História Walk On. - Capítulo 22


Escrita por: ~

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Palavras 10.741
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Yuri
Avisos: Bissexualidade, Linguagem Imprópria, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Ei! Gente obrigada por tudo. Pelos cometários. Pelas conversas nos grupos. Vcs são demais. :)
Ando meio bicho preguiça, por isso não direi mt coisa.

Quase dormi revisando o cap..zzzz sorry os errinhos. heueheueh
XX

Capítulo 22 - Como uma onda.


Taylor não sabia se aquilo era ou não uma confusão de sua cabeça. Ela dava giros de sono. No entanto, o cheiro era mesmo de Laura. O sorriso. O olhar amortecido pelo cansaço. Oh, Deus! Por que é que ela foi incomodá-la? Taylor desprendeu o edredom de cima dos ombros, fez uma cara confusa e saiu, encostando um pouco a porta. Laura parou de sorrir, esperando que ela puxasse a conversa.

– O que faz aqui? Está tarde!

– Eu preciso conversar com você. – Ela respondeu, arquitetando um sorriso. Havia até sombra dele em seu rosto alvo.

– Seja breve, eu estava indo dormir. – Taylor manteve a calma, olhou-a sem segundas intenções. Sim, porque o pijama dela levava a tais pensamentos. Entretanto, Laura olhou a porta atrás de si, aguardando um convite.

– Não vai me deixar entrar? – Para dar mais força a sua expressão de espanto, ela elevou as duas mãos á cintura, perdendo parte do afeção.

– Hmmm... Não! – entrelaçou os braços, sentindo um frio. Talvez ele viesse do olhar de Prepon. Congelante. Ora! O que ela esperava? Ser recebida de braços abertos depois de tudo o que se passou? Nem se ela fosse à rainha da Inglaterra. Taylor havia chegado à exaustão. Que Laura procurasse outro fantoche. – Por favor, não demore. Eu preciso dormir, levantarei cedo.

– Você está ranheta demais! Eu só quero conversar com você. Não dá para ser aqui no corredor. – Falava. – Precisamos nos acomodar.

Taylor sentou no chão e cruzou as pernas, parecendo bem confortável às necessidades da bela Prepon.

– Sente-se. – Apontava o outro lado da parede. Laura olhou para cima, contando até dez. – Pare com isso, Laura. Nós podemos conversar e terminar logo com essa enrolação. – Os cachorros começaram a latir, sentindo seu cheiro por debaixo da porta. Ótimo!

– Esses latidos estão saindo de dentro de seu apartamento? – Ela chegou perto da porta, encostando a orelha na limiar fria. – Whoa. – Sorriu, aquecendo o coração de Taylor. – Desde quando você possui cachorros? – Olhava-a com os olhos brilhando em distração.

– Ok! – Taylor fez força para levantar. – Se você não for falar nada, vá embora. – Ela dançava enquanto batia a mão na calça, tirando a inocente poeira do pijama.

– Nunca foi mal educada, não será agora. Concorda comigo? Não vim até aqui para dar em cima de você. – Passou as mãos pelos cabelos, parecendo ser uma boa moça. – Não tenho interesse.

– É preferível! – Taylor queria acrescentar alguns palavrões, mas não o fez. Abriu a porta, segurou os cachorros com a perna e permitiu que Laura entrasse. Ela olhava os cachorros com curiosidade, encantamento, pavor, por Sasha, carisma. A cachorra deu a volta no sofá, uivando e atemorizando Taylor. Ela sempre fora boazinha com as visitas. Sasha latiu para Laura, como se lhe avisasse para manter-se afastada, pois a atacaria.  – Shhh. Fique quieta, Sasha. – Taylor a segurou pelo pescoço, sentando em cima dela bem devagar. A peluda não queria saber de calma, ela avançava na direção de Laura o tempo todo.

– Por Deus! Esse animal é seu? – Intimidada, Laura tomou uma longa distância até o corredor que estava unido à cozinha. Apollo a seguiu, tentando cheirar-lhe as pantufas. O medo que ela sentia de Sasha a impediu de se aproximar do cachorrinho menor.

– Sim.. – Segurando-a no colo, Taylor fez uma careta de sufoco. – Eu a colocarei em meu quarto. Aguarde um minuto.. – Sasha olhava Laura por cima de sua cabeça, bufando e dando latidinhos contidos. – Não gostou da moça, foi? – Soltou-a no chão. – Sabe de uma, foi bem feito.  Não é hora de visitas, não é? – A cachorra tentou sair, mas Taylor não lhe deu credibilidade. – Fique aí, meu amor. Deite na cama, espere por mim.. – Saindo, ela segurou na maçaneta por alguns minutos, respirando com sabedoria. Satisfeita, ela chamou Laura e foi agarrando o edredom, cobrindo-se.

– Aquele cachorro grande quase me atacou! – Agitava-se, ficando mais atraente ainda. Encarava o cachorrinho de um olhinho só bisbilhotando suas pantufas.

– Bem feito. Está vendo? – Sorriu, ousada. – Quien había llegado a esta hora..

– Acha mesmo que eu não entendi o teu espanhol? Está enganada. – Respirou, disse a si mesma que não teria um ataque de raiva, e não teria mesmo. – Aquele cachorro é perigoso.

– Ela só não foi com a sua cara, Lor. – Seu olhar cínico beliscou o orgulho da outra. Deixando de lado as brincadeiras, Taylor foi ficando mais calma. – Sente-se no sofá. Apollo não irá devorar sua perna.

– Você perdeu o juízo? – Ela acomodou-se, encolhendo as pernas. – Desde quando eles estão aqui?

Schilling chamou Apollo com as mãos, esperou até que ele chegasse perto, segurou-o e o escondeu dentro do edredom, deixando somente o focinho dele de fora.

– Eu precisava deles, eles precisavam de mim. Estão aqui comigo. São dóceis.

Prepon não acreditou.

– A cachorra quase voou em cima de mim! Chama isso de dócil? Que jocoso. – Riu, contemplando os quadros da sala. – Só espero que tome cuidado para que ela não morda Violet.

– Pare! – Seus olhos ficaram zangados. – Sasha ama Violet. Ela só não gostou de você, aceite.

– Ela quase me abocanhou.

– Exagerada.. – Bocejou. – Afinal, o que a trouxe aqui?

– Perdi a vontade até de falar. – Massageou os cabelos, embravecida.

– É importante que fale, pois está tomando o meu tempo, preciso dormir. Estou aqui morrendo de sono. – Contou ela com os olhos avermelhados e pequenos de sono.

 Contrariada, Prepon deu a última respirada funda e disse:

– Jenji me telefonou, propondo a nós duas um ensaio fotográfico.

Ela riu, desacreditando.

– Era só isso? – Virou o pescoço, bestificada. – Por que é que não me mandou mensagem? Não precisava ter vindo de Jersey até aqui.

– Acontece que eu tentei te ligar. – Controlava-se. – Seu celular está desligado.

– Oh. – Taylor abriu a boca. Lembrou-se disso. O celular estava no carro. O pegaria pela manhã. – Ok.. – Endireitou a cabeça, olhando-a receada. – Não estou entendendo a sua urgência para vir até aqui e me falar de um assunto bobo. Poderíamos discutir isso em outra hora, ou sei lá. – Passou os dedos nos lábios, buscando desvendar o mistério. Prepon acompanhava o gesto.

– O ensaio sensual é do interesse pessoal de um colecionador anônimo.. – Olhou as unhas, indiferente. Não mentia a respeito do que dissera. O interessado estaria disposto a pagar até cem mil pelas fotos. Laura ponderou que o dinheiro depositado poderia ser transferido para as ONGs que ambas ajudavam. 

– Ensaio sensual? Colecionador anônimo? – Ficou estonteada, boquiaberta. – Oi?

 – Levei um choque ao receber a proposta. – Laura deitou a cabeça no encosto do sofá, se encolhendo. – Depois pensei um pouco.. Jenji garantiu que as fotos não seriam expostas. O cara nos pagará no mínimo uns cem mil. Podemos investir esse dinheiro nas ONGs que estamos auxiliando.

– Calma aí, calma aí.. – Taylor se arrumou, prendeu os cabelos e esticou o pescoço para o lado de Prepon lá no outro sofá. – Estão querendo que eu, Taylor Schilling, pose nua com você para uma pessoa anônima? – Sorriu, incrédula. – Só pode estar de brincadeira, Laura.

– Não estou.

– Quem nos pediria isso? Não estamos com a corda toda. Você está magra demais, eu não tenho seios enormes.

Prepon ficou divertidamente ofendida.

– Estou magra demais?

– Sim.. – Diversas expressões bailavam em seu rosto. – Não faz sentido para mim, não concordarei com isso. Proposta recusada com sucesso.

– Por que não levar na esportiva? Será bom.

– Não está em seu juízo perfeito. A Laura que eu conheço não aceitaria este tipo de convite.

Laura sorriu.

– Me parece bem divertido, inovador. – Observou os olhos azuis a recriminarem. Taylor com sono e irreversível era a coisa mais rica da vida. – E, além do mais, ele nos pagará cem mil.

– Eu pago trezentos para não fazermos. Dinheiro não será o problema. Não sabemos para quem serão essas fotos, não sabemos se é algo confiável. Acho até que seja para Natasha.. Pensando bem.. – Divagava.

– Pensei nela. – Laura a fez sorrir e sorriu junto. – Mas ela não faria essa loucura. Nah-ah. – Balançou o dedo. – Não é pelo dinheiro, quero te lembrar. O que conta é a experiência.

– Sinto que quer usar isso a seu favor, quer se reaproximar de mim. – olhou-a de soslaio, escovando o focinho de Apollo. Prepon deu uma girada de olhos, esnobe. O jeitinho doce dela.

– Se eu quisesse te reconquistar, Taylor, bastaria eu levantar daqui.

– Seu ego é infringível, não é mon chéri? – Encarou-a, determinada. – Adoraria vê-la tentar, mas não quero destruir o seu apreço excessivo pessoal.

– Quer que eu a mostre?

– Me recuso. Não por medo, entenda isso, antes de qualquer coisa. – Largou o cãozinho no chão, admirando-o em uma sacudida rápida. – Bem, estamos entendidas. Recuso-me a posar nua com você, ou seja lá o que for. Agora, por gentileza, você poderia ir? Já passou da minha hora de dormir.

– Deve soar divertido para você. – Ela permaneceu sentada no sofá, cruzando os braços por cima do encosto, deitando a cabeça por último. – Me expulsar toda hora. Parece que está se refugiando, como se não conseguisse ficar em minha presença.

– Não adiantará nada eu rebater. Você não aceita que perdeu o seu objeto sexual, vulgo: Taylor Schilling. – Dobrou o edredom, ainda sentada. – Pode ficar e dormir no sofá. Não coloquei os forros de cama no quarto de hóspedes. Estão todos na lavanderia cheirando a guardado.  – Terminado de dobrar o acolchoado, ela passou a mão por entre os cabelos, sem encará-la. – Amar você, eu amo, mas não cairei em seu jogo de sedução.

No momento em que ela revelou aquilo, a quietude reinante pressionou-se contra Laura com uma intensidade sufocante. Taylor levantou e seguiu até o quarto. Ao voltar, ela trazia um travesseiro e um edredom limpo. Laura não estava com a cara de quem iria embora. Expulsá-la já não estava mais em seus planos. Ela não arredaria pé dali, então, por que não facilitar? Pensava a loira, estendendo á ela o que havia pegado.

– Durma bem. – Laura trancou seu pulso entre as duas mãos.  Mantendo a calma, Taylor despistou a onda de calor que minava em seu corpo, olhando-a com sutileza. – Alguma dúvida? – Ela não disse nada. Ficou lhe olhando com aquela cara pensativa, sem jamais soltar-lhe o braço.

– Você sabe o quanto eu odeio dormir na sala.

Taylor puxou a mão com um sorriso.

– Vá para o seu apartamento. – Coçou a nuca. – Lá você poderá dormir no quarto.

Laura levantou, derrubando o travesseiro e o edredom no chão. Taylor, ciente, deu um passo para trás. Não que isso fosse o bastante para intimidar Laura, pois a morena a encurralou entre o sofá e as almofadas.

– Disse que me amava.. – O nariz dela escorregava pela pele do pescoço de Taylor. Traíra, o corpo dela ficou arrepiado. Prepon sorriu. Não pretendia brincar com o que ela sentia, queria apenas experimentar o cheiro que ela escondia em sua pele, a textura de seu corpo.

Schilling a empurrou, acuada.

– Já deu! Você não irá se aproveitar dos meus sentimentos, Laura! Não vai! – De tão nervosa que ficou, soltou um choro esgotado. – Não pode se aproveitar assim dos outros.

Se o tom de voz incluísse o poder de matar, Laura já teria caído no chão, dura, morta. Vê-la chorar lhe tirava o chão, e ela tinha razão. Estava sendo uma idiota, imatura. Arrependida, ela a abraçaria, até ensaiou com os braços abertos na direção dela, mas o cachorro que estava preso no quarto, avançou em sua perna, dando-lhe uma mordida de raspão.

– Porra! – Taylor pulou para cima da cadelinha, puxando-a para longe da perna de Laura. – Sasha! – Conseguiu contê-la. Olhando Laura, ela quis saber: – Você está bem?

– Ela mordeu a minha perna. – Espantada, Laura estremecia dos pés à cabeça. Nunca havia sido atacada por um cachorro, aliás, por bicho nenhum. A experiência era assustadora, dolorosa. Os dois cachorros latiam para o seu lado, deixando-lhe mais recuada. Sem coragem para olhar a perna, ela foi se escorando até a chaminé. Seus olhos verdes estavam incididos pelas lágrimas. A dor na perna podia ser comparada a um grande arranhão. Ardia muito.

– Sasha pensou que você fosse me atacar. – Taylor abraçava a cadelinha, agradecida por sua lealdade, sem deixar de se preocupar. Sasha nunca agira daquela forma.

– Está defendendo ela?

– Laura, Sasha é uma cadelinha dócil. Não sei o que há. Ela pensou que você fosse me fazer algum mal.

Laura mancou até o jogo de puff, aceitando a mordida da dócil cachorra como um castigo.

– Deixe-me ver. – Taylor passou a cachorrinha para trás, indo até Prepon. Ela disse que estava tudo bem, massageou a perna por cima do pijama e respirou pausadamente. – Eu sinto muito.

– Está certo.. A culpa é minha.. – Taylor ia dobrando a barra da calça para cima, juntando as sobrancelhas em uma careta de estrago. Laura conferiu o resultado, imitando-a no esgar. – Ai.

– Fique sentada. – acendeu as luzes dos abajures. – Pegarei uma gaze e um pouco de álcool.

– O quê? – Sua perna já sofria antecipadamente. Sasha conseguiu dar uma mordida artificial na região da panturrilha, levando-a ao curto sangramento. O tom de sua pele ficou vermelho na hora, aderindo alguns vergões aos arredores da mordedura.

– Para matar as bactérias da mordida.

– Ela é vacinada?

– Sim. Não se preocupe. – Respondeu olhando a perna dela. – Espere.

Prepon quase pediu à Taylor que não fosse, que permanecesse ali. Acostumada com sua presença, Sasha deitou em cima de uma almofada, bufando. Ela parecia uma velha caduca, resmungando sozinha. Apollo não, ele estava sentadinho sobre as duas patinhas traseiras, olhando-lhe. Tão gracioso. Se não estivesse com medo, Laura o teria tocado no focinho.

– Beba um pouco dessa água. Você está tremendo.. – Taylor dizia, levando até Prepon um copo cheio.

– Obrigada. – Ela aceitou, bebendo a água com gosto. Terminando, respondeu: – Foi o susto.

– De verdade, eu sinto muito. – Ela se sentou no chão, analisando o ferimento. Olhou, olhou. Abriu as gazes e as colocou em cima de um puff, o livre. Molhou algumas delas com o álcool, meditada no que fazia. – Isso irá arder.

– Me sirva um drink. – Com os cílios molhados, Laura sorriu e olhou a cabeça loira reluzir diante das luzes dos abajures. Taylor riu de lado, sem olhá-la.

– Pense em algo bom.

– E isso ajudará? Creio que não. – Encolheu a perna, receosa.

– Ajudará. – Deu a última umedecida de álcool na gaze. – Pense nas crianças. – Ela dizia, endireitando a panturrilha da outra.

– Violet não corre perigo de ser mordida? – Ela rangeu os dentes e encolheu os dedos dos pés. Taylor ainda não tinha encostado a gaze no ferimento, mas o medo e o pavor lhe adiantava da ardência que sentiria.

– Sasha a adora. É paciente. Não se preocupe. Bunny não fica em cima dos cachorros. – Pressionou o tecido no machucado, docemente. Laura rugiu como uma leoa, deixando os cachorros intrigados. – Irei limpar de novo. Não puxe a perna, aguente só mais um pouco.

– Não adiantou pensar nas crianças.. Uh. – Ela abanou a perna, dando uma conferida no estrago. Apollo correu até sua mão, dando uma cheirada destrambelhada. Assustada, Laura encurtou o braço. – Outro querendo me atacar.

– Ele é medroso e curioso. – Taylor era tão organizada, que irritava Laura com a demora. Ela dobrava as gazes usadas, jogava um pouquinho de álcool nas mãos, nas gazes limpas e fechava o vidro. – Se quiser, pode segurá-lo.

Laura encarou o cachorrinho com a língua para fora, sorriu e o apanhou. Ele era tão levinho e tinha o cheiro de Taylor. Ela quase o espremeu contra as narinas. Para não passar vergonha, a atriz leu o nome na coleira: “Apollo Schilling.''

– Ele é mais bonitinho com um olhinho só. – Comentou, distraída. Taylor fez a limpeza do ferimento, de novo, fazendo-lhe arranhar os dentes. – Já está bom.

– Ainda não. – Ela disse. – Vire um pouco a perna.. Ok.. Assim está ótimo.

– Por que você decidiu adotá-los? – Inquiriu, massageando o pequenino em seu colo. Sentiu o súbito desejo de ter outro cachorro. Lembrou-se Lambert, chegou às lagrimas, riu quando Apollo deu um beijo em seus dedos.

– Me sentia muito deprimida, sozinha, decidi adotá-los. - Contou de cabeça baixa. – Eu tinha um cachorrinho quando era criança.

Laura cantarolou.

– Ele foi presente do meu avô. Nós o batizamos de "Poppy''. Era fêmea, mas Sam dizia que para ele seria um macho. Funcionou. – deu um riso breve, indeciso. – Tínhamos dois cachorros em um só.

– Você nunca me contou a respeito.

– Minha infância não foi tão importante assim. – Taylor ficou séria. – Terminei. – Recolhia o material usado. – Devo ter uma pomada anti-inflamatória.

– Já fez o suficiente. – Prepon se mexeu, sentindo o traseiro dormente.

Ela ficou caladinha.

– Me perdoe por ter feito você chorar. Não quero magoá-la.

Taylor balançou a cabeça positivamente, olhando o vidro de álcool e as gazes.

– Já venho. – Saiu para a cozinha, silenciosa.

Anelando, Prepon deu um beijo no cachorrinho pequeno. Pacientemente, ela esperou até Taylor aparecer com a tal pomada. Ela fez a aplicação em silêncio, séria demais. Após concluir a higienização em sua perna, suspirou.

– Acho que será melhor eu ir embora. – Aos pulinhos, Prepon foi chegando perto dos sofás. Sasha, a cachorra dócil que quase lhe arranca a perna, ergueu o focinho da almofada, olhando seus movimentos.

– É tarde. Fique, durma no sofá. – Taylor respondeu, bocejando.

– Não durmo em sofás. – Rebateu, procurando uma saída. Não estava disposta a passar pela cachorra.

Schilling revirou os olhos, indo até ela e, antes de segurá-la pela cintura, aderiu calma e sabedoria para não estragar o seu plano de seguir sem ceder aos pedidos de seu corpo. Ele ardia por Laura. Era infernal, incontrolável..

– Apoie em mim. – Pediu, colocando-se ao lado dela. A mãe de sua filha conferiu a reação de Sasha, passando um braço por cima do ombro de Taylor. – Ela não irá mordê-la.

– Claro. Ela já o fez.

Sem querer, Taylor deixou escapar um sorriso. Laura xingou, delicada.

– Se tivesse ficado em Jersey, não estaria com a perna mordida. – Ela zombou já que tudo estava bem com a aperna de Laura. A morena teria rebatido, mas calou-se ao ser guiada até o quarto de Taylor.

Uma vez lá, Schilling deixou que ela caminhasse sozinha. Até a cama daria uns três passos. Laura recebeu uma avalanche de memórias passadas, memórias mortas. Ela sentia o gosto da felicidade que experimentara ao lado de Taylor naquele cômodo. Era mais do que palpável. As memórias estavam vivas. A realidade lhe apertou na cintura como se fosse um cinto. O que ela estava fazendo, afinal? Concluiu que estava jogando dinheiro fora para tentar esquecer Taylor, para enganar a si mesma de que não a queria, que não a amava mais.. Deus! Sentiu-se louca, de repente, levando as mãos á cabeça. A dona do apartamento foi até o interruptor, apagou as luzes e acendeu a do abajur, deitando-se na cama.

Taylor foi arrumando os travesseiros entre a cabeça e o ombro. Ela sentia tanto sono, que não teria tempo para ficar acordada, com medo de Laura atrás de si. Assim que parou com os movimentos ela desligou a luz do abajur e, adormeceu, bloqueando os sentimentos confusos.

Retraída, Laura se manteve encarando as costas dela. Podia escutar os ruídos da respiração que ela liberava pelas narinas. Seu braço tomou um impulso e a tocou no ombro. Taylor dormia sem fingimentos, o que veio a intrigar Prepon. Schilling não estava se reprimindo tanto quanto a si, ela mostrava que estava disposta a seguir em frente. Arrastando o corpo um pouco mais, encostou-se ao dela. Laura sentiu uma sensação incrível. A mesma sensação que vinha a sentir quando dormia com ela daquela forma. Intensa. Calma.

Laura afundou o nariz nos cabelos dela, aspirando o cheiro suave que vinha da raiz. Taylor mexeu as pernas, mas não acordou. Ela sorriu, ficando imóvel por um determinado tempo. Sasha arranhava a porta, querendo se infiltrar no quarto. Laura já estava vendo a hora de Taylor acordar e ela ter de quebrar aquele vínculo de seus corpos. Os arranhões tornaram-se choramingados, e Laura revirou os olhos, afastando-se de Taylor e seguindo até a porta entre mancadas doloridas. Abriu-a e deixou a cachorrinha entrar. Ela parou, olhou-lhe, cheirou-lhe o pé e correu até a cama de Taylor com a calda abanando. Fez vários círculos, arrastando o focinho pelos edredons, após escolher um lugar, este em cima das pernas de Schilling, ela deitou-se e esticou o focinho por cima das patas. Laura sentiu vontade de tocá-la dali com uma vassoura. Odiava bichos em cima da cama, odiava mesmo. No entanto ela lembrou-se de que não estava em seu apartamento, tampouco em seu quarto. Ao voltar até o leito, Sasha começou a soltar uns fungados para o seu lado. As duas se encaravam. Laura puxou uma parte do edredom, pretendendo deitar, mas a cadelinha latiu por duas vezes, acordando Taylor que, saltou, procurando por Laura.

– Você está bem? Ela te mordeu? – Embaralhada, acendeu a luz do abajur. Laura chegou a negar, mas se manteve afastada do colchão. – Desça Sasha. – Levantou, irritada. – Vamos. Venha logo! Mas que coisa! – Pegou-a no colo, sem saída. – Não abra a porta, Laura. A não ser que queira dormir na sala.

Ela riu, concordando.

Taylor estava muito brava. Odiava perder o sono por coisinhas irritantes. Soltou a cachorrinha no corredor, trancou a porta e voltou para a cama, falando coisas misturadíssimas. Ela deitou de frente para Prepon, ajeitou os travesseiros, jogou o braço para trás e apagou a luz. Acostumada com a escuridão, Laura conseguia ver bem o rosto dela traçado por linhas que expressavam seu descontentamento por ser despertada. Apertou-lhe o nariz.

– Acho bom que esteja se comportando assim. – Taylor respondeu de olhos fechados.

– Desculpe, mas ela estava arranhando a porta.

– Não aperte o meu nariz. Sabe o quanto eu odeio isso.

Laura fez uma cara confusa.

– Não consigo dormir.

– Então, por favor, deixe-me dormir. – Resmungou, virando-se. – Boa noite.

Laura não respondeu, virou para o outro lado, encarando a parede. Quem diria que seus planos terminariam assim, com as duas deitadas de costas uma para a outra. Pensou em como seria difícil convencê-la de posar consigo, por mais bobo que chegava a ser, isso a deixava intrigada de uma forma divertida. Com uma virada de rosto, Prepon sorriu. Schilling já se encontrava dormindo profundamente.

xxx

Num salto assustado, Laura levantou da cama e correu até o banheiro. Ela viu o avançar das horas no relógio de cabeceira, assustou-se e caiu em si. Taylor não estava na cama, mas ela ainda estava no apartamento. Prepon escutava uma canção vinda da sala. Após lavar o rosto e escovar os dentes usando a escova de Taylor, ela riu. Se a loira desconfiasse, ela a mataria. E, obviamente, ela jamais saberia.

As cortinas da sala estavam bem abertas, permitindo que a luz do dia cinzento adentrasse. Passando pelos cachorros, Laura chegou à cozinha sã e salva. A perna estava bem dolorida e roxa, porém, ótima. Taylor estava sentada à mesa, calculando algumas contas.

– Bom dia, Laura. – Ela a saldou, sem tirar os olhos dos papeis. – Lali já chegou com as crianças.

– Droga! Eu perdi a hora. – Esfregou a vista. – Steph a trouxe?

– Sim, sim. – Indicou algo atrás dela. – Coma alguma coisa antes de ir embora.

Laura virou-se e foi verificar alguns donuts, waffles e maple iced em um copo médio. O chantilly havia derretido e misturado tudo. As sobrancelhas dela se ergueram.

– Você me comprou o café da manhã? – Divertiu-se, pondo-se atrás da ilha. – Acho que alguém me quer fora daqui.

Taylor tirou os óculos de grau, suspirou e a olhou.

– Você gosta de contrariar. Não a mandarei embora, e ah.. Eu fui ao médico, na volta comprei isso.. – Indicou os alimentos com a ponta da caneta. – A você.

– Estou me sentindo especial. – Ela disse de boca cheia. Taylor fez uma cara menos amistosa, desistindo de dialogar. Já era tarde, quase uma da tarde, pelo visto, o mau humor dela ainda permanecia. Ele não aparecia somente pela manhã. Esquentando a bebida no micro-ondas, Laura aproximou-se da mesa. – Jenji falou alguma coisa com você?

– Hoje?

– Yeah.

– Ela me ligou falando da proposta.. – Olhou-a. – Por que ela está tão interessada?

– Porque ela nos acompanharia.

Taylor riu, descrente.

– Isso está estranho pra cacete. Não acha? – Perguntou, reparando em Laura sorrir. Ela não se importava. Caminhou até o micro-ondas, abriu a portinha e assoprou a bebida.

– Tanto faz. Seria divertido. – Manteve-se afastada. – O dinheiro seria aplicado às contas das ONGs..

– Dinheiro nós temos, não se trata disso. – Tay empilhou os papeis, deixando-os de lado. – Você está fora de si, parece uma adolescente se arriscando por qualquer coisa.

– Sempre quis posar seminua com alguém. – Laura sentou em cima do balcão. – Uh.. Minha perna está dolorida.

Schilling sentiu muito.

– Ainda está doendo? – Espreguiçou-se. Prepon fez um gesto que não confirmava e nem negava. – Lave com bastante sabão, depois use a pomada. – Ela levantou e encostou a cadeira no lugar.

– Você foi ao médico para fazer exames?

– Exato. – Ficou pensativa.

– O que houve?

– Jenji me enviou os scripts de Piper.

Laura quase engasgou.

– E aí? – Ela quis saber, apanhando outro waffle.

– Parece que Piper e Alex ficarão mais próximas. – Ela respondeu e foi tomar um pouco de água, notando os olhos brilhantes da outra.

– Os fãs irão adorar isso.

– Os fãs.. – Debochou. – Claro. – Engoliu a água e o riso. – Estarei na sala. – Ela disse e deslizou para lá.

Um tempo depois, Laura adentrou a sala. Não, ela não queria ir embora. Apesar de não falar nada, ela gostava da calma que Taylor lhe transpassava. Schilling passava os dois pés em cima de Sasha, absorta.

– Você está bem?

– Eu estou. – Respondeu, ainda sem olhá-la.

– Não me parece bem. – Laura foi se aproximando devagar, olhando a cachorra no chão. Ela parecia não ligar para mais nada, gostava de Taylor a acarinhando. Sentando no sofá, ao lado de Taylor, Laura encolheu a perna e fez uma careta. – Algo está preocupando você.

– Você.. – Taylor levantou os olhos para olhá-la. – Você me preocupa. Você me deixa confusa.

Prepon passou os dedos na testa, nervosa. Taylor voltou a olhar para Sasha.

– Afinal, o que você quer, Laura?

A pergunta a prensou contra a parede. Faltou-lhe ar. A verdade tinha que ser dita, aliás, qual verdade? O que ela queria? Não entendia. Não queria entender, tampouco, pensar nisso. Era tão difícil para ela apenas aceitar ficar sentada ao seu lado, sem nada dizer? Antes que ela pudesse se prolongar, Laura a beijou no rosto e levantou.

– Eu preciso ir embora. – Mudou completamente. Taylor já esperava. Até sorriu. – Então, nada feito, hm? Sobre o ensaio.. – Apressou-se a esclarecer.

– Não posarei.

– Ok. Sendo assim, irei indo. – Esperou que ela a acompanhasse em direção à porta. Nada. Taylor nem a olhou. – Obrigada pelo café, por me deixar dormir com você.. Enfim, por tudo.

– Apenas se cuide, Prepon. Cuide da cicatrização em sua perna. Eu a vejo no set.

Laura assentiu, amuada. Agradeceu por ela não a olhar, pois seus olhos estavam grandes e compostos por lágrimas.

Com a saída dela, Taylor deitou a cabeça em uma almofada, encarando o teto. Não se permitiu pensar em muita coisa. Satisfeita, ela levantou e foi atrás da bolsa na cozinha, decidindo que visitaria Eloise.

 

 

– Sasha mordeu Laura, você permitiu que ela dormisse em sua cama.. Taylor.. Taylor. – Eloise trancou a porta de sua residência. As duas sairiam para almoçar.

– Sim, eu já sei o que está pensando, tá legal? – Taylor caminhou até o carro, abriu a porta e jogou a chave para Eloise. Não estava disposta a dirigir. – Uma hora Laura diz que não é lésbica.. Depois ela transa comigo, me ignora, se afunda em audições, fica confusa.. Isso me deixa frustrada.

– Mas você a ama. Ajude-a nisso, quem sabe ela não te escuta?

Taylor negou e passou o cinto de segurança por cima do braço.

– Laura é teimosa. Não posso ir contra isso. – Lamentou. – Vamos esquecer o assunto. – Sorriu. – Você disse que eu recebi um convite?

– Oh, sim. – Eloise resolveu contar a ela, antes de saírem. – Para o segundo aniversário da loja Club Mônaco. Confirmei a tua presença.

– Só irei se você me acompanhar.

– Está feito, querida. Agora, vamos lá. Estou faminta.

Ela sorriu, olhando a rua. Precisava de distração.

xxx

As rolhas explodiram, o vinho fluía e os cristais chamejavam nos estúdios Stephan Weiss em Manhattan, para a segunda iteração do Penfolds House, empresa vinícola australiana. Laura fora convidada, levando consigo Terasa e Wes. Os três fizeram uma viagem através da história da Penfolds, que incluía seminários educacionais, degustações de vinhos vintage, atuais e anteriores da coleção da vinícola.

O gerente de marketing da empresa liderou um seminário de investimentos com uma variedade de palestrantes. O seminário proporcionou uma oportunidade para discutir o vinho como um investimento em oposição a escolher vinhos para consumo, e incluiu uma amostra do vinho mais velho da vinícola, o Bin 389. Laura apenas observava Terasa mandando ver nas degustações. Ela aproveitava e sorria abertamente para os senhores apreciadores e colecionadores de vinhos, deixando-os encantados. Wes era pacato e admirador, prestava atenção em tudo, opinava com as duas mulheres, provava alguns pequenos goles da bebida suave e sorria. Após o seminário, o jantar fora servido ao som de violinos. O clima por ali era bem misto e acolhedor.

– Não acredito que ganhamos uma garrafa de vinho com o preço de $950,00! – Terasa se abanou com o menu, delicadíssima. – Eu não daria mais do que $150,00! E vocês?

Laura ficou roxa de vergonha, olhou para os lados e chutou a amiga na canela.

– Ai! Prepon!

– Pare de ser indiscreta, mulher! – Laura ficou tentada a enfiar o garfo nos dedos dela. – Fique quieta.

Wes deu risada.

– Só estou sendo sincera. – Ela ia virando a lagosta no prato, fazendo uma cara de enjoo. Preferiria mil vezes hambúrguer, batata frita e um copo enorme de Coca-Cola. – Para mim, vinho é tudo a mesma coisa. – Outro chute. – Laura, pare já com isso sua mosca morta.

– Não seja ignorante. – Ela disse, buscando olhar Wes. – Pelo o amor de Deus, você só sabe ficar rindo? Peça a ela para que se cale.

– Ela é divertida. Isso não é nada comparado ao show que ela deu em Vegas.

– Aquilo foi castigo. – Terasa desistiu de comer. – Esqueça. – torceu os lábios. – Escute.. – Cutucou o braço da amiga. – Por que não vamos comemorar os seis meses de Violet com Taylor? Lá teremos comida de verdade. – Encarou o prato. – Isso aqui parece-

Laura fechou a boca dela com a mão, pedindo-a que ficasse quieta, que fingisse adorar tudo. Estavam na reta final do jantar. Não custava nada um esforço.

– Eu já comemorei com Viv pela manhã. – Laura limpou os lábios com um guardanapo de linho, dando uma delicada verificada ao redor. As luzes do palco piscavam bem lentas, iluminando os violinistas. – Passarei a noite com vocês.

– Mandem um beijo para Violet..

– Está nos filmando? – Wes teve dúvidas, mas ao ver Terasa virar a câmera para o seu rosto, ele entrou no jogo dela. Prepon morria de vergonha. – Ei, Violet. Tenha um maravilhoso inicio de seis meses. Adoramos você.

– Guys!

– Ah! Veja aqui a sua mãe reclamando de tudo. – Ela ria. – Mande um beijo para ela, Laura.

– Beijos meu amor! Eu amo você! – Acenou.

– Prontinho, Boogie! – Terasa mostrou aos dois à gravação. – Enviarei para o celular dela. Está com Lali?

– Sim. – Laura tomou um pouco de água.

– Já postou a foto que tiraram juntas em sua rede social, Laura?

– Terasa já o fez. Ela é rápida.

– Falando sério agora. – A loira disse. – Vamos comer em um barzinho de esquina? – Ela falou baixo, orgulhando Prepon.

– Por mim tudo bem.

– Eu te amo! – Empolgada, ela agarrou o rosto de Wes, dando-lhe um beijo demorado nos lábios.

Laura tossiu.

– Estou atrapalhando o casal?

– Não! – Terasa fez o mesmo com ela, porém, assustada, Laura a xingou. – Agora podemos dar o fora?

– Será melhor! Estou para te matar.

 

 

Taylor abriu a porta do apartamento vestida de unicórnio azul, ela sorriu de orelha a orelha ao ver a filhinha no colo de Lali. Viv estava com um pijama de porquinho, mostrando-se agoniada pelo capuz em sua cabeça. Tentava tirar, mas não conseguia. Taylor a puxou para os braços, enchendo-a de beijos. Ela estava tão enorme e bochechuda. Conforme choramingava, ela exibia o dentinho. Após passá-la à babá, Schilling escutou da mulher de que teria uma surpresa. Ela perguntaria a respeito, mas Daman saiu do esconderijo, correndo pelo corredor. Ela quase disse um nome sujo, empolgado. Porra! Laura, a mãe zelosa, o deixou participar do jantar de comemoração dos seis meses de Violet? Oh! Jesus estava para voltar mesmo. Milagres se faziam naquela noite. O cabeludinho usava um pijama de pinguim, o maior charme.

Ele ficou parado, olhando-a. Olhou. Pensou. Escutou Lali lhe pedindo para cumprimentar Taylor. Por fim, Daman sorriu para ela, deixando-se abraçar. Ela o carregou no colo, fechou a porta e deu-lhe uma mordida na bochecha, quebrando a timidez inicial.

– Você mora aqui?

– Eu moro aqui, Daman. Você gostou? – Ela o sentou no sofá. Ele disse a ela que havia gostado. Com a chegada dos cachorros à sala, as duas crianças ficaram empolgadas. Violet batia a mão no painel do andador, soltando aqueles barulhos terríveis de sons musicais. Os olhos do irmão dela brilhavam tanto ao passar os dedinhos no focinho de Sasha. Ela os lambia, cheirava, sem apresentar qualquer ameaça.

– Por que você está vestida de unicórnio?

– Cansei de ser Taylor, Lali. Ah, cansei mesmo. – Ela aproximou-se do andador de Violet e puxou o botão que desligava aqueles sons chatos. A menininha bateu com as duas mãozinhas, esperou, esperou e nada dos bichinhos piscarem. Olhou Taylor, fazendo um beicinho. – Sem musiquinhas irritantes.

– Cachorro! Dois!  

– Eu não acredito que ela o deixou vir. – A atriz sentou ao lado do menino, alisando-o nos cabelos. Ele não parava quieto, gargalhava e tentava segurar nas orelhas de Apollo. O bichinho se tremia todo. Seu pavor era criança. Morria de medo delas. Tay pensou que ele enxergasse Violet como um bebêzão terrorista, já que ela se arrastava no andador atrás dele.

– Ele ficou tão contente. Precisava ver.

Taylor segurou no queixo dele.

– Estou feliz por tê-lo aqui. É bem vindo sempre que quiser, combinado?

– Combinado. – Ela bateu em seu nariz minúsculo.

– Beleza! Temos espaguete com legumes para a nossa comemoração.

– Sem doces? – Ele parou de brincar com as orelhas de Apollo, estudando o rosto de Taylor.

– Haverá sorvete.. – Emendou, antes que ele pudesse comemorar. – Só depois do jantar. Você está com fome?

– Eu estou! – Daman foi de boa vontade para o colo dela, enlaçando suas pequenas mãos no pescoço de Taylor. Ela colocou o capuz de cabecinha de pinguim na cabeça dele, beijando-o na bochecha. Os três riram da fúria da pequena Violet para com o andador. Ela batia as mãos nos bichinhos, querendo a todo custo que as luzes acendessem. Assustadoramente, Taylor via muito do gênio forte de Laura, nela. Lali a pegou, deixando-a intrigada. Ela olhava o andador como se o chamasse de traíra. Tay riu, levando-os até a cozinha.

Ela havia preparado espaguete com alguns legumes abafados e brócolis. Violet adorava, e não teria problemas em comê-los.

– Eu só tenho um cadeirão aqui, Lali. – Ela aproximou-se do fogão com Daman no colo. Lembrou-se de Gwen. Ela adorava sentir o cheiro das refeições. Inclinou o garoto, fazendo-o sentir o cheirinho bom que vinha do espaguete.

– Hmm!

– Está cheirando bem?

– Está! – Respondeu ele, generoso.

– Daman sentará à mesa. Não se preocupe. – Lali sentou Violet no cadeirão, prendendo-a. – Nada de pular.

– Como assim? – Taylor colocou Daman sentado à mesa.

– Laura a colocou no cadeirão, e ela se esticou toda, mais um pouco teria ido ao chão. – contava. Taylor sentiu uma coisa estranha. Sabia que Violet teria a fase dos tombos, mas escutar aquilo lhe deixou amedrontada. – Laura quase morreu do coração, ainda brigou com a menina.

– Violet está um perigo. – Anelou e olhou para o irmãozinho da filha. – Ei parceiro.. – Fez cócegas na barriga dele, gerando uma tempestade de risada infantil no ar. – Quer espaguete?

– Espaguete! Nham. Nham. – Concordou.

Taylor achou graça.

 

Enquanto os menores se distraiam com o jantar, Taylor e Lali conversavam.

– Você aprendeu a cozinhar? Está maravilhoso. Pegarei um pouco mais.

Schilling abriu um sorriso. Não era sempre que acertava na cozinha. Olhando as crianças, ela se preocupou com Violet. A criança esfregava macarrão pelo rosto, braços, cadeirão.. Jogava no chão. Ela realmente era uma porquinha. Daman comia devagar, apreciando os brócolis em seu pratinho. De repente, ela se perguntou de Laura.

– Laura saiu?

– Ela foi convidada para algum evento de degustação de vinhos. – Lali voltou para a mesa. – Wes e Terasa estão com ela.

Taylor levantou, assustada. Para disfarçar, ela foi até a pia e encheu um copo com água. Laura e Wes... Algo não muito bom formigava em seu estômago. Receosa, ela foi tomar os remédios, tratando de ficar mais calma. Atrás de suas costas, Lali fazia sua leitura corporal, perguntando se estava tudo bem. – Eu só preciso tomar uns remédios de vez em quando, para evitar a formação de novas pedras.

– Minha tia teve pedras nos rins. – Falou do jeito dela, engraçada, arregalando os olhos. – Deus a livre disso.

– Já estou boa. – Sorriu. Violet, do cadeirão, gritou. – Já terminou aí, senhorita? – Ela fez um movimento de sobrancelhas, resmungando. – Ótimo, baby. Vamos tomar um banho?

– Por que a Violet vai tomar banho?

– Porque ela esfregou comida no rosto todo. – Taylor a tirou de lá, ganhando um sorriso satisfeito.

– Eu adoro tomar banho. – Daman sorriu, balançando os pés. Taylor lembrou-se de como foi difícil convencê-lo a tomar banho na índia. Tanto tempo.. Suspirou, nostálgica.

– Você faz manha para entrar, diz que quer comer primeiro, meu rapaz. – Lali o advertiu. – Quanto está na banheira, não quer mais sair.

– Eu?

– Sim. Você!

Daman abriu um sorriso arteiro.

– Violet vai tomar banho. Tchau Viv!

Taylor abanou a mão dela.

– Lali, dê um pouco de sorvete a ele. Eu volto já.

Passado o episódio do jantar, Schilling se divertia deitada no tapete da sala. Daman brincava de maquiá-la. Ele era habilidoso e organizado, levando-a adulta a relaxar. Taylor adorava aquela demora toda. Violet havia pegado no sono após tomar uma mamadeira. Quando Daman finalizou a arte em seu rosto, Taylor levou um susto ao olhar-se no espelhinho. Ele havia pintado suas sobrancelhas de azul, o rosto estava exagerado no blush, em suma, um esculacho total. Mas, o que valia a pena era a diversão. Cansado, Daman pediu por uma mamadeira, a tomou e cochilou no colo de Taylor. Ela o levou para o próprio quarto, visto que, o de Violet só tinha um berço, nada de camas. O filho de Laura usava fraldas, então ela não se preocupou com a segurança do colchão.

– Eles dormiram.. – Ela jogou-se em um dos sofás. Apollo, o seu maior fã, pulou em seu colo. – Não me olhe assim, Lali. Não estou com coragem de remover essa maquiagem do rosto.

– Ah, eu te entendo. Estou com preguiça de levantar daqui. – Ela se esparramou no assento. – Laura mandou mensagem. Terasa mandou um vídeo..

– No celular de Vittie?

Ela fez que sim, e Taylor pediu para ver. Não sabia dizer o que sentia a respeito, afinal, as coisas pareciam andar, não se importaria mais com quem Laura viesse a sair. Feliz pelos seis meses de Violet, ela entregou o celular à Lali, bocejando.

– Estou indo para a cama. Amanhã receberei Harry, ele cuidará do meu cabelo. – Passou a mão neles.

– Você sairá?

– Amanhã, sim. Irei ao segundo ano de uma loja que gosto muito. – Foi levantando. – Você pode ficar com as crianças.

– Se Laura não vier buscá-las, huh?! Elas têm aula de natação na sexta, não podem faltar.

– É mesmo. Tem razão.. – Correu para abraçá-la. – Durma bem. Violet não acordará mais, então, é isso. Boa noite!

– Até amanhã! Remova essa coisa horrível do rosto, Tay.

Taylor gargalhou.

No banheiro, ela lavou o rosto e removeu os resquícios de maquiagem. Depois disso, Taylor escovou os dentes e foi para cama. Daman dormia tranquilamente, sem estranhar seu quarto. Ela o cobriu, se cobriu e apagou a luz fraquinha do abajur, mexendo no celular, em seguida.

 ‘’Está tudo bem? As crianças dormiram?’’

A mensagem de Laura ressaltou em seus olhos. Sentiu um calafrio no pé da barriga.

‘’Sim para as duas perguntas, Laura.’’

‘’Pelo visto, está irritada.’’

Taylor parou e pensou. Não estava irritada. Não a respondeu. Ela ligou, obrigando Tay atendê-la.

– Daman deu trabalho? – Perguntava, agitada.

– Ele está dormindo. Não deu trabalho algum.

– Por que você está com essa voz?

– Minha voz está normal.. Voz de sono. Apenas isso, Laura. Eu preciso dormir. – Laura fez um barulho estranho, mas depois esclareceu que estava deitando. – Algum problema?

– Não. Eu só estava me ajeitando. Minha perna ainda está dolorida, nada demais. Irei deixar você dormir. Liguei para saber dos garotos. Estou exausta. Acho que provei vinho demais.

– Aposto o quanto se divertiu o fazendo com Wes – frisou. – e Terasa. – Circulava o dedo no olho, impaciente. Laura soltou uma risada vibrante.

– Me diverti mesmo. Ainda paramos em um bar de segunda, comemos porcariadas e tomamos refrigerante.

– Noitezinha interessante. – Murmurou. – Se quer saber, a minha foi melhor. Vesti-me de unicórnio, fiz espaguete às crianças e não estou chapada de vinho, nem com amigos em meu apartamento. – A outra riu mais ainda.

– Você é sempre ótima. Está com a voz retorcida de raiva, o porquê, eu não sei.

– Ok, Lor. Esqueça. Boa noite.

– Pratique yoga pela manhã, vai te ajudar. – Ela bocejou. – Boa noite.

Sublinhada, Taylor desligou na cara dela.

– Porra! – Quase gritou, mas lembrou-se de Daman.

‘’To jealousy, nothing is more frightful than laughter.

 Francoise Sagan.

Nite,

X.’’

Taylor leu e releu a mensagem enviada por Laura. Ela estava se divertindo às suas custas.

‘’Para o ciúme, nada é mais assustador do que o riso..’’ – releu, xingou e deixou o celular em cima da cabeceira. – Engraçadinha!

 

 

Na mesa do café da manhã, Taylor foi recebida por sorrisos infantis. Os pequeninhos estavam bem acordados e empolgados com aquele mingau horroroso em seus pratinhos. Tay odiava mingaus. Fazendo uma careta endurecida, ela tratou de preparar alguns ovos. Daman encheu a palma da mão com a papinha, olhou para os lados, e deu à Sasha. Ela adorava. Os dois dominariam o mundo, pelo visto. Tornaram-se parceiros no crime. Taylor deu um beijo em cada um, reclamou de algumas coisas e comeu os ovos. Lali lia algumas notícias pelo iPad, concentrada. Falava de economia, do clima, de notícias internacionais. Violet derrubou o mingau no chão, espirrando uma porcentagem divina no braço da mãe. Taylor rezou uma ‘‘Ave Maria’’, olhou para cima e meditou.

– Pode ficar sentada, Lali. Eu limpo. – Ela ergueu-se e retirou o pratinho do chão. Violet inclinou a cabeça, sorrindo e olhando para a obra de arte. Ela descobriu o quanto era divertido jogar as coisas no chão, os adultos diziam algumas coisas, pegavam e lhe entregavam. Desconfiada, ela lacrimejou por Taylor não ter devolvido o pratinho. Daman deu-lhe o seu. Novamente, Viv o jogou, conferiu e sorriu. – Violet Marjorie! – Taylor começou a ficar irritada. – Não faça isso, minha filha.

– A Violet jogou no chão. Ó! – Daman apontou o chão sujo.

Taylor choramingou, despertando o riso dos demais.

– É por isso que Laura fica louca. – Concluiu, olhando a cara deslavada da garotinha.

– É o troco por você ter desligado a musiquinha do andador dela.

– Começo a crer, Lali.. – Desanimada, ela ia limpando a bagunça. – Vão para a sala, crianças. Eu limparei a cozinha.

 

Um tempo depois, Laura ligou para Lali e perguntou se estava tudo em ordem. Ela disse que passaria à tarde com Terasa, se fosse necessário, os buscaria no apartamento de Taylor. A babá garantiu que estava tudo em perfeita ordem, portanto, Laura Prepon só os buscaria de noite. Taylor apenas escutou a conversa delas, não se intrometeu. Ela brincou com as crianças para passar o tempo, estava à espera de Eloise e Harry.

Harry chegou e espalhou a bagunça pelo apartamento. Por onde ele andava arrastava malas com produtos de cabelo, maquiagens, secadores, por diante. Daman ficou maluco ao ver tantos pincéis, bases, maletinhas de sombras intermináveis. Eloise chegou a comentar que Prepon não iria gosta nada de vê-lo envolvido naquele meio. Taylor não levou a sério, ele era uma criança e tinha curiosidade sobre diversas coisas, não havia maldade nisso. Harry o amou, claro, o garoto queria ajudá-lo com o cabelo de Schilling, afirmando que seria cabeleireiro quando fosse maior.

– Está incrível! – Taylor diminuiu o volume da televisão que transmitia o clipe ‘’ Girls Just Want To Have Fun’’, e sorriu para Harry e Daman. – Ótimo trabalho.

– Bate aqui, Daman! – Os dois deram um tapinha, e Harry o tirou de cima da cadeira. – Nós formamos uma ótima equipe.

– Tá lindo, Tay-Tay! – Ele apontou o cabelo dela bem acentuado e liso.

– Awhh! – Taylor o abraçou bem apertado. – Obrigada. Sua ajuda foi divina.

– Maquiagem agora!

– Meu Senhor! Eu posso ficar com ele? Coisinha mais linda.

Daman sorriu de lado, dando de ombros.

– A fila é imensa. – Schilling fechou o robe, sorriu para os dois e disse: – Hora da maquiagem.

– Yeaaaaah! – Soltou o garoto.

– Vamos até a sala. – Ela os convidou, indo à frente. Harry era empolgado, acompanhado, só aumentava mais os seus costumes engraçados. Ele cogitava a ideia de ter um filho, mas o queria como Daman, autêntico e cheio de opiniões.

De maquiagem feita, a atriz foi se vestir em seu quarto. Quando pronta, ela foi aplaudida pelos outros.

– Odeio blusas de gola alta. – Ela se queixou, puxando um pouco.

– Também sinto agonia, mas é chique. Você está chique. – Harry a beijou na bochecha. – Estou de saída, Hon. Distraía essa cabecinha linda na festinha. Precisas. – Taylor o abraçou.

– Obrigada por tudo. Você é o meu anjinho.

– Eu te amo. – Afastou-a. – Me ligue! – Harry organizou as malas, abraçou Daman, dizendo o quanto estava ansioso para poder vê-lo mais vezes, despediu-se de Viv, Eloise e Lali, por fim, indo embora.

O olhar acolhedor de Schilling em frente ao espelho do banheiro tremeu. Ela odiava mesmo aquela blusa, entretanto, estava tudo perfeito. A blusa combinava com sua calça branca com um laço simples na cintura, com seu sapato peep toe de salto baixo e, a sua parte favorita de tudo, um sobretudo castanho claro. Ela brincava com seu clássico cabelo loiro, posando para uma foto em frente ao espelho. Tiraria outra, mas a aparição de Laura atrás de si, fez com que o celular mergulhasse dentro da pia. Assustou-se de verdade.

Laura deu-lhe uma secada dramática, avaliativa, por fim ela sorriu, fazendo charme com as sobrancelhas.

– Está bonita.

– Obrigada. – Apanhou o celular, virando-se para ela. – Você me assustou. E se eu tivesse fazendo algo mais peculiar?

– Eu teria visto. – Respondeu com uma exterioridade zombadora. – Vim até aqui para buscar as crianças. Lali ligou-me.

– Não sei por quê. Eu teria deixado ela e as crianças lá. – Passou por ela, indo até o closet para apanhar uma bolsa, ao sair, deparou-se com Laura a olhando. Tudo em seu olhar era limpo e acolhedor. Simplesmente perfeito. Taylor não negava, Laura Prepon era a coisa mais linda que os seus olhos avistaram durante todos aqueles anos. Ela só melhorava a cada dia.  – Sua perna melhorou?

Ela a espiou.

– Só tem ficado roxa, mas está melhor sim. – Tornou a olhá-la. – Você parece bem confiante para essa festa.

– Harry colocou em minha cabeça que será divertido, apostei no que ele disse. – Ia saindo, mas esperou Laura passar pela porta. No corredor, ela continuou falando: – Não me prorrogarei, amanhã nós filmaremos.

– Aposto que será ultradivertido. – Riu, insatisfeita.

– Tanto quanto a beber vinho com ex-affaire. – Contrapôs, presunçosa. Laura aspirou com força, perdendo a paciência. Por que ela começava se não aguentava? Taylor negou, chegando à sala. – Vamos descendo.

– Vamos para casa, Tay? – Daman se esgueirou até as pernas dela, içando os braços. Ela o segurou.

Laura achou esquisito, pois o garoto só a chamava de ‘’Didi’’.

– Você e Vittie voltarão com a mãe de vocês. – Apontou Laura. Daman quis que ela o segurasse.

– E você?

– Taylor irá sair, meu querido. Outra hora você a vê. – Explicou a mãe dele. Bastou. Ele havia compreendido.

Na garagem do edifício, Laura colocou os pequenos nas cadeirinhas, trancou a porta e se voltou para Taylor. Ela conversava ao celular com a mãe. Prepon fez uma piada interna, se perguntando qual era o milagre. Patricia era muito ausente na vida de Taylor e Violet. Para a garotinha, ela vivia mandando muitos presentes, mas aquilo não era o que Viv precisava. Não mesmo. Taylor encerrou a ligação e se aproximou.

– Até amanhã. – Ela disse, olhando Lali e os pequenos através da janela.

– Taylor! Vamos! – Eloise apertou a buzina do carro, fazendo-a fechar os olhos e conter um palavrão.

– Até mais, Taylor. – Laura deu a ela um sorriso incerto, partindo para dentro do automóvel. – Boa festa. – Ela piscou lentamente, sorriu, e então acenou, exultante, enquanto Taylor manteve-se quase hipnotizada.

– Taylor Miller!

– Estou indo.. – Ela deu a última olhada em Laura, mas a morena fechou o vidro do carro, escurecendo sua visão. – Desculpe.. – Tay sentou no banco do carona. – Eu estava me despedindo deles.

– Uh, é claro. Sei! – Eloise quase desistiu de sair da garagem para rir. – Vocês duas estavam se secando através dos olhares. – Schilling barrou uma risada. Afinal, Eloise não mentia.

– Não posso negar. Sou louca pelo traseiro dela. – Cruzou os braços, olhando o movimentar das ruas. – Adorava apertá-lo. É fofinho.

– Me identifico.

Taylor a olhou, de súbito.

– Perdão?

– Me identifico com o traseiro do meu marido, TayTay. – A loirinha sorriu, soltando uma energia de alivio. – Kim ligou, a convidando para o evento CNN Heroes. An All-Star Tribute.

– Whoo, whoo.. – Ela sorriu. – Convite aceito, claro. Você irá comigo? Será aqui ou em LA?

– Será aqui em Nova York. – Respondeu. – Não irei com você, terá de convidar outra pessoa.

– Puxa.. – Fez uma cara chateada. – Acho que convidarei Tommy.. Ou uma prima minha. Não sei. Afinal, para quando é o evento?

– Dentro de uma semana, Kim ficou de me passar outros detalhes.

– De qualquer forma, eu irei.

XXX

– Bom dia, bom, bom, bom dia, Taylor Jane!

– Ah, por Deus, corta essa Eloise. – Taylor estava com a cara péssima. Ela levantou para ir despejar na pia o chá que estava quase frio em sua xícara. – Minha cabeça está doendo.

– Bem que eu avisei, mas você não me escutou. Comeu muitos canapés e bebeu uísque até altas horas. – Tagarelava ela, dando um pedacinho de torrada aos cachorros. – Até dançou com Shanina Shaik, ganhou brindes..

– Pelo menos eu não dei espetáculos. – Prendeu os cabelos já secos. – Me diverti, não é?

– Sim, querida. – Sorriu. – Natasha ligou, já está a caminho.

– Ótimo. Eu não estou legal para dirigir. – Abriu a porta da geladeira, mirando uma caixinha com uvas. Apanhou algumas, suspirou e foi para a sala. – Eloise?

– Diga..

– Você viu as folhas dos scripts?

 – Já enfiei tudo dentro da bolsa. – Eloise apareceu na sala, passando a mão nos cabelos dela.

– Obrigada. – Taylor deu uma olhada nas correspondências. Leu algumas, amassou outras, comentou com a amiga sobre a pausa no apartamento de Uzo, isso após as gravações. Por sorte, elas seriam curtas. – Ela chegou! – Leu a mensagem de Natasha, rindo.

– Melhore essa carinha, encarne Piper, e até amanhã. – Taylor lhe beijou na bochecha. – Eu arrumarei a cozinha, não se preocupe.

– Você é demais! Te amo! – Ela saiu, eufórica.

 

– Bom dia para nós que filmaremos uma pequena cena hoje. Estou animada! – Natasha jogou sua bolsa e a de Taylor no banco traseiro.

– Em compensação, passaremos o dia todo no set. – Lembrou-a, vencendo com um sorriso. – Você irá para o apartamento de Uzo?

– Hoje à noite? Sim.

– Promete não encher o meu saco e o de Laura? – Taylor implorou com os olhos amortecidos. Natasha tirou os olhos da direção, prometendo ficar tranquila. – Ah, você nem imagina! Jenji nos disse que tinha alguém interessado em um ensaio fotográfico nosso. Logo pensei em você.

– Um ensaio seu e de Prepon?

– Oh, yes! Não é um ensaio, apenas, entende? É algo bem sensual..

– Vocês aceitaram? Que barato. Eu não tive nada com isso.

– Eu não aceitei. Laura, bem.. Ela até que aceitou bem o convite, tentou me convencer, mas não deu muito certo. – Respirou fundo. – Vire aqui. – Taylor indicou uma rotatória.

– Aceite, será muito bom para vocês duas. Soa bem hilariante, mas.. Hm.. – Balançou a mão. – Sensual.

– Continuo com o mesmo conceito.

 

 

Laura Prepon já estava vestindo o uniforme da penitenciária, ela havia madrugado no set ao lado de Jenji e alguns assistentes. Conversaram bastante, repassaram os textos e tomaram o café da manhã juntos. Pertinho de sete e meia da manhã, os outros foram chegando. Incluindo: Taylor e Natasha. Elas os cumprimentaram de longe e correram para os camarins. Laura conversou mais alguns pontos e se retirou.

 

Taylor terminava de colocar às botas pesadas, distraída, quando bateram à porta. Permitiu a entrada, sem olhar naquela direção.

– Bom dia, Piper. – Laura disse, escondendo os braços atrás das costas.

Schilling riu.

– Bom dia. – Estudou-a. – O que esconde aí? – tocou o queixo, curiosa.

– Aceite como um presente.. – Ela trouxe os braços para frente, revelando uma maçã verde entre as duas mãos. Taylor gemeu, encantada. Aquilo era estranhamente agradável. – Pegue.

– Obrigada! – Ela a pegou e deu uma mordida inicial. O gosto maravilhoso preencheu sua boca. – Muito bom. – Apontou os assentos. – Sente.

Laura não hesitou.

– Se divertiu ontem? – O olhar dela era curioso. A pergunta também.

– Bebi, comi alguns canapés e dancei. Nada constrangedor. – Suspirou, dando mais mordidas na maçã. Laura Prepon colocou os óculos de Alex, mexendo a sobrancelha.

Silêncio.

– Você irá ao apartamento de Uzo hoje à noite? – Inquiriu, Schilling.

– Talvez.. Não sei. – Mostrou-se incerta, mexendo nos cabelos. – Tenho que ficar ligada em casa. Violet está terrível para alguém com dez quilos e seis meses.

A mãe dela riu.

– Derrubou o abajur de cima do trocador. Havia vidro por toda parte, Daman cortou o pé..

– Jesus! Ele está bem? – Taylor franziu o cenho.

– Bem até demais. Pediu-me uma maleta de maquiagens.. – Laura grudou os olhos no rosto da loira, identificando um sorriso solto contra a maçã. – Você sabe a respeito?

– De Bunny derrubar as coisas? Não. Ela está desenvolvendo algumas habilidades..

– Em meu filho querer uma maleta de maquiagens igual à do tio Harry..

Taylor coçou o pescoço.

– Errrr...

– Darei a ele a tal maleta. – Os traços do rosto dela se suavizaram como nuvens em um céu ensolarado.

– Sabe, eu não vejo maldade nisso, Laura. Se te ofendeu, eu peço desculpas. Daman havia me pintado antes de Harry aparecer, quando ele o fez, o garoto se empolgou com as maquiagens dele..

– Eu só quero que meus filhos sejam felizes. Não vejo empecilhos nisso. Achei cômico o fato da prioridade dele, apenas isso.

– Você quase me matou do coração. Pensei que fôssemos brigar. – a apontou. – Que sensação horrível.

– Não pretendo brigar, não tenho mais emocional para isso. Estou me tratando. – Ela contou com a voz abafada, entediada. – Farei algumas consultas com terapeutas.

– Terapeutas? – Taylor não compreendia. Talvez não tivesse escutado direito.

– É exatamente isso. Estou trabalhando fora da minha religião, bem, eu devo pagar alguma multa por isso, mas preciso de bons resultados.

– Não sei se te parabenizo, ou se lamento.. Estou confusa..

– Apenas continuemos em paz. Somos colegas de profissão.

– Concordo. – Deu a última mordida na maçã e jogou o que restara dela no lixinho. – Obrigada pela maçã. – Virou-se para ela com um sorriso bonito. – Vamos indo? Preciso fazer a maquiagem..

Elas riram, bobas.

– A propósito, sua perna melhorou? – Deu passagem a ela, esperou e fechou a porta.

– Digamos que ela está pronta para outra! – Laura sorriu, e o calor de seu sorriso a arrepiou de cima abaixo. Tay ficou vermelha, disfarçando com uma tossida. – É isso. – Ela parou de caminhar para perto das escadas que davam acesso aos recintos de make-up. – Eu vejo você daqui a pouco. – Acenou sem esperar a resposta.

As duas só voltaram a se encontrar no refeitório da ‘’prisão’’. A filmagem era bem curtinha, onde Alex, Piper, Lorna e Nichols faziam à refeição em quarteto. Para as quatro, a cena fora prazerosa e bem leve, embora a personagem de Lyonne estivesse fora de si, diga-se de passagem. Após aquela pequena atuação, Laura e Taylor passaram o dia conversando sobre assuntos que não as envolvesse emocionalmente. Estavam se dando bem. Almoçaram juntas no set, leram os scripts na companhia uma da outra, enfim, selaram a paz.

No final da tarde, algumas delas estavam prontas para a ida até o lar de Aduba. Taylor convenceu Prepon de que seria uma reunião espirituosa, sem pressão e nem nada que a incomodasse demais. Optando pelo sim, Laura ligou para Lali, deixando-a ciente de que chegaria um pouco tarde. Schilling iria com Natasha, mas ao ouvir o seu pedido, ela concordou em acompanhá-la em seu veículo.

– Eu a convenci a ir, e agora.. – Bocejou, encolhendo-se no banco. – Eu quem não quero mais ir. Estou com muito sono.

– Durma um pouco. – Laura disse apertando-a no joelho.

Taylor sentiu a respiração lhe faltar.

– É provável que eu não acorde mais. – Bocejou de novo, risonha. – Pise fundo.

Laura riu e negou. Um carro ultrapassou à frente, buzinando sem parar. Tratava-se de Lyonne. As duas resmungaram.

– Ela é uma maluca. – Taylor enfiou a mão na abertura da bolsa, resgatando o seu gorro. Sentia muito frio, bocejava sem parar, mas aguentaria. – Pedi a ela que não nos atormentasse.

– Não esquento a minha cabeça com isso. – Havia uma estranha formalidade entre elas que não estivera presente antes. – Natasha sempre será brincalhona. Ela adora perturbar os amigos.

– Oh. – Bocejou.

– My gosh, Schilling, durma um pouco. Eu estou bocejando ao vê-la bocejar. – O fez.

– Vamos inventar uma desculpa? Eu preciso dormir um pouco, perdi muito sono.

– Porque quis! – Laura respondeu, orgulhosa. – Agora, aguente!

– Não a irritarei, está ao volante.. Controle.. Controle.. – Ela balançou as mãos, típica. Laura riu. – Estou morrendo de frio. – Se encolhia dentro da blusa de tecido fino.

– Pegue o meu casaco no banco.. – Laura não precisou insistir, Taylor ficou de joelhos no banco da frente, se espichando até o seu casaco no assento traseiro, batendo os quadris em seu ombro. – Devagar.

– Up! Desculpe.. E.. – Sentou, tornando a bater em Prepon. – Peguei. Nossa, que frio. – Ela ignorou o perfume da outra no casaco, enfiou os dois braços, cabeça, suspirou e sorriu, sentindo-se aquecida. – Você não está com frio? – Perguntou enquanto arrumava os cabelos soltos.

– Eu sou quente.. – Laura fez uma piada real, não ligando se a resposta mexia com Schilling.

A loira sorriu, fechou o cenho, sorriu um pouco mais, ficou constrangida.

– Acho que dormirei um pouco. Falta muito?

Prepon a olhou de lado.

– 40 minutos..

– Maravilha! Cochilarei um pouco. Não me abandone no carro, ok? – Ela empurrou-lhe de brincadeira.

Quarenta minutos mais tarde..

Prepon pensou em deixar Taylor dormindo no carro, uma vez que ela estava toda confortável no banco, quase roncando, cabelos jogados no rosto. Foi preciso chamá-la umas três vezes, caso contrário, ela não despertaria. As duas subiram juntas, em silêncio. Taylor quase se jogou nos braços de Uzo ao vê-la abrir a porta toda sorridente. A reunião, por assim dizer, estava com a presença de Lyonne, Dannie e Lea. Taylor pediu desculpas a elas e correu para o quarto de Uzo, ignorando os nachos com guacamole. Prepon explicou que ela sentia muito sono, entre outros.

Quase duas horas depois, Taylor despertou. Havia colocado o celular para despertar. Sentando na cama, ela se espreguiçou, imaginando que sua alma tivesse saído do corpo e corrido pelo quarteirão do apartamento, pois se sentia mais exausta e sonolenta. Buscando um pouco de esforço, ela se levantou e voltou à sala.

– Olha lá, ela renasceu dos mortos. – Natasha zombou.

Taylor deu uma risada sem som a ela, obrigada. Procurou por um lugar para se sentar, achando um cantinho bem confortável perto de Uzo.

– Suas bochechas estão rosadas. – Observou a atriz.

– Posso imaginar. – Se encolheu e aceitou dois nachos oferecidos por Laura. Ela estava sentada à sua direita, quase avulsa. Taylor ficou olhando bem para o rosto dela, sentindo-se diferente por tê-la por perto o dia inteiro, sem brigas, sem farpas, sem o passado. Ela segurou em seus dedos, puxando o banco para mais perto do sofá. O movimento expôs não apenas o carinho, mas um vislumbre de ambos os olhos. Eles brilhavam devagar, serenos e expressivos. – Podem continuar o assunto de vocês. – Taylor ordenou.

– Nós estávamos falando de sexo anal. – Lea deu um sorriso cheio de significados.

Corada, Schilling olhou para Laura pedindo por socorro, silenciosamente, claro. A mulher sorriu, olhando seus lábios. Ela não estava nem aí! Tay se remexeu, aceitando um chocolate quente oferecido por Uzo.

– Eu nunca fiz sexo anal, mas não tenho a mente fechada. – Comentava Dannie. – Se acontecer, aconteceu. Temos de estar preparadas..

– E abertas aos novos prazeres. – Completou Lyonne, fisgando o rosto contraído de Schilling. – Não é, Tay?

– É.. be-m e-u.. ee-u.. – Tossiu. Estava ótima naquilo. Belo disfarce. – Com certeza.

– Por que está ga-ga-gaguejando? – Natasha adorava.

– Deixe-a em paz, Natasha. Taylor é sensível demais para este assunto. – Laura quis soltar uma gargalhada, mas se contentou em aceitar o toque suave que ela oferecia a seu antebraço.

As outras atrizes notavam, sem esforço algum, o magnetismo de Laura e Taylor como se fosse matéria sólida. As duas estavam bem próximas, e elas já podiam imaginar o enredo para o finalzinho da noite.

Seguiram com o mesmo assunto: Sexo anal. Taylor aproveitou um momento para ir atrás de Uzo na cozinha, mas se deparou com ela a caminho. Ganhando tempo, Tay disse-lhe que pretendia tomar a bebida na cozinha, a cabeça doía um pouco.

Sentada em cima da mesa, Taylor bebia o chocolate quente, distraída, fuçando algumas fotos no celular.

– Está tudo bem por aqui?

– Sim, Laura. – Ela a acompanhou com olhar. Prepon parou diante de seus joelhos, espiando o copo em sua mão.

– Está fugindo do assunto?

– Não colocarei na mesa a minha vida sexual.

– Contei a elas sobre nós..

– Como é? – perguntou ela, com uma expressão preocupada. – Não me diga que..

Laura esboçou um largo sorriso.

– Ai.. Jesus! Eu vou falar um palavrão bem horrível. – Taylor largou o copo ao lado de sua perna. – Por que você contou a elas?

– Trocas de experiências. – Laura dobrou a cabeça para um lado, fazendo-a ver seus olhos verdes suavizando.

Taylor sentia-se uma idiota por não guardar raiva dela por mais de dois minutos. E aquela carinha que ela exibia.. Quanta covardia. O celular fez-lhe o favor de acabar com o hipnotismo. Agradecida, Schilling atendeu a ligação de Eloise. Ela terminava de lhe passar os dados a respeito do evento CNN Heroes. Escutou, opinou e encerrou a chamada, anelando.

– Chateei você? Era para ser motejado.

– Não estou chateada, não, Laura. Só estou com sono. Você sabe o quanto isso me torna impaciente. – Sorriu e bocejou por cima. Acostumada, Laura a tocou no rosto. Os órgãos de Taylor mudaram de lugar. O que havia feito com a ideia de mantê-la afastada de si?  Oh, Deus!

– Eloise a aborreceu? – Não estava convencida.. Ainda.

– Ise só me passou os dados do evento da CNN Heroes. Será uma espécie de jantar com a entrega de algumas medalhas às pessoas que se baseiam a ajudar o próximo, resumindo: É como o Oscar dos líderes de ONGs e afins.

– Isso é muito incrível. Eu já conhecia. – Tão rápido quanto veio, o impulso diminuiu, e seus dedos se afastaram do rosto dela.

Taylor contraiu os lábios.

– Você aceitaria o meu convite? – Questionou, rápida. – Quer dizer.. Caso eu a convidasse..

Laura ficou de lado, prendendo um risinho entre os lábios rosados.

– Está me convidando para ir ao evento?

– Ouça, você não precisa aceitar.. – Observava-a de soslaio. – Eu.. – Parou, olhou para cima, respirou fundo e virou-se para Laura, decidida. – Você aceita o meu convite?

Ela sentiu uma extraordinária emoção presa em sua garganta.

– Claro. – Murmurou, delicadamente.

Taylor abriu a boca, mas a voz não saiu. Sentia-se tola, mas feliz. Certo?!

– Diga alguma coisa.

– Obrigada. – Ela riu e fez Laura sorrir. Ao cessarem o gesto, elas ficaram se olhando intensamente. – Eu aceito.

Prepon enrugou a testa.

– Aceita...? – Estreitava os olhos para o lado dela, duvidosa.

– Posar com você..

A morena indignou-se, fazendo um movimentar de cabeça. Era uma boa indignação, a propósito.

– Está brincando?

– Não estou brincando, querida. Não estou mesmo. – Ela sorriu de um modo ingênuo, e Prepon teve a impressão de que alguma coisa delicada e magnífica juntava-se entre as duas. Aquilo a embaraçou. Sentia-se feliz e assombrada.

Tay também pressentira a mesma coisa. Laura conseguia decifrar isso ao olhar o aspecto dela, e compreendia que ela, por minutos, permaneceu imersa na mesma magia.

– O que houve com os seus conceitos?

– Não preciso deles. Estarei com você nesse ensaio, seja lá o que for, nós estaremos juntas, não é?

– Justamente. – Laura teve necessidade em abraçá-la. Taylor apertou-lhe com muita vontade, cuidado, era um misto. – Nós temos um encontro marcado, um ensaio fotográfico.. – Afastou-se, olhando-a de perto.

– Tudo isso nos próximos capítulos de nossas vidas. – Brincou, saltando para o chão. – Vamos voltar até lá e conversar com as garotas.

– Sobre aquele assunto? – Laura puxou os dedos dela, caminhando até o corredor.

– Não exagere..

As risadas das duas se balançaram juntas.. Como uma onda.


Notas Finais


Demorarei um pouco.. Hauahauaha,
bjs de luz.


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