História Warzone - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Exibições 2
Palavras 2.536
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Escolar, Ficção, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Não achava que ia postar esse capítulo tão cedo, mas já tinha ele pronto, então...

Boa leitura.

Capítulo 2 - Pontos & Trens


Henry olhou a garota da cabeça à baixo, parando por uns segundos nos seios da mesma. Voltou seu olhar para seus olhos, rindo. 


— Você precisa ser mais dura com eles... não estão fazendo nada de mais... Dê-lhe-os armas. — Disse Shin, com um brilho estranho nos olhos. 


— Estou tentando entregar eles sem nenhum estrago até o final do ano, mas se insiste, não vejo problema. Esse não é meu departamento. - Ela comentou, indo para o chuveiro próximo para se refrescar. A roupa grudou ai da mais no corpo. - A propósito... Olhar isso tudo deu uma nostalgia. Os bons tempos em que você ainda levantava da cadeira para dar uma boa aula - Alexia deu um sorriso provocativo, saindo debaixo do chuveiro. - Está enferrujado ou ainda consegue treinar? 

 

— Você está me testando? —Henry cruzou os braços, a encarando. — Voc-...


— Lex! — Um Mike bastante cansado de correr se aproximou deles. — O diretor mandou nos preparar, o trem vai chegar mais cedo, o trem chega em cinco horas! E disse para você ir resolver algo na sala de interrogatório. 


— ...Receba-os no meu lugar. Eu tenho aula. — Shin virou o corpo para o rapaz, observando-o se curvar para respirar. — Rapaz, tá precisando correr mais, hein. 


 — Vai se fu-... ferrar. —Disse Mike, com a respiração cansada. 


 — Nem ligue, essa é a desculpa que ele tem para fugir de um desafio, não é, Henry? Amarelão. - O sorriso dela ficou ainda maior, quase zombando dele. - Mas claro, vamos indo. - Alexia enlaçou o braço no de Mike e mandando um beijo no ar para Henry. - A propósito, se incomoda de me acompanhar, Mike? Seria bom poder ir apresentando alguns dos professores para os novos alunos depois de resolver a situação na sala de interrogatório. - Ela suspirou, já sabia do que se tratava. 


— Sim, vamos... — Disse Mike, sorrindo um pouco bobo, segurando levemente na mão da garota, a acompanhando. 


 — Sua.... — Shin murmurava. 


 ~x~ 


 Alexia e Mike tinham acabado de chegar na sala de interrogatório. Jace já estava ali a um tempo. 

 

— Pode ir agora. - Alexia comentou com um sorriso meio sem graça. - Pode não gostar do que vem a seguir. 

 

— Isso não me incomoda, Lex. - Mike respondeu, abrindo um sorriso para tentar tranquilizar a garota. - Vai ficar tudo bem cada com você? 


— Vai, acredito que sim. 


A garota massageava as têmporas instintivamente, como se sua cabeça fosse explodir a qualquer minuto e ela tivesse que acalmar isso. 


— Alexia, relaxe. Sabe que não precisa fazer isso agora. - Falou Jace, indo parar atrás dela e dando leves apertos dos ombros de Alexia, massageando-os. - Você está tensa. 

 

— Você fala como se eu tivesse opção. - Ela respirou fundo, fechando os olhos e deixando-se aproveitar daquela massagem dos deuses. - É claro que estou tensa, quase uma bomba ambulante que está prestes a explodir a qualquer minuto. Muitos alunos para dar conta e ainda tenho que torturar pessoas com um enorme sorriso no rosto. - O corpo de Alexia estremeceu. Ela detestava aquele trabalho. - E ainda tenho que interrogar prisioneiros de guer..- 


 Jace segurou a cintura da moça e a virou com um só movimento, a fazendo ficar de frente para ele. As mãos dele pousaram nas bochechas de Alexia, levantando de leve o rosto dela para que ela olhasse para ele. Jace era um dos poucos que sabia o quão isso tudo a deixava exausta. Sabia o quanto ela escondia esse cansaço dos outros, mas que quando chegava no quarto, ela desabava. Simon devia ser o único, além dele, a saber dessa situação. 


— Alexia, preste atenção. Se eles confiam em você para esse tipo de serviço, é por ser a mais capacitada de todos nesse lugar. - Ele notou que ela desviou o olhar, então, a aproximou mais para si, envolvendo a moça nos braços. A mão acariciava os cabelos da morena, tentando a manter num clima mais confortável e amigável. - Você é uma mulher incrível, todos percebem seu esforço. Olha, sabe que não precisa fingir para mim que está bem, eu sei que não está. Você não está sozinha, então, por favor, não me deixe de fora. 


Alexia ficou em silêncio, mas Jace sentiu os braços dela o apertando mais. Ela tinha ele como porto-seguro, assim como Simon. A moça concordou levemente com a cabeça, num movimento quase imperceptível. 


— Obrigada. - Ela falou baixo, se afastando lentamente dele para se concentrar no interrogatório. Preferia mil vezes continuar no abraço de Jace do que entrar naquela sala. 


Alexia deu uma última olhada no espelho, dando um jeito rápido no cabelo e na roupa antes de tocar na maçaneta que levava à sala de interrogatório. Fechou os olhos, contou até 10 antes de virar a maçaneta. A Alexia indiferente, inabalável e profissional entrou em cena. 


Agora, já dentro da sala, ela sabia que estava sob os olhares de um soldado inimigo, além dos de Jace, de Mike e de vários outros profissionais que monitoravam toda a situação através do vidro. 


O soldado inimigo estava esparramado na cadeira, com os pés apoiandos em cima da mesa e os pulsos algemados, enfiados dentro de um sobretudo. A cabeça pendia para trás, enquanto ele assobiava alguma melodia desconhecida. Parecia que estava em casa. Isso irritou Alexia profundamente. 


 1... 2... 3... 4... 5... 6... 7... 8... 9... 10... 


— Então, senhor... Patrick, uh? - Disse Alexia assim que recolheu uma prancheta na mesa, onde tinham detalhes sobre o rapaz, desde a data de nascimento até todo o histórico social e criminal que possa imaginar. O olhar pesava sobre o rapaz. Ele nem parecia querer se dar ao trabalho de olhar para ela. - Tem muitas coisas à esclarecer. Sem resposta. Ela respirou fundo.


"Abordagem errada. Claro que não ia ser tão simples, sua estúpida." Ela pensou, contornando a mesa até parar perto de onde ele estava sentado. Alexia estava pronta para arrancá-lo da cadeira e o atirar no chão. Ela o espancaria para ter respostas e informações. Antes mesmo de puxar a cadeira, o rapaz tirou as mãos do sobretudo e agarrou o pulso dela. 


— Alexia Maegan, 25 anos, presa nesse casulo desde os 8 anos. Órfã. Mãe e pai mortos no campo de batalha. - Sibilava o rapaz, ainda com os olhos fechados. - Sempre servindo à sua nação, sem nem aos menos pestanejar. Mas o que você realmente sabe? Acredita mesmo nesse papo furado de que eles morreram no campo de batalha? 


O clima dentro e fora cabine ficou tenso. Ninguém falava nada. O corpo de Alexia tremia, ela só conseguia encarar o rapaz. Como diabos ele teria acesso a todas essas informações? Aquelas palavras ecoavam na cabeça de Alexia.

 

Isso a distraiu, o suficiente para acabar abaixando a guarda, mesmo que por alguns segundos. Esses segundos foram tudo o que o rapaz precisava. Num movimento rápido, ele saltou da cadeira e passou as próprias algemas ao redor do pescoço da morena, apertando-o. 


— Execução. Assassinato. - Ele sussurrava na orelha de Alexia, apertando ainda mais as algemas no pescoço dela. 


A falta de ar foi o suficiente para fazê-la voltar a se focar na situação atual. Lembrou dos treinamentos com Shin, agora era quase um instindo. Ela segurou as algemas com as mãos, forçando-as para frente apenas para ter um pouco de espaço ( e ar ). Depois, lançou a cabeça com força para trás, batendo o rosto do rapaz. Aquilo o deixou desnorteado, acabando por afrouxar as algemas ao redor do pescoço dela. Ela aproveitou esse descuido para se livrar do estrangulamento. O colovelo da garota bateu com força contra o estômago do soldado inimigo. 


— Filha da p... - 


Ela o viu se curvar, urrando com a dor. Não podia mais se distrair, aquele deslize do início poderia ter tomado outro rumo. Tinha que ser rápida. 


Ao se virar, ficando de frente para o rapaz, ela segurou a cabeça do rapaz e bateu o queixo dele, com toda a força que tinha, contra o joelho. Alexia o levantou novamente, usando um dos braços para o prensar contra a parede. Seu joelho foi certeiro na região no meio das pernas do rapaz. Ela o deixou cair, com as mãos entre as pernas. 


O pescoço da morena ainda doía. Alexia se aproximou do rapaz ajoelhado na sua frente. Quando ela o segurou pelo cabelo, sentiu imediatamente algo afiado e frio perfurando sua coxa direita.  


— Ele está armado! - Ela gritou quando caiu no chão, segurando a perna que começava a sangrar. 


Alexia tentou retirar o estilete da perna, mas só causou mais dor. Toda a equipe que estava do outro lado da cabine, observando tudo pela janela de vidro, eclodiram pela porta, incluindo Jace. 


 — Tire ela daqui! - Gritou Finn, um dos rapazes responsáveis por garantir a segurança durante os interrogatórios. Ele parecia perplexo, como podia ter deixado isso acontecer?! Como não tinha reparado na droga daquele estilete?! 


Jace correu para perto de Alexia, a pegando cuidadosamente no colo, enquanto a equipe tratava de imobilizar o rapaz causador de tantos problemas. A moça grunhia, pressionando os lábios por causa da dor. O sangue da perna dela já começara a manchar a roupa de Jace, por mais que ele não se importasse. Só queria tirar ela dali. 

 

— Jace, por aqui! - Mike exclamou, tirando um cartão-passe do bolso e os guiando até uma sala do lugar. Não era um centro médico, mas tinha instrumentos de primeiros socorros e alguns remédios. A expressão do rapaz emanava preocupação. 


O centro médico estava muito longe, ele teria que se virar. O ruivo levou Alexia até a sala que Mike abriu, a deitando sobre uma grande mesa. Ele vasculhou todos os armários para achar algum kit de primeiros socorros. Não tinha soro ou água oxigenado quando abriu, só álcool para limpar aquela ferida. 


— Alexia, eu preciso limpar a ferida e tirar esse estile. Vai arder, então morda. - Jace retirou seu cinto, dobrando-o e colocando-o da boca da moça, que o mordeu prontamente. 


A mão de Mike segurou a de Alexia, tentando acalma-la. Ele via a dor através dos olhos dela. 


— Você vai ficar bem. Isso vai acabar logo... - Ele comentava, sentindo a morena apertar cada vez mais sua mão. 


O ruivo lavou as mãos antes de se voltar para ela, não queria correr o risco de acabar passando a sujeita das mãos para o machucado e acabar criando algum tipo de infecção nela. Ele despejou uma porção do álcool na ferida, recebendo um grito abafado pelo cinto em resposta. A mão de Alexia apertava a de Mike, as unhas cravando na pele dele. O rapaz não reclamava, só buscava tentar manter a garota calma, fosse acariciando sua mão ou seus cabelos. 


— Vou tirar no três. - Ele só viu Alexia concordar com a cabeça rapidamente. - Um, dois... 


Antes mesmo de chegar no três, o ruivo tirou o estilete da perna da moça num só movimento. A ferida tinha ficado maior por ela ter tentado mexer antes, precisava de pontos. Alexia praticamente cuspiou o cinto de Jace. 


— Você disse no três! - Ela grunhiu, com o corpo quase se contorcendo pela dor. 


— A espera é sempre a pior parte. - Ele derramou mais uma porção de álcool na ferida. Alexia nesse ponto deveria estar querendo matá-lo. - Vai precisar de pontos. 


Ela olhou para baixo e viu Jace passando a linha em uma agulha curva. Alexia não gostava de agulhas, sempre a deixavam agoniada. 


— Ah, puta merda. - Foi a única coisa que disse. 


 ~x~ 


O sino do trem tocava anunciando sua saída. Alguns pais acenavam para as suas crianças no trem, assim como as crianças se mantinham nas janelas para acenar para seus pais. Alguns choravam, outros provavelmente estavam sozinhos ali. Entre as conversas, um pouco de música podia ser ouvida, um violino de um morador de rua que tocava para sobreviver. 


Naquele longo vagão de carpete verde com pequenos quartos separados, não haviam crianças maiores de 12 anos. Entre as crianças que corriam pelos corredores, estava uma menininha de no máximo 10 anos. Seus cabelos loiros sem corte e olhos azuis pareciam perdidos naquele local, dando voltas segurando sua mochila preta nos ombros. Bateu na porta de um dos quartos que estava fechado, e com a voz baixa e bastante tímida, disse: 


— Tem alguém ai? — Esperou alguns segundos, sem resposta, e bateu novamente. — Eu vou entrar... — Disse, já abrindo a porta.


Aquela cabina estava a maior algazarra. Tinha dois gêmeos correndo de um lado pro outro, pulando nas camas e assustando uma outra garotinha que estava com eles. A menina estava agarrada com um livro, tentando se concentrar para ler, o que era praticamente impossível. 


 

Numa dado momento, um dos gêmeos arrancou o livro das mãos dela e saiu correndo pela cabine, jogando o livro pro irmão e o irmão para ele, enquanto a menina se esforçava para tentar pegar o livro de volta. Estava furiosa. Pela aparência, devia ter lá meus 12 anos, se bem que parecia ter mais. 


— Parem de ser babacas e me devolvam a droga do livro! - Gritou Lissa, completamente alterada. Era o livro favorito dela. 


Eles pararam de discutir quando escutaram o barulho do trem se afastando da estação. Isso fez o coração de Emily se apertar por um instante. Acenou para os seus pais que se abraçavam enquanto o trem se afastava, e fechou os olhos por um segundo, sentindo o vento em seu rosto. Se pôs para dentro, fechando a janela, e em seguida a voz de um homem preencheu seus ouvidos. Se endireitou no banco, segurando o pingente de seu colar, prestando atenção no homem de terno. 


 — Então, agora, ás 7 da manhã, vamos distribuir um café da manhã, que será suco, café ao leite, leite, torradas, pão com manteiga de amendoim e geleia de morango, bolo de laranja e frutas. Também será entregue uma muda de roupas, que em grupos vocês poderão se trocar no banheiro lá atrás, terá junto uma manta, um travesseiro, e dois livros, que se for de bom grado, vocês podem ler antes de dormir, ou algo do tipo. 


Enquanto o homem barbudo e loiro falava, braços mecânicos com mãos em voltas de luvas entraram no local, levando cada mão uma bandeja e entregando as crianças. Aquela criação já era velha, chamava-se Cs.I-D 110. Era uma barra de metal com uma quantidade x de braços, que podia trabalhar fazendo qualquer coisa que lhe fosse programado. No começo,deu alguns problemas quando usado em algo com água, mas depois que as pessoas aprenderam a usar, passou a ser normal toda família ter pelo menos um. Aquele era até maior que o normal, provavelmente um modelo mais apropriado para atender uma grande quantidade de pessoas, e rapidamente todas as crianças estavam sentadas com suas bandejas, cada uma com a comida que lhe agradava. 


Tinha, pelo menos, mais cinco horas até chegarem no destino. 


— Como você veio parar aqui? - Perguntou Lissa, sentando ao lado de Emily. Parecia que os gêmeos finalmente tinham devolvido seu livro. 


— Eu...



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