História We are Better Together - Capítulo 56


Escrita por: ~

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Categorias Orange Is the New Black
Personagens Personagens Originais
Tags Alex Vause, Orange Is The New Black, Piper Chapman, Vauseman
Exibições 512
Palavras 5.742
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Eu to no horário de verão, meu coração já ta queimando como sol...

Antes de qualquer coisa queria dizer que eu amei d+++ ler as histórias de vocês sobre o ciúmes/querer fugir para casa de tia/irmã (o)/prima depois que nasceu um bebê novo. Sério, eu fiquei muito feliz com todas as histórias compartilhadas, de verdade <3 Já falei que vocês são as melhores leitoras? Então, vocês são <3

Capítulo pequeno, mas feito com todo amor e carinho que tenho no meu coração, pois eu tenho um coração sim, ta?

Ótima leitura!

Capítulo 56 - Três desejos


O caminho feito de velas as levou até uma mesa de dois lugares próxima ao mar.

Por mais que estivesse acostumada com esse tipo de surpresa, Piper não deixava de se surpreender. Alex sempre arrumava um jeito de tornar coisas simples em especiais. E, a maioria das vezes, ela sempre planejava essas coisas quando elas estavam atoladas com o trabalho, muito ocupadas sendo mães ou as duas coisas e quase não tinham tempo uma para a outra. Começou após o primeiro ano de vida dos trigêmeos e continuava sendo assim até hoje – mesmo depois da “pausa” que fizeram.

Elas passaram o jantar inteiro conversando sobre coisas bobas, contando ou relembrando fatos engraçados que aconteceram nos últimos dias, sendo ridículas com as várias provocações e se apaixonando mais ainda sempre que uma abria a boca ou simplesmente abria um sorriso.

- Eu recebi uma proposta para vender minha parte da Floresta Encantada. – disse, fazendo com que Piper esquecesse a salada de frutas que estava comendo. – Eu sabia que a editora estava valendo muito, eu só não sabia o quanto. – cruzou os braços, sem se intimidar com a expressão indecifrável de Piper. – Com o dinheiro que me ofereceram eu já posso me aposentar, você pode se aposentar também se quiser e nós podemos viajar para onde quisermos sem termos que nos preocupar com dezenas de compromissos.

- O que a Nicky disse sobre isso? – perguntou, ainda sem demonstrar o que realmente achava de tudo aquilo.

- Ela ainda não sabe. Eu queria saber o que você acha antes.

- O que eu acho? – Alex assentiu. - Que nós ainda somos muito novas para nos aposentarmos. – respondeu em um tom tranquilo, mas ao mesmo tempo firme por causa da forma atenta que Alex a olhava. – Que nós vamos ter muito tempo para viajarmos para onde bem entendermos quando as crianças fizerem 18 anos e irem para a faculdade. – fez uma pausa, pensando no que tinha acabado de dizer. – Pelo menos esse foi o lado positivo que você me mostrou sobre as crianças irem para a faculdade. – Alex soltou um riso, mesmo sem ter certeza se aquele comentário era descontraído ou sério. - E que nem por todo o dinheiro do mundo você venderia sua parte da Floresta Encantada – levantou-se da cadeira indo sentar no colo de Alex. - porque essa sua sociedade com a Nicky é uma das coisas que você mais ama na vida. – entrelaçou seus braços no pescoço de Alex. – E se você disse alguma coisa diferente disso para a pessoa que lhe fez a proposta, eu acho que nós temos muito que conversar.

- Eu também disse que amo fazer sexo com você no meu escritório e que eu não podia abrir mão disso.

Piper riu, dando um tapa no braço da esposa.

- Você não disse isso.

- Posso não ter dito, - jogou um pouco do cabeço de Piper para trás do ombro. - mas eu pensei.

- Por que você está me contando isso antes de contar para a Nicky sendo que você não aceitou?

- Por que eu queria ter certeza que estávamos pensando igual.

- Você sabe que não tem problema se pensarmos diferente, certo? – abriu um sorrisinho, sapeca. – Às vezes eu até prefiro.

- Quando o assunto é o nosso futuro eu prefiro que a gente esteja na mesma página. – deu um beijo na bochecha de Piper. – Sobre outros assuntos, - abriu um sorrisinho. - eu não vejo problema nenhum.

Elas se beijaram.

O jantar se encerrou com as duas dentro do quarto de hotel que Alex reservou que ficava a metros da praia. Amando-se. Dando-se conta que elas estavam mais do que imaginavam na mesma página e não por se esforçarem para estarem, mas por ser uma coisa natural que ocorreu durante o passar de todos esses anos.

Elas estavam em silêncio. Uma perdida dentro do olhar da outra. O sorriso que carregavam no rosto era tão espontâneo e sincero que elas não faziam ideia que estavam sorrindo tanto e, mesmo assim, uma não deixava de ficar derretida com o sorriso da outra.

- Três desejos. - disse Piper, quebrando o silêncio apaixonante do quarto.

- Você é o meu gênio da lâmpada agora? - Alex perguntou em tom descontraído. - Posso pedir o que eu quiser?

- O que você quiser dentro das regras dos gênios. Você sabe muito bem que os desejos não são bagunça.

- Tudo bem. - ficou em silêncio por alguns segundos, mexendo em uma mecha do cabelo de Piper e quase entrando naqueles olhos apaixonados novamente. - Eu desejo que esse sorriso nunca mais desapareça. - tocou a bochecha de Piper com o verso dos dedos. Automaticamente o sorriso da loira tornou-se tímido, mas não menos apaixonante. - Eu desejo que os Scorpions ainda estejam vivos quando a Floresta Encantada completar 10 anos, pois contratados para tocar na festa eles já estão.

- Você contratou os Scorpions para o aniversário de 10 anos da Floresta Encantada? - Alex fez um positivo com a cabeça. - Por que você não me contou? - deu um leve empurrão na esposa. - Isso sim é uma novidade importante de se compartilhar.

- Eu tive a resposta hoje. - pousou o braço na cintura de Piper por cima do lençol. - Eu estava esperando um ótimo momento para te contar. - trouxe Piper para mais próxima de si. - Quer um momento melhor do que esse? - com um sorrisinho sacana, levantou um pouco do lençol, mostrando a nudez das duas. Piper deu uma gargalhada e beijou os lábios de Alex em seguida. - E quais são os seus três desejos?

- Mas ainda falta um desejo seu.

- Se eu fizer o último desejo você vai voltar para a sua lâmpada e eu não quero que você seja encontrada por mais ninguém. - depositou um beijo nos lábios de Piper. - Eu queria desejar que você fosse meu gênio para sempre, mas como é contra as regras... - completou em um tom mais baixo e rouco do que o normal, ainda próxima da boca de Piper. A loira mordeu o lábio inferior, hipnotizada com aqueles olhos verdes cheio de malícia. - Então, eu vou aproveitar enquanto eu posso.

Alex ia acabar com a distância entre os lábios das duas, mas Piper colocou o dedo indicador nos lábios da morena.

- Faltam os meus três desejos.

Alex tentou mostrar frustração pela freada que Piper lhe deu, afastando-se da esposa, mas no mesmo segundo soltou um riso. Às vezes Piper era um dos seres humanos mais impossíveis que ela conhecia na vida e nem de longe isso era algo ruim.

- Eu espero que sejam ótimos desejos.

- Eu tenho somente um. – o olhar ficou distante por alguns segundos, deixando Alex curiosa. – Eu desejo que toda essa história de outras vidas seja verdade. – seus olhos encontraram com os de Alex e a morena se deu conta que ela estava falando sério sobre aquilo. – Eu ainda quero viver muitas coisas com você e uma vida para todo esse amor que eu sinto é pouca.

Alex ficou sem palavras. Se ela sabia surpreender com gestos simples como o jantar que tiveram, Piper também não ficava atrás sempre que resolvia fazer uma declaração. Ela abriu um sorriso, derretida com o que ouviu e deu um leve beijo nos lábios de Piper.

- Tem certeza que não quer usar seus outros dois desejos?

- Não. – pousou a mão no rosto de Alex. – Eu já tenho tudo que sempre desejei.

Alex abriu um sorriso, feliz por ouvir aquilo. Os lábios de Piper encontraram com os seus. De princípio, eles só ficaram colados, como se precisasse daquilo para selar tudo que havia sido dito e, de alguma forma, os desejos se tornarem realidade, até que aos poucos os lábios colados foram se transformando em um beijo cheio de amor e desejo, continuando o que elas começaram após o jantar.

***

Fazia algum tempo que Alex, Devon e Nicky estavam parados na frente do banner de divulgação que tinha bem na entrada da livraria. A cena era basicamente a mesma do primeiro lançamento, a única diferença era que Nicky não tinha chegado atrasada dessa vez. Eles olhavam para a imagem estampada no banner com uma admiração maior do que a do primeiro lançamento. Cada um com um pensamento diferente, mas os três com o mesmo sentimento de que, por mais que não parecesse, era real sim todo o caminho que haviam percorrido até chegaram mais uma vez na frente de um banner horas antes de começar a sessão de autógrafos.

- Eu sempre penso que tem algum problema com o banner. – comentou Flaca parando ao lado de Alex. – Mas depois eu lembro que vocês sempre fazem isso. – estendeu o livro que segurava para Devon. – Aqui está.

O autor abriu o livro revelando páginas falsas com uma caixinha preta com a aliança que usaria para pedir Danny em casamento no meio delas. Abriu um sorriso, sem palavras para agradecer aquelas três mulheres por sempre apoiarem todas as suas loucuras.

- Obrigado. – foi a única forma que encontrou para realmente agradecer. – Não só por isso, - balançou o livro que estava em suas mãos – mas por todos esses anos.

- Todo lançamento o mesmo sentimentalismo. – resmungou Nicky. – De escritor solteiro e fracassado para um escritor de sucesso e possivelmente casado graças a gente, nós sabemos, não precisa ficar nos agradecendo toda hora. – tomou o livro da mão de Devon. – O que acontece se eu entregar esse livro para a pessoa errada na hora da leitura? – analisou o livro em suas mãos, sem esconder os pensamentos malignos que passavam em sua cabeça por causa do sorrisinho que carregava no rosto. – Eu acho que as vendas triplicariam se uma das suas fãs fosse pedida em casamento na hora da leitura.

- Você não vai fazer isso comigo. – Nicky ergueu os ombros, se fazendo de desentendida, como se dissesse “será que eu não vou?”. – Alex! – cruzou os braços, fazendo com que Alex automaticamente se lembrasse de seus filhos quando começavam com as provocações. - Fala para ela não estragar o meu pedido de casamento.

- Ela não vai estragar o seu pedido de casamento. – usou o mesmo tom ameno que usava com os filhos. – Mas que seria engraçado a garota errada ser pedida em casamento, - pegou o livro da mão da Nicky. Não podia correr o risco dele se misturar com os outros e acontecer de verdade o engano. – ah, isso seria.

Sem dar tempo para que Devon dissesse qualquer outra coisa, Alex começou a dar algumas ordens sobre a decoração da livraria que ainda não estava como ela queria.

O autor ficou algum tempo parado. Estava aflito por causa do sorrisinho maligno que Nicky ainda tinha no rosto. Até pensou em chamar Alex para que ela dissesse com todas as letras que não era para a sóciamiga destruir o seu pedido de casamento - ao invés de ficar incentivando com certos comentários - mas a morena já havia sumido na livraria junto com o pessoal que estava cuidando da decoração. O jeito era torcer para que Nicky só estivesse fazendo o famoso terror psicológico mesmo.

A livraria estava ambientada nas três épocas que se passava a história o livro: Século XIX, XX e XXI. Aparentemente, todas as pessoas convidadas resolveram aparecer para a sessão de autógrafos, pois o lugar estava lotado.  Sem contar com a fila de fãs do Devon que estava do lado de fora da livraria, mas que seria humanamente impossível deixar com que todas entrassem.

A única pessoa mais orgulhosa que Alex naquela noite por causa de todo trabalho bem feio que sua editora vinha fazendo durante todos esses anos era Piper. A loira não conseguia esconder o sorriso orgulhoso sempre que seu olhar encontrava o de Alex. Isso fazia até com que a morena relaxasse e parasse de achar que alguma coisa iria dar errada sendo que tudo estava perfeito.

O sorriso de Devon era a prova disso. Ele nunca ia se acostumar com as pessoas conversando animadamente sobre o que poderia ou não acontecer em seu livro, divertindo-se com toda a ambientação do lugar que os preparavam para entrar em toda a história do livro.

A não ser que Nicky resolvesse mesmo dar o livro com a aliança para outra pessoa, não tinha a menor possibilidade de alguma coisa dar errada naquela sessão de autógrafos.

- Por que eu ainda insisto nisso? – Devon começou a leitura que dava inicio a noite de autógrafos. – Não são dias, são séculos tentando fazer esse pedido, literalmente. – a atenção de todos estava voltada para Devon, mas a única pessoa que lhe importava no momento era Danny. A namorada o olhava tão ou mais encantada que os demais e isso lhe deu mais coragem e emoção para continuar a leitura. – Eu tentei não fazer o pedido, eu tentei não me apaixonar por ela, mas alguma coisa sempre dá errado. – soltou um riso, em uma verdadeira encenação do que estava lendo. Os olhares de Alex e Nicky se encontraram. Elas diziam sem palavras o quanto estavam orgulhosas de seu menino. – Tudo dá errado quando eu tento pedi-la em casamento. Tudo dá errado quando eu não a peço em casamento. Sabe o que é o pior? Eu não consigo ficar uma única vida sem me apaixonar por ela. – Alex e Piper se entreolharam com um pequeno sorriso no rosto, se lembrando da conversa que tiveram dias atrás. – Na verdade, nem um único segundo. Deve ser por causa daquele sorriso que ela não esboça para qualquer pessoa. – olhou para Danny e ela estava com um discreto sorriso nos lábios, mas seu olhar estava com o sorriso que ele havia acabado de descrever. – Ou por causa da sua personalidade que muitas vezes me tira do sério. – Jess de um beijo na bochecha de Nicky. Com toda certeza o seu trecho do livro. – Eu não sei! O que tem de tão complicado em um: Quer casar comigo?

Como foi pedido antes que começasse a leitura, todos abriram seus livros ao ouvir as três palavras. As pessoas mostravam-se confusas. Independente da página que haviam aberto o livro só tinha a continuação da página anterior de algum capítulo. Nada surpreendente.

Felizmente, Danny não podia dizer o mesmo. Ao abrir o livro, a morena quase jogou o objeto no chão quando encontrou aquela caixinha preta dentro de seu livro por causa do enorme susto que levou. Em nenhum momento, durante todos esses meses ela imaginou que seria pedida em casamento durante uma noite de autógrafos. Agora estava explicado o motivo do namorado não tê-la deixado chegar perto do livro e Alex ter usado a desculpa do contrato para isso. Na época ela nem ligou por ter dado graças a Deus por mais aquele livro ter terminado e ela poder ter o namorado pelo menos por algum tempo somente para ela.

Quando Danny se deu conta, Devon estava parado em sua frente e a atenção de todos os presentes estava voltada para os dois. Os olhos da estilista estavam marejados e o sorriso ansioso do namorado não estava ajudando nenhum pouco para que ela conseguisse controlar as lágrimas ou até mesmo formular uma frase.

- Você me atura com todas as minhas loucuras de escritor, até mesmo quando eu não mereço ser aturado. – por sorte ela não precisou dizer absolutamente nada já que Devon ainda tinha coisas que não estavam no livro para dizer. – Preciso confessar que até hoje eu ainda não sei o porquê de você estar comigo, mas eu procuro imaginar que alguma coisa certa eu estou fazendo. – Danny soltou um riso, deixando uma lágrima escapar. – Eu te amo Danny e se eu tiver que fazer esse pedido por três séculos eu farei, começando agora. – pegou a aliança de dentro da caixinha. – Você quer casar comigo?

A livraria fez um coro de “awww”, ansiosos pela resposta de Danny.

- A personagem inspirada em mim faz sexo com a Nicky em algum capítulo desse livro?

- Eu já falei que não! Ela perdeu a aposta.

- Eu sabia que a falta desse capítulo ia ser uma grande perda para o seu livro! – gritou Nicky. – Por isso que eu amo a Jenji e vou protegê-la.

- Sim. – Danny respondeu com um sorriso, deixando Nicky com uma expressão de contráriada. – A minha resposta é sim em qualquer século.

Com as mãos tremulas Devon colocou a aliança no dedo de Danny. Eles se beijaram, selando o novo passo que o relacionamento dos dois havia dado, sendo aplaudidos por todos.

- As fãs do Devon já estão falando em fazer boicote. – disse Nicky em meio a gargalhadas olhando para o celular. – Eu posso dizer que o pedido de casamento foi para publicidade igual o que a Alice fez com a Jess? Por favor, diz que sim.

- Ou você pode anunciar uma nova promoção para quem tirar foto com o livro e marcar a Floresta Encantada. – disse Flaca com um sorrisinho orgulhoso pela ideia.

- Foi para isso que te tornamos sócia? – o tom de Nicky era incrédulo. – Por que eu nunca posso causar que nem as divas do pop nesse twitter da Floresta Encantada? – guardou o celular no bolso da calça jeans. – As fãs dele que se matem, então.

- Ela ainda vai acabar falindo a Floresta Encantada. – disse Flaca para Alex. A morena só fez uma expressão de “vai nada”. – Não vai mesmo não. – concordou. Trabalhava muitos anos na Floresta Encantada para ter certeza disso. – Quando alguém vai me pedir em casamento assim? – perguntou em tom choroso.

- Quando você fizer Flartiza canon. – Alex mandou uma piscadela para Flaca, fazendo-a revirar os olhos e saiu andando.

- Eu recebi uma proposta para vender minha parte da Floresta Encantada. - revelou Nicky sem tirar a atenção de Devon autografando os livros logo a frente assim que Alex parou ao seu lado com os braços cruzados. - Por que você não me disse que essa porra valia tanto? Com o dinheiro que me ofereceram eu posso me aposentar e ter a vida que eu sempre sonhei: Ficar o dia inteiro fazendo vários nada. - Alex ajeitou os óculos e completou o gesto com um "hm". Era bom que o rumo daquela conversa tivesse o mesmo final que a sua. - Claro que eu recusei. Eu posso muito bem ficar fazendo vários nada no meu escritório, no seu, no da Flaca, na mesa da Maritza, não preciso me aposentar para isso. – Alex não deixou transparecer por não ter mudado a sua postura, mas estava imensamente feliz por ouvir aquilo. - E, depois, a Floresta Encantada é um dos melhores lugares para transar. Eu nunca ia vender o lugar que eu mais dei orgasmos para Jess.

Alex soltou uma gargalhada.

- Você não disse isso para a pessoa que lhe fez a oferta.

- Claro que eu disse. - respondeu com um tom quase ofendido. Até parecia que Alex não a conhecia. - Eu ainda disse que nunca ia deixar você trabalhar com qualquer pessoa, caso contrário a Floresta Encantada iria a falência.

As duas se olharem de canto de olho com um sorriso discreto nos lábios.

- Eu também recebi uma proposta para vender a minha parte da Floresta Encantada. - ambas ainda não se olhavam. Com os braços cruzados, Nicky imitou o gesto da amiga murmurando somente um "hm", esperando que ela continuasse. - Mas eu também não podia vender o lugar que eu mais dei orgasmos para a Piper.

Finalmente elas se olharem e, no mesmo instante, caíram na gargalhada. Elas nunca trocariam a sociedade que tinham por dinheiro nenhum no mundo. Preferiam a amizade e todas as histórias que tinham dentro da Floresta Encantada do que se aposentarem antes da hora.

***

Tudo estava lhe incomodando naquela tarde no parque. Toda hora ela checava o banco de madeira que estava sentada por ter a sensação que tinham formigas andando em sua bunda. Suas pernas tremiam mais que os terremotos na Ásia. Estava a ponto de ferir o lábio inferior por causa das mordidas que dava nele sempre que a mulher latina que estava metros a frente lhe olhava. Maldita hora que tinha dito que faria aquilo.

- Você não precisa fazer isso. – disse Jess em tom ameno como se pudesse adivinhar tudo que estava passando na cabeça de Piper. – Nós podemos ir embora se você quiser. – segurou a mão da irmã para que ela parasse de movimentá-la sem propósito nenhum. – Jesus, Piper! Sua mão está congelando.

- Você não ficou sabendo não? Ontem Luc me transformou em um zumbi, por isso minha mão está tão gelada. – Jess a encarou com uma expressão descrente. – Eu estou bem, sério. – entrelaçou suas mãos entre as pernas, mais um sinal de todo o seu nervosismo. – Nós já estamos aqui e ela parece estar mais nervosa do que eu. – apontou discretamente com a cabeça para a latina. – Talvez eu morra de taquicardia antes de nos falarmos, mas... – deu de ombros.

- Tudo bem. – Jess tirou Lizzie de dentro do carrinho de bebê e a entregou para Piper. – Prontinho!

- Por que você me deu... – não conseguiu completar a frase por causa do sorriso banguela que a neném abriu. – Isso não existe, Jess! – arrumou a sobrinha em seu colo, deixando-a virada de frente para si. – Essa menina não tem nem dois meses, não tem como ela sorrir desse jeito. – ela espremeu os olhos, abrindo mais um sorriso. – Quem é a coisinha mais sorridente da tia? – perguntou com aquela voz típica de adulto que conversa com bebê. – Quem é? – cheirou a bochecha de Lizzie. A neném murmurou, amando o carinho. – Você vai ser tão sem-vergonha quanto a sua mãe, não vai Lizzie? A outra mãe porque essa aqui – virou rapidamente Lizzie para que ela visse a Jess. - é uma banana. – a neném murmurou um “é”. – É, ela é uma banana.

- A banana que conseguiu te acalmar. – disse com um sorrisinho convencido. – Ou você ainda vai morrer de taquicardia?

- Por que eu ia morrer de taqui... – olhou para a sua frente e a mulher latina desviou o olhar para as crianças brincando no escorregador. – Eu sempre disse que bebês são mágicos. – disse, abismada por perceber que estava realmente mais calma. – Acho que vou te levar para trabalhar comigo sempre que os acionistas estiverem exaltados. É, eu vou.

- Pelas mensagens que você me enviou, eu pensei que você estava quase tendo uma taquicardia. – disse Alex assim que se aproximou das duas no banco e encontrou Piper toda sorridente. – Ou isso é a magia dos bebês?

- Magia dos bebês. – as duas responderam juntas. – Muito eficaz, por sinal. – completou Piper. – Será que nós podemos...

Antes que Piper pudesse concluir a pergunta, Jess tirou a filha do colo dela e a colocou de volta no carrinho, deixando uma Piper bem chateada. Lizzie não ia servir de escudo para a conversa que as duas decidiram que teriam com a mulher latina a frente.

- Vocês tem certeza que querem fazer isso?

- Não. – as duas responderam juntas. – Mas nós vamos. – Alex confirmou. – Já estamos aqui mesmo. – segurou a mão de Piper que continuava gelada. – Acho que mal não vai fazer. – mandou um olhar cúmplice para Piper. Pelo menos ela esperava que não fizesse mal nenhum. – Tudo bem?

Piper só assentiu com a cabeça e levantou-se do banco, ficando ao lado de Alex. Era melhor fazerem aquilo logo, caso contrário, se mais alguém perguntasse se ela estava bem, ela seria obrigada a gritar pelas crianças e ir embora.

Jess fez sinal com a cabeça para que a mulher se aproximasse. Ela parecia tão inquieta quanto as duas e também não fazia ideia do que fazer com as mães. Foram quase 3 anos esperando por aquela conversa que ela nem imaginou que seria mais possível.

A mulher em questão era Alba, a mãe de um garotinho de oito anos recém-completados graças ao coração que recebeu de Chris. Ela sabia que a doação era anônima, mas mesmo assim ela fez de tudo para encontrar alguém próximo a criança responsável por salvar a vida de seu filho. Após alguns meses ela encontrou Jess. Na época a médica manteve isso em segredo, Piper e Alex já estavam vivendo um inferno, não precisavam daquela mulher aparecendo na vida delas dizendo o quanto seu filho estava vivo e saudável por causa do Chris.

Durante esses quase 3 anos a mulher manteve contato com a esperança de algum dia poder agradecê-las. Não por maldade, não por querer esfregar seu filho vivo na cara das duas, mas sim por uma infinita gratidão. Ramon era seu único filho e, por causa das complicações que teve no parto, seria o único.

Com o tempo Alba não queria nem um encontro pessoalmente, afinal ela não fazia ideia de como era perder um filho e deveria ser mesmo horrível ficar diante da mãe da criança que sobreviveu por causa da morte de seu filho. Só de poder entregar uma carta com toda a sua gratidão já seria o suficiente, mas nem isso Jess aceitou. Não queria ser a responsável por quebrar Alex e Piper de novo.

Quando Piper descobriu sobre isso em uma conversa que ouviu sem querer entre Jess e Nicky, em um ato impulsivo ela disse que queria conhecer a mulher. Odiou-se o dia inteiro por aquilo por simplesmente ter esquecido por um segundo que não era somente os seus sentimentos que estavam em jogo. Quem podia garantir que Alex ia querer ficar diante da mãe do garoto que recebeu o coração de Chris? Por causa de suas atitudes, ouviu por muitos meses da boca da esposa que ela também tinha perdido o Chris, então como podia fazer com que ela passasse por aquilo?

- Você quer que a gente conheça a mãe do garoto? – Piper assentiu, com medo do que poderia vir depois daquilo. – Você enlouqueceu? – o tom era indignado. - Você sabe o quanto foi difícil decidir doar os órgãos do Chris? E agora você quer encontrar com a mãe de um garoto que sobreviveu por causa disso? Enquanto o nosso filho está morto?

- Eu estava lá também, Alex. – disse em um tom ameno. Não queria discutir por algo que ela nem deveria ter levado para dentro da casa das duas para começo de conversa. – Eu só achei... – passou a mão pelos cabelos. – Sei lá! Desculpa eu ter falado sobre isso, eu por um momento só pensei nos meus sentimentos e esqueci dos seus. Esquece.

- Pipes... – sentou-se ao lado dela na cama. A voz tinha voltado ao tom normal. – Eu estou pensando nos seus sentimentos. – soltou um riso de nervoso e levou os óculos até o topo da cabeça. – Por um tempo eu tive o desejo de conhecer as crianças que receberam os órgãos do Chris para, não sei, ter algum tipo de paz com a decisão que tomamos. – disse não tão certa se tinha soado de uma forma que a esposa conseguiria entender. – Mas eu não podia fazer isso com você e eu não ia fazer isso em você.

- Por que não? – levantou-se da cama. - Por que você sempre me coloca na frente de tudo que você sente? – o tom era aborrecido. – Você poderia ter ido se isso ia lhe fazer bem depois de todo o mal que eu estava te causando.

- Ia me fazer mais mal do que bem fazer isso sem você. – disse sinceramente. – Nós fizemos muitas coisas separadas durante muitos anos. – levantou-se da cama e se aproximou da Piper. Segurou a esposa pelos dois braços, fazendo com que ela a olhasse. – Eu não queria mais nada disso.

- Eu já disse que você não precisa mais se preocupar com os meus sentimentos, contanto que você esteja aqui.

Na mesma noite, após muitos prós e contras, elas decidiriam que encontrariam com a Alba, mas ao ver aquela mulher em sua frente, elas não tinham tanta certeza se tomaram a decisão certa.

- Obrigada por aceitaram me encontrar. – disse Alba, sem saber se olhava para o chão ou para as duas. – E me desculpem se eu fui inconveniente, eu não consigo imaginar o que deve estar passando...

- Está tudo bem. – Alex a cortou e abriu um pequeno sorriso. Estava claro que a mulher estava tão nervosa quanto as duas. – A Jess nos contou tudo.

Elas passaram algum tempo conversando, uma mais sem jeito do que a outra, com medo de falarem coisas que podiam ser interpretadas erroneamente ou que poderiam levá-las a lugares que elas jamais queriam visitar novamente.

A mulher as agradeceu dezenas de vezes pela decisão que elas haviam tomado. Contou a mesma história que contou para Jess sobre Ramon ser o seu bebê milagre e as agradeceu novamente, mesmo sem fazer ideia do que se passava na cabeça das duas e com muito medo de perguntar se elas estavam odiando todo aquele momento e se estavam com raiva dela.

Piper e Alex não estavam com raiva da mulher. Pelo contrário, apesar dos pesares, estavam felizes pela decisão que tomaram no pior momento da vida delas ter salvado uma criança. A única criança que Alba poderia ter em sua vida. Elas só não sabiam responder todos aqueles agradecimentos, pois era como se a latina estivesse agradecendo por Chris ter morrido, mesmo que não fosse isso.

- Elas são as mães dos meus novos amiguinhos, mãe? – a atenção das três foi voltada para Ramon. – É tão legal poder falar “novos amiguinhos”. – completou, animado. – Antes eu não podia porque não vinha muito no parquinho e não podia ir pra escola.

- É? – Alex mostrou interesse, mas sem tirar a atenção de Piper que estava imóvel ao seu lado, olhando para o menino com encanto. – E por que você não ia para a escola? Crianças tem que ir para a escola para ficarem inteligentes e poderem dominar o mundo.

- Eu não quero dominar o mundo. – disse com desdém, como se aquela fosse uma das piores coisas que ouviu na vida. - Eu só quero ser um super-herói que nem o Homem de Ferro. Até meu coração novo é igual o dele, só não da para ver, mas é igual.

- Você tem um coração novo? – Piper perguntou para o alivio de Alex.

- Uhum. – confirmou a resposta com um acenar de cabeça. – Você quer ouvir? – estufou o peito. – Bate muito mais rápido do que o outro que eu tinha, ainda mais quando eu corro porque agora eu posso correr e falar rápido como eu to falando agora.

As duas riram.

Piper abaixou-se para ficar da altura do menino. Lançou um olhar para Alex, como se pedisse permissão para o que estava prestes a fazer. A esposa fez um positivo com a cabeça. Não iria nunca impedi-la de fazer isso. Precisa continuar confiando que ela não iria quebrar.

Portanto, lentamente Piper encostou o ouvido no peito de Ramon. Abriu um sorriso, emocionada ao ouvir as batidas do coração do menino. O sentimento foi de alivio. Poderia não ter encontrado justiça ainda por Chris ter sido tirado tão prematuro dela, mas pelo menos agora tinha encontrado algum propósito. Era aquela história de que nenhum herói morre em vão.

Ela puxou Alex pela mão para que a esposa também se abaixasse e ouvisse o coração do garoto. De começo ela ficou receosa, talvez fosse mais do que ela pudesse aguentar. Talvez ela se quebraria caso fizesse isso, mas após ver alguns lágrimas escorrendo pelos olhos de Piper, ela resolveu ouvir o coração do menino também.

Também sentiu alivio. Alivio por ter tomado a decisão certa, alivio por ver que a morte do seu filho não foi em vão – independente de tudo que ela sofreu – alivio por ver Ramon fazendo bom proveito do coração que lhe foi dado.

- O que vocês tão fazendo? – perguntou Diane com estranheza. – Por que vocês tão ouvindo o coração dele?

- Por que ele tem um coração igual do Homem de Ferro, só que dentro dele. – respondeu Piper.

- Mentira! – disse Lucas. – Ninguém tem um coração igual do Homem de Ferro.

- Eu tenho. – Ramon levantou a blusa para provar o que dizia. – Olha a cicatriz aqui ó. – passou o dedo pela enorme cicatriz que tinha em seu peito.

- Minha mãe também tem uma cicatriz dessa, mas ela não tem o coração igual do Homem de Ferro. – disse Amelia.

- Quem disse que não? – perguntou Nicky aproximando-se de todos junto com Jess e Lizzie. Ambas estavam felizes por todo aquele encontro não ter saído da linha. – Eu só não gosto de sair espalhando, senão vão querer que eu assine o Acordo de Sokovia.

- Acordo de Sokovia... – Jess abriu um sorriso, como se Nicky tivesse acabado de se declarar para ela. Não que ela fosse a favor do acordo, mas sim amava o fato de Nicky saber o que era. – O que vocês acham de comermos uma pizza e depois tomarmos sorvete?

- Ou comermos uma pizza enquanto tomamos sorvete. – sugeriu Amelia. – É muito mais gostoso.

- Nós temos uma consulta com o médico daqui a pouco. – explicou Alba. – Mas, obrigada pelo convite e muito obrigada.

- Só cuide bem desse coração. – Alex bagunçou os cabelos do garoto. – O mundo precisa de muitos super-heróis.

- Ou de zumbis. – Piper pegou Luc no colo, arrancando gargalhadas do menino enquanto o enchia de beijos. – Uma zumbi comedora de pizza.

As crianças se despediram do mais novo amigo com um acenar de mão, enquanto as mães se despediram com um pequeno sorriso nos lábios.

Alex e Piper se entreolharam, avulsas de tudo que estava acontecendo em seu redor. Elas só precisavam buscar no olhar uma da outra que estavam bem. Que esse encontro não tinha levado embora todo o progresso que tiveram no último ano. Sorriram, afirmando que estavam bem e deram um rápido beijo. Era impossível ficarem avulsas por muito tempo fazer com Luc no colo de Piper falando sobre zumbis, Di falando diversas coisas que Alex não conseguia compreender e Nicky envolvendo Jess em uma discussão que ela estava tendo com Amy por causa de pizza.

Nada no mundo ia conseguir fazer com que a dor que elas sentiam sumisse completamente, mas momentos como esses só reafirmavam que elas podiam conviver normalmente com essa dor, sendo felizes mesmo com a dor, aproveitando cada momento com as pessoas que elas amavam sem a dor atrapalhar, pois elas estavam juntas e, alguns anos atrás, alguém disse que elas poderiam passar por qualquer coisa, contanto que elas estivessem juntas porque elas eram melhores juntas.


Notas Finais


Bruna esquece Polly em churrasco. Mentira, ela tarra viajando com a família.

Próximo capítulo tem o aniversário da tia Annie sim e se vocês tiverem sorte vai ter a última Macarena da fic, só não digo quem vai ser a causadora. Palpites? :P

Aliás, só mais 4 capítulos :'(

Até lá <3


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