assistiriam a um filme. Talvez dois. Por diante.

[]

Saindo da sala de reuniões com Kim e os congressistas, Taylor devolveu um abraço em Emiliano. Ele podia ser um galanteador barato, mas tinha uma humildade e um carisma envolvente. A maioria das voluntárias davam-lhe foras engraçados. Taylor precisava levar as crianças para o conjunto de abrigos, àquela altura da noite os responsáveis por elas já haviam retornado de suas obrigações. Gwen, a menina dos cabelos de índio, sorria, esperando-a sentada com as outras 13 crianças. Eles fizeram gritaria quando avistaram Schilling. Emiliano apareceu, mandando-os ficarem quietos. Implicante. Os pequenos riam dele, uns chegavam a se pendurar em suas pernas, costas, braços. Mas quando Kim aparecia, eles viravam anjos. Segurando a mão de Gwen, Schilling seguiu até o veículo da fundação. Esperou os maiorzinhos entrarem, paciente. Eles estavam aguçados por terem ganhado doces de Ash. Eles também estavam todos suados, cabelos grudados na testa. O maior barato.

– Oi, Ashley-yyy.

– Oi, Gwen. – Ela a respondeu, indo abraçá-la. Taylor aguardou, embora estivesse com pressa, ansiando por sua cama. Só pensava em deitar, deitar, deitar. Tomaria um banho depois que descansasse.

– Boa noite! – Ash disse à Taylor, deixando-a cismada.

– Boa noite!

Ash sacudiu as chaves de sua moto, despertando a curiosidade em Gwen.

– Olha. Moto. A moto.

– Você viu, Gwen? – Taylor a pegou, levando-a para o interior do automóvel, colocando-a na cadeirinha.

– Som.

– É mesmo! Gwen, bem lembrado. – Um dos meninos disse. – Tay!

– Esperem um segundo que eu já coloco. – Taylor se atrapalhou completamente. Ashley estava com o farol da moto ligado na direção da porta aberta do veículo. Ela enroscou o capacete no antebraço, falando ao celular. – Vamos lá! – deslizou a porta nos trilhos, trancando-a. A caminho do volante viu Emiliano acenar, jogar beijos. Taylor acenou e sentou-se de encontro a direção, ligando o som para as crianças. Eles gostavam de Bruno Mars e The black eyed peas no entanto a música foi Rock This Party do Bob Sinclair. – Deus..

– Aumenta Tay!

– É!

– Aumenta mais um pouco.

Gritavam.

Ela o fez, mas logo diminuiria, não estava a fim de ficar surda. Aquelas crianças eram tão ricas em sorrisos. Havia esperança em vê-las felizes, progredindo para o futuro, iguais aos pais, no caso de alguns, só mães. Já sofria por antecedência em deixá-los. A culpada era Jenji. Apesar de ter de ir embora, a fundação ficava no país, na Califórnia, fácil acesso, mas Taylor queria ficar ali por mais tempo. Gostava daquela obrigação em levá-los para as aulas, comparecer a reuniões, palestras, atividades, pois era algo que a ocupava. Não a levava a lamentar, resmungar dos problemas com Laura. Naquele instituto, Taylor pensava além do próprio umbigo, via e convivia com as dificuldades daquelas pessoas. Com um sorriso emocionado, ela apreciava aqueles rostinhos arteiros pelo retrovisor, imaginando o quão louca ficaria se fosse mãe de todos eles. Violet veio em seus pensamentos. Morria de saudades de seu bebê. Ligaria para saber como ela estava, quando a veria, tudo.

 

– Boa noite, Taylor.

– Boa noite! – Ela respondeu, apoiando a porta do carro com a cintura.

– Tchau Tay, obrigado!

– Não por isso, Luke! – Acenou para o garotinho miúdo de oito anos. – Até amanhã. – Eles iam andando para os andares de suas famílias, brincando e conversando. A segurança do complexo de apartamentos era confiável, algumas mães permitiam que as crianças descessem para brincarem no playground. Era tudo bem iluminado e cuidado. Kim, sinceramente, fizera um ótimo trabalho por aquelas pessoas. Muitas delas conseguiam se restabelecer na vida, mas voltavam para auxiliá-la com a fundação. Um ajudava o outro. Saindo do transe, Taylor sorriu para Gwen, sua pequena observadora. Ela estendeu os bracinhos, sabendo que seria colocada no chão.

– Olha a lua.

– Sim! Eu vi a lua. Agora podemos caminhar de mãos dadas?

– Cansada!

– Não mesmo. – Taylor a manteve no colo. – Você não gosta de andar?

– Não. Tem bicho.

Ela riu, balançando-a no colo.

– Ok, segure a bolsa.. Isso. Agora.. Uh! Calma, deixa que eu seguro. – colocou a própria bolsa no ombro, equilibrou a da menina em uma mão, empurrou a porta do carro com o pé, e por último ela sorriu, aliviada. – Conseguimos.

– Bye carro! – Ela jogou os braços por cima dos ombros de Taylor, acenando.

– Até amanhã carro. – Taylor disse.

– Até amanhã carro. – Imitou-a.

Após entregá-la para uma Gigi – mega – envergonhada, Taylor subiu até o quarto que ocupava, e no corredor ela encontrou Kim, e a agradeceu por tudo. As duas fizeram mais um pouco de hora, e finalmente, Taylor conseguiu chegar até a cama, onde se jogou e apagou até o dia seguinte.

 

Assim que seus olhos se abriram pela manhã, ela correu até o banheiro, tomou um banho e se arrumou. Sua tarefa para aquele dia era acompanhar as crianças até a sede, aguardá-las na aula de dança e trazê-las de volta, pois teria a festa de aniversário de Rubens, responsável pela contabilidade da fundação.

Depois de ter escovado os cabelos e aplicado uma maquiagem suave, Taylor respondeu as mensagens de Jenji, Uzo, Sam, Eloise e Tommy, este que estava em Los Angeles. Ela o convidou para comparecer na instituição, certa de que Kim e os habitantes não teriam problemas. Taylor sentia a falta de todos os conhecidos. Vovó Lucia a procurou em Manhattan quando ela já estava inserida no programa voluntário. Uma pena, pois adoraria vê-la. Enquanto ponderava Lucia, Schilling pensou no quanto seria bom se ela visitasse a instituição e oferecesse algumas aulas básicas de escultura e moldagem. A maioria das mulheres iria adorar. Obtendo a sugestão em mente, ela jogou a jaqueta escura por cima da regata, apanhou o celular e as chaves, abrindo a porta. Seus olhos encontraram Violet. Seu coração acelerou, lágrimas escorreram de seus olhos de modo rápido. Deus. O seu bebê estava bem ali! Kim a segurava, risonha, comovida em vê-la emocionada.

– Eu bateria, mas você se apressou.

– Oh, Kim. – Ela abraçou a mulher morena, deixando Violet no meio, em seguida a tomou no colo, beijando a menina na pontinha do nariz. – Hei, amor. Você está tão grande! – abraçou-a. – Senti tanto a sua falta, filha. – Ela recuperou-se das lágrimas, olhando bem os olhos curiosos de Violet. Eles dançavam pelas paredes, parando em um extintor de incêndio. – Vamos descer! Eu preciso levar as crianças para as atividades. – Deixou que Violet segurasse as chaves, coisa que a encantou. – Estou feliz. Quem a trouxe?

– Lali! Ela está tomando café com as outras mulheres lá no refeitório.

Taylor estava mais do que feliz. Agora ela podia sorrir e comemorar a presença da filha, assim como as outras mulheres comemoravam todas as manhãs com seus filhos. Violet e Lali foram bem recebidas por todas. Taylor ficou surpresa ao saber que Violet chegara à tarde passada. Se soubesse disso, teria ido encontrá-la assim que chegara com as crianças. Lali havia a levado para os programas de desenvolvimento dos bebês da comunidade. Afirmou que ela ficara cativada com os objetos coloridos. Taylor ainda não acreditava que ela estava ali. Parecia irreal. Ontem estava se desfazendo em saudades, mas então, eis que a saudade se esvaeceu de seu peito, sumindo no ar. Nunca pensou que fosse sentir tanta a falta daquela criança.

Após comer duas panquecas, Schilling foi ao encontro dos pequenos. Eles variavam de três a oito anos. Os adolescentes tinham aulas na cidade vizinha e iam de ônibus escolar. Ao vê-la com Violet no colo, Gwen correu até ela, puxando-a pela jaqueta.

– Colo.

– Gwen! – Gigi, a mãe da menina, a repreendeu.

– Ei, Gwen.. Bom dia. – Taylor passou Violet para o colo de Lali.

– Bom dia. – balançou as mãos. – Colo.

– Certo. Eu a pegarei, mas quero que fale o meu nome para Lali escutar. – Taylor mostrou Lali para ela.

– Taylôôôur. – Ela fez uma voz cômica, intensa. Taylor caiu na risada, levitando-a no colo. – Baby!

– Sim, querida. Ela chama-se Violet. Você quer dar um beijo nela? – A garota sacudiu a cabeça, sendo inclinada até o rosto do bebê. Gwen a beijou entre sorrisos. – Ah, que amor!

– Violet! – Ela se lembrou do nome, fazendo as outras sorrirem.

– Violet, muito bem. Agora dê tchau para a tua mamãe.

– Tchau mamãe.

– Até depois, Gwen. Não abuse de Taylor, filha. Ela não pode ficar carregando-a no colo. Você pode andar.

– Não! – Ela ficou irritada, cruzando os braços.

Taylor e Lali sorriram.

– Vamos, Tay! – Os garotos gritaram.

– Vamos!

 

Taylor acomodou todos em seus devidos lugares, e conseguiu uma cadeirinha para Viv ao lado da de Gwen. Não queria deixá-la com Lali. Precisava dela por perto, mesmo com certos receios, medo de não cuidar dela direito, medo de Laura.. Talvez medo de falhar. Lali acabou ficando e participando das tarefas do grupo de apoio.

Na cede, o mesmo procedimento dos dias anteriores se repetia. Taylor abria a porta do veículo, as crianças corriam até a portaria, encrencavam com Emiliano, e iam para as aulas. A sede não ficava longe dos abrigos, mas seria arriscado levá-los a pé. Eram danados.

O problema maior seria carregar Violet e Gwen no colo, ela se esforçaria.

– Chegamos! – A espoleta disse, sendo tirada da cadeirinha e colocada do lado de fora. Gwen amava levar uma bolsa amarela para onde quer que fosse. Não tinha nada dentro, a não ser o apego da menina.

– Tayloor.

– Nós chegamos Gwen, você está feliz? Irá dançar.

– Eu estou feliz. O baby. – Apontou para Violet. A filha de Taylor estava encantada com Gwen, quando ela sumia de vista, Violet a procurava, quando a encontrava, sorria.

– Conte a ela o que viemos fazer aqui. – Taylor passou a alça da bolsa por sobre a cabeça, pendurando-a no pescoço. Com Viv no colo ela conferiu se não estava esquecendo nada, antes de trancar o veículo. Tudo parecia certo, e assim sendo, o trancou.

– Nós viemos brincar. – Agitou os braços.

Taylor abaixou-se, colocou Violet em um braço, sustentou Gwen no outro, riu, quase caiu para trás. Deus! As meninas pesavam mais do que ela. Com a ajuda do pensamento, ela ergueu-se.

– Santa mãe de Deus. Comeram chumbo no café da manhã?

– Não. – Gwen respondeu, pondo em prática sua mania de dar tchau aos veículos. – Bye-bye, carros.

– Tchauzinho, carros. – Taylor olhou para trás. Lá vinha Ashley, apressada, andando em sua direção e das meninas.

Schilling ficava nervosa cada vez que a via se aproximar.

– Bom dia. – Ela soltou, olhando as crianças. – Deixe que eu a ajudo. – Elas acabaram se embaralhando com as meninas, esbarrando braços, unhas, cabeças. Violet viajou até o colo de Ash, feliz por poder segurar em seus dreads. Ela sentia a textura, tentava por na boca.

– Obrigada.

– Ela se parece com você. – Ash separou os cabelos das mãos de Violet, olhando-a fechar o semblante. Taylor não sabia o que responder. A felicidade a calou. Ótimo, porque a professora não esperava uma réplica.

– Bom dia.. Oh, amores. – Começava Emiliano, freso. – Se eu soubesse que seriam vocês, teria me arrumado melhor. – Abriu o portão, ganhando um sorriso de Taylor.

– Pare de ser besta Emiliano. – Ashley desviou de seu abraço.

– Adotou um bebê, Ash?

Ela revirou os olhos. Ashley o adorava, mas não tinha paciência. Desde o dia em que viera para a instituição dar aulas gratuitas às crianças e aos adolescentes, que enxotava as brincadeiras loucas do cubano. Ash dava às suas aulas na sala da antiga academia. Era espaçosa, tinha espelhos em todas as paredes, ela amava aquele espaço. Ainda carregando Violet, ela conseguiu desfazer a cara amarrada e sorrir. A menina segurava em seu queixo, encarando-o sem parar. A morena desconfiou que ela quisesse ouvir algumas palavras.

– Olá. – Reproduziu um som curtinho. Violet sorriu. Ela o fez de novo, entretanto, parou. Taylor, que andava à frente, parou e colocou Gwen no chão. A garotinha a manteve abaixada, apontando algo para dentro da última sala. A sala de Ash. Taylor arrumava a roupa dela no lugar, prestando atenção no que lhe era contado.

– Agora vá! – Taylor segurou a bolsa amarela pela alça, virando-se para a filha no colo da temerosa Ashley Carter. – Deixe que eu a seguro.. – A tomou para si, devagar. – Muito obrigada.

– Qual é o nome dela? – ela perguntou com o sorriso mais sensual que Taylor vira na vida.

Embaraçada, Taylor começou a pensar, por um minuto o nome de Violet havia escapado de seu raciocínio. As duas adultas ficaram se olhando em silêncio. A gritaria das crianças correndo dentro da sala atingia os ouvidos das duas. Taylor conseguia ver o seu reflexo dentro dos olhos dela. Eles não eram tão escuros quanto ela imaginava. Uma mistura de tons marrons com caramelo tomava conta daquelas íris cintilantes.

– Violet. – Sem saber como, ela respondeu.

– Violet. – Olhava para a menina. – Você é muito simpática. – Fez carinho no nariz dela. – Eu preciso dar a minha aula, você pode entrar e esperar. Hoje não demoraremos.

– Ok! – Outra resposta suicida pulou para fora da boca de Schilling.

Ela sentou Violet entre as pernas, admirando e se encantando com o gingado que a mulher afrente tinha. Ashley usava uma blusa repicada, justa e muito curta, expondo sua barriga de boneca aos olhos azuis. As crianças se divertiam com ela. A morena tinha tanta calma, paciência. Os ensinavam os exercícios físicos, atraindo gestos desajeitados, risadas e alegria. A de Taylor principalmente.

– Bonito, não é?

Pulou uma voz atrás das costas dela, voltando-se a ela, deparou-se com Tommy. Ele deu uma risada, encolhendo o ombro.

– Oh! My! Gosh! – Fez sinais para ele abraçá-la. – Eu não acredito que você chegou! Quanta saudade!

Ele cruzou as pernas e sentou-se ao ladinho delas.

– Oi, amorzinho. Vem com o tio! – Roubou Viv dos braços da mãe, fazendo-lhe cóceguinhas. – Eu havia me perdido, por isso demorei. – Beijou o braço de Taylor. – Eu também senti a tua falta.

Taylor o beijou na bochecha.

– Por isso você estava distraída, não é? Olhando a Ciara ali na frente.

– Eu havia esquecido de que você é pior do que Harry. – Taylor fechou os olhos, expulsando a vontade que tinha de estrangulá-lo. Nem que fosse de brincadeira.

– Ela é linda. Também é gostosa. – Ele tagarelava.

Taylor ajoelhou-se, fuçando a bolsa de Violet, ao encontrar a chupeta, levou-a para a boca da menina. Ela estava morrendo de sono, logo adormeceria no colo de Tommy. Ashley deu o play em uma música aleatória, balançando os quadris, ela se admirava no espelho, sorridente. Taylor ouviu a risada do amigo.

– Pare de olhar, Taylor. Ela vai desconfiar.

– Eu não estou olhando com cobiça, está louco? Ela dança muito bem. Estou admirada. – Disse entredentes.

Ash ficou de frente para as crianças, ensinando alguns passos a elas. Sem almejar, ela percebeu que Taylor encarava as suas pernas dentro daquela calça legging. O olhar dela acompanhava o balançar de seu corpo. Sorriu, até porque era jocoso.

– Esquece a gostosa, agora me conta, houve a separação mesmo? – Ele ficou de lado, ninando Violet.

– Você está atrasado, querido. Laura e eu nos divorciamos.

– Mas vocês se amavam tanto, sua louca. – Reprovou-a com o olhar.

– Laura sempre será o amor da minha vida. – Taylor retrucou, solene. – Eu precisei me afastar dela. Descobri que ela estava passando por sérias complicações cardíacas. A estressei muito, sem contar às mágoas que causei nela.

– O amor é uma droga.

Os dois suspiraram juntos.

– Espero que tudo termine bem para vocês. Eu as adoro... Jesus! Disfarça olha esse Deus que acabou de entrar.. – Taylor quase quebrou o pescoço para olhá-lo. O homem era moreno, alto e bem encorpado. O sorriso era composto por dentes branquinhos. Ele caminhou até Ash, imitando-a nos passos perfeitos, juntos eles dançaram sincronizados. E, numa fração de segundos, ele a beijou nos lábios, breve, liberando-a em seguida.

– Héteros! – Schilling desviou a atenção dos dois, olhando para Violet dorminhoca.

– Quem disse a você? Eles podem ser bi.

– Deus e o mundo são Bi para você, Tommy.

– Ele eu não aposto muito, mas ela.. É gostosa. Esses dreads, esse corpo..

– Você é bi! – Riu dele.

– Se ela me quiser viro até o Indiana Jones. – Fez uma dancinha, balançando o bebê. – Estou falando sério. Aquilo é arte pura. – Urrava. – Eu acho que você... Hm! Ela pegava.

– Ela não vai muito com a minha cara. E deixa eu te contar uma coisa. – Ele a espionou. – Não vim até aqui ficar com professoras... Como diz você: Gostosa. – Deu de ombros.

– Como ela chama? – Tommy não queria saber do discursinho dela.

– Ashley. – Eles olhavam a mulher dançar. Pior que ela era tão sexy. Deus! Que aulinha mais torturante. Schilling queria ter a inocência das crianças lá na frente.

– Ashley é uma mistura de JLO com Beyoncé.. Com Ciara.. Igual a Shakira. Estou confuso.

Taylor gargalhou.

– Ouvi dizer que ela é chamada de Shakira-Brown, mas nunca escutei, então..

– Ela é maravilhosa. O namorado dela também. Quero os dois na minha cama.

– Argh! Você parece que está sofrendo uma diarreia cerebral.

– No, no, baby love, eu estou sofrendo por não poder tê-los, qualquer um dos dois seria lucro, mas o namorado dela..

– Eles são namorados?

– Ao que parece, sim.

A aula foi prosseguindo, as crianças já estavam bem ensaiadas. Gwen dançava um pouquinho, parava, sentava, dançava de novo. Taylor a adorava tanto. Ela especial em todos os sentidos. O possível namorado de Ash havia ido, deixando-a melhor sozinha. Tommy e Taylor concordaram. A mulher tinha um potencial enlouquecedor, quando o assunto era dança, Ash não brincava. Finalmente a aula havia chegado ao fim. Com o braço dormente, Tommy entregou Violet para Taylor.

– Eu vou lá falar com ela.

– Tommy.. TOMMY! – Ela chamou-o com força, mas ele nem se deu ao luxo de escutá-la. Tay levantou, suspirando fundo. Tommy era um maluco dos infernos. Ao chegar em Ashley, ele sorriu, ela não, pois tomava água em uma garrafinha. Os dois começaram a conversar, sorriram, ignoraram Taylor. – Cara de pau!

– Taylor, estamos mortos de cansaço. – Ed, o maiorzinho do grupo disse, pendurando um braço na cintura dela. – Nós iremos embora agora?

– Sim, nós iremos. – Ela arrastou os dedos nos cabelos dele, molhando-os de suor. Ed fechou os olhos, agraciado.

– Eu adoro isso..

– Percebe-se! – Deu-lhe um tapinha no braço magricela. Ed era todo sorridente, esperto. Apaixonado por músicas. Segundo Kim, ela já fora o garoto problema. Gostava de fugir do abrigo, fazer pequenos furtos, mas ela o colocou na linha. Apesar dos seus oito anos e meio, Ed era muito maduro. Kim acabou o adotando. A propósito, ele se parecia muito com ela. Os olhos eram pretinhos, os cabelos crespos e a pele morena. Sorrindo, Ed afastou-se.

– Sabia que eu a vi em um filme? – Soltou-a.

Taylor ajeitou Violet no colo, chamando as outras crianças.

– E aí, você achou que eu mandei bem?

– Sim. O filme era aquele com o cara de High School Musical. – Disse ele, segurando as bolsas dela. Taylor o agradeceu com os olhos. – Você já viu High School Musical? A gente adora! Ash também, antigamente ela nos deixava assistir.

– Eu nunca cheguei a assistir, querido.

– Ah que pena! Um dia você assiste, então. – Sorriu. – Vamos embora, porque estamos empolgados para a festa de Rubens.

– Ajude os outros a chegarem até o carro, e não.. Corram.. – Bem, já era tarde. O garoto pendurou as bolsas nos braços e saiu correndo atrás dos outros. Schilling deitou Violet no peito, sem acordá-la. A pobrezinha estava muito pesada.

– Olha o que eu encontrei. – Tommy se aproximou com Gwen pendurada em seus ombros. – Ela me disse um ‘’oi’’, sorriu e me pediu colo. – Ele olhou-a por cima do braço. – Posso ficar com ela pra mim?

– A fila seria grande.

– Taylor, eu dancei!

– Oh, yeah, baby! Nós vimos. – Taylor foi puxando Tommy pelo braço. Ao saírem da sala, encontraram com Ash tirando fotos das outras crianças. Eles pararam e aguardaram.

– Agora vocês podem ir.. – Mal terminou de se expressar, e as crianças percorreram o enorme pátio. Ela ajeitou os cabelos, devagar, leve.

Tommy deu três passos a frente.

– Foi um prazer, Ashley.

Ela disse-lhe o mesmo. Olhou Taylor, fazendo um aceno resguardado.

Taylor beijou a cabecinha de Violet, soltando o ar pela boca. Ashley deu-lhe uma última olhada antes de ir embora. Tommy a seguiria, mas o puxão que Schilling deu-lhe no braço foi mais forte, fazendo-o recuar.

– Você é gay. Está fazendo isso para conseguir essa reação de mim.

– Eu sou livre. – fez cara de deboche. – Ela também é.

Caminharam lado a lado.

– Não acredito que você teve a audácia de perguntar isso a ela. Cacete, Tommy!

– E ela respondeu. É tão simpática.

– Ela deve ter notado que você é gay..

– Livre..

– Gay...

– Livre.. – insistiu.

– Livre! – Gwen disse.

– Viu? Você perdeu. São dois contra um.

Taylor deixou que ele desse uns passos à sua frente.

– Mas você não ficaria com ela.

– Você sim?

– Meu Deus. Eu amo Laura!

Tommy parou de andar.

– Vocês estão divorciadas.

– Gênio! – Ele sorriu, tornando a caminhar. – Eu não sei se quero me envolver com outra pessoa.

 

No carro, Taylor colocou os bagunceiros para escutarem músicas. Eles estavam reclamando de sede o tempo inteiro. Ela pediu calma, e os convenceu de aguentarem mais um pouco. Tommy havia deixado o seu carro no estacionamento da sede, seguindo junto com ela e os pequenos. Ele os deixava mais agitados, aumentando o som. Violet estava bem com aquela oscilação toda. Ela ficava olhando os garotinhos batendo palmas, sorrindo.

No complexo, eles saltaram do carro, sumindo do campo de visão de Taylor, deixando-a na companhia de Tommy, Viv e Gwen.

– Aqui é tão gostoso de ficar. Ms. Carter me recebeu de braços abertos. Ela não sabia que eu era o Tommy, seu amigo. O amigo que você ama, mas esquece. – Ele apanhou Violet.

– Chegamos. Iremos à festa, Taylor.

– Iremos sim, Gwen. – Ela a tirou do carro, batendo a porta. – E você, seu metido, se contenha.

Ele deu um sorriso arteiro.

– Você quem manda.

A festa surpresa deixou todo mundo emocionado. Rubens não esperava que aquelas mulheres fossem se preocupar com o seu aniversário. As crianças fizeram cartazes, balões, e outras coisas na oficina. O homem baixinho e idoso chegou a chorar. Fez um discurso maravilhoso, e apagou as velinhas de 77 anos. Ele era tão doce.

Taylor Schilling se reuniu com todos para tirar fotos. Coisa que ela havia evitado no começo, até porque ninguém lhe amolou com esses pedidos. Eles passaram a tratá-la como um membro da comunidade. Para ela foi o maior agradecimento. Igualdade, modéstia e união. Ela era humana, não a atriz que todos conheciam fora daquele lugar. Lali e Violet se enturmaram, mas Taylor estava atenta e pediu para que ninguém desse nada a criança, explicou o incidente que a levou ao hospital, e fora compreendida. Fora isso, sua querida filha acompanhou os pequenos no teatrinho de fantoches, brincou na piscina de bolinhas e dormiu no colo de Rubens. Taylor os fotografou, rindo da forma despojada que o senhor segurava a garota. Ele era inseguro, mas a mantinha firme. Após a fotografia, Lali levou Violet ao berçário, deixando-a junto dos outros bebezinhos, que também dormiam.

A atriz participou da roda de conversa com as mulheres, rindo e escutando-as contar detalhes dos empregos que vinham surgindo, da forma de como elas planejavam a vida fora dos abrigos. A cada historia, ela se colocava no lugar delas, imaginando a vida descrita por aquelas guerreiras. Eram tão fortes, amavam os filhos, mudavam de vida por eles.

Tommy estava agitando as crianças. Ele era pior do que elas. Quando Ash deu pinta por ali, ele se acalmou um pouco. Procurou Taylor com os olhos, e a encontrou o observando.

Ashley estava com os cabelos soltos, roupa e calçados despojados. Ela cumprimentou todos de modo geral e foi parabenizar Rubens. Schilling ocupou-se de espalhar a ideia de trazer a avó até a fundação. As outras ficaram empolgadas e animaram-se com a possibilidade. Timidamente, algumas chegaram a perguntar sobre as atrizes da serie. Elas veneravam Uzo, Dannie e Adrienne. Taylor não disse, mas as convidaria para fazerem uma surpresa àquelas pessoas.

Deixando a roda de conversa, Taylor foi caminhar até a sala de vídeo. Seu coração acelerou quando ela recebeu uma mensagem de Laura. A atriz perguntava por Violet e Lali, queria saber se estava tudo bem. Chegou a afirmar que ligara nos celulares delas, mas estavam desligados. Tay não culpou Lali, quando chegavam naquele pedacinho de céu, a vida pessoal ficava bem menor perto da vida daquelas pessoas. A fome de ser útil a elas era maior do que tudo. A necessidade se baseava em ajudar. Ajudar. Ajudar. Enfim, Taylor a respondeu. Aproveitando o celular em mãos, mandou mensagens sigilosas a Jodi, perguntando se Prepon havia tomado os remédios, se estava se cuidando. Seria importante saber. Depois ela bloqueou a tela, suspirando. Ela viu Ashley se aproximando de onde estava. A bela mulher vinha peregrinando com lassidão, olhando-a nos olhos. Taylor se desesperou, não saberia o que responder caso ela lhe dirigisse a palavra.

– Olá. Está perdida? – Ash perguntou, usando um sorriso.

– Oh, não. Eu vim esticar.. As pernas.. – Taylor devolveu com um sorriso amarelo.

– excelente! - Ela levantou uma garrafinha de suco ate os lábios. Taylor não a notara antes. Ashley a deixava tão inquieta, que, por hora a cegava. – Vamos dar uma volta.

– Eu? – Deus! A loira ficou horripilada. – Tem certeza?! Eu sempre achei que você não gostasse de mim.

– Eu não disse que não gostava, mas também não é certeza que gosto. – Ela estava disposta em sorrir o tempo todo.

– Isso não é confuso?! – Taylor, nervosa, começou a mover-se até a saída do cômodo. Elas seguiram até o playground. – Eu lhe dei motivos para antipatizar comigo?

– Talvez eu a tenha julgado mal. Algumas celebridades tem nos ajudado com a fundação, mas elas não se envolvem. É um auxílio maciço, não ocular.

– Eu não sou assim. Você realmente me julgou mal.

– Reconheço. – Esticou a mão a ela. Taylor ficou olhando. Ela parecia tão macia. Sem hesitar, ela apertou. Ashley pairou os olhos amarronzados sobre as mãos. – Me desculpe.

Taylor a soltou prontamente.

– Está tudo bem, Ashley.

– Agora está. – Elas se sentaram em um banco, olhando as crianças transitarem por entre os brinquedos. Apesar da noite, ali era a área mais bem iluminada da comunidade.

Silêncio.

Schilling não aguentou e disse:

– Você é muito calada.

– Não sou. É que não temos intimidade.

– Como Tommy conseguiu essa proeza?

Ashley deu uma risadinha.

– Ele não me deixou falar. Ficou tagarelando, me elogiando.

– Ele é maluco.

– Gostei dele, é descontraído.

– Abelhudo também.

Elas riam.

– É bom poder conversar com você. – Taylor disse, olhando-a de soslaio. A outra comprimiu os lábios. – Está aqui há quanto tempo?

– Há três anos. Eu morava aqui com a tia Kim, mas depois eu precisava cuidar dos meus negócios. – Ela contou mantendo a cabeça apontada para o playground. – Tenho duas academias de dança, ajudo jovens a sair das ruas, os incluo em projetos sociais.. Bem, não é nada diferente do que você vê aqui.

– Isso é tão legal. Você está cooperando para o futuro dessas pessoas.

– Você também.

Schilling, mais uma vez, perdeu a fala.

– Essas pessoas estão mais seguras em vê-la aqui, sua presença foi importante para muitas dessas mulheres. Lá fora elas a veriam como uma celebridade, teriam receios, entende?

– Sim.

– Aqui dentro você é uma delas, uma de nós. Sua estadia só mostra que somos todos iguais, independente de condições sociais. Somos humanos, temos erros, qualidades, falhas, medos, mas não somos dessemelhantes.

Os olhos de Taylor ficaram encharcados.

– Eu acho que chorarei.. – Ela olhou para cima.

Ash olhou para o perfil dela, rindo calmamente.

– Você sempre será bem vinda aqui.

– Estarei sempre por perto. Se eu pudesse, não sairia mais.

– Não coloque sua vida em segundo plano. Continue os ajudando, mas trabalhe em sua vida pessoal.

Ela tinha razão!

– Obrigada por me dizer essas palavras.

A mulher fez um gesto divertido.

– Não sei se a tia Kim comentou, mas faremos uma festa de Halloween para as crianças. Seria bom se você estivesse presente.

– Eu adoraria! – Ela exclamou, animada ao extremo.

Taylor descobriu que Ash falava muito, era humilde e afetuosa. Apesar da aparência rígida, por trás a mulher de 29 anos mostrava-se muito carismática. Elas discorriam sobre muitos assuntos, não vendo a hora passar.

 

Mais tarde, Schilling se despediu dela. Sem abraços, apertos de mãos, mas com um sorriso contagiante.

– Vocês viraram amigas.

– Tommy.. Não comece. –- Pediu, virando de bruços na cama. Os dois ocupavam o mesmo quartinho. Viv havia ido dormir com Lali em outro dormitório.

– Fico feliz por você, TayTay.

– Feliz pelo que?

– Você conquistou a simpatia da gostosa. – Tay tacou a mão na sua cara.

– Cale-se.

– Uh. Ai-ai, sua bruxa.

Ela gargalhou.

– Laura me mandou mensagem..

– Jura?! E aí?

– Perguntando de Violet..

– Ah... – Ele suspirou sem empolgação. – Isso..

– Não fale assim. Ela se preocupa com Violet.

– Sim, entendo. – Deitou de lado. – Mas seria legal se ela perguntasse de você também. Já era um bom começo.

– Depois do que nos aconteceu, me espantaria se ela o fizesse.

– Vamos dormir, mudar de assunto.. Sinto que isso te chateia.

– É.. Acontece! E, ah! Eu quero dormir. Estou exausta.

– Boa noite! - ele deu uma mordida no ombro dela.

– Filho de uma boa mãe.

 

Dois dias rolaram até o fim da estadia de Taylor na fundação. Eles fizeram-lhe uma festinha de despedida. Ela passou o dia chorando. Estava emocionada, angustiada. Era como se não estivesse pronta para voltar ao estresse da vida pessoal. Violet tinha se adaptado ao lugar, às pessoas. Lali chegou a confessar que ela se sentiu outra pessoa junto daquela equipe maravilhosa. As crianças fizeram uma apresentação de dança especialmente para Taylor, ao final todas correram até ela, sufocando-a com abraços. Ela estava toda vermelha, chorava, parava, chorava de novo. Não era uma despedida oficial. Taylor voltaria, mas ao ver o carinho, cuidado, e o agradecimento que tiveram em preparar tudo aquilo em sua homenagem, não tinha preço e lágrimas que diminuíssem a emoção. A mãe de Gwen comprou-lhe um presente e agradeceu por toda sua paciência com a menina, quando todos a tratavam como uma criança diferente das outras, Taylor a tratava de igual para igual. Ela podia não saber, mas a presença dela no abrigo mudou o conceito que aquelas pessoas tinham de certas celebridades.

Tay voltaria dali a alguns dias e, ainda assim, a tristeza por deixá-los pesava em seu emocional. Ashley venceu-se e deu um abraço na loira, fazendo o agradecimento final. Como Tommy havia partido um dia atrás, Taylor precisou contar com o auxilio de Kim para deixá-la no aeroporto. Com Violet e Lali, a querida atriz voltaria para Manhattan, pois no dia seguinte as gravações se iniciariam para ela e Laura. 


Notas Finais


Migos, eu não consigo imaginar Lauroca com outra mulher. É Taylor, Taylor, Taylor. shisdvsdfvsdfndvfgd mas ok. Trabalharei nisso.. Ou não. Não sei.
Enfim, vejo vocês; Obg.


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