História Warai - Capítulo 1


Escrita por: ~ e ~_Heisenberg

Postado
Categorias Kuroko no Basuke
Tags Aiza, Kuroko No Basket, Marcus, Nova Geração, Romance, Seirin No Basket
Exibições 40
Palavras 3.702
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


OLÁ MEUS LEITORES DIVOOS! Tudo bem com vocês?Vi uma tirinha muito fofa no grupo do Nyah! no facebook e a ideia acabou se encaixando perfeitamente na oneshot que estava querendo escrever de um casal que bombou no útlimo capítulo de Seirin no Basket! Gente, eu adoro deixar vocês shippando loucamente, escrever oneshots pra vcs pirarem e ficarem na dúvida de qual shippe escolher. Se vocês estão achando que vai parar por aqui, NÃO SE ILUDAM! Pq sim, vai ter IzukiXAiza também! Bom, os dois personagens apresentados estão completamente dentro de suas respectivas personalidades então aproveitem pra conhecê-los um pouquinho melhor. Para você, leitor, que não conhece o fandom de Kuroko no Basket e nem a minha fanfic, pode ficar tranquilo por a única coisa utilizada do anime/mangá foi a ambientação. Todos os 4 personagens que aparecem são originais e pertencem a mim e à _Heisenberg. Sem mais delongas, boa leitura!
Nota: O enredo foi inspirado numa tirinha intitulada "Smile for me", com uma pequena modificação de um detalhe da história que já é muito batido em fanfics. Para combinar, escolhi o título "Warai" por significar sorriso em japonês.

Capítulo 1 - Capítulo único


A primeira coisa que Aiza fez ao entrar na sala foi erguer bem o queixo e olhar ao redor. Não foi muito difícil achar seus colegas do clube de basquete, já que Kashka se destacava do resto dos alunos de todas as maneiras possíveis. E, claro, se achasse o nigeriano, acharia Kazuko e Marcus. Arrastando sua mochila de rodas sem muito cuidado, ela avançou até o fundo da sala para cumprimentar os três jogadores.

-Bom dia! – ela cumprimentou sorrindo.

-Oh! Bom dia, Kazame-san! – retribuiu Kashka abrindo seu sorriso branco invejável.

-Bom dia! – disse Kazuko acenando com dois dedos. – Ah que legal! Agora todos os calouros do clube de basquete estão na mesma sala!

A garota assentiu, alegre. Entretanto, sua atenção já estava voltada para outro canto da sala. Os olhos caramelos de Aiza correram para a última carteira da fila ao lado da janela e fixaram o vulto curvado sobre a mesa. Marcus estava cabisbaixo, o rosto quase enterrado nos braços largados sobre o apoio da carteira. O cabelo loiro escuro escorria nas laterais de seu rosto de forma mais desgrenhada que o normal, e mesmo sendo verão, ele trajava o casaco do uniforme de inverno. Aiza inclinou-se um pouco para frente buscando o olhar do colega de classe, e assim que encontrou as íris violetas de Marcus, a garota deu um pulo e soltou uma exclamação. O olhar do estudante já era naturalmente opaco devido à sua inexpressividade, mas Aiza jamais o vira daquela forma. Os olhos de Marcus estavam marcados por profundas olheiras arroxeadas, e as íris estavam tão imóveis e sem vida quanto as de um cadáver. Entretanto, era fato que nenhum morto teria tanta tristeza e dor estampados no rosto quanto o garoto. Aiza jamais imaginara que chegaria a ver Marcus naquele estado, e sequer sonharia que aquilo a afetaria tanto.

Ainda meio zonza pela visão inesperada, a caloura virou-se e lançou um olhar significativo para Kazuko e Kashka. O primeiro baixou os olhos heterocromáticos de forma triste, o verde e o negro de suas íris perdendo momentaneamente o brilho que costumavam carregar sempre. O segundo se curvou na direção da colega, e sequer precisou erguer a cabeça para alcançar o ouvido de Aiza devido à sua altura.

-Foi coisa com a família dele. – explicou Kashka. – Eu não entendi muito bem. Não perguntei mais nada porque ele tá muito mal.

Enquanto a garota escutava a explicação, seus olhos caramelo voltaram a vagar pela sala até fixarem-se novamente no vulto cabisbaixo. Dali não era possível ver bem o rosto de Marcus, o que a impediu de ver quando ele apertou ainda mais os olhos, fechando-os por um momento para abri-los novamente revelando o brilho de lágrimas contidas. As frases que seu pai berrara para ele enquanto sua mãe o encarava em desaprovação eram como farpas espetando incessantemente o coração do garoto.

“É esse o agradecimento que você nos dá? Depois de tudo que fizemos para você ter a melhor educação possível?”

“Marcus, escute seu pai...”

“Nem adianta mais, Alessandra! Todo nosso esforço e sacrifício só serviram para gerar um mimadinho de merda que só pensa no próprio umbigo. Você sabia de sua obrigação para comigo, Marcus Vinicius. E agora que tem que encará-la de frente, vai fugir por capricho?”

A voz de seus pais soava em sua mente como ecos de uma maldição, e imagens da briga piscavam sem parar desfocando a visão de seus braços pousados sobre a carteira. Ele ainda podia sentir os dedos do pai ao redor de sua garganta, e seu maxilar ainda latejava pelo soco que levara dele depois de se desvencilhar de seu aperto.

“Você é uma vergonha!”, berrara seu pai quando ele fugira escada abaixo em direção à porta. “Se sair por aquela porta, você nunca mais coloca os pés nessa casa!”.

Marcus tornou a apertar os olhos.

“Covarde!”

“Eu não sou covarde.” , ele pensou cerrando os punhos. “São vocês que nã-“

O sinal da escola soou, interrompendo os pensamentos de Marcus. Permanecendo imóvel, o garoto apenas direcionou sua atenção para o movimento periférico. Queria se certificar que não o importunariam naquele dia. Não estava com saco para lidar com ninguém. Imergindo novamente em pensamentos rancorosos e tristes, o estudante se dispersou rapidamente, e não percebeu quando a carteira à sua direita foi ocupada por alguém que o olhava intensamente com uma mistura de pena e obstinação.

Aiza não tinha a menor ideia do que se passava na cabeça de Marcus naquele momento, mas sabia exatamente o que preenchia a sua: não queria vê-lo daquele jeito. Perguntara-se tantas vezes sobre as inúmeras expressões que Marcus poderia ter, incluindo as tristes, mas agora via que não ficara de todo animada ao ver aquela faceta do garoto. Não sabia que a dor de Marcus faria seu peito se apertar daquela forma dolorosa. Mas, talvez, no fundo, ela tivesse uma noção do motivo.

Desde que entrara para ser a nova manager do time de basquete da Seirin, Marcus fora maravilhoso com ela. Sempre prestativo, fazia questão de conversar depois dos treinos, e seguia à risca todas as suas recomendações. Para o assombro de todos os membros do time, quando estava perto de Aiza, Marcus sempre deixava escapar sorrisos e expressões mais vivas que faziam o opaco de seus olhos diminuir um pouco. E a garota adorava tudo o que ele fazia por ela. Marcus sempre tentava fazê-la sorrir, e independente da situação, ele estava ali oferecendo ajuda, fazendo perguntas sobre sua coluna e se tinha trazido a bombinha de asma.  Se ele sempre a ajudara, agora ela queria retribuir o favor. Não queria Marcus triste daquela forma. Ela queria...

Queria fazê-lo sorrir outra vez.

-Onde estão os alunos transferidos? – a voz do professor soou como uma sirene nos ouvidos de Aiza, que deu um pulo em sua cadeira.

Levantou-se de sua carteira aos tropeços e se dirigiu para frente da sala. Enquanto avançada pelo corredor que separava as filas, uma ideia lhe ocorreu. Talvez Marcus não tivesse percebido que ela estava ali. Deveria estar tão absorto no que quer que tivesse acontecido que não a notara. Várias borboletas brotaram no estômago de Aiza e forçaram saída. Quando o nome dela fosse anunciado pelo professor, talvez ele ergueria a cabeça e a reconheceria. E como Marcus estava sempre animado perto dela, talvez Aiza fosse realmente capaz de tirá-lo daquele estado depressivo.

Com ânimo renovado, a menina endireitou a coluna e deu os últimos passos para se prostrar ao lado da mesa do professor. O senhor de meia idade começou as apresentações, explicando sobre o remanejamento de turmas para melhor rendimento dos alunos. Os estudantes novos foram apresentados, sendo Aiza a última delas. Os olhos caramelos da menina cravaram-se em Marcus quando chegou sua vez, mas o pronunciamento do seu nome sequer fez com que ele mudasse de posição na carteira. Cabisbaixa, Aiza retornou ao seu lugar e começou a matutar.

“O que eu posso fazer pelo Marcus-kun?”, ela pensou olhando para o teto com o queixo apoiado na mão esquerda. “Alguma coisa divertida para contar ou...”

Com um estalo, ela se lembrou do convite feito por Kazuko para todo o time de basquete no dia anterior. Rapidamente ela puxou o caderno da mochila e arrancou uma folha, rabiscando uma mensagem logo em seguida. Sem se dar ao trabalho de dobrar o papel ou ser discreta, Aiza enfiou a folha por baixo do braço direito de Marcus e olhou para os lados como se tentasse disfarçar... No que, é claro, não teve muito sucesso. Kashka olhava-a com as sobrancelhas arqueadas, e ela ouviu nitidamente Kazuko soltar um “ish” na carteira detrás. O estudante de piercing demorou longos segundos para reagir ao gesto de Aiza, levantando o braço pesadamente e puxando a folha na altura dos olhos. A garota fitou-o ansiosa, tamborilando os dedos uns nos outros esperando a resposta dele. Marcus pareceu ler o bilhete da colega inúmeras vezes, pois só depois de alguns minutos, ele tateou sua mochila à procura do estojo. Sacou o primeiro objeto que agarrou lá dentro e rabiscou quatro palavras na parte debaixo do bilhete, devolvendo-o a Aiza sem sequer olhá-la.

A garota empertigou-se ao receber o papel de volta, atrapalhando-se por alguns segundos para estica-lo de forma a poder lê-lo. Na parte de cima estava sua mensagem rabiscada de forma rápida, mas com palavras bem escolhidas.

Você vai no karaokê com o pessoal do time hoje à noite?

Ela até tinha desenhado uma versão chibi dela segurando um microfone, o que, é claro, não tinha ficado nada artístico. Tinha ficado toda esperançosa de fazer Marcus rir de sua total falta de talento para desenhos, mas havia falhado miseravelmente. E ainda por cima, as quatro palavras rabiscadas pelo garoto eram secas e negativas:

Não tô a fim.

Estufando as bochechas de frustração, Aiza voltou a bater o dedo em seu queixo.

“O que é bom para animar uma pessoa? O que eu faço para me animar quando estou pra baixo?”, a pergunta se repetia várias e várias vezes em sua cabeça até que a lembrança dos cupcakes que tinha trazido de lanche a fizeram empertigar-se novamente em sua carteira.

“Mas é claro! Comida! Não tem como alguém ficar triste comendo.”

O plano começou a se formar rapidamente em sua cabeça.

“Acho que um cupcake não é o suficiente para animá-lo. A quantidade de comida tem que ser proporcional à tristeza que a pessoa está sentindo. Mas eu não sei o quanto Marcus-kun come... Talvez eu tenha que investir num lanche especial ou...”

Com outro sobressalto, Aiza virou-se bruscamente para o lado e chamou Kashka.

-Ei, Kashka-kun! Hoje é dia do especial lá da lanchonete?

O nigeriano piscou para ela enquanto processava a pergunta. Depois, abriu um sorriso e assentiu.

-Ah, sim! Sim, hoje é o especial. Ouvi muita gente comentando sobre isso mais cedo.

-Obrigada! – ela agradeceu com um sorriso animado para depois voltar a perder-se em suas ideias para animar Marcus.

Enquanto pensava, o olhar caramelo de Aiza subiu para fixar o relógio, e ali ficaram pelo resto dos três primeiros horários vigiando cada pequeno movimento dos ponteiros. Quando eles se aproximaram do horário do intervalo, a garota já estava pronta para disparar porta afora, as pernas já apoiadas com firmeza no chão viradas num ângulo confortável para correr. Assim que o sinal tocou, Aiza zuniu entre as carteiras e foi a primeira a saltar para fora da sala, deixando uma trilha de mochilas reviradas e olhares assustados. Kazuko e Kashka trocaram olhares interrogativos, para segundos depois darem de ombros. Marcus permaneceu inerte, sem sequer notar o movimento dos colegas de classe.

Quando o intervalo estava quase acabando, Aiza reapareceu. Estava ofegante, o uniforme todo amarrotado, mas trazia uma expressão de triunfo e dois sanduíches especiais. Kazuko e Kashka a olharam com assombro enquanto ela serpentava aos tropeços na direção de sua carteira. Desmoronando sobre seu assento, Aiza tateou às cegas à procura de sua bombinha de asma. Quando a encontrou no fundo do segundo bolso de sua mochila, levou-a rapidamente à boca e sugou-a com vontade. Enquanto isso, seus colegas de clube continuavam a fita-la, perplexos.

-Você foi enfrentar aquela multidão ensandecida só pra comprar esses sanduíches? – perguntou Kazuko apontando para os pacotes transparentes sobre a mesa da amiga.

-Kazame-san, você poderia ter sido pisoteada! – exclamou Kashka. – E devia ter levado sua bombinha. Imagina se você dá um ataque de asma enquanto ainda está lá no meio...

Aiza sentiu sua respiração se normalizando aos poucos. Quando teve certeza que tinha voltado ao normal, pegou um dos sanduíches, levantou-se e deu a volta para ficar ao lado da carteira de Marcus. Sem esperar qualquer sinal de que o menino a tinha notado, Aiza disse:

-Marcus-kun, quando eu tô triste, comida sempre me alegra. Eu comprei um daqueles sanduíches especiais para você. Come. Vai se sentir melhor.

E dizendo isso colocou o sanduíche sobre os braços cruzados de Marcus. O garoto não reagiu de início. Apenas piscou e olhou para o embrulho. Os segundos se arrastaram de forma tensa, até que ele ergueu um pouco o tronco, o suficiente para que pudesse pegar o sanduíche e estender o braço para depositá-lo na mesa de Aiza. Sem nem erguer os olhos, disse:

-Pode ficar com ele. Não tô com fome.

A garota não se deixou abalar. Voltou a pegar o sanduíche e enfiou nos braços de Marcus novamente.

-Come. Você precisa de energia. Eu comprei um pra mim, não se preocupe.

Daquela vez, o estudante não disse nada. Sob o olhar obstinado de Aiza, ele permaneceu perfeitamente estático, o sanduíche pousado de um jeito estranho sobre seus braços cobertos pelo casaco de inverno. Por causa do problema da coluna, a menina não conseguiu permanecer muito tempo em pé. As pontadas de dor obrigaram-na a sentar-se novamente e, nem um pouco satisfeita, começou a devorar seu sanduíche especial. Era nítida a sua frustração, o que fez com que Kazuko e Kashka permanecessem em completo silêncio.

Quando Aiza dedicava-se a lamber os dedos saboreando o resto do molho que escorrera, percebeu que não estava satisfeita. Foi aí que se lembrou dos cupcakes que haviam lhe dado a ideia da comida (que falhara miseravelmente também). Numa última tentativa, ela enfiou a mão na mochila e tirou o tapoer com os bolinhos. Destampou-o pegando o que estava confeitado com chocolate granulado colorido, e então o colocou no canto da mesa de Marcus.

-Talvez você prefira um doce. É cupcake. De chocolate recheado com creme. Eu fiz em casa.  

Novamente, a reação de Marcus foi permanecer imóvel feito uma estátua. Nem sequer uma sombra de animação ameaçara surgir em seu rosto.  Sentindo os olhos arderem de frustração por ter falhado em suas três tentativas, Aiza limitou-se a morder avidamente seu cupcake enquanto o sinal do fim do intervalo soava.

*

Depois de aulas que se arrastaram por longas e entediantes horas, o sinal do fim do horário de aulas finalmente libertou os alunos da Seirin High para irem para suas atividades extracurriculares ou para suas casas. Naquele dia não haveria treino, então Aiza se despediu de Kashka e Kazuko em sala. Estava com tanta pressa de sair dali que amontoou seus cadernos e livros que estavam sobre a carteira e aninhou-os em seu braço, ignorando completamente sua mochila. Antes de sair, Aiza conseguiu vislumbrar pelo canto do olho o vulto de Marcus se levantando e jogando a mochila sobre os ombros. Virando um pouco a cabeça, ela pôde ver que a tristeza permanecia ali, profunda e intacta.

O ardor de seus olhos se intensificou, nublando sua visão. Sentindo-se ainda pior, Aiza desviou os olhos para o chão e puxou a haste de sua mochila de rodinhas com força, forçando passagem entre os alunos que se amontoavam na porta da sala. Seguiu andando o mais rápido que sua mochila permitia, e depois de alguns minutos já estava fora dos muros da escola. Suspirando exasperada, Aiza começou a rever mentalmente suas débeis tentativas de fazer Marcus sorrir.

“Eu sou uma inútil mesmo.”, ela pensou mordendo o lábio inferior. “O Marcus-kun sempre me ajuda quando preciso, e quando é minha vez de retribuir o favor, o que eu faço? Falho miseravelmente... Três vezes.”

Aiza estava tão absorta em seus pensamentos e em sua frustração que parou completamente de prestar atenção por onde andava, o que a impediu de ver o calçamento desnivelado. A ponta de sua sapatilha acertou em cheio a parte que se projetava do chão, e quando sentiu seu corpo se projetando violentamente para frente, ela instintivamente jogou tudo o que estava em seus braços para cima e projetou-os para frente para amortecer a queda. Ainda assim, foi impossível impedir o impacto em cheio com a calçada. Aiza estatelou-se no chão com a mochila caindo por cima de suas pernas, a saia do uniforme revirada numa altura alarmante e o rosto pressionado contra o concreto áspero. Para coroar, um dos cadernos que ela jogara para cima acabou acertando em cheio o topo de sua cabeça.

Jogada ali, Aiza demorou alguns segundos para tomar coragem para se levantar. Sentindo as lágrimas empoçando-se em seus olhos, a menina apoiou as mãos no chão e ergueu o tronco com cuidado. Sua coluna protestou contra o gesto, o que a fez hesitar por um instante. Devagar, ela retomou o movimento até que conseguiu se apoiar nas mãos e nos joelhos.

“Que droga de dia!”, ela praguejou mentalmente.

Olhou em volta. Suas listas de exercício estavam espalhadas, e cada caderno e livro estava em um canto diferente da calçada. Sentindo cada vez mais claramente os lugares que estavam ralados, Aiza se permitiu soltar um soluço antes de estender a mão para pegar o caderno que acertara sua cabeça. Entretanto, antes que ela o alcançasse, alguém o segurou primeiro. Erguendo os olhos embaçados, Aiza distinguiu o vulto de um garoto. Piscou para espantar as novas lágrimas que se formavam, e quando sua visão clareou, seus olhos se arregalaram.

Marcus estava curvado em sua direção, o caderno preso entre os dedos enquanto seus olhos violeta fixavam o rosto de Aiza com uma preocupação crescente. Ele estendeu a mão na direção da garota, mas seu corpo congelou na metade do caminho.

Desviando os olhos para o chão para depois apertá-los com força, a garota ergueu um punho fechado e pressionou-o contra a testa. As lágrimas escorriam abertamente agora e sua mente zunia.

“Meu Deus, que papelão! Até que ponto do ridículo eu vou descer hoje? Como se já não bastasse o fiasco das minhas tentativas de alegrá-lo de manhã, agora justo ele me viu cair desse jeito patético. Que vergonha...”

Ela soluçou algumas vezes, concentrando-se em sua respiração para caso precisasse pegar a bombinha de asma. Entretanto, um movimento desviou o foco de sua atenção, e ela instintivamente ergueu o rosto. Os olhos caramelos de Aiza quase saltaram para fora das órbitas quando o rosto de Marcus entrou em foco novamente, já que viu nele a última coisa que esperava ver.

Um sorriso.

E não daqueles que ele costumava abrir quando estava com ela.

Aiza jamais tinha visto aquele sorriso no rosto de Marcus, um que ia de orelha a orelha forçando seus olhos violeta a se fecharem. E ele não só sorria.

Ele ria também.

Era uma risada contida, entredentes, mas era uma risada. Marcus nunca tinha rido antes, pelo menos não na frente de Aiza ou de seus colegas de time.

Sem conseguir desviar os olhos arregalados do rosto de Marcus, a menina apenas observou. Ficara a manhã inteira tentando fazê-lo sorrir o mínimo que fosse, e depois de três fracassos ridículos, jamais imaginara que conseguiria arrancar algo como aquilo do garoto.

Marcus agora tinha o rosto levemente abaixado, a boca parcialmente coberta pelas costas da mão esquerda enquanto tentava conter o riso. Diante daquela visão, Aiza sentiu seus olhos arderem de novo, mas de uma forma diferente. Apertando os lábios, ela sentiu a nova onda de choro vindo, mas... Por que aquilo não parecia ruim?

Seus olhos correram pelo rosto sorridente de Marcus e ela soube. De um jeito estranho e nada usual, ela tinha cumprido seu objetivo do dia... Bom, na verdade, havia feito muito mais do que esperava ser capaz de fazer. Duas novas lágrimas escorreram, mas essas, ao invés de escorrerem até seu queixo e pingarem no chão, ficaram presas na curva de seu sorriso. Seus lábios se esticaram mais e mais, e logo ela estava rindo também. Os dois riram juntos durante algum tempo, até que Marcus finalmente conseguiu superar seu ataque de risos e recuperar o fôlego.

-Desculpe. – disse ele ainda dando leve espasmos. – Sério, desculpa. Mas depois de ver isso, não tinha mesmo como continuar triste.

Aiza estava tão feliz que sequer se importou do motivo da risada de Marcus não ser nem um pouco nobre... e às suas custas. Ela balançou a cabeça e disse:

-Não tem problema. Eu queria te ver sorrindo de qualquer jeito.

O rosto ainda risonho de Marcus congelou com o comentário da menina e mudou bruscamente para uma expressão nitidamente envergonhada. Cobrindo o rosto parcialmente com as costas da mão, ele tornou a dizer:

-Desculpa.

Aiza piscou para ele, atônita.

-Qual o problema, Marcus-kun? – ela perguntou inclinando a cabeça para observar melhor o rosto do colega de classe.

-N-Nada! – ele respondeu levantando-se rapidamente.  

Uma vez de pé, Marcus ajudou Aiza a se levantar com todo o cuidado do mundo. Recolheu as folhas espalhadas e colocou-as junto com os cadernos da menina, que guardou-os em sua mochila. Quando ambos já estavam de pé e endireitados na medida do possível, Marcus tornou a fita-la com preocupação e perguntou:

-Posso te acompanhar até em casa?

A garota tornou a arregalar os olhos para ele e a balançar a cabeça.

-Ah! Não precisa. Eu não vou tropeçar mais não. Pode ficar tranquilo.

-Ah, por favor! – ele insistiu nitidamente frustrado. – É o mínimo que posso fazer para agradecer o que você fez por mim hoje.

Aiza abriu um pequeno sorriso encabulado.

-B-Bom... Se estiver tudo bem por você...

-Claro que está! – cortou Marcus prontamente. – Anda, me dá sua mochila.

Sem dar chance para que Aiza protestasse, o garoto arrancou a alça metálica da mão da menina e pôs-se a caminhar. Meio perdida pela atitude de Marcus, a garota resignou-se em segui-lo sem protestar.

Caminharam em silêncio por algum tempo, Aiza torcendo os dedos diante do colo e Marcus olhando para cima com a mão livre enterrada no bolso da calça de uniforme. De vez em quando lançava olhares rápidos para Aiza, que sequer parecia notar seus pequenos gestos. Sentindo o calor tomando conta novamente de seu rosto, Marcus desviou o rosto para o lado oposto ao que Aiza estava e disse:

-Obrigado pela comida na hora do intervalo. Tava uma delícia.

A garota virou bruscamente a cabeça para encará-lo. Foi só com a fala de Marcus que ela percebeu que não tinha pegado de volta nem o sanduíche nem o cupcake. Abrindo um sorriso por se sentir grata pela primeira vez de ser esquecida, Aiza respondeu:

-Ah! Não foi nada.

Marcus virou o rosto lentamente para frente, e depois concluiu o giro para fixar os olhos caramelos de Aiza.

-Sério. Tava muito bom... – ele desviou os olhos rapidamente para o lado e completou. – Principalmente o cupcake.

 


Notas Finais


E ai meus lindos?? O que acharam? Morreram de diabetes com tanta fofura ♥? Eu espero que sim UASHUAHSHAUHSUAHH Muito obrigada à todos os divos que leram, e um beijo especial para os leitores que me acompanham em Seirin no Basket e em muitas outras fanfics♥ Vocês ARRASAM! E podem ter certeza que eu trarei muito mais fofuras para vocês desses casais maravilindos que vocês estão shippando! Beijos da Nana-chan e até a próxima fic ♥


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