História We All Need Summer... - Imagine Exo (Chanyeol e Sehun) SE2 - Capítulo 30


Escrita por: ~

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Categorias EXO
Personagens Chanyeol, D.O, Personagens Originais, Sehun
Tags Chanyeol, Exo, Sehun, Summer, Verão
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Palavras 6.473
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Festa, Ficção, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Visual Novel
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 30 - Dear Chanyeol


Fanfic / Fanfiction We All Need Summer... - Imagine Exo (Chanyeol e Sehun) SE2 - Capítulo 30 - Dear Chanyeol

Mais tarde, na manhã seguinte, Ahra e Eun-Ah foram à cidade buscar algumas coisas de último minuto. Eu fiquei em casa para limpar os banheiros, já que os pais iam chegar mais tarde, naquele dia. Os garotos ainda estavam sonolentos, o que era uma boa coisa. Eu não sabia se eu falaria ou não falaria para o Sehun. A preocupação estava me corroendo por dentro. Seria egoísta ou seria misericordioso não falar nada?

Eu esbarrei com Chanyeol na hora que estava saindo do banho, eu não podia sequer olhá-lo nos olhos. Eu ouvi seu carro saindo da garagem alguns minutos depois. Eu não sabia pra onde ele tinha ido, mas esperava que ele ficasse longe de mim. Parecia algo muito cru, muito bruto, muito cedo. Eu me peguei desejando que, ou ele ou eu, não precisássemos estar aqui. Eu não podia ir embora – era eu quem estava casando – mas eu esperava que ele fosse. Tornaria as coisas mais fáceis. Era algo egoísta claro, eu sabia. A casa era metade do Chanyeol, no final das contas. 

Depois que eu arrumei as camas, e limpei o quarto de hospedes, fui até a cozinha fazer um sanduiche pra mim. Eu pensava que estava a salvo, eu pensava que ele ainda não havia chegado em casa. Mas ele estava, também estava comendo um sanduíche.

Na hora que ele me viu, colocou seu sanduíche na mesa. Era sanduiche de carne, parecia ser.

— Posso falar com você por um segundo?

— Eu estava de saída pra cidade agora mesmo pra pegar algumas coisas. — eu disse, olhando pra um ponto qualquer da vizinha por cima do ombro dele, pra qualquer lugar, menos pra ele. — Coisas do casamento. — eu comecei a sair andando, mas ele me seguiu até a varanda.

— Escuta, me desculpa por ontem à noite. — eu não disse nada. — Você me faz um favor? Você pode esquecer tudo que eu falei? — ele me deu um sorriso leve, meio irônico. Eu queria tirar esse sorriso do rosto dele com um tapa. — Eu estava meio fora de si ontem à noite, bêbado pra caramba. Estar aqui de novo, trouxe um monte de coisa à tona. Mas é tudo história antiga, eu sei disso. Honestamente eu mal lembro o que eu falei, mas eu sei que seja lá o que foi, foi além dos limites. Eu realmente sinto muito.

Por um momento, eu senti tanta raiva que eu esqueci como se falava. Eu descobri que era difícil respirar. Eu me sentia como um peixinho dourado, abrindo e fechando minha boca, buscando bolhas de ar. Eu não havia sequer dormido a noite passada, no lugar de dormir, eu agonizei a noite inteira pensando em cada palavra que ele havia me dito. Eu me sentia tão idiota agora. E pensar, apenas por um momento, eu tinha imaginado. Eu tinha pensado em como seria, se eu tivesse casando com ele e não com Sehun.

Eu odiava ele por isso.

— Você não estava bêbado.

— Sim, eu estava bastante. — dessa vez, ele me deu um sorriso meio que pedindo desculpas. Eu ignorei.

— Você trouxe tudo aquilo à tona, no final de semana do meu casamento, e agora você quer que eu simplesmente esqueça? Você é doente. Você não entende que você não pode brincar com as pessoas assim? — o sorriso do Chanyeol sumiu.

— Espera um minuto. (S/n).

— Não fala o meu nome. — eu saí de perto dele. — Nem sequer pense nele. Na verdade, nunca mais fala comigo outra vez.

Outra vez, com o sorriso meio irônico, ele disse: 

— Bem, isso vai ser meio difícil, considerando o fato que você vai casar com meu irmão. Fala sério, (S/n).

Eu não pensei que podia ficar com mais raiva, mas agora eu estava. Eu estava tão furiosa, praticamente batendo nele quando disse:

— Eu quero que você vá embora. Dê alguma das suas desculpas de merda e apenas vá embora. Volte pra Boston ou pra Califórnia. Eu não me importo pra onde. Eu só quero que você vá embora.

Os olhos dele piscaram.

— Eu não vou embora.

— Vá! — eu disse, empurrando-o, com força. — Apenas vá. — foi aí que eu vi a primeira rachadura na armadura dele.

Com a voz quebrando, ele disse:

— O que você espera que eu diga pra você, (S/n)?

— Para de dizer meu nome! — eu gritei.

— O que você quer de mim?! — ele gritou de volta. — Eu me entreguei pra você ontem à noite! Eu coloquei tudo pra fora, e você me descartou. Com direito. Eu entendo que eu não devia ter dito nada daquilo pra você. Mas agora eu estou aqui, tentando encontrar uma maneira de sair disso com pelo menos um pouco de orgulho para que eu possa olhar nos seus olhos quando tudo isso acabar, e você sequer pode me deixar ter isso. Você quebrou meu coração na noite passada, okay? Era isso que você queria ouvir?

Outra vez, eu estava sem palavras. E então eu disse:

— Você realmente não tem coração.

— Não, eu acho que você que deve ser a sem coração aqui. — ele estava indo embora, quando eu gritei:

— O que você quer dizer com isso? — eu fui andando atrás dele e virei seu braço para que pudéssemos ficar frente a frente. — Me diz o que você quer dizer com isso.

— Você sabe o que significa. — ele se soltou, pra longe de mim. — Eu ainda amo você. Eu nunca parei. Eu acho que você sabe. Eu acho que você sempre soube.

Pressionando meus lábios juntos, eu balancei minha cabeça.

— Não, não é verdade.

— Não minta.

Eu balancei minha cabeça de novo.

— Faça do seu jeito, então. Eu não vou mais fingir pra você. — com isso, ele desceu os degraus até o carro dele.

Eu afundei no deque. Meu coração estava batendo milhões de vezes por minuto. Eu nunca me senti mais viva. Raiva, tristeza, alegria. Ele me fazia sentir tudo. Ninguém tinha esse efeito em mim. Ninguém.

De repente, eu tive essa sensação, essa certeza absoluta, que eu nunca ia ser capaz de deixá-lo ir. Era tão simples e tão difícil quanto isso. Eu tinha agarrado a ele como uma traça todos esses anos, e agora eu não podia cortá-lo. Era culpa minha, na verdade. Eu não poderia deixar Chanyeol, e eu não conseguia afastar Sehun.

Aonde isso me leva? Eu ia casar amanhã. Eu não devia estar pensando desta forma. Era vergonhoso.

Se eu fizesse isso, se eu escolhesse Chanyeol, eu nunca poderia voltar. Eu nunca mais iria colocar a mão em concha na nuca de Hun de novo, sentir sua suavidade felpuda. Sehun nunca olharia para mim do jeito que ele fez agora. Ele olhou para mim como se eu fosse sua namorada. O que eu era, e me senti como se tivesse sido sempre assim. Isso tudo seria perdido. Acabado. Algumas coisas que você não pode pegar de volta. Como eu ia dizer adeus a todas essas coisas? Eu não podia. E o que dizer a nossas famílias? O que iria fazer com a minha mãe, o seu pai? Isso nos destruiria. Eu não poderia fazer isso. Especialmente, com tudo tão frágil agora que Sojin tinha ido embora. Nós ainda estávamos tentando descobrir como estar todos juntos, sem ela, como ainda ser que a família de verão.

Eu não poderia jogar tudo para cima, apenas por isso. Apenas por Chanyeol. Chanyeol, que disse que me amava. No passado, ele disse as palavras. Quando Park Chanyeol disse a uma garota que ele amava, ele quis dizer isso. A menina podia acreditar nisso. A menina poderia talvez até mesmo apostar toda a sua vida nisso. Isso era o que eu estaria fazendo. Eu estaria apostando toda a minha vida com ele. E eu não poderia fazê-lo. Eu não faria isso.

***

Chanyeol

Eu estava no meu carro, indo embora, a minha adrenalina forte. Eu finalmente disse. As palavras reais, em voz alta, na sua cara. Foi um alívio, não carregá-las mais, e foi uma corrida, na verdade dizer a ela. Eu estava em uma espécie de torpor eufórico, em alta. Ela me amava. Eu não necessitava ouvi-la dizer isso em voz alta, eu sabia naturalmente pela forma como ela olhou para mim naquele momento. Mas e agora? Se ela me amava e eu a amava, o que faríamos agora, quando havia tantas pessoas entre nós? Como eu poderia chegar até ela? Será que eu tenho em mim o suficiente para pegar a mão dela e fugir? Eu acreditava que ela viria comigo. Se eu perguntasse a ela, eu acreditava que ela realmente poderia vir. Mas onde poderíamos mesmo ir? Será que eles nos perdoariam? Sehun, Haneul, o meu pai. E se eu realmente a levasse para longe, onde eu estaria levando-a?

Além disso, as perguntas e as dúvidas, na boca do estômago, havia todo esse arrependimento. Se eu tivesse lhe dito há um ano, um mês, ou mesmo há uma semana, as coisas seriam diferentes agora? Era a véspera de seu casamento. Em vinte e quatro horas, ela iria se casar com o meu irmão. 

Por que eu esperei tanto tempo?

Eu dirigi por um tempo, para a cidade e, em seguida, ao longo da água, então eu voltei para a casa. Nenhum dos carros estava estacionado na garagem, então eu pensei que estava em casa livre por um tempo, mas então vi Ahra sentada na varanda da frente.

— Onde estão todos? — eu perguntei a ela.

— Bem, olá para você também. — ela empurrou os óculos de sol para o topo de sua cabeça. — Eles foram velejar.

— Por que você não quis ir com eles?

— Eu fico enjoada. — Ahra me olhou. — Eu preciso falar com você.

Cautelosamente, eu olhei para trás.

— Sobre o quê? — ela apontou para a cadeira ao lado dela.

— Vem sentar-se em primeiro lugar.

Eu sentei.

— O que você disse a (S/n) ontem à noite?

Evitando os seus olhos, eu disse:

— O que ela te disse?

— Nada. Mas posso dizer que algo está errado. Eu sei que ela estava chorando ontem à noite. Seus olhos estavam completamente inchados, esta manhã. Eu estaria disposta a apostar dinheiro que ela estava chorando por causa de você. Novamente. Que legal, Chanyeol.

Eu podia sentir meu peito apertar.

— Não é da sua conta. — Ahra olhou para mim.

— (S/n) é a minha mais antiga amiga do mundo. É claro que é o meu negócio. Estou avisando, Chanyeol. Deixe-a sozinha. Você está a confundindo. Mais uma vez.

Comecei a levantar-me.

— Nós já acabamos?

— Não. Sente sua bunda de volta.

Sentei-me novamente.

— Você tem alguma ideia de quão mal você a machucará, uma e outra vez? Você a trata como um brinquedo que você acabou de pegar e jogar sempre que você sente vontade. Você é como um menino. Alguém tomou o que era seu, e você não gosta nem um pouco, então você apanha para si e meleca em cima de tudo, só porque você pode.

Eu exalado.

— Isso não é o que estou tentando fazer. — ela mordeu o lábio.

— (S/n) me disse que uma parte dela sempre vai te amar. Você ainda está tentando me dizer que você não se importa? — ela disse isso?

— Eu nunca disse que eu não me importo.

— Você é provavelmente a única pessoa que poderia impedi-la de acabar com este casamento. Mas é melhor você ter a maldita certeza que você ainda quer, porque se você não quer, você está apenas ferrando suas vidas sem nenhum motivo. — ela colocou os óculos escuros novamente. — Não ferre a vida da minha melhor amiga, Chanyeol. Não seja um bastardo egoísta, como de costume. Seja o mocinho, que ela diz que você é. Deixe-a ir.

Seja o mocinho, que ela diz que você é.

Eu pensei que eu poderia fazê-lo, lutar por ela até o fim, e não pensar em mais ninguém. Basta pegar sua mão e correr. Mas se eu fizesse isso, não estaria provando errado a (S/n)? Eu não era um bom rapaz. Eu seria um bastardo egoísta, assim como Ahra disse. Mas eu gostaria de ter (S/n) ao meu lado.

***

Naquela noite, todos nós jantamos em um restaurante bastante novo na cidade de meus pais, o Sr. Oh, todos nós, as crianças. Eu não estava com fome, mas eu pedi um rolo de lagosta e eu, e todas as frituras, porque meu pai estava pagando. Ele insistiu. 

Meu pai, que usava a mesma camisa branca com listras cinza para cada ocasião "chique". Ele estava usando naquela noite, sentado ao lado de minha mãe, ela numa vestido azul marinho, e meu coração se encheu de amor cada vez que eu olhava para os dois.

E havia Ahra, fingindo estar interessada no que meu pai falava sobre o sistema nervoso de uma lagosta. Sentado ao lado de Eun-Ah, que realmente parecia olhar interessada. Ao lado de Eun-Ah estava o meu irmão, que estava revirando os olhos.

Chanyeol sentou-se na extremidade da mesa, com os amigos de Hun. Eu fiz um esforço consciente para não olhar em sua direção, apenas para manter o foco no meu prato, em Sehun ao meu lado. Eu não precisava me preocupar, pois Chanyeol não estava olhando para mim. Ele estava conversando com os caras, com Kyungsoo e minha mãe. Com todos, menos eu. Isto é o que você queria, eu me lembrei. Você disse a ele para deixá-la sozinha. Você pediu por isso. Você não pode ter as duas coisas.

— Você está bem? — Sehun sussurrou.

Ergui a cabeça e sorri para ele.

— Sim! Claro. Estou cheia. — Sehun tomou uma das minhas batatas fritas e disse:

— Poupe espaço para a sobremesa.

Eu balancei a cabeça. Então, ele se inclinou e me beijou, e eu o beijei de volta. Depois, eu vi seus olhos piscando para o final da mesa, tão rápido que eu poderia ter imaginado.

***

Chanyeol

Eu senti como se estivesse saindo da minha mente naquela noite. Sentado ali na mesa com todos, comemorando quando meu pai fez um brinde, tentando não prestar atenção em Sehun quando a beijou na frente de todos nós. Após o jantar ter acabado, Sehun e (S/n) e todos os seus amigos foram para o calçadão para tomar sorvete. Meu pai e o pai de (S/n) foram para seu hotel. Era apenas Haneul e eu, de volta para a casa. Eu estava no meu caminho para o meu quarto, mas Haneul me parou e disse:

— Ei, vamos tomar uma cerveja, Channie. Eu acho que nós merecemos, não é?

Nós nos sentamos na mesa da cozinha com as nossas cervejas. Ela tocou minha garrafa e disse:

— Ao... que devemos brindar?

— O que mais? Para o casal feliz. 

Sem olhar para mim, Haneul disse: 

— Como você está?

— Bem. — eu disse. — Ótimo.

— Vamos lá. É Haneul quem está falando. Diga-me. Como você está se sentindo?

— Honestamente? — eu bebi minha cerveja. — Isso está me matando.

Haneul olhou para mim, seu rosto suave.

— Sinto muito. Eu sei que você a ama muito, garoto. Isso deve ser muito difícil para você. — eu podia sentir minha garganta começar a fechar-se. Eu tentei limpá-la, sem sucesso. Eu podia sentir isso chegando em meu peito, por trás dos meus olhos. Eu ia chorar na sua frente.

Foi o jeito que ela disse isso, foi como se a minha mãe estivesse ali, sabendo, sem ter que dizer a ela. Haneul pegou minha mão e apertou-a entre as suas. Tentei puxá-la, mas ela segurou mais apertado.

— Nós vamos passar por isso amanhã, eu prometo. Vai ser eu e você, criança. — apertando a minha mão, disse: — Deus, eu sinto falta da sua mãe.

— Eu também.

— Nós realmente precisamos dela agora, não é?

Baixei a cabeça e comecei a chorar.

***

Eu queria dormir no quarto de Sehun naquela noite, mas quando eu comecei a segui-lo no andar de cima, Ahra sacudiu o dedo para mim. “Uh-uh. Traz má sorte”.

Então, eu tinha ido para o meu quarto, e ele tinha ido para o seu. Era muito quente. Eu não conseguia dormir. Eu poderia chutar as cobertas e virar meu travesseiro para refrescar, mas não ajudaria. Fiquei olhando para o despertador. Uma hora, duas horas.

Quando eu não aguentava mais, eu joguei fora meus lençóis e coloquei meu maiô. Eu não acendi as luzes, eu só encontrei meu caminho para baixo na escuridão. O luar era suficiente para me guiar. Todo mundo estava dormindo.

Eu fiz o meu caminho para fora, até a piscina. Eu mergulhei, prendi a respiração por tanto tempo quanto eu poderia. Eu já podia sentir meus ossos começando a relaxar. Quando eu voltei para buscar o ar, eu flutuei de costas e olhei para o céu. As estrelas estavam brilhando. Eu amei como era silencioso, como era quieto. A única coisa que eu podia ouvir era o mar batendo contra a areia.

Amanhã eu me tornaria Oh (S/n). Foi o que eu sempre quis, o sonho da minha infância. E eu o tinha destruído. Ou em vez disso, estava prestes a destruí-lo. Eu tive que dizer a verdade. Eu não podia casar-me com Sehun amanhã assim, não com um segredo tão grande entre nós. Saí da piscina, coloquei a toalha em torno de mim, e fui para dentro da casa, até o quarto de Sehun. Ele estava dormindo, mas eu balancei-o acordando.

— Eu preciso falar com você. — eu disse.

A água do meu cabelo pingou sobre seu travesseiro, em seu rosto. Grogue, disse ele: 

— Não traz má sorte?

— Eu não me importo.

Sehun sentou-se, enxugando suas bochechas.

— O que está acontecendo?

— Vamos conversar lá fora. — disse.

Fomos até a varanda e sentei-me em uma espreguiçadeira. Sem preâmbulos, eu disse, calmamente:

— Ontem à noite, Chanyeol me disse que ainda tem sentimentos por mim. 

Eu podia sentir o corpo de Sehun ficar rígido ao meu lado. Eu esperei que ele falasse, e quando ele não fez, eu continuei.

— É claro que eu lhe disse que não me sentia da mesma maneira. Eu queria dizer a você mais cedo, mas então eu pensei que seria um erro, que eu devia guardar para mim mesma.

— Eu vou matá-lo. — disse ele, e ouvi aquelas palavras que saiam de sua boca me chocando. Ele se levantou.

Tentei puxá-lo de volta ao meu lado, mas ele resistiu. Eu implorei: 

— Hun, não. Não. Por favor, apenas sente aqui e converse comigo.

— Por que você está o protegendo?

— Eu, eu não. Eu não estou.

Ele olhou para mim.

— Você está se casando para esquecê-lo?

— Não. — eu disse, e saiu mais como um suspiro. — Não.

— A coisa é, (S/n), eu não acredito em você. — disse Sehun, e sua voz era estranhamente plana. — Eu vejo a maneira como você olha para ele. Eu não acho que você já olhou para mim assim. Nem sequer uma vez.

Levantei-me e agarrei suas mãos desesperadamente, mas ele se afastou. Eu estava respirando com dificuldade, quando disse:

— Isso não é verdade, Hun. Não é verdade. O que eu sinto por ele são lembranças. É isso aí. Não tem nada a ver conosco. Tudo o que está no passado. Não podemos esquecer o passado e fazer o nosso próprio futuro? Apenas nós dois?

Calmamente, disse:

— É o passado? Eu sei que você o viu durante o Natal. Eu sei que vocês estavam juntos aqui. — eu abri minha boca, mas as palavras não saíam. — Diga alguma coisa. Vá em frente, tente negar.

— Não aconteceu nada entre nós, Sehun. Eu juro a você. Eu nem sabia que ele ia estar aqui. A única razão pela qual eu não lhe disse foi... — o que foi? Por que eu não disse a ele? Por que eu não poderia pensar em uma razão? — Eu não quero que você fique chateado com nada.

— Se fosse nada, você teria me contado sobre isso. Em vez disso, manteve um segredo. Depois de todas as coisas que você me disse sobre a confiança, que você manteve para si mesma. Senti-me como um merda pelo que eu fiz com o Jiyoon, e você e eu não estávamos mesmo juntos quando isso aconteceu.

Eu me senti mal por dentro.

— Há quanto tempo você sabe?

— Será que isso importa? — ele retrucou.

— Sim, para mim isso importa.

Sehun começou a se afastar de mim.

— Eu sei desde que isso aconteceu. Chanyeol mencionou que ele a viu, ele pensou que eu já sabia. Então é claro que eu tive que fingir que sabia. Você sabe como eu me senti estúpido?

— Eu posso imaginar. — eu sussurrei. — Por que você não disse alguma coisa? — eu perguntei a ele. Estávamos apenas cinco ou seis metros de distância um do outro, mas parecia milhas. Eram seus olhos. Eles eram tão distantes.

— Eu estava esperando por você para me dizer. E você nunca o fez.

— Sinto muito. Sinto muito. Eu deveria ter lhe contado. Eu estava errada. Foi estúpido. — meu coração estava batendo muito rápido. — Eu te amo. Vamos nos casar amanhã. Eu e você, certo? — quando ele não me respondeu, perguntei de novo. — Não vamos?

— Eu tenho que sair daqui. — disse ele, por fim. — Eu preciso pensar.

— Posso ir com você?

Desta vez a resposta veio rapidamente, e foi devastador.

— Não. — disse ele.

Ele saiu, e eu não tentei segui-lo. Eu só afundei os passos. Eu não conseguia sentir minhas pernas. Eu não conseguia sentir meu corpo. Estava acontecendo? Isto era real? Não parecia real.

***

Em algum lugar lá fora, um pintassilgo estava cantando. Meu pai tentou me ensinar tipos diferentes de canto de pássaros, mas eu não podia lembrar ao certa. O céu estava cinza. Não estava chovendo ainda, mas qualquer minuto agora, iria cair a chuva. Era como qualquer outra manha em Cousins Beach. Exceto que não era porque eu iria me casar. Eu estava plenamente certa que eu ia me casar. O único problema era, eu não tinha ideia de onde o Sehun tinha ido ou se ele algum dia iria voltar.

Eu estava sentada de frente pro espelho com moldura cor-de-rosa no meu guarda-roupa, tentando cachear meu cabelo. Ahra estava no salão de beleza, e ela tentou me convencer de fazer o meu cabelo lá também, mas eu disse que não. A única vez que eu fiz meu cabelo, eu odiei a maneira como ele ficou, como se eu fosse um candidata à miss, duro e alto. Eu pensei que de todos os dias, hoje eu deveria parecer comigo. 

Houve uma batida na porta. 

— Entre. — eu disse, tentando fixar um cacho que já estava ficando liso.

A porta abriu. Era minha mãe. Ela já estava vestida. Ela estava usando um blazer com uma calça lisa e estava carregando um envelope amarelo limão. Eu reconheci de primeira. Eram as coisas de papelaria de Sojin. Era tão ela. Eu esperava que eu fosse digna dele. Me magoava pensa que eu decepcionei ela desse jeito. O que ela diria se ela soubesse? Minha mãe fechou a porta atrás dela.

— Você precisa de ajuda? — ela perguntou.

Eu entreguei o baby-liss pra ela. Ela colocou a carta na minha penteadeira. Ela ficou atrás de mim, partindo meu cabelo em três.

— A Ahra fez sua maquiagem? Está ótima.

— Sim, ela fez. Obrigada. Você também está muito bonita.

— Eu não estou pronta pra isso. — ela disse.

Eu olhei pra ele pelo espelho, enrolando meu cabelo no baby-liss, com a cabeça abaixada. Minha mãe era linda pra mim naquele momento. Ela colocou suas mãos no meu ombro e olhou pra mim pelo espelho.

— Isso não é o que eu queria pra você, mas eu estou aqui. Esse é o dia do seu casamento. Minha única filha.

Eu levei minha mão até meu ombro e peguei a mão dela. Ela apetou minha mão tão forte, tão forte que doía. Eu queria confiar nela, confessar que tudo era uma confusão, que eu não sabia sequer onde o Sehun estava ou se nós iríamos mesmo nos casar. Mas foi tão difícil trazer ela aqui, e se eu levantasse qualquer duvida agora, isso seria mais do que suficiente pra ela colocar um fim nisso. Ela iria me colocar sobre os seus ombros e me levaria pra longe desse casamento todo.

Então tudo que saiu foi:

— Obrigado, mamãe.

— De nada, disponha. — ela disse. Ela olhou pra fora da minha janela. — Você acha que o tempo vai
aguentar? Que a chuva não vai cair?

— Eu não sei. Eu espero.

— Bem, se a chuva ficar séria, nós colocaremos o casamento pra dentro da casa. Sem grande problemas. — ela me entregou a carta. — Sojin queria que você tivesse isso no dia do seu casamento.

Minha mãe me beijou no topo da minha cabeça e saiu do quarto. Eu peguei a carta, passei meus dedos no meu nome escrito na letra cursiva e suave de Sojin e então coloquei de volta na penteadeira. Ainda não.

Houve uma batida na porta.

— Quem é? — eu perguntei.

— Kyungsoo.

— Entra.

A porta abriu e Kyungsoo entrou, fechando a porta a passar. Ele estava usando uma camisa branca formal e um short caqui, todos os padrinhos estavam.

— Hey. — ele disse sentando na minha cama. — Seu cabelo tá legal.

— Ele voltou? — Kyungsoo hesitou. — Apenas me diga, Kyungsoo.

— Não, ele não voltou. Chanyeol saiu pra tentar encontrar ele. Ele acha que sabe onde Hun foi.

Eu soltei minha respiração. Eu estava aliviada, mas ao mesmo tempo nervosa. O que Sehun faria quando ele olhasse o Chanyeol? E se isso só fizesse as coisas ainda piores? 

— Ele vai ligar assim que ele achar ele.

Eu assenti, e então peguei o baby-liss novamente. Meus dedos tremiam, e eu tinha que manter minha mão parada para que não queimasse minha bochecha.

— Você falou algo pra mamãe? — Kyungsoo perguntou.

 Não, eu não falei pra ninguém. Até agora não há nada pra contar. — eu enrolei outro pedaço de cabelo no baby-liss. — Ele vai estar aqui. Eu sei que ele vai. — e eu quase acreditava.

— Sim. — Kyungsoo disse. — Sim, eu tenho certeza que você tá certa. Você quer que eu fique com você?

Eu neguei com a cabeça.

— Eu preciso ficar pronta.

— Tem certeza?

— Sim. Apenas me deixe saber assim que você souber de algo. — Kyungsoo levantou.

— Eu vou. — então ele veio até mim e apertou meu ombro desajeitadamente. — Tudo vai dar certo, (S/n).

— Sim, eu sei que vai. Não se preocupe comigo. Apenas ache o Hun.

Na hora que ele saiu, eu coloquei o baby-liss no balcão. Minhas mãos estavam tremendo. Eu provavelmente iria me queimar se eu não parasse um pouco. Meu cabelo já estava cacheado demais, de qualquer maneira.

Ele ia voltar. Ele ia voltar. Eu sabia que ele ia. E então, porque não havia nada pra fazer eu coloquei meu vestido de casamento. Eu estava sentada na janela, olhando meu pai colocar as luzes da natal na varanda, quando Ahra entrou no quarto. Ela estava usando um penteado, que parecia bem apertado. Ela estava carregando uma sacola de papel marrom e um café gelado.

— Okay, então, eu trouxe o almoço, Eun-Ah tá ajudando a sua mãe a arrumar as mesas, e esse clima não tá ajudando em nada no meu cabelo. — então ela disse. — Por que você já está com seu vestido? Ainda falto muito pra hora do casamento. Tira rápido. Vai ficar todo amassado. — quando eu não respondi ela, ela perguntou: — O que aconteceu?

— Sehun não está aqui. — eu disse

— Bem, claro que ele não está aqui, bobinha. Dá azar ver a noiva antes da cerimônia.

— Ele não está na casa. Ele foi embora ontem, e ele não voltou. — minha voz surpreendentemente calma. — Eu contei tudo pra ele. — os olhos dela se arregalaram.

— O que você quer dizer com contou tudo?

— No outro dia, Chanyeol me disse que ele ainda sentia algo por mim. E noite passada, eu contei ao Sehun. — eu soltei a respiração mas parecia mais um suspiro. Esses últimos dias pareciam semanas. Eu não sabia quando ou como tudo tinha acontecido. Como as coisas ficaram tão confusas. Estava confuso na minha mente, no meu coração. 

— Ai meu deus. — Ahra disse, cobrindo a boca com as mãos. Ela afundou na cama. — O que nós vamos fazer?

— Chanyeol foi atrás dele. — eu estava olhando pra fora da janela de novo.

Meu pai tinha finalizado com a varanda e agora ele foi para os arbustos. Eu me afastei da janela e comecei a tirar meu vestido.

Assustada, ela disse: 

— O que você está fazendo?

— Você disse que ia ficar amassado, lembra? — eu saí de dentro do vestido, e caiu no chão, como um puff branco. E então eu peguei o vestido do chão e coloquei em um cabide. 

Ahra colocou meu roupão sobre meus ombros, então ela me virou e amarrou o cinto pra mim, como se eu fosse uma criança

— Vai ficar tudo bem, (S/n). 

Alguém bateu na porta, e os olhos de nós duas voaram pra porta.

— É Kyungsoo. — meu irmão disse, abrindo a porta. Ele entrou e fechou a porta atrás dele. — Chanyeol trouxe ele de volta.

Eu afundei no chão e soltei uma rajada de ar.

— Ele voltou. — eu repeti.

Kyungsoo disse:

— Ele está tomando banho, e então ele vai estar vestido e pronto. Pronto pra ir casar, eu digo. Não ir embora de novo.

Ahra se ajoelhou do meu lado. De joelhos, ela pegou minhas mãos e entrelaçou meus dedos com os dela.

— Sua mão tá fria. — ela disse, esquentando com a outra mão. Então ela disse: — Você ainda quer fazer isso? Você não precisa fazer se você não quiser. — eu fechei meus olhos. Eu estive tão assustada de que ele não fosse voltar. Agora que ele está aqui, todo o medo e pânico estão subindo para a superfície.

Kyungsoo sentou do meu lado e de Ahra no chão. Ele colocou seus braços ao meu redor, e ele disse:

— (S/n). Aceite isso da maneira que você quer aceitar. Eu tenho seis palavras pra você. Você tá pronta? — eu abri meus olhos e assenti. Bem solenemente Kyungsoo disse: — Jogue Grande ou Vá Pra Casa.

— O que diabos isso significa, Kyungsoo — Ahra falou.

Uma risada escapou do fundo do meu peito.

— Jogar grande ou ir pra casa? Joga grande ou ir pra casa! — eu estava rindo tanto, que as lágrimas desciam nas minhas bochechas. Ahra pulou.

— Sua maquiagem! — ela pegou a caixa de lenços na penteadeira e limpou meu rosto delicadamente. Eu ainda estava rindo. — Pode parar com isso, Do — Ahra disse, fazendo uma cara feia para o meu irmão. A flor no cabelo dela estava torta. Ela tinha razão: a humidade não estava ajudando em nada.

Kyungsoo disse:

— Ooh, ela tá bem. Ela só está morrendo de rir, certo, (S/n)?

— Jogue grande ou vá pra casa. — eu repeti, rindo.

— Eu acho que ela tá histérica ou algo do tipo. Eu devia bater nela? — Ahra perguntou pro meu irmão.

— Não, eu faço isso. — ele disse, avançando pra mim. Eu parei de rir. Eu não estava histérica. Ou talvez eu estivesse, um pouquinho.

— Eu estou bem, gente! Ninguém vai me bater. Jesus. — eu levantei. — Que horas são?

Kyungsoo puxou o telefone dele pra fora do bolso.

— São duas horas. Nós ainda temos algumas horas antes das pessoas chegarem.

Respirando fundo, eu disse: 

— Okay. Kyungsoo, você pode ir falar pra mamãe que eu acho que nós devíamos mover o casamento pra dentro? Se nós colocarmos os sofás nos cantos, nós provavelmente conseguiremos colocar algumas mesas na sala de estar.

— Eu vou colocar os caras nessa função. — ele disse.

— Obrigada, Soo. E Ahra, você poderia...

Esperançosa, ela perguntou:

— Ficar e ajeitar sua maquiagem?

— Não. Eu ia perguntar se você pode sair. Eu preciso pensar. — trocando olhares, os dois saíram do meu quarto e eu fechei a porta atrás dele. 

Na hora que eu olhasse ele, tudo faria sentido de novo. Tinha que fazer.

***

Chanyeol

Eu acordei na manhã seguinte com Kyungsoo sacudindo minha cama.

— Você viu o Hun? — ele demandou.

— Eu estava dormindo. — murmurei, meus olhos ainda fechados. — Como eu poderia ter visto ele?

Kyungsoo parou de balançar a cama e sentou na ponta.

— Ele se foi, cara. Eu não consigo encontrar ele em lugar nenhum e ele deixou o celular. O que diabos aconteceu na noite passada?

Eu sentei. (S/n) teve ter contado pra ele. Droga.

— Eu não sei. — eu disse, coçando os olhos.

— O que nós vamos fazer?

Isso era tudo minha culpa. Eu saio da cama e digo:

— Vai lá e se veste. Eu vou atrás dele. Não fale nada pra (S/n).

Parecendo aliviado, ele disse: 

— Parece bom. Mas a (S/n) não devia saber? Nós não temos muito tempo até o casamento. Eu não quero que ela se arrume e tudo mais se ele não vem.

— Se eu não voltar em uma hora, você pode contar pra ela então. — eu tirei minha camiseta, e coloquei a camisa branca que Hun tinha feito todos nós comprarmos. 

— Aonde você vai? — Kyungsoo me perguntou. — Talvez eu devesse ir com você.

— Não, você fica aqui e cuida dela. Eu vou atrás dele.

— Então você sabe onde ele tá?

— Sim, eu acho que sei. — eu disse. Eu não fazia ideia de onde aquele bastardo tava. Eu só sabia que eu precisava consertar isso.

Na minha saída, Haneul me parou e disse:

— Você viu o Hun? Eu preciso dar algo pra ele.

— Ele saiu pra pegar algo pro casamento. — eu disse. — Eu estou indo encontrar ele agora. Eu dou pra ele.

Ela me entregou um envelope. Eu reconheci o papel na hora. Era da minha mãe. O nome do Sehun estava escrito com a letra dela. Sorrindo, Haneul disse: 

— Você sabe, eu acho que será ainda mais amável desse jeito, vindo de você. Park iria gostar disso, você não acha?

De maneira alguma que eu iria voltar sem o Hun. Na hora que eu saí da casa, eu peguei meu carro e saí de lá. Eu fui na orla primeiro, depois no parque do skate que nós costumávamos ir quando éramos crianças, depois na academia, então numa lanchonetes na saída da cidade. Ele gostava de milk-shakes de morango. Mas ele não estava lá. Eu dirigi pelo estacionamento do shopping. Nenhum carro, Nenhum Sehun. Eu não consegui encontra-lo em lugar nenhum, e minha hora já estava chegando.

Eu ferrei tudo. Kyungsoo ia contar pra (S/n), e então isso ia ser uma grande, épica vez em que eu ferrei a vida dela. E se Sehun tivesse ido embora de Cousins de vez? Ele iria pra Boston, até onde eu saiba. Teria sido maravilhoso se eu tivesse alguma dica, algum sinal de onde ele poderia estar, levando em consideração que nós somos irmãos. Mas tudo que eu podia fazer era uma lista de todos os lugares que nós fomos. Onde o Sehun ia quando ele estava triste? Ele iria pra minha mãe. Mas o túmulo dela não estava aqui, estava em Boston.

Em Cousins, ela estava em todos os lugares. Então veio pra mim. O jardim. Talvez Sehun tenha ido pros Jardins. Era uma tentativa válida. Eu liguei Kyungsoo pra no caminho pra lá.

— Eu acho que sei onde ele está. Não fale nada pra (S/n) ainda.

— Tudo bem. Mas se eu não ouvi noticias em meia hora, eu vou contar pra ela. De qualquer maneira, eu vou dar uma surra nele por isso. — quando nós desligamos eu parei no estacionamento do abrigo para mulheres. Eu vi o carro dele na mesma hora. Eu senti uma mistura de alivio e pavor.

Sehun estava sentando em um banco no jardim, com a cabeça nas mãos. Ele ainda estava usando as roupas da noite antes. Sua cabeça levantou quando ele me ouvi chegando.

— Eu estou te avisando, cara. Não chega mais perto. — eu continuei andando. Quando eu estava de frente pra ele, eu disse:

— Volte pra casa comigo.

Ele olhou pra mim.

— Vai se ferrar.

— Você vai se casar em algumas horas. Nós não temos tempo pra isso agora. Apenas me bata. Vai fazer você se sentir melhor. — eu tentei pegar o braço dele, mas ele me descartou.

— Não, vai fazer você se sentir melhor. Você não merece se sentir melhor. Mas depois da droga que você falou, eu deveria te bater até sangrar.

— Então o faça. — eu disse. — E então deixe pra lá. (S/n) está esperando por você. Não faça ela esperar no dia do casamento dela.

— Cala boca! — ele gritou, respirando pesado. — Você não pode vir falar dela pra mim.

— Vamos lá, cara. Por favor. Eu tô implorando.

— Por quê? Porque você ainda ama ela, certo? — ele não esperou eu responder. — O que eu quero saber é, se você ainda sente algo por ela, por que você disse pra mim que eu podia ficar com ela, hein? Eu fiz a coisa certa. Eu não fui pelas suas costas. Eu te perguntei, diretamente. Você me disse que você tinha superado ela.

— Você não estava realmente pedindo minha autorização quando eu peguei você beijando ela no seu carro. Sim, eu ainda te disse pra ir atrás dela, porque eu confiava em você pra cuidar dela e tratar ela bem. Então você vai e trai ela em Cabo durante as férias de primavera. Então talvez eu que devia estar perguntando se você ama ela ou não.

Na hora que a última palavra saiu, o punho de Sehun estava pegando no meu rosto, com força. Era como se eu estivesse sendo atingindo por uma onda de 10 metros – tudo que eu podia ouvir era os sinos nos meus ouvidos. Eu dei um passo pra trás.

— Por Deus. — eu engasguei. — Nós podemos sair daqui agora? — ele me deu outro murro. Dessa vez eu caí no chão.

— Cala a boca! — ele gritou. — Não fale comigo sobre quem ama (S/n) mais. Eu sempre amei ela. Você não. Você tratava ela como lixo. Você largou ela tantas vezes, cara. Você é um covarde. Até agora, você não consegue admitir na minha cara.

Respirando com dificuldade, eu senti um gosto de sangue na minha boca e disse.

— Tudo bem. Eu a amo. Eu admito. Às vezes... as vezes eu acho que ela é a única garota que eu poderia ficar. Mas Hun, ela escolheu você. É com você que ela quer casar. Não comigo.

Eu peguei o envelope de dentro do meu bolso, levantei e bati no peito dele com o envelope.

— Leia isso. É pra você, da mamãe. Pelo dia do seu casamento.

Engolindo, ele abriu o envelope. Eu olhei enquanto ele lia, esperando, sabendo, que minha mãe teria as palavras certas. Ela sempre sabia o que dizer para o Sehun.

Hun começou a chorar enquanto ele lia, e eu virei meu rosto pro outro lado. 

— Eu vou voltar. — ele disse finalmente. — Mas não com você. Você não é mais meu irmão. Você está morto pra mim. Eu não quero você no meu casamento. Eu não quero você na minha vida. Eu quero que você vá embora.

— Hun...

— Eu espero que você tenha dito tudo que você precisava dizer pra ela. Porque depois disso, você nunca mais vai vê-la. Ou a mim. Está acabado. Você e eu estamos acabados. E isso é seu, não meu.

Então ele se foi. Eu sentei no banco e abri o papel. Ele dizia: 

Querido Chanyeol.

E então eu comecei a chorar também. 



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