História Walking in the wind - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Inazuma Eleven (Super Onze)
Personagens Endou Mamoru, Kazemaru Ichirouta
Exibições 47
Palavras 1.458
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Slash, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa leitura...!

Capítulo 1 - Walking in the wind


Fanfic / Fanfiction Walking in the wind - Capítulo 1 - Walking in the wind

Kazemaru, em todos estes anos, esta é a primeira vez que venho visitar-te. Acho que finalmente ganhei coragem para encarar a realidade; à realidade de já não estares aqui, ao meu lado.

Nestes dez anos, muitas coisas e pessoas vieram e foram, mas tu foste o único que ficaste. Ficaste e foste. Foste-te embora da minha vida, mas ficaste nas minhas memórias, foste o pior de todos. Tu me deixaste aqui sozinho e não quiseste libertar-me. Libertar-me do  que sinto por ti, daquilo vivemos, de nós...

Pensei que a dor de te ter perdido para algo tão tramado como o câncer, passaria com o tempo, mas parece que só aumentou. O vazio, a lentidão do tempo, o silêncio que reside até nas minhas memórias... Estou a esquecer-me do som da tua voz, Ichirouta! 

Será que se passou tanto tempo assim? Passou-se tanto tempo ao ponto de que, pouco a pouco, eu tenha começado a esquecer-me de ti? Foram apenas dez anos. Dez longos anos. Dez malditos anos sem ti!

Como tiveste a coragem de partir tão de repente? Como tiveste a coragem de partir sem nenhum aviso? Tu estavas a melhorar, não estavas? Tu estavas a voltar a viver. Estavas a voltar a ser aquele Ichirouta que conheci  quando ainda éramos miúdos a destruírem os castelos de areia um do outro na praia, tu tinhas voltado a rir. A rir com vivacidade, já não te doía fazê-lo, então como pioraste tão repentinamente? Como de uma hora para outra já não respiravas?

Responde-me Kazemaru! Responde-me porque eu preciso saber. Preciso ouvi-lo de ti e não de médicos e mais médicos, eu preciso sabê-lo de ti. Porquê depois de tanto tempo continuas a não responder a nenhuma das minhas perguntas? Porquê te manténs neste teu silêncio insurdecedor? Huh?

Os médicos disseram que tinhas desistido do tratamento, é verdade? É verdade que tinhas desistido de lutar, Kazemaru? É verdade que tinhas desistido de viver? Desistido de todos os nossos sonhos? Desistido de nós?

Às vezes me pergunto se desististe de fazê-lo depois de eu te ter dito que às vezes não fazia mal ceder? Que às vezes parar de lutar não era sinónimo de desistência, fraqueza, mas sim era como admitirmos a nós próprios que já tínhamos feito tudo o que estava ao nosso alcance e que agora não podíamos mais continuar a lutar porque não conseguiríamos, não suportaríamos, já não tínhamos forças. Se foi por isso, pergunto-me como acreditaste nas minhas palavras? Eu estava apenas a ser altruísta em acreditar que conseguiria viver mesmo não te tendo ao meu lado, que viver sem ti era melhor do que ver-te a sofrer todos os dias por te ter obrigado a prometer que ficarias para sempre ao meu lado.

Naquela noite, uma grande parte de mim e tudo aquilo que eu conhecia como felicidade, morreu juntamente contigo, Kazemaru. Porquê achas que não consegui ir ao teu enterro? Porquê achas que até hoje não consegui despedir-me? Não quero dizer-te adeus, não quero enterrar-te a ti e a tudo que vivemos juntos, não suportaria. Não suportaria aceitar por completo que estás realmente morto.

Existe uma grande diferença entre saber e aceitar, e eu estou preso no meio dessa diferença em relação a tua morte. Eu sei que estás morto, posso senti-lo, posso ouvi-lo, posso vê-lo, mas não posso aceitá-lo. Se eu o tivesse aceito, certamente já teria seguido em frente há muito tempo atrás. Já te teria transformado em apenas lembranças; lembranças da pessoa que mais amei e amarei em toda a minha vida. Não passarias de muito mais do que promessas e sonhos quebrados, muitos deles.

Sabes, voltar a andar por esta colina depois de tantos anos, traz-me dezenas de recordações, todos os tipos delas. Fizemos tantas coisas sobre este relvado, tantas juras, tantas promessas, tantos planos... Nem parecíamos simples adolescentes. Talvez não o fôssemos, não amávamos como tal. Amámos muito além do que podíamos ver e sentir, era à nossa forma de amar. Gosto de pensar nela como a mais pura que alguma vez sentirei.

Este foi o último lugar que visitaste antes de morrer. Obrigaste-me a tirar-te do hospital e trazer-te para aqui naquela manhã. Estavas tão calmo, tão cheio de paz, que era impossível não ficar do mesmo jeito ao ver-te sorrir.

Sentei-me e observei-te a gargalhar enquanto o vento passava de rompante por todo o teu corpo, enquanto tinhas os braços abertos e os olhos fechados.

Em meio a sorrisos, dizias que devias ter sido o vento na tua vida passada, e que quando morresses, voltarias a sê-lo. Te unirias novamente aos teus amigos e voltarias a ser um contador de histórias, voltarias a ser livre e te aventurarias por todos os cantos do mundo outra vez, mas que não devia me preocupar, porque sempre voltarias e aventurar-te-ias em mim, porque eu sempre seria a melhor de todas. Que depois da tua morte, sempre que fechasse os olhos e sentisse o vento tocar o meu corpo, serias tu à dizer que me amavas, que estavas ali e que nunca me abandonarias.

Eu queria pedir para que te calasses, porque ambos sabíamos que não morrerias tão cedo, mas o sorriso que me deste quando te voltaste para mim, fez-me calar-me e sorrir-te de volta. Algo dizia-me para simplesmente aproveitar aquele momento ao teu lado.

Quando estendeste a mão e eu segurei-a, levantando logo em seguida, tu beijaste-me. Foi o beijo mais calmo e suave que alguma vez me deste. Quando os teus braços circundaram o meu pescoço e aprofundaste o beijo, senti-me à arrepiar por inteiro, com o simples toque dos teus dedos na minha nuca. Tu sorriste antes de separares as nossas bocas e fitar-me intensamente. Era possível ver o reflexo dos meus próprios olhos nos teus orbes castanhos brilhantes, o teu sorriso aumentava cada vez mais a medida em que me encaravas com cada vez mais intensidade.

" Eu amo-te. " Sussuraste depois de um silêncio robusto.

" Eu também te amo. " Declarei no mesmo tom antes de sentir o teu corpo fraquejar nos braços e ver os teus olhos fecharem-se lentamente.

Naquele momento, o meu coração falhou uma batida e um pesar preencheu o meu peito, antes de eu cair em mim e levar-te as pressas de volta ao hospital. Uma hora depois o médico veio até mim e aos teus pais, simplesmente lamentando e dizendo que o teu corpo havia cedido por completo a doença, e que não tinhas mais de vinte e quatro horas de vida.

Deixei de ouvi-lo naquele instante e passei a observar o teu corpo entre os lençóis azuis do hospital, através do vidro. Tu ainda tinhas o ar calmo e pacífico de horas atrás, não parecia que agora estavas definitivamente a morrer. Na minha cabeça, estavas apenas a dormir, um daqueles sonos longos que tinhas e fazias o máximo para manteres.

Não consegui entrar no teu quarto naquele dia, não consegui aproximar-me, não queria acordar-te, queria deixar-te dormir pelo tempo que achasses necessário. Fui embora pouco tempo depois, caminhei pelo jardim do hospital, pelas ruas, subi até a nossa Torre, fiz tudo aquilo e não consegui deixar de pensar que estavas a dormir e que em breve acordarias a reclamar do porquê de te ter deixado dormir tanto, mesmo sabendo que não era saudável.

Quando voltei, a tua mãe estava aos prantos e quando me viu abraçou-me desesperadamente, dizendo que tu querias falar comigo. Quando olhei através do vidro, todos os aparelhos estavam desligados e tu estavas do mesmo jeito em que te havia deixado.

Voltei a não entrar no quarto, voltei a não conseguir passar pela porta deixada aberta pela tua mãe minutos antes.

Todos me perguntavam o porquê de eu não me ter ido despedir do meu melhor amigo, e eu apenas dizia que iria mais tarde. Foi assim por um ano, até que deixei a cidade, e foi assim pelos nove anos seguintes, foi assim até hoje.

Eu gostaria de poder dizer que nestes dez anos fui capaz de te sentir no vento, de sentir-te a tocar-me, a dizer-me que me amas, mas não fui. Acho que não o serei  até aceitar que morreste, até que as minhas visitas ao teu túmulo se tornem anuais, e as flores que  depositar se tornem um sinal de adeus. Será que algum dia serei capaz de fazê-lo?

Agora que olho para isso, vejo que em todas as vezes que eu dizia que te amaria pelo resto da minha vida, tu me pedias para amar-te somente pelo resto da tua. Até parece que sabias que te irias embora antes de mim.

Bem, lamento, mas acho que nunca realizarei esse desejo teu, porque nunca deixarei de te amar, Ichirouta. Passe o tempo que passe, ventos, feridas e cicatrizes; te amarei para sempre.



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