História Wandering Season - Capítulo 19


Escrita por: ~

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Categorias Hyouka
Exibições 13
Palavras 3.322
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Romance e Novela, Universo Alternativo, Visual Novel
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 19 - Cabana de Índio




Oreki Tomoe's POV:

Não podia tirar os olhos daquelas anotações. Tinha de haver algo grande sendo ignorado. Pendurei artigos sobre as familias e individuos investigados no lado esquerdo. Na direita haviam os relatórios dos bombeiros. No centro destaquei uma planta da mansão dos Sekitani.
Acho que apontava a direção correta.

-Você está bem?...-Uma voz surgiu da porta.

Ao olhar para o lado encontrei meu irmãozinho, como sempre com seu olhar lúgubre.

-Fisicamente?...Sim...Eu não sofreria muito nem se estivesse no local exato onde o fogo se iniciou…-Me vangloriei.

-Sorte a sua…-Disse ele, depositando uma caneca limpa e vazia em cima da cômoda (me pergunto de onde veio).

-Sorte?...-Murmurei.

 

-O que causou o incêndio?

-Adivinha…

-Desculpa...Você sabe que não respondo perguntas retóricas…

-Um aquecedor...Velho e desgastado...Aparentemente por descuido ligado num armazém nos fundos da casa…

-O que a policia disse?

-Acidente…

-Você descorda, né?

-Milhares de lugares em que se podia ter posto um aquecedor e ele vai parar logo no mais propício para alarmar o fogo!? Ah, vai se catar!

-É improvável, mas é possível...Um acidente não deixa de ser resposta plausível…

-Eu sei mas, por além disso, tenho uma evidência de convicção pessoal para tal conclusão…

-Que seria...?

-Vi uma sombra humanoide em meio às chamas enquanto as controlava...Considerando as distorções da reflexão no plano, estimei as proporções de um homem de 1,80 de altura...Mesmo em suas melhores condições físicas, não poderia ter fugido antes que a policia cercasse o lote...Creio que o tal seja nosso culpado!...

-Hmmm...Mas se alguém ocasionou o incêndio, tem de ter um motivo, estou certo?

-É…

-Será que era um homicidio?

-Duvido muito….Todos sabiam que não havia ninguém naquela parte da casa…

-Então...Estava se livrando de provas?

-Exato, é o que presumi…

-Mas isso não deixaria resíduos entre as cinzas?

-A não ser que se misturasse bem com o material das casas…..

-Como o que?

-Papel de arroz!

-Papel de arroz?

-Sim, assim como os documentos mais antigos da prefeitura…

-Prefeitura!?

-Vai me dizer que você não sabe quem é o mais novo candidato de Tokushima?

 

-Você acredita que alguém de dentro da mansão desvendou seu disfarce?

-Improvável, porém, possível...Vale a pena rever...

Vesti minhas roupas de antes, porém passei um cachecol vermelho em torno do pescoço e botei luvas azuis nas mãos. Em seguida, peguei o gravador de cima da cômoda e o guardei em minha bolsa.

-...Hmmm...Parece que você já tem a solução na ponta da língua!-Comentou Hotarou.

-Quer uma dica?...Pesquise mais um pouco...Casamentos são frágeis, sabe?...Já reparou qual a ordem do relacionamento que interliga as famílias Chitanda e Sekitani?...Eles não são meros parceiros de negócios, correto?

-É um matrimônio….

Acariciei o ombro de meu caçula tentando passar compaixão.
 

-Aonde você vai?-Ele perguntou.

-Investigar os Sekitani novamente…E você vem junto…

-Venho junto?

-Vem sim! Vamos que tenho pressa!

-Pressa?

-Sim! Afinal, como se investiga fazendeiros no inverno?...
 

Entramos no carro e nos dirigimos até a cidadela do outro lado da serra.
Estacionei perante a parte norte do muro da mansão Sekitani.

-Cá estamos…-Anunciei.

-Hmmm...Eu espero…-Disse meu irmão, enquanto eu tirava meu sinto.

-Na na ni na não! Você vem comigo!

-...Certeza?...

-Absoluta!

-Hmpf...Ai ai!

Saimos do carro ao mesmo tempo e caminhamos até estarmos rente ao muro.
Me firmei no morrinho e apontei para baixo.

-...O que é isso?...-Hotarou foi impreciso.

-Um túnel!-Respondi com prontidão.

-...Tá...E daí?...

-Bem, com meu disfarce comprometido, me encontro muito vulnerável...Eu não posso simplesmente entrar lá pela porta da frente...Já imaginou se a polícia estiver aí?

-Hmmm…-O moleque permaneceu de braços cruzados.

-E é aí…-Dei uns três pontapés no cilindro oco e metálico sob nós.-...Que esse tubo entra…

Hotarou não demonstrou nenhum interesse.

-Era por aqui que anteriormente passava o sistema de esgotos...Como toda a encanação da casa foi trocada, isso ficou vazio, sem sair do lugar...Uma entrada perfeita para o lado de dentro!-Expus meu entusiasmo.

Ele de uma pequena voltinha e voltou a olhar de frente ao cano.

-Eu não caibo aqui…-Afirmou.

-Cabe sim!-Retruquei.

-EU NÃO CAIBO AQUI!

Fiz o mesmo que ele, me afastando um pouco afim de enxergar o item de forma melhor.
Me agachei a altura do cano.

-Já ouviu falar sobre vibrissas!?-Exclamei de repente.

-Vibra o que?-Foi cinico.

-Vibrissas! São órgãos sensoriais dos mamíferos, que se estendem de pelos queratinosos, vulgo, bigodes...Nos gatos, servem como medida de largura ao corpo, de modo que saibam onde cabem ou não cabem…

-Eu sei que gatos têm fama de preguiçosos, mas…

Espalmei as mãos e as coloquei a altura da cintura, inclinei meu busto na horizontal, me esgueirando pela boca do tubo.

-É...Você CABE aqui!-Disse, concluindo minhas medidas.

Vencido, meu irmão se agachou e foi rastejando pela entrada do túnel.

-T-Tomoe...Eu acho que vou me travar aqui--

-Confie na sua irmã!-Encorajei-o.

-Para com isso! Eu NÃO caibo aqui!

-Cabe sim!

Já farta daquilo, meti um belo de um chute no alvo perfeito, a bunda inquieta de meu irmão.
Só pude ouvir um som agudo vindo lá do fundo.

-H-Hotarou!?...Você está bem!?-Gritava, esperando boas notícias.

-...Ah…-Suspirou.-Alguém tapou o baruco pelo outro lado...E dar com a cabeça na terra...Dói mais do que parece…

Aliviei aquela dor no peito.

-Certo! Volte para cima! Vamos dar um jeito nisso…-Comandei.

-Na terra ou na minha cabeça?...

-Você já nasceu assim, Hotarou!

Ajudei-o a subir de volta e comecei a bolar outro plano.

-Hmmm...Certo! Vamos com isso!-Enfatizei, olhando o muro de perto.

-Se pretende usar meu corpo como aríete, não vai funcionar, suponho...Além de que, não vou colaborar!

-Eu posso fazer o que quiser com você, maninho...Mas, apesar de você ser mesmo um cabeça dura...Meu plano é outro!
 

-Que?

-Fique ali!

Hotarou obedeceu.

-Faça uma concha com as mãos a frente da cintura!-Prossegui.

-Você não vai fazer o que estou pensando, não--

Corri de uma só vez e apoiei um de meus pés nas mãos do garoto, segurava o vestido com uma mão e segurava no cabelo de Hotarou com a outra.
Senhoras e senhores, é isso que chamo de "Pézinho!"

O movimento me projetou perfeitamente por cima do muro, como estávamos numa parte nivelada, era mais acessível.
Por ocasião do destino, meu irmão caiu ao chão com o meu peso.
Deu uma cambalhota por cima da grama, evitando me sujar em demasia mas amaciando a queda.

-Nossa, yes, perfeito! Valeu, maninho! Malz aê!-Disse ao garoto na parte exterior do muro, mesmo sem vê-lo, e fui embora, deixando-o atrás.

Me movi com passos leves, desviando das arapucas de tabúas que rangiam no piso.
Os sinais do fogo ainda eram claros, porém, não haviam mais policiais na casa.
De forma geral, parecia estar vazia.
Eu sempre critiquei meu irmão por sua preguiça, mas é mera presunção.
Agora mesmo, por não ter trocado minhas roupas, tinha dificuldade em caminhar pelas salas.
Parei e peguei os meus sapatos nas mãos.
Estava frio...Ainda bem que coloquei a meia calça noutra hora.
Quando passei por uma janela, vi um princípio de geada cair do céu.

Enfim em frente a porta do escritório de Daichi.
Tirei um dos grampos que prendiam meu cabelo e penetrei pela fechadura da porta.
Girei, girei, girei, girei e…
Abriu!
Com a mão sobre a maçaneta, virei-a com lentidão e puxei aos poucos, abrindo sem fazer barulho.
 

Minha surpresa foi ao ver outro braço alcançando a maçaneta, pelo lado de dentro da porta.

-Ora ora...Se não é Mary Hudson!-Verbalizou Daichi, me encarando friamente.

Engoli seco.

-Senhor Sekitani…-Cumprimentei-o.

-Estranho...Me lembro de ter dito que nunca mais bateria em minha porta...Não foi isso?

-Estranho...Eu não me lembro de ter dito para que você ATEASSE FOGO em sua casa!...Foi isso mesmo?


-"Atear fogo", você diz?...Ok, antes de nada, entre e sente-se!

Eu sabia que estava sendo atraída a uma armadilha, mas se eu fosse haveria problema, e se eu ficasse haveria o dobro. Era como já estar no inferno e ter de abraçar o capeta. "Se correr, o bicho pega; se ficar, o bicho come."

Me sentei na cadeira indicada e Daichi em sua poltrona.
Uma leve brisa agrediu minha face e reparei na coloração em baio da têmpora de Daichi.
 

-Certo...Você dizia…-Coordenou o anfitrião.

-Meu caro...Sem mais fingimentos…-Falei repousando minhas mãos escorregadias sobre a mesa.

-Hmmm…

-Está bem mais que óbvio que estamos ocultando coisas aqui…

-É claro...Até porque..."Mary Hudson" é um péssimo pseudônimo…

-Queres fazer acusações contra mim? É claro...Você pode, mas...Seus delitos são sem sombra de dúvida mais apavorantes…

-Não está interessada em meus métodos? A verdade é que seu sotaque britânico é impecável em ambas as línguas...Mas existe certa mania, meio que um gracejo que fazes nas pronúncias...Um...Um sarcasmo nas expressões singulares da língua…

-"For really!?"

No fim das contas eu também reconhecia meus erros, sem perder meu senso de humor é claro.
 

-Seu maior erro foi o de ter voltado aqui com as mesmas roupas...Mal me atentei a suas feições fisionômicas...Se não fosse a jaqueta e o vestido, não te reconheceria nem ao arrombar minha porta…-Daichi deu de ombros.

"Claro! Como fui idiota!" Estava assim por dentro.

-Isso explica muita coisa na verdade…-Pontuei.

-Além de quebrar fechaduras e falsidade ideológica, você parece boa com deduções...Descreva seus métodos…

-Ficou claro o motivo de minha visita…

-Você está aqui por causa de Sekitani Jun, presumo eu…

-Exato...Minha primeira intenção era apenas investigar, mas já acreditava na morte do homem…

-Morte?!

-Xiu!...Nenhum teatro novo é necessário...Eu sei que você mesmo mandou matar seu irmão caçula...Por mais que nunca vá conseguir um cadáver afim de prova-lo…

Daichi não respondeu.

-A primeira coisa que observei foi em nosso primeiro encontro...Você pareceu tão surpreso em ver a garota Chitanda quanto a mim, que era uma figura desconhecida…-Esclareci.

-Ainda é!-Ele protestou.

-Sim...Sim...O ponto é que...Mais tarde em nossa conversa, sem perceber você vazou as informações mais úteis…

-O quanto você já sabia?

-"Zero point O"...-Brinquei novamente, juntando os mãos em forma de "O".-Haha! Eu não sabia absolutamente nada sobre você ou suas empregações suspeitas...Na verdade, tudo que eu sabia era que Sekitani Daichi era o herdeiro do negócio da família...Não sabia, por exemplo, que você já comandava toda a produção de arroz...Eu já sabia que você era afiliado a corporação Kojidao, mas foi você que me ensinou que eles eram Chineses…Bem, não vamos nos focar nisso agora, ao que eu dizia...Por que você se encontrou surpreso ao ver Chitanda? É claro que a família dos Sekitani é muito introvertida mas...Qual era o problema?...Foi você que me confessou que Tetsugo-Sama mantinha suspeitas sobre você...Os patriarcas efetivos se encontram em pé de guerra...Mas, por quê?

 

Apontei para saída em minhas costas.

-Ali, em seu corredor...Você me contou uma história diferente...Não eram meras decorações...Eram prêmios...Troféus...De todas as partes da Ásia!...Restava uma pergunta...Se os Sekitani trabalham com agricultura...Por que tinham tanto reconhecimento?-Mantive minhas especulações.


-Aí você percebeu que eram recordações de viagens pessoais minhas e foi cuidar da sua vida! Fim!

-Viagens?...Que tipo de viagens?...Como as de Calcutá ou Nova Deli?...-Continuei o provocando.-Esse círculo brilhante pendurado em seu bolso...Está num chaveiro…

Daichi olhou para baixo confuso.

-É um Yuan...Na tradição chinesa, você levar uma moeda no bolso traz sorte...Até seu dinheiro indicava uma coisa...Você havia feito um trato com chineses...E o negócio já estava completo…Aí as coisas começaram a fazer sentido...Você se surpreendeu quando eu disse que vinha da Inglaterra...Porém achou normal que meu irmão estudasse em Shanghai...Verifiquei em meu dicionário e conclui que "Kojidao" se tratava de um dialeto chinês para "lâmina de colheita" ou "foice"...-Apresentei.
 

Daichi sorriu de lado.

-Sabe o que mais?...Sekitani Jun!...Ele disse que foi a Índia de viagem…-Introduzi.

-Vivia dizendo que queria ir aquele lugar!

-Exato, mas não cabia nas finanças dele!

-O que quer dizer?

-Foi você quem comprou a passagem dele...Você o enviou até Osaka, ou talvez até a Índia...Coincidentemente, foi a última pessoa a ouvir sua voz...Você mandou que o matassem!

-E por que o faria isso?

-Decidi pesquisar a fundo...Já houveram denúncias anônimas alegando que você cometeu diversas agressões físicas ao seu irmão ao longo de sua adolescência…Nenhum relato confirmado, mas fica provado que vocês tinham motivos para se odiar…

-O suficiente para matar?

-Transcende isso...Eu te elogiei por sua aparência jovial, e você me respondeu dizendo que ainda tinha 37 anos...Mentira!...Eu já sabia sua idade!...Se Jun se formou com 18 anos, ele está com 51...Para ser considerado mais velho você tem de ter pelo menos um ano a mais...Ou seja, sua idade mínima é de 52 anos!...

-Sim, eu estou velho...Mas é você quem está caducando…

-Eu sei o porquê de ter mentido quanto a sua idade...Você é promissor na prefeitura, mas quis evitar o assunto!...Eu nem sabia que concorria a um cargo...Só então fui perceber o que significava...A delação da província por um acaso passou por Tokushima antes de ir a público...Você adulterou seu conteúdo!

-Para que? Para que curiosos como tu trouxessem meu crime passado a tona novamente?

-Você queria se vingar! Ninguém suspeitaria de você, mas precisava manifestar sua raiva por seu irmão...Uma maneira entre várias…
 

-Ainda não responde por que teria o matado…

-A resposta reside no começo de sua fase adulta...Pesquisei e garanti que foi quando você concorreu ao cargo pela primeira vez...Também foi quando lhe concederam a autoridade para fechar o contrato com a Kojidao...E foi quando, Sekitani Jun, seu irmão mais novo, desapareceu…

-Hmmm…

-...Sonegação de impostos!...T-R-I-B-U-T-O-S...Tributos!...Foi a "grande sacada" que trouxe tanto lucro na negociação com a Kojidao...Cheguei a essa conclusão calculando o déficit e superávit de sua empresa, de forma tão complicada que nem eu quero explicar...Em suma, você possuía documentos que comprovam o que digo...Você queria garantir que não perdesse o controle de gastos nos primeiros anos...Depois, já estava farto daquilo...Lhe preocupava...Decidiu enfim se livrar dos papéis...Documentos antigos da prefeitura, feitos com papel de arroz...Seu irmão, porém, encontrou os dados antes de serem descartados e queria delata-lo a policia...Não importando o resultado do julgamento, você perderia a chance de cargo na prefeitura eternamente...Então decidiu dar um fim na história!...Bem...Esta é minha teoria...

 

-"Documentos", você diz...Deve ter alguma prova de sua existência!

-Ah, sim, claro!...Enquanto me encontrava falando com você, demonstrou tanto medo do que a Kojidao verdadeira faria contigo se essas informações vazassem que não se atentou aos detalhes...Porém, quando eu fui embora, reparou que tinha falado de mais, sendo que eu era mesmo muito suspeita para ser integrante da corporação...Então, tomou coragem para realizar um plano bolado há muito tempo...Juntou os documentos no antigo armazém e os incinerou, usando um aquecedor velho...Fim da história...

-Provas! Eu disse, provas!

-Ainda bem que pediu!-Cerrei as pálpebras e os punhos com força, abrindo ambos de uma vez.-Já estava me deixando louca!
 

Me levantei e fiquei em frente a estante de livros referida, no lado direito.

-Comecemos assim...Você esteve longe...Você correu até a extremidade do lote e voltou...Como eu sei disso?...Bom, suas veias estão todas sobressaltadas!-Disse, apontando a sua fronte.-Além disso...Você tem uns livros muito bons aqui! É verdade que você não os lê, mas...Você não se arriscaria a perde-los graças a umidade vinda da lavoura...Por isso, desenvolveu uma janela com cortina ajustável, afim de aproveitar a luminosidade sem destruir os livros...Porém, hoje em especial, a janela está tão escancarada quanto as cortinas...Logo agora que irá nevar…-Fiquei até pensativa. Cairia na neve?
 

-Como assim? O que insinua?

-Você abriu porque precisava se refrescar...É, deve ser ruim ficar velho!...Mas, nem Alzheimer te daria o direito de mexer com meu TOC!-Minha sobrancelha tremia.

Daichi me admirou, perplexo.
Fui em velocidade contra a estante e inverti dois livros de posição.

-Ufa!-Me aliviei de novo.

-O-O que foi isso?

-Você segue um padrão de organização nada popular aqui...Os livros estão organizados por gêneros literários, iniciais do autor por ordem alfabética e enfim...Data de lançamento...Isso mesmo!...Contudo, aqui, devia ser a zona de Agatha Christie…"O misterioso caso de Styles", "Assassinato no Expresso do Oriente", "Por que não pediram a Evans?", "Os Crimes ABC", "O Caso dos Dez Negrinhos", "Cai o pano", "A Teia de Aranha", "Os Últimos Casos de Miss Marple"...

-Tá...E daí?

-Não é porque tem "últimos" no nome que é literalmente o último! Está errado! Fora de ordem! Devia estar entre "Cai o pano" e "A Teia de Aranha"...É verdade, você não lê muito...Evidenciado pela poeira por cima das obras...Porém, ela não se encontra nesse livro específico...E convenhamos que Miss Marple nos concedeu espaço o suficiente para esconder muitas coisas nele!

Abri o livro e deixei cair a chave de metal que estava presa entre as páginas.
Peguei a mesma e saí da sala, encarando o estranho quadro de Picasso.
Tirei a moldura dali e encontrei o molde perfeito para encaixar minha chave na parede.
Girei e...Ta da!
Um cofre escondido no fundo falso.
Fui abrindo um sorriso lento, mal sabia que era cedo para comemorar a vitória.

 

Subitamente, ouvi o som de uma lâmina saindo da bainha.
Era Daichi, com uma das katanas em sua mão.

Me enganei sobre serem ornamentais…

Me virei e também peguei um sabre. Agora ambos estábamos armados.
Por parte dele, um corte aberto, defendido e contra atacado com facilidade.
Ainda bem que estive treinando coisa do tipo.
Os detalhes dessa luta...Ficam para outra hora…
O mais relevante é que consegui faze-lo recuar de volta para dentro do escritório.
Lá, ele tropeçou na cadeira e caiu apoiado somente com uma mão sobre a mesa.
Nossas espadas se tocaram e faziam força uma contra a outra.

-Idiota! Suma daqui e lhe darei uma chance! Dá próxima vez que nos encontrarmos nessa situação, com tantas acusações falsas...Eu te boto atrás das grades!-Ele ameaçava, como um cão raivoso.

-É você quem terá de comparecer perante a lei, mocinho!

-Haha! Eu sou o Estado!
 

-Dane-se sua hierarquia, é uma falácia da autoridade!

-Autoridade a mim concedida, no início da fase adulta...Eu já fui como você e aviso...Não vale a pena, lutar por um ideal qualquer…

-Eu luto por qualquer ideal, não por um ideal qualquer!

-E então quer fazer parte da oposição? Boas notícias a você e suas credenciais perfídias...Agora sou Governador!

-Pois bem...Então, permita-me parafrasear Beethoven..."Governador, o que você é, é pelo acidente do parto. O que eu sou, sou através de meus próprios esforços. Existiram milhares de governadores e existirão bilhões. Porém, só há uma única Oreki Tomoe!"
 

Com agilidade, Daichi se virou e abriu uma das gavetas de sua mesa, de lá sacando uma pistola.
Se aproximou de novo e meteu uma coronhada em meu rosto, enquanto torcia meu joelho com um de seus pés.


-Desapareça da minha frente, vadia! Torça para que eu não te mate quando me der as costas!-Ele berrava, como se estivesse numa situação de maior perigo.

Cambaleando, caí em cima da mesa, agarrei a bolsa que deixei ao lado da cadeira (pensando melhor, acho que Daichi caiu nela) e chispei daquele lugar.

Ao chegar em meu carro, abri a porta do motorista e me sentei, levando um susto ao encontrar Hotarou babando ao meu lado.
Ele sentou no banco do passageiro e caiu no sono.
Ajustei o retrovisor para usa-lo como espelho.
Um corte descendia desde a parte interna de meu lábio até meu queixo, e sangrava pra caramba!
No exato momento, uma gota de sangue pingou no estofado.

-Mas que saco!-Com meu próprio cachecol tentava em vão secar o banco de meu carro. Não faria diferença mesmo, é vermelho!

Peguei um algodão no porta-luvas e despejei um pouco de água oxigenada, infelizmente eu não tinha álcool. Fui passando no local da ferida e esterilizando.
Em seguida, peguei linha e agulha e comecei a fazer uma sutura com nó de cirurgião.
Estando tudo pronto, joguei o algodão fora e guardei as coisas.

Tentei dar a partida no carro. Não pegava.
E de novo, e de novo…
Eu nunca fui a favor do consumismo, mas devia mesmo ter comprado um carro novo naquele ano.

-Vamos lá, carro idiota! Vamos ficar presos na neve!-Gritava e socava o volante. Graças a Deus, o carro não respondeu.

De repente, o motor pegou e saia a dirigir de volta para casa.
Apesar disso tudo, Hotarou nem sequer se mexeu, dormia como pedra.

-Talvez Hotarou nunca vá entender mas...Ele realmente é o meu orgulho…-Meu murmúrio introspectivo na ocasião.


Notas Finais


Sim, eu sei que tem um monte de erros de português nesse capítulo...Mas, por que ao invés de reconhecer meus erros ao menos uma vez você não reconhece meus acertos?


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