História We Found Love In a Laundry - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Girls' Generation
Personagens Taeyeon, Tiffany
Tags Snsd, Taeny
Exibições 145
Palavras 7.639
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Festa, Fluffy, Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yuri
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


OIE MEUS AMORECOS <3

EU AMEI ESCREVER ESSE CAPÍTULO!!!
Espero que gostem de lê-lo u_u

Boa leitura <3

Capítulo 3 - The Date


Fanfic / Fanfiction We Found Love In a Laundry - Capítulo 3 - The Date

Taeyeon:

 

                Eu sinceramente não sei o que me deu, mas eu tomei coragem pra chamá-la para um encontro. Eu não sei de que forma ela interpretou isso, porque eu não sei se ela está levando isso pro lado amoroso da coisa ou só na amizade, na verdade, nem eu sei para que lado eu estou levando isso, mas estou feliz que ela tenha aceitado, já faz muito tempo que eu não saio com alguém. Cheguei frente à minha casa e abri a porta, coloquei meu chinelo no espacinho que havia justamente pra isso e a casa estava silenciosa, talvez os convidados já tivessem ido embora.

 

- Omma, cheguei! – gritei e instantaneamente, pude ouvir vários passos rápidos e de repente um amontoado de rostos estavam em cima de mim.

 

- ONDE VOCÊ ESTAVA COM A TIFFANY? CADÊ ELA? SAÍRAM SEM AVISAR NINGUÉM, NÉ? – elas falavam todas juntas e me arrastaram até o sofá da sala.

 

- Vai, desembucha! – Sooyoung sacudiu meu braço.

 

- Desembuchar o que? – perguntei confusa e logo meu pai e minha mãe também estavam na sala me esperando falar.

 

- O que aconteceu? Onde vocês tavam? Quero detalhes de tudo, meu bem! – Sooyoung disse exasperada.

 

- VAI SAPATÃO, FALA LOGO! – Yuri gritou.

 

- Unnie, não grite. A Tae Unnie tá um pouco confusa ainda. – Seohyun disse olhando pra Yuri.

 

- Tae, vou te situar no mundo. Ham-ham... – Yoona pigarreou. – Pouco tempo depois que você sumiu, Jessica procurou pela Tiffany e viu que ela tinha sumido também, então ela foi procurar a Omoni. – apontou pra minha mãe e ela estava com um sorrisinho travesso, semicerrei os olhos pra ela e ela arqueou uma sobrancelha.

 

- Por que tá me olhando assim? Eu só disse a verdade. – ela deu de ombros.

 

- Foi, ela disse que você tinha saído com a tua “paixãozinha”. – Jessica disse gargalhando, levando todos a rir junto.

 

- Nossa, obrigada mesmo, mãe. – rolei os olhos e todos só riram ainda mais. – YAH! Ela não é minha “paixãozinha”, eu só acho ela legal. – bufei.

 

- “Appa, ela é tão linda. E o sorriso dela? Nossa, tenho nem o que dizer! ELA É MARAVILHOSA! Meu coração até falhou algumas batidas quando eu vi ela pela primeira vez. Será que ela vai amanhã lavar roupas?” – meu pai falou tentando miseravelmente imitar a minha voz. Preciso lembrar que ele é boca rasgada sempre que for falar de algo pra ele.

 

- TEIÃO TÁ APAIXONADA! – Hyoyeon gritou gargalhando.

 

- Eu não to apaixonada. – rolei os olhos.

 

- Tá bom Taeyeon, a gente vai fingir que acredita, tá? Mas agora fala onde vocês estavam. – Jessica disse.

 

- Ah, nós estávamos andando por aí, conversando apenas. – dei de ombros. – E deixei ela em casa, involuntariamente.

 

- Nossa, que decepcionante. – meu pai disse em tom de lamentação.

 

- Você beijou ela? Diz que sim, Tae. – Sunny disse.

 

- Beijei... – falei inocentemente. – Mas-----

 

- PUTA QUE PARIU! – Sooyoung gritou colocando a mão no coração.

 

- Mas gen---

 

- MENTIRA VIADO! – Yuri também gritou.

 

- Ma-mas-----

 

- TEIÃO DAS ATITUDE MESMO, HEIN?! – Hyoyeon também gritou.

 

- ME DEIXA FALAR CARALHO! – gritei e elas se calaram. – Não foi um beijo, BEIJO, sacou? – perguntei e elas se mantiveram em silêncio. – Foi um beijo na bochecha.

 

- QUE BROXANTE! – meu pai e a Jessica gritaram, mas meu pai recebeu um tapa no braço vindo de minha mãe.

 

- Ela tá mais que certa, não pode ir tão rápido assim. – minha mãe disse. – Você que é um grosso.

 

- Eu não sou grosso, eu só não tenho paciência pra ser romântico demais. – meu pai se defendeu.

 

- Ah, é Kim TaeWoong? – semicerrou os olhos pra ele.

 

- Não, claro que não, meu amor. Romantismo é tudo. – meu pai sorriu amarelo.

 

- Enfim...Taeyeon, me diz qual o problema de pegar o rosto daquele ser humano rosa assim... – Jessica se aproximou e segurou meu rosto entre suas mãos. – E tacar um beijão? – e me beijou. Correspondi, porque era uma coisa normal pra mim, sim, eu tinha amizade colorida com a Jessica.

 

- QUE ORGULHO DO MEU BEBÊ! – meu pai gritou e Jessica se afastou.

 

- Jess, o problema é que ela não é você. – falei inocentemente, mas...

 

- NOOOOOOOOOOOSSA! SE FOSSE EU, METIA A MÃO NA CARA DELA. – Hyoyeon gritou.

 

- BRIGA, BRIGA, BRIGA! – Yoona gritou.

 

- Gente, ela não tá mentindo. – Jessica disse. – Eu não quero nada sério, a Tiffany quer e não quer ao mesmo tempo. Ela é uma pessoa meio doida mesmo.

 

- Mas você não pensa em ter algo sério no futuro? – Yuri perguntou seriamente.

 

- Huuuuuum...temos outra apaixonada aqui? – Sunny pirraçou.

 

- Não é isso, Sunny. – Yuri resmungou.

 

- Não é do seu interesse, Kwon. – Jessica respondeu na mesma seriedade.

 

- Tudo bem então, Jung. – Yuri assentiu e sorriu, era um sorriso decepcionado.

 

                Eu sinceramente nunca entendi direito essa relação que elas tinham, às vezes elas pareciam estar se dando bem amorosamente falando, às vezes apenas amigavelmente e às vezes eram isso e até pior.

 

- Anyways... – Jessica disse voltando a me olhar. – E você só deu esse beijo na bochecha dela? – perguntou e eu neguei timidamente com a cabeça. – QUE MAIS TU FEZ?

 

- Eu chamei ela pra sair... – falei um pouco baixo, mas todo mundo ouviu.

 

- ATÉ QUE ENFIM, MEU DEUS! – Sooyoung se esgoelou.

 

                Continuaram me zoando por um bom tempo, mesmo o clima estando bem pesado entre Yuri e Jessica. HaYeon voltou pra sala acompanhada do meninozinho que ela gostava e eu fiquei apenas observando aquela pouca vergonha até as meninas resolverem irem embora e o meninozinho também, a única que ficou foi Yuri, porque ela queria conversar comigo. Eu estava preocupada, porque o tom de voz dela era sério e Yuri dificilmente age assim. Chamei ela pro meu quarto e eu tranquei a porta.

 

- Como foi na hora que cê chamou a Tiffany pra sair? – ela perguntou sorrindo.

 

- Ah, foi complicado, eu estava nervosa demais. – ri. – Mas não é sobre mim que vamos conversar.

 

- Na verdade é sobre você também. – ela disse e suspirou. – Quando é que se sabe que a pessoa não vai te aceitar na vida dela, mesmo que você tente?

 

- Eu não sei, eu quem deveria te perguntar isso, você sabe que eu não consigo insistir nas pessoas. Eu apenas me apaixono e não mostro que estou apaixonada, porque eu sei que vou me ferrar no final de tudo. – dei de ombros e ela suspirou.

 

- Tae, eu não sei mais o que fazer. – bagunçou os próprios cabelos.

 

- Posso perguntar uma coisa? – perguntei.

 

- Não, porque eu sei qual vai ser sua pergunta. E a resposta é não. – ela disse.

 

- Okay então... – assenti.

 

- Vamo jogar Guitar Hero que é melhor. – ela disse e fomos jogar.

 

...

 

                Não consegui dormir de jeito nenhum. Motivo? Eu não faço a menor ideia de onde posso levar Tiffany. Eu estou nervosa em último grau, eu só quero ver aquele eye-smile sendo lançado pra mim mais uma vez, eu queria muito que ela gostasse de sair comigo e não soubesse logo de cara o quão chata eu sou. Eu só quero causar uma boa impressão. Consegui dormir depois que o dia amanheceu e não dormi por muito tempo, já que minha mãe bateu na porta do meu quarto.

 

- Tae! – ela gritou do lado de fora. – Tae, acorda!

 

                Me sentei na cama, cocei os olhos e minha mãe continuou me chamando.

 

- Já vou, Omma! – falei alto o suficiente pra que ela escutasse.

 

                Me espreguicei e saí do meu quarto com um dos olhos fechados, tentando protegê-los da irritação causada pela claridade, caminhei até a cozinha e meu pai, minha mãe e HaYeon estavam lá. Sentei na cadeira livre ao lado da minha irmã e dei um sorriso fechado pra todos.

 

- Bom dia. – falei com a voz rouca.

 

- Bom dia! – todos disseram de volta. – Nossa Tae, você tá acabada. – HaYeon disse.

 

- Obrigada pelo elogio, também amo você. – falei ironicamente.

 

- O que houve, filha? Seus olhos estão inchados. – meu pai disse.

 

- E está com olheiras horríveis. – minha mãe falou preocupada.

 

- Ah, não é nada demais. Eu só não consegui dormir essa noite. – falei e o sorriso de HaYeon automaticamente ficou sapeca.

 

- Hummmm... – ela me deu um leve empurrão. – A Unnie tá nervosa, Omma. Isso é porque ela vai sair com a “moça linda da lavanderia”. – ela fez aspas.

 

- COMO VOCÊ----

 

- Jessica-Unnie me contou. – deu de ombros.

 

- AISH! – resmunguei. – Aquela boca de sacola.

 

- Você já sabe pra onde vai levar ela? – minha mãe perguntou e eu neguei.

 

- É por isso que eu não consegui dormir, eu quero que ela se divirta comigo, mas também quero algo tranquilo, onde eu possa conhecer ela melhor. – expliquei e suspirei frustrada, me debruçando sobre a mesa. – Eu não consigo pensar em nada legal.

 

- Que bonitinho ver a Tae assim! – HaYeon deu um gritinho e apertou minha bochecha e eu a fuzilei com os olhos. – Cruz credo, ela é toda boba pra Tiffany, mas pra mim, que sou IRMÃ dela, ela parece o capeta. Vou te levar na igreja, hein? – ela bufou.

 

- Enfim... – falei ignorando completamente a minha irmã. – Aceito sugestões.

 

- Eu posso dar uma? – HaYeon perguntou.

 

- Não. – fui curta e grossa e ela bufou.

 

- Eu sempre fui péssimo nisso de encontros. – meu pai disse.

 

- Por que você não leva ela pra jantar? – minha mãe perguntou.

 

- Isso não é muito clichê? – perguntei.

 

- Você é clichê, Taeyeon. – minha irmã rolou os olhos.

 

- Cala a boca, HaYeon. Meu papo não é com você. – bufei. Eu estava nervosa e ela só piorava tudo.

 

- É clichê, mas é romântico, meu bem. – minha mãe disse.

 

- MÃE! Eu não quero que ela se assuste, queria algo mais amigável. – passei a mão pelos meus cabelos e os puxei. – ARGH! O que eu faço? – choraminguei.

 

- Eu tenho uma ideia! – HaYeon levantou o dedo.

 

- Eu já disse que nã---

 

- Deixa ela falar, Tae. Eu sei que você só não quer ouvir a ideia dela, porque “ela é mais nova e não entende nada de encontros”. – minha mãe disse rindo e eu a encarei com uma expressão que gritava um: “Mas ela não entende mesmo.”, mas ela me olhou com uma expressão que eu sabia que dizia: “Para de ser cabeça dura.”, então só suspirei.

 

- Tá bom, tá bom...o que você me diz? – perguntei olhando pra HaYeon e ela sorriu.

 

- Quinta-feira passada as meninas lá da escola me disseram que o parque de diversões chegou aqui no bairro, por que vocês não vão? Depois você leva ela naquela sorveteria que nós duas amamos. Tenho certeza que ela vai se amarrar na sua, se ela for cega o suficiente pra isso. – HaYeon disse e a ideia foi tão boa que eu até ignorei o insulto da última frase e dei um beijo na bochecha dela.

 

- Eu amo você. – falei olhando nos olhos da minha irmã enquanto ainda segurava o rosto dela.

 

- Eca, me solta. – puxou o rosto pra longe das minhas mãos.

 

- De quanto você precisa, filha? – meu pai perguntou abrindo a carteira.

 

- Não pai, não é necessário. – sorri sem graça.

 

- Diga logo de quanto precisa. – meu pai disse.

 

- Pai, eu trabalho. Eu tenho meu dinheiro. – ri.

 

                Meu pai sempre era mão aberta quando eu resolvia sair em um encontro com alguém, acho que isso se deva pelo fato de que eu normalmente vivo sozinha, amorosamente falando.

 

- Pare de besteira, depois você me compensa pagando a conta de luz. – meu pai riu e eu ri junto. – Tome. – me estendeu 100.000 wons.

 

- Não pai, isso é muito. Eu não posso acei----

 

- Taeyeon, você quer que eu lhe dê uns tapas pra você aceitar logo isso daqui? – meu pai semicerrou os olhos pra mim e eu suspirei me dando por vencida e aceitando o dinheiro. – Ótimo. – sorriu. – Compre tudo o que ela quiser.

 

- Ok. – ri sem graça.

 

                Meus pais estavam mais animados que eu com esse encontro e eu sabia que estavam idealizando mil e uma coisa sobre nós duas e provavelmente já estavam até nos vendo casadas. Eles sempre criam esperanças demais quando eu saio com alguém, mas eu nunca quis nada com ninguém. Não é que eu não achasse a pessoa interessante, atraente ou coisa do gênero, eu só tinha e tenho medo...medo que aconteça de novo.

 

                O meu dia foi de completa zoação, as meninas ficaram me mandando várias mensagens de texto do tipo: “Dessa vez não amarela e beija ela, hein?”, “Como o coração tá? Cuidado pra não passar mal.”, “Se for comer hambúrguer com a Tiffany, cuidado pra não ficar com alface grudado no dente. É uma coisa muito embaraçosa que eu não desejo de maneira alguma pra você. Amo você!”. Essa última mensagem foi a única carinhosa que eu recebi, que obviamente fora enviada pela Soo, mas em compensação ela passou o dia inteiro dizendo que queria saber todos os detalhes do nosso encontro, porque queria guardar todos os detalhes sobre o OTP dela. Isso é cômico, porém um pouco irritante.

 

                Quando deu 17h o nervosismo quadriplicou, eu já estava tremendo, andando pra lá e pra cá, vendo e revendo roupas que eu poderia usar, mas nada parecia bom o suficiente. Eu sabia que era tolice ficar nervosa àquele ponto, mas sempre que eu pensava na hipótese de que ela poderia não gostar do nosso pequeno passeio, eu sentia que podia simplesmente desmaiar. Me deu até vontade de remarcar o encontro, mas a HaYeon me deu um tapa na cara e me mandou parar de ser frouxa, fiquei com raiva, mas aquilo de certa forma me ajudou.

 

 

Tiffany:

 

- JESSICA PELO O AMOR DE DEUS NÃO RI DE MIM! – gritei pela milésima vez. – CADÊ O MEU TÊNIS? DROGA!

 

- Calma Tiffany, cê vai passar mal... – Jessica disse entre risos.

 

- JÁ SÃO SEIS HORAS E CINQUENTA E UM, JESSICA! ELA CHEGA AS SETE! – gritei.

 

- Qualquer coisa ela espera, ué. – Jessica disse como se fosse a coisa mais simples do mundo.

 

- E eu ter que passar o vexame de no primeiro encontro me atrasar? Claro que não! – esbravejei. – Você não viu mesmo o meu tênis?

 

- Qual? Aquele Adidas com as listras rosa? – ela perguntou e eu assenti freneticamente. – Tá no meu quarto desde a última vez que nós dormimos juntas.

 

- Você fala como se fizesse muito tempo. – rolei os olhos.

 

- Mas faz muito tempo! – esbravejou.

 

- Jessica, isso só tem uma semana. – agora era a minha vez de rir.

 

- EXATAMENTE! Uma semana que não nos pegamos, isso é muito pra mim. – ela disse indignada apontando pra si mesma enquanto eu ia até o quarto dela pegar meu tênis, calcei o mesmo e me olhei no espelho.

 

- E aí? Como eu to? – perguntei pra Jessica, que estava me observando da porta.

 

- Ridícula. – resmungou.

 

- É sério, Jess. – choraminguei.

 

- Mana, esse shortinho branco com essa blusa rosa com “BARBIE” escrito em letras muito visíveis não é o tipo de roupa que eu usaria num encontro, mas estamos falando de você, né? – ela deu de ombros.

 

- Será melhor tocar? – olhei pra minha blusa.

 

- Olha, se fosse eu--------

 

~Ding dong~

 

                Meus olhos voaram pra Jessica, depois voaram pro relógio. Eram exatas 19h.

 

- Meu Deus. – falei. – É ela. E agora? – choraminguei.

 

- Vai assim mesmo, ué. – Jessica deu de ombros. – É melhor que ela vê logo onde tá amarrando o jegue dela. – ela riu e eu semicerrei os olhos pra ela. – Termina de se enfeitar aí que eu vou abrir a porta pra ela.

 

                Jessica saiu e eu continuei parada no mesmo lugar onde eu estava. Eu já estava pronta, mas eu estava insegura. E se ela me achar infantil? E se ela me achar estranha com aquela roupa? E se eu estiver efeitada demais, como Jessica costuma dizer? Eram tantos “E se’s...” que eu já estava pra pular a janela e sair correndo. Então Jessica apareceu na porta do quarto e ergueu uma das sobrancelhas.

 

- O que você ainda tá fazendo aí? A menina tá te esperando, palhaça. – Jessica disse e eu pigarreei.

 

                Me olhei no espelho uma última vez, ajeitei meus cabelos sobre meus ombros e respirei fundo umas quatro vezes. Era até cômica a minha situação nervosa, mas eu não conseguia rir daquilo, na verdade eu só queria chorar, mas Jessica, sendo a boa amiga de sempre, me puxou pelo braço e praticamente me jogou na sala. Taeyeon nem tinha me visto ainda, ela estava sentada no sofá, com as mãos sobre os joelhos e batendo o pé contra o chão freneticamente, de vez em quando ela entortava um pouco a boca pro lado, parecia estar tímida. E eu poderia ficar ali, apenas a observando, se Jessica não tivesse me dado uma cotovelada e sussurrado um “Vai logo, sapatão.”.

 

- HAM-HAM! – Jessica forçou a garganta o que chamou a atenção de Taeyeon, olhei pra Jessica e a fuzilei com os olhos, mas logo olhei pra Taeyeon sorrindo e ela já estava sorrindo em minha direção.

 

- Olá Pany-ah! – Taeyeon disse.

 

- O-oi TaeTae. – gaguejei.

 

- Você tá pronta? – perguntou e eu assenti timidamente, Taeyeon se levantou e eu comecei a ser empurrada.

 

- Vai, vaza do meu apartamento. Tchau e bênção! – Jessica me deu um último empurrão que me fez esbarrar com Taeyeon e pela proximidade, ficamos extremamente envergonhadas. – Bom encontro pra vocês. – Jessica disse balançando a mão, nos mandando embora.

 

                Taeyeon estava a coisinha mais fofa que eu já vi. Ela vestia um short preto, uma blusa básica também preta, uma camisa azul-claro de botões, um tênis branco e usava um boné aba reta cinza, com a aba virada pra trás. Saímos do apartamento e estávamos caladas enquanto descíamos dentro do elevador, até que ela quebrou o silêncio.

 

- E-er...como foi o seu dia? – ela perguntou.

 

- Foi bom e o seu? – perguntei.

 

- Barulhento. – sorriu sem graça.

 

- Entendo... – assenti e ficamos um pouco em silêncio, então tomei coragem para elogiá-la. – Você está linda.

 

- Mesmo? – perguntou surpresa e olhou pra própria roupa, eu assenti e ela sorriu, pude ver bem de perto as bochechas dela corarem. – Obrigada. Mas você está bem mais linda.

 

- O-obrigada. – sorri completamente envergonhada.

 

- Você gosta de parques de diversões? – ela perguntou ao que o elevador foi aberto.

 

- Adoro! Faz muito tempo que eu não vou em um. – falei animada.

 

- E se eu disser a você que vamos pra um agora mesmo? – ela sorriu sapeca.

 

- Jura? – perguntei radiante e ela assentiu rindo. – Você é incrível! – dei um beijo na bochecha dela e ela se encolheu um pouco com o meu ato. Ao que saímos do prédio vi que havia um táxi nos esperando.

 

- Vamos de táxi, porque é um pouquinho longe, mesmo sendo no meu bairro. – ela explicou e eu assenti. Entramos no táxi e ela sorriu pra mim. – Acho que nós nunca paramos pra conversar coisas básicas, né?

 

- Por exemplo...?

 

- Tipo, o que gostamos de fazer, preferências... – ela disse dando de ombros.

 

- Ah sim, é verdade. – ri. – Então, quem começa?

 

- Você. – ela disse com o maior sorrisão.

 

- Hum...vou me apresentar completamente, tudo bem? – perguntei e ela assentiu. – Bom, meu nome mesmo é Stephanie, mas prefiro que me chamem de Tiffany, meu nome coreano é Hwang MiYoung. Gosto de cantar, dançar e de escrever de vez em quando, nas horas vagas gosto de ir ver algum filme ou sei lá. Não tenho nenhum talento extra e eu sou... – parei de falar, pensando se deveria mesmo continuar, mas resolvi continuar, afinal íamos à um encontro, certo? Certo. – Eu sou lésbica. Acho que só tenho isso como informações úteis.

 

- Oh... – ela assentiu. – Então agora é minha vez. – ela disse e pigarreou. – Meu nome é Kim Taeyeon e ele não tem uma versão americana legal como o seu. Eu gosto bastante de jogar videogame e de qualquer coisa relacionada a arte, ou seja, desenhar, obviamente, ouvir músicas, tocar alguns instrumentos, escrever, ler, assistir filmes, séries e desenhos animados e de cantar, mas eu só canto pra mim, porque não gosto muito da minha voz. – ela listou e eu me desesperei ao perceber a ausência de um pequeno detalhe. – Ah! Eu também sou lésbica.

 

- Oh...interessante. – assenti e sorri, até que percebi que minha frase tinha duplo sentido por conta de sua última frase. Estava deixando escancarado o fato de que eu estava mesmo interessada nela. – Ham-ham... – pigarreei. – Você sabe tocar? – perguntei e ela assentiu. – Quais instrumentos?

 

- Violão, teclado e me arrisco um pouco na guitarra. – ela disse.

 

- Nossa, queria saber pelo menos violão, mas não sei nem manter uma conversa em coreano. – ri e ela me acompanhou.

 

- Ah, eu também gosto de dar aulas. – ela disse. – Se você quiser, posso ajudar você com coreano nos finais de semana.

 

- Sério? – perguntei animadíssima e ela assentiu com um sorrisão. – Eu agradeceria muito! E eu meio que estou ajudando você com o inglês indiretamente. – ri.

 

- Isso é verdade. – ela também riu. O carro parou e o motorista nos informou que havíamos chegado. Taeyeon agradeceu, pagou o homem e nós descemos. O parque era bem grande e eu estava impressionada.

 

                Entramos no parque e os olhos de Taeyeon vagava rapidamente por todo o lugar e o sorriso dela lhe dava uma áurea mais infantil. Ela me perguntava a todo instante onde eu queria ir e acabamos por ir em um onde você tinha que acertar uma bolinha num prato, se ele quebrasse com o impacto você perdia, se a bolinha apenas derrubasse o prato você ganhava. O homem deu três bolinhas pra mim e três pra Taeyeon.

 

- Vai TaeTae! – incentivei e ela riu, jogou a primeira e quebrou um dos pratos.

 

- OMO! – ela se assustou. – ONESHOT! – gritou levantando os braços e eu acabei rindo. – Pena que eu não ganhei.

 

- Tenta de novo. – falei sacudindo o braço dela e ela assentiu, se preparou e jogou. Dessa vez a bolinha foi longe.

 

- Tenta você agora. – ela disse. Me preparei e joguei. A bolinha acertou o chão, me senti um nada nesses joguinhos.

 

- Que vergonha! – falei chorosa e ela riu.

 

- Mais uma vez. – ela disse e eu tentei mais uma vez, quase acertei a cara do moço da barraquinha.

 

- ME DESCULPE! – falei exasperada e o rapaz apenas riu.

 

- Vem cá, Pany-ah. Vou te ajudar... – Taeyeon disse e me fez segurar a bolinha com uma das mãos, foi pra detrás de mim, colocou o queixo no meu ombro, segurou minha mão que segurava a bolinha e sorriu. – Vamos lá. Você só tem que mirar no prato, medir a força e jogar. – empurrou minha mão me fazendo jogar a bolinha, ela não acertou o prato, mas passou bem perto. – Viu? – ela disse e eu virei meu rosto na direção do dela. Estava tão perto, eu podia sentir a respiração dela batendo contra a minha, pude ver ela engolir em seco e olhar para os meus lábios, mas antes que qualquer coisa acontecesse ela se afastou e pigarreou. – Agora eu acerto. – ela disse, mas sua mão estava tremendo. Jogou a última bolinha que ela tinha e por incrível que pareça ela conseguiu acertar.

 

- Que pelúcia você quer? – o homem perguntou pra Taeyeon.

 

- A do unicórnio. – ela apontou pro mesmo e o homem trouxe a pelúcia, nos afastamos um pouco da barraca e ela cutucou meu braço com o indicador, olhei na direção dela e ela estava corada. – Pra você. – me estendeu o unicórnio.

 

- O-o-obrigada. – sorri envergonhada.

 

                Depois disso, nós fomos para os carrinhos de bate-bate, escolhi o carrinho rosa e a Taeyeon o carrinho azul-escuro, coloquei meu unicórniozinho ao meu lado no carrinho e sorri desafiadoramente pra Taeyeon que estava um pouco afastada de mim. Quando os carrinhos foram ligados eu parecia uma criança, morrendo de rir e fugindo dos outros carrinhos enquanto eu soltava uns gritinhos, mas não adiantou de nada, o carrinho da Taeyeon me prendeu no canto da “pista” e nós ficamos rindo igual duas idiotas.

 

- Você me paga, Kim! – esbravejei, ela se afastou e começou a fugir de mim.

 

                Era tão engraçado ver ela naquele carrinho, porque o corpo dela era pequeno e ela tinha jeito de criança, então parecia muito que eu estava correndo atrás de uma criança. Enquanto eu reparava nisso, um rapaz bateu o carrinho dele com tudo no meu e ele riu sem graça.

 

- Me desculpe pela violência. – ele disse em coreano e eu neguei com a cabeça.

 

- Não foi nada. – falei também em coreano e sorri, porém depois de alguns segundos o carrinho do rapaz foi brutalmente empurrado, sendo substituído por um certo carrinho azul. Taeyeon deu o maior sorriso idiota enquanto piscava pra mim.

 

                Quando o tempo no carrinho de bate-bate se esgotou, resolvemos andar um pouco mais pelo parque e encontramos uma barraquinha que havia uma mulher que fazia desenhos nos rostos das pessoas. Taeyeon me perguntou se eu não queria fazer um e eu assenti, demorei pra escolher o meu então Taeyeon foi na frente. Ela escolheu um golfinho e eu escolhi uma flor cor-de-rosa.

 

- O seu ficou muito bonito. – ela disse.

 

- E o seu é muito fofinho. – falei dando o meu melhor sorriso, um rapaz ia passando e Taeyeon o parou.

 

- Moço, você pode tirar uma foto pra nós? – ela perguntou e ele assentiu, Taeyeon entregou o celular dela e o rapaz segurou o mesmo de frente pra nós. Taeyeon me puxou pela cintura pra mais perto dela e eu coloquei a mão em seu ombro, o flash piscou e então o rapaz devolveu o celular pra ela. – Muito obrigada. – Taeyeon sorriu e o rapaz se curvou e saiu. – Ficou muito boa. – me mostrou a foto e eu assenti. Nós estávamos parecendo um casal, mas eu gostei de como nós combinávamos. – Quer algodão doce? – perguntou.

 

- Onde tem? – perguntei olhando pra todos os lados e ela sorriu.

 

- Sente ali que eu compro pra você. – ela disse e eu assenti.

 

                Caminhei até um banquinho semelhante àqueles de praça e a observei se afastar. Depois de alguns segundos uma moça tocou o ombro dela e Taeyeon olhou pra trás, mas a sua expressão não foi nada boa ao ver tal pessoa. Ela, sem dizer palavra alguma, virou as costas, pegou os dois algodões doces, entregou o dinheiro para a senhora que os vendia e veio caminhando em minha direção, mas aquela moça vinha a seguindo.

 

- Tae! Você não vai me dar nem um olá? – a moça disse e Taeyeon se virou bruscamente.

 

- Me deixe em paz! – ela disse num tom totalmente frio e até agressivo.

 

- Taeyeon, eu queria conver----

 

- Eu já lhe disse que não temos o que conversar. Única coisa que eu quero de você é distância e se você atender ao meu pedido vai me fazer muito feliz. – Taeyeon continuou falando naquele tom e parecia irritada. Resolvi me aproximar.

 

- O que está acontecendo, TaeTae? – perguntei ao me posicionar ao lado dela e o olhar da outra tentou me intimidar, mas eu não dei muita bola pra isso.

 

- Não é nada, Pany-ah. – Taeyeon sorriu pra mim. – Não se preocupe.

 

- Quem é você? – a moça me perguntou, me olhando dos pés à cabeça.

 

- Não é da sua conta. Agora por favor, nos deixe em paz! – Taeyeon disse entredentes.

 

- Eu sou a namorada dela. – falei num coreano bom até demais, para a minha surpresa, enquanto pegava um dos algodões doces de uma de suas mãos e logo agarrando o braço livre de Taeyeon, entrelaçando nossos dedos logo em seguida. Eu realmente não sei por que eu disse aquilo, mas Taeyeon pareceu me agradecer com um leve aperto em minha mão. A moça me analisou dos pés à cabeça e sorriu debochada.

 

- Namorada? – a moça disse olhando pra Taeyeon.

 

- Sim, qual o problema? Eu lhe devo satisfações? Não. Agora eu peço pela última vez que se retire, não quero que você estrague o meu encontro com a minha namorada com a sua presença desagradável aqui. – Taeyeon disse e a moça me olhou uma última vez e voltou a olhar pra Taeyeon.

 

- Nos vemos depois. – ela disse antes de ir embora.

 

- Argh! – Taeyeon resmungou e começamos a andar até o banco onde eu estava sentada. Nós ainda estávamos de mãos dadas.

 

- Eu não sei se devo perguntar e me desculpe se você interpretar como falta de educação ou coisa do tipo, mas... – falei receosa. – Quem era aquela moça?

 

- Me desculpe fazer você passar por essa situação. Muito obrigada por ter me salvo, ela não iria parar de me perturbar tão cedo caso você não tivesse aparecido. – ela deu um sorriso fechado. – Ela é minha ex-namorada.

 

- Oh...entendo. – resolvi me manter em silêncio. Comemos nossos algodões doces ainda de mãos dadas e ficamos assim por um tempo, até que Taeyeon pareceu perceber e então soltou minha mão um pouco envergonhada.

 

- Ainda quer ir em algum brinquedo ou quer ir embora? – perguntou.

 

- Ah, se quiser ir podemos ir. – sorri e ela sorriu assentindo.

 

- Quero te levar em um lugar que eu gosto bastante antes de te deixar em casa. – ela disse e eu corei.

 

                Saímos do parque e andamos por alguns minutos. Taeyeon estava muito, mas muito sorridente, estava a todo instante dizendo que eu era tão fofa quanto o unicórnio que ela havia me dado de presente. E eu? Bom, eu estava igual um tomate. Então paramos frente uma humilde sorveteria, mas muito bem arrumadinha e muito fofa. Taeyeon me puxou pelo pulso completamente animada.

 

- Olá, olá ahjumma! – Taeyeon disse se debruçando sobre o freezer e ficando na ponta dos pés. Tão fofa!

 

- Olá, olá Tae! – a mulher disse. – Oh, hoje você está acompanhada... – a senhora sorriu pra mim, retribuí o seu sorriso e Taeyeon deu uma risada sem jeito enquanto coçava a nuca.

 

- Pois é... – Taeyeon disse sorrindo completamente tímida. – Enfim, o meu é o de sempre e pra Tiffany... – olhou pra mim.

 

- Qualquer um. – sussurrei.

 

- Não existe esse sabor, Pany-ah. – ela disse rindo e eu dei um leve tapa no braço dela. – Pode escolher o que quiser. – ela disse.

 

- Mas qualquer um pra mim tá bom. – falei sorrindo timidamente.

 

- Aigoo... – ela rolou os olhos enquanto sorria. – Ahjumma, faça um igual o meu, ela tem que sentir o poder do Senhor Sorvete, né? – ela disse tão empolgada que acabou por me fazer rir junto da senhora. – Mas capriche no de morango e no de chocolate. – piscou pra mim e a mulher assentiu.

 

                A mulher colocou os sorvetes e nos entregou as duas taças GIGANTES preenchidas com literalmente todos os sabores disponíveis. Nos sentamos em uma das mesinhas que tinha ali, uma de frente pra outra. Eu estava encarando aquela carinha de criança feliz de Taeyeon e isso era tão engraçado e fofo, então ela percebeu que eu estava a olhando.

 

- Que foi? Tem alguma coisa na minha cara? – ela perguntou passando a mão no rosto e eu neguei com a cabeça enquanto sorria, ela corou imediatamente. – Então o que foi?

 

- “Senhor Sorvete”, TaeTae? – perguntei rindo e aquela expressão de criancinha retornou pro seu rosto.

 

- Sim, este é o soberano SENHOR SORVETE! – ela disse chacoalhando as mãos envolta da taça dela e eu gargalhei. Ela fez um biquinho e cruzou os braços. – Ah, qual é Pany-ah, eu dei esse nome a ele quando eu tinha uns treze anos, quando eu trouxe a HaYeon aqui pela primeira vez, ela tinha uns quatro anos. Releva. – ela disse ainda fazendo bico.

 

- Okay, eu te perdoo. – brinquei. – Mas por que vocês deram esse nome pro sorvete? – perguntei enquanto observava ela colocar a primeira colherada de sorvete na boca.

 

- Porque ele simplesmente MUDOU a minha vida! E também porque no dia que eu vim com a HaYeon aqui eu fiz uma carinha feliz e um bigode com cobertura de chocolate nos nossos sorvetes. – ela disse super contente e eu voltei a gargalhar. – Vai rindo, vai. Até agora você não comeu nenhuma colher dessa obra divina. – ela tentou fazer uma expressão brava, mas aquilo só me fez ver o quanto ela era fofa. Ela pegou a colher dela, enfiou no meu sorvete e me estendeu a mesma com uma grande quantidade de sorvete. – Diga “Aaah”! – ela disse e eu o fiz. Seria muito idiota se eu fizesse isso com qualquer outra pessoa, mas com ela foi bem natural. – Agora saboreie... – ela disse semicerrando os olhos com um sorriso convicto estampado em seus lábios. O fiz e, por Deus, aquele sorvete não era desse mundo, acabei por arregalar os olhos. – NÃO É MARAVILHOSO? – ela exclamou.

 

- ISSO É O PARAÍSO! – exclamei.

 

- VIU? Eu disse que você precisava sentir o poder do Senhor Sorvete. – ela sorriu cruzando os braços vitoriosa.

 

                Só depois que Taeyeon tornou a colocar a colher dela na boca ao comer mais de seu sorvete e simplesmente travar que eu percebi que tínhamos dado um beijo indireto através de sua colher. Acho que ela pensou o mesmo que eu, já que ela me olhou e quase se engasgou ao ver que eu estava olhando pra ela, eu sentia que minhas bochechas iriam entregar meu estado nervoso por estarem pegando fogo, por isso abaixei a cabeça e me concentrei em comer meu sorvete. Até que ela quebrou o silêncio.

 

- Ham-ham... – ela pigarreou. – Desde quando você conhece a Jessica? – perguntou, mas ela ainda não me olhava.

 

- Ah, desde muito nova. Eu tinha uns cinco anos, eu acho... – pensei um pouco. – Por aí. Ela e a família dela ainda moravam na Califórnia e nós estudávamos juntas. Aí surgiu uma oportunidade pro pai dela vir pra cá quando ela tinha uns nove ou dez anos, eles vieram e eu fiquei lá sozinha. – dramatizei colocando uma enorme colherada na boca e suspirei pesado. – Era difícil falar com ela por causa do fuso-horário, mas depois de um tempo começamos a nos comunicar por intervalos, eu mandava uma mensagem pra ela de manhã e ela me enviava de madrugada, nunca dávamos tchau. Isso durou um ano inteiro sem dar um único tchau.

 

- Um ano? – perguntou pasma e eu assenti. – Wa! – arfou. – Incrível.

 

- Daí quando chegamos no ensino médio, nos falávamos pouco, mas a amizade ainda era a mesma. – sorri e fiz uma pausa. – Depois que ela veio pra cá, acho que nos vimos umas duas ou três vezes durante sete anos, que era quando o pai dela ia pra nossa cidade visitar os parentes, mas depois que a avó da Jessie faleceu eles deixaram de ir...só viemos nos ver agora que vim pra cá. – concluí e Taeyeon assentiu.

 

- Então vocês são tipo melhores amigas? – ela perguntou e eu ri.

 

- Nós somos.

 

- A Jess deveria ser bem fofa quando pequena... – ela disse.

 

- Era, mas o que ela tinha de fofa, ela tinha o dobro de chatice. – rolei os olhos e Taeyeon riu.

 

- Isso não mudou tanto, eu acho... – ela disse e eu concordei rindo.

 

- Mas e você? Como conheceu a Jessie? – perguntei.

 

- Ah... – ela pareceu ficar tímida. – Eu fui da sala dela durante todo o ensino médio...

 

- Hum...mas eu acho que não foi só isso, dificilmente a Jessica fala com as pessoas da turma dela. – semicerrei os olhos pra ela. – O que você aprontou, hein?

 

- Acho que foi no finalzinho do primeiro ano... – ela parecia forçar um pouco a mente pra lembrar dos acontecimentos. – Os alunos da minha sala combinaram de fazer uma festa de confraternização de final de ano na casa de um colega, eu achava que ia ser como aquelas festinhas com doce, salgado e muito refrigerante, mas eu me enganei, era um baita de um festão. Balada, sabe? – perguntou e eu assenti. – Eu até quis ir embora, porque minha mãe não sabia que ia ser uma balada e eu não queria que ela achasse que eu estava mentindo, mas a Yuri me forçou a ficar. Lembra da Yul, certo? – assenti mais uma vez. – Eu fiquei, mas eu me sentia igual um anjo entrando no inferno pra comer a comida do diabo escondido de Deus. – ela disse e eu gargalhei muito alto com aquilo, fazendo ela rir junto. – Sério, eu me sentia muito mal por estar ali enquanto minha mãe achava que eu estava apenas numa reunião de amigos. Daí, depois de um tempo, eu bebi um pouquinho de cerveja, pra aliviar o medo, até que a Yul me desafiou a chegar na Jessie e conseguir um beijo dela. Nesse tempo eu já sabia que preferia meninas do que meninos, mas eu também sabia que era uma loucura fazer isso assim do nada, principalmente depois de ver que ela dava muitos foras até mesmo nos rapazes, tentei argumentar, mas a Yul não queria saber, me fez beber mais e repetiu o desafio, eu, por ter bebido além da conta e estar mais cheia de “coragem”, aceitei e fui lá. Conversamos um pouco e então a Jess disse: “Até que você é bonitinha” e me beijou. – ela disse com uma cara que gritava um “wtf?” e eu ri disso. – No final de tudo eu descobri que a Yul só queria que eu levasse um tapa na cara igual ela levou, mas não foi bem assim. Depois disso, nós ficamos por um tempo, mas eu comecei a gostar de outra pessoa e resolvi parar de ficar com ela e deixar tudo só na amizade mesmo. – deu de ombros.

 

- A Jess já pegou todo mundo mesmo, nossa. – falei impressionada. – Então era você a menina que a Jess tava ficando quando estava no colegial, ela me falou sobre você, mas nunca mandou fotos. – falei e ela abriu a boca em um perfeito “o”.

 

- Quem diria que íamos nos conhecer, né? – ela disse e eu assenti ainda perplexa.

 

- Mas e então... – resolvi perguntar algo, mas desisti umas cem vezes em apenas quatro segundos e fiquei girando o sorvete que já começava a derreter dentro da taça.

 

- O que ia perguntar? – ela perguntou, seus olhos mostravam sua curiosidade.

 

- Nada não. – sorri e ela assentiu. Depois de um tempo em silêncio, ela voltou a falar.

 

- Você, por acaso...e-er... – ela pigarreou, mas também parecia ter desistido de falar.

 

- Eu, por acaso...? – incentivei.

 

- Ah, nada...deixa pra lá. – sorriu nervosa pra mim.

 

- Não vou deixar pra lá...pode falar. – sorri e ela assentiu, mas demorou um pouco pra falar. Respirou fundo e soltou o ar rapidamente.

 

- Você, assim...não me leve a mal, nem interprete errado, só to perguntando por curiosidade, certo? – ela disse exasperada e eu ri.

 

- Eu só irei considerar sua pergunta ofensiva ou invasiva depois que você a fizer...então por enquanto eu posso dizer que não tem problema. – sorri divertida e ela deu um riso nervoso.

 

- Bom, é que você aceitou sair comigo e disse pra minha ex que era minha namorada e tudo mais... – fez uma pausa curta. – Eu queria saber se você é solteira ou se devo começar a praticar corrida e a ir na academia preparar meu corpo pra levar porrada. – ela comentou tímida e eu não pude segurar meu sorriso, era exatamente isso que eu ia perguntar instantes atrás.

 

- Não, você não precisa praticar corrida e muito menos ir pra academia preparar o corpo pra levar porrada, porque eu sou solteira e mesmo que eu não fosse, eu não ia deixar baterem em você, afinal não teria como você saber e a canalha seria eu, certo? – falei e eu pude ver o sorriso dela se expandir de uma maneira incrível, mostrando sua tímida covinha em seu queixo.

 

- Entendo...então posso respirar aliviada. – ela disse brincalhona.

 

- Agora eu quem pergunto...devo afiar minhas unhas e reforçar meu cabelo? – perguntei divertida e ela riu alto.

 

- Não, como eu disse, dificilmente as pessoas me acham interessante, então por esse mesmo motivo estou mais sozinha e esquecida do que Plutão no sistema solar. – ela disse e eu ri disso.

 

- Para de exagero, tenho certeza que existem várias mulheres e até meninas loucas por você. – falei e ela riu.

 

- Olhe, se tem eu realmente não to sabendo disso e quando eu descobrir, vou dar um óculos de grau pra cada uma, devem estar realmente precisando. – ela comentou e eu fiz uma careta.

 

- Que autoestima maravilhosa essa sua. – comentei e ela riu dando de ombros. – Mas vem cá, deixa eu te contar um segredo. – a chamei com a mão, mandando ela se aproximar e nós duas nos debruçamos parcialmente sobre a mesa e eu cochichei no ouvido dela. – Nem sempre as pessoas querem deixar tão óbvio o interesse delas nas pessoas, sabe? Às vezes é melhor deixar acontecer e, quem sabe, a pessoa não nota o seu interesse, não é? – falei num ar misterioso e foi muito bom ver o pescoço dela se arrepiar.

 

                Ao que terminei de falar, ela se afastou um pouco apenas pra olhar em meus olhos, nossos rostos estavam tão perto pela segunda vez naquele dia, queria tanto que ela avançasse, mas também queria que as coisas acontecesse lentamente. Os meus olhos desceram para os lábios dela e pude vê-la engolir em seco, tornei a olhar em seus olhos, mas seus olhos não estavam nos meus e sim nos meus lábios, sorri por isso, mas ela pigarreou e se afastou brutalmente. Segunda vez que ela faz isso durante nosso encontro. Ela estava altamente nervosa e esfregou as mãos em sua camisa, parecia estar tirando a umidade delas, voltei a me sentar na cadeira e reparei que minhas mãos estavam trêmulas, até que...

 

- Droga... – ela sussurrou e eu olhei pra ela, ela percebeu meu olhar sobre ela e pigarreou. – No-nossos sorvetes derreteram...e só estava na metade. – ela disse e eu sorri por saber que aquilo era apenas uma desculpa, mesmo sendo verdade o fato de que nossos sorvetes estavam em estado líquido. – Vamos? – ela perguntou ainda aparentando estar nervosa.

 

- Vamos. – assenti e peguei o unicórnio que ela tinha me dado.

 

                Andamos um bom tempo, estávamos em silêncio, era um silêncio um pouco desconcertante, mas ainda assim nada que fosse incômodo. Caminhávamos lado a lado e de vez em quando via pela visão periférica que ela estava me olhando e acabava sorrindo com isso. Chegamos frente ao prédio onde eu morava e Taeyeon colocou as mãos nos bolsos de trás do seu short e ainda estava bem sem jeito.

 

- Enfim entregue. – ela disse num sorriso tímido.

 

- Pois é... – assenti. Fiquei alguns segundos parada, apenas de frente pra ela, até que resolvi dar um passo à frente e nos deixar mais próximas, a abracei e ela ficou extremamente rígida. – Obrigada por hoje...foi muito bom passar esse tempo com você. – falei e ela retribuiu o abraço. Passamos alguns minutos assim, o que me pareceu ser segundos.

 

- Espero que possamos sair mais vezes... – ela disse um pouco mais baixo que o de costume.

 

- Eu também espero isso. – falei me sentindo uma adolescentizinha que fica toda boba com um convite do crush.

 

                Me afastei um pouco e dei um beijo na bochecha dela, mas não foi bem na bochecha e sim no cantinho da boca dela. Eu não tinha a intenção de fazer isso, mas aconteceu e senti uma vergonha absurda me consumir ao ver os olhinhos arregalados dela. Me afastei por completo e ela não sabia o que fazer com as mãos e eu não sabia pra onde olhar.

 

- Bo-boa noite, P-Pany-ah... – ela disse e nesse momento nossos olhares se encontraram, mas rapidamente os desviei como se minha vida dependesse disso.

 

- Boa noite, TaeTae. – falei rápido e me virei, andando em passos rápidos até a entrada do prédio.

 

- Nos vemos amanhã? – ela perguntou em um grito.

 

- NÃO! – gritei e percebi que deixei o meu pensamento escapar. – Q-quer dizer...SIM! – corrigi e olhei pra trás vendo ela suspirar em alívio com olhos fechados e com a mão sobre o coração, mas virei meu rosto antes que ela olhasse pra mim mais uma vez.

 

- Então até amanhã. – ela gritou mais uma vez.

 

- ATÉ! – minha voz estava saindo mais elevada do que de costume, mas eu não estava em condições pra ligar para esse fato.

 

                Praticamente corri até o elevador e ao abrir a porta do apartamento, vi Jessica no sofá da sala assistindo televisão.

 

- E aí, como é que foi o en----

 

- DEPOIS EU FALO SOBRE ISSO COM VOCÊ! – eu disse e corri pro meu quarto, trancando a porta logo em seguida.

 

                Me recostei contra a porta e suspirei pesado. Passei meu indicador sobre meus lábios levemente, eu ainda podia senti-los formigar. Meu coração estava a ponto de rasgar meus músculos e sair pulando por aí de tanto que batia e só então percebi que estava agarrando aquele unicórnio de pelúcia com muita força. Olhei pra ele e sorri.

 

- Eu sabia que seria fácil me apaixonar por ela, mas não achei que seria realmente tão fácil assim. – sussurrei olhando para o unicórnio. Franzi meu cenho, sacudi minha cabeça e dei alguns tapinhas no meu rosto. – Calma, Tiffany. Não vamos nos precipitar, você só está impressionada com o encontro e em como ela é extremamente fofa, tímida, jeitinho de criança brincalhona e irritantemente linda. – suspirei completamente derretida ao lembrar de tudo, mas logo enrijeci minha expressão. – Banho. É disso que você precisa, Tiffany. Você precisa de um banho gelado pra parar de fantasiar as coisas. – falei pra mim mesma, olhei pro unicórnio e o joguei na minha cama. – O que é que você tá olhando pra mim desse jeito? Eu não to apaixonada! – exclamei olhando pro mesmo e corri pro banheiro.

 

                É muito cedo pra isso, certo? Ou será que não? Existe mesmo tempo certo pra se apaixonar?


Notas Finais


Espero que tenham gostado <3 E...o que estão achando da fic? O que esperam dela? O que vocês gostariam que acontecesse nela? Comentem aí >..<


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