História Wandering Season - Capítulo 18


Escrita por: ~

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Categorias Hyouka
Exibições 12
Palavras 1.395
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Romance e Novela, Universo Alternativo, Visual Novel
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 18 - Mascarando o possível e correspondendo ao provável




Oreki Tomoe's POV:

Buzinei outra vez. Um ato bem indelicado naquela cidadela. Acho que nunca houveram vizinhos tão agitados...Pelo menos, não tão descarados…
 

-Chitanda menor!?...Aí está você!-Gritei, me esgueirando pela janela do carro.

-Desculpe faze-la esperar!-Ela desculpou-se, entrando rapidamente no banco ao meu lado.

Acelerei, e aos poucos fui deixando a mansão dos Chitanda para trás.

-Então...Onde vamos é longe, não?-Puxei conversa.

-Um pouquinho...Por quê?-Ela desentendeu.

-Olha, o negócio é o seguinte...Eu sei que é maior inconveniente social o meu de requisitar sua ajuda...Mas creio que ambas aqui estejamos em consenso quanto ao objetivo final...É aí que entra o problema...

-Desenvolva…

-Como vai na escola?

A Chitanda apenas pareceu uma virada brusca de humor e uma mudança abrupta de assunto.

 

-Bem...

-E as provas? Foi bem?

-Sim, tudo ótimo!

-E o Clube…?

-Qual o seu ponto?

-Nada, eu só...Estou apreensiva para observar seu desempenho no festival cultural…

-Você pode esperar boas coisas de Ho...Digo...seu irmão…

-Querida, chegue mais perto que vou te contar um segredo…

Chitanda forçou o cinto para que seu ouvido alcançasse minha boca.

-Sobre assuntos pessoais do Hotarou…-Anúncio prévio, seguido de uma inspiração profunda.-...Não é da sua conta…-Murmurei.

Chitanda voltou a ficar ereta e, para minha surpresa, não esboçou reação imediata.

-Chegamos!-Deu sinal para que parasse o carro.

Dei uma última olhada no retrovisor. Se me permitem, minha aparência estava impecável.
Saimos do veículo e adentramos no lote designado. De forma geral, a construção era extremamente similar a mansão dos Chitanda. Sua diferença era uma ala adicional nos fundos do casarão, que continha uma sacada com vista a rua de trás.
Literalmente na entrada do lugar, trombamos com um homem um pouco mais velho que mim, medindo 1,80. Um terno exalando dignidade e um penteado mullet em sua cabeleira loura.

-Eru...Você--

Sua feição se alterou por completo ao me ver.

-Q-Quem é você?-Gaguejou, ainda atônito.

-Prazer, Mary Hudson!...Encontrei com o Senhor Chitanda, ao perambular pela prefeitura, decidi tratar de negocios...Talvez seja razoável informar que represento a corporação Kojidao em minha visita…-Apresentei minha credencial falsa.

Até Chitanda se assustou com essa, porém, eu sabia que não devia te-la contado.

-Yokatta…-Tirando um lenço do paletó, o homem estancou sua fronte de suor.-Prazer, sou Sekitani Daichi! Desculpe a confusão, não esperava ve-la tão cedo…

-Haha...Nem eu! Quando me disseram que partiria de Hampshire e--

-Hampshire!?

-É! Sou Inglesa!

-Compreendo...Por favor entrem!...Vão tirar a comida da mesa….Quer aproveitar?

-Não, o nosso assunto é de urgência comovedora...Mas creio que não seja problema que a pequena o faça!

Parei de caminhar ao lado de Daichi afim de me virar a garota. Fiz sinal com a cabeça para que fosse e ela compreendeu.

Eu e o anfitrião nos dirigimos até o casarão por uma porta alternativa.
Saimos em um corredor bem sugestivo, com um sofá para que os hóspedes esperassem antes de serem chamados no escritório.
Daichi pediu para que eu ficasse enquanto ele organizava sua pequena sala de trabalho. Obedeci, mas não perdi a oportunidade de observar os arredores.
O corredor formava um "L", porém a vértice da virada era muito obtusa. As paredes eram pintadas de vermelho e estavam repletas de "troféus" vindos de diversas partes da Ásia.
Era óbvio que os Sekitani trabalhavam com agricultura, o que era aquilo agora?
Em cima da porta de madeira, que acessava o escritório de Daichi, em especial, haviam duas katanas ornamentais penduradas em suas bainhas.
Já logo acima do sofá, havia um quadro.
Eu reconhecia a obra..."A Sala Azul" de Pablo Picasso.
Para mim sempre carregou um tom sombrio de melancolia e saudosismo, inexplicável.

-Gosta de monocromia!?-Indagou Daichi, me dando um susto ao tocar em meu ombro.

-Na verdade, eu a odeio! Eu não gosto da impressão de desleixo e excentricidade que ela me traz...Porém, acho muito engraçado como as pessoas fazem confusão sobre o tema!

-É claro, a maioria dos leigos acredita que monocromia é preto e branco! Não devia-se esperar muito da geração atual…

-Você não parece em idade para pronunciar isso…

-Obrigado, mas eu tenho 37 anos!

Daichi girou a maçaneta dourada, permitindo que entrássemos no lugar.
A janela estava fechada, mas de cortinas abertas, o sol iluminava o interior.
Havia um vaso decorativo com uma pequena samambaia em um dos cantos da esquerda. Em meu lado direito, uma estante enorme, repleta de livros de diferentes culturas, tamanhos e tipos.

-Isso é tudo seu?-Tive de perguntar.

-Parte herdei de meu irmão, mas, não leio com muita frequência…

-Suas ocupações o exigem…

-De fato, as produções tem sido um tanto quanto...Pesadas…
 

Aviso que estivemos conversando em Inglês, mas traduzo por valores narrativos.
O loiro puxou a cadeira de madeira para mim e ao invés de se sentar em sua poltrona giratória, jogou-se a sua mesa de trabalho e começou a brincar com a luxuosa caneta em suas mãos.
Uma pequena circunferência no bolso de Daichi brilhava com falhas, e isso me chamou a atenção.

-Bem...Será que é essa sua única preocupação?-Incitei.

-O que quer dizer?

-Eu não trago boas notícias da Kojidao…

-Como assim?...Não, não, não, não, não!...Olha, eu sei que pisei na bola, mas...As coisas na prefeitura estão apertadas...Se eles descobrem um negócio desses...Ferra com tudo!...Eu tenho de encobrir você mas...Eu não posso jogar aquilo em lixo comum, ou em um lugar o qual não tenha acesso legalizado...Estou de mãos atadas!...Tetsugo!...O Tetsugo, aquele desgraçado filho de uma prostituta já está suspeitando de mim! Estou sem saída!

Coloquei a mão na frente do rosto como se pensasse num pretexto ao que diria.
A verdade é que, eu não entendi nem 1% daquela conversa. Estive estarrecida. Não sabia nada sobre Daichi, mas consegui deduzir muito. Se eu errasse em meu próximo passo, poderia ser meu último passo...Na vida…

-Como anda a campanha?-Tive de improvisar.

-Hã?-Até ele se chocou.

-O cargo na prefeitura…

-Ah, tá!...Eu investi bastante, tenho ótimo apoio de meus colegas...Acredito no sucesso!

-Nesse caso...Ganhe essa campanha primeiro, pague sua dívida e nunca mais bateremos em sua porta!

-Sério!?-Se dirigiu até mim e apertou minha mão com força.-Muitíssimo obrigado!

-Com licença, irei me retirar agora…

-Espere um instante....Acho que já ouvi esse nome...Hudson!?

 

Senti um arrepio em minha espinha.

-Srta.Hudson...Você tem um irmão mais novo?-Daichi prosseguiu.

-Sim, ele é estudante colegial em Shangai…

-Deve ser de lá que o conheço! Conte-me sobre ele!

-Meu irmão é um preguiçoso...Inútil e idiota...Não há mais o que dizer!-Expressei rancor em minhas palavras.

-Ok, se você diz...Adeus, Srta.Huson!

-Goodbye, Mister Sekitani!-Fiz uma reverência ao me despedir.

 

Caminhei pelo corredor noroeste até alcançar o salão onde a comida estava posta sobre a mesa.
Encontrei Chitanda encostada na parede com uma expressão pacífica.
Os criados que se achavam na sala dirigiram-se a cozinha.

-Quer carona ou vai pegar rabeira?-Brinquei.

-O que descobriste?-A garota quis saber.

-Eu não sou tão fácil...Primeiro preciso voltar a meu quarto e usar do Feng Shui para organizar meus pensamentos…-Não perdia meu senso de humor.

-Qual é o seu problema, afinal?

-Não questione mais nada, Chitanda menor...A justiça será feita...Tudo acabará bem...E, se for da vontade de Deus, nunca mais nos olharemos nos olhos!...Trato feito?

Estendi minha mão afim de cumprimenta-la e ela me olhou até com certo desdém.
Antes que pudesse haver qualquer contato, outro criado retornou para a sala, transpirando e com as pupilas dilatadas, ele bracejava.

-Fogo! Fogo! Fogo!-Entrou gritando.

Saí correndo por aquela porta sem repensar.
Um amontoado de empregados, residentes e conterrâneos ocupava o jardim da casa.
O último setor da mesma estava em puras chamas, a fumaça subia do telhado a uns 3 metros.
Um homem se aproximou da porta dos fundos e foi puxa-la pra abri-la.
Olhei na altura de seus pés e muita fumaça escapava, indo e voltando num efeito térmico.

-Não!-Tentei impedi-lo, mas já era tarde.

Assim que a porta foi aberta, ocasionou uma pequena explosão, empurrando o  homem para trás, que caiu inconsciente.
Corri de volta ao interior do casarão e me lembrei em qual quina havia um extintor de incêndio.
Arranquei-o da parede de uma só vez e corri de volta ao jardim.
Dessa vez, outrem se aproximava com um balde cheio d'água, pronto a joga-lo nos fundos.
Antes que o fizesse, dei-lhe com o cilindro metalico na nuca, nocauteando-o.
A água caiu no rosto do próprio ignorante e estando a ameaça afastada, comecei a diminuir o fogo com o extintor.

 

-Tomoe!-A garota gritou por mim.

-Para trás!...-Foi tudo que pude dizer, com as mãos pingando de suor.



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