História We Are Young - Capítulo 35


Escrita por: ~

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Categorias As Crônicas de Nárnia
Personagens Aslan, Edmundo Pevensie, Jadis (Feiticeira Branca), Lúcia Pevensie, Pedro Pevensie, Personagens Originais, Susana Pevensie
Tags A Feiticeira, Edmundo Pevensie, Início, Maria Júlia Freitas, O Guarda Roupa, O Leão, Romance
Visualizações 50
Palavras 3.391
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Ficção, Magia, Romance e Novela, Violência
Avisos: Adultério, Linguagem Imprópria, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oi, gente! Não me aguentei e tive de escrever esse capítulo, até porque eu acho que vocês merecem por lidarem com os meus atrasos. Quanto ao nome do capítulo e a frase destacada nele, são do Alexander Pope, um dos maiores poetas britânicos do século XVIII. A frase é sensacional, eu vi num site e tive de colocá-la na história, até porque dá uma enorme lição de moral.
Enfim, estava pensando sobre umas coisas e me pergunto se vocês gostariam de saber como eu vejo o Noah e a Claire, quero dizer os atores que os "interpretariam".
Essa nota tá ficando gigante, mas acho que vocês já notaram que estamos na reta final da fic. Depois do ~sassy~ Edmundo passar o recado para Miraz, haverá o duelo e a batalha, tudo que vocês já sabem e, então, a despedida. Já estou triste :(
Ah, inspirei-me um pouco mais no livro para escrever este capítulo, também. Algumas frases e expressões eu tirei de lá..


Bonne lecture et au revoir, mon amie!

Capítulo 35 - O perdão é divino


Capítulo 14 – O perdão é divino

 

Ainda chovia quando Aslam e Maria chegaram no Monte. Demoraram mais do que deveriam porque avistaram vários soldados telmarinos no caminho e tiveram mudar de direção. Não foi difícil de entender que o exército de Miraz se aproximava mais e mais do Monte. Por isso que o castelo estava vazio e por isso que Miraz mandou Maria para a floresta, para ser morta por seus soldados.

Apesar disso, correram sem parar. Aslam parecia não se cansar, mas Maria estava acabada. Os ferimentos ardiam e ela sentia que poderia desfalecer a qualquer minuto, mas aguentou firme pois poderiam ser vistos por soldados e certamente não queria isso enquanto está inconsciente.

O Leão ia tão rápido que a chuva não parecia ser nada, apesar do vento forte. Em algumas horas, já estavam fora da floresta, já podendo ser vistos por alguns narnianos que protegiam o Monte. Alguns tinham faixas que estavam sujas com sangue e ferimentos recentes, obviamente obtidos na invasão ao castelo telmarino. Porém, estes não acharam que Aslam estava ali, uns metros de distância deles, trazendo consigo Maria. Deduziram que era um borrão da chuva forte.

– Seja forte, minha querida. Logo estaremos juntos. Todos nós. – Aslam disse enquanto Maria descia de sua garupa.

Maria cambaleou e assentiu levemente. Aslam, então, ao se virar para ir embora, rugiu. O seu rugido não havia mudado, apenas parecia ser cada vez mais potente e poderoso. Ecoou por todos os lados, chamando então a atenção dos narnianos e todos que estavam dentro do Monte, até mesmo dos telmarinos que se aproximavam.

Quando Maria olhou para ele de novo, já havia sumido.

Dentro do Monte, Edmundo, Pedro, Susana, Lúcia, os primos Doyle e Caspian discutiam o plano de resgate de Maria. Estavam muito nervosos, porque não haviam mais homens para ajudá-los a salvá-la, e também ninguém estava disposto a voltar para o castelo telmarino. Contudo, não podiam deixar Maria a mercê de Miraz. Caspian conhecia o tio e sabe o que ele é capaz de fazer. Ironicamente, Pedro apoiava o plano do telmarino. Depois de tantos conflitos, os dois decidiram dar uma trégua e pareciam se dar bem. Caspian até admitiu que sentia uma grande admiração pelo Grande Rei.

Porém, no meio de mais uma discussão para decidir o que fariam, um barulho ensurdecedor soou por aqueles lados. Era um barulho que os Pevensie conheciam muito bem, ah sim, tanto que calafrios percorreram suas espinhas e um grande sorriso tomou conta do rosto de cada um.

– Aslam! – Lúcia foi a primeira a exclamar, correndo para fora da câmara.

– Ora essa! – Noah disse, espantado.

– Céus, isso foi mesmo um leão? – Claire falou, com as mãos tapando os ouvidos e o cenho franzido.

Susana foi logo atrás da irmã, assim como Edmundo e Pedro. Caspian olhou para Noah e Claire, e seguiu os antigos reis.

– Devemos? – Noah perguntou, apontando para a saída.

– Mas é claro! – Claire exclamou e puxou o primo para seguir os outros. Noah sorriu, sabia que Nárnia estava mudando a prima. Nunca a viu tão arrependida em toda a sua vida, tão bondosa e solidária. Algo de muito estranho estava acontecendo para que ela mudasse repentinamente, mas resolveu ignorar isso e aproveitar enquanto podia.

Lúcia já estava lá na frente e chamava Edmundo, o apressando. Ela estava de joelhos, sacudindo algo (ou alguém). Edmundo sentiu seu coração disparar e seus pulmões clamarem por ar, Lúcia estava muito longe do Monte e ele não fazia ideia de como ela chegou lá tão rápido.

Logo estava ao seu lado e caiu de joelhos com o que viu. Era Maria, ela estava desmaiada e muito, muito ferida.

– Ela está…? – Perguntou, sentindo seu coração se entristecer e sua mente o culpar. “Se você tivesse salvado ela, se não tivesse abandonado-a como um covarde, ela não estaria assim!”, pensava, se punindo. Tinha medo da resposta, e seus olhos se encheram com algumas lágrimas que ele, obviamente, não deixou cair.

– Não, mas está quase. Temos de levá-la agora! – Lúcia exclamou.

– Oh, Maju! – Susana disse, espantada com o que via. Pedro parou ao seu lado, tão surpreso quanto ela.

Caspian, Claire e Noah chegaram logo depois. O telmarino ficou boquiaberto, em choque ao ver a amiga naquele estado, enquanto Claire sentiu uma culpa e arrependimento anormais tomarem conta de si. Levou a mão a boca, sendo amparada por Noah, que observava Maria com espanto. 

Edmundo pegou Maria e a levou no colo, sem se importar com os outros, que pareciam estar presos num estado de choque. Susana chorava, assim como Claire. Pedro e Noah consolavam elas, enquanto Caspian e Lúcia seguiram o Pevensie até o Monte.

De repente, Edmundo se sentiu responsável por tudo. Afinal, ele a abandonou no castelo, ele fugiu como um covarde, ele não fez nada para salvá-la, certo? Pensamentos de culpa e penitência o atormentavam enquanto ele corria o mais rápido que podia. Se sentia pior vendo que Maria tinha o vestido rasgado, marcas escuras no rosto e marcas de mãos no pescoço. Muito sangue vinha de suas costas, e Edmundo não entendeu direito o porquê. Ele só tinha certeza de uma coisa: Miraz pagaria por tudo que fez.

 

 

Maria despertou e estranhou. Quando desmaiou, ela estava na saída da floresta, e agora estava num lugar quente, fechado e feito de pedras desgastadas. “Por favor, a cela de novo não…”, ela implorou em pensamento. Tentou se levantar, mas sentiu uma dor absurda em suas costas. Aí se lembrou. Lembrou de toda a tortura e sofrimento que foi submetida, sem contar a humilhação. Seus olhos se encheram de lágrimas mais uma vez ao se mexer e não sentir as macias penas de suas asas. Ainda não podia acreditar que jamais poderia voar, e uma dor imensurável tomou conta de seu coração.

Ela viu nos olhos de Miraz o ódio, a raiva, o furor e a ira, e decidiu que não queria aquilo para si. Não queria se tornar uma tirana como ele, não queria ter em seus olhos um brilho insano e desumano como os dele.

Lembrou-se de Aslam e do que ele disse, que ela agora era uma leoa, e que em breve estariam juntos. Isso a reconfortou, significava que Aslam não havia abandonado Nárnia e que havia a perdoado por decidir atacar o castelo de Miraz com Pedro e Edmundo.

Edmundo. Aonde ele estava? Será que estava bem? Ela precisava vê-lo. A dor em suas costas era descomunal, mas então pensou “por Eddie”, e conseguiu se sentar. Assim, também, conseguiu analisar melhor a sala em que estava.

Era muito mais iluminada e, apesar de ter as paredes desgastadas, era um lugar muito mais limpo do que a cela em que estava mais anteriormente. Num canto perto duma porta, estava Edmundo, descansando serenamente num assento, apoiado na parede.

Maria sorriu e ignorou todas as dores que sentia para se levantar e caminhar na direção dele. A dor em sua perna direita havia desaparecido, tal como a dor no braço. Pensou, intrigada, e só chegou a uma conclusão: o elixir da vida de Lúcia. Riu baixinho.

Edmundo acordou quando ouviu passos. Se fosse uma invasão telmarina, ele jurou por Aslam que mataria-os todos. Porém, era Maria, que estava consciente e sorria docemente na sua frente.

Ele se levantou de imediato, sorrindo.

– Maju! – Exclamou, o mais feliz que uma pessoa pode ficar.

– Ed, senti tanto a sua falta! – Ela suspirou, o abraçando. Claro que suas costas doeram um pouco, mas nada se comparava a estar ali junto de Edmundo de novo.

O Pevensie a abraçou pela cintura e respirou aliviado: – Não sabe o quão preocupado eu fiquei, sabia que não podia ter te abandonado… Eu vou atrás daqueles telmarinos, juro por Aslam, e matarei Miraz com as minhas mãos e…

– Ed, para. – Ela disse, o olhando nos olhos. – Eu já vi o que o ódio pode fazer com um homem, não baixe o seu nível para o dele.

Edmundo olhou para baixo, constrangido. Suspirou, observando as manchas no pescoço de Maria, que estavam menos visíveis agora, mas ainda assim podiam ser vistas por ele.

– Pode me dizer o que eles fizeram? – Perguntou, seu tom de voz era triste.

Maria baixou o olhar, se sentindo humilhada mais uma vez. Porém, se lembrou do caminho que percorreu com Aslam e, consequentemente, do exército telmarino que se aproximava.

– Não temos tempo para isso. – Disse, e Edmundo franziu o cenho. – Eles estão vindo!

Ele entendeu logo o que ela queria dizer, e então caminhou para fora do cômodo.

– Descanse, eu reunirei os generais.

– O quê? Fora de questão, Ed. – Ela disse, fazendo ele e bufar.

– Você ainda está muito frágil. Tem que se recuperar antes de qualquer coisa.

– Antes de qualquer coisa, eu sou a guardiã de Nárnia. Não estarei fazendo nada mais que a minha obrigação. – Retrucou, saindo na frente. Edmundo suspirou e murmurou um “mulheres”, a seguindo logo depois.

 

 

Logo depois, os principais generais e líderes do exército estavam reunidos na Mesa de Pedra, assim como os reis. Lúcia e Susana cumprimentaram Maria com um abraço, Pedro e Caspian deram um aceno com a cabeça e sorriram pois não tinham muito tempo, estavam ocupados reunindo os generais.

Agora, ela estava do lado de Edmundo e Noah. Este, por sua vez, conversava animado com Lúcia e a irritava vez ou outra com piadinhas. Claire observava Maria de longe, tinha um pesar nos seus olhos que fizeram a narniana estranhá-la.

– Como muitos já devem saber, os telmarinos estão avançando para cá. – Pedro começou a reunião, fazendo todos se calarem. – Segundo a guardiã, eles estão em números muito grandes e equipados com catapultas.

– Majestade, o que sugere que façamos? – Ripchip perguntou, como sempre, leal a qualquer decisão que seu rei tomasse.

– Temos que pensar primeiro em Aslam. Se ele intervir, nos ajudará a vencer. – Pedro continuou. – A Rainha Lúcia pode ir até a floresta procurar por Aslam, já que ela foi a única a vê-lo… Além de Maju, é claro. Proponho que a Rainha Susana a acompanhe para mantê-la em segurança.

– Com trinta mil diabos, olha-me essa! – Trumpkin exclamou. – Este é seu próximo grande plano? Mandar uma menina à floresta? Sozinha? – Censurou.

– É a nossa única chance. – Pedro justificou.

– E ela não estará sozinha. – Susana apoiou, olhando diretamente para NCA.

Trumpkin andou até Lúcia, com um olhar suplicante. Querendo ou não, ele se importava com a menina, e estava com uma dívida com ela.

– Já não morreram muitos? – Perguntou.

– Nikabrik também era meu amigo, – Caça-trufas respondeu, atraindo as atenções para si. – mas ele perdeu a esperança. A Rainha Lúcia não, e muito menos eu.

Depois de alguns segundos de silêncio, uma espada sendo desembainhada fez barulho. Era Ripchip, estendendo sua espada em direção de Pedro.

– Por Aslam! – Ele exclamou.

– Por Aslam! – Disse um grande urso, vindo da casa dos Ursos Barrigudos, que fica mesmo ao lado da caverna de Caça-trufas.

Trumpkin olhou para Lúcia, ainda aflito.

– Então vou com vocês.

– Não, NCA. Precisam de você aqui. – Lúcia respondeu, sorrindo levemente, colocando a mão no ombro do amigo.

– Temos que segurá-los até Lúcia e Susana voltarem. – Pedro explicou, se acalmando ao ver que Trumpkin assentiu levemente.

– Hum… Com licença. – Caspian disse um pouco atrapalhado. – Miraz pode ser um tirano e um assassino... – Ele falou, olhando de esguelha para Maria, que ficou cabisbaixa. – Mas, como um rei, está sujeito às tradições e expectativas de seus súditos. Existe uma em particular que pode nos dar algum tempo.

À essa altura, ele já estava perto de Pedro. O Grande Rei sabia do plano de Caspian, pois haviam-no discutido logo mais cedo. Pedro assentiu, dando permissão para Caspian continuar.

– Edmundo pode ir até o acampamento de Miraz enquanto Lúcia e Susana vão até a floresta. Pedro escreverá um pergaminho fazendo um convite irrecusável para Miraz, e Edmundo pode ir anunciá-lo. Pode ser que ganhemos tempo para as rainhas. O que acham?

– Arranjar tempo para Susie e Lu é o essencial. – Maria se pronunciou, concordando com Caspian.

– Não me levem a mal, majestades, mas… Se a própria guardiã de Nárnia foi feita prisioneira e foi torturada por Miraz e seus homens… Como esperam que nós tenhamos esperanças de derrotá-los? – Um anão interrompeu.

– Ora essa, ora essa! – NCA bufou.

– É uma boa pergunta. – Maria respondeu, serena. – Sei que têm dúvidas e medos, mas peço que não depositem as suas esperanças em mim, e sim em Aslam, pois é ele o nosso verdadeiro salvador e líder. Não pensem que, como fui torturada, o mesmo acontecerá com vocês. Eu não sou uma divindade, aliás, sou tão narniana quanto vocês. O mesmo sangue flui em nossas veias. Eu reconheço que posso ser um grande exemplo para a maioria, mas acreditem em mim quando digo que qualquer um tem potencial para qualquer coisa. Basta acreditar.

Ele terminou o discurso deixando o anão boquiaberto e maravilhado, tal como os outros presentes. Edmundo a observava orgulhoso, e só podia pensar no quanto a amava.

Ali, estava claro quem Maria era. Mais do que a guardiã de sua terra, ela era provavelmente a pessoa mais sábia depois de Aslam, a sua fiel amiga e, acima de tudo, a sua confidente.

 

 

Assim que a reunião se encerrou, o professor de Caspian, Cornelius, já estava com papel e tinta à mão, esperando que Pedro ditasse as palavras.

Enquanto escreviam o pergaminho – que se tornou logo aborrecido quando Pedro relembrou seus títulos da Época da Ouro, Maria conversava com todos os outros, que perguntavam se ela estava bem e a abraçavam preocupados. Susana já havia a abraçado cinco vezes, só para garantir.

– Então, pode nos contar o que realmente aconteceu? – Lúcia perguntou, tão curiosa como os outros.

Maria baixou o olhar mais uma vez. Não gostaria de dizer o que aconteceu em voz alta, mas tinha de o fazer para que os amigos finalmente se calassem.

– Acho que é melhor não sabermos. – Caspian observou.

– Por enquanto, afinal não é bom manter uma coisa dessas para si por muito tempo. – Noah disse, atraindo a atenção de Edmundo. Este notou que o Doyle, estranhamente, abraçava Lúcia de lado.

– Mas olha isso! – Exclamou, nervoso. Susana seguiu o olhar dele e bufou, preparando-se para o espetáculo que viria a seguir.

Edmundo começou a gritar para Lúcia incontáveis indignações e perguntas sobre Noah, que sentiu medo do Justo. Já Lúcia, estava tão assustada quanto o Doyle, gritando para o irmão que ele estava sendo injusto e hipócrita.

Pode parecer absurdo, mas era uma cena engraçada de se ver. Susana tentava acalmar Edmundo, enquanto Caspian e Maria se acabavam de rir observando tudo.

– Maria? – Uma voz a chamou. A guardiã olhou para trás e encontrou uma garota pálida, de estatura baixa e lindos olhos esverdeados. Claire.

– Claire? – Ela perguntou confusa. – Está tudo bem?

– Não está nada bem. Eu posso falar com você? – Pediu baixinho, como se não quisesse ser notada pelos demais.

Maria assentiu e saiu sorrateiramente da discussão entre os Pevensie. As duas seguiram pelos túneis do Monte, indo para um lugar onde estivessem sozinhas e não pudessem ser perturbadas. 

– O que aconteceu? – Maria indagou, cruzando os braços. A verdade era que ela queria socar o narizinho perfeitinho de Claire mais uma vez, mas ela se conteve.

– Olha, é difícil de explicar, mas… Algo neste lugar está me mudando, e não é aquela bobagem de “eu abri meus olhos, estive cega o tempo todo”... Nárnia abriu meu coração e só então eu notei o quão idiota eu fui… – Ela disse um pouco atrapalhado.

– Sério? Um pouco tarde para isso, não acha? – Maria ironizou.

– Eu estou tentando me explicar aqui, ok? – Claire retrucou, fazendo Maria rolar os olhos. – Olha, eu ainda não sei porque estou aqui, mas sei que foi por uma razão muito especial, porque estou vendo o mundo de forma que nunca vi. Eu fui uma pessoa horrível com você…

– Horrível, estúpida, ignorante… – Maria interrompeu, contando nos dedos.

– Ei! – Claire exclamou. – O que eu quero dizer, afinal, é que eu sinto muito por ter sido uma idiota com você, ok? – Ela explodiu, nervosa pelas interrupções de Maria. – Desculpa por te chamar de louca, por infernizar a sua vida e por mentir pros seus amigos! Eu já entendi que estava errada e estou pagando o preço por tudo que fiz.

Grande parte de Maria não acreditava no que estava ouvindo. Claire Cassandra Doyle, a ricaça do colégio, a sobrinha do diretor (e dizem as más línguas: a lunática de Oxford – região que a sua família comandava), estava lhe pedindo desculpas? Só podia ser uma brincadeira, certo?

Maria estava decidindo se ria histericamente ou se caçoava de Claire, mas algo lhe dizia que ela estava realmente sendo sincera, que estava verdadeiramente arrependida. Tanto que algumas lágrimas escaparam de seus olhos esverdeados.

– Você está… Falando a verdade? – Perguntou.

– O que eu ganharia mentindo, Maria? Eu já perdi tudo, minha casa, minha família, até mesmo Noah me deixou, e o Pedro… Ele…

Não conseguiu completar a frase, pois começou a chorar. Se para Maria as coisas já estavam bizarras, ali se tornaram muito mais estranhas. Não soube o que fazer, mas teve a certeza de que, mesmo sendo uma ótima mentirosa, Claire nunca choraria por um garoto, especialmente Pedro. Então, Maria se lembrou e uma frase que sua mãe sempre lhe dizia: errar é humano; perdoar, divino

– Ok… Olhe, Claire, eu não confio muito em você, mas aprendi algo nos últimos dias, e não quero guardar rancor de ninguém. Por isso, eu te perdoo mas, por favor, não me diga que está apaixonada por Pedro?

Claire a olhou, mas se manteve quieta, cessando o choro. Maria entendeu de imediato. 

– Oh… Bem, isso é estranho, porque ele era até então meu cunhado… Mas tudo bem, não tem problema se você gosta dele. Só não chore mais.

Claire assentiu e Maria suspirou. Nunca pensou que perdoaria aquela garota, mas decidiu não se tornar uma pessoa rancorosa como Miraz. Não haviam exceções. Além do mais, querendo ou não, Claire estava solitária nos útlimos dias, e Maria não desejaria o sentimento de solidão para qualquer outra pessoa. Estava determinada a ser amiga de Claire, agora mais do que nunca.

– Gente, não quero interromper o momento de vocês, mas Pedro está chamando. – Noah disse, surgindo no corredor. Ele empunhava uma tocha, clareando o local. 

A guardiã assentiu e estendeu a mão para Claire, que limpou as lágrimas e apertou a mão de Maria, as duas então seguiram Noah até a Mesa de Pedra.

Lá já estavam todos os outros, Edmundo ainda fuzilava Noah. "Ah, se olhar matasse...", Maria pensou. Susana estava abraçada a Lúcia, pelos vistos a discussão não terminou tão bem assim. Caspian estava ao lado do professor Cornelius, que segurava um pergaminho e se pôs de pé ao lado de Pedro. Susana pareceu estranhar quando Maria entrou de mãos dadas com Claire, assim como Edmundo, mas eles deduziram que as duas finalmente haviam resolvido as coisas. 

– Já está feito, agora temos de escolher duas pessoas para acompanhar Edmundo. – Pedro pronunciou. – Verruma pode ser uma delas. Gigantes sempre impressionam.

– Eles não são lá muito espertos... – Caspian objetou. 

– Desde que se mantenham calados, acho que dará certo. – Caça-trufas, que estava próximo de NCA e Ripchip, respondeu.

– Se querem alguém que mate com o olhar, chamem Ripchip. – NCA comentou.

– É verdade. – Maria gargalhou. – Mas é muito pequenino... Com todo o respeito, Ripchip.

– Sem problemas, minha senhora. – Ripchip respondeu, educado como sempre.

– Então mandem Ciclone. – Caspian sugeriu, e Pedro assentiu.

– Seria uma ótima ideia se Maju fosse também. – Lúcia propôs.

– Ela ainda está machucada, Lúcia. – Edmundo argumentou.

– Sim, mas pensem comigo: se ela aparecer na frente de Miraz, ele poderá ver que nem a covardia dele pode acabar com a força de Nárnia.

Lúcia tinha um bom argumento. Aquilo só demonstraria o quão forte Nárnia realmente é, e parecia ser uma boa ideia. Até mesmo Caspian estava impressionado.

– Miraz poderá ver como uma afronta, é melhor não. – Susana comentou.

– Mas pode demonstrar o poder de Aslam e amedrontar os telmarinos, pode ser uma vantagem se realmente haver uma guerra. – Claire disse, trazendo a atenção daquele cômodo para si.

– É uma boa ideia. – Noah apoiou.

– Maju, o que pensa disso? – O professor perguntou.

– Bem… O que for bom para o reino, é bom para mim. – Ela respondeu, dando de ombros. Na verdade, ela queria era estar perto de Edmundo, só para ter a certeza de que nenhum mal lhe aconteceria.

– Está decidido, então. – Pedro declarou. – Ciclone, Verruma e Maju irão acompanhar Edmundo. 

 



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