História Wandering Season - Capítulo 17


Escrita por: ~

Postado
Categorias Hyouka
Exibições 23
Palavras 1.866
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Romance e Novela, Universo Alternativo, Visual Novel
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 17 - Descartando o impossível, desmascarando o improvável




"Não existe nada previsível, porém, tudo é calculável. O que para alguns é mecanismo de sorte para mim é apenas uso exemplar dos recursos oferecidos. E...Não....Isso não é sinônimo de genialidade!"

 

Estava sentado no tatame de casa com o pé do sofá como encosto a nuca. Bocejei com "diligência" e joguei os pulsos para cima da cabeça, estralando os braços.
Com o corpo enfiado sob um kotatsu, zapeava pela televisão. Desta vez tive a prudência de deixar o controle remoto em cima da tábua.
Fiquei pensando sobre kotatsus...Uma invenção incrível japonesa, que me auxiliou tanto em minha vida de caranguejo eremita…
Botar um aquecedor sob um cobertor e um pedaço de madeira...Que ideia de girico é essa? Perdemos a noção do perigo?
Quando me toquei disso, até comecei a verificar debaixo do cobertor.

-Tomoe!

-O que foi?

-Kotatsus pegam fogo?

-...Hmpf...Ai ai…-Ouvi seu suspiro.-Foram só 200 casos registrados em 5 anos, em sua maioria causados por desgaste ou mau uso e não mau funcionamento...Além de que, se tivermos um incêndio em casa, eu jogo seu coração de gelo no fogo que apaga rapidinho!

-Não me culpe...Eu só estava pensando...Não quero virar Hotarou tostado!

-O que esses pentelho aprende na escola hoje em dia…-Ela pensou alto.

-Oi?!

-Nada!

Logo ouvi um som, como de áudio sendo reproduzido num gravador. Um tema tocava bem baixo, sendo reproduzido por instrumentos diversos...Baixos, cellos e fagotes…
Quando minha irmã entrou com seu violino, pude reconhecer a obra.
In The Hall Of The Mountain King de Edvard Grieg.

Me levantei e me dirigi até o quarto dela.
Aquilo estava virado de ponta cabeça!
Havia um exemplar da Enciclopédia Britânica e, acredite se quiser, uma Shinai, em cima de sua cama.
Alguns cabides se espalhavam pelo chão e quase me fizeram escorregar.
Em cima da cômoda se encontravam um gravador e uma caneca, provavelmente contendo café, já que Tomoe era quase viciada nisso e havia um sulfite manchado marrom no solo.

Minha irmã estava de costas para mim, com o olhar fixo na parede e o violino em suas mãos.
Post-it's aglomerados indicavam a organização de um mural de brainstorm, porém algumas partituras se destacavam entre estes.

-O que você está fazendo!?-Gritei para que ela me ouvisse apesar do som alto.

-Ah, Hotarou!...Entrando no quarto de uma dama sem bater? Onde estão seus modos!?-Ela respondeu, erguendo as sobrancelhas.

"Vá se catar! Você não é dama merda nenhuma!" Eu pensei.

-Me desculpe…-Fui sucinto.-Você parece ocupada...O que acontece?

-Estou treinando para a orquestra, lendo três artigos sobre relações internacionais, arrumando minha postura e...Estudando o caso de Sekitani Jun!

Olhei para cima e reparei no píres que se encontrava no tampão de seu crânio.
Sempre suspeitei que minha irmã fosse multitarefa, mas aquilo era outro nível!
Segurando o arco numa mão e o violino na outra, Tomoe separou seus calcanhares (ela estava mesmo descalça) e virando sua cabeça para o lado, deixou que o píres caísse com perfeição em cima da cômoda.
Me mantive sério.
Enfim, Tomoe foi até o gravador e o desligou.
 

-Vamos com isso!-Disse ela, tirando a tampa de um canetão e rabiscando na parede.-Estou considerando as quatro possibilidades para um desaparecimento...Opção...Ameaça...Sequestro e...Morte...Opção, está fora de cogitação--

-Por quê!?

-Estamos falando de Sekitani Jun! Ele não sumiria, abandonando sua família e legado para trás…

-Um legado nem sempre é algo a se manter…

-Cara! Esse legado é Hyouka!

Pensei no que ela me disse, parecia estar certo…

-Caham...Continuando...Ameaça foi descartado graças ao detetive menos experiente da competição, Fukube Satoshi…

-Isso não é uma competição! É uma ajuda que oferecemos a Chitanda...Além de que, Satoshi disse que não investigaria mais…

-Ah, sério? Que pena! Dizem que sem concorrência não há qualidade!

-Oras sua…-Não ousei completar.

 

-Convenhamos de concordar que sequestro não é cabível para esse caso, exato?

 

Confirmei com a cabeça.

 

-Logo...A alternativa restante é "morte"...

-Macabro, mas...Como pretende investigar a morte de um cara que foi visto pela última vez na India?

-Isso, só os Sekitani podem me dizer, além de que...Eu amo viajar!

 

-Sei lá, talvez ele só tenha se perdido entre uma manada de vacas e tenha decidido viver com um guru no Himalaia…

-Ha...Ha...Ha...É engraçado porque é racista, entendeu!?-Era de praste que ela tentasse me ferir com seu sarcasmo.

 

Tomoe colocou seu violino no case, calçou sapatos de salto alto brancos, combinando com seu vestido de rendas. Vestiu uma jaqueta de couro, tirou uma bolsa de sabe-se-lá-onde naquele quarto e correu para o banheiro.

-Estás saindo?-Indaguei, me apoiando no umbral do banheiro.

-Já não disse que vou a mansão dos Sekitani?-Respondeu, enquanto passava rímel na frente do espelho.

"Disse?" Tentava me lembrar.

-Pode checar meu sotaque britânico?

-Hã? Que?-Eu estava quase dormindo, com a cabeça apoiada na porta, por isso respondi num susto.

-My name is Mary Hudson, from Hampshire...Pleasured to meet you...How are you doing today?

-Mas o que…?

Tomoe arremessou seu celular para mim.

-Poderia ligar para a Chitanda menor e botar no viva-voz?-Agora ela estava penteando o cabelo.

-Nee-san...O que é "viva-voz"?

-Botãozinho do canto inferior direito…

Assim que pressionei o botão, o falante reprodução ruído gravemente distorcido.

-Que raios é isso?!-Me impressionei.

-Sempre faz assim…-Tomoe deu de ombros.

-Parece conversa de praça de alimentação!

-Alô!?-Fui interrompido pelo timbre familiar no outro lado da linha.

-Chitanda!?-Minha irmã gritou então aproximei mais o microfone.

-Tomoe-senpai! Qual a urgência?

 

-Poderia reservar um horário em sua agenda para me guiar pela casa dos Sekitani?

-Não penso que vá ser tão fácil…

-Sem problemas, dou meu jeito...Se alguém perguntar, sou Mary Hudson, sou Inglesa, você me conheceu na prefeitura e eu vim a negócios!

-Ok, te vejo mais tarde!

-Ja ne!

 

Tu tu tu. A ligação se encerrou.

 

-Quem é mais louca: Você por fazer uma proposta dessas ou Chitanda por aceita-la?

-Essa é fácil! A mais louca sou eu pois, estou considerando todos o detalhes vigentes em meu disfarce e o meu alvo ao observar a mansão dos Sekitani no processo de fazer a proposta...Já as ideologias de Eru, predominam sobre sua capacidade descritiva, na maior parte do tempo, promovendo uma resposta meramente emocional...Eu sou um milhão de vezes mais inteligente, e consequentemente, mais louca!

"Não a chame pelo nome pessoal! Soa mal...É estranho!" Eu pensava.

-Ha ha...Será que a Chitanda tem ciência da sua "modéstia"!?

-Para muitos...Foco é sinônimo de orgulho...E você é a prova de que Eru é bem tolerante aos 7 pecados capitais quando encarnados!

"Você disse 'Eru'...De novo..." Aquilo estava me matando por dentro.
 

-...Horas!?...

-Nove e...Quinze!-Respondi, tentando limpar meu relógio.

-Estou atrasada!...Hotarou, confiarei a casa a você...Se quiser saber algo sobre o caso, encontrará no meu quarto...Até lá, não mate ninguém, ok?...Falou, maninho!-Ela se despediu, dando um beijo em minha testa.
 

-Hmmm…

Assim que ouvi o som da porta sendo trancada, voltei para o quarto de minha irmã.
Só então reparei que Tomoe havia largado uma pilha de jornais apoiados em sua cabeceira.
Todas as manchetes faziam referência aos Chitanda. Uma entre essas, porém, chamou minha atenção:
"O Japão e a lei seca".
Peguei a caneca com café de cima do móvel e comecei a beber, sem me tocar do beijo indireto que estava compartilhando.
Me sentei ao pé da cama e passei a ler os jornais.
Fiquei ali o resto da manhã, afinal, sempre tive o dom de ser um sem noção.

Oreki Tomoe's POV:

Hoy! Eu sou Oreki Tomoe e tenho 21 anos...Bem, ninguém me disse como deveria me apresentar...Bem, ninguém disse que deveria me apresentar…
Mesmo assim, estou aqui em decorrência do que represento...
Tirando a parte diplomática do nosso país insular e o ombro esquerdo do maestro, é claro…
Existe um elemento transcendente em relação a esses, que mesmo não sendo uma profissão, não é um hobby...É uma paixão!
Estou falando sobre investigação e criminologia!
Toda esta narrativa se relaciona com outro detetive, menos apaixonado, mas não deixa de ser concorrente...O pirralho faz parte de minha família, para ser mais específica, é meu irmão de 17 anos, Oreki Hotarou!

Antes de qualquer evento passado que vá narrar, primeiramente gostaria de estabelecer alguns conceitos...Para investigar qualquer caso, você precisa das coisas seguintes...
1. Responder as "WH Questions": What (O que?), Why (Por quê?), Who (Quem?), When (Quando?), Where (Onde?) e How (Como?).
2. Seguir os três passos da investigação: Observação, Dedução e Conclusão.

Você duvida disso? Ok, então...Façamos um jogo!
Existem alguns mistérios, enigmas, passados por tradição oral, que me foram reproduzidos. Vou demonstrar como solucionei um destes, somente com tais técnicas e com meu empenho…
O condutor do jogo conta o caso, lança o mistério e você pode fazer qualquer pergunta envolvendo-o, porém o condutor só pode responder com "sim", "não" ou "irrelevante".
No final, deve-se montar um parâmetro geral da narrativa…

"Um homem está caminhando num corredor. Assim que ele alcança a metade do corredor, a luz pisca, ele dá meia volta e vai embora.
Por quê?"

É um caso no mínimo curioso, que me tomou certo tempo. Veja como o fiz:

O homem tinha medo do escuro?
Não
(Seria o motivo mais óbvio para sua partida)
Havia algum problema na instalação elétrica do lugar?
Não
(Ele poderia ter retornado para mexer em um disjuntor, por exemplo)
(Foi aí que reparei que o termo homem era propositadamente muito vago. Para definir "quem" era necessário saber "onde")
O corredor fica numa casa?
Não
Num prédio?
Sim
Um prédio residencial?
Não
Um prédio comercial?
Não
Um prédio público?
Sim
É um hospital?
Não
Um colégio?
Não
Uma prefeitura?
Não
(Minhas opções estavam acabando)
Uma cadeia?
Sim
(Agora que eu já sabia o sítio macro, precisava interpretar porque o local micro precisava ser especificado)
No final do corredor, há uma porta?
Sim
A porta está trancada?
Irrelevante
Há alguém atrás da porta?
Sim
Há mais de uma pessoa atrás da porta?
Sim
É um interrogatório?
Não
Uma dessas pessoas é um preso?
Sim
A outra é um guarda?
Sim
Está acontecendo uma tortura?
Não
Uma execução?
Sim
O cara que está andando no corredor, é outro preso?
Não
Qualquer outro funcionário da prisão?
Não
É um advogado?
Sim
O preso lá dentro é cliente dele?
Sim
(Aí, eu já estava matando...Repare que para o fato de haver um problema elétrico a resposta fui um categórico não.
Outro detalhe foi o uso da palavra "luz" e não "lâmpada")
A execução é numa cadeira de choque?
Sim
Então eu matei! O advogado está indo ver seu cliente, mas quando vê a luz piscar percebe que ele já foi morto e vai embora!
Muito bem! Só que...O mistério ainda está incompleto…
(Me pegou de surpresa...Como estava incompleto? Só me faltava analisar a função e objetivos do advogado…)
O advogado estava levando provas consigo?
Sim
Para inocentar seu cliente?
Sim
O cliente era culpado?
Sim
O advogado sabia disso?
Sim
Então as provas eram falsas?
Preciso

E então, eu tinha matado mesmo. Apesar da certeza de sua morte, o advogado ao menos entraria na sala. Porém, ele não o fez pois caso as provas que ele levava consigo fossem estudadas, descobriram sua fraude e ele quem seria condenado. Por isso….Ele foi embora.
 

Como podem ver, processos simples de análise podem solucionar qualquer problema.
Mas as vezes requerem um pouco mais, assim como, no caso que irei narrar...


Notas Finais


Eu sei o que você deve estar pensando..."Uma semana, para conseguir postar um negocio DESSE tamanho?"
Primeiramente, eu estive um tanto atarefado nessa que foi, entre tantas, a penúltima semana de aulas. Depois que, eu não dediquei muito tempo a escrever a fanfic em si, porém estive organizando o roteiro deste que é o caso mais complexo de Wandering Season, para poder tornar a narrativa mais interessante.

Eu sei que é bizarro, mas...Esse mistério que Tomoe conta foi um dos únicos que eu consegui resolver na vida real! Eu fiz exatamente da forma narrada, por isso fiz questão de destacar.
Hehe, enfim...


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...